30 de abril de 2014

Profissões que hoje em dia têm nomes parvos



Bom dia a todos. O dia está a ser bom ou estão de mau humor matinal como eu? Vamos então descarregá-lo. Já repararam nos eufemismos que se utilizam hoje em dia? Já não bastava os do costume como "forte" em vez de "gordo", e o "pessoa de cor" em vez de "preto", agora a moda pegou nas profissões. E nem estou tanto a falar tanto dos estrangeirismos, é mesmo da mudança de nomes para coisas mais pomposas, como se tendo o nome que tinham antes não fossem dignas. Aliás, quem inventou esta moda é quem descrimina e realmente acha que essas profissões têm menos valor. Se não vejamos alguns exemplos:
  • Técnica administrativa empresarial - Secretária.
  • Operador de marketing telefónico - Gajo do Call Center
  • Designer de Cabelos - Cabeleireiro
  • Operacional de Reciclagem - Homem do Lixo
  • Consultor de melhoria da experiência do cliente - Gajo das informações
  • Mãe a tempo inteiroDoméstica
  • Comissário/Hospedeira de bordo - Empregados de mesa
  • Em busca de novos desafiosDesempregado
Isto é uma palhaçada ou não é? Aliás, isto é humor teatral e circense ou quê? "Ai eu sou técnica administrativa empresarial". Não minha menina, tu és uma secretária e não há mal nenhum nisso, mas ao usares esse nome parece-me que tens complexos e assim sim, dou-te menos valor. A esta coisa junta-se a mania de chamar Doutor a quem não é. Mesmo a quem é já é uma tristeza, agora a quem não é, ainda se torna mais ridículo. Aliás quem se apresenta aos outros com Doutor antes do nome é normalmente parvo. Já trabalhei num banco que nos tratavam quase pelo número de trabalhador, como se faz na prisão, mas quando a CEO lá aparecia era "Ui vem ai a Engenheira". Eu também sou Engenheiro, Sr. Mestre Engenheiro faz favor, e nunca ninguém me chamou isso no trabalho. E ainda bem, porque é estúpido.

Como gosto sempre de dar o meu contributo para esta sociedade em evolução, deixo aqui algumas sugestões para profissões que ainda não sofreram essa remodelação de marca:
  • Canalizador - Consultor de águas e resíduos canalizados
  • Gajo da bomba de gasolina - Engenheiro de transferência de combustível
  • Ginecologista - Inspector oficial de zonas (curiosamente há outra palavra que rima que também se aplicava)
  • Taxista - Técnico de transporte de passageiros em veículo ligeiro
  • Talhante - Engenheiro Físico vertente corte de tecido animal
  • Peixeira - Consultora de venda pós-pesca
  • Deputado - Consultor em filha-da-putice
  • Primeiro-Ministro - Técnico de relações públicas de aldrabice
Se tiverem mais sugestões não se coíbam de as espetar nos comentários. Nunca se coíbam de espetar, já dizia o meu avô. Obrigado e bom dia.
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29 de abril de 2014

#SOMOSTODOSMACACOS, uns mais que outros



Olá bom dia. Anda um cheirinho a racismo no ar. Mas no tempo do Ku Klux Klan era mais agradável porque normalmente era cheiro a churrasco. Foi aquele vídeo do jogador do Barcelona Dani Alves, em que lhe atiraram uma banana e ele respondeu apanhando-a do relvado e comendo-a. Uma resposta genial ao atrasado mental que o tratou como um macaco no Zoo. Ou será que não foi antes um adepto mal compreendido e que só quis ajudar, sabendo que a banana é rica em potássio e que portanto ajuda a evitar cãibras? E terá o Daniel Alves comido para passar por cima desse insulto ou nem o percebeu e comeu a banana porque percebe de nutrição desportiva e/ou estava com larica? São questões que nunca serão esclarecidas. Mas apontemos para o facto de ter sido um insulto racista, que é a mais provável e também o que me dá mais jeito. Agora anda uma onda de solidariedade chamada #somostodosmacacos, em que caras conhecidas ou não, publicam fotos com bananas na mão. Como podem ver até o nosso presidente aderiu ao movimento. Não me surpreende, já que macacadas é com ele. Eu acho que o pessoal que não acredita na teoria da evolução de Darwin é o que vai ficar mais ofendido. Por acaso o termo correcto seria #somostodoschimpanzes, os macacos são de um ramo evolucional diferente, mas pronto isto sou eu a ser piquinhas. Eu só pergunto se em vez de um insulto racista tivesse sido um insulto homofóbio e em vez de uma banana lhe tivessem atirado um dildo grandão, como é que ele se tinha safado dessa. Tinha mais opções é certo.

