12 de setembro de 2014

Figuras de estilo com exemplos parvos



Às vezes sou ofendido por algumas pessoas que levam a mal alguns dos meus textos. Na maioria das vezes é apenas porque essas pessoas são parvas, mas acredito que outras seja porque já se esqueceram da matéria de português, em especial as figuras de estilo. Como tal, e porque não gosto de mal entendidos, aqui fica uma pequena revisão, com exemplos bem claros, para que não restem mais dúvidas.


Ironia – Figura que sugere o contrário do que se quer dizer.
"A Ana Malhoa até é uma gaja que tem muito talento" - Começo por uma das mais complicadas de identificar, porque depende de quem a escreve. Para muitos (demasiados), esta frase faz todo o sentido e não possuí qualquer figura de estilo, mas para pessoas de gosto minimamente decente, não só transborda ironia como também azeite.

Metáfora – Comparação de dois termos, seguida de uma identificação.
"Aquela árvore faz lembrar um Cavaco, está ali parada há anos", temos aqui uma metaforização de uma árvore, inerte, muda e velha, referenciando-se ao nosso Presidente da República. Como bónus temos o trocadilho do nome do Aníbal com um cavaco que não é mais que um tronco cortado, ou uma árvore morta.

Aliteração – Repetição de sons consonânticos.
facto que efectivamente fizemos figura de foca deficiente e somos nós a financiar a falcatrua destes falcões que não fiscalizaram as facturas. Foda-se." - Uma frase que não faz sentido mas dá para perceberem a ideia.

Onomatopeia – Conjunto de sons que reproduzem ruídos do mundo físico.
"Uhhh, ahhh, hummm, ui ui ui, já está, já está" - Retirado de um filme de Tomás Taveira, esse erudito do chavasco.


Hipérbole – Ênfase resultante do exagero.
"Este ano ganhamos o campeonato de certeza" - Dizem com uma esperança exagerada os adeptos do Sporting a cada início de época. Eu sei bem do que falo.

Polissíndeto – Repetição dos elementos de ligação entre palavras.
"As pessoas que tratam os filhos por você deviam apanhar um calduço e um murro e um pontapé e uma cabeçada e um piparote e uma belinha e uma faca ferrugenta e velha e romba e suja, no lombo e nas virilhas e no baixo ventre" - E reparem que não estou a usar nenhuma hipérbole. Ou estarei? Se estiver, então ao dizer que não estou é porque estou a utilizar ironia. Sou bué ninja.

Pleonasmo – Repetição de uma ideia já expressa.
"Não tarda vou subir para cima de ti com força e à bruta" - Outras também comuns são o "descer para baixo", "tenho um amigo meu" e "em nome do pai, do filho e do espírito santo".

Antítese – Apresentação de um contraste entre duas ideias ou coisas.
"Os pobres enriquecem os ricos e os ricos empobrecem os pobres" - Para além de uma antítese também contem a figura de estilo chamada verdadeirismo.

Paradoxo – Um mesmo elemento produz efeitos opostos.
"José Castelo Branco é casado com uma mulher" - Esta frase está cheia de conceitos contraditórios, primeiro porque não seria de esperar que o Zé se casasse com uma mulher e segundo, porque a Betty não parece bem uma mulher. Pelo menos viva.

Eufemismo – Dizer de uma forma suave uma ideia ou realidade desagradável.
"O Passos Coelho é um idiota" - Repare-se no uso do eufemismo "idiota" em vez da expressão "filho da puta".

Personificação – Atribuição de qualidades ou comportamentos humanos a seres que o não são.
"Aquela porta é burra que nem uma Fanny" - A atribuição da qualidade humana de pensar e ser ou não inteligente, a uma porta, dá-se um nome de personificação já que as portas não pensam. A Fanny pensa, maioritariamente em cocó.

Alegoria – Coisificação de um conceito abstracto.
"O buraco do BES é escuro e não se lhe vê o fundo" - Uma alegoria ao buraco financeiro do BES, como se de um buraco físico e profundo se tratasse. Obviamente que qualquer buraco físico tem um fundo, se não seria um túnel, já o buraco do BES provavelmente não tem e quem vai ao fundo somos nós.

Perífrase – Figura que consiste em dizer por muitas palavras o que poderia ser dito em algumas ou alguma.
"António José seguro prima pelo discurso descurado, faltando-lhe pulso e assertividade nas suas afirmações. Não tem postura nem transparece competência para ser 1º Ministro" - É uma figura de estilo muito utilizada pelos políticos e esta demonstra bem a sua utilização, inúmeras palavras quando se poderia dizer apenas "António José seguro é um palerma".

E é isto, ficaram algumas de fora mas estas são as mais importantes. Doravante espero não ser mais insultado (ironia novamente).
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10 de setembro de 2014

Usar fato e gravata é parvo



Porque é que há profissões e empresas que exigem o uso de fato, para dar um ar mais profissional e íntegro aos clientes, quando todos os grandes ladrões e aldrabões que conhecemos andam sempre de fato e gravata? 


