25 de março de 2015

Entrevista ao gajo dos cartazes, Hugo Rosa




Bom dia, hoje um post diferente. Não lhe chamaria bem entrevista nem inquérito, porque no fundo é uma série de perguntas parvas que decidi fazer ao Hugo Rosa, o gajo dos cartazes do Got Talent. O Hugo é um comediante com quem já tive o previlégio de partilhar o palco várias vezes. Já o conhecia antes dele participar e sempre lhe achei mais piada que ao Guilherme Leite. Vamos conhecê-lo melhor? Vamos a isso que quem manda sou eu.
 
PFNC: Sei que és informático como eu, por isso começo esta entrevista com um "m/f?", "dd tc?", "idd?" e "como te chamas linda?"
HR: f,lx,18,débora e estou-me a tocar (limitei-me a dar-te a resposta que sempre sonhaste).

PFNC: Há quanto tempo começaste nesta vida de (tentar) fazer rir?
HR: Esta vida já vai para 5 anos e meio. Fiz o curso de Stand Up da Bang Produções em 2009 e no final incluia um espectáculo para "provarmos" a droga. Nunca mais a larguei.

PFNC: Como foi a primeira vez que pisaste um palco?
HR: Foi a experiência mais nervosa da minha vida, e na semana anterior tinha feito salto tandem de queda livre!! Estive em palco 18 mins e correu-me muito bem, mas também estava a jogar em casa (tinha algumas 50 pessoas amigas no meio de um público de 140).
 

PFNC: Escrever, fazer stand-up, fazer improviso, sketchs ou outra coisa? Queres fazer sempre de tudo um pouco ou tens alguma preferida da qual gostavas de viver exclusivamente?
HR: Um comediante não pode ser exclusivamente uma só coisa. Nem em Portugal nem em lado nenhum. Acho que temos de trabalhar nas várias vertentes da comédia e é por isso que tento fazer de tudo. Mas para mim a experiência de palco (Stand Up e Improv) é a melhor, porque tens um público que te dá feedback instantâneo sobre o que acha do teu humor.
 

PFNC: Referências no humor nacional, para além do Guilherme Leite?
HR: Ora bem, deixo só um top 3 para não me alongar muito: Herman José, Bruno Nogueira, Carlos Moura e para acrescentar mais nomes a esta lista, só se me quiserem dar trabalho :P
 

PFNC: E internacional?
HR: Como no estrangeiro ninguém me quer dar trabalho, a lista é mais longa: Louis CK, Bill Burr, Jim Jeffries, Chris Rock, Jerry Seinfeld, Dara O'Briain, Jimmy Carr, Stephen Wright, Jon Dore e se quisesse podia continuar... Milton Jones, Stephen Francis, Dave Chapelle e olha que era menino para dizer mais uns quantos ... .. . Robin Williams, Mitch Hedberg e se calhar já chega ... ... .. . . . Demitri Martin e se me lembrar de mais algum mando um mail!
 

PFNC: De 0 a 10, qual o nível de desilusão por aquele grupo de jovens com mãos fluorescentes e temas de Jesus ter passado à final no Got Talent e tu não? Achas que foi por vontade de Deus?
HR: Ahahaha, não estou desiludido. Não estive à altura das expectativas e fiz um trabalho mediano quando tinha de ser perfeito. Deixei-me influenciar em demasia por certos acontecimentos e a questão de ter apenas 2 minutos nunca joga a favor de um comediante. A culpa é minha, mas só com o vídeo do casting já tirei mais daquele programa do que alguma vez pensaria tirar (1 milhão de fucking views!!!!).
 

PFNC: Tens noção que se o ser humano nunca tivesse inventado a religião, tu provavelmente terias passado?
HR: Continuo a achar que é improvável. Ainda assim, fica esse lindo pensamento. #diejesusdie #bringbackourjesus #jesuspleasedieagain
 

PFNC: Achas que algum dia Portugal vai ter um vencedor de um programa de talentos que seja um comediante e que não tenha sido abandonado pelos pais nem tenha pelo menos uma doença grave?
HR: Acho que sim. Acho que se eu tenho feito algo realmente bom, o público tinha votado em mim porque senti que queriam mesmo que superasse o que já tinha feito. Com um formato de programa de menor restrição temporal, um comediante de qualidade parte aquilo tudo.
 

PFNC: Em termos de gajas, aparecer na TV trouxe-te quantas maminhas para autografar até agora?
HR: Puto, não te passa pela cabeça. UMA mama... a da minha namorada... enquanto ela estava a dormir... .. . Ricky Gervais: outro comediante que curto!
 

PFNC: Já alguma empresa de venda de cartazes te contactou para fazeres publicidade para eles?
HR: Não mas a Staples já se chegava à frente (wink wink) Deixei lá uns euros valentes!
 

