29 de julho de 2014

10 argumentos a favor da tourada



Estive a ver um programa que me impressionou. Era um programa sobre tortura animal, em que homens e mulheres se exibiam sangrando feras inocentes. O mais estranho é que, naquele país, é uma tradição antiga que continua a atrair muitos espectadores ao recinto onde tais actos de brutalidade se executam. Bilhetes pagos a peso de ouro, mas sem peso na consciência. O país era o nosso, e a tradição parece que se chama tourada. Tudo isto num canal de nome saído de uma capa de filme pornográfico, Festa Brava. A julgar pela quantidade de palhaços nas bancadas, pode-se considerar um circo, e eu a pensar que circos com animais já não eram permitidos. Gostava, então, de deixar aqui os dez argumentos a favor da tourada.

«A tourada é tradição e cultura.»
É uma actividade que remonta ao século XII, altura em que a maioria das pessoas não sabia ler nem escrever, em que a consciência humana e social era quase nula e ainda se cagava em penicos. Por si só, este argumento é parvo, já que os coliseus romanos queimar bruxas na fogueira e a escravatura também eram tradições culturais. Felizmente vamos evoluindo enquanto espécie, alguns, pelo menos, e vamos adaptando as nossas tradições aos valores da sociedade.

«Só vê quem quer. São gostos, e temos de respeitar.»
Sim, a liberdade de opinião é sempre de valorizar. Tem de existir toda a liberdade para se ser parvo, é um facto, que é o que este argumento é. Comentaram uma vez no blogue e disseram: «Eu também não gosto de boxe. Quando está a dar na TV, mudo de canal.» Comparar boxe com tourada é o mesmo que comparar violação com sadomasoquismo. Ambos fazem dói-dói, mas no sadomasoquismo estão lá os dois de livre vontade. Quando se fala de direitos e de civismo, o gosto e a liberdade não são para aqui chamados. Muitos padres também gostam de criancinhas e não é por aí que se vai legalizar a pedofilia.

«Não comes carne?»
O argumento mais parvo de todos, e que infelizmente é utilizado por muitos vegans para atacar quem não o é, em vez de apoiar quem está a tentar acabar com a tourada. Comer carne só seria comparável à tourada se começassem a cobrar bilhete para ir ao matadouro assistir ao break dance que as vacas e os porcos fazem quando estão a ser electrocutados. Com direito a transmissão televisiva e a desfile de homens de calças vermelhas, mulheres oxigenadas com filhos de cabelo à Playmobil pela mão, a dizer: «Veja, Martim, veja a vaca a contorcer-se. Se não fosse tradição e cultura, era horrendo. Agora assim é uma caturreira.» Relativamente a este tema, já aqui escrevi que sou vegan não praticante.

«Os touros bravos estariam extintos sem as touradas.»
E então? Noventa e nove por cento das espécies que já existiram estão extintas. Não fomos nós que as matámos todas, é o curso da natureza. Se for de forma natural, é deixá-las ir. Não faz muito sentido, a meu ver, manter uma espécie viva para lhe causar sofrimento. Esse argumento seria o que os apoiantes da escravatura utilizariam se a raça negra se estivesse a extinguir. Antes extintos do que escravos, digo eu, que nunca fui escravizado, mas, pelo que li, não devia ser agradável.

«O touro não sofre.»
Este argumento é parvo. Já viram que há um padrão nos argumentos? Não digo que sofra mais que em muitos matadouros. Provavelmente sofre menos, mas não é isso que está em causa. É o espectáculo deprimente que se monta à volta de um animal que está ser espicaçado e sangrado. Mesmo que as bandarilhas não lhe doam assim tanto, não justifica o ritual medieval que hoje em dia é mais para agradar à direita «chique» do que ao povo. Ver pessoas na plateia a tapar a cara de horror, mas que vão na mesma, porque está na moda... era um par de chapadas à padrasto para aprenderem.

