3 de março de 2016

Se o Trump fosse português



Gosto de acompanhar as eleições norte americanas não pelo interesse que tenho nas políticas deles, mas porque é do melhor entretenimento que tem dado na televisão. Estava a ver o discurso do Trump depois dos resultados das últimas eleições primárias, de madrugada como qualquer bom programa de humor, e dei por mim a pensar se seria possível haver um Trump, com aqueles argumentos, a liderar sondagens em Portugal. Vamos apenas fazer o exercício de imaginarmos que temos um candidato a presidente ou primeiro-ministro de Portugal a dar a seguinte conferência de imprensa:

Temos de tornar Portugal grande outra vez! Grande como foi na era dos Descobrimentos nem que seja preciso voltar a ter escravos e invadir Marrocos! Isto não pode continuar assim a sermos conquistados pela China! Só vejo lojas dos chineses em todo o lado e ainda por cima as merdas que lá se compram só funcionam uma vez! Temos de banir as lojas chinesas e expulsá-los do país! Temos de trazer o dinheiro dos portugueses de volta para Portugal e para isso, prometo construir um muro entre Elvas e Badajoz! É indecente que tantos portugueses continuem a ir comprar caramelos lá fora, quando temos tantos caramelos bons por cá! Vou, por isso, construir um muro de 500 metros de altura e ao longo de toda a fronteira! Calma que vai ter uma porta bonita mas só para entrarem turistas! Sair ninguém sai! Para quê ir fazer viagens de finalistas a Lloret del Mar quando temos Albufeira que tem tantas ou mais badalhocas? Outra medida que prometo fazer é expulsar todos os muçulmanos daqui para fora! Todos! Aliás, toda a gente que viver no raio de dois quilómetros de uma mesquita vai ser investigado. E os pretos? Esses preguiçosos? Cambada de violadores e traficantes e ainda pior do que isso é o facto de terem trazido para cá a kizomba.

Acham que uma pessoa com este discurso, mesmo que milionária e estrela de TV, liderava as sondagens em Portugal? Acho que não. Dizemos, eu incluído, tantas vezes mal do nosso país, mas aqui tenho de tirar o chapéu à inteligência dos portugueses que nunca se deixariam levar por um discurso surreal destes. Portugal, em termos de inteligência política, dá 10 a 0 aos Estados Unidos. E vindo de um país que elegeu Passos Coelho, Cavacos, Costas e afins, isso é dizer muito sobre os "amaricanos".

«Ele diz o que pensa.», é um dos principais argumentos de quem o apoia.

Como se dizer o que se pensa quando só se pensa em merda fosse uma qualidade.

Saber que se é burro e não se tem inteligência e opiniões válidas em determinados assuntos, e ter o bom senso de não se dizer o que se pensa e ficar calado, isso sim, é uma virtude. O mais curioso é que ele não diz o que pensa. Diz o que o faz ter votos. Ele sempre foi a favor do aborto e, de repente, mal chega ao partido Republicano, passa a achar que aborto afinal é pecado. Isto entre outros assuntos em que ele era mais liberal e passou a ser mais conservador só para angariar votos à direita e à direita da direita. O Ku Klux Klan disse que apoiava o Trump e acho que não é preciso dizer mais nada.

Como é que é possível o país que manda no mundo ter uma população, em média, tão ignorante? Ignorante ao ponto de votarem num gajo que diz baboseiras como estas? Ignorante ao ponto de haver 42% da população que acredita que a história de Adão e Eva é literalmente verdadeira, que o mundo tem menos de dez mil anos e que os dinossauros, por isso, coexistiram com os humanos ou que os seus fósseis foram deixados por Deus para testar a fé das pessoas? Ignorantes ao ponto de não deixarem os filhos irem à escola caso se ensine lá a teoria da evolução de Darwin? Quem faz isso acaba por criar um paradoxo mostrando que realmente muita gente não evoluiu e estagnou nos chimpanzés. Algo me diz que essas crianças serão a próxima geração da trumpa. Não são duas ou três pessoas! São 42% de um universo de mais de 320 milhões! As pessoas burras, ignorantes e desinformadas dos Estados Unidos fazem treze vezes a população de Portugal! E é esta gente que elege os governantes que têm mais poder no mundo!

Enfim, nada de estranhar num país que não consegue desligar a religião da política. Num país em que o ex-presidente Bush dizia que rezava pelas tropas no Iraque e em que os discursos acabam invariavelmente com um «God Bless America», mesmo que o candidato seja ateu, como dizem ser o caso de Obama. Deus dá votos de ignorância. Pelo menos este Deus americano, levado ao extremo como os extremistas islâmicos de quem eles tanto têm medo. O fanatismo católico nos EUA é, provavelmente, mais perigoso para o mundo do que o Estado Islâmico.

Ganhe ou não, Trump veio mostrar ao mundo que a democracia envolta em promiscuidade com as grandes corporações que financiam as campanhas, em conjunto com os media completamente parciais, é um modelo de sociedade perverso.

Uma sociedade com liberdade condicionada, mas prisão à ignorância perpétua.

Gostava que o Trump ganhasse para que todos víssemos o perigo do fascismo mascarado de democracia. Gostava ainda mais que ele ganhasse e se virasse para o povo americano e dissesse «Mas vocês são parvos? Como é que me elegeram? Eu só disse porcaria a testar os vossos limites! Acham mesmo que eu vou expulsar pessoas? Só se for as otárias que votaram em mim. Acham mesmo que vou fazer muros? Só se for para impedir que voltem para cá. E que Deus abençoe os outros países porque a América precisa é da extrema-unção.»
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24 de janeiro de 2016

Portugal é vítima de violência doméstica



Olá, o meu nome é Portugal e sou vítima de violência doméstica. «Olá Portugal!», responderiam os restantes elementos da reunião dos masoquista anónimos. Pois é, não fosse o facto de nos vermos livres do Cavaco, estas eleições seriam mais um dia triste da cronologia política portuguesa. Ganhou, mais uma vez, mais do mesmo. Foi uma substituição daquelas que se fazem no futebol quando o jogo está quase a acabar: uma troca por troca, só para ganhar tempo e adormecer o adversário, ou, neste caso, o povo. Foi trocar o Thomas pelo Fernando Aguiar, ambos cepos e contratações falhadas, mas o segundo expressa-se melhor nas conferências de impressa.


Ontem, Portugal elegeu um Presidente fã de Salazar, adepto de touradas, e contra o aborto. Portugal torna-se, assim, no primeiro país a inventar a máquina do tempo.

Não é que Marcelo não seja capaz de nos representar lá fora e de receber chefes de estado de outros países e de conseguir fazer sala e ter boas conversas. Tenho a certeza que sim. Aliás, conversar e falar será o seu maior atributo politico e, quando assim é, já sabemos que o resto fica descurado. O presidente não faz muito, é um facto. Passeia, manda o seu ocasional bitaite, deixa passar leis e pode mandar tudo abaixo e convocar eleições. Dizem que o Presidente da República deve ser uma espécie de árbitro, algo que olhando para o historial da arbitragem portuguesa, parece-me a pior analogia de sempre. Tal como os árbitros, o Presidente também é subornável e tendencioso, mesmo quando se afirma independente só para angariar votos à esquerda. É como eu dizer à frente dos meus amigos que eu é que mando lá em casa mas depois a minha namorada pôr-me a dormir no sofá e sem sexo durante dois dias.

