7 de outubro de 2015

Política-Leaks: SMS reveladas!



Depois do wiki-leaks e do football-leaks, eis que surge o política-leaks onde são reveladas SMS trocadas pelas principais figuras da nossa praça política. Não percamos mais tempo e vejamos as mensagens que foram interceptadas nos últimos dias.



SMS de António José Seguro para António Costa


SMS de Jerónimo de Sousa para António Costa


SMS de Catarina Martins para Mariana Mortágua


SMS de André Silva (PAN) para Rui Tavares (Livre)


SMS de José Pinto Coelho para Cavaco Silva


SMS de Passos Coelho para António Costa


SMS de Cavaco Silva para Joana Amaral Dias


SMS de Marinho e Pinto para Passos Coelho


SMS de Paulo Portas para Passos Coelho

E é isto. Ficaremos à espera de mais leaks que convém dizer, para efeitos de evitar processos, que qualquer semelhança com personalidades da vida real é mera coincidência.
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6 de outubro de 2015

Uma mulher pode ter quantos parceiros sexuais?



Em rescaldo de um fim-de-semana de eleições, em que acabámos mais uma vez com ele entalado, faz todo o sentido desanuviarmos com mais uma sessão do consultório "Doutor G explica como se faz". 



Caro Doutor G, tenho-me visto a refletir sobre um assunto que passo a expor, começando pela questão: O que é que torna um ser do sexo feminino puta? Como não poderia deixar de ser, esta questão surge de atitudes minhas. Ora, veja-se o seguinte, na condição de mulher solteira, há noites em que saio e se, por acaso, houver um homem bem parecido, não é um qualquer não, que troque olhares comigo sou capaz de sair do espaço público onde nos encontramos e ir dar uma volta com ele. Situações destas acontecem com pouca frequência, dado que não é todo o ser do sexo oposto que me atrai. Quando quero, e dependendo da atitude do homem em si, também sei ser séria.
Maria, 26, ali e além

Doutor G: Cara Maria, uma mulher só é puta quando no fim do sexo pede dinheiro pelo serviço prestado. Se pedir no início, também é puta, mas das finas. Há quem diga que uma ninfomaníaca é uma mulher com os padrões sexuais de um homem, que quer sempre e seja com quem for. Não será bem assim, mas anda lá perto. A meu ver, uma mulher deve ser livre de praticar o funaná pelado e sem compromisso com quem e onde entender, as vezes que quiser, sem que isso lhe traga dissabores ao nível das alcunhas na escola: «Bicicleta da aldeia - todos dão uma volta»; «Escova de dentes comunitária»; «Trincheira a meio caminho, onde entre aliado e inimigo», são algumas das possíveis. O curioso, é que as primeiras pessoas a olhar de lado e discriminar uma mulher sexualmente livre e proactiva, são as suas congéneres, muitas delas invejosas por não se conseguirem libertar dos tabus que lhes foram impostos e ceder à tentação do duelo com desconhecidos sempre que lhes apetece. Se as mulheres fossem todas menos falsas pudicas se auto-censurassem menos com o imposto puritanismo da sociedade, garanto-te que havia menos guerras já que os homens tinham mais que fazer com as suas ogivas. Agora, há que saber jogar as regras do jogo e é por isso que as mulheres que já varreram três dígitos de pilas, dizem sempre aos possíveis futuros namorados, que só viram uma e foi de longe. É desonestidade genital fruto dos preconceitos da sociedade. Um homem atento percebe sempre, mas se há tantos que acreditam que a austeridade até teve bons resultados, então haverá quem acredite em tudo.


Caro dotor G, à muito tempo que leio as suas rubricas e sou uma grande fã sua, mas adiante. O que me trás aqui é uma duvida do foro sentimental. Namorei com um rapaz 2 anos e tal, entretanto acabamos por mutuo acordo no entanto a incitava partiu dele, passado 2 meses de acabarmos ele iniciou uma outra relação, no entanto já varias vezes me mandou mensagens, a família dele (mãe, irmã) fazem questão de comentar as minhas fotos mandar-me mensagens como se nada fosse para além disso ele mete "like" em tudo que faço no facebook e ultimamente faz o mesmo a dois amigos meus (um deles inimigo dele). O que o senhor sábio Dotor G acha desta situação? Será que ele ainda gosta de mim? Ou o que se passa na cabeça deste macho, que o senhor rei dos machos possa me explicar humildemente?
ATL,18, Leiria

Doutor G: Cara Atividades de Tempos Livres, ele é um palerma. Se teve a iniciativa de acabar a relação que tinha contigo e continua a fazer a ronda, é porque, para além de já não gostar de ti, não quer que tu sigas com a tua vida. O like em fotos de ex-namoradas é o equivalente aos cães urinarem nos cantos para marcar território. Quando um cão urina no tronco de uma árvore de jardim, não quer dizer que goste muito dela, provavelmente vai para casa e nunca pensa na árvore, mas gosta de deixar a sua marca para que os outros saibam que aquilo já foi dele. Provavelmente, quando ele acabou contigo (e digo-te já que não foi de mutuo acordo, tu é que te conformaste), o fez para ajavardar com a outra à vontade. Agora, que ele já está farto da outra, anda a ver se te tira do banco de suplentes para dares uns toques nas bolas no campo pelado. Caga nele, bloqueia-o e à família dele também. Que vão fazer likes e comentários para outro lado e saibam respeitar o teu luto. Até aposto que quando ele terminou a relação disse que era uma decisão irrevogável e agora quer que o deixes atracar o submarino outra vez. Deixa-te disso, Leiria não é um meio assim tão pequeno e há-de haver aí outros cabeças de lista que valham mais a pena.


Ex. Sr. Dr. G, faz hoje um mês que me encontro numa relação com a minha babe, e desde algum tempo que na minha cabeça surgem muitas inseguranças, muitas vezes parece mais uma coisa unilateral, algo sem amor que apenas contempla apalpadelas, mas a verdade é que apesar disso, ambos demonstramos sempre uma elevada vontade na altura do ato. Por favor doctor G, ajuda-me a perceber como tornar esta relação em algo sólido, e não aquilo que por ocasião nos força durante a noite a dar uma no carro.  
Hugo, 15, Amadora

Doutor G: Caro Hugo, eu não sou o professor Bambo, capaz de resolver qualquer problema e fazer amarração da pessoa amada com o auxílio de um óleo de manga, uma cauda de lagarto e dois pelos púbicos de um mamute africano. As relações solidificam-se mais lentamente do que um pénis de um adolescente de 15 anos. Aos poucos, se forem compatíveis, as coisas vão ficando mais sérias e vão ganhar mais cumplicidade. Eu sei que 1 mês, quando se tem 15 anos, parece uma eternidade, mas deixa as inseguranças de lado e aproveita esses tempos que não voltam para trás. O mais provável é que essa não seja a mulher com quem vais ficar para sempre, por isso, viveres com receio faz tanto sentido como achar que Portugal está melhor do que há quatro anos.


