23 de janeiro de 2014

Não desculpo



"Arranjar uma desculpa" é uma expressão muito utilizada no nosso país como se a desculpa estivesse avariada e precisasse que alguém a arranje. "Ah mas arranjar também significa obter!" diz o pertinente leitor. Ok, é verdade, mas se eu não tenho a culpa, tenho a desculpa, não preciso de a obter de lado nenhum. Ao português (e ao ser humano em geral) tudo serve como desculpa. O português tem sempre razão, eu pelo menos tenho.

Os sinais luminosos intermitentes existentes nos nossos carros, pisca-pisca ou apenas piscas, são o exemplo disso. A sua utilização nas situações para quais foram criados é raramente posta em prática, já que a maioria dos condutores pensa que se tratam apenas de ornamentos para tornar o prolongamento do seu pénis, vulgo carro, mais bonito e luminoso, descuidando que um simples gesto que consiste em mover 2 ou até 1 dedo para deslocar o manípulo 1 centímetro indicando a direcção que pretendemos tomar pode evitar na verdade bastantes acidentes. Ainda por cima são daqueles acidentes apelidados de "toque" mas que entopem a 2ª circular e me fazem chegar atrasado, não que tenha horas para o que quer que seja, mas se fico preso no trânsito porque um anormal acha que dá muito trabalho por o pisca concerteza que fico arreliado.

Agora se for para "arranjar uma desculpa" o português já utiliza os piscas, e são logo os 4 de uma só vez. Exemplifico: Estaciona em segunda fila, vai almoçar ou tratar da papelada, que já sabe que o poderá ocupar durante 1 hora. Mas deixa os 4 piscas... E ai de quem buzine e refile com o senhor do Mercedes que lhe bloqueia o carro há meia hora, pois ele responde logo irritadíssimo como se a razão fosse sua amiga de infância "Não vê que tenho os 4 piscas?!". Como se as 4 luzinhas a piscar conferissem à viatura e ao condutor um estatuto de super herói imune a qualquer tipo de coima e até mesmo de culpabilização moral seja por parte de quem for.
Na minha opinião, e se não desse direito a prisão preventiva e o processo fosse arquivado só porque sim, era agarrar nesse indivíduo e aleijá-lo severamente com um bastão de ferro. O problema é que se apanha o português oposto, o banana que pede desculpa por tudo e por nada, este ainda é capaz de dizer "Desculpe lá, não tinha reparado.." E o senhor do Mercedes vai para casa a pensar que tinha realmente razão mais uma vez. Mas isto é pano para outra manga.

Tenho dito. Muito obrigado e Deus vos abençoe! (Deus... outra coisa inventada só para tentar justificar o indesculpável).
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22 de janeiro de 2014

Post de merda



Dado o teor demasiado sério dos últimos posts, parece-me a altura certa para efectuar uma dissertação, sobre sanitas. Por questão de coerência. "Qualquer altura é boa para falar de sanitas" pensam vocês. E têm razão. Vamos então falar sobre elas e desvendar certos mistérios que nos povoam a mente deste a mais tenra idade. Ao invocar este assunto, duas questões nos assaltam:
  1. O porquê de existir um tampo da sanita?
  2. O porquê do fim da sanita ser curvo?
Eu estou aqui para vos entreter mas também para vos esclarecer e instruir, dando-vos cultura geral acerca dos mais interessantes temas da actualidade. Posto isto, passo então a explicar cada uma das questões que pertinentemente foram postas.

1 - O tampo da sanita serve para quê? Perguntamos todos nós aos nossos pais, mal chegamos à idade dos "porquês". Os nossos pais embaraçados com tal pergunta desviam o olhar e disfarçam dizendo "queres ir andar de baloiço?". Muitas vezes ouvi eu isto... Pois é, mas hoje estou cá eu, e se os vossos pais não vos dizem, digo eu! Serve apenas para criar tema de discussão entre pais e filhos e casais que já pouco comunicam entre si. A minha nota de apreço aos fabricantes que se decidem pela sua construção em madeira, pois fica mais quentinho e não custa a sentar logo de manhã, principalmente no inverno. É que quando é de plástico, muitos de nós aguentam ao máximo para só ir efectuar a descarga depois de alguém o ter feito, pois assim é garantido que o tampo se encontra ainda morninho. E fazer isto diga-se... é nojento.

