26 de fevereiro de 2015

Restaurantes que nos tentam roubar



Das duas uma, ou a incompetência no negócio da restauração é enorme, ou grande parte tenta enganar os clientes sempre que pode. Nem estou a falar dos casos no Algarve em que cobram aos turistas o dobro do que eles consumiram, na esperança que eles não saibam ler e que mesmo assim achem barato. Nem estou a falar de restaurantes que só por terem gourmet no nome inflacionam os preços em 1000%. Estou a falar quando metem na conta coisas que ninguém pediu, nem nunca vieram para a mesa, mas principalmente da arte mais antiga de todas: 

Cobrar as entradas que ninguém comeu!

Uma vez fui jantar a um restaurante no Bairro Alto, comi Javali, que de tão mal e exageradamente temperado em vinha de alhos, bem que podia ser porco, galinha ou cão, que ninguém notaria a diferença. O prato era 15€, por isso não estamos a falar de uma tasca ranhosa. Ao pedir a conta, vou a confirmar se está tudo nos conformes, algo que faço sempre e lá está uma entrada de presunto, no valor de 6€, que ninguém comeu. Aliás, não fazia parte das entradas que nos trouxeram, por isso era impossível alguém ter comido algo que nem veio para a mesa. Cordialmente, digo ao empregado:
- Olhe, acho que se enganou... ninguém comeu presunto.
- Não? - pergunta ele com uma sobrancelha levantada.
- Não... Não veio presunto nenhum para a mesa.
- Ahhh, sabe o que é? É que normalmente nesta casa toda a gente pede presunto, então vem sempre na conta por defeito. Depois quem não comeu é que pede para tirar.
- Olhe, que me tente enganar ao colocar 6€ a mais na conta, ainda posso deixar passar, agora que depois de eu o confrontar não peça desculpa e ainda me tente passar um atestado de burrice com essa explicação é que não lhe admito. Eu até acredito que coloquem sempre na conta, isso até acredito, mas é por razões desonestas - digo eu num tom sarcástico e parvo - Traga-me o livro de reclamações por favor - finalizo eu, qual toureiro em Barrancos.

Ele fica furioso e começa a levantar a voz, a escostar-se a mim e a dizer que não se pode pedir o livro de reclamações por tudo e por nada. Eu agarro um garfo que estava em cima da mesa e espeto-lho no olho esquerdo. Nisto ele acalma e diz "Logo no olho de que tenho menos dioptrias! Bem, vamos lá resolver as coisas a bem". Mentira. Este parágrafo é todo mentira. Sou um brincalhão. Ele trouxe o livro de reclamações a resmungar e lá fiz a queixa. Depois disso é que puxei de uma faca e lhe de cortei a sacola dos girinos. Mentira. Esta parte também é mentira. Eu já tinha dito que este parágrafo era todo mentira, não podem acreditar em tudo o que eu digo, que eu sou muito malandreco. No entanto apeteceu-me fazer-lhe isso, é um facto, mas como nem tinham facas de serrilha achei que ia dar muito trabalho.

Uma vez também me aconteceu o empregado vir trazer à mesa uma entrada sem ninguém ter pedido, dizendo todo sorridente "Tomei a liberdade de vos preparar esta entrada de farinheira com ovos que de certeza que vão gostar". Eu perguntei se era oferecida, ele fez uma expressão de admiração e disse que não. Eu disse que então escusava de ter estragado comida. A culpa não era dele, tem ordens para o fazer. Ordens de alguém que acha que impingir comida é uma boa forma de gerir um restaurante. Por causa disso não pedi sopa. Nunca peçam sopa num restaurante em que criaram algum tipo de atrito com o empregado. A sopa é o melhor prato para ele esconder cenas que lhe saíram do corpo sem que vocês notem. Peçam antes uma espetada com piri-piri que pelo menos têm a certeza que ele não a passou pelo rabo.

Já não consigo contar pelos dedos das mãos e contar pelos dos pés é um bocado nojento, as vezes que me tentaram enganar em restaurantes. Como já referi, a forma mais habitual é cobrar as entradas que vieram para a mesa sem ninguém as pedir nem as comer. Pão, manteiga, saladinha de orelha de porco, 90% das vezes vêm na conta, mesmo sem ninguém lhes ter tocado. Diz a lei que tudo o que vier para a mesa sem ser pedido é oferta da casa, mas ninguém usufrui dessa lei, eu incluído. Apenas o fiz uma vez, depois de delicadamente ter dito que ninguém comeu azeitonas e o senhor do restaurante ter insinuado que eu estava a mentir.

Isto é quase tão desonesto como comprar serviços de uma stripper, ela ao dançar no nosso colo deixar que nós lhe coloquemos as mãos nas maminhas e apenas no fim nos dizer que são 20€ a mais.

Não se faz. Pior que isto só os mecânicos, que o problema pode ser algo simples que custa apenas 20€ e eles nos dizem "Pois isto é velas e a correia do alternador e um problema no bazingas do xlackens". Pode ser o que eles quiserem que a maioria de nós não faz ideia e temos que pagar o que ele disser. Ainda somos capazes de dizer "Pois, bem me parecia que era disso". Aliás, diz um estudo que 63% da receita anual dos mecânicos advém desse género de aldrabice. Mentira! Inventei a estatística agora. Provavelmente é mais.

Bem, mas voltando aos restaurantes, o que me faz ainda mais confusão são as pessoas que, depois de ver que a conta tem as entradas que ninguém comeu, preferem pagar do que dizer ao empregado. Estas pessoas deviam levar uma chapada na moleirinha com um pão de cacete de cereais da semana passada e depois serem obrigados a pagá-lo. Mas que cambada de xoninhas! Pior são os que não o fazem por serem xoninhas, mas sim porque acham que dá ar de pelintra, quando com essa atitude os pobres (de espírito) são eles. Já me aconteceu num jantar de grupo estarem 10€ a mais na conta e uma rapariga que eu mal conhecia dizer "Ai, agora vais dizer para tirar isso da conta? Que mau aspecto!". Obviamente que fui, mas só por causa das manias da donzela disse ao empregado, "Olhe, eu por mim resolvia isto a bem, mas aquela senhora ali da mesa diz que quer o livro de reclamações porque estão aqui estes 10€ a mais. Gente conflituosa, sabe como é...". Ele foi lá falar com ela. Ela passou vergonha e eu ri-me. Foi uma noite bem passada sim senhor.

E era isto que eu tinha para vos dizer. Ando revoltado e achei que com todas as desgraças do mundo, restaurantes que nos tentam roubar meia dúzia de euros não podiam ser deixados passar incólumes. Outros assuntos que me revoltam, são as pessoas que não metem pisca na estrada e as pessoas que não sabem ser simpáticas a atender. Adeus e boa continuação.
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24 de fevereiro de 2015

Feminazi: as feministas de meia tigela



Eu já me andava a contorcer há algum tempo para não falar deste tema. Aguentei-me quando houve revolta das feminazi por causa do que um dos cientistas que aterrou a sonda no cometa trazia vestido. Deixei passar quando depois do discurso da Emma Watson, excelente a meu ver, vieram algumas mulheres dizer que ela não esteve bem e que os homens não devem ser sensibilizados, mas sim atacados. Deixei passar depois de ler alguns textos de propaganda falaciosa no site Maria Capaz, não estou a falar de todos os textos, alguns são bons, mas há outros tão ridículos e que se se fossem escritos por homens era o início da 3ª Guerra Mundial. Até deixei passar quando criticaram a Malala por dizer que perdoava aos seus agressores. Não consigo é deixar passar a notícia de ontem, uma barbearia onde só podem entrar homens, ter sido invadida por um grupo de mulheres mascaradas, num protesto daqueles que faz lembrar a Rússia mas sem as mamocas ao léu. Eu não queria falar disto principalmente porque é difícil fazê-lo sem parecer machista, mas quem assim interpretar é porque é tão palerma como essas feministas nazis.