Caro Doutor G, desde que sofri de amor platónico aos 15 anos que nenhuma criatura foi capaz de me despertar interesse a nível amoroso. Sucede-se então que conheço um indivíduo, no início deste ano. Depois de uma simples 'curte' com o mesmo no dia em que nos conhecemos, começam a rolar conversas esporádicas que posteriormente se tornam diárias (moramos a 300km um do outro) e eu começo portanto a engraçar ainda mais com ele. Vai que vai, decide vir passar umas mini-férias a Lisboa  um mês e meio depois e a gente lá se encontra. Acontece que rolam diversos forrobodós softs até se dar a patarecada mor (em termos técnicos, perdi o cartão V com ele). Sucede-se outro encontro um mês depois, tudo às mil maravilhas, somos um casal daqueles nojentos que dá as mãos no metro. Uma semana depois deste encontro, diz-me ele que quer ser só meu amigo e eu já morta de amores, a contratar empresas de catering pro casamento. (acrescenta-se que jogámos às escondidas no escuro já depois do break-up). No meio disto tudo, fico sem saber se sou uma fuck buddy (sendo que não sou burra nenhuma e que penso que dá mais jeito uma fuck buddy a menos de 4 horas de viagem) ou se, devido à última relação dele, ainda está confuso ou gosta de mim.
Inês, 19, Lisboa

Doutor G: Cara Inês, falta bastante informação para poder analisar o teu caso em conformidade. Primeiro, ele faz ou fez 4h de viagem propositadamente para estar contigo? Ou calhou ter de ir aí? Isso daria para perceber até que ponto ele te vê como mais do que uma amigalhaça da fodenga. Se ele estava tão interessado e de repente mudou a atitude, das duas uma: ou há outra a fazer-lhe a corte, ou acabaram as eleições e ele está a mostrar a verdadeira face. Seja como for, amar à distância é como ter um Presidente da República ausente a governar por Skype enquanto está nas ilhas Fiji a beber um mojito: não funciona. Às vezes não é preciso estar-se noutro fuso horário para se estar ausente, é um facto.


Caro Doutor G, há dois anos conheci um rapaz e desde aí que lhe achei um piadão medonho, sendo que é muito interessante e também um bom naco. Sucede-se que vamos falando, umas vezes mais e outras menos e desde que fui para a faculdade no ano passado, estivemos juntos duas vezes (sem que nada acontecesse). Já me convidou para um concerto e 3 festivais (os quais eu recusei por não ter dinheiro, porque vontade não faltava) e eu até acho que ele esteja interessado mas, para além de achar que ele é out of my league, quando estou com ele parece que ele me manda mixed signals. Que é que faço à minha vida? É que andar 2 anos à espera da inserção da sua chouricinha no meu caldo verde não é pra mim. Anseio resposta pra saber o que é que faço à criatura.
Ema, 20, Lisboa

Doutor G: Cara Ema, se ele te convidou para quatro eventos é claro que quer dar-te com o p'Aoki na tua tenda electrónica. Não sei se este trocadilho é genial ou só parvo. Adiante, espero bem que tu retribuas esses convites, ao género: «Olha, queria mesmo ir contigo mas não tenho mesmo dinheiro. Queres ir tomar um café? Sair à noite? Qualquer lado, desde que seja contigo e não me custe mais de 5€, adorava.». Claro que vais logo invalidar motéis, mas há sempre o banco de trás do carro numa zona sem parquímetros. Se queres sopa com enchidos, tens de lhe dizer a ele e não a mim. Aí vais perceber na realidade as intenções dele, que eu garanto que são as de alimentar à base de rolo de carne ao empurrão. Ele, provavelmente, está a pensar «Ela parece-me interessada, mas sempre que a convido ela dá desculpas e corta-se.». E uma última coisa, ninguém merece ser considerado «out of my league». Esse é exactamente o tipo de pensamento que faz com que as pessoas se conformem, cedam ao medo e votem sempre nos mesmos.


Ora boas Dr. G. Ando com um sério problema. A minha ex, que já acabamos à cerca de 1 ano e meio para aí, ainda me chateia com cenas do tipo "mas gostavas da outra quando andávamos; mas porque raio acabaste comigo se o sexo era espetacular; a nossa relação era apenas sexo; etc". Sinceramente praticamente não posso passear na cidade de Santarém sem ter olhinhos a espiar cada movimento meu, como se eu a andasse a trair. Basicamente quando andávamos, ainda não tínhamos 2 meses de namoro e já ela pensava em casa, carro e familía. Meu deus, sou apenas um tipo com 21 anos, não tinha trabalho e ela já queria isso tudo? Bom, a minha questão no meio desta maçada toda é, o que acha que eu posso dizer à rapariga que acabou tudo entre nós, que não há volta a dar sem pedir tempo de antena na RTP a explicar que realmente acabou tudo. Obrigado pela paciência Sr. Dr. G. 
Miguel, 21, Santarém

Doutor G: Caro Miguel, "há cerca de 1 ano". Estas eu não deixo passar! Bem, compreendo a tua dor, todos nós temos uma ou duas ex-namoradas psicopatas durante a nossa vida. São mulheres que tiveram tudo enquanto petizes e que não sabem ouvir um «não» quando pedem o novo Chalet da Barbie para o Natal. Normalmente são inofensivas e a coisa passa-lhes quando arranjam uma nova vítima para azucrinar a cabeça, mas é preciso estar atento porque há sempre uma que decide maquilhar-nos de surpresa com ácido sulfúrico. O meu conselho é que não respondas a absolutamente nada do que ela te enviar, não lhe alimentes os dramas porque isso para ela é combustível para a raiva que sente por ti. Se ela abusar, vai à polícia ou contrata um gigolô para lhe fazer a corte e lhe dar uma valente que faça com que ela nem se lembre mais do teu nome. Eu já não presto esse tipo de serviços, mas haverá por aí quem faça. Essas namoradas são como os partidos que perdem as eleições mas que arranjam sempre forma de racionalizar e dar a volta «Ele só me disse que odeia e que eu sou uma pessoa horrível porque se preocupa com o meu bem estar e não quer que eu me envolva e sofra outra vez.»


Boa noite Dr. G., eu ando numa universidade e conheci um rapaz da mesma universidade no ano passado na noite. Foi cumplicidade desde o primeiro momento, estivemos a brincar um com o outro durante algum tempo (a mandar bocas um ao outro) e ele ofereceu-me uma bebida… mas as coisas não evoluíram porque ele andava com uma rapariga que fez o favor de ir interromper o nosso momento. Nós temos falado e ele já me disse que não anda com ninguém e disse-me que quer estar comigo na ressecção ao caloiro. Mas há um novo problema, ele vai de erasmus para a Roménia no final de Setembro. Gostava de saber o que acha que devo fazer, eu estou interessada nele, no entanto não quero ser um caso de apenas uma noite. 
Cláudia, 20, Lisboa

Doutor G: Cara Cláudia, é nestas alturas que me sinto velho por não saber o que é a «ressecção» ao caloiro, mas parece-me tratar-se de uma prática badalhoca durante a recepção aos novos alunos. Infelizmente, vejo que a minha resposta de pouco ou nada pode valer, dado que o final de Setembro já foi. É um problema de ter um consultório tão requisitado sem ter uma secretária gostosa para me ajudar a reduzir a carga... de trabalho. Não sei como é que isso ficou, só sei que começar uma relação em vésperas do rapaz ir de Erasmus, ainda por cima para a Roménia, é disparate. Se começaram a namorar, só te peço que lhe exijas que faça análises quando ele voltar. Se não começaram, quando ele voltar e se continuar a haver alguma química entre vós, pede-lhe análises na mesma e, se forem positivas (ou negativas, neste caso) salta-lhe para o colo e vejam no que dá. Não vás é em cantigas, mesmo que ele diga que voltou da Europa de Leste para estar contigo e que rejeitou um salário de 20 mil euros para vir para cá ganhar "apenas" 5 mil, só para cuidar de ti. Mais cedo ou mais tarde, ele pira-se outra vez.