É também notícia que o Nelson Évora foi barrado na discoteca Urban Beach, em Lisboa, com um grupo de amigos, na sua maioria desportistas que representam as cores de Portugal, como o Obikwelu, Naide Gomes, etc. O segurança terá dito "Demasiados pretos no grupo!". Os porteiros de discotecas não são conhecidos pela inteligência nem subtileza no trato e este só veio provar que o Gervásio lhe ganha aos pontos num teste de QI. Mas se calhar, mais uma vez, houve uma falha de comunicação e pode ter sido apenas uma questão de estética, visto o preto destoar com os tons creme com que o Urban Beach está decorado e já se sabe que os epilépticos não se dão bem com contrastes fortes. O segurança estava apenas a zelar pela integridade física dos clientes. As únicas pessoas que têm o direito de proferir um comentário do género "uí, tanto pretos no grupo" são aquelas actrizes de cinema alternativo que têm que servir de boneca de trapos para um grupo de jovens africanos. Até fica bem no guião.

Tinha acontecido uma do género há uns anos com o antigo jogador do Benfica Miguel. Foi barrado numa discoteca da margem sul com um grupo de amigos, alegadamente também por motivos raciais. O Miguel para mostrar que o porteiro não tinha razão foi buscar uns amigos ao bairro e dispararam 2 ou 3 tiros à porta. Nesse caso parece-me que não foi a cor da pele a razão mas sim o comportamento Neanderthal-ó-Arruaceiro, característica de muitos pretos, brancos, ou qualquer outro tom de pele. Uns evoluíram mas muitos não. A prova está na Assembleia da República. Piada fácil mas ainda assim muito bem metida.

Eu até acho piada a muito humor racial. Dave Chappelle é um génio da comédia, embora se fosse branco, seria certamente crucificado com 90% das piadas que faz. Mas agora trazer o racismo para a vida real, em pleno século XXI, num país que até é bastante liberal com essas coisas é só estúpido. É coisa que se espera de um militante do PNR, porque desses já ninguém espera coisas boas. Eu que vivo na Buraca, que sofri racismo por ser branco na escola, que fui assaltado inúmeras vezes quando era puto, tenho a inteligência suficiente para ver que o problema é social e económico e não de decoração de exteriores. Aliás a maior piada disto tudo é que esse comportamento discriminatório é típico de algumas raças de macacos, portanto, ao chamar símio a outra pessoa só por causa da cor da pele revela-se o verdadeiro saguim, que para quem não sabe é um primata pequeno, com ar ridículo e cobardolas. E cheira a cocó.
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28 de abril de 2014

Coisas de um casamento



O fim de semana foi bom? Eu tive um casamento na sexta, dia da liberdade ironicamente, e depois os outros dois dias foram de molho que a idade já pesa. Os casamentos são giros, excepto a parte da Igreja. Como era o casamento de um grande amigo fiz o favor de não ficar à porta. Durou mais de uma hora e só Deus sabe o esforço que fiz para ouvir o padre a falar durante tanto tempo, mesmo que intervalado com músicas do senhor cantadas por rapazes imberbes e raparigas de buço. Estava longe para ver tanto detalhe mas é como os imagino. Ver um padre a dar conselhos sobre o casamento e de como manter uma relação feliz, é equivalente a ver um cego a fazer as crónicas dos mais bem vestidos da passadeira vermelha dos Óscares, enquanto diz qual dos filmes deve receber o prémio para melhores efeitos visuais. Mas a bom ver os padres são casados com Deus e não há gajo mais conflituoso que o Senhor, por isso se calhar até sabe do que fala. 

Iniciou a cerimónia com algo deste género, "Temos aqui a noiva tão bonita e o noivo... com umas flores no bolso", referiu ele num apontamento de quem diz "mariquices na igreja é que não!". Foi também a primeira vez que vi um padre a fazer uma metáfora elaborada sobre sexo: "Tendes que tirar pelo menos 15 minutos todos os dias para namorar", disse ele com um sorriso maroto. Depois de acabar a analogia sexual que durou ela também 15 minutos disse "A noiva agora pode ajoelhar-se". Pensei que fosse algum tipo de dicas mais práticas, mas afinal era outra parte já. Eu estava esperançado que ele terminasse a cerimónia com um "Declaro-vos marido e mulher, de hoje em diante já podeis foder". Mas não. Senti-me desiludido.