Marcelo comentador era um bom comentador. Divertido, culto, e de ideias e ideais menos presos à sua afiliação partidária. Era um gajo fixe porque não influenciava nada e, sobretudo, porque não éramos nós que lhe pagávamos o ordenado na TVI. Como Presidente, é mais do mesmo, "só" isso. É melhor do que Cavaco? Óbvio. Qualquer um dos candidatos seria e, talvez, seja esse o grande problema: tínhamos um presidente tão rafeiro que qualquer arraçado nos parece de pedigree elevado. E não estou a comparar cães com políticos, porque isso seria ofensivo para todos os canídeos, especialmente os rafeiros. Marcelo tem o "pedigree" do resto dos políticos que nos têm governado. Vem das mesmas escolas e colégios, dos mesmos partidos, do mesmo círculo de amigos, interesses e favores. É mais do mesmo. É síndrome de Estocolmo.

- O meu marido bate-me e humilha-me. - queixa-se a dona Amélia.
- Então porque não o deixa e arranja outro?
- Oh, tenho medo.
- De quê?
- Da incerteza.
- Então mas este ao menos já sabe que não lhe faz bem.
- Pois, mas outro ainda pode ser pior. É que este bate-me todos os dias, mas no dia dos namorados até me faz um cafuné depois de me partir uma cadeira na nuca.
- Mais vale só que mal acompanhada.
- E depois lá na terra sou a solteirona sapatona? Nem pensar!
- Então não se queixe, dona Amélia. Apanhe aí nas trombas como uma senhora e cale-se.

E, com isto, quero também dizer que não confio por aí além em algum dos outros candidatos, nem tinha um preferido. Só gostava é que Portugal tivesse tido a coragem de fazer as malas e abandonar o marido abusador, mesmo sem ter a certeza se teria de dormir debaixo da ponte durante uns tempos. Mas, não foram tudo más notícias! Tino teve um resultado interessante e acredito que candidatos como ele são precisos, nem que seja para servirem de voto de protesto. E não estou a ser condescendente com ele, acho que de todos se calhar é dos poucos que realmente se iria importar com as pessoas. Ia fazer boa figura nas visitas oficiais? Provavelmente não.


Mas, com o Tino, as mensagens de Natal iam ser um excelente momento de humor que tanta falta faz na TV portuguesa.

«Ó Guilherme, não te podes queixar! Isto é democracia!», dizem alguns que acreditam em unicórnios com pénis forrados de diamantes e rubis e que ejaculam arco-íris. A esses, deixo apenas um exercício para fazerem: ponham lado a lado a percentagem de votos e o tempo de antena nos media de cada candidato e vejam se não encontram um padrão. Pois. Coiso. A falsa democracia começa, para além de termos um sistema de ensino moribundo, no facto de se ter de ter mais de 35 anos para se ser candidato à Presidência da República, e de se ter de ser português. Se calhar, o mal é esse. A selecção portuguesa teve os seus melhores resultados sob o comando de um estrangeiro e, pelos vistos, nós com prata da casa não saímos da cepa torta. Mandem vir o Obama, nem que seja só para chatear o PNR.

Marcelo tinha a papinha toda feita. Anos a fazer campanha deram-lhe uma vitória confortável sem precisar de se esforçar muito. Até se deu ao luxo de ser independente! Haha, esta piada ainda é melhor que aquela da Marisa Matias. Marcelo, o candidato, apresentou zero ideias e esquivou-se a todas as perguntas complicadas. A sua campanha resumiu-se ao que seria de esperar que o Tino fizesse: andar a passear, a comer petiscos, a dar beijinhos e abraços às velhinhas e crianças. De repente, Marcelo virou do povo. De repente, Marcelo deixou de ser o devorador de livros, professor, doutorado, amigo de banqueiros, para ser do povo. Diz-me com quem andas, dir-te-ei quem és. É certo que não podemos controlar nem somos responsáveis pelas escolhas errados dos nossos amigos, mas tenho para mim que uma pessoa inteligente percebe que algo se passa de errado. Exemplo:

- Então, Pedro, compraste um Porsche? - pergunto eu a um amigo de longa data.
- Sim, estava na dúvida entre esse e o Ferrari. - responde ele todo pimpão.
- Sim senhor, anda-te a correr bem a vida. - comento.
- Sim, fui promovido a supervisor lá no call center.

E eu, se fosse atrasado mental, não desconfiava que era porque o Pedro é traficante de droga e/ou anda a fazer felácios por 50€. Ou por 5€, mas trabalha horas extra. Depois a PJ apanhava o Pedro e eu era chamado como testemunha e dizia que nunca tinha visto nada suspeito. Enfim, Marcelo pode não ser má pessoa, o grande problema é que para se ser presidente ou primeiro-ministro é preciso estar embrenhado no mundo da política. Ter feito parte das jotas e ter crescido lá dentro. E, quem segue esse caminho, é impossível chegar ao topo sem dever favores a muita gente e sem ter dado graxa a tantas outras.


E, no fundo, é a isso que se resume a grande maioria da nossa classe política: uma cambada de graxistas que devem favores a outros graxistas.

É uma pescadinha de rabo na boca, mas quem está na cauda desta centopeia humana somos nós, onde apenas nos dão a comer o pão que o intestino deles amassou.

Numa carta que Marcelo escreveu a Salazar, quando tinha 12 anos, despedia-se do seu ídolo com «o seu humilde servo». Sim, as crianças de 12 anos idolatram as pessoas erradas, mas, pelos vistos, mais de 50% dos adultos que votaram, também. «Era a única opção! O menos mau entre todos os candidatos!», dizem alguns. Se isso for mesmo verdade, acho que ainda é pior sinal para Portugal e todos nós.
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25 de novembro de 2015

Pedro Arroja: o Rei dos homofobicus otarius



Raramente dedico textos a uma pessoa específica, acho que só o Gustavo Santos e a Alexandra Solnado tinham tido essa honra. Até agora. Hoje, venho falar-vos do Pedro Arroja, um professor que tem tempo de antena no Porto Canal para dizer alarvidades. Ficou conhecido aquando de comentários machistas sobre as deputadas do Bloco de Esquerda e agora voltou à carga ao falar da adopção por parte de casais do mesmo sexo. Já vos falei da sub espécie símia homofobicus otarius, da qual o Pedro Arroja é o imperador. Lembrem-se que não se trata da sua opinião ser contra, trata-se dos "argumentos" que ele dá. Podem conferir neste vídeo, 
cortesia do Porto Canal e da página Bocage 2.0, o qual vou, de seguida, criticar e maldizer.



