22 de março de 2017

A vida de um português segundo Dijsselbloem



Desde sempre disse que o problema de Portugal é a cerveja ser barata, haver calor e mulheres bonitas e que se não fosse isso já tinha havido uma revolução à séria com umas quantas cabeças de banqueiros e políticos rachadas ao meio. Por isso, as declarações do Djaló holandês, Dijsselbloem, são palermas e o facto de gastarmos tudo em álcool e mulheres devia ser salutado pois é apenas por isso que aguentamos as medidas de austeridade sem refilar muito. Aliás, dizem que o negócio da prostituição e do álcool têm sempre mais procura em momentos de crise e de austeridade, por isso, não me parece que as meninas e o vinho sejam, ao mesmo tempo, causa e efeito. O senhor deve ter vindo cá e os locais que encontrou para lhe mostrar o país foram os senhores da fotografia. É normal que tenha ficado com essa ideia de nós e pense que o dia normal do português comum seja assim:

12:00h - Acorda, com ressaca. Fuma um cigarro ainda na cama. Levanta-se e bebe um café e um bagaço.
12:40h - Liga o computador e vê que vídeos novos há na sua subscrição premium do PornHub.
13:00h - Almoço na tasca com os amigos, duas garrafas de tinto para cada um, duas aguardentes no fim para desmoer.
15:00h - Dorme uma sesta valente.
17:00h - Agarra o telemóvel e encomenda duas pizzas e a Lorena do Portal Privado.
20:00h - Jantar na tasca com os amigo, bitoque e dez imperiais.
01:00h - Vão à Casa da Mãe Kikas consumir um gin, uma lapdance e uma hora de sexo desprotegido.
05:00h - Vai dormir cedo que amanhã ainda só é quarta-feira.

É certo que há muita gente assim e que são os que mais se queixam. É certo que temos políticos amigos da borga como o Santa Lopes que até tirou as prostitutas das estradas de Monsanto, alegadamente, tirou-as de lá para casa dele. Voltando à cronologia do dia, reparem que o português, para além de consumir produto interno e de estimular a economia ainda é versado em novas tecnologias para melhorar o seu conforto e produtividade. No entanto, a reacção a estas declarações vieram mostrar que a sociedade portuguesa ainda objectifica a mulher. Porquê? Quando ele falou em gastar dinheiro com mulheres toda a gente pensou que a única forma de se investir em mulheres é pagando a prostitutas.

Fiquei pasmado, já que o meu primeiro pensamento foi no dinheiro que gasto em prendas de Natal e de aniversários com a minha namorada.

Aliás, lembrei-me que o ainda lhe estou a dever prenda de Natal e que isso me pode sair mais caro no futuro, por isso, gastar dinheiro nas nossas mulheres é o melhor investimento para a nossa felicidade que pode haver.

O que é certo é que pedimos ajuda financeira depois de ter gasto tudo o que se tinha na carteira em carros, plasmas e numa amante brasileira. O problema é que não foi o português comum, classe média nem baixa, a gastar o que tinha nesses luxos. Foram os governantes e banqueiros que gerem isto que gastaram o que não era deles com as colegas das suas mães. Num país com um dito popular «Quero é putas e vinho verde!», não podemos propriamente levar a mal o que o Djalóflingaspissas disse. Até porque acredito piamente que o dinheiro que nos tem sido roubado tenha sido, em grande parte, usado para garrafas de vinho de milhares de euros e para pagar a companhia de jovens voluptuosas.

O álcool e as mulheres sempre foram a melhor fonte de inspiração dos nossos poetas e já os nossos descobridores gastavam tudo em rum e em sereias. "Dá-me mais vinho porque a vida é nada!", dizia Pessoa, e "Beijo na boca todas as prostitutas" escrevia o seu heterónimo Álvaro de Campos. Agora finjam que o Djalósafoda mentiu.
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21 de março de 2017

Maestro gay, a Igreja e a homofobia



Quem olhar para a Igreja Católica, de relance, pensaria que seria o local ideal para um homossexual ser feliz: vestidos compridos, chapéus com brilhantes, jóias reluzentes e um clube só de homens onde as mulheres têm um papel secundário. No entanto, se a homossexualidade fosse uma bactéria não haveria ambiente mais antisséptico do que a Igreja. Falo da polémica com o maestro que dirigia o coro da igreja de Castanheira de Pera e que foi afastado, dizem as más línguas, por ser gay. 

Começaram a desconfiar quando o repertório do coro da Igreja começou a incluir Lady Gaga.

Querem melhor maestro para dirigir o coro na Missa do Galo, ou como se diz em inglês, Cock's Mass? O vigário, termo que me faz sempre lembrar vigarista, deve ter ficado com medo que aquilo passasse a ser a Missa do Pavão com plumas e travestis e de só poder ficar a ver, coitado. Era de esperar que os padres adorassem gays, já que ambos têm em comum o facto de não apreciarem vagina. Haverá padres que não são homofóbicos, claro, talvez a maioria, quem sabe, mas a verdade é que a religião organizada ainda é a mãe de todas as discriminações. Não é por acaso que a Santíssima Trindade tem um pai, um filho e um espírito santo e não tem nenhuma mulher. A Igreja consegue fazer com as mulheres o que muitos homens gostariam: que fiquem em clausura em casa e, principalmente, que façam voto de silêncio e não chateiem levantem a voz.

Bem, mas voltemos ao espírito maligno do homossexualismo, como diz o pessoal da IURD. Não percebo a fixação da Igreja na utilização que cada um faz do seu próprio cu. Acho que tudo nasceu na inveja da liberdade que uns têm de assumir a sua sexualidade que enfureceu um clero recalcado pelos seus micro-pénis que violam crianças porque uma mão pequena faz com que se sintam de tamanho médio. A mesma Igreja que pede respeito pela fé de cada um e pelas suas escolhas, é a primeira a discriminar os gays. Há aqui duas hipóteses: ser gay é uma escolha e, como diz a Igreja, as escolhas que não prejudiquem os outros devem ser respeitadas; ou ser gay não é uma escolha e foi Deus que os fez assim. Acredito mais na segunda até porque Deus, a existir, deve ser a maior bichona de sempre e digo isto como um elogio. Já viram as cores rosadas do pôr do sol? E o arco-íris? Aquilo é obra de um gay com queda para o design de interiores. E as borboletas? Aqui foi, nitidamente, Deus a tentar emendar um erro: «Credo! Que lagarta nojenta que eu criei! Não devia ter bebido tantos daiquiris ontem! Pensa, Deus, pensa... ah, já sei! A lagarta vai entrar num casulo e sair de lá uma borboleta com asas pintadinhas com mais cores do que uma parada gay! FA-BU-LO-SA!». Voltando ao caso, é óbvio que a culpa é do maestro!

Um gay ir enfiar-se no seio da Igreja Católica é o mesmo que um preto querer fazer parte do Klu Klux Klan.

Já sabem que não são bem-vindos para que é que vão lá provocar as pessoas? Já não se pode discriminar à vontade na casa do Senhor que tem de vir um larilas ensinar a criançada a dançar o YMCA? Estamos a falar da mesma Igreja que protege padres pedófilos. Que não os afastou e, até, encobriu as atrocidades que fizeram aos meninos de coro. Uma Igreja com esse historial não tem moral para afastar um maestro por ser gay, mesmo que ele obrigue essas mesmas crianças a cantar Madonna.

Como ateu, já me custa perceber quem é católico, mas ainda me faz mais confusão quem é gay e quer fazer parte do clube onde não cumpre os requisitos para jogar. Acreditar em Deus e Cristo e isso tudo, percebo e não tenho problemas com isso, mas estar no seio de uma Igreja que desde sempre desprezou, para não dizer que perseguiu e matou, homossexuais, faz-me confusão. O engraçado é que a Igreja Católica cada vez mais rejeita o Antigo Testamento até porque parecia mal, em pleno século XXI, adorar um Deus que faz Satanás parecer um menino, mas no Novo Testamento não há passagens sobre a homossexualidade e, que se saiba, Jesus nunca se mostrou preocupado com o que os seus apóstolos metiam no rabo. No antigo testamento, ter um pénis e gostar de outros pénis dava pena de morte. É um Deus rancoroso para quem estraga o seu design eficiente e toda a gente sabe que o cu foi feito para defecar. Percebo, também me irrita quando criava aplicações informáticas e percebia que os utilizadores não sabiam interagir com aquilo. Um gajo tem de ter sempre em conta que os utilizadores são burros e Deus esqueceu-se de fazer testes de usabilidade independentes. 