PFNC: Queres deixar alguma palavra fofinha àquelas pessoas que depois de verem o teu vídeo do Got Talent comentaram com coisas do género "Acho inadmissível ele fazer piadas com matar gatinhos! É um ordinário!" ou "Devia morrer com cancro, esse patife!"?
HR: Essas pessoas podem ir levar ... os filhos à escola :P Rapidamente comecei a desligar do feedback sobre o que podia ou não dizer. Há pessoas que gostaram e pessoas que não gostaram, o que está no seu direito e podem manifestar essa opinião. Mas achar que a coisa errada daquilo, foi fazer referências a violência animal, ou cancro, e que devia haver limites é só ignorante ou hipócrita. Aposto que qualquer um deles já se riu de uma piada racista ou até de uma anedota "Um inglês, um espanhol e um português ..." que regra geral ofende nações inteiras de uma só vez. Enfim, todos temos telhados de vidro, comediantes incluídos.
 

PFNC: És Charlie ou és Gustavo Santos? Tens algum limite ou tema tabu quando fazes humor?
HR: Não tenho limites, falo do que acho piada. Depois o público julga e decide se também acha. Só tento não fazer a piada fácil de "esta gaja é porca", "aquele é corrupto" etc etc... porque acho redutor e dessas chovem aos milhares na internet de comediantes e não só. Em tempos li um comediante dizer algo que tento ter em mente, sempre que estou a escrever: "se um civil consegue fazer a mesma piada, então o comediante não é original".
 

PFNC: O que achas de não haver nenhum programa de humor na TV generalista portuguesa, com a excepção do Jornal Nacional da TVI?
HR: Acho uma pena, especialmente quando já se viu que o formato funciona (Levante-te e Ri) e sabendo que existem hoje mais comediantes com qualidade do que nunca. Por mim, era colocar um programa de Stand Up em horário tardio (da meia-noite para a frente), fazer trabalho de edição para garantir um produto de maior qualidade possível e não borrar a cuequinha sempre que o comediante toca em temas "sensíveis" ou diz um palavrão. Depois, era ver a magia a acontecer.
 

PFNC: Portugal sabe rir ou ainda tem a mentalidade do "muito riso, pouco siso"?
HR: Não gosto de argumentos que desculpam a falta de qualidade do comediante e este é muitas vezes usado dessa forma. É certo que há diferentes estilos de humor e públicos que não se adequam a alguns, mas temos de trabalhar sempre para fazer as pessoas rir do que nós também nos rimos e o resto é desculpas.
 

PFNC: Vende-te, sua badalhoca. Diz onde é que as pessoas te podem ver ao vivo nos próximos tempos. Podes deixar links e tudo, que eu sou um mãos largas.
HR: Yay, sou uma badalhoca. Ora bem, para já estou com o meu grupo de comédia de improviso (Improvio Armandi) todas as sextas até ao final de Maio, no Teatro da Comuna com o espectáculo TRAILER. Improvisamos um filme inteiro para o público e eles é que decidem o rumo da história. (Sinto-me sujo!) No inicio de Abril vou fazer 4 shows de Stand Up ao Porto a convite do Rui Xará e em Maio e Junho vou estar de volta com os meus Saia Na Saída ao Lisboa Comedy Club para espectáculos de Stand Up quinzenais (é aos Sábados! Vou tomar banho, emprestas-me o teu champô Johnson?).



E pronto, é isto. Gostaram de o conhecer? É um gajo porreiro por acaso, não é muito normal entre comediantes. Ele é mesmo um gajo humilde, as respostas dele não foram só para agradar, a mim quase que me convencia que a culpa foi dele e não do público que é na sua maioria burro. Já sabem, sigam-no e se o quiserem ver ao vivo apareçam esta sexta-feira, dia 27, no Teatro da Comuna, às 21h45, para uma noite de improviso, que se tudo correr bem vai ter piada, mas eu não prometo nada.
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24 de março de 2015