2 - Aqui está o cerne da questão a meu ver, quando falamos de sanitas, e atenção que não é nem penicos, nem bidés, é sanitas! Portanto o que aconteceria se vários engenheiros de todo o mundo não se tivessem reunido e chegado a conclusão que o fim da sanita deveria ser curvo? A resposta a isto é muito simples meus amigos, os dejectos sólidos pelo nosso corpo expelidos, encalhariam e não rebolavam caprichosamente para o esgoto. Tomando portanto uma forma curvada, o fim da sanita, fim da vida para qualquer dejecto, impele uma força centrípta que fornece uma aceleração linear e rotacional que, aplicada ao trolho, o direcciona para o outro mundo, obscuro e cujo cheiro é característico, o esgoto (fossa céptica nalguns locais do país).

Quero apenas deixar um apelo a todos os responsáveis pela indústria de sanitas neste país: Para quando podemos contar com uma sanita, cujo design impeça que a água caprichosamente salte atingindo os delicados glúteos de cada um, tal como o tsunami desbravou costa asiática? É que o tsunami não possui xixi...
Por ora, dou por completa esta dissertação. Se tiveram mais questões deixem nos comentários que terei todo o gosto em responder, para cada vez mais se deixarem de fabricar tabus e deixarem as sanitas expressarem-se livremente. Ah e vamos fazer um esforço para popularizar novamente a palavra "retrete". Soa a vinho francês caro e acho que tem muito mais classe que sanita.
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O Hitler queria ser pintor



O meu irmão, quando era pequeno, dizia que queria ser médico da pica ou dragão com fogo, para assar castanhas. Uma criança que vive na Buraca e fantasia com agulhas teria tudo para correr mal, mas, felizmente, hoje em dia, esta é muito feliz e conseguiu juntar o melhor dos dois mundos: vende castanhas no Rossio, para sustentar o vício que tem na heroína. Estou a brincar. Antes fosse. Infelizmente é designer. É quase a mesma coisa, mas com menos saídas profissionais. O que leva uma criança a deixar de querer ser dragão com fogo e assador de castanhas, para ser designer? A criatividade que se perde em menos de vinte anos… O mundo faz-nos isto. Temos sonhos e arrumamo-los na gaveta do fundo juntamente com as recordações de amores passados. Ficam ali. Não gostamos de os deitar fora, mas também nunca mais lhes vamos mexer.

Pensei nisto porque dei por mim a perguntar se a arte pode salvar o mundo. Não por achar que é a mais importante das áreas e a que devemos valorizar mais, mas porque, normalmente, os artistas são os únicos que trabalham no que realmente lhes dá prazer e porque são os únicos que criam para outros sentirem.

Ninguém se emociona ao saber das novas descobertas na área da medicina ou da tecnologia como se emociona a ouvir Mozart, Queen ou Ana Malhoa.

A imagem no cimo do texto é uma das pinturas de Adolf Hitler. Sim, ele queria ser pintor. Era o sonho dele. Mas, depois de ser rejeitado pela Academia de Belas-Artes de Viena, decidiu que o genocídio era a sua segunda área de interesse. Não é uma acção/reacção, obviamente, mas se ele tivesse entrado e seguido a sua paixão, teria ele, mais tarde, enveredado pelo caminho complicado e com poucas oportunidades de emprego que é a de ditador absolutista e carniceiro? Não sei. Mas gosto de pensar que as coisas teriam sido diferentes. Hitler era um génio. Do mal. Mas um génio. Poderia ele ter sido genial noutra área? Não sei. Que ele tinha pancada na cabeça, disso não há dúvida, e que nada desculpa o que ele fez, claro que não. Mas poderia ter sido diferente? Acho que sim. Se tivesse sido motivado para fazer aquilo de que gostava, pela sociedade, e pelos que o rodeavam. E, se tivesse conseguido entrar na Academia de Belas-Artes de Viena, talvez não houvesse Holocausto. Basta mexer numa variável pequena para alterar o resultado final, e essa, claramente, é uma variável maior do que a maioria. Poderia ter sido um pintor sociopata e com uma pancada tremenda na cabeça, mas muitos dos de hoje também o são. Muitos dos CEO de grandes empresas também.