#RicardoSalgado #OliveiraCosta #ArmandoVara 
#ValeAzevedo #IsaltinoMorais #etc

Reza a lenda que na Vodafone ali no Parque das Nações não havia dress code oficial, mas também não era normal as pessoas irem "demasiado" informais. Certo dia, o CFO entra no elevador e dá de caras com uma rapariga que trabalhava lá, de top reduzido, barriga à mostra e com letras berrantes sobre os seios a dizer "FUCK ME". A partir desse dia começou a haver dress code oficial. Eu acho que foi porque o CFO tentou comer a rapariga e ela não deixou. Já se sabe que a Vodafone não gosta de publicidade enganosa, quando eles dizem que são 100 mb/s de Internet é porque são mesmo... Nem oito nem oitenta, também não quero ter que levar com pessoal de t-shirt em V até ao umbigo e boné virado ao contrário com uma t-shirt de alças a dizer "Não programo com JAVA, programo com SWAG". Já as mulheres, se quiserem ir de calção que só tapa meia nalga não me oponho. Quer dizer, depende da nalga em questão. Sou um hipócrita bem sei.

Eu trabalhei num banco durante 1 ano, na parte informática, sem qualquer contacto com o cliente. Ainda assim, da primeira vez que lá entrei estava tudo de fato e gravata, 40 macacos numa sala, onde ninguém explicitou que era preciso usar fato e gravata, mas eu como ovelha bem comportada, comecei a ir também. Tinha começado há pouco tempo a trabalhar e ainda não tinha aprendido que as coisas são para serem questionadas, que a teoria dos macacos do "Não sei... as coisas sempre funcionaram assim" pode, e deve, ser desafiada. Às sextas-feiras havia a política comum da Casual Friday, em que a loucura era ir de fato sem gravata. Certo dia, esqueci-me das calças de fato quando fui dormir fora de casa, só reparei de manhã e para não perder tempo a ir a casa buscá-las, decidi ir com as calças de ganga do dia anterior, camisa e blazer, sem gravata. Entrei, fiz o meu trabalho e ninguém me disse nada. Eu pensei "Oh lá... tu queres ver que descobri um erro no sistema?". Assim foi, de vez em quando comecei a não levar gravata, depois passei a levar calças de pano, mais tarde de ganga à sexta feira e depois aos outros dias. A maioria das vezes ainda ia de fato e gravata mas cada vez menos. Cheguei a ir de calção e t-shirt uma vez que fui lá chamado e estava de férias, só para meter nojo. Nunca ninguém me disse nada, aliás, nunca nenhum chefe me disse nada, alguns colegas sim. O que começou a acontecer a seguir, coincidência ou não, foi interessante. Até aí nunca tinha visto ninguém a não levar a gravata num dia normal, quanto mais calças de pano ou ganga, mas gradualmente isso começou a acontecer. Não todos, mas bastantes. Fui o Marquês de Pombal lá do sítio, mas em vez de libertar os escravos libertei alguns pescoços. Outra coincidência é o facto desse banco estar situado no Marquês de Pombal em Lisboa.

Já que estamos numa de bancos, será que confiaríamos menos num por o empregado que nos atende estar de calções e chinelos? Provavelmente a maioria das pessoas sim, as mesmas que mantêm o dinheiro no Novo Banco depois de terem sido quase sodomizados à bruta e sem vaselina por vários senhores de fato e gravata. Mas aí reside o problema, nós continuamos a dar importância à aparência e a roupa faz parte dela. Uma tia minha contava a história de estar no autocarro e ter saído uma paragem antes, porque estava lá um sem abrigo com mau aspecto a olhar para ela. Fez o  resto do caminho a pé onde foi assaltada por um senhor de fato. Provavelmente é apenas uma fábula para nos ensinar que a roupa não faz a pessoa. Um burgesso de fato continua a ser um burgesso.


Há pessoas que se lhes pusessem uma bata branca em vez de parecerem médicos iam parecer talhantes

Os políticos usam todos fato e gravata e ninguém confia neles. Ninguém acha que eles são profissionais ou pessoas idóneas. Se o Costa ontem tivesse ido para o debate de calção e t-shirt o que teria acontecido? Teria ganho ou perdido votos com isso? Podia aproveitar para ir com uma t-shirt com "Vota Costa" impresso na parte da frente, só para baralhar as pessoas.

Respeito que haja quem goste de usar fato, para trabalhar tem a vantagem de não se ter que pensar muito na roupa a utilizar, esconde a barriga e parece que as mulheres até gostam. Mas usar todos os dias por obrigação? Acho que já não conseguia voltar a fazer (só por um ordenado bem chorudo, todos temos o nosso preço). Nós já parecemos lemmings a entrar para o comboio e metro, com as caras de sobrolho carregado enfiadas nos smartphones, a olhar de lado para qualquer encontrão acidental que nos dão, sem um bom dia nem boa tarde. De fato, todos iguais em tons escuros e camisas claras, para quem nos esteja a ver de cima (zero conotação religiosa) não devemos parecer diferentes do que as formigas nos parecem a nós. Todas iguais, sem qualquer individualidade e vontade própria.

