10 de fevereiro de 2014

Até bolsei ao ver isto



Bem, estava sem assunto para escrever e deparei-me com este vídeo. Parece que ir para a Casa dos Segredos é passaporte para ser ser cantor neste país. Desta vez é a Cátia, em registo pimba, a debitar diarreia auditiva sobre um suposto Homem da Bilha. Nem vou comentar o vídeo porque era demasiado fácil. Especialmente dos bailarinos efeminados que de tanta vergonha de estarem ali tiveram a boa ideia de usar máscara. 

Eu não tenho nada contra a Casa dos Segredos como programa de entretenimento. A premissa é gira. Vamos meter aqui pessoal com perfil que choca e comer pipocas a assistir. Não tenho nada contra. Entretém, disso não há dúvida. Principalmente porque só precisas dos olhos abertos para ver, o cérebro pode estar confortavelmente recostado a dormir uma sesta, e nos dias de hoje esses momentos são de apreciar. Acho que depois a magnitude que se dá a estas "estrelas" é que é desmesurada.

Ver o programa não tem mal nenhum, o problema não é quem vê. É quem compra as revistas, vai às discotecas porque eles estão lá, etc e tal. Ah e fãs que se juntam para dar dinheiro a esta gente é absolutamente ridículo. Já estou como o Zézé "E as criancinhas a morrer de fome pá?". Andar a pagar viagens a gajos que não fazem nenhum da vida, que choram porque realizaram o maior sonho da vida, que era aparecer na TV, fazer bicos na TV, andar a fornicar debaixo dos lençóis e depois dizer que não se passou nada. Ao menos com coragem catano. Canzana em cima da mesa da cozinha à luz do dia e ainda utilizar utensílios de culinária e tudo. Até porque quanto mais explícito for, menos vai passar na TV. Esta gente não percebe nada.

Como é que eles depois de mamar lá dentro mamam 3, 4 e 5 mil euros para fazer presenças em discotecas? Como é que isso compensa à discoteca? E o pior é que compensa. O pior é que eles têm retorno, muito, quando eles lá vão. Se não já tinham parado de o fazer. Quem é que no seu perfeito juízo diz "Bem vamos ao Dança no Esgoto ou à Danceteria Azeite hoje?", "Vamos antes ao Bimbalhostra que vai lá a Fanny fazer presença!". FODA-SE!!!! Esta gente existe aos milhares!!! E o voto deles vale o mesmo que o nosso! Assustador.

Eu acho que cabe  ao público decidir o que quer ver. Mas é triste. Por um lado gosto de ver pessoas com deficiências mentais a conseguir trabalhar em áreas que parecia impossível. Esta Cátia é um exemplo disso. A rapariga pode ser uma excelente pessoa, com um enorme coração, mas é atrasada mental. Reparem que não é "tem défice de aprendizagem", "tem falta de capacidade de concentração", é mesmo burra. Burra que nem uma bilha das antigas.

Custa-me descriminar com base na inteligência porque a meu ver é genética, com uma ajuda da parte envolvente. Mas acho mesmo que se Deus nosso senhor dos genes não te deu uma boa dose de neurónios não vais desenvolver por muito que vás à escola. E estou a falar de inteligência, não de cultura, isso é uma coisa diferente que nem sempre andam de mãos dadas. Conheço pessoas que sabem tudo, que lêem imenso (porque aparentemente ler é a única forma de obter cultura) mas que se lhes for pedido para deduzir, inferir ou raciocinar, está quieto ó pessoa de côr. Por tudo isto custa-me. Até porque conheço muita gente inteligente que valores morais tem poucos, e conheço outros que são o contrário. Por isso custa-me fazer pouco de pessoas cujo QI é menor do que o número do sapato que calçam. Mas pronto é fácil gozar com esta gente e é giro. Sinto-me mal durante 2 segundos depois passa.