50 Sombras de Por Falar Noutra Coisa (conto erótico)



Aqui estou eu, de joelhos pronta para ti. Entrego-me, toda, de corpo e alma. De razão toldada pelo coração faço dos teus desejos ordens, os teus caprichos serão satisfeitos por esta tua serva sem livre arbítrio, submissa à tua vontade. Podes fazer de mim o que quiseres, que eu farei o que me mandares sem questionar as tuas razões. Um servo nunca questiona o seu mestre, por muito que lhe pareçam estranhos os seus pedidos, alguma razão ele deve ter. Podes prender-me, amarrar-me e marcar-me se eu merecer. Eu própria farei derramar o meu sangue se assim o entenderes. Podes fazer as maiores barbaridades que eu vou obedecer, compreender e continuar a servir-te com toda a vontade do meu ser. Não me vou dar a mais ninguém que não a ti. Vou renunciar a todos os prazeres que não tenham origem no teu, tudo o que me dá prazer agora és só e apenas tu. Vou recalcar e fazer do teu corpo e do teu sangue serão os meus únicos vícios. Vou suprimir as minhas vontades e trocá-las pelas tuas, pelos teus desejos e pelas tuas necessidades. Podes usar-me sem nunca me dar nada em troca, podes prometer e nunca cumprir, humilhar-me, fazer-me rastejar, andar de joelhos o dia todo que serás sempre aquele que está bem alto no altar, perfeito e impossível de alcançar.

Visto-me com as vestes que me mandas, de preto que sei que gostas, da forma que me queres eu serei. Só vou dormir depois de te pedir autorização e agradecer por mais um dia a servir-te e acordarei sempre com o sentimento de ser menor que tu, menos perfeita que tu, de não te merecer. Não me vou sentir nunca digna de ser a tua serva. És a razão do meu viver, por tudo o que de bom me acontece na vida eu vou-te agradecer. O que vier de mau, não te vou culpar, mas mesmo culpando sei que algum objectivo deves ter. Vais-me pedir coisas que não quero fazer, eu sei, mas por seres tu a pedir eu vou querer. Sou tua. Toda tua. Vestida e nua, sou tua. Nunca me vou cansar de chamar o teu nome, de o repetir vezes sem conta, seja a pedir perdão ou a pedir autorização, mas nunca em vão. Sei que apesar de distante, de altivo e superior, de cada vez me que me ouvires dizer "Pai nosso que estás no céu...", me vais responder. Se quiseres e eu merecer.


Vocês estavam a pensar que isto era uma qualquer cena de sado-masoquismo e no fundo é, mas não de teor sexual. É um resumo do que passa pela cabeça de uma freira quando se entrega a Deus. Ou de um Padre. Ou de qualquer outra pessoa que se entrega a uma relação de subserviência, sem questionar as ordens do seu Senhor, numa fé cega, que só a obsessão confundida com amor, consegue fazer deixar de ver.

Depois disto, faz sentido ver o ponto de vista de Deus, numa carta que ele me enviou no outro dia, através da Alexandra Solnado
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23 de março de 2015

Virgindade, ex-namoradas e cobranças difíceis



Bom dia e não percamos mais tempo. Vamos a mais uma rubrica "O Doutor G explica como se faz".

 
Grande Doutor G, um «amigo» meu, emocionalmente destruído por uma menina, não tem uma luta à moda do Dr. G (todo nu) já há bastante tempo. Nesse sentido, experienciou um sentimento que eu me atrevo a questionar se de facto existe: ele afirma ser virgem outra vez. Assim sendo, a minha questão passa por lançar a discussão no âmbito da virgindade. Será possível voltar a ser virgem? E como funciona com as Evas deste mundo? Dr. G, o que é a virgindade?? Aguardo uma resposta de acordo com a ideologia Filosofo-javarda! Muito obrigado!
CG, 22, Beja

Doutor G: Caro CG, a virgindade é acima de tudo um estado de espírito, principalmente nos homens, em que nada se rompe ao perdê-la. Pelo menos nos heterossexuais. Bom, mas adiante, esse sentimento que o teu "amigo" diz sentir, é aquele sentimento de quem sabe que da próxima vez que fizer, o acto vai durar tanto como o de um virgem, que normalmente são poucos minutos, ou até segundos. Nas mulheres, pode dar-se o caso de haver perda de elasticidade e da próxima vez haver necessidade de uso de halibut no dia seguinte. Ele que use essa do "sou virgem" como forma de engate, que há muitas mulheres que vão achar piada e tentar ser as primeiras a ensinar-lhe o que é bom.


Caro Doutor G, preciso de um conselho de alguém com criatividade...Se alguém lhe devesse 300 euros o que faria?! Eu e o meu namorado alugámos uma casa a um senhor que já tinha alugado casas a vários amigos nossos (correu tudo bem com todos), mas no final da história nós os dois ficámos sem dinheiro e sem casa... A questão é que este bandido ainda nos atende o telemóvel e fala como se nada tivesse acontecido! Anda na rua a fumar o seu cigarro com a descontracção de quem não deve nada a ninguém...já não sei o que fazer...
Soraia, 28, Lisboa