A Igreja, no tocante a questões de sexo, devia praticar o que advoga: abstinência. Abster-se de comentar. Ninguém quer ouvir senhores de meia idade, virgens ou quase, vestidos como se todos os dias fossem Carnaval, a mandar bitaites sobre como cada um deve viver a sua sexualidade. É o mesmo que o professor substituto ser licenciado em História e mesmo assim querer seguir o programa de Matemática e dar a aula de Números complexos e Imaginários. Por isso, façam o que eu faço quando alguém está a discutir qual é o Salmo mais bonito da Bíblia: admitam que não percebem nada do assunto e calem-se. Se, para esses, acreditar na legitimidade do amor entre duas pessoas do mesmo sexo é mais complicado do que acreditar que Nossa Senhora apareceu no cimo de uma árvore, calem-se. Já agora, se Maria tivesse realmente aparecido, em vez de três segredos, tinha feito o que qualquer mãe faz quando vão amigos lá a casa: mostrava fotografias de Jesus no banho com dois anos. 

«Ó Guilherme, estou ofendido por fazeres pouco da minha religião!», pensam alguns. Olhem, e eu estou ofendido por a vossa religião existir e perpetuar preconceitos. E agora, como fazemos? Fica cada um ofendido para o seu lado e pronto, pode ser? Respeito a vossa fé, não me peçam para respeitar uma instituição mafiosa que foi inventada por homens, gerida por homens, e que tem como maior preocupação o dinheiro, poder e os lobbies políticos. Só para os católicos se sentirem melhor, deixem-me só dizer o seguinte:

Se o Cristianismo fosse um manicómio, os Evangélicos estavam naquela ala com as paredes todas almofadadas.

Daqui a pouco tempo o Papa Francisco vem a Portugal e apesar desse grande defeito que é ser o chefe máximo de uma organização podre, tenho simpatia por ele. Parece-me boa pessoa e genuíno na vontade de melhorar a Igreja. Gosto de pensar nele como o Obama da Igreja: é cool; temos ideia de que queria fazer mais, mas não o deixam; vai deixar saudades; também é responsável indirecto por muitas mortes de inocentes. É um papa progressista que diz «Se alguém for gay (...) e íntegro, quem sou eu para julgar?», mas que depois é contra o casamento entre casais do mesmo sexo. Enfim, toda a gente sabe que contrair o santo matrimónio só faz sentido assim: «Declara-vos marido e mulher, pode beijar a costela.»
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Porque é que os homens e mulheres perdem o interesse?



Começou a primavera e, tal como as inscrições em ginásios, também as dúvidas sexuais e sentimentais aumentam. Não percamos mais tempo e vamos a mais uma consulta "Doutor G explica como se faz". 


Boa tarde, um amigo meu ejaculou na minha almofada sem que eu soubesse e desde então tive as 3 melhores noites de sono da minha vida, com paz, serenas. Eu que até tenho problemas em adormecer. Agora que soube paira a dúvida: será que sou gay, devo deitar a almofada para o lixo?
M. Silva, 26, Lisboa

Doutor G: Caro M, não sei que tipo de amigos tens, mas um amigo meu que ejaculasse na minha almofada deixava de ser meu amigo na hora que eu soubesse disso. São barreiras que gosto de ter nas minhas amizades, talvez seja um bocado picuinhas, não sei. Pode dar-se o caso do teu amigo comer muito mamão que é rico em luteína e zeaxantina, nutrientes que ajudam a que tenhamos um sono mais descansado e tranquilo, e tenham passado para o seu sémen que tu snifaste ou provaste enquanto te esfregavas na almofada. Agora, o problema não é se és gay ou não, o problema é que és nojento. Quem é que não lava a almofada de vez em quando? Já basta a baba que um gajo deita e fica ressequida e amarelada, quanto mais baba de camelo de pénis. Eu sofro de insónias, mas entre dormir mal e ter a almofada a colar-me aos cabelos, prefiro andar cansado o dia todo. Mas isto sou eu e cada um sabe de si e Deus sabe de todos.


Olá, Dr. G. acabei uma relação longa há uns meses e conheci um rapaz dois anos mais velho há uma semana, marcamos encontro e estivemos algumas horas à conversa, que correu bem, e o resto consegue imaginar. Foi o melhor sexo da minha vida, acho que da dele também, entendemo-nos mesmo, repetimos, tudo 5*. Ele no fim até abracinhos me deu, beijos, etc. Pediu-me o número. No dia a seguir mandou sms a dizer bom dia, pediu para nos encontrarmos e foi igual; no fim, disse-me 'vais, mas voltas'. A partir daí tem-me ignorado; não mandou mais sms, eu tentei combinar coisas e ele disse que estava ocupado, e não me disse mais nada (passaram-se 3 dias). Pensava mesmo que ele estava interessado. O que é que eu devo fazer?    
Anónima, 22, Porto

Doutor G: Cara Anónima, sendo que a tua dúvida é bastante recorrente no universo feminino vou auxiliar-me de um fluxograma para melhor elucidar todas na mesma situação.
Dizia-te para imprimires e colares no frigorífico, mas tenho medo que me acusem de machismo por partir do princípio que vais à cozinha. É confuso, bem sei, mas o moral da história é o seguinte: os homens fazem-se de interessados quando querem só sexo; quando um homem deixa de responder e diz que está ocupado, 99% das vezes é porque perdeu o interesse. Estudo oficial do INE. Pode, no entanto, dar-se o caso de estares a ser dramática visto que só passaram 3 dias. É esperar e ver.


Excelentíssimo Doutor G, de manhã fui a casa de uma amiga e fizemos sexo. Estivemos no acto durante uma boa hora, com duas pausas pelo meio. Aquando dessas pausas a minha alavanca ficou adormecida e não acordou com facilidade. À noite, fui a casa de uma rapariga diferente e, para além de demorar uns longos minutos a ficar erecto eu ejaculei após uns curtos segundos dentro dela. E isso nunca me aconteceu na vida. No entanto, quando me masturbo fico erecto o tempo inteiro. O que quererá isto dizer? Sofro de disfunção eréctil em tão tenra idade? Estou demasiado habituado à minha mão? 
João, 20, Algures

Doutor G: Caro João, parece-me que padeces da sindrome xoninhus-molengus juntamente com a vaginangus-precociuns. O primeiro é relativo ao facto de ficares nervoso quando visionas uma vagina ao vivo, daí quando te tocas não teres esse problema, mas ao dares de caras com uma escotilha de bebés, ficas nervoso a pensar se estarás à altura e o trombinhas fica tímido e cabisbaixo. Normalmente, quando isto acontece, depois a ejaculação precoce vem por arrasto e o menino bolça antes do tempo, também por questões nervosas. Razões para isto acontecer? Várias: gostas de uma das raparigas; ficaste demasiado tempo sem fazer sexo e tens medo de já não saber; elas são demasiada areia para a tua pequena carrinha de caixa aberta; elas são mais experientes do que tu e tens medo de fazer má figura. Seja como for, sexo não é como andar de bicicleta, mas sim como stand up comedy: é preciso ir fazendo e treinando e vendo o feedback do público. Relaxa e raciona melhor a tua oferta. Não vês um comando a comer as barras de proteína toda no mesmo dia de missão, pois não? Então não sejas garganeiro e não marques duas sessões de funaná pelado no mesmo dia se nem para uma tens andamento.