Caro Dr., tenho uma atração por homens que escrevem bem. Este requisito fecha-me o espectro de escolha e conduz à mentira pois é dificil assumir 'olha ja não te quero ver mais porque escreveste poix'. Mas igualmente comprometedor é o facto de estar a perder tempo a escrever a alguém só porque é bem falante, tem maturidade emocional e cabeça aberta, já que toda a gente sabe que são unicórnios ocupados... 
Ju, 27, Coimbra

Doutor G: Cara Ju, compreendo perfeitamente que o saber escrever seja um requisito essencial para que se efectue um contrato javardo. Até porque em qualquer contrato é imperativo que os pontos estejam nos «i's» e até as vírgulas fazem a diferença. Aconselho-te a acampar à porta da Faculdade de Letras com um letreiro «Se à melhor coisa do que saberes fuder-me com força, é saberes que esta frase tem três herros.». Pode parecer que não, mas há por aí muito nazi da gramática descomprometido, talvez até a maioria porque está mais preocupado em corrigir os outros nos comentários do Facebook do que em perder a virgindade. Já agora, e para terminar, os partidos têm siglas por isso mesmo, para que até os analfabetos consigam decorar as letras que mais vêem na TV. Por fim, deixo-te com uma imagem que podes utilizar quando voltares a precisar:



Não foi fácil introduzir um comentário político em todas as respostas. Espero que me dêem o devido valor. Obrigado a todos e, como sempre, até para a semana e continuem a enviar as vossas dúvidas para porfalarnoutracoisa@gmail.com. 


Partilhem e façam muito amor à bruta para compensar mais quatro anos de austeridade.

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1 de outubro de 2015

Voto útil é inútil



Como sabem, não gosto muito de escrever sobre política. Primeiro porque não consigo ter mais piada do que o circo que eles montam e depois porque acabo sempre com náuseas. Mas bom, dado que as eleições estão aí à porta vamos a isto. 

As sondagens multiplicam-se diariamente e, contra tudo o que era de esperar inicialmente, a coligação e actual Governo, «Portugal à Frente», está na liderança. Como sempre, as sondagens têm alguma margem de erro, devido às amostras pequenas, mas, principalmente, devido às pessoas que mudam de opinião no dia de ir às urnas, trocando o seu voto num partido mais pequeno, com o qual se identificam mais, pelo voto em PS ou PSD. É o chamado voto útil e, a meu ver, é uma palermice. Porquê? Porque é ter o espírito do mal menor, tão tipicamente português. O voto útil é o "vai-se andando" da política. É o "antes na mesma do que pior" das eleições. Andamos há 40 anos a alternar entre os dois maiores partidos e as coisas nunca saem da cepa torta. 

Os eleitores portugueses sofrem de amnésia selectiva de 4 em 4 anos e sofrem de bissexualidade crónica com dois parceiros abusadores em que nós somos sempre os passivos da relação.

Um deles, no seu passado recente tem um governante em prisão preventiva, outrora muito amigo do que agora se propõe a comandar o país. O outro, cumpriu pouco (ou nada) do que prometeu e ainda trouxe para a cama um terceiro elemento em quem ninguém votou para governar fosse o que fosse. É uma espécie de ménage à trois forçada, onde eles é que se divertem. Nós ficamos só a ver e pagamos o quarto do motel e o champanhe no fim, sem termos tido direito a molhar os lábios. Com este comportamento da grande maioria do eleitorado, era de esperar que Portugal tivesse a mente mais aberta noutros assuntos, como nas questões da homossexualidade. Era de esperar que o povo português estivesse bastante confortável no tocante a ser enrabado.

Voltando ao voto útil, ou táctico, como alguns lhes chamam. O voto útil é ir a uma discoteca e ver duas gajas gémeas a dançar, bêbedas e que sabemos logo que vão ser presas fáceis de levar para a cama. Elas dançam, rebolam, fazem twerk e prometem-nos uns copos. Estão ali a dar tudo porque sabem que são mais feias e descaídas do que os testículos do meu avô. Depois há outras raparigas à volta, mais discretas, com menos ar de badalhocas mas que temos receio que nos dêem uma nega. O voto útil é nem sequer tentar engatar uma dessas com melhor aspecto e preferir voltar a comer uma das outras, pela décima vez, apesar de já sabermos que elas têm uma higiene precária e que usam os dentes na altura do sexo oral. Se preferem mesmo as outras ranhosas, força nisso, há gostos para tudo e não se discutem. Mas se saíram de casa a pensar «Hoje estou confiançudo e vou sacar uma das outras gajas boas», então não cheguem à discoteca e dêem uma de cobardolas e xoninhas. Arrisquem em quem preferem porque mais vale ficar em casa tocar a tocar um solo de oboé do que acordar ao lado de alguém que nos dá aquela sensação de vergonha e arrependimento de termos nascido.

Da mesma forma, não digo para não votarem PS ou PSD! Se acham que são os mais honestos e com maior capacidade de tirar Portugal do fosso, força nisso. Se é mesmo essa a vossa convicção, então metam lá a cruzinha mais uma vez a ver se é desta que vos sai o Euromilhões. Eu falo dos outros, dos que dizem que eles não valem nada, que são uns ladrões, que não cumprem as promessas, mas que lhes dão o seu voto na mesma porque preferem o mal menor em detrimento do outro partido, porque é de esquerda ou de direita. O voto útil em Portugal não é mais do que um voto anti-PS ou anti-PSD! Não é um voto num melhor futuro de Portugal. A democracia não pode ser feita por ódios de estimação e por conformismo. Isso não é democracia, isso é ditadura da falta de colhões para arriscar. O pior é que eles sabem disso. Sabem que somos uns conas e que os vamos eleger novamente. Se eles achassem que havia a possibilidade de a coisa virar do avesso, a ver se não os víamos a trabalhar mais. PS e PSD fizeram uma campanha miserável, sempre mais preocupados em culparem-se mutuamente da vinda da Troika do que a informar as pessoas das medidas que vão melhorar a vida de todos.

Chegaram a saber de quem foi a culpa da vinda da Troika? Eu sei. Foi de todos os Governos PS e PSD que já tivemos. 