Doutor G: Cara Soraia, apesar de não ser uma pergunta de cariz sexual, sentimental nem existencial, eu respondo na mesma com todo o gosto. O Doutor G é apologista que a violência não resolve nada, mas que pode ajudar em muitos casos. Sugiro que com o auxílio de dois ou três gajos, o apanhem a fumar o cigarrinho na rua e o encostem à parede e lho apaguem na testa. Depois perguntem "Então, os meus 300€? Vais pagar já em dinheiro ou com os dentes, sendo que cada um vale 10€?". Ele se souber fazer as contas vai perceber que só vai ficar com 2 no final, caso tenha dentes do siso, ou que ainda vos vai ficar a dever 20€. Se preferirem uma via mais subtil, sugiro entrarem-lhe em casa sempre que ele não esteja, já que deduzo que tenham a chave e lhe mudem uma ou duas coisas do lugar, para ele começar a pensar que a casa está assombrada ou que está a ficar maluco. Dou-vos ainda uma terceira opção que passa por contratar uma prostituta de luxo que se faça a ele sem ele saber. No fim do acto, ela que lhe peça dinheiro pelo serviço, onde acrescem os vossos 300€. Se ele se recusar, ela ameaça com o seu chulo e seus brutamontes e voilá, o dinheiro aparecerá.


Caro Doutor G eu tenho uma questão que não me deixa descansado, quando era adolescente e durante anos um amigo meu tinha uma namorada e sonhei de várias maneiras que possuía a rapariga e fazia muito amor com ela. Mas agora passaram 10 anos, eles já não andam, ela quer fazer sexo comigo e posso finalmente concretizar o meu sonho, mas tenho medo que a realidade não seja tão boa como eu imaginei e que esse meu amigo me parta a boca toda por tocar no que foi dele e depois eu agora comecei a dar-me bem com uma outra amiga minha em que também posso ir para cama com ela. O que faço? Vou para cama com aquela com quem sempre fantasiei ou com a minha outra amiga que comecei também a dar bem?
António, 25, Setúbal

Doutor G: Caro António, primeiro que tudo não percebo a dúvida do "Vou para a cama com esta ou com aquela?". Porque não ir com as duas? Não me parece uma equação mutuamente exclusiva. Segundo, se fantasiaste com namorada de um amigo é porque não és um bom amigo. Para o Doutor G, namoradas dos amigos é como se tivessem uma pila, muitas das vezes na testa. As ex-namoradas igual, são homens. Caso não seja um grande amigo, percebo que tenhas essa vontade, mas se quiseres avançar, sugiro que fales com o teu "amigo" para saber se ele aprova essa situação. Primeiro para ele não te partir a boca e depois porque tens que pensar se vale mais um amigo ou uma noite de sexo. Para mim a resposta é óbvia, espero que para ti também.


Caro Doutor G, tenho 20 anos e ainda sou virgem, por opção. Gostaria de saber qual é a sua opinião sobre sexo apenas depois do casamento. Eu por um lado gostava de me guardar, mas por outro tenho dúvidas e muita vontade de me entregar já. O que aconselha?
Raquel, 20, Portalegre

Doutor G: Cara Raquel, cada um sabe de si, mas esperar para fazer sexo depois do casamento é parvo. Ninguém compra um carro sem experimentar primeiro. E se depois descobres que ele tem um mico-pénis, juntamente com ejaculação precoce e que acima de tudo é egoísta e não está interessado em dar-te prazer? Calculo que para teres essa convicção devas ser religiosa e diz que divorciar é pecado, portanto vais ter que ter mau sexo para o resto da vida e deixa-me dizer-te que não conheço ninguém feliz que tenha mau sexo. Normalmente são até pessoas azedas e que vão para as redes sociais comentar a dizer mal em páginas alheias, porque lá está, não têm mais nada interessante para dizer. Tens vontade de efectuar uma bela fornicação? Então efectua. Aliás, depois quando encontrares o homem ideal para casar, até já vais com mais experiência e a saber mais truques para fazer dele o homem mais feliz do mundo.


Tive uma namorada até há uns 4 meses, acabámos e entretanto envolvi-me com outra rapariga e começámos a andar. No entanto esta 2ª rapariga é bastante estranha, e no outro dia estava com ela e dei comigo a prestar muito mais atenção às mensagens da minha ex do que ao que a atual estava dizendo... Tenho um historial bastante significativo de traições (e ser traído também infelizmente...), e embora já tenha dito a mim próprio que tenho que me deixar dessas coisas, nunca cumpro e a minha ex ainda se sente claramente atraída por mim, que achas que devo fazer?
Nuno, 19, Figueira da Foz

Doutor G: Caro Nuno, trocar mensagens com a ex? Isso é um erro de principiante. Claramente não gostas assim tanto desta nova namorada e/ou ainda sentes alguma coisa pela outra. Acho que deves estar sozinho e perceber o que sentes. Se conseguires juntar as duas para uma festa do pijama, pode ser também uma boa opção para esclarecerem os vossos problemas.