Olá Doutor G, estou com o meu namorado há 2 anos, e ele sempre foi uma pessoa muito sexual. Mas, a certa altura, começou a ficar... frouxo. Nunca lhe apetecia, ficava zangado se eu tentasse iniciar conversas relacionadas com o funaná, e diz que eu tenho um apetite sexual impossível de saciar e que isso causa muita pressão, etc etc. Apesar disso, quando (de vez em quando) há funaná é do carvalho (como, aliás, sempre foi): sempre tudo no ar, no sítio certo, sem dificuldades ou hesitações nenhumas. A minha "questão" é: poderei fazer alguma coisa para avivar o apetite do rapaz e poder assim saciar o meu alegadamente-insaciável apetite? E o facto de ele ter 30 anos tem alguma influência?
Anónima, 25, Aqui

Doutor G: Cara Anónima, deixo aqui um gráfico de tarte que pode ajudar-te:
Há muitas mulheres que, estando habituadas a que seja o homem a tomar a iniciativa, se desleixam e deixam de seduzir os seus parceiros. Isto não é só colocar a mão e está pronto para bater chapa. Os homens gostam de ver iniciativa e os actos valem mais do que mil palavras. Veste uma roupa sexy e baixa-lhe as calças na cozinha. Leva-lhe o pequeno-almoço à cama, se é que me faço entender. Se isso continuar mal, arranja outro. Simples.


Excelentíssimo Dr.G, "Tinderenho é um jovem que por vezes se baba. Concomitantemente, este jovem apresenta elevados conhecimentos linguísticos tais como: "Dzień dobry! Jak się masz?"". É desta forma que me apresento numa das aplicações mais populares nos dias de hoje, o Tinder. De modo a ajudar a comunidade Tinderesca que se depara com dificuldades em se apresentar, será que o Senhor Dr. estabelece algumas recomendações para a descrição do Tinder?
Tinderenho, 24, Porto

Doutor G: Caro Tinderenho, receio já ter falado sobre isso neste texto onde fiz uma espécie de manual de boas práticas do Tinder. No entanto, há uma regra básica do Tinder: ninguém lê as descrições se fores feio. Podes ter a melhor descrição do mundo que nem isso te safa, por isso, a parte da descrição só serve para os bem-parecidos e, nesses casos, só pode estragar. Contudo, há duas regras de ouro: nunca utilizar a descrição para dizer que só se está lá para fazer amigos, nem para dizer qual é o clube de futebol que se apoia. Se quem está à procura de parceiro filtra consoante o clube, então é só gente que não vale a pena.


Ora bem, então é assim: sou uma coninhas com vinte e poucos anos e que nunca teve sorte no campo amoroso/sentimental. Não, não sou desdentada, nem tenho monocelha, só sou bastante selectiva. Um dia decidi deixar-me de merdas e tentar abordagens virtuais como o tinder, mas se os rapazes mostram demasiado interesse, eu assusto-me e se não mostram interesse nenhum, eu mando-os logo passear. Sou gaja, portanto. Já cheguei a passar do virtual ao real com uma pessoa e a coisa até estava a ir bem, mas qual gajo típico do tinder... só queria funaná pelado. Por ter perdido a esperança nestes meios, decidi desconectar e tentar uma abordagem mais virada ao mundo real. Mas como? Discotecas não são a minha onda. Na minha faculdade são 60% raparigas, 20% gays, 15% comprometidos e 5% super atadinhos. Onde vou encontrar rapazes em condições? Não vale as dicas que vêm no seu livro porque esse li-o num instante (devo dizer que está muito bom)! 
Coninhas, 23, Coimbra

Doutor G: Cara Coninhas, um gajo que só quer funaná pelado não é um gajo típico do Tinder, é apenas um gajo típico. Ponto. Bem, deixo algumas dicas de locais alternativos onde podes abordar encontrar possíveis parceiros, já que pela tua descrição depreendo que estás a estudar enfermagem:
  • Talho do Pingo Doce - significa que tem casa própria e que, provavelmente, sabe cozinhar. Digo no talho porque se fores procurar por ele na zona das sojas é possível que ele goste do mesmo tipo de enchidos que tu;
  • Numa loja de roupa de homem - se ele está a comprar muita roupa é sinal que ficou solteiro recentemente e podes perguntar-lhe se precisa de ajuda para escolher as calças que ficam melhor no fundo da tua cama;
  • Mete um anúncio falso de uma mesa de matraquilhos no OLX para atrair homens solteiros, porque nenhuma mulher deixa o homem comprar matraquilhos lá para casa.
Resta-me agradecer teres lido o meu belo livro que se encontra à venda neste link com 10% de desconto.


Obrigado a todos e, como sempre, até para a semana e continuem a enviar as vossas dúvidas para porfalarnoutracoisa@gmail.com. 


Partilhem e façam amor à bruta porque de guerras o mundo já está cheio.

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17 de março de 2017

Livros de Auto-Ajuda, gurus e banha da cobra



Bom dia, como vai isso? Bem, mal? Na verdade, não me interessa muito, estava só a fazer conversa de circunstância. Estive a analisar o fenómeno dos livros de auto-ajuda e cheguei à conclusão de que são provérbios populares, mas ditos por outras palavras e com muita palha à mistura. Passo a explicar com estes bonitos exemplos escritos por mim:

Auto-ajuda: Por vezes, sentimo-nos presos às nossas lembranças o que nos impede de vivermos o presente na sua plenitude. As amarras do passado fazem com que sejamos incapazes de aproveitar o momento, sempre a pensar que os erros se poderão repetir e, sobretudo, remoendo no que poderíamos ter feito para que tudo fosse diferente. Na verdade, nada disso interessa, já que o passado é uma tatuagem irremovível, gravado em pedra e que não nos pode tornar ausentes do presente.
Ditado: Não vale a pena chorar sobre leite derramado.

Auto-ajuda: A vida coloca-nos obstáculos que à primeira vista parecem intransponíveis como se de um teste se tratasse. A força de viver está em falhar várias vezes e voltar a tentar com a mesma esperança e ingenuidade de outrora. A perseverança irá compensar e quando olharmos para trás iremos conseguir perceber que tudo não passou de grãos de areia nos nossos sapatos e, com os pés calejados, seremos mais fortes.
Ditado: Água mole em pedra dura tanto bate até que fura.

Auto-ajuda: Há relações tóxicas que se tornam mais importantes do que a nossa individualidade. Deixamos que outra pessoa tome conta das nossas decisões e que nos manipule ao ponto de pensarmos querer algo que não queremos. Ficamos dependentes como se de uma droga se tratasse, mesmo sabendo todo o mal que nos faz. Quando uma relação destas termina é inevitável sentirmos ressaca, mas tudo é um processo que nos levará a um lugar melhor.
Ditado: Antes só que mal-acompanhado.

Olha que até acho que tenho jeito para esta coisa da auto-ajuda, agora que vejo que demorei menos de dois minutos a escrever esta xaropada! Como podemos ver, não são mais do que uma reciclagem de ditados e senso comum, revestidos de retórica de vendedor de colchões. No entanto, continuam a proliferar e a ter sucesso e, por isso, lembrei-me que pode ser interessante aproveitar essa onda, mas fazendo o contrário: chamemos-lhe anti-auto-ajuda. Ao invés dos livros motivacionais, este seria o oposto e, por conseguinte, honesto. Sim, já sei que esses livros até ajudam algumas pessoas, mas isso não quer dizer que não sejam ridículos.

Se o famoso livro de auto-ajuda "O segredo" fosse realmente honesto só teria páginas em branco para continuar a ser um segredo.

Voltando à anti-auto-ajuda, já pensei em títulos para o livro inspirados em conhecidas obras portuguesas e deixo aqui algumas sugestões nas quais gostava que votassem, mas podem e devem contribuir com as vossas.

  • Agarra o Cianeto Agora
  • Escolho ser infeliz e culpar os outros por isso
  • Às 9 no meu funeral
  • Tu consegues (só que não)
  • Suicídio para totós
  • Prometo falhar (como se fosse preciso prometeres)
  • O poder da energia positiva e da corrente alternada
  • Quero Acreditar, mas querer não chega
  • Ainda podes ficar pior
  • A última leitura
O livro teria vários temas e estaria dividido por capítulos. Começaria por identificar o problema e criar empatia com o leitor através de capítulos como «Provavelmente o problema és tu» e «Não tens amigos porque és uma merda de pessoa» seguido de um separador para limpar o palato chamado «Coisas do senso comum, mas que tu pagaste para ler». Depois, faz sentido escarafunchar um pouco mais na ferida emocional do leitor para que ele se liberte com os capítulos «És um fardo para ti e para a tua família» e «Mesmo que te ames serás o único». Nesta altura, faz sentido abordar alguns temas mais específicos como «És gordo porque comes demais» e «Os outros têm sucesso porque são melhores». Após outro separador com coisas do senso comum, podemos começar a apagar a última chama de esperança que o leitor possa ter em capítulos como «Se tudo falhou não é um livro que te vai salvar», «Aprender a envelhecer e morrer sozinho» e «Suicídio é desistir?». Por fim, e para terminar o livro numa falsa esperança que culpabiliza o leitor pelos seus problemas e lamentações, sugiro os capítulos «Podias ter nascido na Síria» e «Histórias de sucesso que nunca vais conseguir replicar».

