3 de fevereiro de 2015

Não se pode agradar a Gregos e a Troikanos



Vamos falar de política internacional? Pois lá terá que ser. Como já devem saber, a política passa-me um pouco ao lado, gosto de saber o que se passa, mas apenas o suficiente para poder dizer mal e para ter assunto de conversa com as strippers. Elas pelam-se por política, economia e questões filosóficas. "Quem sou, de onde venho e para onde vou?" é uma questão que lhes passa muitas vezes pela cabeça e para a qual, a resposta mais comum é "Sou a Verónika, venho do Barreiro e vou para onde me quiserem levar, desde que paguem bem.". Acho que me estou a distanciar do tema, até porque a Verónika é Búlgara e eu estou estou aqui para falar da Grécia.

A Europa está agitada pelo resultado, já esperado, das eleições na Grécia. Ganhou o Syriza, liderado por Alexis Tsipras, que promete trazer uma política de esquerda radical ao país, quebrando assim com a tendência centro-direita que impera nos países membros da União do velho continente. Até parece que percebo disto, não é? Vejam como é fácil ser comentador político, basta olhar para a maioria dos que aparecem na TV. "O senhor foi mau governante? Não obteve resultados positivos? Óptimo, temos aqui meia hora para encher no telejornal, pelo menos até ir preso". Bem, mas Tsipras ganhou e promete medidas que muitos dizem ser populistas e utópicas, que só irão levar a Grécia a um novo resgate. Parece que de repente há muita gente preocupada com o bem estar de todos os cidadãos gregos, com receio que voltem, de rabinho entre as pernas e de joelhos, a implorar que a senhora Merkel lhes dê mais umas migalhas a troco de um pão de cacete inteiro. O novo Primeiro Ministro grego já conta com a minha simpatia em três aspectos: não usa gravata e como já aqui escrevi, usar fato e gravata é parvo; não tem barba nem cabelo branco e acho que já era altura de deixar os mais novos brincar um bocadinho; para além disto, o que mais lhe valorizo foi ter rejeitado fazer o juramento religioso, aquando da sua tomada de posse. Triste é ele ter que se recusar e isso não ser já completamente proibido.

Religião e política é como Vodka e Redbull: cada um por si só já faz mal, os dois juntos é uma bomba. Ás vezes literalmente. 

Eu, apesar de não ter nenhuma ideologia vincada, nem de me rever em qualquer partido que exista na nossa esfera política, tendo a ser mais de esquerda que de direita. Primeiro, porque é para onde o meu pénis descai e ele sabe normalmente aquilo que é bom. Depois, porque me parece que a esquerda se preocupa mais com as pessoas e a direita mais com a economia, as empresas e os patrões. Alguns dirão que está tudo ligado e que dependem uns dos outros para serem felizes. Talvez. Eu só acho que uns devem vir primeiro que outros na lista de prioridades dos governantes. A esquerda é mais pela justiça, a direita é mais pela igualdade. Muitas vezes as pessoas confundem as duas, mas é preciso distinguir. Vou fazer mais uma vez uma analogia sexual e ordinária para todos perceberem. Igualdade é irem com dois amigos a um bar de strip, haver lá seis bailarinas e ficarem duas para cada um de vós. Isto é igualdade pura, sem ter em conta nenhum outro factor. Já a justiça é irem a esse mesmo bar, com os mesmos amigos, mas como vocês já lá estiveram ontem e têm dinheiro para lá voltar amanhã, ficarem apenas com uma delas, o vosso amigo de classe média ficar com duas e o amigo mais pobre, que nunca teve as mesmas oportunidades que vós, ficar com as três, que neste caso seriam as que ostentam os melhores seios. No fim pagam todos o mesmo. Isto é justiça. Gosto mais desta última, até porque me dá jeito.

Depois há os extremos, que obviamente são perigosos. O extremo da direita pela ideologia fascista, nacionalista e xenófoba que reflecte o pior do ser humano. O extremo da esquerda, apesar de na teoria ser um mar de rosas fraternas, nunca funcionou como deve ser, exactamente porque foi posto em prática por seres humanos. Estaline matou 60 milhões no seu regime comunista, mas isso não quer dizer que os ideais não pudessem funcionar noutra época e liderado por outra cabeça. Os princípios do Cristianismo também dizem que são bons e vejam as barbaridades que a Igreja Católica comete(u). Tudo isto para dizer que os partidos me fazem comichão, sempre os achei uma palhaçada e eu nunca gostei de palhaços. Os partidos parecem-me uma forma de diminuir as escolhas e de manter os lobbies bem regados nas suas raízes. São como os clubes de futebol, criam palas nos olhos de quem os segue e permitem que se instalem dogmas perigosos, como um jogador não poder expressar a opinião no twitter, ou um deputado não poder votar contra a corrente de voto do seu partido, numa votação na Assembleia. Poder pode, mas a seguir já se sabe onde lhe enfiam um queijo Limiano, sem ser do fatiado. Eu acho que se devia fazer uma espécie de selecção para governar, os melhores de todos os partidos, convocando os mais capazes, fossem de que partido fossem. Se calhar só jogávamos com 5 ou 6 é certo, mas mais vale do que com 11 coxos, como tem sido habitual.

Voltando aos gregos, quem também promete muito é o novo Ministro das Finanças, Yanis Varoufakis, homem cotado como culto e com sentido de humor. Pelo menos promete envolver mais mulheres na vida política e fazer aumentar a economia das sex-shops, caso ele decida fazer uma linha de brinquedos com o seu nome, já que parece que o mulherio anda maluco com o senhor, que tem aquele ar de machão pronto para andar à porrada num bar. Com o seu aval, uma das primeiras medidas a ser tomada por Tsipras, será aumentar o ordenado mínimo em 53%, passando para 751€. Isto é all in meus amigos. Ou Tsipras tem na mão um par de ases, ou está a fazer um bluff digno de um campeão de poker, à espera do fold dos adversários para ele levar o pote. Se tiver mesmo que ir a jogo, é esperar que as probabilidades estejam a seu favor. O maior problema não é a Grécia enterrar-se ainda mais, o grande problema é se estas políticas radicais funcionam, ou pelo menos não pioram. 

Aí é que a porca torce o rabo e sim, estou a falar da Merkl. 

A primavera Árabe vai parecer uma história para crianças ao pé da meia-estação que avassalará a Europa, caso isso aconteça. Por cá, o PS já veio congratular-se com os ventos que sopram na Grécia, tentando capitalizar com demagogia os votos que possam vir por eles soprados, para que não seja o Bloco de Esquerda e o PCP a ficarem com eles. O António Costa também quer subir o ordenado mínimo, mas apenas para 520€. Isto é o que se chama jogar à coninhas, com medo de arriscar e por isso, sem nunca ganhar os grandes torneios. Ele vai ganhar as eleições, mas como sempre, nós vamos perder e continuar na big blind. Passo a explicar esta analogia: big blind é o jogador da ronda de poker que é obrigado a meter mais dinheiro logo de início, mesmo sem saber se vai ter alguma probabilidade de ganhar. Blind quer também dizer cego, ou seja, foi uma analogia ao quadrado. Sou um génio, obrigado por repararem.

Por tudo isto e muito mais, a vitória do Syriza faz tremer as instituições que querem que as políticas de austeridade e de direita se mantenham. Sentem que o seu cavalo de Troika, tão sorrateiramente infiltrado nos países pobres do Sul que eles tanto desprezam, venha a ser descoberto e que ainda fique mais exposta a emboscada económica que nos fez apertar o cinto. 

Mesmo com o cinto apertado até ao último furo, continuamos com o rego à mostra e a ver-se a tanga que já tínhamos. 

Mas lá está, isto sou eu a atirar para o ar, que como já disse, estou-me a mandar para fora de pé, que de política não percebo nada. Aliás, até acho que o grande problema da Grécia não são as políticas, de direita ou esquerda, o problema da Grécia é que tem muitos gregos, tal como o de Portugal é ter muitos portugueses. Somos latinos e temos a memória curta, uma amnésia selectiva que se manifesta de 4 em 4 anos e nos leva a eleger sempre nos mesmos. A diferença é que a Grécia bateu no fundo e pelo menos decidiu tentar outro rumo. Será para melhor? Só o tempo o dirá, mas se eu fosse o palhaço Tiririca, diria que pior do que está não fica.
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8 de janeiro de 2015

Gustavo Santos, o religiosamente correcto



O Gustavo Santos ontem resolveu armar-se em "Moral Coach" e dar uma lição de moral no seu Facebook, dando a entender que tem que haver limites no humor e que o atentado de Paris foi provocado por quem não respeita as "altas crenças" dos outros. E que quem morreu faltou ao respeito a essas pessoas e suas crenças. Falta de respeito a meu ver é ficar ofendido com piadas, insultar, ameaçar de morte, ou neste caso concretizar essas ameaças. Isso é que é uma falta de respeito.