Primeiro que tudo, queria dizer que eu sou a favor da igualdade. Igualdade de género, de raças, de orientação sexual, tudo! 

Até pela igualdade religiosa sou, já que acho que todas as religiões, sem discriminar nenhuma, deviam desaparecer.

Estas feministas de meia tigela dão mau nome a todas as mulheres que lutam pela igualdade de géneros e a todos os homens que também o fazem. Estas palermas, invadem um espaço privado, que só por questões de marketing e apenas isso, tem um sinal à porta que as impede de entrar. Por discriminação? Claro que não! Só quem quer arranjar guerras onde elas não existem é que acha isso. É apenas e só por marketing, as mulheres até deviam agradecer, que assim não têm que apanhar seca com os maridos ou namorados e podem ir à vida delas enquanto eles tratam da barba. Quem me dera a mim que não fossem permitidos homens em todas as lojas de roupa de mulheres. Para contrabalançar, vou todo nu invadir um ginásio Viva Fit (aqueles onde só podem entrar mulheres!) e andar lá a brandir o mastro em movimentos circulares e a imitar sons de um helicóptero, enquanto chamo gordas a todas as clientes.

Comecei por referir o caso do cientista que foi atacado nas redes sociais pelo que trazia vestido, por um grupo de atrasadas mentais, não querendo ofender quem tem realmente uma deficiência genética. Ironia máxima, feministas que defendem e bem, a liberdade da mulher poder usar o que bem lhe apetecer, virem criticar esse homem, por uma camisa com desenhos de mulheres ao género de super heroínas, com trajes reduzidos. Ironicamente essa camisa tinha-lhe sido oferecida por uma mulher, artista e sua amiga. Vêm estas deficientes cognitivas mandar vir com um gajo que acabou de ajudar a aterrar uma sonda num cometa, numa das manobras tecnológicas e científicas mais avançadas da humanidade. Estas mentecaptas que nunca na vida devem ter feito nada de significativo, vêm ofender gratuitamente alguém que acabou de contribuir para a humanidade de forma gigante. Ele acabou por pedir desculpa e chorar em directo. As feminazi devem-se ter masturbado ao som do seu choro.

Era prendê-las e obrigá-las a fazer sandes de torresmos e servir minis ao Zézé Camarinha o resto da vida!

Foda-se que isto enerva-me! Não me enerva por ser um ataque aos homens, enerva-me porque isto descredibiliza todos os esforços que têm vindo a ser feitos ao longo dos anos para que as mulheres tenham os mesmos direitos que os homens. Muito por causa destas pseudo feministas, quando se fala em feminismo os homens pensam em mulheres que os odeiam e que não querem direitos iguais, mas sim privilégios. Isso irrita-me. Irrita-me porque houve gente a lutar para que as mulheres pudessem votar, para que a violência doméstica seja cada vez menos um tabu e para que tivessem acesso à educação, entre tantos outros avanços que foram feitos nas últimas décadas, pelo menos nas civilizações ocidentais. Queria ver estas paspalhas a irem para o meio do Irão ou da Arábia Saudita e fazerem chinfrim pela emancipação das mulheres, que nesses países sim, continuam a ser descriminadas desumanamente. Mas ir para esses lados lutar, está quieto que dá muito trabalho e chibatadas no lombo fazem dói dói. Tomem juízo, lutem pelo que é importante e deixem-se de merdas. O meu desejo é que por ironia do destino acabem todas a trabalhar na Companhia das Sandes.

Vamos lá esclarecer umas coisas. Em Portugal e na maioria dos países civilizados, a discriminação entre homem e mulher já quase não existe, pelo menos nas gerações mais novas. Há mais mulheres na faculdade, logo o acesso à educação é igual. Há cada vez mais mulheres que gerem equipas, muitas CEOs de sucesso e ministras igualmente incompetentes aos seus colegas homens. Eu nunca estive em nenhum trabalho que soubesse que as mulheres ganhavam menos que um homem na mesma posição. Mas mesmo admitindo que isso ainda aconteça, tanto em termos de ordenado para a mesma posição, como de oportunidades de contratação, acabam por reaver esse dinheiro nas entradas de discotecas que não pagam e nos jantares e bebidas que os homens lhes oferecem. Acho que estamos quites. 

Antigamente sim, as mulheres eram considerados seres inferiores e nem podiam votar mas, por outro lado, também não eram enviadas para a frente de batalha. Eu sei que deviam poder escolher e que esse é o cerne da questão, mas para efeitos humorísticos vamos imaginar que o mundo está em guerra e que perguntavam o seguinte: "Quer direitos iguais e ir de metralhadora na mão para o meio do deserto combater uma guerra que não é sua, ou prefere não poder votar nem trabalhar e ficar em casa no quentinho a ver a novela?". Eu cá escolhia a segunda e vocês também. Nos naufrágios era e talvez ainda seja igual, com o famoso slogan "Mulheres e crianças primeiro!". Eu cá se me visse num desastre desses, abdicava bem rápido dos meus direitos para poder ir no primeiro bote salva vidas.

Ainda há muitas desigualdades é certo, por exemplo, uma situação onde não há igual tratamento é nos divórcios, isso realmente ainda é uma situação bastante injusta. Nem estou a falar de divórcios em que as mulheres ficam com metade do dinheiro do homem e só se casaram com ele por interesse. Isso é bem feito que é para ele não ser burro. Estou a falar de aquando da luta pela guarda dos filhos, a mulher ser privilegiada. Sim, a mulher tem vantagem em relação ao homem naquilo que dizem ser o mais importante da vida, os filhos. 

Por falar nisso, adorava ter uma filha chamada Custódia, só para nesse caso dizer que estou a lutar pela custódia da Custódia.

Sabiam que apesar de haver mais mulheres no ensino superior, há muitos mais homens nos cursos que têm mais procura no mercado de trabalho? Engenharias por exemplo. "Ai meu Deus, tirei sociologia aplicada à literatura moderna, mestrado em psicologia renal e doutoramento em arqueologia tibetana e agora não tenho emprego! Os meus amigos homens que tiraram Engenharia Informática já têm todos emprego! Não há as mesmas oportunidades para as mulheres!". Se tivesses feito como os teus amigos agora tinhas emprego e ainda estavas rodeada de 200 homens que olhavam para ti como um bife do lombo, mesmo que sejas razoavelmente feia. Má escolha, temos pena. Às vezes é preciso ver os dois lados da questão, que são atiradas muitas estatísticas para o ar e vai-se a ver o problema é outro. É como a polémica que houve porque a Google, Twitter e Facebook têm poucas mulheres nos seus quadros. Não é preciso pensar muito para perceber porque é que isto acontece. Façamos o paralelismo com o facto de haver muito menos mulheres mecânicas de oficinas de garagem. Porque será? Porque há mais homens a interessarem-se por carros do que mulheres, da mesma forma que ainda há muitos mais homens a interessarem-se por informática e tecnologia no geral do que mulheres. Se me disserem que o problema vem de trás e que a educação dos pais e da sociedade condiciona e não incentiva as mulheres para essas áreas, como faz aos homens, até concordo, agora querer que empresas empreguem obrigatoriamente uma quota de mulheres é só estúpido. Olha que nunca vi mulheres a quererem quotas de empregabilidade nas obras.