Entusiasmei-me e resolvi adiantar trabalho e escrever já alguns parágrafos. Lembro que a palha e os rodeios e repetições são ferramentas importantes para que tanto os conselhos da auto-ajuda como da anti-auto-ajuda sejam assimilados pelos leitores.

Todos os dias, de manhã, logo depois de acordar, enquanto os pássaros chilreiam e te deixam inundado de inveja pela sua felicidade pueril, olha-te ao espelho. Para. Respira. Observa cada contorno do teu corpo deteriorado e da tua cara infeliz marcada pela vida que te mata aos poucos. Respira. Elogia-te. Diz que te amas, uma e outra vez. Mais outra e outra, até que dizer «Amo-te» ao espelho de manhã seja tão natural como lavar os dentes. Chora e lembra-te que cada lágrima representa as pessoas na tua vida que se afastaram. Tens de verter várias, bem sabes. Muitas. Todas. Elogia-te outra vez e lembra-te que estes são os únicos elogios que vais receber hoje e, talvez, este mês. Ninguém te aprecia e tu, no fundo, sabes porquê. Para que te levantaste para ir trabalhar? Qual é o sentido de acordar uma e outra vez, numa repetição infindável da rotina como se fosse um labirinto que te disseram ter solução, mas ao qual barraram a saída? Vai, mas é, dormir. Deita-te. Deixa-te ir e sonha, porque só em sonhos ainda podes ser feliz.

***
Por vezes, dás por ti a contemplar o horizonte, o céu e as estrelas e pensas que és apenas uma migalha infinitesimal nesta vastidão infinita do universo. Algo no teu estômago se contrai com essa sensação de que tu não interessas porque sabes que, na verdade, essa é a verdadeira verdade. Não interessas. Não és especial seja qual for o teu referencial. A tua vida não tem sentido nem propósito e o único objectivo que poderia ter, o de seres feliz, conseguiste não o alcançar. Neste euromilhões da causalidade caótica do universo tu tiveste um dos bilhetes premiados para estar aqui. Hoje. Agora. Tudo o que tinhas de fazer era aproveitar esta viagem de um nanossegundo cósmico e apreciar a paisagem. Tinhas um bilhete à janela e escolheste ir a olhar para o chão. Parabéns. Agora, cada dia não é mais do que um número de uma senha do talho do Pingo Doce que vai passando enquanto esperas a tua vez. Pode ser que alguém à tua frente se tenha fartado de esperar e tudo seja mais rápido.

***
A pessoa mais importante da tua vida tens de ser tu, até porque não tens ninguém importante na tua vida e, por isso, não faria sentido ser de outra forma. Estás sozinho e preferias estar mal-acompanhado porque era sinal que ao menos alguém tinha algum tipo de sentimento por ti a não ser indiferença. Não te importavas de ser amado por pena. Dizem que as más vibrações atraem pessoas com más vibrações, mas tu nem isso consegues atrair. És um repelente de amor porque não te amas a ti mesmo e com razão. Abraça o dom de conseguires entrar num funeral de uma criança e torná-lo mais triste e fazer com que até os pais de luto sintam pena de ti. Sentes-te sozinho e percebes que já viveste mais de metade da tua vida, se tudo correr bem, e percebes que a metade que viveste era suposto ser a melhor e, se foi esse o caso, boa sorte nessa lenta e penosa espera. Tentas agarrar-te a crenças que te dêem esperança e que isto não pode ser tudo o que há, mas, já agora, fica uma informação dramática: Deus não existe. Pensa positivo, pois se Ele existisse nem Ele gostaria de ti e ainda irias estar pior. Isto para além de que as pessoas iam ter de te aturar numa vida eterna e isso não se faz a ninguém. Lembra-te, apenas, que ainda podes fazer algo de bom e não te suicides na linha de comboio porque isso é um transtorno para as outras pessoas e já basta o fardo que foste em vida.

***

Claro que este tipo de livros não vive sem frases curtas e poderosas que serão citadas em vários sites manhosos. Depois, partilhadas por milhares de pessoas em forma de imagem (des)motivacional e com uma letra bonita e desenhada. Deixo alguns exemplos:

  • «Aproveita a liberdade de já ninguém esperar nada de ti.»
  • «Se o teu problema é seres demasiado pessimista de nada te serve pensares positivo.»
  • «A vida foi o que aconteceu enquanto te lamentavas.»
  • «Falhar só é uma aprendizagem se não for sempre.»
  • «O comboio da vida chegou com atraso e, mesmo assim, conseguiste perdê-lo.»
  • «Se a esperança já morreu o que é que ainda estás cá a fazer?»
Acho que é isto. Acham que tem potencial?
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15 de março de 2017

8 coisas que me estragam o dia



Já me conhecem o suficiente para saber que há várias coisas que me irritam e me estragam o dia.

Pessoas que comem de boca aberta
Devia haver uma excepção na lei a legislar que agredir pessoas que mastigam de boca aberta não é crime. Quem nunca foi a jantar de aniversário e ficou sentado em frente a alguém que não conhece bem e que acha que mastigar deve ser uma actividade de grupo? Para estas pessoas o corpo humano tem o defeito de não ter as bochechas transparentes para que todos possamos ver o seu bonito processo de mastigação e deglutição. Para além de mastigarem que nem bodes com sinusite ainda são capazes de falar de boca cheia, normalmente sobre assuntos que não interessam a ninguém. Mesmo à nossa frente, a falar sobre o facto de ter saído uma nova compilação de quizombas e nós só conseguimos pensar que, mais cedo ou mais tarde, aquele bolo alimentar vai sair disparado em perdigotos-morteiro e aterrar-nos no copo de vinho. Há dois tipos de pessoa no mundo: as bem formadas até têm medo de mastigar batata frita de pacote em público por acharem que estão a fazer muito barulho; as nojentas que mastigam de boca aberta e que por cada ruminação devia ser possível dar-lhes uma chapada na nuca para ficarem entravados a comer por uma sonda.

Elevadores
Quantas vezes estamos à espera de um elevador, já com o botão iluminado a assinalar devidamente que já carregámos nele e vem alguém que decide carregar outra vez? Era uma joelhada no baixo ventre, logo ali. Quem é que aquela pessoa pensa que é para duvidar da minha capacidade de chamar elevadores? Pensa que é especial e que o elevador vem mais rápido se for ele a chamá-lo? Que falta de respeito. Quando isto me acontece o que faço é carregar outra vez no botão logo a seguir só para quando o elevador chegar ele não pensar que o mérito é dele. Sou mesquinho, bem sei, mas não gosto de pessoas que se acham superiores a mim no tocante ao chamamento de elevadores. Outra opção é agradecer dizendo «Muito obrigado gentil pessoa, estava aqui à espera desde a semana passada.» e ver a reacção. Depois de entrar no elevador carreguem no botão do piso para o qual desejam ir e digam «Caro guru do chamamento dos elevadores, pode carregar aqui no botão também? Vejo que tem uma relação especial com a máquina.». Depois carreguem no stop, espanquem-no e atirem o corpo pelas escadas abaixo duas vezes.