Ficar ofendido com piadas sobre religião é um paradoxo interessante. Porque das duas uma: ou Deus não existe, ou a existir foi por vontade dele que essas piadas foram feitas.

Eu não tenho grandes problemas com o Gustavo Santos, até me parece bom moço. Dizem que era bom bailarino de hip-hop, participou num Big Brother "famosos", apresenta o Querido Mudei a Casa e é "Life Coach", mister-da-vida, como se diz na minha zona. Tem 5 ou 6 livros editados de auto-ajuda. É curioso que os livros se chamem de auto-ajuda mas que se tenham que comprar e dar dinheiro a outro que os escreveu. A única coisa que lhe invejo é o corpo, que gostava de ter. Não na minha cama, entenda-se. Mas isso se eu quiser muito e treinar no duro chego lá, já fazer crescer um cérebro é mais difícil, nem a jogar 1000 sudokus por dia e a resolver 2 cubos de rubik na retrete alguns lá chegam. Por todo o passado e presente do Gustavo, gabo-lhe a versatilidade, apesar de não lhe reconhecer talento nenhum especial. Mas até aqui estava tudo bem, sim achei ridículo os vídeos dele, o gesticular dele fazia lembrar o tradutor gestual do funeral do Mandela, o sotaque e a entoação dele fazem transparecer algumas temporadas no Brasil a tirar workshops na IURD, de onde para além da forma de falar trouxe muita da ideologia, embora sem a religião. As palavras que lhe saíam da boca, na minha opinião, não passam de palermices, ditados populares e coisas do senso comum decoradas com um palavreado bonito, que só os grandes vendedores de banha da cobra sabem usar. Reconheço-lhe esse talento, afinal. O de vender um produto que não vale nada, ou que vale apenas para quem está debilitado emocionalmente e precisa de ajuda e de um ombro.

Todas as piadas que se faziam sobre ele antes eram apenas e só isso, piadas sobre o quão ridículo os seus vídeos e o seu discurso era. Nada contra ele pessoalmente. Infelizmente, ontem as piadas transformaram-se em ofensas, a meu ver legítimas. Se calhar ele não queria dizer que o atentado foi merecido, acredito que não, mas foi o que pareceu. Infelizmente para ele, serviu de bode expiatório para todos os falsos moralistas que há por aí. Todos os que dizem "com coisas sérias não se brinca", ou "muito riso pouco siso". Todos que são muitos, porque vivemos num país que não sabe rir, ou não quer mostrar os dentes com medo que lhes vejam que lhes falta um, que por causa da crise não têm dinheiro para arranjar. A meu ver, falta de respeito é lucrar com as fragilidades das outras pessoas, com as depressões e as inseguranças, a vender ilusões em formato de livros, vídeos e palestras. Ajudam alguém? Talvez. Nunca se saberá se sem ele não tinham melhorado na mesma, pode ter sido só coincidência. As pessoas precisam deste tipo de motivador, compreendo que algumas sim, ainda assim não deixa de ser lucrar com as desgraças dos outros.  Li algures que o argumento do Gustavo em relação aos atentados era o mesmo que alguns homens (e mulheres) utilizam, dizendo que uma mulher que usa mini-saia e foi violada, tem culpa porque provocou. Sim, depois do que já aconteceu no passado, um jornal que faça caricaturas de Maomé habilita-se, mas queriam o quê? Que o medo e o terror vencessem a liberdade de expressão? Que uma mulher deixasse de se vestir como quer por medo? Que o politicamente ou religiosamente correcto imperasse e ninguém desafiasse as normas? Tomem juízo!

As caricaturas só foram feitas porque o extremismo religioso existe, não foi o contrário.

Ontem, para além das 12 vidas, perdeu-se um bocado da liberdade de expressão. Aquela que muitos lutaram pelo mundo todo, inclusivamente em Portugal, para que lhes fosse dada. A liberdade de dizer o que se pensa, seja no humor ou não, sem que lhes pusessem pimenta na língua. Ou a cortassem. Ontem perdemos todos, perdeu o mundo. Só o extremismo, religioso e político, ganharam.

Este texto ficou aquém do que devia, este assunto merecia mais, mas é tarde e amanhã acordo cedo, mas no fundo, tenho algo mais a dizer que resume tudo o que sinto: #GustavoVaiPoCaralho. O Gustavo Santos, mas principalmente todos os outros Gustavos que andam por aí.

PS: Já falei bastante de religião, para quem não leu aqui ficam alguns textos: Sandro Miguel o Jihadista Português, Papa Francisco o Xico-Esperto, Carta de Deus para o Homem
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24 de dezembro de 2014

Carta ao Pai Natal (de um menino mal comportado)



Esta é a carta do Pedro, um menino que mora numa das muitas zonas carenciadas de Portugal e cuja carta que ele enviou para o Pai Natal me veio parar às mãos através de um amigo que tenho nos CTT.

Olá Pai Natal. Espero que esteja tudo bem contigo aí pela Lapónia. Aqui também está frio.

Eu sei que com tantas prendas deves confundir às vezes o endereço, só assim se justifica o facto de tantos meninos maus receberem tantas e tão boas prendas. É suposto os meninos maus não receberem prendas, ou ouvi mal e afinal é os meninos pobres? Os ricos, mesmo que sejam mal comportados e respondam mal à professora e aos pais recebem prendas? Às vezes parece que é isso que acontece, mas espero estar enganado. Sei que este ano não fui um menino bem comportado, mas envio-te esta carta na mesma para pedir algumas prendas. Houve algumas vezes que respondi mal à professora, outras que não arrumei o meu quarto e por isso não vou pedir prendas para mim, mas gostava de te pedir para os meus pais. 

O meu pai trabalha muito, quase nem o vejo, nem ao fim-de-semana. Ele sai de casa muito cedo, ainda o sol não nasceu, mas vem sempre dar-me um beijo na testa que é quando eu acordo para me começar a preparar para ir para a escola. Depois só o volto a ver quando chega a casa e entra no meu quarto para me dar outro beijo, já eu estou prestes a dormir, porque ele chega muito tarde. Anda sempre muito cansado e triste, porque não gosta do seu trabalho e ainda por cima ganha 500€ só. Ao menos tem trabalho, é o que ele diz. A minha mãe não tem. Teve durante muitos anos mas foi despedida por causa da crise há 3 anos. Tentou encontrar trabalho durante muito tempo mas toda a gente lhe dizia que não queriam contratar uma mulher de 43 anos, que estava velha. Agora está em casa, arruma a casa toda sempre. Até a minha cama que eu não tenho tempo de fazer porque saio sempre com pressa para ir para as aulas. Comida ainda vai havendo Pai Natal, nunca passei fome, há sempre pão e manteiga e às vezes cereais para o jantar. Ás vezes a minha mãe só come duas bolachas ao jantar, ela diz que é porque não tem fome, mas eu acho que é para haver mais para mim. Às vezes também estou no quarto, que é na sala e oiço os meus pais discutirem. O motivo é sempre o mesmo, falta de dinheiro para pagar as contas. O que o meu pai ganha não chega para mantermos a casa, que é alugada, e ouvi dizer que há muitas contas para pagar atrasadas. A minha mãe fica muitas vezes a chorar e o meu pai a tentar animá-la, mesmo depois de terem discutido. Ele diz que alguma forma se há-de arranjar para pagar as contas. 

Por isso, tudo o que eu te peço Pai Natal é que dês um emprego à minha mãe e que o meu pai tenha um aumento e que não tenha que passar tantas horas longe de nós. Era tudo o que eu queria. Esquece a carta que te enviei do último ano, caso ainda a tenhas guardado para este. Esquece a Playstation 4 que te pedi, os bonecos e tudo o resto. Se já compraste dá antes a outro menino que precise mais. Eu só preciso que os meus pais estejam felizes. Que o dinheiro não seja a razão pela qual eles se separem, nem a razão pela qual eles não passam tempo comigo. Eu quando crescer vou ser Doutor e dar aos meus pais tudo o que eles me dariam se tivessem dinheiro.

Queria também pedir-te outra prenda, se não for pedir muito. Queria que desses um bilhete de avião ao meu irmão mais velho, Jorge, que está em França a trabalhar. Já não o vejo há 3 anos e tenho muitas saudades dele. Ele teve que ir para fora porque cá não arranjava emprego, apesar de ter tirado um curso e tudo. Foi trabalhar para lá e vai enviando algum dinheiro para ajudar, infelizmente ele também não ganha muito e tem lá a vida dele. Eu gostava muito de o ir visitar, mas sei que os meus pais não podem, e como sei que é mais barato e que o meu pai não pode tirar férias, pedia-te que lhe oferecesses um bilhete de avião para ele vir cá. Se lhe pudesses oferecer um emprego em Portugal então ainda era melhor. Ele não gosta de estar lá, diz que tem saudades da nossa comida e do nosso sol.