"Ai ganhou a mulher de armas, é uma revolucionária". Minha gente, ir para a TV dizer que escancarou o pipi para 109 homens não é revolução, é ser-se badalhoca. Revolução era se os 109 fossem todos deputados e ministros e ela lhes tivesse passado uma doença venérea mortal. Ai sim, seria uma Che Guevara do chavascal. Agora assim é só badalhoca. Eu acho muito bem que as mulheres sejam sexualmente activas e livres. Vão para a cama com quantos quiserem! Mas ir dizer para a TV à boca cheia (boca cheia...) é ridículo. Se fosse um homem era ridículo na mesma. Depois queixam-se "Não encontro um homem que goste de mim como eu sou". Epá, normal. Ninguém quer um carro em 109ª mão. Normalmente as borrachas estão moídas, tem ferrugem e pinga do carburador. Isto para não falar da humidade entranhada que deixa um cheiro a mofo nos estofos de pele.

E pronto era isto. Espero ter ofendido várias pessoas. Gostava de ter pelo menos um comentário daqueles fãs que criam páginas de apoio e comentam todos os dias a dizer "És linda", "És uma grande mulher, o Diogo é um porco" e essas coisas do género. Se tiver um comentário desses dou-me como satisfeito. Vá, uma boa semana para todos.
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7 de fevereiro de 2014

Dia 3 anda à roda



Parece que vão mesmo sortear carros entre quem pedir facturas com NIF. É um pequeno passo para um dia sortearmos pessoas para sacrifícios humanos, à la Hunger GamesDiz que a medida pode render até 800 milhões ao Estado. Eu não acho mal. A nossa obrigação é pedir factura e muita gente se esquece e muitos se fazem de esquecidos na hora de a dar. Se vão sortear carros, que sorteiem mas que é um pouco ridículo é. É uma mezinha para um problema mais fundo. Ninguém ter quer trabalho a pedir e ninguém quer dar, para meter o máximo ao bolso, um exemplo que vem de cima.

Qual será a marca de carros? Ao menos que fosse uma Portuguesa... ah é verdade não há... Assim que marca vai ser escolhida? Serão de um stand de algum tio de algum ministro? Ou será alguma marca cujo representante em Portugal é amigo de algum deputado? Algo me diz que será uma das duas, mas isto sou eu, que gosto de dizer mal de tudo.

Apesar de gostar de medida, porque sou pelo entretenimento e parvoíce em tempo de desgraças, tenho algumas sugestões que poderiam tornar melhor esta iniciativa. Desde logo a transmissão do sorteio, que deveria ser em directo, em horário nobre na TV pública com a Manuela Ferreira Leite com um vestido decotado a fazer rodar a tômbola e a agarrar nas bolas numeradas de forma sensual. Ela já tem experiência em apertar as bolas aos portugueses por isso tem tudo para correr bem.

Fora o sorteio em si, tenho outras sugestões para prémios. Carros acho pouco, até porque depois falta o dinheiro para a gasolina. Para mim sorteavam-se mais coisas, como por exemplo:

  • Tubos de vaselina, para não custar tanto a enrabadela contínua que andamos todos a sofrer, sem sequer um miminho ou um jantar antes.
  • Podiam sortear empregos. Era mais giro. "E o senhor Zé, desempregado de longa duração, antigo maquinista da CP irá agora trabalhar como Relações Públicas da discoteca Pipis na Cova da Moura (esta discoteca existe mesmo!)
  • Podiam já agora sortear obras de arte do espólio nacional. As do Miró já não dá, mas de certeza que haverá outras como as caricaturas feitas em guardanapos na tasca do Quim em Penafiel. Não vale o mesmo, mas são mais giras certamente.
E pronto era isto. Acho que não se devem fazer as coisas pela metade. Ou bem que é para a palhaçada ou bem que não é. Ficar a meio não é bom em nenhuma ocasião, especialmente no sexo, e já que nos estão a foder ao menos que nos façam vir.
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Pode ficar com o troco Sr. Engenheiro