Velhas no multibanco
Agredir pessoas idosas nunca é aceitável excepto quando temos uma à nossa frente no multibanco, coisa que acontece, sempre, mas sempre, quando estamos com pressa. Vislumbramos o multibanco ao longe e percebemos que está lá um vulto de cabelo grisalho e somos invadidos por uma frustração que antecipa o que nos espera. Vemos os nossos medos confirmados quando o cartão sai e ela volta a colocá-lo. Suspiramos profundamente para ela sentir o nosso desagrado, como se ela se fosse apressar por nossa causa. Se não se apressa por já não ter muitos anos de vida, não será o descontentamento de um jovem a ter esse efeito. Ela olha para trás e nós sorrimos, cinicamente, enquanto pensamos que seria tão fácil eliminá-la com uma leve pancada na coluna devido aos seus ossos já rendilhados. Quando falamos da importância em educar as gerações mais velhas relativamente às novas tecnologias, a principal vantagem não é o seu conforto, mas sim para nunca mais termos de as apanhar no multibanco a fazer pagamentos da água, luz e das prestações do transplante de bacia. Sabemos que a teoria da relatividade de Einstein é real quando o tempo custa menos a passar quando temos de esperar dez minutos com cinco pessoas à nossa frente na fila do que esperar apenas cinco por uma velha. Da última vez que isto me aconteceu foi com um senhor de não mais de cinquenta anos. Tirou e voltou a colocar o cartão, duas vezes, enquanto olhava para trás e via o meu ar de frete. Passados cinco minutos desisti e atravessei a estrada para ir a outra caixa multibanco. Levantei dinheiro, fui ao café, comprei um par de meias a uma cigana, voltei para buscar o carro e o gajo ainda estava lá! Aquele atrasado mental viu que eu estava à espera e não teve a decência de me dizer «Olhe, só para avisar que vou demorar mais de meia hora aqui... se quiser ir a outra caixa para não esperar tanto.». Apeteceu-me chamar-lhe nomes e dar-lhe um calduço surpresa e dizer «Tu sabes porque é que isto foi.».

Faltar água quente
Hoje é coisa que já não me acontece, mas lembro-me de quando o gás em minha casa ainda era com botija e quando a meio de um relaxante banho de água quente, quase a queimar o escalpe, em pleno inverno, o gás acabava e começava a vir água fria. Apoderava-se em mim uma espécie de ataque de raiva e começava a gritar «ACABOU O GÁS!!!» para que os meus pais me acudissem e trocassem a botija. Ainda assim, acho que é pior quando alguém começa a usar água na cozinha, fazendo com que, de repente, um jacto de água fria nos congele a alma e nos faça passar de uma uma pessoa civilizada, que cantarola alegremente durante o duche ,para um demónio possuído por Belzebu capaz de assassinar com requintes de malvadez quem nos fez tamanha maldade. Depois de gritos e insultos lá conseguimos terminar o banho, mas, muitas vezes, a situação ainda piora quando percebemos que a toalha ainda está húmida. Enfim, problemas graves do primeiro mundo sobre os quais ninguém fala. Esperemos que com o Guterres na ONU isto seja uma prioridade.

Internet lenta
Um dos grandes flagelos contemporâneos. Já muita gente disse que ter Internet lenta é pior do que não ter Internet e que se queres conhecer a verdadeira personalidade de alguém, então dá-lhe uma ligação de Internet fraca e vê como ela reage. Sou do tempo em que para sacar uma música era preciso investir mais de cinco horas em Internet paga por impulsos telefónicos e rezar a nossa senhora das telecomunicações para aquilo não ir abaixo e para a nossa mãe não se lembrar de ligar à nossa tia para lhe perguntar se está melhor dos joanetes. Hoje, num tempo em que tudo tem de ser medido em gigas e teras, quando apanhamos uma Internet mais lenta sentimos uma espécie de aperto no peito. Muitas vezes é uma ligação pública e de borla e quando não está protegida por password já sabemos que é uma merda. Tentamos na mesma. Liga e cai e volta a ligar e a cair. Não conseguimos sequer actualizar o feed do Facebook e pensamos na sorte que as crianças africanas têm de terem tanta fome que nem se preocupam com a lentidão da Internet na barraca.

Ressonar
As pessoas que ressonam e nos privam do sono fazem com que as odiemos sem elas terem culpa. Lembro-me de quando era puto e, às vezes, durante as férias em que tinha de dormir no mesmo quarto dos meus pais, ouvir o meu pai a ressonar qual javali com tuberculose. Lembro-me de me deitar e entrar numa corrida de contra-relógio em que tinha de adormecer primeiro do que ele, caso contrário, ia ser uma noite de sofrimento e de tortura do sono. Para piorar a situação, o meu pai é daquelas pessoas que mete nojo a pessoas como eu que têm dificuldade em adormecer e, passados dez segundos de colocar a cabeça na almofada, começavam as obras sem alvará. Respirava fundo e tentava abstrair-me do som e concentrar-me na minha respiração, mas nada. Levantava-me e mandava-lhe com uma almofada mesmo na cabeça e deitava-me rápido. Ele acordava em sobressalto e voltava a dormir. Havia ali uma janela de oportunidade de um a dois minutos de paz em que tinha de conseguir adormecer. Normalmente, não conseguia e o meu desespero era tão grande que quando o meu pai parava de respirar devido à apneia do sono que tinha, eu ficava a pensar que se ele morresse ali nem tudo seria mau. Agora, sempre que vou de viagem e fico em hostel de quarto partilhado os meus melhores amigos são os tampões para os ouvidos. Isso e uma almofada na cara dessas pessoas até deixarem de respirar. Se o Ted Bundy, famoso psicopata americano, utilizasse como defesa aquando do julgamento por matar dezenas de prostitutas o argumento: «Senhor juiz, matei sim, mas elas não paravam de ressonar!» eu compreendia-o.

Pessoas a conduzir encostadas a mim
Só queria ter um carro com a traseira reforçada e travar a fundo sempre que isto acontece. Se vou na esquerda a ultrapassar, por vezes já um pouco acima do limite de velocidade, e vem um anormal que se encosta a mim a dar-me sinais de luzes, desculpem, mas vou ignorar. Vou, até, abrandar a marcha e, se me apetecer, vou acender as luzes de nevoeiro traseiras para ele pensar que estou a travar e se assustar. Não, meu palhaço, não me vou desviar para a direita só para tu me passares e ganhares 100 metros para chegares mais rápido trinta segundos ao café. Temos pena. Estrebucha à vontade. Gesticula qual intérprete de língua gestual com tourette. Faz os sinais de luzes todos que quiseres. Daqui só saio quando me apetecer ou deixar de haver carros à minha direita. Se te armares em campeão e tentares ultrapassar-me pela direita sou menino para acelerar só para não te deixar passar. Isto agora tornou-se pessoal e vou fazer do objectivo do meu dia irritar-te ao máximo. Estimo que te espetes num poste e faleças. A sério que sim. Ia rir-me.

Pessoas que falam alto ao telemóvel
Uma das grandes desvantagens dos transportes públicos é o facto de estarem cheios de pessoas. O mau odor corporal não é nada ao pé de pessoas que acham que toda a gente está interessada nas conversas deles. As pessoas estão longe, mas não precisas de gritar para que te oiçam. Chama-se tecnologia. Claro que são sempre conversas de merda ditas por labregos e labregas com alma de peixeira. Nunca vão ouvir alguém a falar alto ao telemóvel a dizer «SIM, MAS ESSA TEORIA JÁ FOI COMPROVADA POR DARWIN! ESTOU-TE A DIZER QUE SIM! JÁ MUITOS FILÓSOFOS TINHAM TEORIZADO SOBRE ISSO ANTES!» Claro que não, normalmente são conversas sobre se o facto da Kátia ser uma porca que comeu o Sandro, namorado da Sheila. Para além desta gente que o único propósito no mundo é a poluição sonora, ainda temos as que ouvem música com o telemóvel sem auscultadores. Era obrigá-los a ouvir a Maria Leal a cantar no duche durante dez horas, dentro de um poliban, nus e encostados a ela, também nua. Imagino sempre uma narração do National Geographic quando vejo um destes primatas a entrar no autocarro: «lá vem um mitra, espécie autóctone da Amadora, com o seu andar característico de quem foi mordido na canela por um crocodilo. Em homenagem, pavoneia-se com um boné branco com logótipo da fera que o lesionou. Nas orelhas, traz brincos com brilhantes para ofuscar os predadores e o pica. Saiu à rua de fato de treino porque está sempre pronto para fugir da merda que faz. Para além da bolsa de cintura que tem ao pescoço, qual são bernardo do gueto, carrega um telemóvel no qual toca as suas músicas preferidas. Essas músicas nunca são Led Zeppelin ou Queen, são sempre músicas de merda que ele acha que as outras pessoas devem ser obrigadas a ouvir. O mitra, infelizmente, não é uma espécie em vias de extinção.» Era espancá-los com um pau de selfie com um Nokia 3310.