Não, isto não é um sketch de comédia. Infelizmente. Vamos lá, então, por partes.

00:15 - «Alguém escolheu que eu fosse homem. Esse alguém, racionalmente, é Deus.»
Hum... não. Lamento, mas não foi Deus que escolheu que tu fosses homem. Foi todo um processo genético que definiu os teus cromossomas aquando da inseminação do óvulo da tua mãe com um espermatozóide do teu pai. A ver pelo vídeo, não foi o espermatozóide mais inteligente. Queres acreditar em Deus, tens o meu apoio. Trazer Deus para uma discussão política é que te devia valer um calduço com uma cruz de ferro incandescente.

00:25 - «São uns filósofos de café.»
Sim, essas pessoas que acham que a homossexualidade não é uma escolha, mas sim uma predisposição genética. Esses parolos que acreditam na ciência em vez de seguirem à letra os ensinamentos com mais de dois mil anos escrito por pessoal que dava no ópio com força. E mesmo que fosse uma escolha, não estou a ver como é que isso te iria dar razão. Antes um filósofo de café do que um homofóbico de tasca. Pedro, ao dizeres que é Deus que faz tudo, estás a culpá-lo não só de te ter feito homem, mas também de te ter feito uma aventesma. Acho que te fica mal teres em tão pouca conta o trabalho do senhor.

00:58 - «Imaginando-me a perguntar à minha mãe: Olha, tu sabes fazer pénis?»
Palmas, Pedro. Palmas. Ri-me a bom rir com esta tua frase. Imagino-te à mesa em família a dizer «Mãe, pode-me fazer uns ovos estrelados? E pénis? Pode trazer-me uns penizinhos de coentrada? Não sabe fazer pénis? A avó não lhe passou a receita de caralhetes au champignon?». Se a tua mãe te tivesse dado duas chapadas de cada vez que fazias perguntas parvas, talvez te tivesses feito um Homem.

01:14 - «Ela fez quatro! Mas não sabe fazer pénis.»
Sorte de principiante, Pedro. Eu também não sabia fazer magret de pato com molho de frutos silvestres, mas inventei e até saiu bem! Não sei quanto aos restantes pénis que a tua mãe fez, mas no teu caso deve-se ter esquecido da panela ao lume e isso queimou-te o cérebro.

01:19 - «E cérebros, sabes fazer?»
Claramente que a tua mãe não sabe fazer cérebros, Pedro. Isso é mais do que óbvio a julgar pelo teu. Pilas também só as deve saber fazer pequenas e mal amanhadas, porque essa pequenez de mentalidade, normalmente é proporcional à insegurança causada por um micro-pénis flácido que ninguém quer pôr na boca. 

01:51 - «Estou a imaginar a resposta dela, típica da mulher portuguesa a desvalorizar o marido.»
Estás errado, Pedro. A típica mulher portuguesa não desvaloriza o marido. A tua, se calhar é que te desvaloriza porque percebe o anormal que tem em casa. Noto aí alguma raiva para com as mulheres, alguma desilusão e descrença no sexo feminino... Queres falar sobre isso? Desabafa que te faz bem.

02:25 - «Não foi a minha mãe porque não sabe sequer fazer os orgãos genitais dos homens (...) A resposta é: Foi Deus. Embora o tenha feito dentro do ventre da minha mãe.»
Mau... E o teu pai sabe disso? O teu pai sabe que Deus andava a enfiar coisas no ventre da tua mãe assim à bruta? Logo quatro pénis que lhe enfiou no bucho com o seu santo e sagrado sémen? E a tua mãe, será que deu conta? Deus violou-a como fez a Maria? Meteu-lhe roofies na francesinha? É ver isso que pode ser que o crime não tenha prescrito. Mais uma vez, quando estiveres a falar de política e de leis, mete Deus no teu santíssimo rabo.

04:55 - «Uma mulher sozinha não sabe para onde é que há-de ir.»
Finalmente, um argumento com o qual concordo. Toda a gente sabe que uma mulher sem GPS ou co-piloto, é provável que se perca e não saiba por onde ir. No parque de estacionamento também já as vi às voltas à procura do carro no Colombo, quando o tinham estacionado no Vasco da Gama. Ah, mas espera, estavas a falar na vida em geral? Que uma mulher não se sabe orientar sozinha? Eu é que queria ver como te orientavas sozinho sem uma mulher que tirasse as nódoas de merda do babete, quando a comes às colheres.

«07:34 - Corro o risco de sair um atado.»
Eras atado, mas no pescoço com um nó de forca. Estás, então, a querer dizer que uma mãe solteira não tem capacidade de educar uma criança em condições, é isso? É uma conclusão fácil de tirar do teu discurso machista. Portanto, uma mãe que foi abandonada pelo pai da criança, que tem dois trabalhos e conta com a ajuda da avó para cuidar do seu filho, ou filha, nunca vai conseguir criar um ser humano sem que este seja atado? Não sei, a quem estiver a ler isto que tenha sido criado só pela mãe ou avó, que mande o senhor Pedro para o caralho, mas só para lhe mostrar que não são atados. Dizem que somos aquilo que comemos, mas no teu caso não acredito porque tu és um coninhas, Pedro.

07:38 - «Corro um risco de ser um brutamontes.»
Sim, porque toda a gente sabe que os homossexuais são os seres mais violentos à face da terra. As paradas gays acabam sempre à porrada e com mais mortes do que as festas populares da Cova da Moura. Experimenta ir para o Bairro Alto, ou para as Galerias aí no Porto, e dar encontrões, por trás e sem querer, às pessoas. Muitos heterossexuais vão querer logo medir pilas e andar à porrada contigo. Os homossexuais vão-te convidar para beber um daiquiri. No fim até podem querer medir pilas contigo, mas vão ficar contentes se a tua for maior.

08:14 - «Por mais que eu pusesse cabelos compridos, fosse ao cabeleireiro, pintasse os lábios ou, até, fizesse uma operação para me aparecer... o peito.»
Repararam que ele disse isto enquanto esfregava as mãos? Um claro desejo recalcado de se fantasiar de mulher e cantar Celine Dion num bar de bears. Faz isso, Pedro. A sério. Se calhar vai fazer com que soltes a Suelly Cadillac que há em ti e que sejas mais feliz. Os vizinhos da minha namorada fazem umas festas que tu eras capaz de gostar. Podia ser que te convidassem para dar um pezinho de dança com a Nádia Diamonds. Se quiseres eu meto uma cunha por ti.

08:57 - Jornalista com um sorrisinho de quem pensa "Esta gajo é um perfeito anormal".
Esta jornalista deve morrer por dentro um bocadinho sempre que tem de manter um diálogo com este homem. Vê-se, claramente, que ela nem o leva a sério e que acha que ele é um palerma de fato. Se lhe perguntarem se ela preferia efectuar um felácio ao Balsemão para subir na carreira ou aturar este gajo todas as semanas, ela punha-se, logo, de joelhos.

