21 de janeiro de 2014

O dia em que me cruzei com o Carlos Cruz



Isto passou-se por volta de 2001 ou 2002, portante pouco antes do escândalo da Casa Pia. Tinha eu os meus 18 anos, e estava à porta da casa de banho do Coliseu de Lisboa à espera de um amigo. Nisto, quem sai do WC é o Sr. Carlos Cruz. Eu olhei para ele naturalmente, e ele olha-me de alto a baixo com um ar de desprezo e sobranceria. Eu fiquei a sensação que seria ele a pensar "Deixam entrar qualquer tipo de pessoas nesta gala dos Globos de Ouro". Sim eu estava nos Globos de Ouro, não por ser conhecido, nem conhecer ninguém conhecido, nem ser rico, mas porque o meu pai a troco de umas paletes de leite e sumos tinha em troca uns bilhetes para vários concertos do Coliseu, entre eles esta gala. Eu tenho os contactos que realmente interessam! E eu como bom português, se é à borla vou. Fui uma vez, nunca mais lá voltei. Bem, voltando ao Carlos Cruz. Aquele ar dele tirou-me toda a simpatia que eu até nutria por ele, enquanto apresentador e figura pública. Nisto o meu amigo sai da casa de banho e diz-me "O Carlos Cruz não lavou as mãos depois de mijar". E pronto foi isto. Quando rebentou o caso percebi que não era um ar de desprezo, mas sim um ar de "Se fosses 1, 2, 3... 10 anos mais novo papava-te todo". Felizmente não me cumprimentou com aquelas mãos que não lavou que tinham acabado de estar em contacto com a pila com que andava a foder criancinhas.

"Ai mas ele pode ter sido tramado", dizem alguns em relação ao Carlos Cruz, só porque o acham mais fofinho que os outros. Pode? Poder pode, mas isso qualquer pessoa que esteja presa, que não tenha sido apanhada em flagrante. Se vamos a pensar assim estamos mal. O que é certo é que foi condenado e para todos os efeitos é um filho da puta inclassificável. Pior que os outros todos ainda. Porquê? Porque era o mais respeitado e foi o que andou a chorar mais em todos os canais de TV. Eu acho que um gajo com o dinheiro, poder e reconhecimento que ele tinha, só seria condenado com provas muito, muito fortes. Por isso vamos lá deixar a conversa do que se calhar ele é inocente, porque 99,9% de certeza que não é.

Só passou a ser mais aceitável fazer humor ou falar de pedofilia abertamente depois do Caso Casa Pia. Para além dessa importância, este caso mostrou que existem pedófilos em todos os estratos sociais, de todas as educações e orientações sexuais. Que é um problema que atravessa tudo e que deve ser levado mais a sério. Que violar uma criança, ou bebé, deve ser punido com mais do que 2 ou 3 anos de prisão, ou mesmo 6 ou 7 como o pessoal da Casa Pia apanhou. Que os poucos 25 anos, de pena máxima que temos direito a reclamar, são para casos como este. Ainda por cima prisões onde não os põe a tomar banho com o resto da malta, só para o convívio. Consta que até têm algumas regalias, como juntarem-nos todos 1 vez por semana numa almoçarada para relembrar os velhos tempos. Consta que a ementa é uma bela pratada de jaquinzinhos com salada de tomate cherry. Acho que deviam ser tratados de pior forma. Não podemos esquecer o impacto impacto profundo na nossa sociedade que este caso teve. Até ditados populares centenários sofreram alterações, por exemplo agora diz-se a propósito do médico Ferreira Diniz: Em casa do Ferreira espetam-me o pau.

Viram a volta que eu dei só para espetar duas piadas sobre pedofilia neste texto? Se não estavam à espera é porque é a primeira vez que cá vêm.

Para mim ser pedófilo é conseguir ser o mais baixo que o ser humano pode chegar. É conseguir meter nojo até ao triplo homicida que matou uma família inteira por 100€. E esses gajos não se impressionam facilmente. São gajos que já viram de tudo. Mas até esses se repulsam por um gajo gostar de meter a pilinha em criança alheia. Eu acho que os pedófilos têm todos a pila pequena. E viram-se para as criancinhas porque parecendo que não uma mão de criança numa pila pequena dá logo outra escala.