Por todo o mundo, a hierarquia das disciplinas que nos ensinam é a mesma. Matemáticas e Línguas no topo, Humanidades a seguir e a Arte no fundo. Há uma história engraçada, contada brilhantemente na palestra TED «Do schools kill creativity?», que conta o caso de uma miúda de oito anos. E de como a sua mãe foi chamada à escola por os professores considerarem que ela tinha um défice de aprendizagem e/ou hiperactividade. A mãe levou-a a um especialista. Depois de falar com elas em conjunto, disse à miúda que iam falar em privado e que ela teria de ficar no gabinete sozinha. Ao saírem, o especialista ligou o rádio, fechou a porta e disse: «Observe a sua filha.» E a mãe e ele viram que, no minuto em que eles saíram e a música começou, ela se levantou e começou a dançar, e ele disse: «A sua filha não está doente nem tem problema nenhum. Ela é uma bailarina. Leve-a a uma escola de dança.» E a mãe seguiu o conselho. O nome dela é Gillian Lynne, e acabou por se tornar numa das mais famosas bailarinas e coreógrafas do mundo.

A maioria dos pais, principalmente nos dias de hoje, tê-la-ia posto num psiquiatra e enchido de calmantes. Quantos artistas se perderam e pessoas infelizes se ganharam com este método de educação e de sociedade que esmaga a nossa criatividade? Isto é apenas uma premissa para deixar a pergunta no ar. Não podemos ser todos artistas, claro, mas não há incentivo da parte da sociedade, do sistema de educação, dos pais, para sermos artistas e criativos. Nunca ninguém me disse: «Gostas de escrever? Então, porque não te dedicas a isso?» Sou engenheiro informático, Artes é pouco comigo, e até acho que a arte contemporânea muito poucas vezes é arte. Um quadro branco com um ponto não é arte, é parvoíce. Pessoal a urinar para cima de jornais com fotos de políticos não é arte; caso contrário, todos os cães seriam artistas.
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21 de janeiro de 2014

O dia em que me cruzei com o Carlos Cruz



Isto passou-se por volta de 2001 ou 2002, portante pouco antes do escândalo da Casa Pia. Tinha eu os meus 18 anos, e estava à porta da casa de banho do Coliseu de Lisboa à espera de um amigo. Nisto, quem sai do WC é o Sr. Carlos Cruz. Eu olhei para ele naturalmente, e ele olha-me de alto a baixo com um ar de desprezo e sobranceria. Eu fiquei a sensação que seria ele a pensar "Deixam entrar qualquer tipo de pessoas nesta gala dos Globos de Ouro". Sim eu estava nos Globos de Ouro, não por ser conhecido, nem conhecer ninguém conhecido, nem ser rico, mas porque o meu pai a troco de umas paletes de leite e sumos tinha em troca uns bilhetes para vários concertos do Coliseu, entre eles esta gala. Eu tenho os contactos que realmente interessam! E eu como bom português, se é à borla vou. Fui uma vez, nunca mais lá voltei. Bem, voltando ao Carlos Cruz. Aquele ar dele tirou-me toda a simpatia que eu até nutria por ele, enquanto apresentador e figura pública. Nisto o meu amigo sai da casa de banho e diz-me "O Carlos Cruz não lavou as mãos depois de mijar". E pronto foi isto. Quando rebentou o caso percebi que não era um ar de desprezo, mas sim um ar de "Se fosses 1, 2, 3... 10 anos mais novo papava-te todo". Felizmente não me cumprimentou com aquelas mãos que não lavou que tinham acabado de estar em contacto com a pila com que andava a foder criancinhas.

"Ai mas ele pode ter sido tramado", dizem alguns em relação ao Carlos Cruz, só porque o acham mais fofinho que os outros. Pode? Poder pode, mas isso qualquer pessoa que esteja presa, que não tenha sido apanhada em flagrante. Se vamos a pensar assim estamos mal. O que é certo é que foi condenado e para todos os efeitos é um filho da puta inclassificável. Pior que os outros todos ainda. Porquê? Porque era o mais respeitado e foi o que andou a chorar mais em todos os canais de TV. Eu acho que um gajo com o dinheiro, poder e reconhecimento que ele tinha, só seria condenado com provas muito, muito fortes. Por isso vamos lá deixar a conversa do que se calhar ele é inocente, porque 99,9% de certeza que não é.