Felizmente com as novas empresas geridas por jovens CEOs bilionários de t-shirt, o paradigma parece estar a mudar um pouco. Mas em vez de esperarmos que o exemplo venha de cima, podemos ser nós a tentar mudar a sociedade. Para isso basta irem ter com o vosso chefe e perguntarem se podem começar a não ir de fato. Se ele disser que não, dêem-lhe uma chapada à padrasto e digam que vão da minha parte. Ou melhor, aparecem sem gravata até o chefe vos chamar à atenção e perguntar "Onde está a sua gravata?", nisto vocês respondem "Está no pescoço... de baixo. Foi a sua mulher que fez o nó". Recostem-se e desfrutem o momento.
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9 de setembro de 2014

Desenhos animados da minha infância



Depois do texto de ontem, onde se falou de bater em crianças e de como isso forma o carácter, fica aqui um texto que celebra os melhores anos das nossas vidas. Anos esses onde me sentava a ver televisão embrenhado num mundo de fantasia sem pensar que a vida real cá fora aleija o rabinho, metaforicamente para alguns, literalmente para muitos ali no Parque Eduardo VII. Haverá melhor maneira de começar um texto sobre desenhos animados do que com alusão à prostituição masculina, muitas vezes de menores? Não estou a ver como. Aqui ficam então 10 desenhos animados que relembro com mais carinho.

Tom Sawyer
Lembro-me de ver religiosamente todos os Domingos de manhã e digo religiosamente porque era bem cedo à hora da missa. Felizmente os meus pais eram inteligentes e sabiam bem que era mais importante para uma criança aprender moralidade através de desenhos animados do que com a Bíblia. Lembro-me do José Jorge Duarte a apresentar, ou Lecas para os amigos e da excitação que eram aquelas manhãs, quando ainda só havia 2 canais.

Tartarugas Ninja
O gajo que criou estas personagens devia estar sob efeito de substâncias mais radioactivas do que aquelas que caíram em cima de simples tartarugas e as tornaram bichos de 2 metros com abdominais feitos de carapaça. A juntar a isso uma ratazana gigante mestre ninja, que lhe deu o nome dos melhores pintores renascentistas. Fazia todo o sentido. Todos nós nos revíamos num deles, eu era o Miguel Ângelo, de fita laranja e matracas. Era também o mais parvo de todos. Faz agora ainda mais sentido.

Ren e Stimpy
Os desenhos animados para crianças mais nojentos de sempre. Hoje em dia era impossível uma coisa destas passar sem ter a comissão de pais a enviar cartas à produção para que cancelassem. Lembro-me de um episódio em que entrava o Super-Tosta em Pó, um super herói improvável, em que um deles estava com falta de ar e o Super-Tosta tira uma mangueira de bombeiro de dentro das cuecas, enfia na boca do Ren e dá à bomba, no que agora percebo serem dois reservatórios que metaforizavam testículos. O Ren lá se salvou. Nojento? Genial? Provavelmente ambos.

Doug
Sinceramente não me lembro bem, mas sei que me traz boas recordações ao ver as imagens. Hoje em dia o Doug teria boné no cimo da cabeça, uma t-shirt em V até ao umbigo. A amiga, não me lembro o nome, estaria vestida de empresária nocturna que trabalha numa qualquer paragem de autocarro a horas duvidosas. Em vez de corações e cartas de amor trocariam selfies da pila e das mamas, ela engravidava aos 14 anos e entravam para o Secret Story com o segredo "Temos herpes genital". Bons tempos.

Tom & Jerry
Este clássico incontornável tinha um ritmo alucinante e cheio de criatividade que nos ensinava que os mais pequenos podiam vencer os grandes. Que a inteligência era a mais forte das forças. Éramos pequenos demais para perceber que o mau da fita era o Jerry, o rato. O Tom estava apenas a fazer aquilo que o seu instinto de gato e a sua dona lhe diziam para fazer: apanhar o rato. O Jerry era sádico e estava mais preocupado em provocar o Tom do que fazer a sua vida normal. 

Dragon Ball
Provavelmente nunca haverá outros desenhos animados como estes. Conquistou jovens, adultos, rapazes e raparigas, alunos e professores. A minha escola, tal como muitas, parava ali por volta das 10:20h para ver o Dragon Ball. Dezenas, ou centenas de pessoas encaixavam-se na cantina, de pé para ver o próximo episódio que no anterior nos disseram para não perdermos. O sentido de humor da versão portuguesa destes desenhos era do melhor que por cá já se vez em termos de dobragem. Ainda hoje quando oiço o Henrique Feist a falar parece que estou a ouvir o Songoku. Para muitos foi uma desilusão o homem que dava voz ao nosso maior ídolo ser gay. Há pessoas idiotas.