Hoje o post foi mais curto. Porquê? Porque o Doutor G recebeu poucas dúvidas esta semana. Por isso cabe a vocês que esta rubrica continue, porque eu não tenho paciência para inventar histórias falsas. Partilhem e enviem as vossas dúvidas para porfalarnoutracoisa@gmail.com. Até à próxima segunda-feira e já sabem:


Até lá, façam muito amor à bruta, que de guerras o mundo já está cheio.
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19 de março de 2015

Faz 5 anos que o meu melhor amigo morreu



Já não consigo achar piada ao dia do pai. Dia 18 para 19 de Março marca dos piores dias pelos quais já passei. Dia 18 percebi que irremediavelmente iria ter de mandar abater o melhor amigo e, dia 19, dei-lhe finalmente paz. Um texto para as meninas verem que eu sou um gajo muito sensível e para os meninos me chamarem maricas.


Chamava-se Zen e tinha na alma a calma e pachorrência de quem não guarda rancores. Gostava de brincar a que horas fosse, se fosse desafiado para isso. Gostava de dormir, de passear, de mimos, de maçãs e de lamber as tampas dos iogurtes. Ainda nem tinha feito os 6 anos quando adormeceu pela última vez à força de químicos injectados na veia. Sem dor partiu, mas ficou a dor para os outros, para eu digerir. Faz hoje 5 anos, dia do pai, um dia a seguir aos meus anos que fiquei sem o meu melhor amigo. Sem o meu companheiro dos dias. Sem ouvir o seu ressonar à noite a ecoar nas paredes do meu quarto, ou da cozinha quando estava mais calor. Sem alguém que vá a correr para a porta sempre que eu entro em casa, com uma alegria desmedida, fosse a minha ausência de 5 minutos ou 5 dias. Sem alguém que fosse apanhar os bocados de comida do chão que caíam enquanto eu estava a preparar o jantar, ou o lanche. Sem alguém que viesse ter comigo e fazer-me sentir que fosse qual fosse o problema tudo iria ficar bem.

Desde que me lembro de ser gente que me lembro de querer um cão. No meu diário quando tinha 12 anos escrevi "O meu maior sonho era ter um cão ou ter os poderes do Songoku" e isto diz muito sobre o quanto eu queria ter um cão, porque ter os poderes do Songoku era do caraças. Os meus pais nunca foram na conversa durante anos.


Para me calar, quando eu tinha 6 anos deram-me um cão de peluche de prenda. Senti-me ofendido por acharem que um ser inanimado me podia colmatar a falta de um verdadeiro amigo de quatro patas.

Passado uns bons anos, sem saberem como, já tinha eu mais de 20, lhes dei a volta. Convenci-os que havia uma raça perfeita para apartamento, que não ladrava, nem largava muito pelo. Por coincidência havia um conhecido que tinha uma ninhada com 2 meses. Fomos lá vê-los e os meus pais apaixonaram-se por ele no momento em que o viram. Os xixis ocasionais no tapete do corredor, os chinelos roídos e os pelos no sofá deixaram de ser problema. Era mais um lá em casa que sujava. Era o melhor cão do mundo e eu tentei ser o melhor dono possível, e acho que fui. Passei os últimos 3 meses da vida dele a dar-lhe comida à boca, a comprar toda a comida possível para lhe despertar o apetite, a cozinhar para ele. A dar-lhe antibióticos de 4 em 4 horas, todos os dias na esperança, que era pouca, que ele melhorasse e não se fosse. Apesar dessa dedicação lhe ter dado mais 2 meses do que o prognóstico inicial, acabou por ir. Vi-lhe os olhos a fechar e o corpo a abater-se quando se lhe entrou o líquido da seringa. A médica disse que era melhor eu não estar presente, mas eu estive. Ele merecia isso. Merecia que eu fosse a última coisa que ele visse, que estivesse calmo antes de lhe darem o sedativo. Merecia que eu lhe desse uma festa e dissesse que ia correr tudo bem, como ele me fazia a mim e que depois disso já não ia sofrer a tentar respirar, porque já não ia precisar de o fazer.

São poucas as pessoas que amei mais do que amei o meu cão. Mais que muita gente que é ligada a mim por sangue. Quando ele já estava muito doente, a minha mãe ligou-me quando eu estava fora de casa. Eu atendo e vejo na voz dela que algo não estava bem, pensei que tivesse chegado o dia, mas não. Era um tio meu que tinha morrido de ataque cardíaco. 


Quis ficar triste mas não consegui. O alívio de não ter sido o Zen a morrer foi maior.