Os padres são os cinturões negros dos pedófilos. Conseguem tornar a pedofilia ainda mais nojenta. Reprimiram a sua sexualidade e expressam-na em crianças do coro que já não lhes bastava estar ali a cantar músicas do senhor ainda têm que levar com a batuta do maestro no rego das nalgas. Quando Jesus disse "deixai vir a mim as criancinhas" não era essa merda que ele queria dizer! Sempre se violou crianças e sempre se há-de fazer. Mas hoje em dia vem-se com a conversa do "é uma doença", "ele não consegue controlar os impulsos". Olha que filha da putice hein! Os animais quando estão doentes são abatidos não são? Desejo-lhes sinceramente uma morte lenta e dolorosa e sempre com comichão naquele sítio das costas que não se consegue coçar. "Ah foi abusado quando era criança". Ai foi? Então metam-no a ele e ao gajo que o abusou em criança numa arena e deixem-nos lutar até à morte! No fim, o que sobreviver é-lhe colocada uma granada no esfíncter e enche-se-lhe o bucho de purpurinas e confetis para o gajo se finar em grande estilo.

Era assim que eu lidaria com a pedofilia. E não estou a hiperbolizar! Tudo transmitido na TV com patrocínios e apostas e o dinheiro revertia a favor de instituições (sem serem da Igreja) que acolhem crianças abusadas. Olho por olho (ou ânus por ânus neste caso) e o mundo seria um local menos mau. Fica o sugestão a quem faz as leis e trata dessas coisas.
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A Bernardina fez-me acreditar em Portugal



Pois é. Na altura que isto saiu eu estava parado na escrita. Pensei "Bolas tinha tanta coisa gira para dizer acerca disto e passou o timing". Foi retirado do youtube por reivindicações de direitos de autor mas agora voltou, com os seus quase 3 milhões de visualizações. E eu pensei "talvez não seja tarde para achincalhar esta gente". Já quase tudo foi dito, bem sei, mas não consigo evitar. Se por acaso não sabem do que falo, podem ver aqui. Não aconselho. Já vi muitas coisas que preferia não ter visto na minha vida, mas esta destaca-se. Este vídeo faz a música da Fanny ter classe. E isso diz tudo. A Fanny em condições normais nunca teria classe. Pode ter muita coisa, mas classe não.

Primeiro que tudo quero deixar aqui patente que este vídeo fez-me acreditar novamente em Portugal, e que temos salvação. Porquê? Porque foi visto por 3 milhões de pessoas e aparentemente a maioria não gostou! Isto, mais que os indicadores da economia e do desemprego, mostra que estamos no caminho certo.

Vamos lá então deitar abaixo o vídeo ponto por ponto:
  1. Primeiro que tudo, as xuxas da Bernardina parecem aqueles sacos de leite do dia Vigor. Pingonas e sem vigor nenhum. O Canuco tem mau gosto musical mas também em termos de glândulas mamárias.
  2. O Canuco diz "as mulheres de hoje em dia" quando a Bernardina não lhe deixa tocar nas mamas para, segundo ele "ver se está quentinho". Não sei que tipo de mulheres de antigamente ele conhece, mas ao que parece foi criado numa casa de alterne.
  3. O facto da Bernardina "cantar" partes com sotaque africano. Porquê? Para o Canuco perceber? Parece-me um pouco racista.
  4. Ela dizer algures na música "que só quer ser amiga dele". Portanto, um empregado de mesa vem, tenta-te meter a mão nas mamas e o único problema é que ela só quer ser amiga dele. Parece-me óbvio. É normalmente assim que faço novas amizades. Facilita a intimidade.
  5. Quero também deixar um louvor para o grupo de baile, mais coordenado que um grupo de velhos com Parkinsson a dançar o Harlem Shake. O rapaz tem um piquinho a azedo e não há mal nenhum nisso, mas achei que o deveria dizer. E as bailarinas, principalmente a da esquerda, que está a ter um AVC e mesmo assim manteve-se ali como seria de esperar de uma profissional.
  6. Ela diz na letra que o pai zanga e a mãe também. Pudera! Já vi pais menos desiludidos com filhas depois de as verem num filme porno, mesmo daqueles interraciais e em grupo.
  7. Para finalizar e para isto não ficar demasiado grande, quero deixar também um obrigado especial ao director de fotografia. Por ter escolhida tão belas paisagens deste nosso Portugal.
Concluindo. Isto é tudo mau. Tudo. A música, a letra, as vozes, a dança, os cenários, as mamas. É tudo demasiado mau para ter sido feito a pensar que estava bom. Eu quero acreditar que isto foi feito apenas e só para o gozo. Não consigo conceber a ideia de que haja alguém que no fim, depois de tudo editado tenha olhado para isto e diga "Foda-se, isto está muita bom!". Gostos não se discutem mas quem gosta genuinamente disto, por achar que tem qualidade, é atrasado mental. Agora se me disseram que isto foi feito como brincadeira, para ter piada, e por gozo, então tenho que tirar o chapéu e dizer que está genial e cumpriu o objectivo. Infelizmente por muito que queira acreditar, parece-me, que vindo das personagens que vem, talvez esteja errado.

