20 de janeiro de 2014

Sonhar vs Bater Punho



O meu irmão quando era pequeno dizia que queria ser Dragão com fogo para assar castanhas. Agora quer ser designer. A criatividade que se perde em menos de 20 anos. O mundo faz-nos isto. Temos sonhos e arrumamo-los na gaveta do fundo juntamente com as recordações de amores passados. Ficam ali, não gostamos de as deitar fora mas também nunca mais lhes vamos mexer.

Vivemos um período estranho. Um período onde dizer mal de quem não consegue alcançar os seus sonhos é considerado discurso motivacional. Não me entendam mal, eu sou dos primeiros a dizer que somos um país de trabalhadores calões, que preferem queixar-se no café do que trabalhar. Mas isso é porque gosto de generalizar e sou parvo, não me levo a sério ao ir falar sobre isso em frente a uma plateia com o intuito de dizer que eu cheguei onde cheguei porque bati punho. Talvez porque ninguém me pague para isso ou  porque ainda não tenha chegado a lado nenhum. Mas bati muito punho, principalmente depois de ter internet em casa, ali por volta dos 13 anos, timing perfeito. O pessoal da minha geração é o único que teve o início da puberdade que coincidiu com o início da internet em casa. Ele há com cada conveniência... Mas não era à grande como agora. Antes de mais toda a gente em casa ficava a saber quando se ligava a internet, devido ao canto da sereia que o modem nos oferecia. Depois não era cá vídeos HD com stream em tempo real. Era fotos, má qualidade e com tempos de loading que um gajo tinha que puxar pela imaginação entre cada imagem para não se perder o entusiasmo.

Bem distanciem-me um pouco do tema. Voltando ao bater punho metafórico. Eu acredito na inequação que quem é rico e tem sucesso no que faz, lutou por isso, trabalhou muito mais do que a maioria está disposto. Principalmente os que vieram do nada, porque quem já herda dinheiro é muito mais fácil fazer mais. Agora o contrário não é verdade. Toda a gente que trabalha no duro e arrisca e se empenha tem sucesso. Mentira. A maioria está na miséria porque arriscou demais, ou porque simplesmente era mau a fazer o que tentou fazer. Outros dirão que foi sorte. E foi. Mas a sorte procura-se.

E eu fico inspirado ao ouvir uma palestra do Miguel Gonçalves, do Ricardo Diniz ou do Manuel Forjaz. Faz-me sentir que tudo é possível, que só depende de mim e como eu tenho confiança nas minhas capacidades fico a pensar que vou ter sucesso e ser milionário já amanhã. Mas depois penso melhor e vejo que é tudo uma treta que lhes sai da boca para fora. É giro, é inspirador, são grandes oradores e têm boas histórias e metáforas bonitas para contar. Também fazem falta e gosto de os ouvir. Mas são tretas. Se os ouvirmos sabendo que estão apenas a fazer isso, a contar uma história com uma boa moral não tenho problemas com eles. Tenho problemas quando acham que a receita do seu sucesso pode ser replicada bastando querer. O sucesso deles deve-se a eles mas também se deve aos ingredientes à sua volta. Que muitos, ou a maioria não tem. 

Ou seja, mete-me nojo gajos que vêm dizer que basta bater punho e vender pipocas para pagar os estudos. Que se uma empresa não te contrata é porque tens um mau CV e a culpa é tua. Que tens que vender o teu produto e se o fizeres o desemprego vai-se embora. Por um lado acho que é o discurso que precisamos de ouvir. Acho que precisamos de ouvir que a culpa é só nossa. Que não adianta culpar os outros. Que se não chegamos a lado nenhum na nossa vida é apenas e só porque não nos esforçámos os suficiente. Se calhar é isso que precisamos ouvir. Mas é mentira. E eu sou a favor da verdade. Mas ganha-se mais dinheiro a dizer mentiras.