09:35 - Momento BBC vida selvagem.
O professor Pedro termina em grande, a mostrar que é muito culto no tocante aos hábitos dos aracnídeos. Detesto aranhas, mas preferia dar um linguado numa tarântula bichona do que dar-te um aperto de mão, Pedro.

Resumindo, este senhor merecia ser condecorado pela ordem dos homofobicus otarius com um alfinete de peito, vulgo broche, e uma coroa de dildos. Uma espécie de chapéu com três bicos, algo que ele, para ser tão azedo, não deve ter há muito tempo. Sem ser a pagar.
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13 de novembro de 2015

Escondam as ganzas e as criancinhas



Então diz que o Governo foi com o caralhinho? Está giro, sim senhor. Eu tenho andado demasiado ocupado com toda a azáfama do livro que acabo de lançar e só agora é que me consegui debruçar sobre o assunto. Debruçar não foi um verbo escolhido ao acaso, já que é nessa posição que os nossos políticos nos gostam de ver, e, ao que parece, nós também. 
Quando a PàF "ganhou" as eleições, não vi ninguém no meu mural de Facebook a celebrar. Achei estranho porque nem eu sei escolher assim tão bem os meus amigos. Agora, depois do Governo ter caído, o meu mural parece o mural das lamentações do pessoal com três nomes e cabelinho à foda-se. Uma pieguice capaz de envergonhar o seu maior ídolo.

Devem estar a pensar que eu gosto do Costa e que acho que o governo PS viabilizado pelos restantes partidos de esquerda vai ser impecável. Mentira. Não gosto do Costa e não acredito que alguém que queira mesmo fazer o bem do país faça carreira como político, seja no PS ou PSD. Não votei BE nem PCP nem me revejo na grande maioria dos seus ideais. Mas, se tiver de pesar os prós e contras, acho que um governo de esquerda será o menos mau. Só tenho pena do BE e do PCP limparem as mãos das responsabilidades e não integrarem também o Governo. Acho que a Catarina Martins e o Jerónimo deviam ser ministros de qualquer coisa só para verem se isto da política é mesmo para eles ou se fazer é mais difícil do que falar. Acho que lhes fazia bem essa oportunidade de coaching. 


No meio disto tudo, a única esquerda que me preocupa a sério é a da Selecção Nacional. Antes Jerónimo do que Eliseu.

Por mim já valeu a pena só de ver a cara do Passos após a moção de rejeição ter sido aprovada. Foi aquela cara de anticlímax de quem foi deixado a meio de um felácio. Uma sensação nova para o Portas, pelo menos do ponto de vista de quem recebe. Se repararem bem, a sigla PàF é muito parecida com APAF, Associação Portuguesa de Árbitros de Futebol. Faz sentido, já que todos sabemos que há muitas coisas que unem políticos e árbitros. A diferença é que os políticos têm vouchers para jantares de luxo ilimitados e todos pagos por nós.

Cavaco Silva tem agora um dilema em mãos: indigita Costa para primeiro-ministro para governar com o apoio do BE e do PCP ou nomeia um governo de gestão até novas eleições. Pode também decidir formar governo de iniciativa própria e meter a Ana Malhoa como Primeira Ministra Turbinada. No fundo, ele pode fazer o que lhe apetecer. Vou fazer de analista político daqueles que sabem tudo no fim dos telejornais, mas que fazer alguma coisa, está quieto ó pessoa cujos antepassados recentes vieram de África! É nisto que Cavaco está a pensar enquanto degusta um belo de um bolo rei, cujo brinde é uma pastilha de Rennie:
  1. Nomeia governo de gestão e incendeia a esquerda, o que fará com que nas próximas eleições o PS ganhe por maioria absoluta, nem que tenha de se coligar antes da ida às urnas.
  2. Nomeia Costa e aqui há duas hipóteses:
    1. A coisa corre mal e temos eleições daqui a um ano, o que garantirá maioria absoluta ao PàF nas próximas eleições;
    2. A coisa corre bem, Portugal melhora incrivelmente e Costa fica na história como o melhor primeiro-ministro de sempre e a direita nunca mais cheira nada nas eleições das próximas décadas.
No fundo, se Cavaco indigitar o Costa, não será por respeito à democracia mas sim porque não confia que aquilo vá dar em alguma coisa e assim assegura o futuro do seu partido. Caso haja governo formado pelo segundo partido mais votado, não é algo assim tão fora do comum: na Bélgica, o atual primeiro-ministro é do quinto partido mais votado nas últimas eleições. Não sei qual é o estado atual da Bélgica, mas não me parece que esteja pior do que nós. Curiosamente na Noruega e na Dinamarca, esses países em crise, o caso é parecido. Uns para a direita, outros para a esquerda. A meu ver, quantos mais partidos estiverem a formar governo, melhor. Mais a vontade do povo está reflectida na Assembleia. Podemos discutir se a vontade do povo é a melhor mas isso são outros quinhentos ou seja lá qual for o valor do ordenado mínimo.

Passos Coelho diz que quer uma revisão constitucional para permitir novas eleições. O nosso Pedro sempre teve um problema com a constituição. Eu, uma vez, também fui votado delegado de turma no 5º ano e não queria nada. No entanto, usei o meu poder como delegado de turma para convencer o professor a fazer uma nova votação. Votaram em mim outra vez. É o que dá ser o único branco da turma, os miúdos são preconceituosos e partiram do princípio que eu era um gajo responsável só pela cor da minha pele. Incrível a discriminação e racismo que ainda existe em Portugal.

Voltando ao tema, uma coisa temos a certeza: Passos e Portas são uns monos que para ali andam. Não percebemos ainda que a austeridade não é o caminho? Acreditam mesmo que Portugal está melhor do que há quatro anos? Já nos habituamos é a ser encavados e dói-nos menos agora do que quando nos enfiaram um dildo Rambo XXL pelo nalguedo acima sem pedir licença nem ter a cortesia de colocar uma vaselina, no início, e um Halibut, no fim. Aumentaram as exportações? Uau. Fixe. 

Eu também consegui vender um ralador velho no eBay a um gajo do Congo e não é por aí que a minha riqueza aumentou.

O desemprego diminuiu? Óbvio. Ninguém consegue passar tempo indeterminado sem trabalhar e mais cedo ou mais tarde tem de aceitar trabalhos onde é completamente explorado. A dívida e o défice que foram as razões principais pelas quais andamos a apertar o cinto estão piores. Por isso não me digam que estamos melhores. Estamos conformados e calejados, é o que é. Ao menos agora há suspense! Há novidade! É um pequeno sinal que as coisas podem mudar um pouco. Se para melhor ou para pior, não faço ideia. Pior é um bocado complicado, mas eu confio na incapacidade de todos os políticos para conseguirem sempre piorar a nossa situação. Há que lhes reconhecer esse dom.

«Ai porque a democracia não foi respeitada!», dizem alguns enquanto afastam o cabelo Playmobil da frente dos Arnette brancos. Engraçado que não se manifestaram quando os seus queridos políticos prometeram uma coisa em campanha e depois fizeram outra. Aí esses palermas não se pronunciaram sobre o respeito pela democracia.