Eu sei que tu deves ter muito trabalho Pai Natal, que deve exigir muito de ti ofereceres prendas a todos os meninos e que, por vezes, haja alguns erros. Mas não consigo perceber como é que há tantas pessoas sem nada e outras tantas com tanto. Eu nem me sinto bem em queixar-me, pois sei bem que há meninos que estão bem pior que eu e que nada fizeram de mal para tal. Sei que há crianças a morrer de África de fome... De fome Pai Natal! Leva-lhes comida. Há crianças que não têm casa, não têm sequer dinheiro para um caderno e uma caneta para irem à escola. Ajuda-os Pai Natal. Há meninos com doenças graves que não têm dinheiro para os tratamentos. Tenho um colega meu que tinha Leucemia e que os pais tiveram que andar a pedir a toda a gente para o poderem curar. Já morreu entretanto. Ajuda esses meninos, esses pais que sofrem tanto. Os meus colegas todos da escola já não acreditam em ti, dizem que não existes e quem nos dá as prendas são os nossos pais e familiares. Eu não acredito neles, acredito nos meus pais que dizem que tu existes. Só podes ter sido tu a oferecer-me aqueles brinquedos no Natal passado, porque os meus pais não tinham dinheiro para isso. Não tinham dinheiro para me oferecer um brinquedo de 20€ quando a minha mãe se está sempre a lamentar por não ter dinheiro para um casaco mais quente no Inverno. Por isso, tens que ser real. Se não fores real, é sinal que foram os meus pais a fazer o sacrifício para me dar uma alegria no Natal passado e eu gostava de saber isso para lhes agradecer ainda mais o que fazem por mim. Hoje vou ficar acordado a noite toda para te ver chegar. Quando entrares pela chaminé, vou-te dar um abraço grande, mesmo sabendo que não me trazes prenda nenhuma, sei que vens trazer o que te pedi para a minha família.

Adeus Pai Natal, faz boa viagem
Assinado: Pedro

Por sua vez, o Bernardo, filho de uma família abastada da linha de Cascais, também enviou um email ao Pai Natal através do seu novo iPad:

Pai Natal,
Espero que este ano não te esqueças do que eu pedi. No ano passado só me trouxeste a Playstation 4 com 3 jogos, quando eu tinha pedido pedi 10!!! Os bilhetes que eu tinha pedido eram para a Disney World nos Estados Unidos, não eram para a Disney Land em Paris!!! Não é justo! Espero que este ano tenhas uma bocado mais de atenção se não eu vou fazer queixa ao meu pai. 
Velho caquético de merda.

Assinado: Bernardo Maria de Mello e Corte-Real Espírito Santo


Algo me diz que o Pai Natal vai trazer os presentes todos para o Bernardo e se vai esquecer mais uma vez do Pedro

Um feliz Natal a todos e obrigado pela prendas em formas de visualizações, likes, comentários e partilhas que me deram este ano todo. Sóis uns fofos.
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1 de dezembro de 2014

Facebook de Sócrates. PARTE 2 (com Duarte Lima)



Olá coisinhos e coisinhas. Esse fim-de-semana foi bom? Espero que sim. Não se deve voltar a um sítio onde já se foi feliz, mas a pedido de muitas famílias, nomeadamente da minha, decidi revelar-vos a 2ª parte dos leaks do Facebook do José Sócrates. Acho que valem a pena, até porque agora o Duarte Lima também entra na conversa. Espero que gostem.

(se estiveres a ver isto no telemóvel e estiver desfocado, clica na imagem)

Se gostaram, já sabem, partilhem que foi preciso mover muitos contactos para conseguir ter acesso a isto e estou a arriscar um processozinho jeitoso. Um grande obrigado por todas as visualizações e partilhas que a 1ª parte teve. Sóis uns fofinhos!

PS: Se gostaram disto, são meninos para gostar também desta parvoíce aqui.
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25 de novembro de 2014

Facebook de José Sócrates, as provas



Como sabem, sou uma pessoa com contactos nos sítios certos. Viver na Buraca tem destas coisas, há muitos ex-colegas dedicados ao mundo do crime e/ou são polícias. Como tal, consegui acesso ao mural do Facebook de José Sócrates, onde podemos ver a conversa com outras figuras importantes da esfera política, logo após a detenção de José Sócrates e os momentos seguintes a ter sido decretada a sua prisão preventiva.


(se estiveres a ver isto no telemóvel e estiver desfocado, clica na imagem)

E é isto. Espero que tenham gostado e se foi esse o caso, não se esqueçam de partilhar que isto deu-me mais trabalho do que ao Sócrates a roubar 25 milhões. Alegadamente.


Actualizado: Parte 2 aqui


PS: Para quem não leu aqui fica o texto que já tinha escrito sobre o facto do Sócrates ser um filho da pu...lítica e o Conto de Natal com Vale e Azevedo.
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24 de novembro de 2014

Sócrátes, o filho da pu...lítica



Ora bom dia, como foi o fim-de-semana? Foram detidos? Não? Então foi melhor que o do José Sócrates. Pois é, parece que o nosso ex-primeiro foi detido, por alegada fraude fiscal, corrupção e branqueamento de capitais. A santíssima trindade dos aldrabões. Só falta o tráfico de influências, mas ainda a procissão vai no adro. Este final de ano que tem sido prolífico em investigações e detenções de casos de corrupção, imagino que todos os que já fizeram traquinices, estejam com o rabinho mais apertado que um antílope a ser estrafegado por uma jibóia.

Muitas vozes vieram a público dizer que acharam indecente a forma como foi feita a detenção, logo à chegada do aeroporto. Eu cá, gosto mais de me focar no facto de alegadamente termos tido um Primeiro Ministro ladrão e do que isso significa sobre Portugal. Isso é que eu acho indecente. Sim, presume-se que ele é inocente até em prova o contrário. Sim, foi uma detenção um bocado a fazer pirraça mas a meu ver uma homenagem aos tempos do Duarte e Companhia. Podia ter sido feita de outra forma? Podia, mas não era a mesma coisa. Havia perigo de fuga? Não. Perigo de reincidência da actividade criminal? Não. Perigo de inquinação de provas? Talvez. Esse "talvez" para mim é suficiente para que o tenham prendido mal colocou aquele pezinho safado em solo português. Devia ter havido fuga de informação para que uma televisão soubesse da detenção antes dela acontecer? Não. Mas foi mais giro assim. Sócrates tinha para cima de uma dezena de motoristas quando era PM, por isso junta uns polícias a essa lista. O Natal chegou mais cedo para a comunicação social, o Correio da Manhã não precisa de colocar notícias da casa dos segredos na primeira página e nós, simples mortais, esquecemo-nos por alguns instantes dos nossos problemas e descarregamos as frustrações no Zé. 

Acho que é o mínimo que ele pode fazer por nós, depois de, alegadamente, nos ter andado a fazer toques rectais com o dedo grande do pé, sem sequer aparar a unhaca

Uma vez o Jel dos Homens da Luta foi processado por chamar filho da puta ao Sócrates. A meu ver é compreensível que ele tenha pensado isso, já que uma senhora com tanto dinheiro e três casas era de pensar que teria alguma actividade duvidosa. Se ele é um filho da puta, metaforicamente falando, ou não, ficará agora por provar agora. Caso seja culpado, a meu ver um Primeiro Ministro que rouba e ainda cria leis para o beneficiarem, como a lei que ele criou para pagar menos impostos ao trazer o dinheiro da offshore para Portugal, cai dentro do que eu classifico como um filho da puta. Neste caso um filho da política e essa é a pior das mães. Mil vezes pior que uma prostituta toxicodependente que deixa os filhos ao encargo do tio Alfredo, pedófilo condenado. Ser filho da política neste país é crescer num lar disfuncional, é ter o poder como padrasto abusador e o dinheiro como objectivo de vida, esquecendo o real propósito de uma profissão que não devia ser encarada como tal. Querer fazer carreira da política é o mesmo que ir para missionário em África só para ter um lugar no céu. É parvo e é pelas razões erradas. A política como está atrai a escumulha do colarinho branco, das luvas pretas e dos sacos azuis. Atrai quem acha que ser bem relacionado vale mais que ser competente. Quem acha que basta parecer e não ser, tal como bastam equivalências ou cursos tirados a um Domingo. 

Um dos grandes problemas deste país é sem dúvida a corrupção. Estudos da OCDE dizem que se não fosse ela, seriamos tão ou mais ricos quanto a Dinamarca. Mas não é só a corrupção que vem de cima, é a que começa no gajo do café, no taxista, na senhora Arminda da papelaria. Todos esses que tentam fugir aos impostos sempre que podem. Os que se queixam de ter uma reforma miserável mas que andaram a descontar o ordenado mínimo sempre que podiam durante a vida toda. 