Chegada a hora de sair da Igreja, a tradicional atira do arroz. Acho que se devia inovar, está na altura de outro hidrato de carbono receber a mesma atenção. Proponho para a próxima um fusilli integral, uma batata doce, ou até mesmo uns flocos de veia com mel. Eu por acaso tinha cozido esparguete para levar e atirar, só para ver se esta moda pega, literalmente, mas esqueci-me num tupperware em casa. Desperdício de comida com tanta gente a morrer à fome, mas estando nós à porta de um Igreja até é coerente.

E pronto, chegou então a altura de ir para o copo de água, altura de confraternizar, ver o noivo a receber os pêsames de mais de 30  gajos que pensavam que estavam a ser originais e de tirar as fotografias da praxe. Aqui fica o meu bem haja ao fotógrafo que era uma personagem, no melhor sentido da palavra. Pouco chato, o que não é costume e juntava às habilidades fotográficas as de entertainer. E não estou a ser irónico, era mesmo um porreiro. Dizia coisas como "Vá envolvam-se mais" ou um ainda "Tens que sorrir mais para a frente". Muito bom. Posto isto foi hora de ir para dentro e celebrar a união de duas pessoas amigas a comer e beber até o corpo dar sinais de alarme.

Coisas que há em todos os casamentos:
  • A mesa dos bêbedos. Há sempre uma mesa que faz a festa sozinha e que, invariavelmente é a onde eu me encontro. Uma mesa que já trata os empregados por tu, sabe de onde eles são e conhece alguém da terra deles.
  • Aquela família que mesmo separados se percebe que são parentes pela falta de gosto de toda a indumentária. Normalmente o pai parece um talhante de fato, a mulher uma peixeira enrolada num cortinado e os dois filhos, um pouco obesos, saídos de uma série infantil mexicana dos anos 80/90.
  • Mulheres a trocarem os saltos altos por chanatas assim que o pessoal já está bêbedo não repara na elegância das mulheres. Antes disso foram horas de sofrimento, com sapatos de uma altura digna de um acrobata do Circo Chen, enquanto refilam que a calçada não foi  bem feita.
  • Ao fim um grupo de gajos de volta do bar a pedir umas garrafas para facilitar o trabalho ao empregado. Invariavelmente também estou neste grupo.
  • No fim, os noivos com ar cansados e com cara de que não vai haver núpcias para ninguém.
Foi um casamento muito fofo e só espero que o divórcio seja tão ou mais alegre. Um grande viva aos noivos e que estejam juntos e, sobretudo felizes, até que a morte os separe. E que essa morte apanhe trânsito na 2ª circular em hora de ponta e chegue o mais atrasada possível!
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100º Post... OBRIGADO!



Pois é, esta imagem toda mariconça serve para assinalar o meu texto número 100 neste singelo e humilde blogue. Como tal, achei que era boa altura para agradecer a todos os que têm acompanhado, partilhado e comentado este meu hobbie de escrever umas parvoíces diariamente. Eu não escrevo com o objectivo de outros gostarem nem é o número de visualizações que me move. Escrevo para mim, o que me faz me faz rir, ou pensar, ou as duas coisas ao mesmo tempo que é sempre bom. Mas ver que essas coisas também são interessantes para outros é um orgulho e uma satisfação que só me faz continuar. Com quase uma média de 1000 visualizações por dia, desde que comecei a escrever, este já é provavelmente o maior blogue feito por alguém do meu prédio, e talvez da Buraca toda, agora que o Bruno Nogueira já não mora cá. O que é sempre um orgulho. Espero conseguir manter o ritmo na escrita, coisa que se vai afigurar complicada agora que a carga de trabalho vai aumentar devido a provavelmente ter que deixar de ser desempregado por conta própria. Um gajo tem que comer e os 5€ que faço em publicidade do blogue por mês não me dá para manter o físico esbelto que possuo. Por isso, se a assiduidade da escrita diminuir a culpa é do capitalismo. A qualidade irei tentar mantê-la, até porque diminuir é complicado. Aumentar também, mas por razões diferentes.