É preciso empenho? É. Esforço? Sim. Trabalhar no duro? Claro! Mas não basta. E não basta porque não depende só de nós. Depende primeiro que tudo do sítio e das condições onde nascemos. Se temos boa orientação em casa. Se temos possibilidades para ir para uma boa escola. Se nos damos com os amigos certos. Se descobrimos os que gostamos realmente de fazer. Se o mercado tem espaço para nós. Se ganhámos a lotaria genética e com ela a capacidade de trabalhar 10x mais que a maioria. Se o nosso lado direito do cérebro funciona e nos dá a criatividade para nos destacarmos da maioria. Entre tantos outros constrangimentos que ditam o sucesso ou não de uma pessoa.

A premissa do que se batermos punho todos temos sucesso cai por terra na sua génese, no sentido em que se batêssemos todos punho em conjunto éramos todos geniais e como tal não tínhamos nada de diferente em relação aos outros e que nos fizesse destacar (chamo apenas à atenção que um homem que se prostitui a outros homens é, a meu ver, levar demasiado à letra o mote do Miguel Gonçalves).

Se trabalhar no duro, estudar, arriscar, criar, inovar ajuda a arrombar as portas do sucesso? Claro que sim. Mas pode não chegar, e não há problema nisso, é normal, é a vida. O sonho do meu irmão de ser dragão com fogo para assar castanhas, muito provavelmente não se vai concretizar. E isso é bom. Primeiro porque era parvo e segundo porque temos que continuar a ter sonhos que são e ficam apenas isso. Sonhos. Não interessa o punho que batermos, que nunca vão deixar de ser um sonho molhado. E sonhar é bom. Porque se acharmos que tudo é possível como nos sonhos, provavelmente nunca vamos acordar.
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Lusófona não sabe nadar yo!



Lembram-se dos Black Company, aqueles que cantavam "Madnigga não sabe nadar yo"? Eu lembrei-me agora. Serve isto para introduzir um tema. Gosto muito de introduzir, especialmente temas. Qual tema? O dos alunos da Lusófona que morreram afogados. Nem ia falar sobre isto, mas é tanta a falta de inteligência que se vê nos comentários das notícias, onde de repente todos são detectives e especialistas em meteorologia marítima, que resolvi opinar. Já introduzi, agora vou portanto opinar.

Não tenho muito a dizer sobre este assunto. Principalmente porque não sei o que se passou. Há pessoas para as quais isso não interessa. Onde não saber nada do que se passou não as impede de tecer teorias e juízos de valor. Eu quando não sei, fico calado. É uma virtude que se anda a perder.

Aconteceu ali algo muito estranho. Disso não há dúvida. Foi uma praxe? Foi apenas estar no local errado à hora errada? Foi distracção? Estavam a fazer rituais satânicos que envolviam cabras cuspidoras de fogo que lhes pegaram fogo às capas do traje e tiveram que ir a correr para a água? Não sei. Qualquer uma delas me parece plausível. Agora pergunto eu: Mesmo que tenha sido uma praxe, e tenham sido incentivados a entrar na água é razão para culpar o rapaz que sobreviveu? Eu sei que para os familiares há quase uma necessidade compreensível de culpar alguém, mas parece-me exagerado. Primeiro porque cada um sabe de si, e que eu saiba as praxes não são feitas com armas apontadas à cabeça. Eram todos maiores e vacinados e se foi esse o caso foram incautos ao entrar na água. Como são tantos outros que são colhidos por ondas todos os anos.

Agora fala-se do pacto de silêncio e está tudo escandalizado com ele, dizendo que é uma falta de respeito para com os familiares das vítimas... Ninguém está preocupado com as famílias das vítimas! Está é tudo preocupado em saber mais para alimentar a curiosidade mórbida que move esta nossa sociedade. Ninguém abranda na auto-estrada para ver se os passageiros do carro despistado estão bem, abranda-se para ver se se consegue ver gente morta. Aqui é igual. Acho que o pacto de silêncio para com a comunicação social faz sentido. São uns abutres filhos da puta, que pouco ou nenhum respeito têm tido para com as vítimas e familiares, desde colocar fotos do facebook e andar a expor vida pessoal nos jornais. Não todos, obviamente, mas muitos deles. Por isso para mim o pacto de silêncio faz sentido. Agora não se pode estender esse pacto à polícia e principalmente aos familiares das vítimas. O pacto de silêncio, se não estiver a ser imposto, é uma escolha que eu respeito. Falta apenas dizer que este pacto se estende aos 6 mortos, não por opção, entenda-se, mas estende-se.