Todos. Sem excepção. E da fraca oposição também, atenção! E quando a culpa é de todos, já dizia o José Mário Branco, não é de ninguém. Todos foram comendo as carcaças e varrendo as migalhas para debaixo do tapete. São todos culpados mas mais do que eles são quem os votou para Governar. Serem enganados uma vez, duas, ainda vá que não vá. Agora, deixarem-se enganar em todas as eleições? Foda-se. Só posso partir do princípio que a austeridade não lhes afectou a vida e, sendo assim, quem voltar a repetir o voto não tem legitimidade para se queixar de nada.

Nas campanhas prometem tudo e mentem com quantos dentes têm na boca, enquanto se passeiam entre beijinhos e abraços a pessoas que sorriem sem dinheiro para arranjar os seus dentes. Prometem em vão para ganhar votos. Contradizem-se de mês a mês. Tomam medidas populistas em vésperas de eleições. São todos filhos da mesma mãe. São todos filhos da pu... lítica que é a pior mãe que se pode ter. É a mãe que não ensina nada, que não forma nem repreende, que lhes deixa fazer tudo impunemente e que não lhes mostra o que custa a vida porque para eles a vida custa pouco. A nossa vida custa-lhes ainda menos que não ande bem. A política para eles é uma carreira, não é uma missão. Com tudo isto, a juntar a todos os casos e nuvens de podridão que lhes pairam sobre a cabeça, ainda a maioria vota neles? Ainda há quem ache que o voto útil vai ajudar a que as coisas não fiquem piores ao dar-lhes mais uma oportunidade? Foda-se. Se votassem noutro podia ficar pior? Claro que podia. Mas se calhar está na altura de mudar, de tentar outro caminho quando vemos que a 2ª Circular está entupida. Às vezes é pior, é um facto, mas só há uma maneira de ter a certeza. Pode parecer que estou a fazer campanha por alguém e a dizer para votarem num partido pequeno, mas não. Estou só a dizer para votarem naqueles que acham melhores, independentemente da sua dimensão. Se vão às urnas para darem um voto útil mais vale ficarem em casa! Esse vosso voto não vai ter utilidade para ninguém, a não ser para os mesmos continuarem a mamar com os dentes nas nossas tetinhas já secas.

Dessem-vos a escolher dois pratos todos os dias ao jantar: um podiam ver que era cocó e o outro estava tapado sem vos dizerem o que lá estava. Só vos metiam medo e diziam «Este pode ser cocó com molho de cocó.». Iam contentar-se em comer cocó todos os dias sem nunca escolher o outro e arriscar? Digo-vos que cocó com molho de cocó não deve ser assim tão pior. Por isso, se já provaram o cocó e não gostaram, vão pelo outro. Se for cocó com molho de cocó e vos souber ainda pior, para a próxima escolhem o outro novamente. Até vos vai saber a pato e saem sempre a ganhar nesta equação. A não ser que gostem do cocó que comem todos os dias, isso é outra história.

O voto útil não é útil para nada e sabem porquê? Porque o passado já nos mostrou que entre PS e PSD não há qualquer diferença.

São exactamente o mesmo. A retórica e a demagogia muda, mas o resultado é igual e é sempre a favor da casa. Se PS e PSD são iguais, o voto neles nunca será útil. Eu não digo que sejam todos más pessoas e desonestos, o problema deles é que vivem noutro filme. Não se conseguem identificar com o povo, por muitas feiras a que vão e por muitas velhas e bebés que beijem. Eles não sabem falar a nossa língua nem a querem aprender. Nós falamos-lhes de fome, desemprego e doenças e eles respondem-nos em taxas, IRS e plafonamento. Eles fazem o que acham que é bom para o mundo deles, o problema é que o mundo deles não é o nosso.

Voltando ao início: as sondagens. Ironicamente, são inimigas da democracia livre. As sondagens servem mais para meter medo do que para informar e esclarecer. Isto aliado à diferença de tempo de antena dada aos principais partidos e aos mais pequenos, corrompe a bonita ideia da democracia. Nem vou falar do facto de que quem está nos partidos é apenas uma marioneta de interesses maiores, corporativos e europeus, que puxam os cordelinhos. Nem vou estar aqui a dissertar sobre o facto de que sem uma boa educação é impossível haver democracia a sério. A democracia é uma ditadura das massas, o problema é que parece que a maioria é egoísta e ignorante. «Se tens cidadãos egoístas e ignorantes, vais ter líderes egoístas e ignorantes.» já dizia o George Carlin.

Bom, já vos expliquei o que acho do voto útil recorrendo a uma metáfora sexual, outra de cocó e uma de trânsito automóvel. O meu trabalho está feito e não vos incomodo mais. Isto foi só um desabafo. Não estou à espera que me dêem ouvidos. Na altura que alguém mudar o voto pelas palermices que eu escrevo é muito mau sinal para a credibilidade da política portuguesa.

PS: Eu já decidi em quem vou votar: ninguém. De qualquer forma, aqui fica um guia para vos ajudar, caso ainda façam parte dos indecisos.
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29 de setembro de 2015

Fazer amor no rabo e abstinência



Bom dia, sem demoras vamos a mais uma sessão de terapia conjunta javarda no consultório do "Doutor G explica como se faz". Javarda nas com classe. Sempre com classe.



Olá Dr.G. Sou uma rapariga bonita e tenho uma relação estável há já uns anos. A dúvida que me trás aqui é a seguinte: sexo anal. Já experimentei 1x, com o meu atual namorado, e não correu bem, nada bem... No entanto, já passou algum tempo e eu tenho curiosidade em experimentar outra vez. Curiosidade por um lado, e por outro, porque acho que é uma coisa que os homens adoram. Já mandei algumas indiretas sobre o assunto, e, às vezes em momentos mais íntimos, já sugeri isso. Mas ele não avança... O que é que isto significa? Já tivemos num circulo de amigos em que isso foi o tema de conversa e toda a gente lá dizia que isso era nojento e quem fazia isso eram as "p*tas". Que me aconselha? Acha que devo tirar este pensamento da cabeça e que afinal os homens não gostam assim tanto, ou devo insistir na ideia? Como?    
Ana, 24, Lisboa

Doutor G: Cara Ana, fico a pensar no que terá acontecido da primeira vez que experimentaram sexo anal. Já vi que deu merda, resta saber se literalmente. Se o teu namorado não avança, pode ser uma de três razões:
  1. É um xoninhas;
  2. Ficou traumatizado devido ao que aconteceu da primeira vez e eu estou a partir do princípio que foi o pior que pode acontecer numa situação dessas sem ser ruptura do intestino e morte;
  3. Ele viu que tu não gostas e não quer ser egoísta e pensa que só estás a ceder para prazer dele.
Sim, a maioria dos homens gosta de sexo anal (muitos deles de forma passiva) mas é mais por uma questão de posse e controlo do que pelo prazer físico em si. Todos os homens têm dentro de si um Pedro Álvares Cabrão que adora descobrir novos caminhos e pedaços de terra para lá espetar a bandeira e dizer «Eu estive aqui!». Deve haver os que preferem anal do que o resto, mas calculo que sejam uma minoria. No entanto, se queres voltar a experimentar e a aprender como tirar também prazer nisso, é insistir. Ele não precisa de avançar, podes ser tudo a fazer de apontadora e tratar do assunto. Ele vai gostar. Quanto aos teus amigos, são só parvos. Elas são pudicas e eles uns xoninhas. Uma coisa é não gostarem, outra é dizerem que só as putas é que fazem. Lá por terem visto as mães a trabalhar não é razão para tomar a parte pelo todo.