Já que aqui estamos, aproveito para vos pedir um favor. Devido ao pessoal que manda no Facebook ser uma cambada de chulos e que, cada post que coloco só chega a 5% dos 1200 seguidores, já que para alcançar mais querem que desembolse dinheiro, para o Mark Zuckerberg poder usufruir de companhia feminina de alto gabarito, pedia-vos para fazerem a subscrição das notificações, para assim saberem sempre quando coloco uma nova posta de pescada. Não sou daqueles que põe 300 mil actualizações por dia, a avisar que vou fazer um excelso cocó, por isso não vos chateia muito e é uma forma de ajudar esta brincadeira a crescer. Um género de festinha por cima das calças. É só ir à página de Facebook e clicar no "A seguir" e depois deixar o rato sobre o "Gostei" e clicar no "Receber notificações". Pode ser? Eu depois consigo ver quem o fez e envio em cafuné por mensagem privada.




Já agora, para quem se juntou há pouco tempo à lista de soberbos seguidores, ficam aqui os 10 textos mais lidos desde que há memória, para ler ou reler:
Espero que continuem a seguir e a gostar. Comentem quando gostarem e chamem-me nomes caso se sintam ofendidos, porque isso dá-me igual ou mais prazer. E pronto, é isto. Mais logo já voltamos a falar. Abraço católico sem encostar para os meninos, e beijinhos para as meninas, ou se quiserem trocar estão à vontade, não sou um gajo esquisito. Obrigadinho, sim?
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25 de abril de 2014

25 de Abril, celebrar ou reivindicar a democracia?



Pois é, parece que é 25 de Abril, dia da Revolução e de todas essas coisas bonitas. Hoje tenho um casamento de um amigo. Contrair matrimónio no dia da liberdade é bastante irónico. Estou com um bocado de pressa porque quero ver se me embebedo antes de ir para a Igreja, caso contrário não há paciência para ouvir o padre. Vamos então a isto que vai ser breve.

Hoje é dia de relembrar a crise com a nostalagia dos anos 70. De relembrar as promessas de Abril que nos foram roubadas sem nos lembrarmos que essas promessas eram fruto da imaginação de um povo em euforia. A crise é chata. É terrível para muita gente. Dá fome e miséria a muitos que nunca pensaram tê-la e aos outros que já lá estavam tira-lhes o sonho de lá saírem. Rouba a liberdade porque se passa a ser escravo das necessidades do dia a dia que não se conseguem subjugar. É por isso, um dia simbólico para manifestações e críticas à (des)governação do país. É triste que assim seja, mas é no que se tornou o 25 de Abril nos últimos anos.

Mas hoje, mais que reivindicar, deveria ser dia de relembrar aqueles que se revoltaram antes de nós, e por nós. Que conspiraram nas costas de uma ditadura e contribuíram para a mandar para o caralho. Aqueles que souberam dizer não à repressão e à censura e não se conformaram com o "vamos andando" e "é a vida". Aqueles que tiraram as ideias da gaveta e fizeram-nas marchar, numa marcha pacífica e organizada, com Zeca Afonso e Paulo de Carvalho em banda sonora. Aos que permitiram que hoje eu esteja aqui a escrever, e tu a ler, sem teres um gajo da PIDE ao lado a esborratar-te o ecrã com um marcador azul daqueles que depois nem com álcool sai a bodega.

Quando oiço pessoal a dizer que faz falta é um Salazar e que ele é que punha as contas em dia, dá-me uma volta do estômago. Principalmente porque normalmente é um taxista e andar de carro a pendura dá-me náuseas. Claro que havia gente que vivia melhor nessa época do que agora. Os que não pisavam o risco, não tinham ideias próprias e diziam que sim a tudo viviam melhor, principalmente porque não sabiam o quão melhor podiam estar. Por isso ou por não terem inteligência para ambicionar exercer o livre arbítrio sem censura e repressão. Para quem não valoriza a liberdade de opinião a vida era melhor com o Dr. Salazar. Mas quem não valoriza essa coisa chamada liberdade não merece opinar. A empobrecer um povo à força do conformismo, da proibição e punição, também o meu avô acamado metia as contas em dia do País. Bendito caruncho que lhe roeu a perna da cadeira e o fez dar de cornos na laje. Pena não ter dado com o mindinho do pé descalço num móvel, enquanto pisava uma peça de lego, se entalava na braguilha e queimava a língua com um chá de estriquinina.