Por isso,  vamos lá parar com o exagero à volta deste caso, pode ser? Morreu gente sim. Uma morte trágica. Mas qual não é? No tempo que demoraram a ler este post morreu uma mão cheia aos milhares de gente no mundo, por razões muito piores, como a falta de água, ironicamente. Deixem a novela, a verdade é como os corpos afogados, há-de vir à superfície e ai todos vamos poder satisfazer o nosso desejo mórbido de voyer. Agora não me venham com merdas que querem a verdade por respeito com a família. Sejam ao menos honestos. Se não és familiar ou amigo não tens direito a ficar indignado.

Este caso deveria servir como metáfora perfeita para a vida. A vida é estar sentado numa praia a contemplar o horizonte e de repente, sem avisar, vem uma onda e leva-te. Ou seja, a vida é curta, levantem o cu da areia e deixam-se de merdices, já que há tantas formas imprevisíveis de morrer, cedo demais.

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19 de janeiro de 2014

Stand up Robbery



Fui assaltado com uma seringa uma vez. Por acaso estava na altura do meu checkup mas não estava numa de apanhar HIV. Não me dava jeito nesse dia. Lembro-me várias vezes desta história de há 13 anos, principalmente na altura do Natal. Não parece ter associação mas atentem na história. Ao contrário das coisas que eu invento esta passou-se mesmo assim, sem tirar nem por.

Com 16 anos, talvez, vou eu e um amigo a sair da escola e a caminho de casa, já perto da Cova da Moura, esse bairro bonito, quando vem na nossa direcção um homem nos seus 30 anos talvez. Poderia ter menos e estar apenas desgastado pela droga embora não parecesse. Vinha de roupa suja de tinta branca e com uns papeis nas mãos. Não tinha o ar doente e escanzelado de um drogado, tinha antes um ar saudável mas desleixado de um homem das obras. Abordou-nos:

- Vocês sabem ler desenhos?
Bem nisto um sorriso instalou-se, pensando nós que o gajo estava bêbedo ou era maluco. Não desconfiámos no que viria a seguir.
- Bem aqui também só há isto para ler - diz ele rindo-se e apontando para uma legenda no que afinal parecia ser a planta do pavilhão novo que andavam a construir na escola.
Mais uma vez pensámos, pronto é mesmo maluco. Não há problema, malucos é o que não falta por aí.
- Pois... - dissemos nós em uníssono tentando não dar muita conversa mas continuando a não dar importância.
- Bem isto serve para vos desejar um Bom Natal - (estávamos em Março) - Se lá chegarem....
Com isto apercebemo-nos que afinal aquilo era capaz de ser um assalto ou um homicídio. Mas ficámos mais inclinados para o assalto. O gajo mete as mãos dentro das calças e aí se calhar passou-nos pela cabeça que afinal era só uma violaçãozita inofensiva. Tira a mão e trás com ele uma seringa, tapada, já que devia estar acondicionada no escroto e ficar espetado por acidente não deve ser agradável. Não esboçámos reacção e ele continuou:
- Bem estou a precisar de uns trocos para a minha dose portanto vamos lá ver o que têm para me dar. É que eu tenho SIDA, ou como se diz em inglês AIDS.
- Eu não tenho nada, nem trouxe carteira, só tenho canetas e livros que só vim fazer um teste - disse eu.
- Eu também fiz um teste há 2 anos. Deu HIV positivo. - disse ele numa das melhores comebacks que eu já ouvi.
- E telemóveis? - diz ele começando a por a mão ao bolso do meu amigo.
Tirou de lá um daqueles Nokias topo de gama da altura que vendo bem teria sido uma excelente arma de arremesso para lhe mandar nas trombas:
- Ao menos deixa-me ficar com o cartão... - diz o meu amigo.
- Ok, tira lá isso - diz ele.
- Vais-me dizer que também não tens telemóvel?! - pergunta-me ele em tom incrédulo.
- Pois não tenho mesmo. Sou a única pessoa da turma que não tem por acaso...
Sempre calmo e nós também, por fora claro. Mas começou a ficar nervoso:
- Já me estou a passar contigo! Dá-me o relógio então! - Disse ele para mim.
Eu dei sem resistir na minha inocência em dizer - Não vale nada também...
Entre dar o relógio, tirar o cartão e mais 5€ do bolso que o meu amigo tinha, entre olhares à volta a ver se alguém nos acudia, entre pensamentos de fugir ou empurrar, de lhe tirar a seringa da mão e arriscar, nada fizemos e ninguém fez nada.
- Vá fiquem bem e nunca se metam na droga. Que os anjinhos e essas merdas todas estejam com vocês.