Mas volto a dizer, o facto de a maioria não ter gostado, de lhes ter chamado todos os nomes, de se ter indignado e revoltado, enche-me de esperança num país e mundo melhor.

P.S. - Depois do que aconteceu no caso Casa Pia ainda há pessoas a optar pelo diminutivo/alcunha "Bibi". Acho estranho. Embora acredite que esta Bibi, com esta música, também tenha feito muitas crianças chorar.
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20 de janeiro de 2014

Sonhar vs Bater Punho



O meu irmão quando era pequeno dizia que queria ser Dragão com fogo para assar castanhas. Agora quer ser designer. A criatividade que se perde em menos de 20 anos. O mundo faz-nos isto. Temos sonhos e arrumamo-los na gaveta do fundo juntamente com as recordações de amores passados. Ficam ali, não gostamos de as deitar fora mas também nunca mais lhes vamos mexer.

Vivemos um período estranho. Um período onde dizer mal de quem não consegue alcançar os seus sonhos é considerado discurso motivacional. Não me entendam mal, eu sou dos primeiros a dizer que somos um país de trabalhadores calões, que preferem queixar-se no café do que trabalhar. Mas isso é porque gosto de generalizar e sou parvo, não me levo a sério ao ir falar sobre isso em frente a uma plateia com o intuito de dizer que eu cheguei onde cheguei porque bati punho. Talvez porque ninguém me pague para isso ou  porque ainda não tenha chegado a lado nenhum. Mas bati muito punho, principalmente depois de ter internet em casa, ali por volta dos 13 anos, timing perfeito. O pessoal da minha geração é o único que teve o início da puberdade que coincidiu com o início da internet em casa. Ele há com cada conveniência... Mas não era à grande como agora. Antes de mais toda a gente em casa ficava a saber quando se ligava a internet, devido ao canto da sereia que o modem nos oferecia. Depois não era cá vídeos HD com stream em tempo real. Era fotos, má qualidade e com tempos de loading que um gajo tinha que puxar pela imaginação entre cada imagem para não se perder o entusiasmo.

Bem distanciem-me um pouco do tema. Voltando ao bater punho metafórico. Eu acredito na inequação que quem é rico e tem sucesso no que faz, lutou por isso, trabalhou muito mais do que a maioria está disposto. Principalmente os que vieram do nada, porque quem já herda dinheiro é muito mais fácil fazer mais. Agora o contrário não é verdade. Toda a gente que trabalha no duro e arrisca e se empenha tem sucesso. Mentira. A maioria está na miséria porque arriscou demais, ou porque simplesmente era mau a fazer o que tentou fazer. Outros dirão que foi sorte. E foi. Mas a sorte procura-se.

E eu fico inspirado ao ouvir uma palestra do Miguel Gonçalves, do Ricardo Diniz ou do Manuel Forjaz. Faz-me sentir que tudo é possível, que só depende de mim e como eu tenho confiança nas minhas capacidades fico a pensar que vou ter sucesso e ser milionário já amanhã. Mas depois penso melhor e vejo que é tudo uma treta que lhes sai da boca para fora. É giro, é inspirador, são grandes oradores e têm boas histórias e metáforas bonitas para contar. Também fazem falta e gosto de os ouvir. Mas são tretas. Se os ouvirmos sabendo que estão apenas a fazer isso, a contar uma história com uma boa moral não tenho problemas com eles. Tenho problemas quando acham que a receita do seu sucesso pode ser replicada bastando querer. O sucesso deles deve-se a eles mas também se deve aos ingredientes à sua volta. Que muitos, ou a maioria não tem. 