Por isso e apesar de tudo, hoje é dia para se celebrar. A crise magoa, especialmente no rabo, porque com a fome emagrece-se e ao sentar bate-se com o osso na madeira. Mas a ditadura deve doer dentro da alma. Ser escravo do trabalho deve ser menos mau do que ser escravo das ideias que não podemos dizer, nem quase pensar, porque nos amarram a imaginação num totalitarismo de algemas invisíveis. Hoje é dia de exaltar o que temos, o que conquistámos há 40 anos. Ou o que outros conquistaram porque eu não tive nada a ver com isso. É dia de dar valor e irmos para a rua celebrar num ajuntamento que nos é agora permitido. Deixem as manifestações e reivindicações para os outros 364 dias do ano, porque hoje até é falta de respeito sobrepor as nossas queixas aos feitos heróicos de quem tinha muito menos do que nós temos agora.
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24 de abril de 2014

Porto, a (2ª) cidade mais bonita de Portugal



Deixo aqui a minha crítica honesta à cidade que viu nascer Jorge Nuno Pinto da Costa, um dos meus maiores ídolos (em termos de corrupção). 

O Porto é uma cidade do cara...go! Tinha ido lá há pouco tempo mas sem disponibilidade para visitar. Das outras vezes era petiz e não me lembrava de grande coisa. Já sabia que ia gostar, mas ainda assim fiquei surpreendido. Tem um carisma único e está a passar por uma fase de reabilitação que lhe dará ainda mais vida e personalidade. Deixo algumas dicas sobre o que fazer quando visitarem o Porto. Um género de roteiro turístico, como se fazem em conceituados blogues de viagens, mas em bom e sem ninguém me ter pago nada para dizer bem. O texto parece grande mas a culpa é das fotos que, (com excepção das duas primeiras) são da minha autoria o que só engrandece a qualidade deste texto. Ou não.


Comer uma francesinha. A francesinha é uma espécie de AVC dentro de um pão regado com um molho secreto. É bom? É! É espetacular? Mais ou menos. Quando o molho é bom a francesinha é boa, caso contrário o prato torna-se uma treta porque não há centímetro cúbico que não esteja empapado na molhanga. Mas sem dúvida que vale a pena experimentar e repetir.



Ir à torre dos Clérigos. Data de meados do Séc. XVIII e é o monumento mais emblemático do Porto. Uma afirmação fálica da Igreja Católica que se ergue pujante e hirto no centro da cidade. É bem fofa, tem 240 degraus para subir, mas quando se lá chega a cima a vista é de tirar o fôlego. O que é chato porque já vamos esbaforidos de tanta escada e acaba por ser difícil respirar.



Teleférico de Gaia. É giro sim senhor, tem uma boa vista, perdoem-me os Gaienses, embora não tenha visto muito de Gaia, pareceu-me que o ponto mais forte da cidade é a vista que tem para o Porto. Um género de Almada do Norte.

Andar de barco no Douro. Já visitámos por cima, agora vamos por baixo, que é como qualquer relação sexual bem efectuada deve ser. Por apenas 10€ podem dar uma voltinha de barco. O capitão anunciou nos altifalantes "Preparem-se para uma experiência inesquecível". Acho que exagerou. Não soube gerir as minhas expectativas, ainda nem 3 dias passaram e não fossem as fotos já nem me lembrava que lá tinha estado. Mas vale a pena sim senhor.


Prova de vinhos. Ir às caves do vinho do Porto emborcar vinhaça é essencial. Eu fui, não porque sou fino, mas porque me deram uns vouchers em que podia experimentar 4 vinhos à borla. Como bom português, tudo o que é de borla é para ir. Fui duas vezes e provei os mesmos vinhos. Levei bigode da segunda vez para não desconfiarem. Aconselho o Porto Rosé. Sim é um bocado maricas mas é bem bom (aposto que esta frase já foi dita noutros contextos).



Ver Igrejas. Sou sadomasoquista e gosto de ir a Igrejas para sentir aquelas borboletas no estômago de estar a apreciar obras de arte construídas com o dinheiro dos pobres e o suor dos escravos. São bonitas sim senhor, mas se um gajo vai a pensar bem nas coisas mete um bocado de nojo.



Café Majestic. Café icónico da cidade, na rua de Santa Catarina, que existe desde 1921 e que é também conhecido por assaltar a carteira dos clientes cobrando 2.5€ por um café. Mas vem com um chocolatinho o que não é mau. É ir, só para dizer que lá se foi, pelo interior vale a pena.