Em jeito de remate final, não querendo fazer uma referência futebolística, é óbvio que ainda há desigualdades. É óbvio que as mulheres sofrem mais que os homens em muitos, muitos países. São apedrejadas em praça pública por adultério, chibateadas porque mostraram o tornozelo, são mutiladas genitalmente porque não é suposto sentirem prazer, não podem conduzir nem votar, entre outras atrocidades que o Homem continua a fazer a ele próprio. Por tudo isto, é que acho ridículo estas atitudes de feministas da treta, que só lutam para chamar à atenção e porque não devem ter quem lhes faça bagunça no pipi como deve ser. 

Protestos como os de ontem são redutores ao que realmente é uma ou um feminista, que luta por um mundo melhor e não por poder fazer o buço numa barbearia de homens.

Moral da história: em Portugal, as coisas já estão ela por ela. Ser homem é ter algumas regalias, ser mulher é ter outras, às quais se juntam os orgasmos múltiplos. Não somos iguais nem nunca vamos ser e no dia que formos capazes de admitir essas diferenças, sem ninguém se sentir melindrado, talvez possamos ter a verdadeira igualdade no mundo.

PS: Já sei que vou ser mal interpretado, especialmente por quem não conhece o blogue, por isso queria relembrar as mulheres que ficaram ofendidas com este texto, que têm que agradecer a um homem, John O'Sullivan. Porquê? Porque foi ele que inventou o WiFi que vos permite ler este texto e ofender-me nos comentários enquanto estão na cozinha. #bojardadodia
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23 de fevereiro de 2015

Violações, frequência sexual e vida antes da morte



Mais uma segunda-feira, mais um rubrica "O Doutor G explica como se faz". Muitas questões ficaram de fora, algumas por serem demasiado parecidas com anteriores e outras para o post não ficar demasiado longo. Vamos a isto.


Caro Doutor G, como médico e homem experiente que é, queria que me ajudasse a entender a mente masculina do meu ex-namorado. Ele violou-me e eu terminei imediatamente o namoro, mas ele quer mais e persegue-me há mais de um ano e meio. Já fiz queixa na PSP e o homem não há meio de me largar. O que fazer?
Maria Silva, 27 anos, Lisboa

Doutor G: Cara Maria, eu não sou adepto da violência, mas que às vezes pode ajudar a resolver algumas coisas, lá isso pode. Violadores são a escória da sociedade, eu agarrava em meia dúzia de amigos, ou pessoal especializado contratado, para o meterem dentro de uma carrinha e o levarem para o meio do mato e lhe darem uma tratamento. Se precisares, conheço gente que conhece gente que tem amigos desses. Por outro lado, podes considerar como um elogio, já que mesmo a ser violada e sem te esforçares para o satisfazer, conseguiste que ele gostasse e queira mais. 


Em primeiro lugar, boa noite, em segundo lugar, no último dia dos namorados, fui jantar com uma rapariga com quem falava à mais ou menos 2 meses. A intimidade subiu e beijamo-nos pela primeira vez, ainda ela não estava carregada de branco e alguns shots. O estranho foi que levei-a a casa e ela levou-me para dentro. Fomos em direção ao quarto enquanto tiramos a roupa e nos beijávamos. Assim que chegamos ao pé da cama ela empurra-me e eu caio no colchão, ainda em cima das mantas e ela despe-se. Assim que subiu para cima de mim, já nua, começa a rir-se sem parar e eu perguntei o porquê dela se rir e ela comenta que eu pareço um shot de absinto. No final de tudo isto continuou a rir, saiu de cima, deita-se ao meu lado e adormece sem ter havido mais nada. No dia seguinte ligou a pedir desculpa e que gostava de repetir a noite. O que faço agora depois de passar pela humilhação engraçada?
Bruno Sousa, 20, Matosinhos

Doutor G: Caro Bruno, são coisas que acontecem, tentaste embebedá-la achando que ia ser mais fácil de acabou por te sair o tiro pela culatra. Acontece aos melhores. Agora é repetires, porque ela para se redimir de tal humilhação, vai dar tudo, tudo, para te recompensar. Sortudo.


Caro Doutor G a questão está relacionada com o meu namorado. Estamos juntos à cerca de dois anos e há uns dias ele sugeriu-me sexo no rabo. Primeiro recusei, mas depois pensei melhor e como gosto muito dele e...pode-se dizer que não tem uma alheira muito avantajada decidi aceitar o seu pedido. Quando lhe contei, ele disse-me e passo a citar: "Ótimo! Agora arranja um bom strap-on que sabes que sou sensível!"
O que devo fazer? Ajude-me doutor! 
Gisela, 27, Cascais

Doutor G: Cara Gisela, ao contrário do que é comummente aceite, eu apesar de não apreciar, não acho que um homem gostar de ser penetrado analmente por um qualquer objecto fálico, seja sinal de homossexualidade. Só é esse caso, quando o objecto fálico é uma pila verdadeira, ou algo inserido por um outro homem. Se ele quer fazer isso contigo e não com o Carlão do ginásio, é porque gostará de ti e mulheres no geral. É estranho, bem sei, mas cabe a ti saber se queres e te sentirás bem ao fazê-lo. Pensa que é uma boa oportunidade para assumires o controlo da relação, lhe dares à bruta enquanto lhe sussurras ao ouvido "Vês como doí minha vagabunda!".


Preciso da sua opinião Dr.. Eu tenho uma namorada à 1 ano e sempre achei que o meu "amiguinho" de baixo era assim para o mirradinho e pequeno e que nunca satisfiz a minha namorada sexualmente e agora ela diz que vai beber um café com o ex-namorado e para eu não me preocupar, que não vai acontecer nada e para eu confiar. Será que devo ficar preocupado?
Miguel, 25, Caldas da Rainha

Doutor G: Caro Miguel, antes de mais, deixa-me expressar o meu descontentamento por seres a 3ª pessoa aqui que não sabe que "à 1 ano" deve ser escrito com "há". Bem, depois desta lição de português, é óbvio que deves ficar preocupado. Depende se eles logo após terminarem o namoro continuaram amigos e a falar-se, ou se agora é que se voltaram a aproximar. De qualquer forma, é muito provável que ela vá levar turrinhas no colo do útero. O teu problema não estará no tamanho, salvo raras excepções, mas sim na tua falta de confiança devido à falta de centímetros. 


Dr. G, sinto-me muito atraída pelo meu colega de trabalho mas ele cheira a pia da boca. É a única coisa que me impede de me atirar a ele. Não sei o que fazer.
Dora, 29, Amoreiras

Doutor G: Cara Dora, o melhor é colocares um WC pato dentro das cuecas e dizeres para ele te fazer um cunnilingus. Juntas o útil ao agradável e matas dois coelhos de uma só cajadada.