Ou seja, mete-me nojo gajos que vêm dizer que basta bater punho e vender pipocas para pagar os estudos. Que se uma empresa não te contrata é porque tens um mau CV e a culpa é tua. Que tens que vender o teu produto e se o fizeres o desemprego vai-se embora. Por um lado acho que é o discurso que precisamos de ouvir. Acho que precisamos de ouvir que a culpa é só nossa. Que não adianta culpar os outros. Que se não chegamos a lado nenhum na nossa vida é apenas e só porque não nos esforçámos os suficiente. Se calhar é isso que precisamos ouvir. Mas é mentira. E eu sou a favor da verdade. Mas ganha-se mais dinheiro a dizer mentiras.

É preciso empenho? É. Esforço? Sim. Trabalhar no duro? Claro! Mas não basta. E não basta porque não depende só de nós. Depende primeiro que tudo do sítio e das condições onde nascemos. Se temos boa orientação em casa. Se temos possibilidades para ir para uma boa escola. Se nos damos com os amigos certos. Se descobrimos os que gostamos realmente de fazer. Se o mercado tem espaço para nós. Se ganhámos a lotaria genética e com ela a capacidade de trabalhar 10x mais que a maioria. Se o nosso lado direito do cérebro funciona e nos dá a criatividade para nos destacarmos da maioria. Entre tantos outros constrangimentos que ditam o sucesso ou não de uma pessoa.

A premissa do que se batermos punho todos temos sucesso cai por terra na sua génese, no sentido em que se batêssemos todos punho em conjunto éramos todos geniais e como tal não tínhamos nada de diferente em relação aos outros e que nos fizesse destacar (chamo apenas à atenção que um homem que se prostitui a outros homens é, a meu ver, levar demasiado à letra o mote do Miguel Gonçalves).

Se trabalhar no duro, estudar, arriscar, criar, inovar ajuda a arrombar as portas do sucesso? Claro que sim. Mas pode não chegar, e não há problema nisso, é normal, é a vida. O sonho do meu irmão de ser dragão com fogo para assar castanhas, muito provavelmente não se vai concretizar. E isso é bom. Primeiro porque era parvo e segundo porque temos que continuar a ter sonhos que são e ficam apenas isso. Sonhos. Não interessa o punho que batermos, que nunca vão deixar de ser um sonho molhado. E sonhar é bom. Porque se acharmos que tudo é possível como nos sonhos, provavelmente nunca vamos acordar.
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Lusófona não sabe nadar yo!



Lembram-se dos Black Company, aqueles que cantavam "Madnigga não sabe nadar yo"? Eu lembrei-me agora. Serve isto para introduzir um tema. Gosto muito de introduzir, especialmente temas. Qual tema? O dos alunos da Lusófona que morreram afogados. Nem ia falar sobre isto, mas é tanta a falta de inteligência que se vê nos comentários das notícias, onde de repente todos são detectives e especialistas em meteorologia marítima, que resolvi opinar. Já introduzi, agora vou portanto opinar.

Não tenho muito a dizer sobre este assunto. Principalmente porque não sei o que se passou. Há pessoas para as quais isso não interessa. Onde não saber nada do que se passou não as impede de tecer teorias e juízos de valor. Eu quando não sei, fico calado. É uma virtude que se anda a perder.

Aconteceu ali algo muito estranho. Disso não há dúvida. Foi uma praxe? Foi apenas estar no local errado à hora errada? Foi distracção? Estavam a fazer rituais satânicos que envolviam cabras cuspidoras de fogo que lhes pegaram fogo às capas do traje e tiveram que ir a correr para a água? Não sei. Qualquer uma delas me parece plausível. Agora pergunto eu: Mesmo que tenha sido uma praxe, e tenham sido incentivados a entrar na água é razão para culpar o rapaz que sobreviveu? Eu sei que para os familiares há quase uma necessidade compreensível de culpar alguém, mas parece-me exagerado. Primeiro porque cada um sabe de si, e que eu saiba as praxes não são feitas com armas apontadas à cabeça. Eram todos maiores e vacinados e se foi esse o caso foram incautos ao entrar na água. Como são tantos outros que são colhidos por ondas todos os anos.

Agora fala-se do pacto de silêncio e está tudo escandalizado com ele, dizendo que é uma falta de respeito para com os familiares das vítimas... Ninguém está preocupado com as famílias das vítimas! Está é tudo preocupado em saber mais para alimentar a curiosidade mórbida que move esta nossa sociedade. Ninguém abranda na auto-estrada para ver se os passageiros do carro despistado estão bem, abranda-se para ver se se consegue ver gente morta. Aqui é igual. Acho que o pacto de silêncio para com a comunicação social faz sentido. São uns abutres filhos da puta, que pouco ou nenhum respeito têm tido para com as vítimas e familiares, desde colocar fotos do facebook e andar a expor vida pessoal nos jornais. Não todos, obviamente, mas muitos deles. Por isso para mim o pacto de silêncio faz sentido. Agora não se pode estender esse pacto à polícia e principalmente aos familiares das vítimas. O pacto de silêncio, se não estiver a ser imposto, é uma escolha que eu respeito. Falta apenas dizer que este pacto se estende aos 6 mortos, não por opção, entenda-se, mas estende-se.