E pronto a história é esta com menos uns detalhes visuais que a fizeram mais rica como ele nos mostrar os braços todos cravejados com furos e rasgões. Havia nele um arrependimento quando se foi embora mas a droga era mais forte que ele. Deve ter morrido algures já, mas deixou em mim uma história gira para contar.
Moral da história? Andem com seringa tapada se a acondicionarem nas virilhas. Isso e não se metam na droga. Mas se meterem já sabem.
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17 de janeiro de 2014

Portugal é um país de paneleiros



Volta a órbita política a questão da coadopção de crianças por parte de casais do mesmo sexo. Primeiro o que é a co-adopção? Em que difere da adopção? Aqui fica a explicação: "Quando duas pessoas do mesmo sexo sejam casadas ou vivam em união de facto, exercendo um deles responsabilidades parentais em relação a um menor, por via da filiação ou adoção, pode o cônjuge ou o unido de facto coadotar o referido menor". Ou seja, trocando por miúdos, que quem faz estas propostas parece que não passou a português no 9º ano: É quando o filho é de um e, se lhe acontecer alguma coisa, o parceiro pode ficar com a guarda da criança. Actualmente o que acontece é que se tal for o caso, o parceiro (pessoa que o pode ter criado durante anos, ou desde sempre, e que é também pai ou mãe dela) não tem qualquer direito sobre ela. Não é ir a uma instituição buscar uma criancinha ranhosa que por lá ande! Estamos entendidos? Bem então vamos lá começar a parvoíce.

Bem, eu estranho haver ainda tanta discussão em torno da homossexualidade em Portugal.

 Com as eternas eleições de PS e PSD era de esperar que o povo português gostasse de ser enrabado, ou pelo menos que já estivesse habituado.


Um povo que adora apanhar nos refegos das nalgas de forma passiva, era de prever que fosse mais aberto quanto a questões de homossexualidade. Isto não tem nada a ver com adopção. Isto é fácil. É pergunta para 50€ no euromilhões. É óbvio que defender o interesse da criança é salvaguardar que ela possa ficar com quem é, para todos os efeitos, há anos, o seu pai ou mãe. Não me parece que seja do interesse da criança ser retirada para ir para um avó ou tio que não conhece muito bem. Eu acho que aqui quase toda a gente concorda, o problema é que sentem que lhes estão a por a vaselina antes de lhes enfiarem com a adopção verdadeira lá para dentro. Isso é outra discussão, mais complexa da qual já escrevi anteriormente e por isso não me vou repetir. Se quiserem ler ou reler cliquem aqui e não se fala mais nisso.

"Ah mas o pai ou mãe que ficam com a guarda podem não ser boa influência por serem gays, podem ser pedófilos". Claramente se estás a fazer esta pergunta provas que nos casais heteros também há esse problema.

Agora querem fazer o referendo. Os referendos são giros mas podem dar para o torto. As eleições têm dado. A história está feita de vontades de maiorias que foi-se a ver e estavam erradas. Por mim fazia-se um referendo para decidir a questão se se faz referendo. Só para fazer render o peixe.

Se eu fosse gay (ou lésbica) estava a rezar para que a lei não fosse aprovada. Morrer o conjuge já é desgraça suficiente. Eu ter que ficar com a guarda da criança ainda era pior. Mas pronto como não sou gay nem acredito em Deus para rezar, fica apenas a minha opinião. Agora pensando bem, ser gay e rezar é capaz de ser perigoso. É sabido que Deus detesta gays e por isso mais vale ser discreto e andar pela sombra.