«Os touros são animais agressivos e nasceram para a lide.»
Os touros são animais territoriais e selvagens, e, como tal, quem lhes invade o território sujeita-se a levar com um chifre nas nalgas. Fora isso, são animais normais colocados entre a bandarilha e a parede, onde se vêem forçados a marrar nos forcados. Nunca vi um touro a andar a vaguear à noite, escondido em esquinas e becos, à espera de uma rapariga perdida para a violar. Nunca vi gangues de touros com lenços na cabeça a arranjar confusão no Bairro Alto. No entanto, os humanos fazem isso e nós, infelizmente, não os pomos numa arena a serem espetados com bandarilhas no lombo. Agressivo e parvo é o ser humano, uns mais que outros.

«É uma arte bonita de se ver.»
Também é bonito ver mulheres nuas na rua (algumas), e não é por isso que é legal. Infelizmente. A definição de arte e a beleza são subjectivas, se o Da Vinci tivesse utilizado bebés e um espremedor de laranjas para a tinta dos seus quadros, também continuariam a ser obras de arte, mas os meios não justificariam os fins. Cá para mim, a arte a que os aficionados se referem é ver a tomatada dos toureiros ali toda pronunciada, no meio dos collants e das lantejoulas, normalmente de tons rosa e amarelo. Sim, é realmente uma arte conseguirem arrumar aquilo para um lado e ainda conseguirem andar como deve ser.

«Atrai turismo.»
Acredito que sim, mas sabem o que também atrai turismo? Prostituição e drogas. Há até quem vá a certos países do Terceiro Mundo para comer criancinhas. É esse o turismo que queremos ter? Eu cá passo bem sem os estrangeiros que querem ver um animal a sofrer. Prefiro mil vezes um grupo de dez ingleses bêbedos a vomitar.

«Dá emprego a muita gente.»
O desemprego é, na sua maioria, mau, mas há muita gente que está desempregada porque ou não quer trabalhar ou não tem capacidades para fazer nada. Se a tauromaquia é a única coisa que se sabe fazer na vida, então, se calhar, o desemprego é justo. Sem subsídio, neste caso, se faz favor. Mais uma vez, a droga e a prostituição também dão emprego a muita gente. A diferença é que, no caso da droga e da prostituição, a legalização iria diminuir o número de pessoas que estão nessa vida contra a sua própria vontade.

«Preocupem-se antes com os cães abandonados.»
Uma coisa não exclui a outra. A questão é que o abandono de cães acontece às escondidas (e agora já é crime), e a tourada passa na RTP. É normal que chame mais a atenção. Não acho que quem goste de tourada seja automaticamente atrasado mental e má pessoa, que é o que acho de quem abandona um cão. Quem faz isso a um animal, com o qual conviveu e devia ter criado laços, para o deixar a sofrer algures na beira de uma estrada ou numa mata, devia morrer. É impossível que seja uma pessoa decente, e devia estar numa arena a ser sodomizado por uma manada de touros com elefantíase do pénis. O touro sempre tirava algum prazer assim. Por falar na nova lei que criminaliza os maus-tratos a animais, como sabem, só se aplica aos de companhia. Será que, se eu tiver um touro amestrado, lhe posso espetar ferros no lombo para o ensinar a sentar e dar a pata? E os circos, a mesma coisa. Aliás, os circos com animais e as touradas têm um ponto em comum: ambos maltratam e exploram seres vivos contra a sua vontade e ambos têm palhaços. No caso das touradas, costumam estar também nas bancadas.

Posto isto, quero apenas terminar dizendo que respeito muito mais quem gosta de tourada e diz que gosta porque sim, porque cresceu com isso e não está preocupado com o touro. Que o sofrimento do animal não o preocupa. Respeito muito mais quem tem essa honestidade do que quem tenta dar um destes argumentos parvos que fazem tanto sentido como a tourada ainda existir. Nenhum.
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24 de julho de 2014

Ser tímido não é defeito, é feitio



"Ser tímido não é defeito... é feitio", ouvi eu inúmeras vezes quando era pequeno e me tentavam conformar cada vez que eu dizia que ser tímido era um dos meus defeitos. Diziam-me que não era, mas a mim parecia-me ser, ainda parece se olharmos à volta. O mundo está feito para os extrovertidos, somos ensinados desde pequenos que é bom ser extrovertido e que devíamos corrigir a nossa timidez. Logo em criança percebemos que quem fala muito é que é ouvido, que quem participa nas aulas, mesmo sem nada para dizer, é que é valorizado. Eu era bom aluno mas as professoras apontavam-me sempre o mesmo "defeito" de que tinha que ser mais participativo nas aulas, mesmo que, estando calado a absorver o conhecimento e tirasse melhores notas que todos os outros que intervinham apenas para repetir o que a professora tinha acabado de dizer, sem acrescentar nada. Ainda assim, diziam-me que devia ser mais como eles.