Por isso,  vamos lá parar com o exagero à volta deste caso, pode ser? Morreu gente sim. Uma morte trágica. Mas qual não é? No tempo que demoraram a ler este post morreu uma mão cheia aos milhares de gente no mundo, por razões muito piores, como a falta de água, ironicamente. Deixem a novela, a verdade é como os corpos afogados, há-de vir à superfície e ai todos vamos poder satisfazer o nosso desejo mórbido de voyer. Agora não me venham com merdas que querem a verdade por respeito com a família. Sejam ao menos honestos. Se não és familiar ou amigo não tens direito a ficar indignado.

Este caso deveria servir como metáfora perfeita para a vida. A vida é estar sentado numa praia a contemplar o horizonte e de repente, sem avisar, vem uma onda e leva-te. Ou seja, a vida é curta, levantem o cu da areia e deixam-se de merdices, já que há tantas formas imprevisíveis de morrer, cedo demais.

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19 de janeiro de 2014

Stand up Robbery



Fui assaltado com uma seringa uma vez. Por acaso estava na altura do meu checkup mas não estava numa de apanhar HIV. Não me dava jeito nesse dia. Lembro-me várias vezes desta história de há 13 anos, principalmente na altura do Natal. Não parece ter associação mas atentem na história. Ao contrário das coisas que eu invento esta passou-se mesmo assim, sem tirar nem por.

Com 16 anos, talvez, vou eu e um amigo a sair da escola e a caminho de casa, já perto da Cova da Moura, esse bairro bonito, quando vem na nossa direcção um homem nos seus 30 anos talvez. Poderia ter menos e estar apenas desgastado pela droga embora não parecesse. Vinha de roupa suja de tinta branca e com uns papeis nas mãos. Não tinha o ar doente e escanzelado de um drogado, tinha antes um ar saudável mas desleixado de um homem das obras. Abordou-nos:

- Vocês sabem ler desenhos?
Bem nisto um sorriso instalou-se, pensando nós que o gajo estava bêbedo ou era maluco. Não desconfiámos no que viria a seguir.
- Bem aqui também só há isto para ler - diz ele rindo-se e apontando para uma legenda no que afinal parecia ser a planta do pavilhão novo que andavam a construir na escola.
Mais uma vez pensámos, pronto é mesmo maluco. Não há problema, malucos é o que não falta por aí.
- Pois... - dissemos nós em uníssono tentando não dar muita conversa mas continuando a não dar importância.
- Bem isto serve para vos desejar um Bom Natal - (estávamos em Março) - Se lá chegarem....
Com isto apercebemo-nos que afinal aquilo era capaz de ser um assalto ou um homicídio. Mas ficámos mais inclinados para o assalto. O gajo mete as mãos dentro das calças e aí se calhar passou-nos pela cabeça que afinal era só uma violaçãozita inofensiva. Tira a mão e trás com ele uma seringa, tapada, já que devia estar acondicionada no escroto e ficar espetado por acidente não deve ser agradável. Não esboçámos reacção e ele continuou:
- Bem estou a precisar de uns trocos para a minha dose portanto vamos lá ver o que têm para me dar. É que eu tenho SIDA, ou como se diz em inglês AIDS.
- Eu não tenho nada, nem trouxe carteira, só tenho canetas e livros que só vim fazer um teste - disse eu.
- Eu também fiz um teste há 2 anos. Deu HIV positivo. - disse ele numa das melhores comebacks que eu já ouvi.
- E telemóveis? - diz ele começando a por a mão ao bolso do meu amigo.
Tirou de lá um daqueles Nokias topo de gama da altura que vendo bem teria sido uma excelente arma de arremesso para lhe mandar nas trombas:
- Ao menos deixa-me ficar com o cartão... - diz o meu amigo.
- Ok, tira lá isso - diz ele.
- Vais-me dizer que também não tens telemóvel?! - pergunta-me ele em tom incrédulo.
- Pois não tenho mesmo. Sou a única pessoa da turma que não tem por acaso...
Sempre calmo e nós também, por fora claro. Mas começou a ficar nervoso:
- Já me estou a passar contigo! Dá-me o relógio então! - Disse ele para mim.
Eu dei sem resistir na minha inocência em dizer - Não vale nada também...
Entre dar o relógio, tirar o cartão e mais 5€ do bolso que o meu amigo tinha, entre olhares à volta a ver se alguém nos acudia, entre pensamentos de fugir ou empurrar, de lhe tirar a seringa da mão e arriscar, nada fizemos e ninguém fez nada.
- Vá fiquem bem e nunca se metam na droga. Que os anjinhos e essas merdas todas estejam com vocês.