Caro doutor, eu sou um aluno de engenharia de som, bem como um músico apaixonado que veio vingar para o estrangeiro, mais concretamente, para Birmingham, no Reino Unido. Uma das melhores experiências que tive na minha vida, foram as primeiras semanas que aqui estive a trabalhar no hostel onde, por assim dizer, aterrei, e assim conheci dezenas, senão centenas de pessoas, nomeadamente algumas na mesma situação económica e/ou académica que eu. Foi, então, numa destas semanas, que conheci uma miuda com olhos verdes, 1,80m (sensivelmente a minha altura) e com um peito que dava nome a um cabo. Meti conversa com ela, naturalmente, e houve ali qualquer coisa, no nosso momento de lucidez à base de etanol, tanto que, no fim da noite, quando a conversa se limitava a risinhos estúpidos, ela não se despediu de mim, a entrar na residencial de estudantes onde vive, mas olhou para trás assim que viu que eu não tinha entrado com ela. Vim-me depois a lembrar que ela era Checa, e que, se calhar, tem outros costumes. Eu próprio, se estiver a gostar da conversa, não tenho muito o hábito de ir para a cama com a miúda na primeira noite, então deixei passar, por uma vez.  A partir dessa noite, ela chama-me "babe" como o porquinho do filme, nas conversas do fb, e eu sinto-me mais à vontade com ela, mas parece que ela é que mete o rabinho entre as pernas agora, quando o momento aquece. Houve um episódio em que um bife se virou para nós e disse que fazíamos um belo casal, e ela responde "We're just friends" e lava-me os dentes com a língua, logo a seguir. Será que ela pensa que me apaixonei, ou que ela é que ficou fraca nos joelhos? Ou será que ela pensa que eu não me sinto atraído por ela e daí não ter dormido com ela na primeira noite?
Manuel, 19, Cascais

Doutor G: Caro Manuel, ela é Checa! Checa, Manuel! As Checas, como boas raparigas de leste que são, não fazem jogos nem são de falsos puritanismos como as latinas. Devia-la ter bagunçado à primeira oportunidade. Cabe a ti agora fazer por isso, para que ela diga "We're just friends... with benefits". Diz-lhe coisas porcas ao ouvido em português, ou a meteorologia, que para ela é igual. Se ela te lavou os dentes com a língua, já tens 90% do trabalho feito. Se ela recusar, ficam amigos como antes, o não está garantido, mas algo me diz que vais ouvir "Fuck yeah" em checo.


Caro Dr. G, portugueses em geral e Jardineiros Navegadores, especificamente, adoptam a Mística Proctológica Governamental e começam a fazer-se a pergunta quântica: "Haverá Vida antes da MORTE?" 
Rita, 32, Porto

Doutor G: Cara Rita, mete mais tabaco nisso. Se não houvesse vida antes da morte não estávamos aqui a discutir sobre isso. Infelizmente para alguns, que nascem para sofrer até morrer. Isto está a ficar demasiado profundo e profundidade no consultório do Doutor G deve ser outra.


Sempre fui um grande garanhão e já perdi a conta ao número de mulheres com quem me relacionei sexualmente. À parte isto, ainda tenho o dom de fazer com que as mulheres se apaixonem perdidamente por mim e cheguem a estar dispostas a ter um relacionamento mais sério, mesmo sabendo que eu não sou homem de uma mulher só. Trato-as mal, faço sempre o que me dá na gana, vou e venho quando quero, mas elas estão sempre à minha espera. Estou preocupado...não sei o que faço para elas ficarem assim caídinhas por mim, ao ponto de me ser até difícil de terminar os relacionamentos. Também estou preocupado com o facto de já ter 33 anos e não conseguir ter um relacionamento sério, arranjar uma mulher para o resto da vida e ser fiel. Não sei o que se passa comigo. Às vezes até parece que encontrei a mulher da minha vida, mas passados uns meses desencanto-me dela e procuro outras, não importa que ela me trate na palminha das mãos. Por favor Dr. ajude-me!
Xavier Almeida, 33, Amadora

Doutor G: Caro Xavier, padeces do síndrome do macho latino. Para o macho latino, a novidade atrai sempre mais o cliente. Preferes saltar para cima de uma rapariga diferente, do que da namorada que até é mais gira que a outra. É o síndrome que as mulheres têm, mas com a roupa. Não te deves preocupar com isso, desde que sejas honesto com elas e elas saibam com o que contam, tudo bem. Tens que ser tu próprio e um dia, talvez encontres uma que te faça mudar ou ver as coisas de maneira diferente. Se isso não acontecer, é porque nenhuma valia a pena. Honestidade acima de tudo, contigo e com elas.


Caro Dr. G, confesso que a relação com a minha namorada, sempre foi motivo de orgulho numa daquelas conversas entre amigos, em que o objetivo é ver quem costuma "enterrar a toupeira" com maior frequência... Digamos que era sexo ao acordar, sexo depois do pequeno almoço, sexo ao chegar do trabalho, sexo depois do jantar, sexo a meio da noite... e levo esta vida á aproximadamente um ano. Desde á uns tempos para cá (coisa de um/dois meses), que mudou radicalmente... e já levo com semanas inteiras sem uma agradavel "martelada". Ela dá as mais variadas desculpas... ou está cansada, ou doi-lhe alguma coisa, ou tem trabalho até tarde... que devo eu fazer, sábio Dr. G? Devo acreditar nas suas desculpas e esperar... ou devo desconfiar que lhe andam a saltar para cima?
Carlos, 26, Peniche

Doutor G: Caro Carlos, outro que não usa "há" quando deve. Catano, isso deixa-me irritado! Bem, adiante, se a alteração de comportamento foi de repente sim, ela tem outro. Se foi gradual, pode ser alguma preocupação não relacionada contigo ou apenas o esmorecer da paixão inicial de um relacionamento. De qualquer das formas, semanas inteiras sem petiscar é de estranhar. Marca um fim-de-semana romântico com ela, com um bom jantar e um bom vinho. Fá-la sentir especial e desejada, se ela rejeitar, é porque provavelmente ainda tem o pipi dorido do outro que lá andou.



E neste tom romântico me despeço hoje. Se querem ver as vossas dúvidas aqui esclarecidas pelo Doutor G, não deixem de as enviar para porfalarnoutracoisa@gmail.com. Até à próxima segunda-feira e já sabem:


Até lá, façam muito amor à bruta, que de guerras o mundo já está cheio.
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16 de fevereiro de 2015

Tinder, falta de sexo e squirting



Esse dia dos namorados, foi gostoso? Espero que sim. Talvez por essa data que se avizinhava, o Doutor G foi inundado de e-mails durante a semana passada, pelo que houve muitas questões que ficaram de fora desta edição da rubrica "O Doutor G explica como se faz"! Para a próxima semana estarão aqui respondidas, não desesperem meus petizes. Vamos lá a isto.


Caro Dr.G, soube por este blog que o meu namorado aparentemente espectacular foi tomar café com a ex e que lá pelo meio, acabou com a língua enfiada na garganta dela e que é possível que goste das duas. Pois bem, sendo assim também tenho um desabafo a fazer: eu também tenho andado a sair com um colega do escritório ao lado do meu e não tem sido só a língua que ele me tem enfiado. Agora que estamos quites, diga-me Dr.G, acha que viveremos felizes para sempre?
Margarida, 23, Sintra

Doutor G: Cara Margarida, lembro-me perfeitamente. Realmente é caso para dizer que são almas gémeas, ambas com coisas enfiadas em vários locais. Já que assim é, aconselho vivamente uma festa a quatro, que é sempre uma boa forma de convívio e de queimar calorias. Tudo com muito respeito obviamente, que histórias de amor como a vossa são raras.