É isto, já desabafei. Se sentem as mesmas dores não deixem de partilhar e de deixar nos comentários outras coisas que vos estragam o dia.
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14 de março de 2017

Uma mulher que gosta de sexo é ninfomaníaca?



O dia está bonito, mas fica sempre melhor com uma nova consulta "Doutor G explica como se faz". 


Olá Doutor G, tenho uma "amiga" à três meses para cá com quem tenho tido um funaná pelado excelente mesmo mas o problema é que sempre que o fazemos a rapariga arrepende-se porque sabe que gosto muito dela e esta diz que não partilha do mesmo sentimento. "Vamos ser só amigos", "Foi a última vez", típicas frases ditas e o mesmo sucede-se. Comecei a ouvi-la e deixei de lhe tentar saltar em cima como um animal selvagem em todas as oportunidades que tive e algumas vezes continua a acontecer o dito funaná. Enfim, gajas malucas, quem nunca? Temos tido uma vida de casal praticamente mas somos só amigos, passamos aquelas mariquices todas do amor mas não estamos juntos. Ela diz que o sentimento não é recícropo porém as suas acções não dizem isso. Já faço de cego e finjo que não vejo nada para não voltar ao mesmo loop. Que devo fazer?
Anónimo, 20, Lisboa

Doutor G: Caro Anónimo, primeiro tens de de aprender a conjugar o verbo haver. Ajuda bastante para atrair parceiros de elevada qualidade. Quanto ao resto, ela quer-te só para sexo e é honesta quanto a isso. As mulheres também podem (e devem) tratar os homens como objectos sexuais sem estarem apaixonadas por eles. O que acontece é que ela gosta de outro e enquanto o outro não se decide ela limpa o palato contigo. Fácil. Ânimo, rapaz. Ser um dildo humano, usado apenas para sexo, é o sonho de qualquer homem. Só tens de te proteger para não apanhares nenhuma doença nem contraíres paixão por ela porque ela irá, mais cedo ou mais tarde, deixar de querer saltar-te em cima.


Olá Doutor G, iniciei a minha vida sexual há 2 meses, e desde então sempre que estou com o meu namorado e praticamos o amor nunca consegui que acontecesse apenas uma vez, são sempre umas 4/5 vezes, sinto sempre necessidade de mais. Posto isto, tenho-me questionado se serei ninfomaníaca, o que acha doutor?     
Anónima, 18, Lisboa

Doutor G: Cara Anónima, isto de rotular uma mulher que gosta de sexo como ninfomaníaca é uma prova de que a sociedade ainda não está preparada para mulheres totalmente libertas de amarras. Ninfomania é um problema grave que faz com que a mulher queira sexo a qualquer hora, mas, mais importante do que isso, com qualquer um e sem qualquer critério ou preocupação com a saúde. Se sentes apetite sexual e queres que o teu namorado te desbrave várias vezes, força nisso. Pode dar-se o caso de ele não te saber dar uma em condições e por isso terem de apostar mais na quantidade do que na qualidade. De qualquer forma, fica aqui este fluxograma que ajuda a despistar a ninfomania.


Caro Dr. G, escreve-lhe um jovem “estudante” de Erasmus desde a Hungria. Como deve calcular esta vida é bastante propícia a momentos de funaná pelado. Desde sempre achei as raparigas mais velhas mais interessantes pelo simples facto de terem mais para me ensinarem… Eis senão quando, esta semana fui surpreendido. Depois de embebedar, convenientemente, uma jovem donzela de 25 anos, vi a minha vida por caminhos apertados. Abrir uma caixinha da Pandora pela primeira vez, é algo que envolve demasiada sensibilidade. E como seria de esperar, o acto em si não foi dos mais agradáveis. Neste momento, estou a precisar dos sábios conselhos do doutor. Devo continuar a investir nesta menina esperando dela um exponencial aumento do seu desempenho sexual, e mantendo assim seu coraçãozinho intacto?  Ou partir em busca de um pipi mais calejado pela vida?   
Luís, 21, Hungria

Doutor G: Caro Luís, espero que percebas que acabaste de admitir que para levares uma gaja para a cama tens de a embebedar primeiro. Parabéns, campeão. Tens o mérito de um caçador que abate um leão no Jardim Zoológico com uma bazuca. Em relação à tua pergunta, a resposta é simples: se ela gosta de ti e tu gostas dela, então continuem. Se ela gosta de ti e tu só a queres para sexo, deves deixá-la o mais rápido possível para que a inexperiente escotilha dos bebés dela não fique moldada à tua alavanca de Arquimedes. Uma coisa é habituares mal o coração da rapariga, outra é habituares mal o pipi.


Olá Dr. G, estou a viver com o meu namorado há dois anos, e estamos noivos, muito felizes e tal. Tenho em mim, uma vontade imensa de experimentar o funaná com outra menina, e o meu namorado como é lógico concorda. A questão é que sou muito ciumenta, e tenho medo que a experiência venha causar instabilidade na nossa relação. O que devo fazer Dr. G? Fico para sempre a imaginar como teria sido, ou faço-o mesmo que haja possibilidade de isso estragar a nossa relação? E para além disso, como é suposto abordar alguém nesse sentido? Ajude-me Dr. G, por favor!
V, 23, Braga

Doutor G: Cara V, primeiro é preciso esclarecer alguns pontos importantes.

  1. Serias apenas tu a chafurdar na rapariga e o teu namorado ficava a ver?
  2. Fazem os três juntos, mas ele só tem autorização para tratar de ti?
  3. Tudo à molhada e fé em Deus?
Se for o primeiro caso, penso que não haverá problemas a não ser o teu namorado ficar rabugento tal como quando se leva um vegan a um rodízio brasileiro. Se for o segundo caso, parece-me que a meio ele vai tentar dar umas trincas na outra e tu, se estiveres toda doidona, não vais impedir e depois podes ficar arrependida. No entanto, calculo que seja a terceira alternativa, por isso, deixo várias dicas para minimizar o risco de essa aventura contaminar a vossa relação com mais do que gonorreia:
  1. Ele tem de dividir o tempo em, pelo menos, 60% para ti e 40% para a outra.
  2. Ele tem de atingir o orgasmo a olhar-te nos olhos.
  3. Ela tem de ser mais feia do que tu, mas não feia ao ponto de duvidares dos critérios do teu namorado.
Quanto à forma de abordar alguém para isso, usem a Internet ou vão a uma discoteca onde dizes ao ouvido de raparigas «Esse vestido é lindo, miga. Queres ser a vela da nossa relação e ser soprada pelos dois?». 


Caro Dr. G., descobri um segredo da minha namorada. Ao que consta, esta, e antes de sequer nos conhecermos, beijou em duas ocasiões diferentes, raparigas. Ora, eu cresci banalizando os beijos entre as mulheres, contudo ela confessou-me que não foi um mero bate-chapas, e mais tarde confessou que até envolveu língua. A desculpa para o ocorrido foi TEQUILA, afirmando ela que nem estava propriamente bêbeda mas que era como se essa bebida abrisse a orientação sexual dela e por isso nunca mais voltou a tocar na referida bebida. Portanto, há algum link na internet que explique este fenómeno, ou ela apenas tem potencial lésbico?  
Alex, 24

Doutor G: Caro Alex, não devias estar preocupado com links na internet que expliquem esse fenómeno, mas sim preocupado em saber onde é que há Tequila em promoção. Os estudos feitos afirmam que álcool é álcool e que o tipo de bebida não influencia, mas sim a rapidez com que a bebes. Por isso, shots de vodka ou shots de tequila terão o mesmo efeito. No entanto, podes aproveitar para fazer um teste científico com a tua namorada, tudo a bem da ciência.