«Isto adultera as eleições porque quem votou BE e PCP também não queria um PS a governar», dizem alguns, curiosamente que não votaram BE e PCP. Até pode haver alguma razão neste argumento, mas eu ainda não vi ninguém que votou nesses partidos a queixar-se. Arrisco, até, que se perguntarem a essas pessoas se preferem um acordo mal amanhado de esquerda ou o PàF no governo, a resposta será unânime e tenderá para o lado para onde o pénis normalmente descai.

Façamos uma analogia javarda para percebermos se a democracia não foi mesmo respeitada ou se isto foi um dos maiores exemplos de democracia que já tivemos: Estão numa despedida de solteiro com 10 amigos e estão a tentar decidir a que casa de strip querem ir. As opiniões dividem-se:
  • 4 amigos querem ir ao «Portas Abertas» ver strip masculino com homens oleados e cuequinhas rosa choque;
  • 3 amigos querem ir à «Mãe Gertrudes» ver strip feminino;
  • 2 amigos querem ir à «Mãe Alzira» também de strip feminino mas onde se pode fumar;
  • 1 amigo diz que quer ir à «Mãe Arlinda» porque para além das gajas tem lá garrafa.
Gera-se a rebaldaria e os que querem ir ao «Portas Abertas» dizem que a escolha deles é a que tem mais votos e que é isso que conta. Os outros refilam e torcem o nariz porque nenhum deles gosta de homens oleados. Têm a certeza disso porque no ano anterior foram obrigados e viram que não era a cena deles. Como têm um inimigo em comum, juntam-se e chegam a um consenso de ir à «Mãe Kikas». Nenhum deles gosta especialmente das meninas de lá, mas ao menos não têm pila. Agora, a votação da maioria é 6 para 4, ganha a «Mãe Kikas». Há uma nova maioria que chegou a um acordo para evitar ver rabos de homens depilados no varão. Neste caso, resta aos outros quatro comer e calar e ir à «Mãe Kikas». Podem refilar e ficar no balcão a dizer que nem sequer há um travesti ou uma gaja com a maçã de adão mais pronunciada, mas só lhes fica bem aceitar a decisão da nova maioria. Claro que o mais provável pode ser chegarem lá e o gajo que queria ir à «Mãe Arlinda» mudar de ideias e dizer que vai embora buscar a garrafa e beber sozinho num canto... mas isso é outra história. Se isso acontecer, os outros vão estrebuchar com um «Eu bem disse que devíamos ter ido ao "Portas Abertas"!» e vai gerar-se a mesma discussão inicial. No fundo, fica tudo na mesma e nós continuamos a ter apenas meios para ir às meninas de estrada.
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7 de outubro de 2015

Política-Leaks: SMS reveladas!



Depois do wiki-leaks e do football-leaks, eis que surge o política-leaks onde são reveladas SMS trocadas pelas principais figuras da nossa praça política. Não percamos mais tempo e vejamos as mensagens que foram interceptadas nos últimos dias.



SMS de António José Seguro para António Costa


SMS de Jerónimo de Sousa para António Costa


SMS de Catarina Martins para Mariana Mortágua


SMS de André Silva (PAN) para Rui Tavares (Livre)


SMS de José Pinto Coelho para Cavaco Silva


SMS de Passos Coelho para António Costa


SMS de Cavaco Silva para Joana Amaral Dias


SMS de Marinho e Pinto para Passos Coelho


SMS de Paulo Portas para Passos Coelho

E é isto. Ficaremos à espera de mais leaks que convém dizer, para efeitos de evitar processos, que qualquer semelhança com personalidades da vida real é mera coincidência.
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5 de setembro de 2015

Sócrates no Tinder



Pois é, agora que Sócrates foi libertado e está em prisão domiciliária, depois de nove meses de preventiva, era mais do que óbvio que ele tinha que aproveitar o tempo perdido. Não podendo ir 
ao Urban sacar umas gajas, tem de recorrer ao Tinder, a plataforma de encontros mais utilizada do momento. Como eu sou uma pessoa com muitos contactos, consegui acesso a estas conversas que o nosso ex-primeiro tem tido com algumas mulheres com quem teve a sorte de fazer match. Para quem não sabe como é que o Tinder funciona, o as falas a azul são as do Sócrates e a cinzento a das pobres coitadas que foram ao engano.


































E é isto. Sócrates a dar tudo no Tinder, é gajo para nem precisar da ajuda do Doutor G.
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19 de julho de 2015

Aborto, só é pena não ser legal há mais tempo



Acho que ainda nunca tinha escrito sobre o aborto, talvez por já ser um assunto fora de moda, especialmente, desde a altura em que passou a ser despenalizado. No entanto, acontecimentos da semana passada, de tão ridículos que são, fizeram-me querer falar um pouco sobre isto. "O que aconteceu?", perguntam vocês numa excitação de quem sabe que este texto vai ofender pessoas. Então, é simples, o que aconteceu foi que um grupo de alunos da Católica (coincidência ou não) fez uma espécie de protesto, ao género daquele que se fez sobre o sofrimento dos caracóis. Parecendo impossível, este ainda foi mais descabido. Vários alunos posaram como se pode ver na foto, segurando a fotografia de um feto e uma frase nojenta. 
Na página, onde foi partilhada esta iniciativa, podia ler-se o seguinte: "Porque a vida de um ser humano é muito mais importante que a de um caracol, não compreendemos como é que pode estar a correr uma campanha de sensibilização em relação ao molusco quando há tantas pessoas a serem assassinadas todos os dias."

Bem, vamos por partes. Não acho mal as pessoas protestarem pelo que acreditam e se acham que o aborto é errado, força aí nas vossas batalhas. O que acho ridículo é o sensacionalismo deste tipo de protestos. "Pessoas a serem assassinadas todos os dias"? Mas que grande bando de atrasados mentais.


Chamar assassina a uma mulher que decide abortar, muitas vezes porque não tem condições para ter uma criança, é do mais baixo que se pode chegar.

E se for fruto de uma violação? E se for uma menina de onze anos que engravidou de um tio que abusou dela, como aconteceu há pouco tempo? Também é assassinato decidir interromper a gravidez? Um feto de dez semanas não chega a ter três centímetros de comprimento, nem a ter um cérebro formado e um sistema nervoso central. Por muito que se queira dizer que o ser Humano é especial, não é diferente de esmagar uma barata. Não sou eu que estou a dizer, são médicos e neuro cientistas, especialistas na matéria. Por alguma razão se fixou o limite nas dez semanas e não é permitido que se faça com oito meses. Não vou pelo caminho fácil de dizer que todos os que participaram neste protesto têm cara de abortos mal conseguidos, até porque a culpa é mais dos pais do que deles. São um bando de betinhos que não sabe o que custa a vida e que não sabem o desespero de uma mãe que sabe que não vai ter condições para criar um filho. Sim, poderá haver quem abusa e quase que usa o aborto como método contraceptivo, mas será uma minoria. A maioria faz porque não tem condições e porque não teve as mesmas oportunidades para ter acesso a uma boa educação e informação.