Ola Dr. G! Eu sou uma pessoa que liga muito à aparência mas no entanto eu tenho um probleminha (enorme) que me rebaixa a autostima que é ter as mamas caídas. Só que as minhas mamas não são tipo aqueles balões que se enchem e depois murcham, nada disso, eu tenho um peito enorme (tamanho44) e eu sou uma tarada, penso muito em sexo e assim... Só que com este problema eu não tenho coragem de fazer sexo com ninguém e ainda por cima tenho imensos gajos a bater o coro e eu com vontade e depois lembro-me disto... Ajuda-me. Devo esquecer as mamas visto que os gajos só querem espetar a espada ou devo manter-me quietinha e entretanto engatar um cirurgião plástico e quem sabe ele solucionar os meus problemas? Já agora, já que estas a par do defeito do produto, se estiveres interessado olha que eu dava-te um jeitinho..   
Ana, 24, Lisboa

Doutor G: Cara Ana, as mamas grandes têm esse problema. Quando o Newton descobriu a gravidade foi sobretudo para calcular o nível de descaimento de seios e não pela treta que ele depois inventou dos planetas e tal. Temos de viver com o que temos, para muitos homens isso não é problema, querem é seios épicos e afogarem-se neles. Se eles te querem saltar para cima, acredita que não é por tirares os soutien e as luas cheias ficarem pingonas que eles se vão vestir e ir para casa mais cedo. Deitada de costas isso nem se nota muito, se colocares os braços de lado a impedir que os ovos estrelados transbordem para a cama. Se tiveres problemas de coluna, aí sim, vai ao médico e tira dois ou três bifes de cada uma e dá a alguma rapariga que esteja necessitada de chicha ao nível das glândulas mamárias. Só nesse caso é que aconselho, se não te trouxer problemas mais vale aprenderes a ultrapassar isso do que ires à talhante com diploma. Acredita que o recobro é bem chato e ficam cicatrizes, quiçá, mais prejudiciais para a autoestima. Já pensaste em tatuar «Mamonas Assassinas» no peito? É só uma ideia, era capaz de ser giro. Quando a dares-me um jeitinho, já aqui disse e volto a afirmar que o código deontológico não me permite receber jeitinhos de pacientes e além disso estou em dieta e não posso comer maminha pois é carne muito gorda, quanto mais mamona.


Caríssimo e prezado Doutor G, neste momento sou rapaz solteiro. Até sou um gajo bem parecido e já tive alguns relacionamentos, mas ultimamente não tem corrido bem. Ou tenho um olho bom demais para as mais difíceis ou não tenho jeito para a coisa (karma stuff). Vou à caça mas a coisa não corre muito bem. Com a minha idade deveria de andar aí a lavrar que nem um maluco, aproveitar a pujança dos 20. O que estará a falhar na "parada nupcial"? Por falta de orientação não é. Derreto-me completamente por um pedaço de mexilhão.
Anónimo, 21, Porto

Doutor G: Caro Anónimo, suspeito que o único problema é a falta de jeito. Por exemplo, dizeres ao ouvido de uma rapariga «Derreto-me por um pedaço de mexilhão», é coisa para afugentar. A não ser que a rapariga trabalhe na praça e tenha uma banca de mexilhão. Embora seja uma abordagem à Quim Barreiros, nesse caso talvez dê resultado. Na pior das hipóteses vens de lá com um quilo de mexilhão para o jantar. Repara, quando dizes que tens pontaria para as mais difíceis, o que tu queres realmente dizer é que tens pontaria para as que não estão interessadas em ti. Quando souberes admitir isso e vires que o problema não está no facto delas serem difíceis, coisa que dizes para te tentares sentir melhor e desresponsabilizar, talvez comeces a ter mais sucesso. O engate é como investimento de risco. Tens de investir em dez, sabendo à partida que na melhor das hipóteses só uma startup vai compensar e fazer-te esquecer os nove falhanços. Não te posso dar muitas mais dicas, o charme não se ensina. Estou-me a valorizar bué hoje.


Olá Dr G estou com um enorme problema de coração.. apaixonei-me e quero seguir em frente após um ano e não estou a conseguir. Conheci o rapaz há cerca de um ano começamos como amigos e a  falar todos os dias sobre e havia muito á vontade e marcamos logo mais saidas para nos conhecermos melhor, nessa altura era muito compreensivo, querido e tentamos então  ter algo mais sério. Haviam algumas demonstrações de carinho em público, eramos amigos mas o comportamento era como namorados. Na altura haviam algumas "brincadeiras" e como sou aventureira era um relacionamento apimentado, mas não houve sexo nesses primeiros meses.  Eu começei a vê- lo cada vez menos, e tive atitudes parvas por ter medo de o perder e ele que admite e afastamo-nos por completo. Só o voltei a ver  após  alguns meses depois apenas para esclarecer porquê de nos termos afastado e justificou que estava chateado comigo e que apos ter partilhado algo que ele me tinha contado que perdeu toda a confiança em mim e que nessa altura o sentimento qu tinha por mim tinha desaparecido  mas que também não agiu da melhor forma e, concluimos que eu gostava ainda muito dele e ele não sentia o mesmo e o melhor era ir cada um a sua vida. A amizade manteve-se e fomos falando diariamente e como natural a tesão entre os dois nunca tinha desaparecido e acabamos por nos tornar numa amizade colorida, somos livre de conhecer outras pessoas e afins.. o problema é que se gosto, não me interessa conhecer outra pessoas, já ele presumo que seja diferente. Como sabe que sou sensivel, diz não estar comigo para me magoar e quando vir que este tipo de relacionamento me está afectar que paramos de estar juntos. E não sei até que ponto está afectar-me, já não me conta nada sobre ele, como fazia antigamente e deixa em mim muitas dúvidas. Estamos juntos quando ele pode, mas realça que está comigo não para me comer, mas que curte de estar comigo. Contudo sou eu que tenho de mandar mensagem e sou eu que tenho de propor quando dá para nos vermos, ele diz que no ver dele, não tem mal ser eu a meter conversa e a propor estarmos juntos.. mas não sei se estou disposta a estar sempre a ser eu interessada em falar e estar com ele.. e apesar de sermos só amigos arco-íris e o meu sentimento ter mudado um pouco, gosto e como sei que não vai dar em nada mais concreto e sério queria pelo menos passar a frente e não sei como o fazer, porque tem o factor da amizade e de eu não conseguir desligar completamente dele. Depois desta experiência eu já pouco confiava nas pessoas e agora quero conhecer novas pessoas mas tenho medo de me voltar a magoar e a sofrer desta forma, que em muita parte foi culpa minha. Espero que me possa ajudar?    
Alice, 25, Leiria

Doutor G: Cara Alice, tanto texto para dizer o seguinte «Ando a comer um gajo e estou a gostar dele, mas sei que ele nunca vai gostar de mim e então quero esquecê-lo.». Basicamente, foi isto. Primeiro do que tudo, deixa-me dizer-te que é um bocado parvo dizeres que isto afectou a tua confiança nas pessoas, já que ele, pelo que me parece, sempre foi honesto e directo contigo ao dizer-te que nunca iria apaixonar-se por ti. Segundo, tu é que aceitaste uma amizade colorida com alguém que sabias sentir algo e que não eras correspondida. Foste palerma. Nada de grave, todos somos palermas na vida. Se queres esquecê-lo, tens de cortar o relacionamento pela raiz. Não há cá mensagens, cafezinhos, tampouco toca-e-foge no colo do útero. Nada.