Somos um país de chicos-espertos, a diferença é que uns roubam para sobreviver e outros roubam para enriquecer

Enquanto o exemplo que vem de cima for o que temos visto, quem está por baixo vai continuar a meter ao bolso as migalhas que conseguir apanhar dos pães saloios que os lá de cima vão dividindo para comer com caviar e pata negra. Pode ser que agora, com estes casos, as coisas comecem a mudar. Infelizmente vão mudar pelas piores razões, não vão mudar porque há mais gente honesta e íntegra, porque há mais informação e educação, se mudarem é porque há mais medo de serem apanhados. E mesmo assim, como temos visto em tantos casos como os da Fátima Felgueiras, do Valentim Loureiro e do Isaltino Morais, ainda impera a mentalidade do "Oh... roubou, mas fez muitas coisas boas". Temo que o José Sócrates se vá juntar a essa lista e que, um dia, ainda o vejamos no Palácio de Belém de cabelo grisalho ao vento a dizer "Corruption, what else"

Se ele for culpado, espero que seja preso e o coloquem numa cela com um Angolano de dois metros e trinta centímetros (se é que me entendem), chamado Wilson Cavalão. Espero que o Wilson tenha boa memória e mau gosto e se lembre de quem foi eleito do mais sexy do Correio da Manhã. Para além de ser o único político a ser eleito o mais sexy, José Sócrates foi também o melhor político que já tivemos em Portugal. Melhor, no pior sentido da palavra político. Era dos que melhor sabia falar, dos que saía sempre vencedor dos debates, dos que sabia discursar como poucos, mesmo quando saiu derrotado. Sabia que era importante parecer bem, sabia quando ser demagógico e populista e sabia, acima de tudo, sair por cima das inúmeras vezes que esteve por baixo. Não lhe assino para já a certidão de óbito política, porque este será como em todos os casos, se ele for inocentado haverá quem nunca acredite e diga que a justiça não funciona, como aconteceu com o Michael Jackson, se ele for culpado haverá quem diga que ele é inocente, que tudo não passou de uma cabala, como aconteceu com o Carlos Cruz. A diferença é que o Zé, a ser culpado, não fodeu só crianças, fodeu 10 milhões de pessoas, embora alguns tenham merecido, pela roupa provocadora que vestiram quando votaram nele. Aliás, para os que voltariam a votar nele se ele se candidatasse hoje, porque vos garanto, que mesmo depois disto tudo ainda ia ter umas boas dezenas ou centenas de milhares de votos, esses a meu ver, era colocá-los na mesma cela, tudo ao molho, nus, com o ar condicionado no máximo, cobertos de mel e depois um a um mandá-los ir tomar banho com o Wilson. Para os que até eram capazes de gostar desta última parte do castigo, era trocar o Wilson pela Odete Santos.

O paralelismo entre José Sócrates e o seu homólogo Grego sempre foi giro, mas agora ganha toda uma nova dimensão. Vejamos algumas frases do filósofo grego, que poderia ter sido o nosso Zé a dizer:
  • "Só sei que nada sei" - Será provavelmente o seu grande argumento de defesa, não dizer nada e esperar que não consigam provar que o dinheiro em nome do melhor amigo dele veio de fontes ilícitas.
  • "Para conseguir a amizade de uma pessoa digna é preciso desenvolvermos em nós mesmos as qualidades que naquela admiramos." - Em Paris, José Sócrates era muitas vezes visto com Sarkozy, ex presidente Francês, também envolvido num escândalo de corrupção. 
  • "Não penses mal dos que procedem mal; pensa somente que estão equivocados." - Poderá ser outro argumento de defesa, foi um equívoco, argumento já utilizado por outros que se "esqueceram" de declarar alguns milhões
  • "Creio que tenho prova suficiente de que falo a verdade: a pobreza." - Argumento de um homem digno e honesto que deu 25 milhões a outros, um rapaz que apenas trabalhava para ajudar em casa, ou nas três casas que a mãe tinha.
  • "A mentira nunca vive o suficiente para envelhecer." - Pode ser que neste caso esta afirmação utópica se verifique.
Não quero ser injusto, até porque mais uma vez digo que a presunção de inocência é uma coisa bonita e, por isso, tenho que colocar a hipótese disto não passar tudo de um mal entendido, e que as luvas que ele alegadamente recebeu, não passaram de presentes da Gertrudes, sua tia-avó, para fazer pandan com as meias das raquetes que todos recebemos no Natal.

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14 de novembro de 2014

Se não tem saldo, então agora não me toca




Desta feita um post com vídeo, que é para ficar aqui eternizado como um dos momentos mais parvos deste blogue. Fala-se que Isabel dos Santos, filha do presidente de Angola irá comprar a PT. Já fez até mesmo uma generosa oferta de aquisição pública, a chamada OPA, de mais de mil milhões de euros. Haja dinheiro senhora filha do presidente de um país em que a maioria da população vive na miséria. 


Em terra de cego quem tem olho é rei, ou em terra em que o pai é rei, só um cego é que não vê o que se passa

Bom, mas adiante que politiquices não é comigo. Querem então saber o que muda na PT caso seja realmente comprada por capitais Angolanos? Então vejam o vídeo.



Espero que tenham ficado mais esclarecidos e que esta minha viagem no tempo não tenha sido em vão. Outra coisa que vi no futuro foi o António Costa a dizer "Para o ano é que as coisas melhoram a sério". Mais do mesmo, portanto não façam grandes planos. Adeus e um bom fim-de-semana seus cafajestezinhos.


PS: Para quem perguntou quem é que era o Angolano a fazer a voz, era mesmo eu. Se há coisa que sou bom a fazer, para além de ser parvo, é fazer sotaque Angolano.
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5 de novembro de 2014

E se houvesse relato na Assembleia da República?



E se os debates na Assembleia da República fossem relatados pelo João Ricardo, com comentários do Nuno Luz e do Luís Freitas Lobo? Eu acho que começava a ser fã de política do Parlamento TV.

João Ricardo: Sejam muito bem-vindos a mais uma tarde de política espectáculo, nesta que é a sua rádio de sempre. O dérbi dos dérbis está pronto a começar nesta bonita arena com uma moldura humana espectacular e um ambiente fenomenal. De um lado temos o PSD, actual líder. Do outro, temos PS, apenas a depender de si para chegar ao topo da sondagem. O juiz da partida é Assunção Esteves, cuja nomeação foi muito contestada por parte do PS. A palavra inicial é para a formação da casa que equipa de laranja. Vamos sentir o pulso nas bancadas parlamentares, e como sempre temos o Nuno Luz para nos ir dando as novidades mais importantes. Nuno, onde te encontras?

Nuno Luz: Cá estamos, João Ricardo, directamente da bancada dos Verdes. O clima aqui continua da mesma maneira. D. Sebastião deve estar para voltar que aqui o ambiente está quase como um nevoeiro pesado e cinzento. O que me parece óbvio, visto que a líder partidária, Heloísa Apolónia, continua a rebentar canhões como se não houvesse amanhã.

João Ricardo: É bom ver que o público está animado Nuno Luz. Já voltamos a ti assim que houver novidades. Como sempre temos também Luís Freitas Lobo, directamente da sua cave para partilhar connosco os seus pensamentos poéticos e sábios. O que te apraz dizer antes deste início de partida Luís?

Freitas Lobo: Apraz-me dizer que se vive um ambiente espectacular, um ambiente de cortar à faca aquecida em manteiga Becel. Um ambiente convidativo para a prática da política dentro do hemisfério parlamentar. Os cânticos, os apupos, são música barroca para quem quer aprender a nadar qual peixe fora de água que não sabe cantar.

João Ricardo: Pois… é capaz de ser isso Luís. Bem, e é dado o apito inicial! O capitão Passos Coelho a tocar para o companheiro de equipa Paulo Portas. Portas segura a bola, Portas tenta ver linhas de passe mas ninguém se desmarca. Vai no um para um e finta o primeiro com retórica e vai para cima do segundo adversário com uma revienga demagógica. É populismo minha gente, é disto que o meu povo gosta! Classe de Portas. Mas volta para trás e perde a palavra! Portas se tivesse mais cabeça poderia ser um caso sério, mas volta sempre atrás nas suas decisões, daí a sua alcunha de balneário, La Belle Irrevogavelle. O que tens a dizer Luís, sobre este início de partida?

Freitas Lobo: Como sempre, Paulo Portas a querer fazer tudo sozinho, sempre com adlibs a fazer lembrar onanismo meigo em plena lua cheia. De um soberbo romantismo mas completamente solitária e sem contribuir para a equipa.