Para feitos cómicos, vou colocar aqui mais uma foto do protesto, que prova que a consanguinidade é uma coisa tramada.



Neste grupo todo de mentecaptos, há apenas um que se safa. Já ouvi teorias de que foi a professora que influenciou os alunos a esta iniciativa e que até tentou obrigar alguns, como se pode ver pela seguinte fotografia.



Pela cara do rapaz, ou está com gases ou não está a concordar muito em participar nesta palermice. Quem está a segurar nas folhas é, provavelmente, o aborto mor deste processo todo.

Desde que foi legalizado, o número de abortos tem vindo a diminuir, dizem os mais recentes estudos. De ano para ano, há menos abortos, menos do que os que se estimam que se faziam de forma ilegal. Portanto, parece que está a funcionar. Quem está contra, no fundo, está a favor de que eles voltem a aumentar e que se façam de forma menos segura e higiénica e que provocava a morte a muitas mulheres. No fundo, é isso que estes palermas são a favor. Eu também não sou a favor do aborto, acho que ninguém é, sou é a favor da liberdade de escolha. De dar poder às mulheres de decidirem o que querem fazer com o seu corpo. Num mundo perfeito ninguém precisaria de fazer um aborto, mas, infelizmente, o mundo está longe de ser perfeito. Fazer um aborto, dois, três, ou os que forem precisos, devia ser a menor das preocupações desta gente que se "preocupa" tanto com o bem estar do ser Humano. 

Obviamente que estar contra o facto de uma mulher poder decidir abortar ou não, está intimamente ligado à religião. Dizer que um feto de dez semanas já é uma pessoa, que sente e fica aborrecida em ser esquartejado, só faz sentido se acreditarmos que a partir do momento da concepção, é reservada uma alma e enviada do céu para a barriga da progenitora. Claro que se isto fosse verdade era de muito mau tom e acredito que a alma ficasse amuada, como ficam alguns taxistas, especialmente no aeroporto, quando a viagem é curta e eles têm que voltar para o fim da fila na praça. Imaginem o que é serem uma alma e dizerem-vos "Alma número seis milhões e quinhentos, chegou a sua vez. Vamos enviá-la para a terra!". Vocês fazem as malas, vão todos excitados para dentro da barriga de alguém, estão ali no quentinho, no bem bom, e, passadas cinco ou seis semanas, sentem que algo não está bem. Começam a chegar os químicos, ou um cabide, e falecem. Voltam ao céu, têm que voltar a tirar a senha e vêem que têm milhões de almas à vossa frente. É chato e, realmente, não se faz. Nestes casos o melhor é racionalizar e pensar que foi melhor assim, já que podia dar-se o caso de nascerem filhos de uma mulher que engravidou porque o marido abusivo não quis usar preservativo, e que tem três empregos para conseguir um ordenado de 500€ e sustentar os três filhos que já tem e que sabe que alguns se vão perder para o mundo do crime. Há uma teoria, bastante aceite, que diz que 50% das razões que explicam o decréscimo do crime em Nova Iorque, nos últimos anos, foi devido à legalização do aborto. É uma teoria que me faz algum sentido.

Não tenho muito mais a dizer, este tipo de gente, que fala do que não sabe e está mais preocupada com a vida dos outros do que em perceber o cerne da questão, dá-me vontade de lhes esbofetear a cara com um bebé que morreu à fome porque a mãe não tinha condições para o alimentar. Aos rapazes, era implantar-lhes um feto de rinoceronte na barriga e obrigá-los a dar à luz pelo rabo e sem epidural. Às raparigas, era obrigá-las a adoptar dez crianças que foram abandonadas por pais negligentes que tiveram vergonha de fazer um aborto por questões religiosas. Para terminar, deixo-vos com uma frase do maior comediante/filósofo de sempre, na minha opinão, George Carlin:

"Why, why, why, why is it that most of the people who are against abortion are people you wouldn’t want to fuck in the first place, huh?"
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12 de julho de 2015

É das carecas que os eleitores gostam mais



Metam o cinto porque vou falar de cancro. É possível que haja piadas de mau gosto e, 
se tudo correr bem, gente ofendida no fim. O que aconteceu foi o seguinte: Laura, a mulher do Passos Coelho, tem cancro, já se sabe há algum tempo e apareceu, pela primeira vez, de cabeça rapada e ao lado do marido, numa visita oficial a Cabo Verde. Pronto, gerou-se a algazarra.

Os comentários nas redes sociais foram os do costume, parecendo que na sala de convívio dos manicómios há acesso à Internet e ao Facebook. As piadinhas de sempre de quem tem a mania que é humorista negro e que para ter piada basta chocar e dizer que ela mereceu o cancro, pelo mal que o marido fez ao pais ou que, o Passos Coelho é tão tóxico que até deu cancro à mulher. São "piadas" às quais eu não acho graça mas também não me deixam chocado, nem minimamente ofendido. Cada um diz o que quer e que bem lhe apetece. Confesso que só não fiz nenhuma piada sobre o caso porque não me lembrei de nenhuma de jeito, e porque sinto bastante empatia pela senhora, porque também eu já estou a ficar com entradas... Toma e embrulha, foi só para verem que não acho que seja um assunto intocável. Na minha opinião, nenhum o é. E, uma coisa é fazer uma piada, boa ou má, outra é o senhor Álvaro, de Moimenta da Beira, deixar um comentário a desejar-lhe a morte, sinal que é o que ele, realmente, sente.

O pessoal de direita veio logo de capa e espada, quais guardiões da moralidade, a dizer que só está a haver esta polémica porque a Laura e o Pedro não são de esquerda. Sim, porque toda a gente sabe que só o pessoal de esquerda é que faz comentários obscenos na Internet. Aliás, nunca vi ninguém de direita a comentar notícias, vomitando racismo, homofobia e a dizer que um Salazar é que metia isto na linha. Esta polémica aconteceu, não porque ela é de direita, norte ou sul, mas porque há pessoas anormais, más e mesquinhas em todo o lado, que se revelam no anonimato da Internet. Ainda bem que assim é, que assim podemos deixar de fechar os olhos e pensar que somos todos muito civilizados.

Não deixa de ser irónico que ao atacar, com base na sua orientação partidária, quem fez acusações de aproveitamento político, seja também uma forma de se estarem a aproveitar da careca da Laura para fins políticos. 