Saudações caro Dr. G. Já faz alguns meses que iniciei uma relação com um Árabe. Somos sex friends e nada mais. Ambos sabemos que mais tarde ou mais cedo vai acabar pois eu não tenho intenções de por a anilha e nem ele (seja la o que for que eles façam como símbolo do casamento). O problema começa quando ele me pede para dormir com ele no fim de chafurdar no quarto. Quando ele me conta tudo e mais alguma coisa da vida dele e me liga espontaneamente durante o dia e que quer passar férias comigo. Quando ele me diz que embora o tipo de relação que temos, ele me vai sempre ligar mesmo que esteja casado (atento que a religião dele diz que a esposa se deve submeter ao marido pelo que ele supostamente não ira precisar dos meus serviços no seu mangalho circuncidado (que não querendo parecer uma javarda e que sei que sou e adoro, estou cada vez mais viciada no seu mastro). Dito isto concluo que a minha dúvida se estanca num paradoxo. Como nenhum dos dois tem intenções de casar (pelo menos num futuro próximo digamos 5 anos) e o facto de termos uma cumplicidade na cama e fora dela de fazer inveja a muitos casais que se dizem felizes, para mim ele é perfeito. Ou seja, eu não quero nada sério e ele também não mas como estamos tão bem nesta situação do não serio eu só o quero a ele mas não quero ao mesmo tempo porque quero aproveitar o melhor da vida. Não sei se hei-de acabar tudo ou continuar ate que me canse dele e esta ilusão não passe mesmo disso.  Espero que tenha entendido o meu dilema e que não lhe dê muitas dores de cabeça a decifrar. 
Carlota, 25, Porto

Doutor G: Cara Carlota, deixa-me dizer-te que esse rapaz Árabe vai ter muitos problemas com Alá, já que está a cometer o pecado de comer porca. Peço desculpa, tinha de fazer esta piada se não ia ficar a sentir um aperto no peito. Porca no sentido de javarda, coisa que tu admites que és e parabéns por isso. Repara, dizes que estão bem assim, que têm tudo em pratos limpos e que se dão bem na cama e fora dela... Qual é o problema? Se gostam de estar um com o outro aproveitem caraças. Se alguém se fartar, sendo que dizes não haver sentimentos mais fortes envolvidos, também ninguém se vai magoar. Cá para mim estás com medo de te apaixonares e teres de substituir os teus vestidos curtos por burkas. Ao menos a lingerie não precisas de mandar fora.


Boa tarde Doutor G, a minha dúvida é a seguinte: após uma relação em que o sexo era espetacular, estive mais dum ano em abstinência. Recentemente conheci um rapaz com quem tive relações mas sucede que ele não me satisfez nem um bocadinho. Será que perdi a sensibilidade ou o jeito para a coisa?
Ana, 21, Coimbra

Doutor G: Cara Ana, fazer sexo é como andar de bicicleta: se ficares muito tempo sem andar, não perdes o jeito mas ficas com a zona das virilhas um bocado mais assada e dorida. Provavelmente, ele é que não sabia o que andava a fazer ou tu estavas com problemas de confiança e não conseguiste relaxar e desfrutar do momento. Seja como for, a tua sensibilidade devia estar em alta. Isso não ganha crosta! É voltar a tentar com outros. Experimenta sozinha só para teres a certeza de que não faleceste da cintura para baixo. Se isso funcionar tudo, é procurar alguém mais capaz que, dadas as queixas que recebo, não deve ser fácil. Os homens são uns egoístas.


Caro Doutor G, estou emocionalmente frágil. Eis o que aconteceu...Hà uma temporada atrás saí de um relacionamento, pelo que algo inesperado acontece. Eu estava muito em baixo, teria sido a primeira vez que tinha sentido algo tão verdadeiro por alguém. Mas quando eu finalmente estava ''into" ele decide abandonar o barco..É então que numa tarde, após sair das aulas recebo uma chamada de um número desconhecido. Seria portanto, o filho de uma amiga da minha mãe que me convidou para jantar. Logo a seguir, liga-me a minha mãe para "confirmar" se eu tinha recebido a chamada de "alguém". Questionei-a logo sobre o "arranjinho", mas a minha mãe só lhe tinha dado o meu número. Foi tudo ideia dele. E eu só o tinha visto uma vez no restaurante em que a mãe dele trabalha... Após alguns episódeos juntos, descobrimos que tinhamos amigos em comum outras coisas também. A páginas tantas já estavamos nos amassos. Acontecia 1 vez em 4 vezes que estavamos juntos. Eu tinha medo de me envolver demais. Entretanto o melhor amigo dele declarou-se a mim e eu como boa amiga que sou,  expliquei-lhe que não escolhemos de quem gostamos mas que seria amiga dele apesar de tudo. Pelo que eu comecei a acompanhar imenço com o rapazito e desabafava imenço com ele. Pelo que a partir de uma certa noite o "tal da chamada " deixou de dar sinais de vida. Isto prolongou-se por mais de um mês. Sei que eles tiveram "uma conversa". E foi a partir daí que ele se afastou. E eu não sabia como lidar com a situação, sou orgulho em peso. Mas comecei a ver os dias passar e ele não me ligava mais. Eu sei que o amigo lhe contou algo que eu desabafei com ele talvez seja essa a raiz do problema. Mas..acho que gosto dele. Porém deixei bem claro que gosto de ser discreta e que gosto das coisas com calma a seu tempo. Quero que me conheça primeiro para não abandonar o barco logo a seguir. Recentemente "calcei as botas", não bastou ter ficado melancólica e chorona senão ainda ter mandado msg's para o dito cujo. Fico a aguardar resposta  atenciosamente. 
Alexandra, 16, Évora

Doutor G: Cara Alexandra, já reparaste que as dúvidas que as mulheres enviam são sempre muito maiores e mais confusas? Isso explica muita coisa... Ora bem, vamos então ao que interessa: o rapaz da chamada afastou-se porque o amigo teve uma conversa com ele onde confessou estar apaixonado por ti. Isso e se calhar inventou umas mentiras para que ele tivesse algum nojo de te tocar novamente. Digo isto porque o código masculino é por ordem de chegada e, por isso, o segundo rapaz deveria dar prioridade ao primeiro. Sendo que houve uma inversão no código, ou ele lhe devia algum favor, ou algo estranho aconteceu. Podem também ter chegado a um acordo de cavalheiros «Gostamos os dois dela e ainda nos vamos chatear por isso. Mais vale nenhum de nós ficar com ela. Bros before hoes.» Não te estou a chamar nomes, estou só a dizer como os rapazes falam. Se queres saber o que se passa, não fiques à espera que te ligue, tenta falar com ele e perceber o que se passou. É melhor ligares do que enviares mensagens, é que se eu recebesse uma mensagem com a palavra «imenço» lá escrita, era razão para perder o interesse. Eu sei que sou picuinhas, mas ele também pode ser. Se ele não quiser falar contigo nem mostrar interesse, caga nele que é sinal de que não te merece. 