Boumbo
Este talvez a maioria não se lembre. Eu lembro e estive meia hora no google a procurar "talking yellow car cartoons from the 80s" até encontrar. Sei que eram aventuras ao volante de um carro falante que fazia um barulho inconfundível. Não me lembro de muito mais, mas sei que eram dos meus favoritos.

Duck Tales
Ver na TV o que eu devorava em livros de banda desenhada. O Tio Patinhas, o Donald, o Huguinho, Luisinho e Zezinho. O Gastão e a Maga Patalógica, entre tantas outras personagens que marcaram várias gerações. Ensinaram-nos que 3 criaças viverem com um tio que não tinha irmãos era normal, mesmo que andassem todos sem calças dentro de casa. Ensinou-nos também que ser rico e forreta é do melhor que se pode ser. 

Ursinhos Carinhosos
Os desenhos animados mais panisgas de sempre mas que eram do melhor que já foi feito. Eram heróis com poderes fofinhos e que nos ensinavam a ser melhores pessoas. Hoje em dia, se houvesse um remake, seriam os Ursinhos do SWAG, que lançavam azeite pelo peito, onde os maus da fita escorregavam e partiam a coluna. Pensando bem, era capaz de ser um conceito vencedor.

Filmes da Disney
Os tempos áureos da Disney, com obra prima atrás de obra prima. Rei Leão, Aladino, Toy Story, Rei Artur, Robin Hood, entre tantos outras pérolas da animação à moda antiga, que marcaram a minha infância. Alguns sabia-lhes as falas de cor, de os ter visto, revisto e voltado a rever quando o meu irmão era pequeno e os via com ele. O Rei Leão marcou a transição das dobragens em português do Brasil para o de Portugal. Foi estranho ao início.

Em busca do vale encantado
Este merece um destaque especial. Lembro-me de o ter alugado aqui no extinto video clube 44 da Buraca, sem saber bem o que era, mas se tinha dinossauros tinha que ser bom. Lembro-me também de chorar baba e ranho. "Little foot, há coisas que se vêem com os olhos, outras com o coração" disse uma vez o meu irmão à minha mãe com uns 3 anos de idade. A minha mãe pensou que ele fosse um génio filosófico mas depois descobriu-se que estava apenas a papaguear uma das frases marcantes deste filme. Ainda assim é a prova que tinha bons ensinamentos.


Muitos ficaram de fora, Thunder Cats, Cavaleiros do Zodíaco, Sailor Moon, Inspector Gadget, He-Man, Flinstones, mas não cabiam cá todos e já foi uma luta para escolher estes 10. E vocês? Algum que seja imperdoável não estar na lista? Lembravam-se de todos?


Versão brasileira, Herbert Richers 

(Quem perceber esta frase merece um cafuné virtual)

PS: Já tinha escrito um texto sobre as coisas da minha infância para além dos desenhos animados, para os interessados é clicar aqui.
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8 de setembro de 2014

A minha mãe atirou-me com um rissol congelado



Uma vez, era eu puto, não sei precisar a idade, estava a minha mãe a repreender-me por alguma coisa (provavelmente sem razão, porque eu era uma jóia de moço), nisto, eu começo a fazer pirraça, como era costume e estou ao fundo do corredor a dizer umas parvoíces quaisquer. A minha mãe vem lançada da cozinha, com aquele olhar de fúria que só os pais têm e diz-me para ir já para o meu quarto. Eu, na rebeldia da minha infância disse que não ia e a minha mãe, não contendo a irritação, manda-me com um rissol congelado que tinha na mão. O rissol percorreu todo o comprimento do corredor, eu desvio-me e foi bater na parede, falhando-me por alguns centímetros. 

Foi uma espécie de estrela ninja sopeira à qual me desviei com movimentos semelhantes aos do Neo, muito antes de existir o Matrix

Viver na Buraca deu-me essas habilidades. Felizmente a minha mãe não decidiu atirar antes a faca que tinha na outra mão! O rissol provavelmente não me teria magoado, não por eu ser rijo mas por ele já estar em fase de descongelamento e por isso mesmo um pouco mole. Eu fui para o meu quarto e aprendi a lição. Uns parênteses para dizer que no meu tempo ir para o meu quarto de castigo era realmente um castigo. O computador estava na sala e o que eu gostava mesmo era de ir para a a rua esfolar os joelhos. Hoje em dia o castigo que faz mais sentido é mandar os putos saírem do quarto e irem para a rua brincar. 

Hoje em dia, se um pai ou mãe dá uma palmada a um filho, quando ele está a gritar e esfregar-se no chão de um supermercado porque não lhe compram um brinquedo, toda a gente olha para eles como se fossem uma espécie de Manuel Maria Carrilho. No meu tempo era aceitável dar uma boa bofetada nas nalgas, nas mãos ou até mesmo na cara. Podia ser na privacidade do lar ou num parque infantil cheio de criançada. Até servia de exemplo e via-se os outros progenitores a viraram-se para as crias e a dizer "Vês, se não te portas bem é aquilo que te acontece". Uma vez vi uma mãe a espetar uma chapada à padrasto na filha, de 5 anos talvez, sem razão aparente e a gritar bem alto "Voltas a fazer isso levas mais sua filha da puta". Garanto-vos que aquela miúda hoje em dia não deve ter SWAG nenhum. Também não deve ter autoestima, é um facto.