Só passou a ser mais aceitável fazer humor ou falar de pedofilia abertamente depois do Caso Casa Pia. Para além dessa importância, este caso mostrou que existem pedófilos em todos os estratos sociais, de todas as educações e orientações sexuais. Que é um problema que atravessa tudo e que deve ser levado mais a sério. Que violar uma criança, ou bebé, deve ser punido com mais do que 2 ou 3 anos de prisão, ou mesmo 6 ou 7 como o pessoal da Casa Pia apanhou. Que os poucos 25 anos, de pena máxima que temos direito a reclamar, são para casos como este. Ainda por cima prisões onde não os põe a tomar banho com o resto da malta, só para o convívio. Consta que até têm algumas regalias, como juntarem-nos todos 1 vez por semana numa almoçarada para relembrar os velhos tempos. Consta que a ementa é uma bela pratada de jaquinzinhos com salada de tomate cherry. Acho que deviam ser tratados de pior forma. Não podemos esquecer o impacto impacto profundo na nossa sociedade que este caso teve. Até ditados populares centenários sofreram alterações, por exemplo agora diz-se a propósito do médico Ferreira Diniz: Em casa do Ferreira espetam-me o pau.

Viram a volta que eu dei só para espetar duas piadas sobre pedofilia neste texto? Se não estavam à espera é porque é a primeira vez que cá vêm.

Para mim ser pedófilo é conseguir ser o mais baixo que o ser humano pode chegar. É conseguir meter nojo até ao triplo homicida que matou uma família inteira por 100€. E esses gajos não se impressionam facilmente. São gajos que já viram de tudo. Mas até esses se repulsam por um gajo gostar de meter a pilinha em criança alheia. Eu acho que os pedófilos têm todos a pila pequena. E viram-se para as criancinhas porque parecendo que não uma mão de criança numa pila pequena dá logo outra escala.

Os padres são os cinturões negros dos pedófilos. Conseguem tornar a pedofilia ainda mais nojenta. Reprimiram a sua sexualidade e expressam-na em crianças do coro que já não lhes bastava estar ali a cantar músicas do senhor ainda têm que levar com a batuta do maestro no rego das nalgas. Quando Jesus disse "deixai vir a mim as criancinhas" não era essa merda que ele queria dizer! Sempre se violou crianças e sempre se há-de fazer. Mas hoje em dia vem-se com a conversa do "é uma doença", "ele não consegue controlar os impulsos". Olha que filha da putice hein! Os animais quando estão doentes são abatidos não são? Desejo-lhes sinceramente uma morte lenta e dolorosa e sempre com comichão naquele sítio das costas que não se consegue coçar. "Ah foi abusado quando era criança". Ai foi? Então metam-no a ele e ao gajo que o abusou em criança numa arena e deixem-nos lutar até à morte! No fim, o que sobreviver é-lhe colocada uma granada no esfíncter e enche-se-lhe o bucho de purpurinas e confetis para o gajo se finar em grande estilo.

Era assim que eu lidaria com a pedofilia. E não estou a hiperbolizar! Tudo transmitido na TV com patrocínios e apostas e o dinheiro revertia a favor de instituições (sem serem da Igreja) que acolhem crianças abusadas. Olho por olho (ou ânus por ânus neste caso) e o mundo seria um local menos mau. Fica o sugestão a quem faz as leis e trata dessas coisas.
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A Bernardina fez-me acreditar em Portugal



Pois é. Na altura que isto saiu eu estava parado na escrita. Pensei "Bolas tinha tanta coisa gira para dizer acerca disto e passou o timing". Foi retirado do youtube por reivindicações de direitos de autor mas agora voltou, com os seus quase 3 milhões de visualizações. E eu pensei "talvez não seja tarde para achincalhar esta gente". Já quase tudo foi dito, bem sei, mas não consigo evitar. Se por acaso não sabem do que falo, podem ver aqui. Não aconselho. Já vi muitas coisas que preferia não ter visto na minha vida, mas esta destaca-se. Este vídeo faz a música da Fanny ter classe. E isso diz tudo. A Fanny em condições normais nunca teria classe. Pode ter muita coisa, mas classe não.

Primeiro que tudo quero deixar aqui patente que este vídeo fez-me acreditar novamente em Portugal, e que temos salvação. Porquê? Porque foi visto por 3 milhões de pessoas e aparentemente a maioria não gostou! Isto, mais que os indicadores da economia e do desemprego, mostra que estamos no caminho certo.