Ir às muralhas ver a vista. Mais um local agradável para apreciar a bela paisagem. Aqui vi uma senhora maravilhada com um laranjal que lá havia. O rio, a ponte, as casas pitorescas recortadas por escadas irregulares, as muralhas com a Catedral em pano de fundo era tudo secundário para esta senhora, fetichista de laranjais. O escorbuto não a apanha de certeza.



Avenida dos Aliados. A maior artéria da cidade, cheia de edifícios de meter inveja a muitas criações arquitectónicas das maiores cidades europeias. É também o local onde os adeptos do Futebol Clube do Porto festejam as vitórias do seu clube. Não vou fazer piadas sobre isso porque sou do Sporting e não tenho muito para festejar. De realçar as estátuas de meninos desnudos, com os pinduricalhos à mostra a roçarem-se em cachos de uva com ar de safados. Não sei o significado mas coisa boa não deve ser.




Ir à Ribeira. A Ribeira do Porto está cheia de vida, cheia de cafés e restaurantes com bom aspecto. E a julgar pelo preço devem ser bons... Mas vale muito a pena, nem que seja para ir passear, apanhar ar e ver a vista, seja de dia ou de noite.


A Ribeira tem também uma zona que só é gira porque tem o enquadramento do rio e das muralhas.. Caso contrário poder-se-ia confundir com o antigo Casal Ventoso de Lisboa.

E pronto, a meu ver estas são as atracções principais do Porto. Claro que há muitas outras mas que por falta de espaço aqui não figuram. Em vez disso ficam aqui algumas curiosidades sobre a cidade:

Gaivotas por todo o lado. Ainda por cima deviam estar em época de acasalamento. Não paravam de grasnar a noite toda numa chinfrineira que fazia a voz da Bernardina parecer melódica. Na minha casa ouvem-se  tiros e kizomba durante a noite, não sei quais prefiro.

No Porto há menos gordos. Não sei porquê mas é um facto. Vê-se muita gente de bicicleta e a fazer jogging o que resulta em mais elegância. Também se vê o ocasional mamute de leggins a estragar a paisagem, mas é mais raro, principalmente à noite, onde as meninas saem todas vestidas como se fossem a um casamento. Muitas vezes parece que é para o casamento do Toy, mas ainda assim dou nota positiva pelo esforço.

Por falar em noite, fui à discoteca Eskada. Eu era a única pessoa de tshirt lá dentro, ainda por cima uma que dizia Lisboa, embora que em letras pequenas. Sou um gajo corajoso. Ou inconsciente. Tudo o resto estava de camisa, fatinho e vestidos curtos a revelar mais do que Deus Nosso Senhor acharia de bom gosto. Tinha uma pista de kizomba, o que mais uma vez me fez sentir em casa. Ir a esta discoteca foi a experiência mais próxima que terei de participar na Casa dos Segredos. Tinha uma DJ daquelas que entrou nos Morangos com Açúcar e se despiu para uma revista masculina. Tinha também várias raparigas com ar de quem faz horário da noite, acompanhadas de senhores de 60 anos para cima, nas zonas VIP. Se a SIDA se apanhasse por via aérea ninguém ia lá sem máscara de oxigénio. Mas com o álcool um gajo esquece essas coisas e diverte-se. Vocês é que estão sempre a dizer mal.

É por isto tudo e muito mais que nos prestigiantes "PorFalarNoutraCoisa Tourism Awards", o Porto fica com o galardão de 2º lugar na categoria de cidade mais bonita de Portugal. A primeira é Lisboa e disso não há dúvidas. Há quem diga que as pessoas no Porto são mais genuínas. Concordo, embora ser genuíno nem sempre seja bom, porque se fores genuinamente um imbecil mas vale fingires que és outra coisa. Mas não é o caso, o pessoal do Porto é realmente mais caloroso e simpático. Quase todas as pessoas a atender ao público foram de uma grande simpatia e amabilidade, coisa que em Lisboa é complicado acontecer. Por tudo o resto, mas principalmente por isto vale a pena ir ao Porto. Os sítios são feitos de pessoas e essas são a mais valia da cidade.

P.S. - Repararam como depois de achincalhar muita coisa consegui dar a volta com uma lamechice? Sou muito profissional na arte de mal dizer.
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