E pronto, era isto. Achei que devia falar disto. Não porque alguém leia isto, mas porque me apeteceu e escrever num blogue é como apanhar rabo: quem quiser que o faça e ninguém tem nada a ver com isso.
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16 de janeiro de 2014

Ronaldo e as lágrimas de ouro



Já tudo foi dito e escrito sobre a vida de Cristiano mas as pessoas tendem a esquecer. As pessoas são invejosas e têm memória curta. Esquecem-se que vem de família pobre, quão pobre? Bastante. Mais do que a maioria. Esquecem-se que veio para Lisboa sozinho, aos 11 anos, para um mundo novo sem ninguém da família para o apoiar. Esquecem-se que chorou tudo o que tinha a chorar, à noite, na almofada, na academia do Sporting quando tinha saudades dos pais. Esquecem-se que ele trabalhou diariamente, anos a fio para chegar onde chegou. Dizem que ainda hoje é o primeiro a chegar e o último a sair dos treinos, fora as imensas horas extra que teve que fazer (e ainda faz) no ginásio para ter um corpo quase à prova de lesões. Esquecem-se que o pai lhe morreu cedo. Esquecem-se que foi com 18 anos para o Reino Unido. Esquecem-se que começou a ganhar balúrdios, que não conseguimos imaginar, numa idade em que a maioria de nós ainda nem trabalha. Um rapaz dessa idade que decide levar os melhores amigos com ele para lhe fazerem companhia. Para lhes dar uma boa vida e para o blindarem de novos amigos interesseiros que aparecem no horizonte sempre que a fama se faz nossa companheira. Alguém que faz isso é inteligente.

Portugal nunca deu valor aos seus heróis corajosos e confiantes. Pelo menos não depois da ditadura. Agora idolatram-se Zé Marias e falsas humildades.
O Ronaldo (e o Mourinho um pouco também) é exemplo disso.

"Porque ele é arrogante em dizer que é o melhor". Ouve-se este tipo de comentários várias vezes. Claramente que as pessoas têm uma noção de humildade retorcida. É como achar mais humilde aquele aluno que aquando da auto-avaliação diz que merece um "17" quando teve 20 em todos os testes, só para parecer bem, do que o aluno que diz confiante que merece "20". Esta é a noção triste de humildade que temos em Portugal. Para mim humildade máxima é seres considerado o melhor do mundo, achares-te o melhor do mundo, e mesmo assim no dia a seguir seres o primeiro a chegar ao treino e tentares melhor apesar de tudo e todos te considerarem o melhor do mundo. Isso é humildade. É ser-se o melhor, sabe-lo, e ainda assim tentar melhorar todos os dias.

"Ai porque ele só quer é pausar e preocupar-se com o cabelo e carros". A grande maioria já anda a gastar o dinheiro dos pais todos os fins de semana nos copos e depois vêm criticar como ele gasta o dinheiro que conquistou apenas e só com o seu suor? O Sporting tem mérito na formação do jogador e do homem que ele se tornou. Tem muito mérito. Mas o mérito é quase todo dele. Dele e da família, que bimba ou não, é muito mais família que as famílias de renome que tratam os filhos por você.

A inveja é fodida. A admiração tem sempre a sua quota parte de inveja. Há uns que se sentem inspirados e há outros, demais, que se inspiram a dizer mal. É fodido ele ser um dos portugueses que mais ganha dinheiro no mundo. É fodido ele ser o mais famoso português da actualidade. É fodido ele ter um corpo que todos queriam ter. É fodido ele ter 90% das mulheres do mundo a quererem-lhe saltar em cima. É fodido ele ser o melhor naquilo que faz e aquilo que faz ser uma coisa que 90% dos homens queria fazer. Eu tenho inveja dele. Mas uma inveja cheia de orgulho de ser português.

"As lágrimas humanizaram a máquina Ronaldo" - Disse um dos comentadores quando o Cristiano tentava discursar. É preciso chorar para se ser apreciado neste país? Não há lugar para os confiantes? Para os que do alto da arrogância de quem não deve nada a ninguém por tudo o que conquistaram poderem dizer que se acham os melhores? Só há lugar para os Zés Marias, humildezinhos e coitadinhos.