João Ricardo: Pois… é capaz de ser isso Luís. Bem, e  é reposição de palavra lateral para o PS, bem à esquerda e quem vai lançar é Ferro Rodrigues. Mete directamente para António Costa, o novo capitão de equipa, depois da saída de Tozé Seguro, apelidado de maçã podre. António Costa levanta a cabeça, fala bem mas não convence, as claques da equipa da casa apupam Costa. Mais fair play minha gente! A equipa da casa sabe que este Costa é perigoso, que pode decidir o jogo. Uuuuiiii! Entrada a pés juntos a rasgar! Passos Coelho, quem poderia ser! Uma entrada durinha ao passado autárquico do adversário. Entram duas massagistas tailandesas, uma tem claramente genitália masculina, ambas pagas pelos impostos dos portugueses. Momento de pausa. Para ti agora Nuno Luz, conta-nos o que vês aí de baixo.

Nuno Luz: Muito bem, João Ricardo. Agora estou aqui na cantina, onde me encontro com a cozinheira Dona Arlete e… Espera lá... Pois é, vejo ali ao fundo a surripiar um toblerone… Exatamente, é Mário Soares! Mário Soares a aparecer que nem uma osga na cantina. Passo-te a emissão de novo João Ricardo.

João Ricardo: Obrigado Nuno Luz, sempre em cima dos acontecimentos que realmente interessam, a dar vida a este relato aqui na vossa rádio de sempre. Freitas Lobo, o que estás a pensar? Achas que o PSD demonstra falta de segurança com este tipo de entradas?

Freitas Lobo: Claramente, mas não foi apenas demérito do PSD, há que dar mérito ao adversário. Costa foi um malabarista de circo dos anos 80. Foi claramente uma grande intervenção! Ca ganda categoria! Um patrão da bancada central! A forma como acariciou o discurso, é como se tivesse um mamilo debaixo da língua, turgido, entumecido, a fazer lembrar um caroço de prazer que dança e vibra com o trautear e chocalar numa dança de acasalamento entre a poesia, a prosa e a política.

João Ricardo: Pois… é capaz de ser isso Luís. Bem, a falta vai ser cobrada, Assunção Esteves aponta para o relógio e diz que está na hora. António Costa posiciona-se no centro da bancada, parece que vai bater directo. António Costa começa a discursar, entusiasma-se e remata com um "Sr. Primeiro Ministro é um aldrabão!". O árbitro apita e é cartão vermelho directo para Costa. O que é que é isso ó meu! Gera-se a confusão nas bancadas e começa a haver invasão de campo, Jerónimo de Sousa entra todo nu no centro da Assembleia envergando um machado e com uma foice entalada nas nalgas. Está bastante bem conservado fisicamente para a idade. Enxuto e rijo, como qualquer comunista trabalhador. Assunção Esteves termina o encontro. Que feio meus senhores e minhas senhoras! Que espectáculo deplorável, ninguém respeita ninguém, nem nisto que devia ser o jogo dos jogos. Nuno Luz, o que se passa aí? O árbitro está a tomar notas, consegues descortinar o que se passa?

Nuno Luz: Efectivamente, João Ricardo. Encontro-me desta vez junto ao Magalhães de Assunção Esteves, que continua a jogar Alley Cat. Tem também ali um separador do youtube com o discurso de Stalline em 1979 sobre a exportação de amêndoas no Kosovo e outro do Porntube, num vídeo Mature Midget Japanese goes Wild with his Pregnant Daughter and a Giraffe. Muito estranho, João Ricardo. Devolvo-te a emissão e vou ali bolsar aos lavabos.

João Ricardo: E é isto minha gente, o povo não merecia este jogo. Quem paga a politicBox para assistir ao debate, seja ao vivo ou no Parlamento TV merecia mais, merecia muito mais destes que dizem ser profissionais da política. Não tenho muito mais a dizer caros ouvintes, obrigado por terem escolhido a vossa rádio de sempre e fiquem ligados para os comentários que se seguem, com a presença das antigas glórias do mundo da política: Marcelo Rebelo Sousa, José Sócrates e Toni. Luís, queres concluir?

Freitas Lobo: Toni, esse mostro da política, especialista em todas às áreas e autor da célebre frase. "Foi o Hassan, caralho!". Pináculo da política que causa água na boca e suores frios onde o sol não brilha porque não é digno de Toni. Boa noite.

João Ricardo: Não metas mais tabaco não, Luís. Boa noite.
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23 de setembro de 2014

Um conto de Natal da corrupção



Parece que o Vale e Azevedo vai ser actor numa peça de Natal na prisão. Na mesma prisão está também Carlos Cruz que deve adorar tudo o que mete o menino Jesus ao barulho. Mas, não vamos por aí, inspirado nessa notícia tomei a liberdade e heresia de rescrever um conto de Natal bem conhecido de todos. Espero que gostem.

Era uma vez, há muito tempo atrás, num reino não muito longínquo e num tempo onde tudo era mágico, (tudo era mágico porque era tudo uma cambada de analfabetos e ninguém sabia explicar nada de acordo com a ciência) em que foi anunciado o nascimento de um menino especial. O acontecimento era também ele tão especial que vieram três reis do Oriente. Vale "Melchior" e Azevedo, Ricardo "Gaspar" Salgado e Isaltino "Baltazar" Morais, os três reis magos, magos na forma de como faziam desaparecer dinheiro dos outros. Decidiram meter-se a caminho para Belém para ver e adorar o menino que acabara de nascer. Como da estação do Oriente não há metro nem comboio directo para Belém, decidiram ir de autocarro, levando consigo os presentes para assinalar o nascimento desse menino especial, Jesus.

- O que levais vós, Azevedo? - perguntou Isaltino.
- Levo ouro, muito ouro para presentear o pequenote. E vós, caro Morais?
- Eu levo incenso, que dizem que cheira a estrume no casebre - diz Isaltino - e vós Ricardo?
- Eu levo mirra.
- Mirra? Que merda é essa? - pergunta Isaltino.
- Não sei. Mas se ele não gostar levo também 1.000.000€, que os outros 3 milhões tive que os gastar no outro dia. - disse Salgado num tom cabisbaixo.

Lá foram eles, atravessando o deserto, suportando o sol abrasador do meio dia e o frio acutilante da meia noite. Quando digo deserto, quero dizer Margem Sul, já que como nunca nenhum deles tinha andado de transportes públicos, enganaram-se no autocarro e foram pela Vasco da Gama e tiverem que ir dar a volta para apanhar a 25 de Abril. Apesar de não saberem ao certo para onde iam, contavam com o auxílio da Estrela de Cavaco Silva, pouco faladora mas que possuía bons contactos e lhes dissera para onde rumaram. Apesar de republicano, a Estrela era conhecida por ter amizades com reis... da corrupção. Chegaram, sãos e salvos, sem serem assaltados, mesmo tendo passado pelo Barreiro, Seixal e Montijo. Ao chegarem lá, bateram à porta de madeira envelhecida e, segundos depois, esta abriu-se e deram de caras com o pai do menino, "José" Passos Coelho.

- Sim? Que quereis? - Perguntou ele não sabendo de quem se tratava.
- Soubemos que foi aqui que nasceu o menino - disse Vale e Azevedo.
- O menino? Mas quem disse isso?
- Vimos no Correio da Manhã! Um acontecimento único, trouxemos prendas para celebrar o seu nascimento - esclareceu Azevedo enquanto apontava para o saco dos presentes.
- Ah bom... se trazeis prendas entrai, entrai bons homens.

Passos guiou-os no seu enorme casebre até uma sala grande. Ali estava uma manjedoura onde já se conseguia ver um bracinho esticado e um palrar precoce para a idade. Ao lado estava a sua mulher, a olhar enternecida para dentro do berço improvisado. Os burros e vacas não estavam lá, porque a Endemol não os deixou sair da Casa dos Segredos para participarem na peça.

- Parabéns minha senhora, muitos parabéns. Qual é o seu nome? - pergunta Vale e Azevedo no seu tom bonacheirão.
- "Maria" Merkl - diz ela num sotaque estranho.
- Muito prazer minha senhora, nós somos os três reis Magos e trazemos oferendas para o menino. Tão lindo que ele é. Saí à mãe... - diz Azevedo, perito em mentir. Isaltino quase que solta uma gargalhada.
Merkl olha para o seu marido, num levantar de sobrolho confuso, mas Passos acena afirmativamente com a cabeça tranquilizando-a.
- Muito obrigado caros reis.
- Posso usar os vossos sanitários para cagar? - Pergunta Isaltino na eloquência que o caracterizava.
- Claro que sim - diz Passos - podeis cagar sempre que quiserdes nesta minha humilde casa.
- Se calhar também vamos, não é Salgado? - diz Azevedo num piscar de olhos de quem queria alguma privacidade.
Chegando ao WC, que era uma árvore no quintal, rodeada de cravos viçosos, Vale e Azevedo diz de imediato:
- Já viste a tromba da Merkl? Já percebi porque é que ainda é virgem...
- Ainda por cima com aquele bigode quadrado e descolorado - comenta Isaltino.
- Não vi bigode nenhum... - diz confuso Vale e Azevedo.
- Não disse que era na cara! - continua Isaltino.
- Tu és um ganda porco ó Isaltino, a falar assim da senhora! - diz Ricardo.
- Deve ser virgem deve. Mesmo que seja, agora toda aberta por causa do parto é que nunca mais ninguém vai acreditar nessa história! - concluí Isaltino.
- Foda-se ó Isaltino, tu és mesmo um badalhoco. Bem vamos lá mas é despachar isto que ainda tenho que ir ao Novo Banco pedir uma caderneta de cheques.