Voltando ao tema do rissol, consta que uma bisavó minha fazia pior. Era do lado do meu pai, pelo que não se pode tirar uma conclusão genética. Tinha provavelmente o sonho frustrado de ter sido lançadora do disco nos jogos olímpicos e então, quando os filhos estavam a faltar ao respeito, lançava as tampas dos tachos numa espécie de frisbee metálico. Conta a lenda que partiu 3 canas do nariz. Hoje em dia, tudo feito em fibras maricas e películas aderentes, o resultado já não seria o mesmo. A técnica usada pela minha bisavó será provavelmente exagerada, mas hoje em dia os pais são mais moles que a pila do José Castelo Branco bêbedo a tentar praticar o coito com a Adriana Lima. Exemplo disso é a quantidade de putos e put... miúdas estúpidas que se vêem à porta das escolas. Uma boa chapada bem dada tirava-lhes logo a mania, o SWAG e ainda com o bónus de lhes fazer saltar aqueles bonés ridículos que usam na moleirinha, contradizendo a expressão "a cabeça não serve só para usar chapéu". As deles é 99% para o que servem.

Não digo que esta geração que agora está nos seus 16 anos seja a pior de sempre. Também havia muito cérebro de cocó no meu tempo. Os de hoje são é mais espalhafatosos e têm internet para disseminar a sua imbecilidade. Também se consumiam drogas cedo mas estes são viciados em likes e seguidores do facebook. E tal como nas escolas, em que os populares são por normais as abéculas, também na internet isso acontece, só que a internet tem espaço para mais populares do que o recreio. É esperar que não sejam esses que vão governar este país quando eu tiver 60 ou 70 anos. Essa merda é que me preocupa, que eu gostava de ter uma velhice descansada.

No meu tempo havia uma professora na escola primária que tinha uma régua de madeira, que até tinha nome: Dona Xiba. A Dona Xiba endireitou muitas costas e curou calos das mãos a muita pequenada. A minha professora era mais meiga mas também puxava da régua de vez em quando. Eu só levei com ela uma vez e não foi merecida, obviamente. A professora ausentou-se durante 2 minutos, dá-se o reboliço habitual numa sala de aula da escola nº1 da Buraca, há um gajo que se arma em atrasado mental, eu agarro nele bem alto e já no movimento descendente de um épico body slam, entra a professora e só vê o miúdo a esbardalhar-se no chão e a começar a chorar. Lá levei a reguada, sem força nenhuma, que a professora gostava muito de mim, mas acima de tudo porque sabia que o outro puto era um idiota. Eu sentei-me a chorar, sem dor na mão mas com o ego ferido. Não fiquei traumatizado. Hoje em dia são os pais que batem nos professores só porque ralharam com os seus mais que tudo. Ninguém pode criticar os petizes, mesmo que aos 10 anos já se perceba que só vão ser alguém na vida se entrarem na Casa dos Segredos.

Os burros passaram a ter défice de aprendizagem e défice de atenção. Eu acho é que a sociedade passou a ter défice de educação

Com pais presentes, que educam, formam e lhes dão um calduço nas ventas quando eles merecem havia menos desta palhaçada de gente que se vê por aí a meter fotos do rabo no Facebook, ou a ir aos meets armados em gangsters. Bater num filho, quando necessário, é como arrancar um dente do siso. Pode custar, mas é necessário para que não cresça todo torto e principalmente para não estragar os outros à sua volta.

PS: Se gostaram podem também ler este texto dentro do género - Sem bullying éramos todos xoninhas 

PS2: Outro texto é este sobre o ATL onde eu andei em que havia maus tratos e era gerido por gente que se drogava.
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3 de setembro de 2014

Mamas, rabos e pipis, o iRoubo do século



Pensavam que iam ver aqui as fotos? Enganei-vos melhor que o Ricardo Salgado. Com os milhões de pessoas que este blogue alcança diariamente tenho receio que o fenómeno ainda se torne mais planetário do que já é. Não me parece bem contribuir para ajudar a divulgar o trabalho de um, ou mais criminosos. Se as vi? Claro que vi. Várias vezes e com detalhe para ter a certeza que não eram montagens... Se as mostrei a amigos? Claro que sim, sou um amigo como deve ser e tento informar os meus sempre dos acontecimentos relevantes da actualidade. Essa dualidade faz de mim um hipócrita? Provavelmente sim. Mas não somos todos?