Nunca fui inseguro, tenho as minhas inseguranças claro, mas no geral considero-me uma pessoa confiante, ainda assim sempre fui tímido, ainda sou, mas já fui muito mais. Houve um tempo em que detestava sê-lo, detestava não conseguir iniciar uma conversa, ficar calado enquanto outros conversavam. Ficar corado cada vez que a professora me mandava ler em voz alta ou me mandava ao quadro. Não conseguir dizer à rapariga que gostava o que sentia por ela, ter vergonha de atender um telefonema que não soubesse de quem era ou ter que ir pedir um copo de água no café. 


Ficava todo acagaçado se estivesse na fila do supermercado à espera da minha mãe, que tinha ido buscar algo que se tinha esquecido e eu estava quase a ser atendido.

Lembro-me de alturas em que havia aquele silêncio desconfortável quando estava com alguém que não conhecia ainda bem. Pensava "tenho que arranjar assunto", "até parece mal estar aqui sem dizer nada, o que é que vão pensar". O mais engraçado é que, se a outra pessoa também estava calada estaria provavelmente a pensar o mesmo que nós, no mesmo desconforto em relação a ela própria e não a julgar-nos por estarmos calados.

Crescemos todos com a pressão de ser popular e essa popularidade está vetada aos introvertidos. Sabemos que não é para nós. Mas quantas boas ideias se perdem por não se ouvirem os introvertidos? Por as vozes dos extrovertidos serem sempre as mais ouvidas e ninguém parar para perguntar ao miúdo calado na sala o que ele acha? Quantas vezes já vimos uma discussão sobre um assunto sobre o qual nós sabíamos a resposta e que os argumentos que estavam a ser dados eram errados, mas nos mantivemos calados? Mas a culpa não é só de quem nos ignora e acha que ser introvertido é igual a ser anti-social, coisa que os extrovertidos, na sua maioria, não sabem distinguir. A culpa é nossa que temos mais medo de errar do que um extrovertido. Pensamos na vergonha que podemos passar se o que dissermos estiver errado e por isso mesmo erramos menos. Mas por causa disso se calhar também perdemos muitas oportunidades de aprender.

Fui crescendo, por volta dos meus 15 anos a timidez começou a ser defendida com o sentido de humor. Percebi que fazer rir, lançar uma piada no meio de uma conversa na qual eu não tinha nada para dizer era a melhor forma de me integrar e de mostrar que não sou anti-social. Hoje já não me importo de ficar calado quando a conversa não me interessa. A maioria das vezes que estou calado enquanto pessoas estão a falar à minha volta já não se deve à minha timidez, deve-se ao assunto ser desinteressante ou a preferir estar de fora a observar as baboseiras de quem fala muito sempre com a certeza das coisas. Ou ainda, simplesmente porque estou bem assim, a ouvir o que os outros têm de interessante para dizer.

Hoje em dia faço Stand Up Comedy, falo com clientes no meu trabalho, fiz um projecto que passou por uma viagem de 2 meses pela Europa em que tinha que abordar pessoas e entrevistá-las diariamente nas ruas, fui à televisão e à rádio dar entrevistas sobre esse projecto e ainda assim, com isto tudo, continuo a ser um introvertido por natureza. A única diferença é que hoje já não me importo tanto com o que os outros pensam de mim, e quando assim é, já considero que ser tímido não é realmente um defeito, é feitio.

P.S. - Depois de escrever este texto encontrei esta Ted Talk que fala sobre este assunto, de forma muito mais clara e interessante que eu, por isso é ver e ouvir.



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23 de julho de 2014

Momento Kodak: Um dia no IST



Andei a vasculhar as minhas gavetas e encontrei lá um pequeno texto que data de 2005. Deixo-o aqui inalterado, só para verem que já pelo menos há 9 anos que sou bastante parvo.