Quem não tem, ou nunca teve provavelmente não compreende. Não consegue conceber como se consegue gostar tanto de um animal, que para mim era uma pessoa. Não tenho filhos, mas gostava dele como se fosse um. E quem diz que não se deve comparar que vá à merda, porque eu trocava o teu filho por o meu cão sem pensar 1 vez. Saber que há pessoas capazes de abandonar um cão, ou de o mal tratar de outras formas, faz-me querer estar com elas cara-a-cara numa sala fechada onde as leis não se aplicam. Deviam ser abatidas mas sem a bondade de uma morte calma e indolor como foi a do Zen. Quando foi operado da primeira vez, ainda novo, ficou sem me "falar" 2 dias. Sem aceitar biscoitos da minha mão, sem querer festas, sem dormir no meu quarto. Depois perdoou tudo. Dois dias foram o suficiente para esquecer o sofrimento horrível que passou sem compreender nada. Dois dias bastaram para me perdoar na culpa que não tinha, mas que ele não sabia. Dois dias para voltar a amar incondicionalmente e sem remorsos, sem ressentimento. Só um cão consegue fazer isso.

Sempre pensei que o pior que podia acontecer era ter que se decidir quando abater um cão. Talvez pela palavra abater, que é horrível. Talvez por me ter morrido antes um, com 5 meses, no colo, de repente. Sempre achei que era pior ter que se decidir por fim à vida do nosso melhor amigo quando ele ainda dá sinais dela e de alegria ocasional. Quando por muito mal que esteja haja sempre esperança de recuperar. Mas não foi difícil. Foi fácil. Foi perceber que era egoísmo ele continuar vivo. Na noite dos meus anos decidi que de manhã iria dar-lhe paz. Ele sempre me apaziguou e acalmou, sempre me tirou a depressão ao deixar fazer-lhe uma festa no focinho enrugado, e eu, como melhor amigo dele, tive que o deixar ir. Foi fácil. O difícil é lembrar-me dele todos os dias e saber que nunca mais o vou ver. Porque o céu onde ele está não existe, só existe onde ele deitava a cabeça para dormir. No meu peito.
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18 de março de 2015

Queridos, mudei o blogue e faço anos hoje



Os mais atentos já devem ter reparado que o endereço do blogue passou a ser www.porfalarnoutracoisa.sapo.pt. Mudei-me de morada mas a antiga continua a funcionar também, por isso não refilem. "Ai, mudaste porquê? Aposto que vais mudar a forma de escrever e passar a ser politicamente correcto!", dizem alguns, os mais parvos. Estive a ponderar algum tempo, já que tive receio que ao mudar para o SAPO perdesse alguns leitores, especialmente os ciganos. Estou a brincar, toda a gente saber que isso é mito! Os ciganos não sabem ler. Pronto, estão a ver como isto vai continuar a ter piadas de mau gosto? Espero que estejam mais descansados. Vai ficar tudo igual menos o endereço lá de cima. De resto continuará a ser um local onde vai imperar a parvoíce, mas também algum bom senso.

Peço-vos que estejam atentos e que caso se deparem com algum problema me digam. Se der algum erro, não funcionar alguma partilha ou comentário, avisem que é para eu dar conta do recado. Sim, porque para não perder os comentários anteriores, a equipa técnica do SAPO não sabia como resolver, até disseram que seria impossível, mas o que é certo é que aqui o menino a puxou das skills de xoninhas nerd e resolveu o problema em menos de uma hora. Bem, por isso já sabem, qualquer problema ou coisa fora do normal agradeço que avisem.

Prometo também não começar a postar uma fotografia do meu outfit todos os dias de manhã, quanto muito meto uma de pijama ao deitar. Prometo que não vou falar de moda, de maquilhagem nem de trens de cozinha e receitas da Bimby. Não vou começar a namorar com ninguém da Casa dos Segredos, tampouco vou começar a sentir-me atraído sexualmente por homens. Bem sei que é uma desilusão para muitos, mas para eu ficar interessado por alguém continuará a ser preciso pagarem-me um jantar e possuírem um pipi. Prometo também não falar de decoração de interiores nem me afiliar em nenhum partido e ver as minhas opiniões "livres" sublinhadas a azul. Como podem ver, enfiaram-me neste lote de blogues conceituados, onde estou claramente a destoar, nem que seja porque sou o único homem... Estou a brincar, agora num tom mais sério, obviamente que o público alvo da maioria deles não sou eu, mas todos têm o seu valor, nem que seja porque escreveram muito, durante muitos dias, durante meses ou até anos, sem que ninguém lhes ligasse nenhuma e mesmo assim não desistiram e continuaram a fazê-lo por gosto. Por isso, estar seleccionado para estar no meio deles é uma honra, é sinal que em pouco mais de um ano, graças a Deus (lol), a vocês todos e a mim, consegui alguma visibilidade. Se eu gostava que houvesse menos blogues de moda e mais de humor? Claro que gostava, mas também assim tenho menos concorrência. Sou um optimista.