O Correio da Manhã apressou-se a fazer um artigo sobre o drama das mulheres de Pedro Passos Coelho, onde foram buscar o caso da ex mulher, antiga doce, que depois de uma depressão está irreconhecível, que é como quem diz, de forma politicamente correcta, que está toda estragada. Fizeram-se artigos de jornal sobre se a Laura deveria ou não expôr-se, e as capas das revistas fizeram-se reluzir com a sua careca. Deve ou não expôr-se? Mas isso é pergunta que se coloque? Deve? Que gente mais atrasada mental. Ela não deve nada a ninguém, se quiser expõe-se, se não quiser não se expõe. Simples. Nem deve ter que pensar nas consequências. Calculo que um cancro já dê preocupações suficientes para ainda ter que se estar a pensar no que as pessoas, de cabeleiras fartas e mentes pequenas, vão pensar. Eu, se fosse ela, tinha desenhado um enorme manguito na moleirinha a mandar toda a gente para o caralho. Agora, ao expôr-se, tem de estar consciente de que pode ser comentada. Faz parte. Não pode haver vacas sagradas e não, não a estou a chamar vaca. 

Será aproveitamento político? Custa-me a acreditar que seja, embora não espere grande ética de ninguém da nossa esfera política, muito menos dos grandes partidos. Agora, não sejamos ingénuos, há equipas de marketing e de relações públicas e é mais que óbvio que sabiam que isto iria ter impacto. Tanto positivo, humanizando o primeiro ministro, como negativo, gerando críticas e acusações de aproveitamento político. Não acredito que não tenham pensado que iria dar chinfrim, não me fodam! Agora, se foi planeado e feito para obter votos? Não sei. Eu acho que não, mas não ponho as minhas mãos no fogo. Muitos portugueses são bem capazes de votar no Passos porque "Coitadinho, então agora a mulher tem cancro...". Sabemos bem que nós, na altura de votar, somos tudo menos racionais. Eu, por acaso, acho o contrário: ele devia deixar de ser primeiro ministro para ter mais tempo para se dedicar à mulher mas, principalmente, porque já chega de fazer merda. Todos sabemos é que virá outra varejeira tomar o seu lugar. Sinceramente, nem me chocava assim muito que se estivessem a aproveitar da doença da mulher para conseguir uns votos. Parece-me bem pior quando se aproveitam de promessas falsas que deixam pessoas na miséria. Aproveitarem-se de um cancro, seria só mais um golpe baixo na política. 

Aliás, António Costa, para equilibrar as contas, aposto que vai dizer que tem andado com imensas cólicas e que lhe apareceu um furúnculo no testículo esquerdo.

Resta-me desejar as melhoras à senhora embora me seja indiferente se ela melhora ou não. Não a conheço, não tenho opinião sobre ela e passa-me ao lado se ela tem cabelo rapado ou se usa madeixas californianas em tom de laranja PSD. E, sim, é exactamente o que estão a pensar, só fiz este texto para me aproveitar da doença dela e ter uns likes. Peço desculpa por não ser hipócrita.
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13 de maio de 2015

O mundo contraiu humanos



Bom dia, prontos para um post deprimente e sem piada? Vamos a isso que isto de ser só rir habitua-vos mal. Há uns tempos vi umas imagens poderosas que retratam muito do mal que há no mundo, do qual nós somos 100% responsáveis. Não eu nem tu claro, são os outros. Não sou de fazer posts deste género mas apeteceu-me partilhar estas ilustrações que acho que estão geniais.

Enquanto uns têm brinquedos caros e nascem em berço de ouro, outros não têm infância e tem que trabalhar e ganhar tostões para comer e sustentar as coisas boas dos outros.


O que para uns são brinquedos para outros é trabalho forçado, tal como as armas de plástico com que todos brincámos em pequenos, quando há outros que tinham a mesma idade que nós que eram obrigados a empunhar uma arma verdadeira e ir para uma guerra que não era sua.


Quando os castelos de histórias de princesas que vivem felizes para sempre forem destruídos, vamos deixar de sonhar e deixar de criar construções de areia de encantar.


Enquanto isso vamos consumindo e tornando o dinheiro no ópio do povo, na religião mais massificada e que ninguém parece questionar. No dinheiro é mais fácil acreditar do que em Deus. Temos a certeza que existe.


O dinheiro que nos dá coisas boas, mas que tornou o mundo sujo e pestilento. Que nos dá prendas, mesmo que fechemos os olhos e não queiramos saber quem teve que sofrer para que aquele smartphone topo de gama tenha sido construído.


Não seria de esperar diferente num mundo onde os media existem para nos entreter e não informar. Para amedrontar e não inspirar.


Num mundo onde a educação é formatada para que aprendamos a responder ao "O quê?" e não ao "Porquê?". Que digamos porque sim e não porque não. Que nos estandardiza e nos diz para ter respeitinho e não questionar a autoridade.


Onde se criam cidadãos que preferem o conforto ao desconhecido. Onde nunca nos ensinam a arriscar.


Num mundo onde aos líderes que promovem guerras e morte de milhares inocentes se estendem as passadeiras vermelhas e se entregam prémios Nobel da Paz o exemplo que vem de cima não podia ser o melhor.


Onde os "bons" constroem impérios assentes em mentiras e que dizem aos outros como se devem e podem comportar.


Onde atrás de um líder vem outro que já lá estava plantado para desabrochar, numa flor que parecia cheia de vida mas que murchou tão rápida quanto as outras.


Onde também esses líderes são estandardizados e produzidos em massa por um sistema de reciclagem de lixo tóxico.


Um lixo que gera lixo. E mais lixo. E mais lixo. Que fazem dinheiro com as palavras que dizem mesmo que não correspondam aos actos que fazem.


Um lixo que vai escorrendo para a base da hierarquia e que aliada à educação que não educa, que apenas formata, se torna num pastor que indica o caminho a ovelhas que o sistema ordenha enquanto lhes dá a pastar futilidade.


Uma sociedade onde as amarras não desaparecem, apenas se camuflam. Onde os escravos não deixam de o ser, apenas mudam de departamento.


Uma sociedade que nos põe uns contra os outros, onde mais depressa nos revoltamos com quem faz greve pelos seus direitos do que com os políticos e gestores que levaram à sua necessidade.


Mas o que interessa é que nós vamos assistindo, escondidos e no conforto do lar. Fazemos like na criança subnutrida africana e partilhamos um vídeo de uns gatinhos para alegrar.


E pronto, é muito isto. Ia partilhar só as imagens sem comentários mas depois deu-me para a lamechice só para vocês pensarem que eu sou bué profundo. Aposto que estavam à espera de uma bojarda ou piada final, não era? Não há. A piada se calhar está aí.
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5 de maio de 2015

Sangue gay, o corpo é que paga



Então parece que para ser homem, homossexual e dar sangue, só estando em abstinência há vários meses? Não fossem os casos de pedofilia e quase que parecia um casting para padres. Pumbas, entrada a pé juntos à bruta e ironicamente por trás. A notícia é da semana passada mas só porque sim e, correndo o risco de não acrescentar nada ao debate, também vou opinar.