Para os mais distraídos, o que aconteceu foi o seguinte: o pessoal que tira fotos com iPhone fica com as fotografias gravadas na cloud, que é como quem diz algures na internet, numa aplicação chamada iCloud, que serve para sincronizar as fotografias do iPhone para o iPad ou iMac, por exemplo. E pronto, o pessoal que tinha passwords mais simples foi todo apanhado no esquema e, como era de esperar, muitas das actrizes, cantoras, modelos e outras celebridades, tinham uma parafernália de fotografias a mostrar as miudezas. Um arraial de mamas, rabos, pipis (e algumas pilas) como mandam as leis. 


O mundo ficou chocado na sua hipocrisia puritana

A Jennifer Lawrence, atriz dos Hunger Games, foi a que mais sofreu com a atenção dos media, que utilizaram o pretexto de "Oh fizeram isto à menina que era tão querida!" para publicar as fotos e ainda piorar a situação. Quero aqui apenas deixar uma nota de apreço à Kate Upton, uma das modelos, ou a modelo, mais bem paga do mundo. Uma nota porquê? Porque tem muito mais fotos, muito mais badalhocas e explícitas, mas nem assim lhe deram tanta atenção como à Jennifer. Isto a meu ver é como dizer que com o ar de porca dela já estavam à espera de tudo. Força nisso Kate. Quer dizer, se calhar é melhor não.

Dizer que "elas puseram-se a jeito" neste caso, é exactamente o mesmo que dizer que uma mulher foi violada porque estava de mini-saia. Se elas não deviam ter fotos nuas no telemóvel? Sim, sendo celebridades era sensato, até porque podiam perder o telemóvel. Se uma mulher não deve ir para um beco escuro de mini-saia e com os mamilos entumecidos a verem-se por um top branco sem soutien? Sim, também é sensato não o fazer. Mas o problema é ter que se pensar nessas coisas e ter que se ser sensato por causa de alguns, que para lá de serem atrasados mentais, são criminosas. É triste ver comentários destes ainda por cima vindo de mulheres. Nós homens já se espera tudo, somos chimpanzés de calças. Agora acho é que 10 anos de prisão para o pirata é exagerado. Bastava um ano, numa cela com montra para a rua, com 2 africanos como colegas de beliche, em que as pessoas podiam passar e tirar fotografias à vontade.

Isto é tudo muito giro, são celebridades, algumas que rejeitaram milhões para pousar nuas (porque já tinham muitos milhões, diga-se) apenas a mostrar as mamas e depois, ironias do destino, aparecem escarrapachadas por toda a internet a mostrar mais que isso, sem direito a photoshop, nem iluminação de qualidade. Muitas sem maquilhagem, nem sequer um gloss nos lábios... Se é que me entendem. Agora é um escândalo, como se isso não acontecesse todos os dias, durante anos, a milhares de raparigas desconhecidas por todo o mundo. Algumas porque perderam o telemóvel e algum atrasado mental achou que bater uma a ver as fotos não era suficiente e decidiu que tinha que publicar na internet o achado para todos baterem uma zumbinha conjunta, numa camaradagem de punheteiros. A maior fatia dos casos será a dos ex-namorados sem escrúpulos que decidem publicar fotos e vídeos íntimos na net quando acabam o namoro, lixando a vida ao pessoal honesto que quer fazer vídeos caseiros com as namoradas, já que elas ficam de pé atrás depois de tantos que foram publicados.

Abro aqui um parênteses para realçar que apesar do que acabei agora de dizer, é óbvio que por vezes saem coisas positivas destas atitudes, como foi o facto de se ter descoberto um talento nacional há uns anos: Carla Matadinho.

Não sei que talento é o dela, mas lembro-me de ter visto umas coisas com cenouras

Se teve algum sucesso na vida bem o deve ao técnico de informática a quem ela deixou o computador a arranjar e lhe sacou as fotos e colocou nesse site mítico chamado "chupa-mos.com". Espero que ninguém se lembre de fazer um saque de pirata destes por cá nos dias que correm, que o mais provável era que fossem parar à internet fotos da Fanny, da Alexandra Lencastre e da Carolina Salgado. Eu, com a minha curiosidade mórbida, era gajo para ir lá ver e ficar traumatizado para a vida toda, já para não falar do facto de não ter antivírus instalado no meu computador.

Voltando ao pessoal que publica fotos das ex-namoradas. Mesmo que eu tivesse sido encornado à força toda não o faria, embora fosse boa publicidade para mim porque sou um gajo muito competente nessa área. Ainda assim, acho que é descer muito baixo. Mais depressa esperava que ela começasse a namorar com alguém e depois enviava ao gajo imagens das obscenidades que ela tinha feito comigo, só para o enojar. Isso era bem mais giro. São sites e sites às centenas que são utilizados como arquivo de ex-namorados com o ego ferido e de piratas de 14 anos que acham que a vida se resume a ejacular em frente ao computador com as calças nos tornozelos. Mas com essas, que não são famosas, ninguém se preocupa. Essas podem precisar de mudar de escola e até de cidade. Estas famosas, embora também mereçam a nossa compaixão, estão a limpar as lágrimas a notas de 500€. Ou dólares, provavelmente.