  • EX1: Num dia dás-lhe shots de vodka dizendo que é tequila;
  • EX2: Noutro dia dás-lhe shots de tequila dizendo que é vodka.
Depois de ela estar alegre, colocas-lhe à frente uma rapariga voluptuosa e safadona a pedir-lhe que a mame da boca como gente grande. Consoante os resultados podes tirar as conclusões:

  1. Beija a rapariga apenas na EX1. Neste caso, fica provado que a tequila apenas tem um efeito psicológico na tua namorada e que ela a usa como desculpa para soltar a franga camionista que tem dentro de si. Sorte a tua porque o vodka é mais barato do que a tequila.
  2. Beija a rapariga apenas na EX2. Neste caso, fica provado que a tequila tem efectivamente um efeito secundário na tua namorada que a faz olhar de outra forma para bocas sem buço.
  3. Beija a rapariga em ambas as experiências. A tua namorada tem um desejo interior de ter experiências sexuais com o sexo oposto e só as consegue libertar quando está inebriada e desinibida.
Repete a experiência várias vezes para que a margem de erro seja mínima. Science, bitch.


Olá Dr G, tive relações sexuais, ou como gosta de lhe chamar lutas greco romanas nos lençóis com 3 pessoas, sendo que todos eles virgens. Sempre me elogiaram bastante mas como não tinham muita experiência nunca soube se era mesmo verdade. Entretanto estive com outros dois homens já bastante rodados (15 pessoas para cima) que me disseram que fui o melhor sexo de sempre blá blá blá. O que eu queria saber é se é só conversa ou se realmente tenho um dom. Já agora aproveito para perguntar também como é que termino um relacionamento em que os sentimentos não são correspondidos sem magoar a pessoa? 

Anónima, 22, Lisboa 

Doutor G: Cara Anónima, tal como aconselhei ao leitor acima, a única forma de responder à tua pergunta seria fazer um teste altamente científico para testar a tua performance sexual. No entanto, o código deontológico do Doutor G proíbe a prática do funaná pelado com pacientes. Foi uma boa tentativa da tua parte. Sendo impossível averiguar com precisão a situação, deixo as hipóteses mais prováveis:

  1. Foste escolhida por Deus para seres uma ceifeira debulhadora de trombinhas de chicha e já nasceste com esse dom.
  2. Os gajos com quem estiveste tinham tido azar e só tinham apanhado patereca fraquinha e, ao apanharem uma razoável, elevam-na ao pináculo da qualidade quando, na verdade, és só mediana.
  3. Os gajos mentem muito e dizem-te isso só para te continuarem a comer. Da mesma forma que as mulheres dizem «É tão grande!» quando na maioria das vezes é médio.
Seja como for, para saberes a verdade terás de experimentar mais e ver se o feedback continua a ser consensual. Uma dica: nem sempre quem teve mais parceiros é o cliente mais exigente. Pelo contrário, há estudos que dizem que quem tem relações mais longas é melhor na cama pois tem tempo para experimentar tudo o que é javardeira. Dito isto, tenta sacar um namorado de longa duração de uma acompanhante de luxo e ver o que ele diz.


Está feito. Não custa nada. Já agora, deixem nos comentários a resposta à seguinte pergunta: Acham que o Doutor G inventa as dúvidas ou acreditam que são enviadas por leitores?

PS: Livro do Doutor G está à venda nos locais habituais e neste link com 10% de desconto e portes grátis.
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13 de março de 2017

Empreendedorismo e ideias palermas de negócio



Nos dias que correm, existe a moda de que toda a gente pode e deve ser empreendedor. Num tempo em que toda a gente tem projectos, apps e empresas e em que todos acham que a sua startup vai ser o próximo Facebook, parece-me que começa a haver algum descontrolo. Nem vou referir as roulotes que agora se chamam food trucks e que vendem comida a preço inflacionado só porque usam gourmet, do bairro, ou artesanal no nome. Vejo com maus olhos esta moda de todos quererem ter o seu próprio negócio. Não dá para sermos todos chefes, lamento. Alguém tem de trabalhar. Ser empreendedor, ou bater punho, como diz aquele rapaz que tem cara de quem tem de bater muito punho, não é para todos e isso vê-se em algumas empresas cuja ideia de negócio é, apenas e só, palerma. Nas reuniões de brainstorming diz-se que não há ideias estúpidas, mas essa ideia de que não há ideias estúpidas é, ela própria, uma ideia estúpida. Vamos a alguns exemplos de apps e startups reais, algumas que até receberam milhões de investimento:

iSmell
É um dispositivo que se liga ao computador para deitar um aroma. Há uma cena parecida que são velas. Pois, coiso. «Ah, mas dá para deixar um cheiro específico quando recebes um email.», dizem os fundadores desta empresa. Uau, vai dar imenso jeito para quando o pessoal receber um email do chefe durante o fim de semana o aparelho largar um cheiro a merda.

LayoffSpace
Uma rede social para os desempregados. «Como assim?», perguntais vós e muito bem. Não, não é para arranjar emprego como o LinkedIn, por exemplo. É para os desempregados fazerem amizades com outros desempregados! Toda a gente sabe que quando se está na merda só queremos conhecer pessoas que sintam as mesmas dores que é para nos sentirmos melhor connosco. Sim, dá jeito ter amigos que possam ir beber café às três da tarde de segunda-feira, mas depois quem é que paga a conta?

PeeBreak
Uma app para ser utilizada no cinema ou em locais onde não se pode falar alto. Para que serve? Para, com um clique, informarem as pessoas que vão fazer xixi e ver se alguém também quer ir. Não era agarrar nos fundadores desta startup e enfiar-lhes a cabeça na sanita? Primeiro, estão a ignorar metade do mercado já que toda a gente sabe que as únicas pessoas que pedem companhia para ir ao WC são as mulheres. Depois, é só estúpido. Se alguém tem esta necessidade, que faça um grupo no Whatsapp chamado «Pausa para xixi» e utilize-o para esse propósito. Depois, podem colocar fotos a documentar porque se têm necessidade de relatar todos os vossos movimentos urinários, então também devem ser pessoas nojentas que partilham foto do xixi e das construções de fezes que obram.

EggMinder
Um tabuleiro com uma app que vos diz quantos ovos ainda têm no frigorífico. A humanidade no seu esplendor máximo da inovação e avanço tecnológico! Qual descoberta de planetas gémeos da terra, qual robô Rover em Marte, qual projectos para terraformar e colonizar outros planetas! O EggMinder resolve o verdadeiro problema da humanidade que é o de saber quantos ovos temos no frigorífico! Quantas vezes não saí de casa a saber que tinha três ovos, mas depois com a azáfama do dia dou por mim a pensar se eram três ou dois. Por sorte, basta ir ao meu telemóvel e verificar que afinal tenho lá três! Ufa, obrigado progresso! Talvez tenha uma visão curta e, daqui a uns anos, isto seja como o GPS em que todos nos perguntamos como é que antigamente as pessoas encontravam o caminho sem ele tendo de recorrer a mapas em papel e perguntar a pessoas na rua. Talvez, no futuro, as pessoas digam «Fogo, como é que as pessoas comiam omeletes sem o EggMinder? Tinham de abrir o frigorífico, saber contar até uma dúzia e fechar o frigorífico. Que tempos medievais e obscuros, esses! Obrigado EggMinder.»

Looney
O Looney é uma rede social em que as pessoas podem falar com os seus amigos imaginários. Sim, um Facebook para malucos sem amigos a sério, ou seja, um Facebook normal. Pareceu-me ridículo e que nunca iria fazer dinheiro, mas depois lembrei-me que já existe uma empresa muito parecida e que é bastante lucrativa: a Igreja.

Ideais geniais, não concordam? Quando os telemóveis são mais smart do que as pessoas que tentam tirar partido deles, o resultado é sempre engraçado. Já agora, deixo-vos com três ideias brilhantes que tive e que acho que podem ser milionárias. Se houver investidores por aí mandem mensagem privada.