Olá, o meu nome é Carlos e tenho uma dúvida. Sinto-me atraído por homens, mas nunca me envolvi com nenhum. É cem por cento certeza de que sou gay, ou tenho de me envolver com um homem para descobrir se gosto ou não, e assim saber se sou gay ou não? Agradecia que me respondessem pois é bastante importante para mim. 
Carlos, 22, Braga 

Doutor G: Caro Carlos, és gay. 100% de certeza que queres ir à loja do Mestre André comprar um pífaro de carne. No limite podes ser bissexual, vá, mas que vais gostar de fazer luta greco-romana todo nu com outro homem, disso não tenho dúvidas. Nada contra, força nisso, sê feliz e dá graças a Deus de não teres nascido há 50 anos atrás ou na Rússia ou Arábia Saudita. Pensando melhor, não dês graças a Deus, já se sabe que ele não gosta muito de gays e, por isso, mais vale não dares nas vistas.



Espero que tenham gostado. Acho que estou a ficar mais bruto com a idade. Por falar nisso, esta é a trigésima consulta do Doutor G. Obrigado a todos os que têm participado. Como sempre, até para a semana e continuem a enviar as vossas dúvidas para porfalarnoutracoisa@gmail.com. 

(tentem utilizar no máximo 1000 caracteres, não façam como a Alice que se mandou para os 3000)


Partilhem e façam muito amor à bruta, que de guerras o mundo já está cheio.

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28 de setembro de 2015

Mitos urbanos portugueses desmistificados



Mitos urbanos, quem nunca ouviu falar deles? Todos nós já soubemos de vários e os ajudámos a propagar, seja no boca à boca, ou através daquelas correntes de email palermas. Hoje, vou ajudar-vos a distinguir a realidade da ficção e desmistificar os principais mitos urbanos de Portugal. Isto foi fruto de uma investigação intensa que passou por ler outros artigos que já os tinham desmistificado antes. Sou muito bom a investigar.

Reinaldo rebentou com uma Doce
Este é um dos mitos mais conhecidos deste nosso paraíso à beira mar plantado. Quem nunca ouviu falar, e tomou como certo, que no princípio dos anos 80 o ex-futebolista do Benfica, Reinaldo, fez uma entrada por trás a pés juntos na Laura Diogo que ela teve de sair de maca directa para o hospital para suturar a brincadeira? Pois é, infelizmente, parece que esta história é completamente falsa! Nunca foi provada e não existem registos no Hospital de Santa Maria onde se leia «Loira docinha dá entrada toda arrebentadinha». Já não bastava à Laura Diogo ser considerada a menos talentosa do grupo, onde a acusavam de ir a palco de microfone desligado, como ainda iria ficar com a fama e sem o proveito de levar com a perche gloriosa no rabo. Este boato teve consequências visíveis já que as vendas dos discos das Doce desceram a pique e Reinaldo mudou-se para o Boavista e nunca mais foi o mesmo. Portugal a dar um ar de sua graça no que toca a toques de racismo e falso puritanismo. Fica assim desmistificado este mito e retoma a liderança isolada o único arrebenta-bilhas lusitano: Sr. Arquitecto.

Urina de rato nas latas
O ano era o de 1998 e andava eu no 8º ano quando este mito surgiu em força, mostrando que a Internet, ainda muito jovem, também servia para espalhar treta. Muita gente passou a ter medo de beber de latas de refrigerantes, depois do boato sobre o falecimento de uma mulher que havia bebido de uma lata que tinha um xixizinho de rato. Eu próprio, meio hipocondríaco desde novo, deixei de beber durante uns tempos. O meu irmão ainda hoje só bebe Coca-Cola se houver de garrafa. Ao que parece, essa mulher nunca existiu e a bactéria da urina de rato, embora perigosa, nunca sobreviveria sem estar em meio aquoso e morreria ao entrar em contacto com os nossos sucos gástricos. O açúcar dos refrigerantes continua, portanto, a ser a única coisa que devemos temer.

Lojas chinesas e o tráfico de órgãos
A bela e boa xenofobia portuguesa a dar origem a um mito lendário. Decorria o ano de 2005 quando um email começou a circular dando conta para os perigos de entrar em lojas chinesas, dizendo que um rapaz teria sido raptado para tráfico de órgãos. A polícia desmentiu e o caso chegou mesmo a ser investigado pois difundir boatos xenófobos é crime. Com tanta população na China e com uma alimentação mais saudável, acham mesmo que eles iam arriscar roubar rins e iscas de fígado português? Tenham juízo. O único perigo de entrar numa loja de chineses é mesmo o de sairmos de lá com artigos que só vão funcionar uma vez.

Não há óbitos de chineses em Portugal
Continuando ainda na xenofobia contra os chineses, não contentes em tentar estragar-lhes o negócio das bugigangas, surgiu o mito de que não havia mortos chineses registados em Portugal e que, por isso, só poderiam estar no porco agri-doce. Aquela carne é um bocado estranha, é um facto, mas dai a ser chicha de chinês idoso é parvoíce, até porque assim sendo seria mais rija. Estes dados já foram investigados e dão conta de que o número de óbitos de olhos em bico é o normal para o tamanho da comunidade que reside em Portugal. Outro elemento que pode ter influenciado esta teoria é facto dos chineses, quando já estão velhos e acabados, gostarem de voltar ao seu país de origem para serem lá enterrados. Por isso, já sabem, quando a carne vos parecer estranha não pensem que é a nádega esquerda do Mister Miyagi. É provavelmente gatinho.

Carlos Paião foi enterrado vivo
Um dos mitos mais conhecidos e dado como verdadeiro por quase toda a gente. Diz a lenda que exumaram o corpo de Carlos Paião e que os ossos dele estavam numa posição estranha e que o caixão estava arranhado e com pedaços de unhas lá cravados. Não se sabe bem como surgiu este mito urbano mas o que é certo é que é treta. «Como é que sabes ó Guilherme?!», perguntam alguns de vós muito indignados. Porque a namorada dele disse que o corpo foi autopsiado antes de ser enterrado, por isso se ele ainda tinha alguma coisa a estrebuchar tê-lo-ia feito na marquesa quando lhe enfiaram um bisturi no bucho. Diz que o acidente que ele sofreu foi tão brutal que teria sido impossível alguém sobreviver e que lhe tiveram de colocar carradas de pó de arroz para ir bonito ter com o criador.