Há dias, que, pela forma penosa como começam, nos deixam alegres de pensar que pior é impossível ficar. O dia de hoje é o mais perfeito exemplo disso. A bem dizer o dia hoje não teve um começo visto que as horas de sono dormidas serem iguais a ZERO. Ora bem, directa em cima e tal, a estudar, ou a tentar pelo menos, saio de casa as 7:15h e rapo o frio mais acutilante (como sinónimo posso utilizar "filho da puta"), de toda a minha vida. Em cinco minutos de caminho, durante o qual proferi todos os vocábulos ordinários existentes, fiquei com as orelhas e dedos em ferida (vulgo frieiras). Omitindo os pormenores da viagem (sovacos escancarados exalando um cheiro putrefacto, como exemplo), cheguei a essa magnífica (ironia/sarcasmo) instituição que dá pelo nome de Instituto Superior Técnico na qual sou aluno do curso de Engenharia Informática. O programa de festas para essa manhã era um exame de Sistemas de Sinais cuja chamada era a última e cuja matéria por mim sabida, compreendida e assimilada, tendia perigosamente para zero.

Chegando lá, entrando na sala (1 hora de antecedência), revendo alguns pontos da matéria (notar bem que aqui o verbo "rever" não será talvez o mais apropriado), começam a chegar os bichos, leia-se alunos, à sala. E qual não é o meu espanto quando quando vejo, incrédulo, julgando serem alucinações provocadas pela tortura do sono que impus a mim mesmo, um aluno que coitado vinha fazer melhoria pois "só" tinha tido 19 no primeiro exame. Pronto perdia a cabeça! 

Quer dizer "estava-me a correr bem o dia... e vem aquele maricas a dizer que" vem fazer melhoria!

E pronto, fiz exame, correu mal, muito mal, arrumei a trouxa, vim para casa e decidi escrever este texto só para expressar a minha indignação. É que um gajo tenha tido 10 e venha fazer melhoria pronto... agora levantar cedo, com o frio que estava, para ir tentar tirar 20 numa cadeira que já tinha 19. É de quem tem as prioridades todas trocadas, ou então é só de quem é parvo.


E foi isto. Momento Kodak, espero que tenham gostado. Já que aqui estamos podem também ler este texto sobre a minha experiência nas PRAXES no Instituto Superior Técnico.
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22 de julho de 2014

Alegoria do buraco do BES



Há muito, muito tempo, no reino de Portugal havia um feudo, um feudo baptizado pelo Senhor como Espírito Santo. Era belo, forte e governado por uma família que gostava de ir para a Comporta brincar aos pobrezinhos. Esse feudo era governado sobranceiramente, tinha castelos, moinhos e bancos. Tinha hospitais, tinha agências de viagem, tinha empresas, entre muitos outros investimentos que faziam com que fosse um dos feudos mais prósperos no reino de Portugal. Tinha o maior símbolo desse reino, Cristiano Ronaldo, mas nem isso lhe valeu para o que vinha a seguir. Tropeçaram nas próprias fintas que quiseram fazer.

Subitamente as placas tectónicas da economia abanaram com força tal, que muitos dos feudos bancários colapsaram devido às suas fundações frágeis. A família Espírito Santo abanou mas não caiu, e do alto da sua arrogância criticou todos os outros que haviam caído perante tais severas ondas sísmicas da crise. Orgulhosos de não precisarem de ajuda dos senhores do submundo, o Estado, que com o dinheiro dos aldeões decidiu ajudar os mestres feudais do reino de Portugal, distribuindo a riqueza numa ampulheta inclinada.

Foram tempos de trevas no reino, com cinzas a levantarem-se e taparem o sol da esperança de todos os aldeões deprimidos. Os habitantes do reino da Troika, ao verem tal ambiente taciturno no reino de Portugal, decidiram fazer mais uma visita, sabendo que havia lucros para recolher. Fizeram-se de agiotas dos senhores do submundo, desde que o Estado obedecesse e algemasse com correntes de austeridade todos os vassalos. E assim o fez.