"Se está tudo igual, então para que mudaste? Vão-te pagar milhões, não é sua porca capitalista?", pensam alguns. Nada disso, continuarei a ser pobre. Mudei porque é possível que estando no SAPO chegue a mais pessoas e é só isso que me interessa neste momento. O blogue nunca será o meu trabalho nem de onde vou conseguir  ganhar dinheiro para pagar as contas. Por isso, o que me interessa é que mais gente conheça, que mais gente leia e que mais gente diga bem (e mal também). O SAPO à partida vai ajudar o blogue a crescer e a que mais pessoas se vão rindo das parvoíces que vou escrevendo. Na prática não muda nada, por isso quem se insurgir com tretas do "Ahhh eu gostava mais quando não tinha o .sapo.pt lá em cima", bem que pode levar um pontapé na sacola dos girinos. Estou muita forte a fazer associações entre as várias fases da vida dos batráquios.

E pronto, era só isto que tinha para vos dizer, até porque faço anos hoje e não tenho tempo para mais. Sim, faço 31, o início do fim. Podem dar-me os parabéns que só vos fica bem. Podem também aproveitar o dia e partilhar o blogue com os vossos amigos, dizendo que é o melhor blogue feito por alguém da Buraca! 

Só porque o António Feio já morreu, o Bruno Nogueira já não mora lá e o João Baião não tem internet em casa para não se sentir tentado a rever vídeos do Big Show SIC.

Já agora, deixo uma pergunta no ar, se eu editasse um livro com a compilação das melhores crónicas do blogue, vocês eram gajos e gajas para querer adquirir um exemplar? E já agora oferecer outro à vossa avó no Natal, para ver se ela tem um enfarte e vos deixa a herança mais depressa? Pensem nisso e digam-me, que ando só a sondar o mercado. Bem, agora vou só ali continuar a trabalhar, sim porque eu também tenho um trabalho honesto de gente crescida, portanto cada vez que alguém comenta a dizer que eu em vez de escrever idiotices devia era arranjar um trabalho, eu rio-me um bocadinho e depois choro, porque realmente tenho que trabalhar. Beijinhos às meninas e abraços aos meninos, ou se quiserem ao contrário é convosco, não sou gajo de discriminar.
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17 de março de 2015

Caderneta de cromos de pedófilos



Então parece que que foi aprovada a medida que prevê a criação de uma base da dados de condenados por pedofilia que será acessível às autoridades, mas também a todos os pais com filhos menores de 16 anos. Uma espécie de cromos para que a criançada complete a colecção e troque os repetidos. Já estou a ver os pequenotes a gritar "Oba! Saiu-me o cromo brilhante, o Carlos Cruz! Antes sair que entrar!" e "Tenho um Bibi para a troca!" ao que o amigo responde "Oh, esse toda a gente tem, é o cromo que sai sempre". Depois quando completassem a caderneta, podiam trocá-la por um par de ténis da Nike.

Voltando à base de dados semi-pública, acho que é uma medida parva. Não tenho compaixão nenhuma por pedófilos, mas se foram condenados e cumpriram pena, é para serem reintegrados na sociedade e não para serem discriminados. Ainda por cima discriminados por pais que têm medo que alguém queira abusar das suas crianças ranhosas. Já estou a ver conversas de elevador deste género:

- Sabia que o Alfredo do 2º esquerdo esteve preso 6 anos por pedofilia? Eu bem me parecia que ele olhava com um ar guloso para o meu Sandro Miguel.
- A sério? Não fazia ideia! Por acaso nunca reparei em nada, mas sabe como é, o meu Valter nunca anda com roupas provocantes e usa pouca maquilhagem.
- Pois, só pode ser disso, que o seu filho é muito bonito, qualquer pedófilo seria um sortudo em o ter.

Esta medida é parva, reafirmo. Isto é dizer que a sociedade não tem capacidade para reintegrar este tipo de criminosos, mas que ter molduras penais mais severas para eles não dá muito jeito. É dizer que mais vale remediar que prevenir e que há criminosos diferentes de outros. Já agora, porque não abrir a base de dados de todos os cadastrados a toda a gente? 

A mim dava-me jeito saber se tenho alguma rapariga na praceta que já tenha sido presa por atentado ao pudor na via pública. 