Vamos lá então deitar abaixo o vídeo ponto por ponto:
  1. Primeiro que tudo, as xuxas da Bernardina parecem aqueles sacos de leite do dia Vigor. Pingonas e sem vigor nenhum. O Canuco tem mau gosto musical mas também em termos de glândulas mamárias.
  2. O Canuco diz "as mulheres de hoje em dia" quando a Bernardina não lhe deixa tocar nas mamas para, segundo ele "ver se está quentinho". Não sei que tipo de mulheres de antigamente ele conhece, mas ao que parece foi criado numa casa de alterne.
  3. O facto da Bernardina "cantar" partes com sotaque africano. Porquê? Para o Canuco perceber? Parece-me um pouco racista.
  4. Ela dizer algures na música "que só quer ser amiga dele". Portanto, um empregado de mesa vem, tenta-te meter a mão nas mamas e o único problema é que ela só quer ser amiga dele. Parece-me óbvio. É normalmente assim que faço novas amizades. Facilita a intimidade.
  5. Quero também deixar um louvor para o grupo de baile, mais coordenado que um grupo de velhos com Parkinsson a dançar o Harlem Shake. O rapaz tem um piquinho a azedo e não há mal nenhum nisso, mas achei que o deveria dizer. E as bailarinas, principalmente a da esquerda, que está a ter um AVC e mesmo assim manteve-se ali como seria de esperar de uma profissional.
  6. Ela diz na letra que o pai zanga e a mãe também. Pudera! Já vi pais menos desiludidos com filhas depois de as verem num filme porno, mesmo daqueles interraciais e em grupo.
  7. Para finalizar e para isto não ficar demasiado grande, quero deixar também um obrigado especial ao director de fotografia. Por ter escolhida tão belas paisagens deste nosso Portugal.
Concluindo. Isto é tudo mau. Tudo. A música, a letra, as vozes, a dança, os cenários, as mamas. É tudo demasiado mau para ter sido feito a pensar que estava bom. Eu quero acreditar que isto foi feito apenas e só para o gozo. Não consigo conceber a ideia de que haja alguém que no fim, depois de tudo editado tenha olhado para isto e diga "Foda-se, isto está muita bom!". Gostos não se discutem mas quem gosta genuinamente disto, por achar que tem qualidade, é atrasado mental. Agora se me disseram que isto foi feito como brincadeira, para ter piada, e por gozo, então tenho que tirar o chapéu e dizer que está genial e cumpriu o objectivo. Infelizmente por muito que queira acreditar, parece-me, que vindo das personagens que vem, talvez esteja errado.

Mas volto a dizer, o facto de a maioria não ter gostado, de lhes ter chamado todos os nomes, de se ter indignado e revoltado, enche-me de esperança num país e mundo melhor.

P.S. - Depois do que aconteceu no caso Casa Pia ainda há pessoas a optar pelo diminutivo/alcunha "Bibi". Acho estranho. Embora acredite que esta Bibi, com esta música, também tenha feito muitas crianças chorar.
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20 de janeiro de 2014

Sonhar vs Bater Punho



O meu irmão quando era pequeno dizia que queria ser Dragão com fogo para assar castanhas. Agora quer ser designer. A criatividade que se perde em menos de 20 anos. O mundo faz-nos isto. Temos sonhos e arrumamo-los na gaveta do fundo juntamente com as recordações de amores passados. Ficam ali, não gostamos de as deitar fora mas também nunca mais lhes vamos mexer.

Vivemos um período estranho. Um período onde dizer mal de quem não consegue alcançar os seus sonhos é considerado discurso motivacional. Não me entendam mal, eu sou dos primeiros a dizer que somos um país de trabalhadores calões, que preferem queixar-se no café do que trabalhar. Mas isso é porque gosto de generalizar e sou parvo, não me levo a sério ao ir falar sobre isso em frente a uma plateia com o intuito de dizer que eu cheguei onde cheguei porque bati punho. Talvez porque ninguém me pague para isso ou  porque ainda não tenha chegado a lado nenhum. Mas bati muito punho, principalmente depois de ter internet em casa, ali por volta dos 13 anos, timing perfeito. O pessoal da minha geração é o único que teve o início da puberdade que coincidiu com o início da internet em casa. Ele há com cada conveniência... Mas não era à grande como agora. Antes de mais toda a gente em casa ficava a saber quando se ligava a internet, devido ao canto da sereia que o modem nos oferecia. Depois não era cá vídeos HD com stream em tempo real. Era fotos, má qualidade e com tempos de loading que um gajo tinha que puxar pela imaginação entre cada imagem para não se perder o entusiasmo.