Eu gostei de o ver chorar, não digo que não. Emociou-me. Emociou-me porque gosto de vencedores que batalharam para vencer e não têm medo de afirmar que se acham bons. Mas emocionou-me principalmente porque sou português, e porque nesta altura precisamos de heróis. Heróis que lutam, que arriscam, que respondem a quem os trata mal, que choram quando vencem e não quando perdem. Faltam-nos mais Ronaldos. Se deixarmos os Zés Marias e começarmos a ser mais Ronaldos, se calhar isto anda mais depressa para a frente.
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Enrolado pronto a acender


Eu não sei qual é a estratégia de marketing do pessoal que vende droga na rua, como por exemplo no Bairro Alto. Se eles segmentam o mercado e têm um público alvo, então eu devo ser o utilizador tipo, porque não há um que não me venha perguntar se quero haxixe. Se eu digo que não ao haxixe, perguntam se quero coca. Se recuso delicadamente a coca, oferecem-me heroína. Estou para um dia perguntar se têm "zbramans". Só para ver se o gajo fica confundido ou se é um gajo realmente que conhece o mercado.
Um dia andava eu pelo bairro, tinha saído de um jantar e estava à espera sozinho de uns amigos meus. E estava assim meio alegre. Bêbedo vá. E vêm dois rapazitos de aspecto duvidoso. Duvidoso não era, porque eu não tive grandes dúvidas que eram traficantes. E perguntam-me "haxixe", "coca"? E eu nem foi para me meter com eles, mas devido ao álcool que me corria no sangue, o meu cérebro estava em modo low battery e pensou que me estavam a pedir, ao que eu respondo "Eu não tenho, mas ali em cima costuma haver pessoal a vender". Pronto gerou-se a galhofa. Eles riram-se que nem perdidos, eu passado 3 segundos de percebi e comecei a rir-me também. "Não... se tu queres comprar droga a nós?" Assim de modo pausado e alto como se fala com os atrasados mentais (ou com os estrangeiros). E eu "Ahhh não, muito obrigado". E pronto não comprei nada. Já tinha. Mentira.

Canabinóides e seus derivados, foram a única droga até hoje que experimentei. Experimentei várias vezes até me tornar um connoisseur. Depois deixei. Já não tinha nada a aprender e retirei-me. Eu moro perto da Cova da Moura, por isso já que ia ter a fama resolvi ter o proveito.

Bem esta história serve para dizer que sou a favor da legalização. Não sou a favor que se fume, da mesma maneira que não sou a favor que se beba. Mas que é giro é. Se for legal um gajo sente-se produtivo no meio da inércia toda que a moca dá. Está a mexer economia assim. Está a criar postos de trabalho e a dar mais receitas ao estado. É toda uma moca muito mais consciente e socialmente responsável. Hum se calhar perdia a graça assim.

A meu ver a proibição não faz sentido em nada. Devia ser tudo legar, desde que a educação e a informação disponível para todos estivesse à altura. Ai, todos poderíamos fazer escolhas informadas e conscientes. Se sabes que a heroína dá cabo do corpinho e mesmo assim vais experimentar... azar o teu. No mesmo sentido que ser obrigatório usar capacete e cinto de segurança não me faz sentido. As leis não têm quer fazer de nossos pais adoptivos. Quem não se quiser assegurar e depois for bater de fronha desprotegida num poste e morrer é parvo. É nesse sentido que vejo a legalização. Morrem centenas de pessoas, ou milhares (reparem como sou específico) devido ao álcool, seja porque propencia a violência, porque há acidentes de carro, ou apenas porque chegam ao fim de vida precoce com um fígado que mais parecem umas iscas do José Avilez. Da Cannabis não há registos que cheguem sequer aos calcanhares. Mortes registas? Poucas ou nenhumas. O Tabaco é diferente, mata mais, vicia mais, mas não altera comportamento como a droga e o álcool, por isso e também porque vai ficar para outro post não vou comparar aqui.

Bem estive muito tempo sem escrever, estou um bocado perro. Se eu ainda fumasse isto saia tudo muito mais fluído. Mas concluindo, numa sociedade em que o álcool é permitido não faz sentido a Cannabis não ser. Equilibrava-se o défice, havia mais sorrisos na rua e a crise não magoava tanto no rabo.
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