Agora vou fazer serviço público. O método usado para piratear estas contas foi o mesmo que tantas vezes é utilizado noutros casos. Chama-se "força bruta" e neste caso, dado o teor de algumas fotos, é coerente. Por trás. Basicamente é um algoritmo que percorre todas as sequências possíveis de passwords até achar a correcta. Assim sendo, como é óbvio, as passwords mais simples são mais fáceis de encontrar. Atentem na seguinte tabela:


"Ó Sr. Mestre Engenheiro, eu não sei ler tabelas como tu, o que quer esta merda dizer?", perguntam vocês já a panicar um bocadinho, que até soltaram uma pinguinha e um flato. Quer dizer que, se por exemplo, tiverem uma password com 9 caracteres, maiúsculas e minúsculas e ainda juntarem uns números, pontos de exclamação e percentagens, alguém que esteja a tentar descobrir-vos a password vai demorar 44530 anos. Provavelmente vocês não têm nada de tão interessante que justifique tanto tempo investido, já para não falar que piratas informáticos imortais há poucos, embora muitos se pareçam com zombies. Se por sua vez tiverem a password "toufdd", são apenas precisos 10 minutos para serem... tramados.

De nada.
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2 de setembro de 2014

Colibri da asa imperfeita



Antes de mais explico que este texto vem como resposta a um desafio de um senhor bastante parvo que disse que eu só escrevia sobre coisas fáceis. Como tal desafiou-me a escrever sobre "colibris". Como eu também sou parvo aceitei. Vamos então ver no que isto vai dar.

Era uma vez, um colibri azul, da cor do céu ao amanhecer, com o bico laranja pôr-do-sol. Tinha o azar de ter nascido sem a sorte dos demais. Nascera com uma asa que de tão pequena que era, não lhe suportava o peso no ar. A sua família, vendo que ele não sobreviveria, decidiram deixá-lo para trás antes de migrararem agora que chegavam os meses frios que traziam o frio do Inverno consigo. Abandonaram-no perto de um charco, onde flores pequenas brotavam das margens húmidas e ainda quentes. Deixaram-no ali, para que ele não tivesse que voar para se alimentar do néctar das flores, hábito que dava a alcunha de beija-flor a todos os membros da sua espécie. Infelizmente, o pequeno colibri não conseguia sorver o néctar a não ser das flores ainda rasteiras, pois a sua asa imperfeita não lhe permitia voar de flor em flor. Talvez ali sobrevivesse mais tempo, mas mesmo que não morresse de fome morreria quando o Inverno chegasse no ímpeto que lhe era característico por aqueles lados. Ali o deixaram e ali ficou pousado, ao ver a sua família partir para terras mais quentes. Tentou seguir-lhes o voo, batendo a sua pequena asa, mas apenas rodopiava sobre si mesmo, em pequenos pulos que não o levantavam mais que a sua altura. Cansado e abandonado, desistiu de voar e quedou-se ali, encostado a um malmequer com duas folhas arrancadas, num bem-me-quer feito por uma qualquer nortada que não quis saber se era ou não amada.

O tempo foi passando, o charco foi enchendo com as chuvas e as flores das margens foram crescendo viçosas e de todas as cores. Já quase todas eram grandes demais para que o pequeno colibri lhes chegasse. Havia apenas duas ou três, talvez. Pior que isso, era que o pedaço de terra onde ele vivia, ao qual chamava casa, estava agora rodeado de água, numa pequena ilha que inevitavelmente se iria tornar o seu jazigo. O colibri não tinha sido capaz de ir procurar alimento para outro lado. Tinha medo de arriscar. Preferiu ficar ali, no conforto de quem sabia conformado que tinha os dias contados. Não foi capaz de se aventurar ao encontro de um qualquer paraíso de flores rasteiras que lhe alimentasse o bico pelo menos até à chegada da primavera, para voltar a ver os seus pais por uma última vez. No charco, que agora era lago, havia peixes, peixes que andavam num cirandar sem tomar atenção ao que acontecia lá fora, apenas encolhendo-se ao aproximar de uma sombra que os podia levar. Entre todos esses peixes, alheados do que se passava fora daquele mundo deles, havia um, Miguel, que almejava mais. Vinha à tona várias vezes e ali ficava, exposto ao perigo mas a contemplar tudo o que acontecia ao redor daquele mundo de água, que era pequeno demais para a sua curiosidade. Ao ver o pequeno colibri ali, dias seguidos, de pequenos saltos a tentar chegar a uma e outra flor, com dificuldade em se alimentar e cada vez mais fraco, percebeu que algo estava mal com aquela pequena ave. Miguel era um peixe muito pequeno, alimento muitas vezes para outras aves não muito maiores que o pequeno colibri. Embora com avisos de seus pais, para que não fosse lá, que podia ser uma armadilha, decidiu ignorar o perigo e aproximar-se do colibri. Colocou a cabeça fora de água e disse:

- Psst. Como te chamas? - perguntou-lhe Miguel.
- Eu?
Sim tu, colibri, como te chamas?
- Não tenho nome. Só sei que sou um colibri - disse ele a medo, baixando os olhos.
- Eu sou o Miguel. Que fazes aqui sozinho?
- Fui abandonado pelos meus pais... - disse o colibri sem nunca levantar os olhos.
- E porque não voas para outro local? Aí vais morrer quando o lago encher com as chuvas de Dezembro.
- Não consigo.
- Porquê?
- Porque não... - diz o Colibri abanando a sua asa imperfeita.
- Ah estou a ver... foi por isso que te abandonaram os teus pais? - pergunta Miguel de forma perspicaz.
- Sim... eu não os conseguia acompanhar na migração. Pousaram-me aqui perto destas flores, que eram rasteiras, mas que agora já quase não lhes chego.
- Pois, eu tenho reparado. E porque não tentas voar? Nunca te vi a tentar voar.
- Oh, já te disse que não consigo. - disse o colibri com derrota na voz.
- Mas tenta, devias tentar todos os dias até não teres mais forças nem esperança! - disse-lhe Miguel tentando animá-lo.
- Não consigo Miguel. Achas que se houvesse hipótese de conseguir os meus pais me tinham abandonado? - diz o colibri num tom azedo como aquele pouco néctar já estragado que ele tinha para comer.
- Não sei. Tens que confiar mais em ti do que eles confiaram! Não podes desistir. Tens que bater asa! Tens que bater punho colibri!
- Bater punho? O que é isso Miguel? Eu não tenho punho, só uma asa que de nada me serve. - responde o colibri confuso mas curioso.
- Disse bater punho que é para as pessoas que estão a ler isto perceberem que eu sou uma metáfora do Miguel Gonçalves! Bate punho metafórico. Se bateres asa tudo é possível, podes voar e ser quem tu quiseres. Não interessa o teu passado, não interessa o estado do tempo. Vira-te a favor do vento e bate asa colibri. Bate asa!

O pequeno colibri, qual fénix renascida com aquelas palavras inspiradoras de Miguel, de lágrimas nos olhos de desespero e esperança, virou-se contra o vento, esticou as asas, tomou balanço e começou a batê-las. Começou a tentar pular, rodopiando para a esquerda, num golpe de asa mais forte de um lado que do outro. Nisto, um vento caprichoso estabiliza-o. Levanta-o e leva-o a ver a vista de uma altura que ele nunca tinha conseguido ver por si só.

- Bate a asa colibri, bate a asa com força, com convicção, tens que querer, tens que mostrar que és capaz! Bate a asa e voa, voa que tu consegues, basta quereres e esforçares-te! Bate a asa colibri!
O colibri, como que por milagre, começou a voar, não era planar, era voar! A custo, sempre tendo em conta que tinha que compensar o voo para um lado conseguiu voar e parecia manter-se suspenso por entre as brisas.
- Olha Miguel, consegui! Consegui! Estou a voar! Isto é tão lindo aqui de cima! Tinhas razão, bastava eu querer e bater asa! - diz o colibri entusiasmado, chilreando de felicidade como nunca tinha feito.
- Vês?! Eu disse-te colibri! Basta quereres! Agora podes ir para outro lado, onde te podes alimentar, que eu já vi que não comes há uns dias. Imagina quando estiveres com as energias repostas como vais voar ainda mais alto e mais rápido! Podes ir reencontrar a tua família! Eu acredito em ti, tens que acreditar também! Voa e nunca deixas de bater asa!
Subitamente, num voo picado, o colibri mergulha no lago e abocanha Miguel de uma só vez, inebriado por uma adrenalina que jamais sentira, sentia-se o dono do mundo e a fome era muita.
- Porque é que fizeste isso colibri? Eu ajudei-te... - disse Miguel nas últimas palavras antes de ser engolido.
O colibri tentou voltar acima à superfície mas não conseguia. Com Miguel no estômago estava mais pesado e a sua asa cansada já não tinha mais força para o fazer sair da água. Bateu asa, bateu e voltou a bater mas não conseguia sair.
Morreu afogado.


FIM

Moral da história:
  • Os Colibris são como as pessoas, há uns que são filhos da puta ingratos que não valorizam quem os ajudou;
  • Por vezes não interessa quanto asa, ou punho bateres. Ás vezes há condicionantes que não te permitem ter uma vida como querias. A doença, o vento, a chuva, os pais que te valorizam. Ás vezes não tens sorte, podes e deves bater punho mas com a consciência que isso pode não chegar;
  • Colibri é uma palavra maricas.

Como já disse, este texto surgiu de um desafio, desafio esse feito pelo autor do blogue "Dentro de Horas", para quem deixo agora o meu desafio a ver se ele é homem para isso. Ó coisinho, tens até 2ª feira da próxima semana para apresentar um texto sobre... Molas da roupa. Fácil, fácil.

PS: Comentem a dizer que está genial, só para ele ver quem é que manda aqui. Agora a sério comentem como sempre, de forma sincera e honesta que eu não quero cá paninhos quentes.
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