Dar gorjeta é uma parvoíce. Pelo menos em Portugal onde ninguém ganha baseado em gorjetas que eu saiba. Nos Estados Unidos o empregado tira o ordenado das gorjetas, por isso faz mais sentido que se dê. Não faz sentido que seja assim a meu ver, mas sendo, faz sentido que se dê, se o serviço foi bom. Mas e aqui porque damos gorjeta? Bem, a maioria das pessoas dá para não parecer forreta. Muita gente dá gorjeta e ganha menos do que a pessoa a quem está a dar o incentivo monetário pelo bom serviço, que no fundo não foi mais do que fazer o trabalho para que o contrataram. Dar gorjeta é dar desculpa aos patrões para pagarem menos. Eu quase nunca dou gorjeta. Quando dou é porque não me apetece estar à espera do troco e são só 20 cêntimos, ou quando o empregado fez alguma coisa fora do seu âmbito de trabalho. Também dou gorjeta no táxi se estiver já meio alcoolizado. Sou um mãos largas quando estou bêbedo e o taxista mereceu os 50 cêntimos por me ter aturado na discussão filosófica do Cais do Sodré até à Buraca

Nunca ninguém se virou para mim e disse "Sr. Engenheiro, aqui está uma gorjeta por ter sido tão espectacular!". E eu às vezes bem que mereci... nem que fosse pelas horas extras. Mas isso é outra conversa. Por isso, acho que dar gorjeta é descriminar, porque só se dá gorjeta a trabalhos que consideramos inferiores, ou pelo menos, mal pagos. E isso é mentira. Hoje em dia um canalizador, um electricista ou um taxista por conta própria ganham mais que muitos médicos, engenheiros e advogados.

Depois há aqueles empregados que têm técnicas para conseguir a gorjeta. A primeira de todas é demorar a trazer o troco. A segunda é trazer o troco no maior número possível de moedas pequenas. A terceira e mais irritante é serem demasiado demasiado simpáticos? "Está tudo do seu agrado?", "Precisa de mais alguma coisa?" 5 vezes durante o jantar com um sorriso forçado na cara. Deve haver desses genuínos mas a maioria é caça à gorjeta e isso acho que ainda é pior do que os que não são simpáticos.

Há ainda uma outra técnica refinada de obter a gorjeta à força que é colocar na conta as entradas (ou couverts, como se diz em mariquês) todas possíveis e imaginárias que vieram para a mesa e ninguém tocou, ou que nem chegaram a vir. Uma vez, num restaurante do Bairro Alto veio na conta uma entrada de presunto, de 5€, que nunca a vimos ou cheirámos. Quando eu perguntei o que era aquilo o empregado disse-me:

"Ai não pediram? É que toda a gente pede então pomos sempre na conta e se o cliente não tiver pedido diz para retirar"

Isto é verídico! O tentar fazer de mim burro foi ainda pior do que o tentar levar-me 5€ à socapa. Gerou-se uma discussão bem gira depois disso e nunca mais lá fui. Por isso e porque a comida era uma merda.

Há outra história gira, que calculo que seja única no mundo. Num aniversário meu, num restaurante onde vou regularmente perto de minha casa, depois de comermos e bebermos que nem um porco temperado em vinha de alhos, o senhor pede 11€ por cabeça, salvo seja. É daqueles que olha para a mesa diz "Bem 9 x 3, fora 8, coiso e tal". Não há cá facturinhas maricas para ninguém. 11€ pareceu-nos pouco por tudo e então sugerimos pagar 15€. O senhor não aceitou e chegámos ao meio termo de 13€. Foi a primeira vez que o cliente regateou para cima. Mas era o mais justo.

Se eu tivesse um trabalho em que se recebe gorjetas iria pensar de forma diferente provavelmente. Mas não tenho. Por isso deixem lá as gorjetas e dêem a quem precisa mais delas. Bem basta as gorjetas chorudas que damos aos políticos, disfarçadas de ajudas de custo e aos gestores públicos como prémios de produtividade.
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6 de fevereiro de 2014

O meu melhor amigo está no céu



Chamava-se Zen e tinha na alma a calma e pachorrência de quem não guarda rancores. Gostava de brincar a que horas fosse, se fosse desafiado para isso. Gostava de dormir, de passear, de mimos e de maçãs. Tinha quase 6 anos quando adormeceu pela última vez à força de químicos injectados na veia. Sem dor partiu mas ficou a dor para os outros, para eu digerir.