Passaram-se anos, 3 anos para ser exacto, em que o feudo Espírito Santo parecia prosperar, parecia ajudar a atmosfera a absorver as cinzas que se haviam levantado. Mas a calma era aparente, uma disputa pelo trono do manso senhorial tornara a família senhorial vulnerável. D. Ricardo Agridoce estava em pé de guerra com o seu primo, Zé Maria Ricardini. Ambos queriam o ceptro do poder do feudo Espírito Santo. Como sempre, quando se zangam as comadres sabem-se as verdades e foi isso que aconteceu. Os podres foram revelados e o povo admirado exclamou em uníssono:

"Este Espírito Santo é como o da Bíblia, fode o pessoal sem ninguém dar por nada."

O pior é que não engravidou ninguém com o Messias, porque foi uma fornicação no rabo e quanto muito sai de lá o Capeta. O feudo foi auditado por uma reino externo, o que indicou que as talhas e mãos mortas que cobravam aos vassalos eram o pau em casa deste ferreiro. Descobriu-se então que um dos moinhos do manso senhorial havia faltado ao registo de 1,2 mil milhões de grãos de farinha e que toda a família vivia como viviam muitas, acima das possibilidades e apenas de aparências. Ao que parece a dona Inércia tinha uma prima em 3º grau, a Dona Contabilidade Criativa.

A crise e desconfiança aprofundou-se no feudo, embora tudo fosse feito e dito para que os vassalos continuassem a ceder a sua propriedade em troca de ajuda financeira. Disseram que o Castelo Bancário não se ressentiria das prevaricações do resto das propriedades do feudo. Para apaziguar os ânimos, excomungaram toda a família Espírito Santo do leme do feudo e chamaram um governador de outro, Vítor Bentinho, para abençoar as colheitas e fazer prosperar a economia feudal. Até o senhor do submundo, Cavaquinho, proferiu umas palavras, logo ele cuja voz pouco era ouvida no reino. Normalmente era no Facebook.

Ao ver esta crise os abutres começaram a pairar, necrófagos financeiros que farejam dívida fácil ao longe. Do reino de Angola veio o maior deles todos. Um abutre, que não contente em comer todos os restos de comida do seu povo, decidiu disfarçar-se de salvador, qual lobo em pele de cordeiro. Um lobo que precisa de perder tempo a esconder a cauda, que abana de um lado para o outro de excitação de ficar com tudo para si, para que, a sua família dos Santos, se abaste um pouco mais com a carne que o seu povo não tem dentes para comer.

Parte da família Espírito Santo saiu do psi20, o café onde costumavam tomar o pequeno almoço todas as manhãs. Manjares com os melhores vinhos e caviar. Saíram tristes, mas apenas pelo que isso representava para todos os outros feudos que criticaram anteriormente, pois posses não lhes faltará para se empanturrarem de iguarias para o resto da vida. A história está ainda agora a ser escrita mas se alguém ficar feliz para sempre, não seremos nós.

PS - Se gostaram desta fábula, podem também ver esta aqui.

PS2 - Não se ponham com tretas que a história está incoerente e imprecisa e que o BES não é a mesma coisa que o GES e etc e tal, ok? A Bíblia também está cheia de incoerências e ficções e o pessoal papa aquilo.
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21 de julho de 2014

Secção de roupa de homem só tem roupa maricas



Bom dia. Serve esta foto dos Power Gaygers para vos falar do que me aconteceu este fim de semana. Fui tentar comprar roupa e dei por mim às voltas na Pull & Bear à procura da secção de roupa de homem para ver se lá figurava alguma que me enchesse as medidas. Procurei, procurei, e, de um lado roupa de mulher e do outro lado uma secção aparentemente igual mas sem saias. T-shirts roxas, amarelas, cor de rosa, padrões com andorinhas e borboletas, calças de cinta descaída e à boca de sino ou daquelas mais justas que o Michael Knight (trocadilho com justiceiro). Então percebi:

A secção homem foi substituída por uma secção maricas

Mas pior que a roupa maricas é a roupa de atrasado mental. Qual é a roupa de atrasado mental? São aquelas t-shirts com decote até ao umbigo ou alças fininhas, exclusivamente utilizadas por ratos de ginásio. Homem que usa decote ou um fiozinho a tapar os mamilos é, em 97% dos casos, atrasado mental. E mulher que gosta desse tipo de homem, é por norma boa matéria prima para a Casa dos Segredos, que é outra forma de dizer kenga.