E pronto a história é esta com menos uns detalhes visuais que a fizeram mais rica como ele nos mostrar os braços todos cravejados com furos e rasgões. Havia nele um arrependimento quando se foi embora mas a droga era mais forte que ele. Deve ter morrido algures já, mas deixou em mim uma história gira para contar.
Moral da história? Andem com seringa tapada se a acondicionarem nas virilhas. Isso e não se metam na droga. Mas se meterem já sabem.
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17 de janeiro de 2014

Portugal é um país de paneleiros



Volta a órbita política a questão da coadopção de crianças por parte de casais do mesmo sexo. Primeiro o que é a co-adopção? Em que difere da adopção? Aqui fica a explicação: "Quando duas pessoas do mesmo sexo sejam casadas ou vivam em união de facto, exercendo um deles responsabilidades parentais em relação a um menor, por via da filiação ou adoção, pode o cônjuge ou o unido de facto coadotar o referido menor". Ou seja, trocando por miúdos, que quem faz estas propostas parece que não passou a português no 9º ano: É quando o filho é de um e, se lhe acontecer alguma coisa, o parceiro pode ficar com a guarda da criança. Actualmente o que acontece é que se tal for o caso, o parceiro (pessoa que o pode ter criado durante anos, ou desde sempre, e que é também pai ou mãe dela) não tem qualquer direito sobre ela. Não é ir a uma instituição buscar uma criancinha ranhosa que por lá ande! Estamos entendidos? Bem então vamos lá começar a parvoíce.

Bem, eu estranho haver ainda tanta discussão em torno da homossexualidade em Portugal.

 Com as eternas eleições de PS e PSD era de esperar que o povo português gostasse de ser enrabado, ou pelo menos que já estivesse habituado.


Um povo que adora apanhar nos refegos das nalgas de forma passiva, era de prever que fosse mais aberto quanto a questões de homossexualidade. Isto não tem nada a ver com adopção. Isto é fácil. É pergunta para 50€ no euromilhões. É óbvio que defender o interesse da criança é salvaguardar que ela possa ficar com quem é, para todos os efeitos, há anos, o seu pai ou mãe. Não me parece que seja do interesse da criança ser retirada para ir para um avó ou tio que não conhece muito bem. Eu acho que aqui quase toda a gente concorda, o problema é que sentem que lhes estão a por a vaselina antes de lhes enfiarem com a adopção verdadeira lá para dentro. Isso é outra discussão, mais complexa da qual já escrevi anteriormente e por isso não me vou repetir. Se quiserem ler ou reler cliquem aqui e não se fala mais nisso.

"Ah mas o pai ou mãe que ficam com a guarda podem não ser boa influência por serem gays, podem ser pedófilos". Claramente se estás a fazer esta pergunta provas que nos casais heteros também há esse problema.

Agora querem fazer o referendo. Os referendos são giros mas podem dar para o torto. As eleições têm dado. A história está feita de vontades de maiorias que foi-se a ver e estavam erradas. Por mim fazia-se um referendo para decidir a questão se se faz referendo. Só para fazer render o peixe.

Se eu fosse gay (ou lésbica) estava a rezar para que a lei não fosse aprovada. Morrer o conjuge já é desgraça suficiente. Eu ter que ficar com a guarda da criança ainda era pior. Mas pronto como não sou gay nem acredito em Deus para rezar, fica apenas a minha opinião. Agora pensando bem, ser gay e rezar é capaz de ser perigoso. É sabido que Deus detesta gays e por isso mais vale ser discreto e andar pela sombra.

E pronto, era isto. Achei que devia falar disto. Não porque alguém leia isto, mas porque me apeteceu e escrever num blogue é como apanhar rabo: quem quiser que o faça e ninguém tem nada a ver com isso.
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