Já foi há quase 4 anos, dia 19 de Março, dia do pai, um dia a seguir aos meus anos que fiquei sem o meu melhor amigo. Sem o meu companheiro dos dias. Sem ouvir o seu ressonar à noite a ecoar nas paredes do meu quarto ou da cozinha, quando estava mais calor. Sem alguém que vá a correr para a porta sempre que eu entro em casa, com uma alegria desmedida, fosse a minha ausência de 5 minutos ou 5 dias. Sem alguém que fosse apanhar os bocados de comida do chão que caíam enquanto eu estava a preparar o jantar, ou o lanche. Sem alguém que viesse ter comigo e fazer-me sentir que fosse qual fosse o problema tudo iria ficar bem.

Desde que me lembro de ser gente que me lembro de querer um cão. No meu diário quando tinha 12 anos escrevi "O meu maior sonho era ter um cão ou ter os poderes do Songoku" e isto diz muito sobre o quanto eu queria ter um cão, porque ter os poderes do Songoku era do catano. Mas os meus pais nunca foram na conversa durante anos, até que, sem saberem como, já com mais de 20 lhes dei a volta. Apaixonaram-se por ele no momento em que o viram. Os xixis ocasionais no tapete do corredor, os chinelos roídos e os pelos no sofá deixaram de ser problema. Era mais um lá em casa que sujava.

Era o melhor cão do mundo e eu tentei ser o melhor dono possível, e acho que fui. Passei os últimos 3 meses da vida dele a dar-lhe comida à boca, a comprar toda a comida possível para lhe despertar o apetite, a cozinhar para ele. A dar-lhe antibióticos de 4 em 4 horas, todos os dias na esperança, que era pouca, que ele melhorasse e não se fosse. Apesar dessa dedicação lhe ter dado mais 2 meses do que o prognóstico inicial, acabou por ir. Vi-lhe os olhos a fechar e o corpo a abater-se quando se lhe entrou o líquido da seringa. A médica disse que era melhor eu não estar presente, mas eu estive. Ele merecia isso. Merecia que eu fosse a última coisa que ele visse, que estivesse calmo antes de lhe darem o sedativo. Merecia que eu lhe desse uma festa e dissesse que ia correr tudo, que depois disso já não ia sofrer a tentar respirar, porque já não ia precisar de o fazer.

São poucas as pessoas que amei mais do que amei o meu cão. Mais que muita gente que é ligada a mim por sangue. Quando ele já estava muito doente, a minha mãe ligou-me quando eu estava fora de casa. Eu atendo e vejo na voz dela que algo não estava bem, pensei que tivesse chegado o dia, mas não. Era um tio meu que tinha morrido de ataque cardíaco. Quis ficar triste mas não consegui. O alívio de não ter sido o Zen a morrer foi maior.

Quem não tem, ou nunca teve provavelmente não compreende. Não consegue conceber como se consegue gostar tanto de um animal, que para mim era uma pessoa. Não tenho filhos, mas gostava dele como se fosse um. E quem diz que não se deve comparar que vá à merda, porque eu trocava o teu filho por o meu cão sem pensar 1 vez. Saber que há pessoas capazes de abandonar um cão, ou de o mal tratar de outras formas, faz-me querer estar com elas cara-a-cara numa sala fechada onde as leis não se aplicam. Deviam ser abatidas mas sem a bondade de uma morte calma e indolor como foi a do Zen.