Bem, mas voltando ao tema. Lá continuei a minha missão e fui à Zara esperando encontrar alguma coisa que não de cor ou corte apaneleirado. Mais uma tentativa frustrada, até as meias só lhes faltavam a cara do Castelo Branco estampada. Fui depois à Salsa e a caminho passei a porta da Berska, na qual nem valia a pena entrar pois ali a roupa de mulher é mais masculina de a de homem. Já na Salsa, não só a roupa era gay como reparei logo que os dois empregados deslizavam airosamente como as patinadoras do continente mas sem patins.

Depois de ter corrido as grandes lojas de roupa do Colombo fez-se luz na minha cabeça, mas não uma luz monocromática de cor púrpura ou rosa, mas sim luz branca e máscula de uma ideia brilhante. O que se está a passar no mundo da roupa é resultado de uma conspiração, de uma monopolização do mercado por parte de designers de moda, cuja orientação sexual está já explícita na expressão "designers de moda".
  1. Acho que é consensual que toda a roupa que está nas lojas é criada por mulheres ou homens (acho que aqui não há dúvidas);
  2. Também é unânime que a maioria dos homens que desenham roupa não são propriamente conhecidos pela sua exuberante masculinidade;
  3. É também sabido que são as mulheres quem mais compra roupa.
Juntando estes três factores desmascara-se a conspiração que eu passo a explicar: Os estilistas homens fazem roupa para homem ao seu gosto (maricas) ou então centrados no meio em que estão inseridos (maricas). As estilistas mulheres estão apenas preocupadas em pôr nas lojas roupas que se vendam e como tal desenham a roupa de homem de forma a que as mulheres também as possam vestir.

Aqui se evidencia a panelinha (a escolha da palavra panelinha não foi inocente) feita entre mulheres e homossexuais. As primeiras só querem ter o maior número de roupa à escolha e as segundas (sim, também foi de propósito) idem, mas realçando o facto de querem forçar saídas do armário e encher um de roupa maricas é um bom passo para isso. 


T-shirt cor de rosa com letras roxas com purpurinas e calças de cinta descaída esterlicadinhas na tomatada, com um cinto com brilhantes, só se for no Carnaval

Eu digo isto mas o que é certo é que um gajo vai cedendo aos poucos. Já tenho uma t-shirt amarela e uma verde alface na gaveta. Já me tentaram impingir daqueles cachecóis maricas que o pessoal usa só para ornamentar o pescoço porque proteger do frio nada. Sempre que uso uma dessas t-shirts sinto-me tentado a passar o dia a coçar os testículos e a escarrar para o chão para compensar.

Resumindo e concluindo, não tenho nada contra, até pode haver lojas só para este público alvo, mas façam lá uma roupinha minimamente masculina de vez em quando, pode ser? Vá boa semana!

P.S. - Antes de me chamarem homofóbico e dizerem que "maricas" é uma palavra feia, leiam o que já escrevi anteriormente aqui Gostas mais do pai ou da mãe? e aqui Portugal é um país de paneleiros Depois já podem dizer mal.
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15 de julho de 2014

Filmes que eu recomendo que se calhar vocês não viram


Ora muito bom dia gente impecável. Tudo em cima? Espero que sim. Hoje venho prestar serviço público a todos vós e indicar-vos alguns filmes para verem. Não são obrigatoriamente os meus filmes preferidos, mas sim filmes que não são muito conhecidos e que valem muito a pena ver, principalmente para quem gosta de um bom nó no cérebro. Depois no fim dêem-me a vossa opinião e indiquem-me alguns também, que isto da vossa parte não pode ser só receber.