Apressam-se a voltar à sala, onde estavam José e Maria, de pé, numa calma e sorriso sereno de quem acabou de ser pai e mãe. Os reis magos debruçaram-se sobre as suas malas e começaram a retirar as prendas, num natal que chegou antecipado, até porque o Natal foi inventado naquela noite.
- Trago aqui ouro para o menino. Menino... Ouro... Menino de ouro faz-me lembrar um jogador que eu tive no Benfica e depois despedi para ser o melhor jogador no ano seguinte e ajudar o Sporting a ganhar o campeonato - desabafa Vale e Azevedo - Mas atenção, se vieram cá as finanças não digais que fui eu que vos ofereci o ouro.
- Muito obrigado caro rei, muito obrigado. Ouro nunca é demais não é verdade? - Graceja Merkl no seu sentido de humor que lhe é tão característico.
- Eu trago incenso porque ... porque ... calculei que gostassem de ter a casa bem perfumada. Podem também fumar...
- Eu trago mirra! - Interrompe Ricardo.
- Was scheiße ist das?! - pergunta Merkl.
- Santinha! - dizem os três reis.
- Que merda é essa?! - pergunta novamente em português.
- É tipo uma árvore espinhosa ou o que é... - tenta explicar Salgado.
- E para que é que o menino quer uma árvore espinhosa? - confronta-o Merkl.
- Pois, não sei, pensei que pudesse dar jeito. Fazer um chá ou uma pomada para as assaduras nas virilhas. Mas pronto, tenho também aqui um milhão de euros...
- Ah bom, assim já estamos a falar como deve ser. Venha de lá esse cheque então, se for notas tanto melhor.
- Não é dinheiro nem cheque minha senhora, é em acções do BES.
- Com todo o respeito, caro rei Salgado, mas vós pensais que eu sou burra? Posso parecer uma mula mas de burra tenho pouco. Essa scheiße não vale um carra....
- Calma Maria, calma! - acalma Passos - Alguma coisa se há-de arranjar, a gente mete alguém a pagar isso, "nacionaliza-se" mais ou menos a coisa e todos pagam e nós recebemos - diz ele fazendo um gesto de aspas com os dedos, como quem anuncia que vai haver coelho da Páscoa.
- Ai Passinhos, como eu gosto de ti, fazes-me as vontades todas. Sabes mesmo como tratar uma mulher.

Maria retira o menino da manjedoura e aconchega-o junto a seu corpo forte, preparando-se para o amamentar. Os três reis magos olham uns para os outros, num misto de nojo e sobressalto, apressando-se a sair. Nisto, o lençol que aquecia o menino fica preso na palha da manjedoura, destapando-o e revelando que o menino era afinal uma bela menina.

- Não tem pichota! - grita Isaltino, cuspindo-se como se tivesse descoberto a pólvora, mas sem o rastilho.
- Ahhh, ohhh - exclamam os outros reis em uníssono.
- Pois, tendes razão, nós queríamos dizer-vos mas tivemos receio que mudásseis de ideias e decidísseis não presentar a nossa filha. Mas sabeis, o Correio da Manhã inventa muitas coisas e lá inventaram que era um menino e que se chamava Jesus. Mas não, apresento-vos agora oficialmente a nossa filha. Chama-se Troika. Feliz o dia em que José "Espírito Santo" Sócrates me emprenhou imaculadamente,  mas o Passos vai cuidar dela como se fosse sua filha. Far-se-á em sua honra um livro com vários evangelhos, que será bíblico e ao qual chamaremos orçamento de estado. Vai crescer bela, vistosa e não há-de ser virgem como eu. Vai foder muitos portugueses.


FIM

PS - Peço desculpa pelas incoerências (poucas) históricas e cronológicas que este conto contém. Mas tal como a Bíblia, também é uma obra de ficção.
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22 de julho de 2014

Alegoria do buraco do BES



Há muito, muito tempo, no reino de Portugal havia um feudo, um feudo baptizado pelo Senhor como Espírito Santo. Era belo, forte e governado por uma família que gostava de ir para a Comporta brincar aos pobrezinhos. Esse feudo era governado sobranceiramente, tinha castelos, moinhos e bancos. Tinha hospitais, tinha agências de viagem, tinha empresas, entre muitos outros investimentos que faziam com que fosse um dos feudos mais prósperos no reino de Portugal. Tinha o maior símbolo desse reino, Cristiano Ronaldo, mas nem isso lhe valeu para o que vinha a seguir. Tropeçaram nas próprias fintas que quiseram fazer.

Subitamente as placas tectónicas da economia abanaram com força tal, que muitos dos feudos bancários colapsaram devido às suas fundações frágeis. A família Espírito Santo abanou mas não caiu, e do alto da sua arrogância criticou todos os outros que haviam caído perante tais severas ondas sísmicas da crise. Orgulhosos de não precisarem de ajuda dos senhores do submundo, o Estado, que com o dinheiro dos aldeões decidiu ajudar os mestres feudais do reino de Portugal, distribuindo a riqueza numa ampulheta inclinada.

Foram tempos de trevas no reino, com cinzas a levantarem-se e taparem o sol da esperança de todos os aldeões deprimidos. Os habitantes do reino da Troika, ao verem tal ambiente taciturno no reino de Portugal, decidiram fazer mais uma visita, sabendo que havia lucros para recolher. Fizeram-se de agiotas dos senhores do submundo, desde que o Estado obedecesse e algemasse com correntes de austeridade todos os vassalos. E assim o fez.

Passaram-se anos, 3 anos para ser exacto, em que o feudo Espírito Santo parecia prosperar, parecia ajudar a atmosfera a absorver as cinzas que se haviam levantado. Mas a calma era aparente, uma disputa pelo trono do manso senhorial tornara a família senhorial vulnerável. D. Ricardo Agridoce estava em pé de guerra com o seu primo, Zé Maria Ricardini. Ambos queriam o ceptro do poder do feudo Espírito Santo. Como sempre, quando se zangam as comadres sabem-se as verdades e foi isso que aconteceu. Os podres foram revelados e o povo admirado exclamou em uníssono:

"Este Espírito Santo é como o da Bíblia, fode o pessoal sem ninguém dar por nada."

O pior é que não engravidou ninguém com o Messias, porque foi uma fornicação no rabo e quanto muito sai de lá o Capeta. O feudo foi auditado por uma reino externo, o que indicou que as talhas e mãos mortas que cobravam aos vassalos eram o pau em casa deste ferreiro. Descobriu-se então que um dos moinhos do manso senhorial havia faltado ao registo de 1,2 mil milhões de grãos de farinha e que toda a família vivia como viviam muitas, acima das possibilidades e apenas de aparências. Ao que parece a dona Inércia tinha uma prima em 3º grau, a Dona Contabilidade Criativa.

A crise e desconfiança aprofundou-se no feudo, embora tudo fosse feito e dito para que os vassalos continuassem a ceder a sua propriedade em troca de ajuda financeira. Disseram que o Castelo Bancário não se ressentiria das prevaricações do resto das propriedades do feudo. Para apaziguar os ânimos, excomungaram toda a família Espírito Santo do leme do feudo e chamaram um governador de outro, Vítor Bentinho, para abençoar as colheitas e fazer prosperar a economia feudal. Até o senhor do submundo, Cavaquinho, proferiu umas palavras, logo ele cuja voz pouco era ouvida no reino. Normalmente era no Facebook.

Ao ver esta crise os abutres começaram a pairar, necrófagos financeiros que farejam dívida fácil ao longe. Do reino de Angola veio o maior deles todos. Um abutre, que não contente em comer todos os restos de comida do seu povo, decidiu disfarçar-se de salvador, qual lobo em pele de cordeiro. Um lobo que precisa de perder tempo a esconder a cauda, que abana de um lado para o outro de excitação de ficar com tudo para si, para que, a sua família dos Santos, se abaste um pouco mais com a carne que o seu povo não tem dentes para comer.