Quando foi operado da primeira vez, ainda novo, ficou sem me "falar" 2 dias. Sem aceitar biscoitos da minha mão, sem querer festas, sem dormir no meu quarto. Depois perdoou tudo. 2 dias foram o suficiente para esquecer o sofrimento horrível que passou sem compreender nada. 2 dias bastaram para me perdoar na culpa que não tinha, mas que ele não sabia. 2 dias para voltar a amar incondicionalmente e sem remorsos, sem ressentimento. Só um cão consegue fazer isso.

Sempre pensei que o pior que podia acontecer era ter que se decidir quando abater um cão. Talvez pela palavra abater, que é horrível. Talvez por me ter morrido antes um, com 5 meses, no colo, de repente. Sempre achei que era pior ter que se decidir por fim à vida do nosso melhor amigo quando ele ainda dá sinais de dela e de alegria ocasional. Quando por muito mal que esteja haja sempre esperança de recuperar. Mas não foi difícil. Foi fácil. Foi perceber que era egoísmo ele continuar vivo. Na noite dos meus anos decidi que de manhã iria dar-lhe paz. Ele sempre me apaziguou e acalmou, sempre me tirou a depressão ao deixar fazer-lhe uma festa no focinho enrugado, e eu, como melhor amigo dele, tive que o deixar ir. Foi fácil. O difícil é lembrar-me dele todos os dias e saber que nunca mais o vou ver. Porque o céu onde ele está não existe, só existe onde ele deitava a cabeça para dormir. No meu peito.

P.S. - Não se assustem que isto não se vai tornar um blogue sério e lamechas! Não tarda já levam com um texto parvo, como é hábito.
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5 de fevereiro de 2014

Estranho num funeral



Não sou adepto de funerais. Não puxam por mim. Só fui a dois até hoje, e nenhum deles era de pessoas próximas. As poucas pessoas próximas que morreram optei por não ir. Não concordo com o negócio da morte e o espectáculo triste que se monta à volta. Prefiro ficar com a última imagem da pessoa em vida. Não preciso de um funeral para fechar o assunto, mas compreendo quem precise. Um fui por vontade própria para dar apoio a um amigo meu que tinha perdido o pai. Fui por ele apenas, porque achei que o meu apoio era importante. Outro fui apanhado na curva. Tive que a ir a um funeral do avô de uma ex-namorada minha. Lá tive eu que ir ao funeral do velho que não conhecia de lado nenhum e que reza a lenda só passou a ser boa pessoa depois de morrer.

Ninguém diz "A última vez que vi o António foi no caixão, mesmo antes de enterrar". Ninguém diz isto e era verdade para muita gente. Muita gente diz "ainda a semana passada estive com ele". E então? Que interessa isso? Era suposto que esse facto lhe tivesse curado o cancro? Ou que não viesse um comboio e o colhesse só porque o tinhas visto há 7 dias? Há pessoas egocêntricas.

Ir a um funeral de uma pessoa cuja morte te é indiferente é complicado. É complicado porque não te podes rir. Ninguém vai interpretar o riso de um estranho num funeral de uma forma leve e descontraída como quando um dos familiares próximos se começa a rir de forma incontrolável por descargo de stress ou por outra razão, como tantas vezes acontece. E o pior é que na minha cabeça começam a passar uma vasta panóplia de piadas de mau gosto que não posso contar a ninguém. Mas ficam na minha cabeça e começam a ter cada vez mais piada e eu tenho que me controlar para não rir. Humor "negro" é a minha "praia" ("negro" das capas do traje e "praia" do Meco), e porem-me num funeral de alguém que não conheço é como meterem uma criancinha de fralda tanga à frente de um padre.

A propósito de funerais, a minha namorada trabalha num lar e então tem que ir a vários enterros e velórios e essas coisas giras. Não tem que ir mas fica bem, apesar de ser um cliente que nunca mais se vai fidelizar. E uma vez foi a um errado e começou a achar estranho quando toda a gente a olhava de lado e não via ninguém conhecido. Claramente que estavam a pensar que seria a amante ou uma filha bastarda que estava ali para reclamar a sua parte da herança. Mas segundo ela "oh isso foi só uma vez, já fui a muitos que correram bem".