Primeiro que tudo, acho parvo ter-se tornado esta notícia numa luta dos direitos do homossexuais, quando a meu ver o principal é o direito a viver de quem está a morrer à espera de sangue que não chega. Esses são os verdadeiros lesados e não vi em lado algum essa preocupação como sendo o ponto fulcral da questão. Tal como no debate sobre a adopção gay, o foco não devia ser no direito dos homossexuais mas sim no das crianças. Um homossexual não doa sangue, fica arreliado e vai para casa tomar brunch, enquanto que um doente que não receba sangue, já não vai para casa, morre no hospital. Tenham calma meus ursinhos carinhosos do arco íris, eu estou do vosso lado mas por favor mudem o discurso de "Sinto-me discriminado!" para "Sinto que os doentes estão a ser prejudicados!". Aposto que assim vai ser mais fácil convencer as outras pessoas que esta lei é realmente parva. Já agora vão doar sangue, que a grande maioria dos que estão indignados nunca foi dar sangue e vão agora mais depressa como protesto do que iriam antes para ajudar o próximo.

Eu ao início não quis acreditar que esta lei tivesse como base motivos discriminatórios, tentei racionalizar e pensar que era para bem dos homossexuais, visto já perderem imenso sangue devido às hemorróidas.

Pus-me a pensar e não foi preciso muito para perceber o piquinho de homofobia que esta lei traz no bico. Um bico totalmente hetero, de mulher para homem, claro.

O presidente do Instituto do Sangue diz que não se trata de catalogar como grupo de risco os homossexuais homens pela sua orientação, mas sim pelo seu comportamento. Pouca gente percebeu o que ele quis dizer, achando que se estava a contradizer mas eu passo a explicar: O risco é praticar sexo anal com outros homens e não o gostar de o fazer. Será considerado no mesmo patamar de risco um homem que tenha sido violado analmente na semana passada, do que um que o fez por prazer com um gajo que conheceu na discoteca. Digam lá se a minha explicação não foi boa e quase que por momentos parecia que esta lei não era discriminatória. Embora eu não tenha a certeza se o que está por trás desta lei é a homofobia ou apenas a incompetência. Temo que sejam as duas.

Vocês perguntam "Mas o sangue não é todo testado?". É sim, mas pelo que diz o senhor, há risco de não ser detectado o HIV se o contágio tiver sido recente. O quê?! Então quer dizer que todas as transfusões de sangue são à confiança? Em princípio não é sangue infectado mas vai-se a ver há probabilidade de ter bicho? Não sou médico, mas algo me diz que é possível ter o sangue acondicionado de tal forma a que passado uns meses, seja testado outra vez e já se detecte o HIV, caso seja positivo. Chamem-me má língua, mas acho que ele disse isto só para a população entrar em pânico e concordar com a lei, já que que contrair HIV numa transfusão de sangue não deve ser agradável, que o diga a Leonor Beleza. Mas mesmo que não seja possível eliminar essa incerteza sugiro o seguinte processo. Para os casos menos graves, que podem esperar ou que não necessitam de sangue para escapar à morte, dê-se-lhes o sangue bom, em que há certeza que não está contaminado. Para os outros, os que estão quase a quinar, aqueles que se não lhes for dado uma litrosa de plasma morrem, dêem-lhe o sangue possivelmente estragado, aquele com piquinho a azedo. Mais vale ficar com HIV do que morrer, digo eu. Pelo menos são mais uns anitos com qualidade de vida e com sorte a cura aparece. Como é que ninguém pensa nestas coisas? Obviamente que têm que se informar os riscos ao paciente e fazer-lhe algumas perguntas antes da transfusão:

- Concorda com o casamento gay? - pergunta o médico.
- Não! Casamento entre maricas é pecado! Deviam todos morrer! - diz o senhor Aniceto no leito da morte.
- Ahhhh... que chatice. É que para o senhor Aniceto sobreviver, só temos aqui pacote de sangue mas é maricas. É que nem é um sangue bissexual, é mesmo um sangue bichona, bichona! Até me admiro isto não ser cor de rosa e com purpurinas.
- Mas se eu não receber isso, faleço?
- Sim, lamento imenso.
- Ó homem, venha de lá esse sangue maricas então que eu não quero morrer!
- Ah, sabe o que é? É que agora já não pode ser. Então o senhor não reconhece os direitos dos homossexuais... Eu nem é por mim, mas sabe como é... legislação e burocracias. Vá, feche os olhos deixe-se ir.

O sistema funcionava melhor e até se alargava esta medida ao racismo.

Voltando ao cerne da questão, haverá maior percentagem de casos com HIV em homens homossexuais do que em qualquer outra fatia da população cortada por orientação sexual? Não sei, eles dizem que sim mas mesmo a ser verdade não deixa de ser curioso que um homem hetero que tem a mesma parceira há 10 anos possa dar sangue, mesmo que essa parceira seja prostituta. Daquelas da recta da Reboleira que à noite acaba sempre o turno numa orgia com 10 toxicodependentes, enquanto se injectam com a seringa autografada do Magic Johnson. É nesta grande incoerência que reside a discriminação da lei e que pode fazer com que lhes saia o tiro pela culatra, já que agora vai ser um corrupio de gays aos postos de doação de sangue, que chegam lá e mentem, só para contornar o sistema em forma de protesto. Nem duvidem que isso vai acontecer e por um lado é bem feito, porque só demonstra o quão ridícula é a lei. Já estou a ver as entrevistas de despiste:

- Qual é a sua banda favorita? - pergunta a enfermeira.
- Katy Perry... e Iron Maden.
- Hum... e o seu restaurante favorito?
- Ali o Espaço Gourmet... é a seguir! Logo à direita fica a tasca do Manel da Rinchoa. Ui, o que eu adoro comer o entrecosto na brasa sem salada nem nada!
- Ryan Gosling ou Adriana Lima?
- A Adriana Lima veste-se com mais estilo...
- O senhor é homossexual, não é?
- Eu??!?!?! Por amor da santa!!! O que eu gosto de um bom naco de pipi! Não me dá vómitos nem nada!
- A expressão naco de pipi é um bocado gourmet. Confesse lá que é gay.
- Pronto, sou sim senhora. Mas não pratico vai para cima de 1 ano!
- Esteve sempre em abstinência durante esse tempo?
- Não, tenho bebido uns daiquiris.
- Estou a falar em termos de sexo.
- Em termos de sexo sim.
- Consegue provar-me?
- Conseguir consigo mas agora já sabe que sou gay não vale a pena o esforço. Dlhac.

O rapaz dá sangue e pronto, é como se a lei não existisse.

Uma lei que não cumpre o propósito para que foi criada e só serve para rotular pessoas por orientação sexual, é uma lei homofóbica que traz consigo o efeito colateral de estigmatizar ainda mais.

Sim, se fosse cumprida nem o Freddie Mercury nem o António Variações poderiam dar sangue, o que leva muita gente a aplaudir esta medida, dizendo que não quer receber sangue de homossexuais porque provavelmente têm SIDA. Mas sinceramente, não sei se não preferia ter a honra de ser salvo com sangue de um deles, mesmo que infectado, do que com sangue limpinho de um dos que pensa isso. É que provavelmente o HIV vai ter cura daqui a 15 anos, enquanto que para a estupidez e a homofobia nunca vai haver uma vacina.
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