Doutor trabalho com uma colega que descobri recentemente já fez alguns filmes porno amadores, ela é uma rapariga mesmo simpática e começo a ficar apaixonado por ela, mas no entanto tenho medo de não conseguir ficar à altura do quimbé com quem ela contracena e que tem mais 10cm de "altura" que eu. O que acha que devo fazer?
Mário, 29, Paços de Ferreira 

Doutor G: Caro Mário, o tamanho não importa, dizem os mentirosos. No entanto, há coisas que importam mais, como a tua dedicação a dar-lhe o máximo de prazer. Podes sempre dizer-lhe durante o actor "O outro não conseguias pôr todo na boca, não era?" ou até um "Faz aquele truque com as ancas que fazias no vídeo" e para finalizar "Se com o outro não te doía na frente, comigo nem vais sentir por trás". É dar tudo.


Conheci um rapaz no Tinder que é realmente lindo e fofinho. Combinámos um encontro e andámos aos beijinhos e abraços, mas ele sempre muito gentil e querido para mim. Temos falado todos os dias, a toda a hora. Apesar de termos o número um do outro, não partilhámos o facebook nem outra rede social e, por isso, tenho medo que tenha namorada...  O problema é que acho que estou a começar a gostar mesmo (MESMO) muito dele. Acha que lhe devo dizer? Pensa que seria indicado pedir outra rede devido à minha insegurança? No fundo, devo confiar nele e apostar todas as minhas fichas? Para além disso, nunca estive numa relação portanto, o que devo fazer para que, se ele estiver interessado em mim como estou nele, manter a ''coisa''? 
Ana, 19, Lisboa

Doutor G: Cara Ana, tens que pensar que ele pode estar a pensar exactamente o mesmo. Os homens também são inseguros e ele pode estar exactamente com as mesmas dúvidas. Toma a iniciativa. Se ele tiver namorada ao menos já sabes com o que contas e mais cedo partes para outro. Antes disso, efectua-lhe um felatio épico, só para o caso de ele ter namorada, ficar para sempre arrependido de não ter ficado contigo. Só agora é que reparei que só tens 19 e por isso convém dizer que felatio significa fazer amor com a boca.


Boas Dr. Tenho uma enorme duvida. Tenho um fetiche enorme por squirting e ja fiz a minha namorada (ja namoro com ela á 2 anos, quase) vir-se varias vezes, mas nunca squirt. Tens alguma dica?
Luís, 26, Guarda 

Doutor G: Caro Luís, o squirt é algo que não está ao alcance de todas as mulheres. Dizem estatísticas que apenas 10% consegue atingir o orgasmo com ejaculação. No entanto há várias técnicas de massagens e pressão de pontos que podem ajudar. É pesquisares tutoriais no google que existem vários que explicam em detalhe essas técnicas. Um conselho, guarda isso para ocasiões especiais, nunca no carro ou na cama dos pais, que fica um chiqueiro que não se pode e depois vais ter que dizer a toda a gente que foi incontinência urinária.


Preciso da sua opinião. Ando a sair com um rapaz há 11 meses e ainda não fizemos sexo. Sempre que eu tento algo, ele diz que está a ficar tarde, mas quando estamos em casa dos pais dele, ele não me larga com beijos e apalpões. Os pais dele dizem que sou a primeira namorada que ele leva a casa, estavam preocupados a pensar que seria gay. Ajude-me doutor.
Sandra, 22, Queluz

Doutor G: Cara Sandra, se ele não te larga com beijos e apalpões é porque deve gostar de mulheres, a não ser que tenhas bigode. Se ele não quer partir para a javardeira propriamente dita, pode ser por questões religiosas, caso em que te aconselho a deixá-lo imediatamente. Pode ser porque está com uma infecção na genitália e tem vergonha de te dizer, mas pode também ser apenas por insegurança, ou porque ainda é virgem, ou porque lhe dás uma excitação tremenda que ele sabe que só vai durar 5 minutos. Qualquer que seja a razão, terás que ser tu a tomar a iniciativa à bruta. Caso não resulte, veste-te de bombeiro e se ele assim já quiser é porque muito provavelmente gosta mais de mangueiras.


Doutor G, como grande conhecedor do sexo oposto que o doutor é, gostava que me esclarecesse quanto a um problema com que me deparei. Nas ultimas semanas comecei a falar com uma rapariga e chegámos a estar juntos algumas vezes, falávamos bastante por telemóvel até que ela começou a responder menos e um dia disse que "não me via mais do que como amigo" (claro inicio de um caso de friendzone) e depois disso ainda falámos mais algumas vezes . Eu curto dela mas não tou apaixonado por ela nem nada assim, no entanto ela é um "bom achado", por isso queria saber se o doutor me aconselha a insistir na coisa, a deixá-la na "agenda" para um dia mais tarde quem sabe, ou esquecer definitivamente o assunto?
Diogo, 20, Lisboa

Doutor G: Caro Diogo, se ela disse essa frase é para esquecer. Só há duas formas de saíres da friendzone: Ganhando o euromilhões ou uma noite com muita vodka. Mulheres há muitas, se ela não se sente atraída por ti, parte para outra. Atenção que quando isso acontecer ela virá provavelmente voltar à carga e tentar desencaminhar-te. Nessa altura o comando será teu e cabe a ti escolher o canal que queres ver. Para já aconselho-te a colocá-la no  banco de suplentes, um dia logo vês se vai a jogo.


Boas Doutor G, ultimamente tenho tido este pequeno problema de falta de comunicação com o meu namorado. Digamos que, ele é pouco experiente no que toca ao sexo, e algo desinteressado. Quando se vem, é como se acabasse o acto,(3 minutos) e se conversamos sobre o facto de eu precisar de um orgasmo, a reacção dele é rir-se ou adormecer. No entanto, acaba por ser mais sensível que eu noutros assuntos. AJUDA-ME!
Maria, 20, Porto

Doutor G: Cara Maria, troca de namorado. Uma coisa é ele ser inexperiente e não conseguir dar-te um orgasmo, outra é rir-se e adormecer quando tentas falar disso com ele. É sinal que não está interessado no teu prazer. Arranja outro e diz-lhe que 3 minutos nem dá para ouvir uma música inteira durante o coito.


Doutor G, eu e o meu grupo de amigos andamos desconfiados de que um dos nossos colegas é gay isto porque quando estamos a falar ele costuma fazer os gestos típicos de quem joga Basket ou que serve à mesa, só que sem a bola de basket e sem a bandeja. Ora a juntar a tudo isto numa conversa sobre a separação da Irina do CR7, comentei que não me importava de ser o acompanhante de luxo da Irina já que ela agora está só e deve precisar de muita manutenção e de quem lhe gaste os Dólares já que ela passa a vida a posar nas revistas e deve ter ali toda aquela massa parada. Nisto esse nosso colega diz que não gostava de ser o acompanhante dela mas sim do CR7. Será mesmo Gay ou apenas um grande admirador do CR?
José Manuel, Vila Nova do Boi, 21, Lisboa

Doutor G: Caro José, claramente que o teu amigo gosta de alheira de Mirandela ao empurrão. Como bom amigo que calculo que sejas, só tens que o ajudar a sair do armário e fazer com que ele se sinta aceite no grupo de amigos de qualquer forma. Deves fazer isto porque é a coisa certa a fazer, já que não estamos em 1847, mas também por motivos egoístas, já que um amigo gay no grupo atrai sempre uma enormidade de raparigas e ainda tem a vantagem de não ser concorrência directa. Isto para além de te poder dar dicas de roupa e de decoração de interiores à borla.