Parte da família Espírito Santo saiu do psi20, o café onde costumavam tomar o pequeno almoço todas as manhãs. Manjares com os melhores vinhos e caviar. Saíram tristes, mas apenas pelo que isso representava para todos os outros feudos que criticaram anteriormente, pois posses não lhes faltará para se empanturrarem de iguarias para o resto da vida. A história está ainda agora a ser escrita mas se alguém ficar feliz para sempre, não seremos nós.

PS - Se gostaram desta fábula, podem também ver esta aqui.

PS2 - Não se ponham com tretas que a história está incoerente e imprecisa e que o BES não é a mesma coisa que o GES e etc e tal, ok? A Bíblia também está cheia de incoerências e ficções e o pessoal papa aquilo.
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11 de julho de 2014

Shark Tank à Zé do Pipo



Parece que vai haver um Shark Tank português e vai ser a Bárbara Guimarães a apresentar. A meu ver faz todo o sentido tê-la neste programa de empreendedorismo, visto a sua vasta experiência em bater punho. Normalmente era o punho do Carrilho que lhe ia bater na cara. Pensavam que eu ia fazer uma referência sexual, não era? Sou muita surpreendente!
Gosto muito do Shark Tank, espero que o português não desiluda. Para isso são precisas boas ideias e eu, como não podia deixar de ser, tenho uma do caraças! É preciso ter uma mente aberta para este tipo de conceitos inovadores e fora da caixa. Passo a explicar:

Um site com aplicação mobile para políticos. Cada político tinha o seu perfil, com todas as merdas que já disse e fez, geolocalização e sensores para detectar quem está a dormir e/ou bêbedo. O público podia seguir os políticos que quisesse e dar-lhes pontuações pelo seu trabalho. Podia até dar-lhes choques caso estivessem a começar a adormecer na Assembleia. Aos que estão no Governo e nas Autarquias era possível avaliá-los semanalmente e se chegassem a determinada pontuação negativa tinham direito a castigo. A consequência seria também votada por todos nós, eram sugeridas 4 e a mais votada era posta em prática. Por exemplo, Passos Coelho tentou mais uma vez tentar aprovar um orçamento de estado inconstitucional, merece castigo, certo? Qual?

  1. 51 Chibatadas nas nalgas em praça pública
  2. Comer o equivalente a uma posta mirandesas mas em cocó (percurso inverso do normal)
  3. Fazer sexo desprotegido com a Fanny depois dela fazer o jogging matinal
  4. Levar com uma colher de pau nas unhas e depois das unhas ficarem podres e caírem têm que as atar num fio e usar como espanta espíritos na cabeça.
Imaginemos que ganhava a 3 opção, era tudo transmitido por live stream na app mas também na RTP para equilibrar o buraco das contas.

Mais coisas, as promessas de todos os políticos feitas em eleições ficavam gravadas no seu perfil. Quando fossem eleitos começava o cronómetro a contar, caso não fossem cumpridas era lançado um aviso automaticamente a todos os seguidores e marcado um evento de Facebook à porta do gajo para lhe acertarem o passo. Sim, esta app iria ter integração com o Facebook obviamente. Todas as coisas que criticaram quando estavam na oposição e depois fazem igual quando chegam ao poder desencadeava o mesmo processo, tal como estarem na oposição e criticar o Governo em coisas que quando lá estivessem fizeram igual. Tudo isto contribuía para um sistema de rating. Todos os meses quem tivesse uma votação abaixo de um certo valor era corrido e era o público que escolhia quais os empregos aos quais ele se podia candidatar. Como caso de estudo apliquemos este cenário a quando o Gaspar foi demitido do Governo por fazer um trabalho deplorável. Para vai ele trabalhar a seguir?

  1. Gestor na MotaEngil
  2. Administrador do Banco de Portugal
  3. Desentope sanitas no McDonalds
  4. Bailarino de Dança exótica
Imaginemos que ganhava a opção 2. Era sinal que o povo português era burro. Como eu acredito que se nos forem dadas as ferramentas até somos um povo que sim senhor, calculo que a opção ganha fosse a 3 o que iria mostrar ao Gaspar o que realmente custa a vida e iria fazer com que ele fosse um gajo muito melhor no que tentou fazer, porque iria perceber as dificuldades de viver com pouco dinheiro e da criatividade que é preciso para chegar ao fim do mês.

Aliado a isto tudo havia também sistemas de apostas que eram sugeridas por todos, como por exemplo:
  1. Quem será o primeiro Ministro a ser demitido esta semana?
  2. Quando irá Cavaco desmaiar outra vez?
  3. Quando o Relvas voltar à faculdade em quantas semanas vai terminar o Doutoramento?
  4. Ficará Passos Coelho totalmente careca até final do ano?
"How do I make money?" perguntaria o Kevin O'Leary, tubarão careca. Primeiro que tudo em publicidade na aplicação e site. Depois no live stream dos castigos, com anúncios dignos de uma super bowl americana. As empresas que queriam aparecer como próximo emprego do político escorraçado tinham que pagar também uma taxa, excepto uma delas que era escolhida por sugestão do público, para garantir que empresas com poucos recursos e empregos de ordenado mínimo tivessem também oportunidade de serem seleccionadas. Outra fonte de receita seriam as apostas, tanto em termos do dinheiro investido por todos como de patrocinadores e parcerias com casinos e casas de apostas online.

O mundo da política ficava mais justo, quem fizesse merda ia ao ar na hora e todos se esforçavam para não levar chibatadas no bum bum. Isto iria gerar receitas que equilibravam o défice e ainda conseguíamos 100€ a mais do que temos que pagar à Merkl para ela ir fazer o buço (que para quem nunca reparou é em forma de quadradinho).

Que acham? O conceito ainda está embrionário mas acho que tem pernas para andar!
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3 de junho de 2014

Monarquia? Sim ou não?



Óbvio que não. Pumbas, logo assim sem lubrificar nem nada. Até parece que tem areia! Parece que o Rei Juan Carlos abdicou do trono em Espanha para dar lugar aos mais novos. Era bom que o Cavaco por cá fizesse o mesmo e fosse gozar a sua mísera reforma para bem longe. Infelizmente o que ele ganha não lhe deve dar para ir comprar uns caramelos a Badajoz, quanto mais ir para o caralho que o foda que é bem mais longe. (ando a ver se me processam para ter publicidade à borla mas está difícil).

Bem, posto isto, o que dizer da monarquia? Primeiro que tudo é que é ridícula. "Ah mas há países muito avançados que são monarquias", dizem os senhores de calças vermelhas. Pois há, mas também os há que não são, não é? E quem disse que se não fossem monarquias não estariam ainda melhores? Nunca se sabe. O que se sabe é que alguém ser eleito seja para o que for por ter uma cunha é parvo. E a monarquia é isso, é o gajo do poder só lá estar porque tem a maior cunha do mundo que foi o pai ter ejaculado no interior da mãe e ele ter nascido. Era o D. Duarte que ia pôr Portugal no sítio? Um gajo que saca uma gaja 20 anos mais nova tem algum valor, mas duvido que fosse a solução que andamos à procura. Ia ser pior que o Cavaco? Provavelmente não. Têm a voz parecida mas um é D. Duarte Pio e o outro só se lhe ouve o pio quando devia estar calado.

A monarquia é um regime machista, ostentoso, ultrapassado e ridículo. Não quer dizer que não funcione bem, atenção! Limpar o rabo com facturas do pingo doce também funciona, o que não quer que não se cague os dedos todos e que não haja melhor forma de o fazer. Ainda assim adorava que se fizesse um referendo sobre isto que era para os monárquicos se calarem para sempre bem caladinhos. Acho que quando há um partido monárquico que nunca tem mais que meia dúzia de votos da família e amigos não seria preciso um referendo para adivinhar o resultado. "Ah mas o partido monárquico não reflecte a vontade dos portugueses em ter uma monarquia", dizem agora os senhores de bigode aristocrata. Então façam o seguinte, criem o partido QVENÉPQAMDV, ou, "Quem Votar Em Nós É Porque Quer A Monarquia De Volta" e concorram às próximas eleições! É como se fizessem o referendo! Esta gente não tem criatividade nenhuma...

E é isto. D. Sebastião não há-de voltar, porque alguém que anda perdido há tanto tempo não é numa noite de nevoeiro que encontra o caminho para casa. Mais depressa aparece a Maddie a dizer que a fila para a Disney Land estava grande e que ainda fez tempo para ficar com altura suficiente para andar na montanha russa.
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27 de maio de 2014

Carta aberta de um gajo que faz parte da abstenção



Isto chama-se carta aberta porque agora está na moda fazer isso, quando no entanto são apenas textos colocados na net. Um dia disseram-me "Não ires votar é como ires a um restaurante e dizeres que comes o que te puserem na mesa e vem um prato de sardinhas e tu refilas a dizer que não gostas. Se não expressaste a tua opinião não te podes queixar!!!". Eu pensei naquilo, parecia um bom argumento durante 2 segundos, depois vi que era idiotice e disse "Não... Ir votar é ir ao restaurante e pedir febras, mas ter que comer sardinhas porque vocês decidiram por mim em maioria. Não ir votar é ficar em casa e dizer que bem vos tinha avisado que aquele restaurante era uma merda". A meu ver ganhei a discussão.