Man from Earth
Este filme está no meu top 10 de preferidos de sempre. É um filme do caraças. É todo passado na mesma sala, com 8 personagens, 7 professores universitários e 1 aluna. Será a premissa de muitos filmes marotos, mas neste caso é uma orgia de conhecimento, história e grandes diálogos. A premissa é simples: imaginem um ser humano com uma deficiência genética fez com que não envelhecesse e não morresse de causas naturais. Imaginem que estão num jantar e uma das pessoas diz que vive há milhares de anos. O resto é conversa, que passa pelos vários períodos da história da humanidade, em que cada professor, na sua área, tenta rebater os argumentos. É muita bom, vão por mim. Toda a gente que aconselhei este filme adorou, mesmo aqueles que só vêem filmes que tenham explosões e gajas nuas.
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Match Point
Tinha que haver um filme do Woody Allen aqui nesta lista e este é uma das suas obras primas. Um filme intenso, sobre amor, traição e cenas. Tem a Scarlett por isso vale sempre a pena. Se não viram, ou porque nunca ouviram falar, ou porque não gostam muito dos típicos filmes do Woody, façam o favor de ver. Não é o típico filme dele, é quase impossível não achar isto um grande filme.
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Waking Life
Filme para malucos, feito com animação marada sobreposta em cima de filmagens. Tem montes de caras conhecidas e não é um filme normal. Uma experiência visual filosófica que passa por tudo o que são temas metafísicos e existenciais, tudo num ambiente de sonho lúcido, regado com cogumelos mágicos. Têm que estar na disposição certa para o ver, não é filme para ver quando se quer descansar o cérebro.
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Pan's Labyrinth
Uma obra prima do realizador Guillermo del Toro. É complicado explicar o filme, mas mete criaturas fantásticas. É um filha de uma grande meretriz de de um grande filme.
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Limitless
Está aqui só porque sim. É pouco conhecido e a premissa é muito boa, embora que mal executada em algumas partes. No entanto não deixa de ser um filme muito interessante sobre algo que um dia poderá ser real. Imaginem que tomavam um comprimido e ficavam super inteligentes? Como seria a vossa vida? É ver.
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Eternal Sunshine of the Spotless Mind
Jim Carrey a mostrar que sabe fazer mais coisas do que de atrasado mental. E fá-lo de uma forma brilhante neste drama amoroso genial. Imaginem que podiam apagar memórias que têm de uma ex-namorada, ou namorado. Faziam?
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Triangle
Querem nó no cérebro? Vejam este filme e vão ficar com o vosso mais emaranhado que os fios de uns auscultadores. Não dá para explicar, só mesmo vendo, vai terminar e não vão perceber nada e vão ter dezenas de explicações na vossa cabeça. Depois de ver pesquisem na net o significado do filme e vão perceber que ainda é um filme melhor do que pensavam.
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Memento
Obra prima. Filme de culto, único na forma como narra a história de um homem que não tem memória de curto prazo e que tem que fotografar, anotar e tatuar tudo, numa busca infindável pelo assassino da sua mulher. Se não viram não sabem o que perdem.
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Requiem for a Dream
Um dos filmes mais poderosos que já vi. A viagem pelo mundo da droga, sejam recreativas ou médicas, contado de uma forma nua e crua que choca pela verdade que contém. Também tem mamas e rabos e nem que seja por isso vale a pena ver. Também tem o Jared Leto para as senhoras. Ah e tem uma banda sonora brilhante, provavelmente a música mais utilizada para filmes do youtube.
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21 Grams
Querem um filme para deprimir? Querem um filme sem 1 minuto de alegria, só com desgraças atrás de desgraças? É um bocado o que é o 21 gramas. 3 tragédias independentes que estão ligadas entre si. É uma obra prima, custa a ver mas vale a pena.
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Alice
Para haver um filme português aqui fica o Alice. O Nuno Lopes merecia um Óscar pela sua prestação como a personagem de um pai que anda infindavelmente em busca da sua filha desaparecida. Os actores estão todos fantásticos nos papéis e a realização e retrato da cidade de Lisboa é qualquer coisa de se lhe tirar o chapéu. Para mim o melhor filme português que já vi, mas confesso que não vi muitos.
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E é isto. O que acham? Quais já viram? E discordam que algum destes seja um excelente filme? Não se ponham com cenas "ah mas não tens este nesta lista", que como já disse isto é apenas uma lista de filmes menos conhecidos que valem a pena ver. Certo? (sempre que escrevo "certo?" oiço a voz do Gustavo Santos).
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