Caro Dr. G., estou casada há 8 anos mas estou insatisfeita sexualmente com o meu marido, apesar de o amar muito. Como ainda sou uma trintinha fogosa queria saber se podemos marcar os 2 um encontro e brincar de esconder a morcela?
Xaninha Esteves, 35, Lisboa

Doutor G: Cara Xaninha, agradeço imenso o convite mas infelizmente o código deontológico impede-me de jogar ao esconde a morcela com as minhas pacientes. Para além disso sou comprometido com Deus e só com ele é que faço esse tipo de jogos, não é por acaso que me ajoelho para rezar.



Apesar do Doutor G já ter várias questões para responder para a semana, não deixem de enviar as vossas dúvidas para porfalarnoutracoisa@gmail.com. Até à próxima segunda-feira e já sabem:


Até lá, façam muito amor à bruta, que de guerras o mundo já está cheio.
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11 de fevereiro de 2015

50 Sombras do Grey: Romance ou pornografia?



Então parece que amanhã vai estrear o tão aguardado "50 Sombras de Grey", adaptação do livro, cuja trilogia vendeu mais de 100 milhões de exemplares em todo o mundo. Para os poucos que não estão a par da história, basta dizer que mete sexo, na maioria das vezes à bruta. Já estive para falar deste tema, mas preferi aguardar até à estreia do filme e abordá-lo, não numa crítica literária ou cinematográfica, mas de outro ângulo mais criativo, que fazendo jus à história, será por trás.

Há alguns anos, provavelmente em 2011, quando saiu o primeiro capítulo, ia eu no comboio e estava uma rapariga sentada ao meu lado, nos seus vinte e poucos anos, a ler o livro concentradíssima, para não dizer compenetrada. Subitamente, começa a corar, engasga-se na própria saliva, fecha o livro muito atrapalhada e vai apressada para o WC. 

Claramente que ficou mal disposta com tanta descrição explícita de teor sexual e sado-masoquista. 

Ou isso, ou então foi tocar à campainha de Satã e depois lavar as vergonhas com água benta. Alguns dizem que mais que o sexo, o cerne da narrativa é uma história de amor muito linda. Tenho para que mim que só é assim porque o Dr. Grey é milionário. Se isto se passasse num bairro social da Amadora e fossem as "50 Sombras do Cajó", em que ele, desempregado mas bom rapaz, decide convidar uma rapariga inocente para a sua casa, lhe mostra o barracão da safadeza e a algema e sodomiza ao som de Anselmo Ralph, a história seria diferente. Certamente, após fazerem amor no rabo ela ia fazer queixa à polícia e o filme ficava por ali, numa curta metragem a meu ver muito mais emocionante. "Ah mas ela não foi forçada", dizem algumas quarentonas que de repente voltaram a sentir palpitações no pipi. Não foi forçada fisicamente, mas o dinheiro é o melhor dos agentes de coação, mas que funciona de forma dissimulada.

Como comecei por referir, o filme estreia amanhã e já estão esgotadas todas as sessões nos principais cinemas de Lisboa para as próximas semanas. Os cinemas já se estão a preparar há meses, tendo encomendado várias placas amarelas daquelas que dizem "Cuidado, piso escorregadio". A meu ver é errado, até porque vai estar o oposto de escorregadio, vai estar sim como o chão daquelas tascas à moda antiga, ou de um bar do Cais do Sodré às 7h da manhã. Aquele chão que quando se usa uns sapatos um número acima, corremos o risco de perder um deles, tal é nojeira peganhenta onde caminhamos. Isto tudo por causa do açúcar das pipocas e refrigerantes entornados, não sejam ordinários.

O que eu acho é que este fenómeno à escala mundial que são as 50 Sombras de Grey, só vem confirmar três coisas que eu já suspeitava há muito. Primeiro, que as mulheres gostam tanto ou mais de sexo que os homens. É normal que assim seja, quando é bem feito elas têm mais prazer que nós. Segundo, que são tão ou mais javardolas que os homens, só não sabe isto quem nunca deixou um gravador escondido na sala da namorada durante um jantar de amigas. Terceiro, é que a maioria dos homens não lhes trata da saúde como deve ser, muitas vezes porque elas ainda têm vergonha de admitir que são umas safadas e que querem ser umas ladies na mesa, mas umas porcas na cama, excepto na parte de ressonar. Só assim se explica este corrupio de mulherio ao cinema e à FNAC para ler e visionar esta história, que segundo me disseram os entendidos, se não fosse pela descrições pornográficas, não valeria nada. Nada de mal nisso, um filme porno, sem as cenas de sexo, também vale pouco. Nada, vá, mas ao menos assume-se como tal e não se enche de pretensiosismos românticos e filosóficos.

Este filme é a prova que somos falsos puritanos. Como é softcore, não há problema, embora na cabeça da maioria das pessoas que leu o livro e vai ver o filme, estejam imagens explícitas e uma grande parte delas a desejar ver a pilinha a entrar no pipi. Se assim fosse já não iam ver o filme, porque ficava mal. Isto é o antigo lema do Telmo do primeiro Big Brother: "Broches fazem as putas, minha mulher não vai beijar os filhos depois de ter andado aqui com a boca". Neste caso é "Ser amarrada, vendada, chibateada e violentamente penetrada analmente? Sou alguma puta ou quê?", isto enquanto lambe os dedos e vira mais uma página do "romance". Aposto que muitas destas já recusaram vários tipos de actos que consideraram indecentes, embora com alguma vontade, só porque lhes foi dito que era pecado e que as meninas boas não fazem dessas coisas. Estou a divagar, bem sei, mas não me entendam mal, a culpa não é das mulheres, é dos homens que não lhes sabem despertar a sua besta sexual interior, como o Dr. Grey faz à não sei das quantas. A maioria dos homens é egoísta no sexo e isso estraga o jogo a quem sabe jogar.

Espero no entanto que este filme possa mudar isso e venha apimentar a vida sexual dos portugueses, que lhes tire vergonhas e tabus cicatrizados à volta dos pulsos, fruto de centenas de anos de algemas puritanas de Igrejas castradoras. Somos portugueses, somos latinos, temos sangue quente mas arrefecido pela ditadura e pela austeridade, que nos tiraram o prazer de viver, mas que não podemos deixar que nos tirem o prazer de foder. 

Fodamos sem brandos nem bons costumes! 

Andamos todos a portar-nos mal de 4 em 4 anos, por isso, porque não umas palmadas? Já que temos o cinto apertado, porque não uma mão a apertar a garganta e uns puxões no cabelo? Se já somos sodomizados todos os dias, porque não entre os lençóis? Se já há anos que nos deixaram de tanga, porque não uma comestível, que sempre é mais uma refeição que se poupa? Acho bem que sim. Se este filme servir para isso, então já tem o meu apoio. Eu cá vejo-o em casa, pirateado, para ainda me dar mais pica e adrenalina e enquanto mando a minha namorada fazer-me coisas porcas, como uma sandes de presunto.