Pois é, eu não fui votar. Aliás, em 12 anos em que estou por lei apto a votar só o fui fazer uma vez, no referendo do aborto, em todas as outras fiquei em casa, ou noutro sítio qualquer, a fazer coisas mais interessantes. Primeiro que tudo, para mim a abstenção tem várias razões de ser: a primeira e maioria, é de pessoal que se está a cagar, que refila por tudo e por nada e que não faz a mínima ideia do que se passa no país, a não ser os bitaites que vai ouvindo no café; a segunda é o pessoal que é preguiçoso, até tem inclinação política mas fez sol e tal e decidiu ir para a praia ou passear na marginal; o terceiro, onde eu me insiro, são aqueles que acham que votar não serve para nada. Normalmente quem diz mal do pessoal que se absteve é aquele pessoal que acha que apenas ir votar é ser um bom cidadão. "Eu fujo aos impostos mas fui votar!". 

Mas vamos por partes e entremos aqui por questões filosóficas profundas, só para eu vos baralhar e vocês pensarem "Sim senhor este gajo até é esperto". Se eu olhar do ponto de vista pessoal, o meu voto não vale realmente nada. Nunca vi nenhuma eleição ser perdida ou ganha por um voto. O meu voto, como entidade individual não muda e não serve realmente de nada. O que pode fazer a diferença é o somatório dos votos. Portanto o meu voto por si não serve de nada. "Mas se toda a gente pensar assim...", dizem alguns. Pois, mas o que os outros pensam não me interessa muito. Eu não votar, ou votar, ou em quem voto ou deixo de o fazer é uma decisão minha e intrínseca às minhas convicções, é exclusiva de todos os outros votos e por isso esse argumento é teoricamente válido mas no fundo o que interessa é que o MEU voto não interessa para nada. Baralhados? Ainda bem. Mas mais do que não servir de nada em termos individuais, o voto da maioria também parece que não. Quem vota não se queixa que estamos sempre na mesma? Nunca ouvi ninguém dizer "Epáh, sim senhor, desta vez é que acertámos!" Nunca. Por isso aparentemente o voto não serve realmente para nada, pelo menos há 40 anos que não tem servido. A estas questões metafísicas acresce o facto de ao votares elegeres normalmente um gajo, que por sua vez vai colocar dezenas de outros gajos, em quem tu não votaste, a mexer realmente nas coisas e tomar medidas e essas merdas todas que eles dizem que fazem. Não fosse isso o suficiente para o acto de votar ser uma fantochada, ainda temos o detalhe de que quem manda nisto tudo não é nenhum desses gajos. Não digo que alguns não possam fazer algumas diferenças mas o que é certo é que as coisas importantes não são decididas na esfera política visível. Quem mexe os cordelinhos a sério são uma série de outros gajos que estão na sua poltrona e nessa ninguém tem voto. E não é conspiração nem nenhuma dessas merdas, é o que é. Como diria o George Carlin "Este país já foi comprado e vendido há muito tempo atrás". No dia em que aparecer lá um político cheio de ideias novas e revolucionárias que apertem os calos aos senhores do dinheiro e da influência, esse político ou vai ser corrompido, ou morto politicamente (ou até literalmente). É só olhar a história, de Portugal e do mundo.

Votar é um direito e não uma obrigação como nos tentam impingir. Como direito que me assiste posso optar por não o exercer e ninguém tem nada a ver com isso. Eu não me sigo por partidos nem por cores, isso são os bois (ou boys), eu voto em pessoas mas, infelizmente, nunca lá apareceu nenhuma a encabeçar uma lista que me excitasse ao ponto de me fazer sair de casa para lhe enfiar uma cruzinha no quadrado. Nem um. Nem uma meia casa. Nem uma comichãozita sequer. Por isso ir votar branco ou nulo era a mesma merda. Eles dizem que não é porque não dá jeito que seja. Dá mais jeito insultar todos os que se abstém e colocá-los todos no mesmo saco. Dá mais jeito dizer que são desinformados e desligados do que interessa. Dá mais jeito reduzir todos a escumalha da sociedade causadora de todos os males. Parece que o problema de Portugal não são os que estão no poleiro e não fazem nada, são os que não vão votar, sendo que a maioria não vota porque vê que quem lá está não faz um caralho. Políticos que tiveram oportunidade de mudar as coissa e falarem mal da abstenção era dar-lhes duas chapadas na tromba, já que a meu ver engajarem a população em termos de consciência política e social devia ser parte das suas competências. A culpa da abstenção só porque sim é deles. A abstenção que é amiga deles e lhes dá jeito, se não o voto já era electrónico há muito tempo. 

Eu acho que devíamos todos votar, e para mim era tipo casa dos segredos, iam sendo eliminados para render o peixe e ainda se fazia dinheiro nas chamadas de valor acrescentado. No fundo é a isso que se resumem as eleições hoje em dia. Um circo mediático de pseudo importantes, com pseudo comentadores em busca das maiores audiências e tiragens de jornais. É tudo uma palhaçada mas os palhaços somos nós. Somos gozados, explorados, roubados e no fim ainda dizem que a culpa é nossa. Ou é de todos, e já dizia o José Mário Branco, quando a culpa é de todos não é de ninguém. Parece que eu que não voto sou mais culpado pelas contas públicas do que o Passos Coelho ou o Sócrates.

Eu nem me costumo queixar muito dos políticos. Acho que são 99% uma cambada de filhos da puta mas isso é o que eu acho de toda a gente. Eu queixo-me de pessoas no geral, e os políticos embora não pareçam, enquadram-se nessa categoria. Sou mais capaz de criticar o zé povinho desmiolado e que vai votar em quem lhe deu o boné mais bonito na feira, ou que vota no partido que tem a sigla mais fácil de pronunciar. Queixo-me mais desses do que dos políticos em si, embora a culpa de termos uma população maioritariamente sem formação nem educação seja deles. É uma pescadinha de rabo na boca em que somos nós que levamos com a merda. Mas mesmo que me queixe, e queixo de muita coisa, estou no meu direito. Pago impostos, contribuo para a sociedade, tenho toda a legitimidade para barafustar. Quem vota nos que lá estão, ou já estiveram é que poucas razões tem para o fazer. Aliás, devia ficar no cadastro essa merda. "Ai o senhor votou PSD... então ao seu IRS vai acrescer uma taxa extra de 5% que é para não ser parvo". Assim sim, a democracia era bonita. Agora como está... uma democracia sem educação não é livre. Uma democracia em que são sempre os mesmos, em que é nos media que se contam os votos, em que quem tem mais dinheiro e tempo de antena é que ganha... Isso não é democracia, é uma ditadura das massas ignorantes. A democracia é o menos mau dos sistemas políticos dizem, mas eu cá sou a favor da ditadura, desde que o ditador tivesse bom senso. Um gajo porreiro que sabe o que é bom e o que é mau. Que sabe que há pessoas que são umas abéculas e que não deviam ter poder de decisão em nada. Que há pessoas que têm que ser controladas e encaminhadas. Infelizmente o poder corrompe e o ditador só teria bom senso até deixar de o ter. Mas vejo por aí tanto anormal, que saber que o meu voto vale tanto como os deles ainda me tira mais a vontade de ir às urnas. O que vale é que no fundo no fundo, nenhum dos nossos votos vale nada e isso apazigua-me a alma.

Sabem o que vale mais do que o voto e que faz mais diferença? Dizer bom dia com um sorriso às pessoas que contactamos no dia à dia. Isso é que pode mudar as coisas. Dar um real sentido de que somos todos partes integrantes da mesma consciência humana e não apenas política. Se calhar isso, talvez fizesse com que as coisas fossem melhorando pouco a pouco e que um dia, até mesmo os que estão lá em cima, nos cargos mais altos, se lembrassem de que o sorriso dos outros é o mais importante. É como reciclar, começar a ensinar os pequenos para que no futuro continuem a separar o lixo mesmo sendo donos de multinacionais. Foda-se que este parágrafo foi profundo. Até vou beber um copo de água para recuperar.

Para finalizar, tenho a consciência tranquila que exerci o meu dever de cidadão tão bem como todos os que foram votar, com a benesse que não elegi os mesmos atrasados mentais que vivem à custa do sistema. Não gosto é que me chamem nomes em todas as sondagens e comentários. Há abstenção e abstenção, por isso senhores da razão e consciência social, humana e política, podeis ir para o caralho sim?

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