E pronto é isto que tinha para vos contar hoje. Bem sei que já foram a funerais mais divertidos do que este post mas a inspiração é como o período para quem pratica coito interrompido. Há vezes que não vem.
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4 de fevereiro de 2014

Licenciaturas de curta duração



Pois é, está na ordem do dia a nova medida que o governo quer tomar: A criação de cursos superiores de curta duração, ou como são tecnicamente denominados "Licenciaturas-Relvas".

Não tenho grande opinião sobre o assunto. Pode correr bem, pode correr mal. Acho já há muito tempo que muitas das licenciaturas convencionais são uma perda de tempo. Há matéria a mais, teoria a mais e prática a menos. São poucos os cursos que nos preparam realmente para o mercado de trabalho, por isso uma coisa curta e mais profissionalizada pode não ser mau (isto é o que dizem muitos gajos com complexo de pila pequena). Mas também pode ser uma merda. Como disse não tenho grande opinião sobre o assunto, só estou a escrever sobre isto porque me lembrei do Relvas mal li a notícia. Do Sócrates também, mas mais do Relvas.

Por exemplo eu tirei o curso de Engenharia Informática no Instituto Superior Técnico (para quem não conhece é assim uma espécie de Hell's Kitchen das Universidades) e fui trabalhar para consultoria, onde talvez 90% do pessoal vai parar. Tive alguma cadeira de consultoria? De bases? De como falar com clientes? De como gerir prioridades, prazos, das várias áreas que existem dentro da consultoria? Nada. Nicles. Se tive foi daquelas a que não fui, que só apareci no exame e já nem me lembro do que se tratava. É possível, não digo que não, mas duvido. Se tirassem a matéria de encher chouriços do meu curso ficava provavelmente com 2 anos, ou 5 matrículas, aplicando o factor de proporcionalidade de aproveitamento do IST.

Bem, voltando à notícia. Estes cursos vão servir provavelmente para quem as tirar ser desvalorizado no mercado de trabalho e como tem uma "meia-licenciatura" lhe pagarem menos, apesar de poder saber mais. Isto sou eu a dar uma de Maya e prever o futuro, mas cheira-me que vai acontecer. Antigamente quem não tinha curso não arranjava trabalho, hoje em dia quem tem curso omite-o do CV para conseguir trabalhar no McDonalds ou no IKEA. Por isso a "meia-licenciatura" pode ser o meio termo que andávamos à procura.

Já que estamos nesta de licenciaturas quero só dizer que quem vai tirar o curso de Antropologia ou Sociologia e não consegue depois trabalhar na área só têm a eles para culpar. O meu irmão também queria ser Dragão com fogo para assar castanhas mas com a falta de procura acabou por mudar de ideias. "Ai mas deviam reduzir as vagas consoante a procura!". Não sei se concordo. Depois para tirar um determinado curso que só tem 5 vagas a média ia subir estupidamente, e como se vê no caso da Medicina, nem sempre são os melhores alunos que têm mais vocação. Há marrões com média de 19 que são umas abéculas (o meu corrector não reconhece a palavra abéculas...) a lidar com pessoas, e chamem-me picuinhas mas acho que essa é uma característica essencial num bom médico. Mas isto dava pano para mangas e hoje estou de colete.

Portanto, em jeito de conclusão, deixem ver no que isto vai dar. Se calhar até corre bem. Eu já estou naquela fase que é deixar experimentar. Já que eles estão numa de jogar SimCity sem fazer SaveGame é deixá-los andar até isto rebentar (No Dubai joga-se com cheats e assim nem tem piada). Até lá vamos vendo, opinando e tendo assunto para falar no café com os amigos em dias que não houve jogo de futebol nem está a dar a Casa dos Segredos.

Adeus um bem haja, até logo e, para quem está na faculdade, estudem muito para os exames. Mas também se chumbarem não se preocupem, porque ganham currículo para chegar a Dux.
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