Seringas com SIDA no cinema
«Tem cuidado ao sentares-te no cinema! Diz que andam a deixar seringas com SIDA!», chegou-me a dizer a minha mãe depois da propagação geral desta lenda. Dizia-se que eram vários os casos de pessoas que se sentavam e picavam os glúteos quais Belas Adormecidas e encontravam uma seringa com um papel onde se lia: «Tens SIDA. Bem vindo ao mundo real.». Diz que é mentira e que nunca foi reportado nenhum casos desses e, mesmo que não fosse treta, é sabido que o vírus da SIDA sobrevive dois ou três minutos numa seringa infectada. Por isso, quem apanhou SIDA no cinema foi só mesmo quem praticou o coito desprotegido com alguém infectado, numa daquelas sessões vazias de matiné de um filme francês.

Político ataca no Parque Eduardo VII
Um dos mitos mais difíceis de desmontar e que ainda hoje permance um mistério. Se é certo que nunca se provou, este é daqueles que também não se consegue mostrar que não é verdade. Reza a lenda que um político influente se passeava no Parque Eduardo VII e que por lá tinha o apelido Catherine Deneuve. Na altura do escândalo Casa Pia, isso foi mesmo referido pelos media franceses aquando de uma lista de possíveis implicados no caso de pedofilia. Parece-me pouco provável que um político arriscasse andar nessa vida sabendo que poderia ser fotografado ou filmado. Se é para ser puta, fica na Assembleia da República que vai dar quase ao mesmo. Ah, espera, eles são os chulos.

Arrastão em Carcavelos
O quê? O arrastão de Carcavelos é um mito urbano? Não é possível! É sim senhor. Parece que o tão famoso e famigerado arrastão não passou de uma conversa de telefone estragado, para o qual contribuíram a polícia e os media. Quem investigou o caso garante o seguinte: houve desacatos entre dois ou três rapazes com o dono de um bar e o gajo do bar ligou para a polícia e exagerou. A polícia veio armada de caçadeiras e entrou pelo areal pronta para aviar fruta em pretos, como eles tanto gostam. Nisto, as pessoas que estavam na praia assustaram-se e começaram a correr com os seus pertences, juntamente com o pessoal mais moreno que corria da polícia porque já sabia que mesmo não tendo nada a ver com a situação, ia levar bastonada no lombo. Toda a gente sabe que a polícia tem alguma dificuldade em distinguir os pretos uns dos outros. Este cenário de caos é o que se vê nas fotografias e que foi veiculado pelos media que, como todos sabemos, gostam pouco de sangue. Apenas houve uma queixa de roubo na polícia, o que diz bem sobre a dimensão deste arrastão. Arrastões a sério é no Brasil e nos lares de idosos.

Morte, violação ou boca de palhaço?
Há relativamente pouco tempo surgiu a notícia que dava conta de um surto de psicopatia nas ruas da noite Lisboeta. Um grupo de rapazes abordava raparigas incautas e fazias-lhes essa pergunta. Elas, ao pensar que era uma brincadeira, escolhiam a terceira opção, até porque seria sempre a menos má. Nisto, os patifes rasgavam-lhes os cantos da boca até às orelhas, com o auxílio de uma faca, fazendo delas jokers à força. O mito alastrou até às ilhas e as autoridades contactadas dizem que nunca houve nenhum caso destes. Claramente um mito lançado por xoninhas adeptos do Batman e que queriam que as raparigas escolhessem violação, ao saber que a terceira hipótese as ias fazer gastar o dobro em bâton e maquilhagem.

Ratos gigantes em Mafra
Um dos mitos mais antigos de Portugal dá conta da existência de ratos gigantes que inundam os túneis subterrâneos do convento de Mafra. Ratos esses que seriam alimentados com cadáveres de cães, gatos e vacas, dados por militares que assim tentam impedir que estes monstros roedores invadam a cidade. Parece um cenário saído de um livro de "Uma Aventura" mas há muito boa gente a acreditar que é verdade. O mito tem origem na morte de um militar que caiu nos esgotos e foi encontrado com sangue e ratos à volta. «Meu general, o agente Casimiro tropeçou e deu com os queixos no chão e faleceu!», tem muito menos encanto do que «Meu general, o Casimiro estava a fazer a ronda e foi atacado por ratos gigantes do tamanho de póneis! Arrancaram-lhe os tomates com uma dentada!». E foi assim, porque os homens gostam de exagerar na sua masculinidade, que surgiu o mito.

Bónus: Ricky Martin e a manteiga de amendoim.
Para terminar, deixo-vos com um mito internacional. A famosa história da rapariga que não sabia que estava a ser filmada e que tinha o Ricky Martin escondido no armário quando chegou a casa. Segundo a lenda, fazia tudo parte de uma surpresa para o programa espanhol "Sorpresa, sorpresa", dando logo a entender que os espanhóis têm mais criatividade para lançar boatos do que para nomes de programas. A rapariga teria chegado a casa, tirado a roupa e espalhado manteiga de amendoim na patareca sem ser para fins de hidratação, mas sim para o seu cão lamber. Isto tudo em directo só se tendo conseguindo mandar a emissão abaixo quando o mal já estava feito. A rapariga ter-se-ia suicidado algum tempo depois, dada a vergonha de ter usado manteiga de amendoim quando toda a gente sabe que os cães preferem paté de pato. Este mito tomou proporções épicas, alastrando-se para todo o mundo, inclusivamente Portugal onde é dado como verdadeiro por muitos. Não é, lamento informar-vos. O canal de TV até se ofereceu para dar uma recompensa de cinco mil euros a quem tivesse uma cópia da gravação e, claro, ninguém se chegou à frente. Não há registos de nada e foi tudo treta. A única parte verdadeira é que nessa altura o Ricky Martin estava efectivamente ainda dentro de um armário.

E pronto, é isto. Espero que tenham ficado esclarecidos e espero não ter destruído muito o vosso imaginário infantil. Na era da Internet os mitos propagam-se à velocidade da luz e são ainda mais difíceis de desvendar, mas boatos sempre existiram e com eles quem garanta que são verdadeiros, como por exemplo:
  • Adão e Eva existiram mesmo;
  • Maria era virgem;
  • Jesus andou sobre a água;
  • Jesus curou um cego com truques de magia;
  • Jesus ressuscitou e ascendeu aos céus.
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27 de setembro de 2015

Praxes: sim ou não?



Se quiserem ser praxados, sim! Se não quiserem ser praxados, não! 


É isto. Obrigado e boa continuação.


Estavam à espera de uma opinião mais bem fundamentada? Já escrevi sobre isso aqui. 



Se um dia me apetecer volto a falar do assunto. Hoje não, que é dia do Senhor e ele é o perito em boas praxes.
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