Para terminar e só para verem como é fácil escrever livros destes, que nos despertem e excitem o nosso cérebro reptiliano, aqui fica um excerto das 50 Sombras de Por Falar Noutra Coisa, um conto erótico, que espero que gostem e que vos abra o apetite:

Os olhos de Roberto fitavam Maria, numa cumplicidade de quem se conhece desde sempre. Na cozinha, no calor do Verão, o forno ligado aumentava os graus ainda mais, deixando os seus corpos suados e sedentos de algo. A água que lhes faltava no corpo a desidratar, escorria-lhes pela pele e sobrava-lhes na boca. Era muita a vontade, já passara algum tempo desde a última vez que lhe provaram o sabor, doce e peganhento do fruto da paixão. Roberto pede a Maria que se chegue perto, quer que ela sinta o que ele tem para lhe oferecer. Suavemente, começa com uma mão a mexer-lhe, em movimentos ritmados, pautados pela gula luxuriosa de quem está apaixonado. Uma mão agarra-a com força, para cima e para baixo, devagar primeiro, mais rápido depois em movimentos circulares. Envolve-a bem e ela coloca as mãos nas dele e sente que o volume aumenta, que os fluídos estão a transformar-se num néctar homogéneo que sabe que ele quer provar. Roberto, beija-lhe os lábios e com cuidado, coloca um dedo, depois dois, sente-a humedecida, quase no ponto para o resto. Tira os dedos e leva-os à boca, Maria trinca o lábio mostrando que também quer. Ele repete o processo, sem lhe tirar os olhos dos dela. Um dedo, dois dedos, tira-os a pingar, mas desta vez leva-lhos à boca dela, para que ela prove e veja o quão boa está. Maria agarra-lhe o pulso e passa-lhe a língua nos seus dedos grossos, antes de sofregamente os chupar, ambos dentro da sua boca quente. De olhos iluminados e boca salivante exclama "Que delícia, está mesmo como eu gosto... no ponto como a da minha mãe".

Sim, o Roberto estava a fazer a receita de mousse de maracujá que a mãe da Maria deixou antes de morrer. Vocês são mesmo ordinários.
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10 de fevereiro de 2015

Micro pénis, traições e homossexualidade



Esse fim-de-semana, foi gostoso? Com o frio que esteve é bom que se tenham agasalhado convenientemente com um preservativo de lã. Vamos a mais uma rubrica "O Doutor G explica como se faz"? Vamos sim senhor, que da última vez que vi ainda era eu que mandava aqui. Para quem ainda não conhece, é onde são respondidas a dúvidas sentimentais, sexuais e existenciais, enviadas pelos leitores durante a semana.


Caro Dr. G, comecei a namorar com um rapaz mas quando fizemos sexo pela primeira vez eu nem senti nada. O pénis dele é demasiado pequeno. Quando digo pequeno, quero dizer do tamanho do meu dedo mindinho e da grossura de um lápis. Eu gosto muito dele mas não sei se me consigo satisfazer assim. O que devo fazer?
Sofia, 26, Aveiro

Doutor G: Cara Sofia, dizem que o tamanho não importa, mas isso é porque as pessoas por norma mentem muito. É óbvio que importa, por defeito ou por excesso e parece-me que o teu caso é o primeiro. Já dizia Vinicius de Moraes "Que enquanto houver  língua e dedo nenhuma mulher nos mete medo", mas o Vinicius bebia bem, portanto também não é para levar tudo à letra. Pensa assim, ao menos no sexo anal não te vai doer.


Caro doutor G, sempre consegui grande parte das raparigas que queria, sem perceber bem porque conquista-las era algo que não exigia muito esforço da minha parte, agora precisamente na altura em que procuro algo mais sério, não consigo ter uma rapariga mais do que uma noite ou nos melhores casos mais do que alguns meses, o que está errado comigo?
Rafael, 20, Aveiro 

Doutor G: Caro Rafael, primeiro que tudo se uma rapariga não quer mais nada contigo depois de uma noite é porque não estás a fazer o trabalho bem feito. Quando é bem dada elas querem sempre o encore. De resto, pode ser porque estás a conhecer mulheres no sítio errado. Se vais à conquista das bêbedas de mini-saia em cima da coluna da discoteca é normal que elas não queiram uma relação séria. Se não é disso, pode ser do facto da tua personalidade não ser boa e para isso normalmente não há cura.


Tinha uma namorada espectacular, mas após alguns anos de namoro deixei-a porque a nossa relação tornou-se monótona e comecei a sentir vontade de estar com outras raparigas. Após isso arranjei outra namorada igualmente espetacular, no entanto após alguns meses a primeira namorada ligou-me para um café e eu acabei por aceitar, isto tudo na minha inocência. Quando fui a ver estava com língua enfiada na garganta da outra. Resumindo gosto das duas, o que fazer?
Sérgio, 21, Sintra 

Doutor G: Caro Sérgio, tens 21 por isso ainda te dou o desconto, mas ir ingenuamente tomar um café com uma ex-namorada é erro de principiante. Se gostas das duas é porque não gostas verdadeiramente de nenhuma, por isso deixa as duas e vai à procura do verdadeiro amor, ou então, para já fica com a que é melhor na cama. Fácil, fácil.


O meu namorado gosta de ouvir Celine Dion enquanto fazemos sexo. Para além disso, sempre que nos despimos ele dobra primeiro a roupa e arruma-a no armário, antes de começarmos a fazer amor. Será que ele é gay?
Ana, 32, Lisboa

Doutor G: Cara Ana, lamento dizer-te mas sim, o teu namorado se não é gay, já fantasiou em jogar ao esconde a morcela com os amigos. Arrumar a roupa antes ainda é desculpável, pode ser apenas o complexo edipiano, que o faz relembrar os tempos em que a mãe o mandava arrumar o quarto, enquanto o ameaçava com chibatadas de cinto nas nádegas. Agora ouvir Celine Dion? Seja no sexo, no carro ou em qualquer outro local, é rabixiche. Ainda assim, pergunta-lhe se quer ir fazer danças de salão contigo, só para ter a certeza.



Boas doutor G, sempre que vou a festas, como sempre uma ou mais raparigas. Nem que seja só uns beijinhos e quando a sorte toca à porta, uma quequinha dentro do carro. Pronto, quando vou para casa, nunca paro de pensar nas moças, sonho bastante com elas, não paro de pensar nelas.. 
O que será este sentimento?
Pedro, 21, Lisboa

Doutor G: Caro Pedro, isso é o teu pénis a sentir o síndrome de Estocolmo, que é aquele sentimento que alguns reféns acabam por sentir pelos seus raptores. Achei fofo teres dito "quequinha", espero que não seja porque foi rápida e pequenina, nesse caso o sentimento que dizes ter é sentimento de culpa por não teres dado o máximo, em que o teu cérebro racionaliza e ilude-te para te sentires tentado a contactá-las outra vez, para fazeres melhor figura da segunda tentativa.


Doutor G, acho que sou lésbica. Apesar de gostar de um ocasional rolo de carne, o que mais me excita é pensar num belo e suculento pipi. No entanto, é-me difícil lidar com isso e sair completamente do armário. O que aconselha?
Andreia, 23, Odivelas

Doutor G: Cara Andreia,  claramente que ao utilizares expressões como "rolo de carne" se nota que és lésbica e que tens futuro na camionagem. Ainda assim e correndo o risco de me arrepender, só poderei fornecer uma opinião mais profissional se visionar vídeos e/ou fotos tuas com uma amiga, para ter a certeza que se trata realmente de lesbianismo e não apenas de uma amizade íntima.



O Doutor G anda a receber menos mensagens. Se querem que esta rubrica tenha continuação, têm que ser mais proactivos e enviar as vossas dúvidas para porfalarnoutracoisa@gmail.com para a próxima segunda-feira. 