Bem distanciem-me um pouco do tema. Voltando ao bater punho metafórico. Eu acredito na inequação que quem é rico e tem sucesso no que faz, lutou por isso, trabalhou muito mais do que a maioria está disposto. Principalmente os que vieram do nada, porque quem já herda dinheiro é muito mais fácil fazer mais. Agora o contrário não é verdade. Toda a gente que trabalha no duro e arrisca e se empenha tem sucesso. Mentira. A maioria está na miséria porque arriscou demais, ou porque simplesmente era mau a fazer o que tentou fazer. Outros dirão que foi sorte. E foi. Mas a sorte procura-se.

E eu fico inspirado ao ouvir uma palestra do Miguel Gonçalves, do Ricardo Diniz ou do Manuel Forjaz. Faz-me sentir que tudo é possível, que só depende de mim e como eu tenho confiança nas minhas capacidades fico a pensar que vou ter sucesso e ser milionário já amanhã. Mas depois penso melhor e vejo que é tudo uma treta que lhes sai da boca para fora. É giro, é inspirador, são grandes oradores e têm boas histórias e metáforas bonitas para contar. Também fazem falta e gosto de os ouvir. Mas são tretas. Se os ouvirmos sabendo que estão apenas a fazer isso, a contar uma história com uma boa moral não tenho problemas com eles. Tenho problemas quando acham que a receita do seu sucesso pode ser replicada bastando querer. O sucesso deles deve-se a eles mas também se deve aos ingredientes à sua volta. Que muitos, ou a maioria não tem. 

Ou seja, mete-me nojo gajos que vêm dizer que basta bater punho e vender pipocas para pagar os estudos. Que se uma empresa não te contrata é porque tens um mau CV e a culpa é tua. Que tens que vender o teu produto e se o fizeres o desemprego vai-se embora. Por um lado acho que é o discurso que precisamos de ouvir. Acho que precisamos de ouvir que a culpa é só nossa. Que não adianta culpar os outros. Que se não chegamos a lado nenhum na nossa vida é apenas e só porque não nos esforçámos os suficiente. Se calhar é isso que precisamos ouvir. Mas é mentira. E eu sou a favor da verdade. Mas ganha-se mais dinheiro a dizer mentiras.

É preciso empenho? É. Esforço? Sim. Trabalhar no duro? Claro! Mas não basta. E não basta porque não depende só de nós. Depende primeiro que tudo do sítio e das condições onde nascemos. Se temos boa orientação em casa. Se temos possibilidades para ir para uma boa escola. Se nos damos com os amigos certos. Se descobrimos os que gostamos realmente de fazer. Se o mercado tem espaço para nós. Se ganhámos a lotaria genética e com ela a capacidade de trabalhar 10x mais que a maioria. Se o nosso lado direito do cérebro funciona e nos dá a criatividade para nos destacarmos da maioria. Entre tantos outros constrangimentos que ditam o sucesso ou não de uma pessoa.

A premissa do que se batermos punho todos temos sucesso cai por terra na sua génese, no sentido em que se batêssemos todos punho em conjunto éramos todos geniais e como tal não tínhamos nada de diferente em relação aos outros e que nos fizesse destacar (chamo apenas à atenção que um homem que se prostitui a outros homens é, a meu ver, levar demasiado à letra o mote do Miguel Gonçalves).

Se trabalhar no duro, estudar, arriscar, criar, inovar ajuda a arrombar as portas do sucesso? Claro que sim. Mas pode não chegar, e não há problema nisso, é normal, é a vida. O sonho do meu irmão de ser dragão com fogo para assar castanhas, muito provavelmente não se vai concretizar. E isso é bom. Primeiro porque era parvo e segundo porque temos que continuar a ter sonhos que são e ficam apenas isso. Sonhos. Não interessa o punho que batermos, que nunca vão deixar de ser um sonho molhado. E sonhar é bom. Porque se acharmos que tudo é possível como nos sonhos, provavelmente nunca vamos acordar.
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