Dava-me também jeito saber a lista de condenados por tráfico de droga, que dada a taxa de reincidência é bem provável que ainda tenham produto para vender. Não gosto de governos que deixam as coisas a meio, se é para divulgar a lista de pedófilos, porque não a de violadores no geral? Acho que uma mulher tem tanto direito em saber se há um predador na sua área para atacar a sua cria, como a ela própria. Homens também, atenção, exijo saber se existe uma gorda no meu bairro que já tenha sido presa por se sentar na cara de um transeunte, enquanto lhe barrava Nutella nas vergonhas e se lambuzava toda, numa apneia sexual e gastronómica que faria o Chef Avillez bolsar na própria boca.

Para além de tudo isto, esta medida vai causar muitos outros problemas. Dizem que só os pais de crianças menores vão ter acesso à base de dados... Sim, porque as pessoas não falam nem nada, basta uma dessas mães ser a porteira de um prédio, para no dia seguinte já o bairro inteiro saber que no número 65 da Rinchoa, há um pedófilo a morar com a mãe no rés-do-chão frente. Eu não respondo por mim se souber que há um animal desses no meu prédio, estou a ver-me a chegar a casa, depois de uma hora no trânsito e encontrar esse sujeito no elevador. Ele vai tentar desbloquear a conversa e dizer "Está fresquinho, não está?". Com o cansaço e a raiva acumulada no trânsito, eu vou associar o uso do diminutivo na palavra "fresco" a pedofilia e o resto da história estará na capa do Correio da Manhã.

Como disse, não tenho compaixão por pedófilos, desejo do fundo do meu coração que faleçam com um grau de sofrimento elevado. Se eu mandasse nisto havia pena de morte para esses meninos. Não me interessa se tiveram uma infância difícil ou se é um impulso que não conseguem controlar. "Ah foi abusado quando era criança". Ai foi? Então metam-no a ele e ao gajo que o abusou em criança numa arena e deixem-nos lutar até à morte! No fim, o que sobreviver é-lhe colocada uma granada no esfíncter e enche-se-lhe o bucho de purpurinas e confetis para o gajo se finar em grande estilo. Aliás, vou soltar o torturador que há dentro de mim e chocar-vos um bocadinho com a minha demência ao descrever-vos o que eu acho que um pedófilo, ou qualquer outro violador, merecia:

Primeiro aquecia 10 agulhas até ficarem em brasa e enfiava-lhas no espaço entre o dedo e a unha até bater no fundo. Fazia uma pausa para fumar um cigarro e deixar aquilo arrefecer. Depois, tendo ele as mãos presas, efectuava um swing perfeito com um taco de golf, só mesmo a acertar na ponta da agulha que tinha ficado de fora, fazendo com que a unha saltasse em grande estilo. Repetia este processo 10 vezes. Em seguida, obrigava-o a ver o Buereré e de cada vez que ele começasse a ter uma erecção, furava-lhe um joelho com um berbequim, mesmo na rótula, até ele parecer um daqueles bonecos GI Joe, que já tinham a dobradiça das pernas moídas e não se seguravam em pé. Já com ele sentado, obrigava-o a ler um livro inteiro do Gustavo Santos e entre cada virar de páginas tinha que lamber os dedos, mas antes disso tinha que os molhar no pipi de uma prostituta com HIV da Artilharia 1 acabadinha de sair de um turno duplo sem tomar banho. Quando ele terminasse o livro, entrava a Ana Malhoa e as suas bailarinas a cantar durante uma hora, apenas e só o refrão da música "Tá Turbinada". 

Iam começar a doer-lhe os joelhos só de associar a Ana ao Buereré, no entanto aqui podia ter erecções que eu não lhe faria nada. Só iria ficar com pena do mau gosto dele. 

Terminado o concerto, iria amputar-lhe o pénis apenas com o auxílio de um corta unhas ferrugento e uma lixa para dar os acabamentos finais. Tudo com anticoagulantes para ele não morrer com hemorragias, que parecendo que não eu até sou um gajo que se preocupa com as pessoas. Por fim, colocava numa liquidificadora os restos genitais dele, com 10 das malaguetas mais potentes do mundo, 10 giletes de 5 lâminas, uma garrafa de UCAL (a garrafa mesmo, não o conteúdo), 1 litro de vodka do LIDL, 500 Peta Zetas e 1 litro de Coca-Cola light. Fazia ali um batido bem jeitoso e depois, com ele de quatro, injectava-lhe tudo no rabo com o auxílio de um saco de pasteleiro de ponta dura. No fim, bem antes de lhe fechar o buraco com uma mistura de super cola 3 e betão, deitava para lá uma caixa de Mentos. Tirava-lhe as amarras e o resto é poesia.

Sim, a minha mente é doente. Obrigado e bom dia.

PS: Outros textos sobre a temática de comer criancinhas e não estou a falar de comunistas: Um, dois e três.
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