As mulheres cada vez mais utilizam vibradores para terem o prazer do sexo sem os malefícios de ter de aturar um homem. No mesmo sentido, cada vez mais pessoas fumam cigarros electrónicos para terem o prazer de fumar sem os malefícios do tabaco. Génio como sou, pensei em juntar os dois e fazer o primeiro cigarro electrónico que vibra! Ideal para fumar depois do orgasmo sem ser preciso sair da cama. É preciso ter cuidado para não confundir os modos, caso contrário as utilizadores correm o risco de ficar com os dentes lascados e com o salmão fumado.


O PassaPorCima não é mais do que um ou mais tablets com um suporte especial para o carro. Ao contrário dos suportes normais, este ficaria na janela virando o ecrã para o exterior. Depois, haveria uma aplicação que podia ser activada por controlo de voz. Cenário: imaginem que vão na autoestrada e vai um carro colado à vossa traseira armado em campeão. Só teriam de dizer «PassaPorCima Activate» e depois do sinal dizer uma frase que seria transformada em texto e mostrada no tablet para o condutor do outro carro ver. Pensem nisto como um kit mãos livres do insulto. Podiam utilizar emojis de manguitos para melhor expressar a vossa raiva. Vem com uma versão especial para taxistas que substitui os pontos finais por asneiras.


Uma sombrinha para marcar dejectos de cão na rua. Muita gente não apanha os cocós do seu patudo e deixa os passeios todos cobertos por fezes que são pisadas por transeuntes incautos. A pensar nesses donos de cães que têm nojo de apanhar o cocó dos cães pensei no Poobrella. O Poobrella tem várias vantagens: desde logo o facto de tornar algo feio em algo mais bonito e estético; depois, realça o dejecto com uma cor mais vibrante e faz com que seja mais fácil evitar pisá-lo. Vem, também, com versão LED para iluminar o cocó durante a noite e a versão premium tem um sensor de proximidade que quando activado emite um sinal sonoro para as pessoas mais distraídas e para os cegos.


À primeira vista, podem parecer ideias parvas, mas lembrem-se que metendo um prefixo "i" e um logótipo de uma maçã são produtos para vender milhões.
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10 de março de 2017

Animais abandonados, circos e touradas



Este texto é diferente e não tem grande piada. É só mesmo para mostrar que sou muito boa pessoa e ter muitos likes e soutiens encardidos atirados aos meus pés quando passo na rua. Não sou muito de causas porque a minha posição é mais a de observador e grande parte de mim já desistiu da nossa espécie. No entanto, depois de fazer um vídeo sobre o abandono animal, filmado em canis, apesar de ser acusado de hipócrita por não ser vegan e de ser acusado de só querer aparecer por parte de pessoas que nunca fazem nada para ajudar seja quem for, vi que ainda se pode mudar alguma coisa. Pouca? Sim, quase nada, mas soube de alguns casos de pessoas que depois de verem o vídeo decidiram ir a um canil resgatar um cão e sei de pessoas que estavam a ponderar comprar que mudaram de ideias e adoptaram um cão enjaulado. Por isso, valeu a pena. Uma gota no oceano que não muda nada, já que as pessoas continuam a ser uma valente merda na sua maioria, mas vejo que é importante, às vezes, utilizar a visibilidade que nunca pedi a ninguém em prol de algo mais do que fazer-vos rir.

Não que fazer rir, por si só, não seja um tema já suficientemente sério, nobre e desafiante, e será sempre esse o motivo principal pelo qual escrevo.

Como já sabem, enquanto gravava esse vídeo apaixonei-me por uma fêmea toda nojenta, suja e ferida. É a segunda vez que me apaixono por uma fêmea assim, da primeira vez foi num jantar de amigos em que conheci a minha namorada. Pumba, mais umas noites no sofá. Tinha um tacho, vazio, de comida na boca (a cadela, não a minha namorada), mesmo a fazer habilidades a ver se alguém a libertava daquela jaula onde estava há meses e onde iria, muito provavelmente, morrer porque é raríssimo alguém adoptar um pitbull adulto. Veio para casa e está toda contente e a SOS Animal convidou-me para fazer parte da campanha "O teu maior fã" como quem diz que a cadela é minha fã, quando, na verdade, é uma cínica e só quer comida e brinquedos do chinês. De onde ela veio também não pode ser muito exigente. Disse que sim, se me pagassem um milhão de euros. Eles disseram que só dava se fosse de borla. Enfim, por isso é que há pouca gente a ajudar.

Este cartaz já está em espalhado em vários locais de várias cidades e, se forem atentos como eu, vêem que no fundo diz Zaya & Miguel Guilherme. A Zaya é a cadela, o Miguel Guilherme não sou eu. Os meus pais só tiveram dinheiro para um nome próprio. Embora me chame Guilherme Duarte, Duarte é apelido. Também não íamos estar à espera que o pessoal que trabalha em associações de animais fosse competente, caso contrário trabalhariam em empresas a sério. Pumba, vai buscar. O bom de ajudar é que depois podemos dizer estas bojardas e eles são obrigados a levar na boa e a rir. No entanto, percebi o engano, já que pensaram que só um grande actor como o Miguel Guilherme é que conseguiria, sendo hetero, parecer gay, mesmo com barba e um pitbull ao lado. Se alguém ficar ofendido com esta piada extremamente homofóbica, lembre-se que eu adoptei uma cadela sem perguntar se ela era lésbica ou hetero.

Já que estamos a falar de animais, e para não vos chatear outra vez, há outra questão que me faz confusão para além do abandono: circos e touradas. Sobre touradas já escrevi tudo e sabem bem a minha posição. Circos é igual, menos cruel no sentido em que o público não está a assistir ao sofrimento e ao derrame de sangue enquanto bate palmas, mas devido aos bastidores em que os animais de circo são mantidos, em más condições e treinados à base do chicote no lombo. Sado-maso tem de ser com consentimento de ambas as partes e nunca vi um tigre vestir umas meias de liga por vontade própria. Animais selvagens não são para nos entreterem nem para saltar por argolas em chamas e apanhar amendoins com a tromba. Por isso, aceitei também o pedido da associação ANIMAL para me juntar a esta causa e assinar a petição que espero que também assinem, embora o mais importante seja deixarem de ir assistir a circos que usam animais para vender bilhetes. De notar que o meu gorro de guaxinim não é feito de pele de guaxinim verdadeira. No entanto, no dia que tirei esta foto comi leitão. São gostos.

Quero também acrescentar que não partilho apelos de animais perdidos na minha página e é das coisas que mais me custa rejeitar. Já agora, explico o que digo a muita gente que me pede essa ajuda. Uma vez partilhei, na minha ingenuidade, e depois recebi dezenas de pedidos semelhantes. Obviamente, tive de os rejeitar e explicar que aquilo tinha sido um caso único por ser de um amigo de um amigo e que se eu fosse partilhar tudo a minha página tornar-se-ia num encontra-me.org ou noutra página do género e não é por isso que as pessoas seguem o que escrevo. Algumas pessoas compreenderam e agradeceram na mesma, outras chamaram-me hipócrita dizendo que afinal eu não gostava de animais e merecia que caso tivesse um cão ele também se perdesse. Enfim, percebo que no desespero as pessoas se tornem atrasadas mentais, no entanto, decidi nesse dia que nunca mais iria partilhar nenhum apelo. Prefiro proteger a minha "marca" e tipo de conteúdo e ganhar visibilidade com o que sei fazer e, mais tarde, poder utilizá-la para apoiar causas destas. Quem preferir achar que é para aparecer e parecer bem, pode achar isso e, com todo o respeito, ir para o caralhinho, sim?

É isto, não vos aborreço mais com estas coisas que não é por isso que seguem o que escrevo. Resta-me agradecer à Rita e a Sandra, da ANIMAL e da SOS Animal, respectivamente, (esta gente não tem muita criatividade para escolher nomes) por dedicarem grande parte da suas vidas a esta causa. Devem ter grande pancada, como toda a gente destas associações, mas vem tudo de um fundo bom. Vá, agora partilhem e ajudem no que puderem e, acima de tudo, se virem alguém a maltratar ou abandonar um animal, denunciem. Há um email da PSP criado especialmente para isso: defesanimal@psp.pt. Digam que o cão é preto que eles mandam sempre mais agentes.
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