Até lá, façam muito amor à bruta, que de guerras o mundo já está cheio.
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6 de fevereiro de 2015

From Russia with vergonha alheia


Bom dia. Hoje trago-vos um post diferente. Encontrei um site com fotos de Facebook de russos e decidi partilhar convosco as melhores. Quem anda na internet já sabe que os russos são meio malucos da cabeça, as fotos seguintes só vêm comprovar isso. Vamos lá sentir um bocadinho de vergonha alheia para começar bem o fim de semana!

Vladimirzinho, quem te fez esse coto tão lindo?

Mulherio maluco a ter que ir trocar de cuequinha ao ver esta foto. Desde o facto dele estar vestido e da água parecer urina, ao boião de geleia a servir de copo, mas o mais especial desta foto é o toque de classe da laranja no vinho.

Sensualonas! Nada mais sexy que uma mulher a fumar com notas na mão. Então se estiver a fumar dentro de um carro saído do ferro velho, fico logo de meia casa.

Medo.

Não há palavras. Este senhor é um romântico. A atenção ao detalhe de ter tudo a condizer é de alguém que sabe como agradar a uma mulher. Ou a um homem talvez. Mostra o seu lado sensual mas fofinho ao mesmo tempo, ao acariciar os gatos.

Quanta flexibilidade. Foi pena ter ido tirar a foto à loja dos tapetes de Alvalade.

O único problema que tenho com esta foto são os óculos na cabeça. O resto conseguia fechar os olhos e deixar passar, mas isso não.

É a minha favorita. Desde o coração torto com as velhas por trás, as pétalas de rosa juntamente com um mata mosca no chão, que terá sido usado como chicote no acto. Repararam nos pés do rapaz? Limpinhos, limpinhos.

Finalmente uma foto normal. Pelo menos para quem mora na Buraca.

Se eu visse este senhor na rua, numa esquina escura, o que mais me assustaria não era a arma, mas sim o cabelo à cortinado. Quem usa isto é claramente capaz de tudo. Parece que tem um napron na cabeça.

Outro cabelo à cortinado, este num estilo mais lambido. Esta foto vai-me dar pesadelos.

Quem nunca pousou de bikini numa poça de água no meio da rua que atire a primeira pedra. Acertem-lhes é na cabeça, a ver se não crescem e se reproduzem.

Esta foto perturba-me. Há ali um misto de emoções muito reais. Alguém que fique de olho neste senhor, que mais cedo ou mais tarde, aquela faca da manteiga vai fazer estragos.

Só não vou tecer comentários sobre esta foto, porque não gosto de fazer piadas sobre pessoas com deficiências.

E pronto, foi muito isto. Obrigado e boa continuação.
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5 de fevereiro de 2015

Comida gourmet é disparate



Este texto é o 200º texto deste blogue e como tal, decidi trazer-vos um dos assuntos mais fracturantes da nossa sociedade, que é a moda (ou flagelo), já instalada há alguns anos, da comida gourmetQuando se fala num prato gourmet o que vos vem à memória? Um prato grande e quadrado, com um pedaço de comida cujo tamanho faz lembrar os tempos da outra senhora e claro, uma folha de rúcula.

Um mini prato com nome francês e um pénis desenhado na borda com vinagre balsâmico, que custa 9€ não é gourmet meus amigos, é um roubo.

Primeiro que tudo, gosto de ir a restaurantes em que eu possa fazer o pedido sem medo de passar vergonha por não saber dizer o nome correctamente. É um princípio que eu tenho, não comer nada que eu não saiba pronunciar o nome. Aplico essa regra também a mulheres, excepto quando vêm excepcionalmente bem temperadas. Quando não se sabe os nomes temos que fazer aquela técnica de fechar a ementa, para eles verem que já escolhemos, mas deixando o dedo a marcar a página, para quando o empregado chegar a voltarmos a abrir e dizer, "Era um destes...", enquanto apontamos com o dedo e lhe chegamos o menu ao nível dos olhos. Depois claro, acabámos de pedir um "Vol-au-vent com recheio de fricassê de frango", entusiasmados qual criança a abrir um ovo kinder, ansiosos pela surpresa e o que vem para a mesa? Uma empada de galinha...! Une putain de uma empada de galinha de merde.

É a moda do hambúrguer gourmet, prego gourmet e embora não tenha pesquisado, quase que aposto que já deve haver por aí a feijoada à transmontana gourmet. Já foram a Trás-os-Montes? Há alguma coisa de gourmet naquilo? Uma posta mirandesa é tudo menos gourmet e ainda bem. É comida de homem rude do campo e não de mariquinhas da cidade, que quando é para comer à mesa é aos bocadinhos e com delicadeza, mas quando é para comer na cama já comem um rolo de carne sem tempero e quanto maior melhor. Eu tentei controlar-me para não fazer nenhum paralelismo entre comida gourmet e homossexualidade mas não consegui. Fui fraco e peço desculpa por isso, mas no meu tempo os chefs de cozinha eram balofos, tinham o cabelo seboso e cheiravam a refogado, hoje em dia estão mais preocupados em ser o Gustavo Santos do empratamento do que em fazer boa comida. Desde quando é que é normal haver pratos com com espuma? Ele é espuma de cerveja, espuma de chocolate, espuma de sementes de sésamo da Polinésia. 

Tenham juízo, espuma no meu tempo era de limão, mas era dos restos do Super Pop, por não terem enxaguado bem o prato.

Os restaurantes ditos gourmets multiplicam-se em cada esquina, quais cogumelos recheados com queijo roquefort. A maioria deles são maus e caros, mas o pior de tudo é que estão a ameaçar a sobrevivência da espécie típica portuguesa que é a tasca. Sim, há tascas gourmets, mas isso era o mesmo que haver prostitutas de luxo à beira da estrada. Não faz sentido. Onde está o chão a colar, que se levamos uns ténis um número acima, corremos o risco de ficarmos sem eles, quais cinderelas badalhocas? Onde está o dono da tasca, que nos trata por "meu cabrão", enquanto coça a genitália e em seguida lambe o dedo para virar a folha do bloco de notas onde vai apontar o nosso pedido? Onde está o jarro de vinho, já lascado em sete sítios e cujo conteúdo se assemelha a vinagre para temperar a salada? Onde estão os empregados que chegam ao pé de nós e perguntam "Então, estava tudo bom ou quê, caralho?!", enquanto trazem a panela e nos despejam para o prato mais "um bocadinho", que muitas vezes é mais que a dose inicial? Onde estão as contas feitas de cabeça que vão sempre dar um número abaixo do que esperávamos? Onde é que agora se pode sair cheio, satisfeito, bêbedo e a cheirar a fritos, tudo por menos de 7€? Em quase lado nenhum, pelo menos em Lisboa. Não me interpretem mal, há restaurantes gourmets bons, em que o rácio qualidade-preço é aceitável, são é raros e eu prefiro uma boa tasca genuína do que um desses estabelecimentos snobs. Se calhar é porque não tenho dinheiro para andar a comer fora em restaurantes caros. Se calhar é isso.

Este texto hoje foi curto e com pouca qualidade, mas foi de propósito para ser gourmet. A diferença é que não vos cobrei dinheiro por isso. Vá agora, dêem-me os parabéns por este texto assinalar as duas centenas de parvoíces que eu já aqui escrevi e não se fala mais nisso.
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