8 de novembro de 2015

Prefácio de Salazar



Como já devem estar fartos de saber, o meu livro acabou de chegar às bancas. O prefácio ficou à responsabilidade do saudoso António de Oliveira Salazar. Nem imaginam o processo burocrático que foi para conseguir chegar até ele. Tive de falar com a Alexandra Solnado para meter uma cunha com Jesus a ver se conseguia falar com ele, mas, ao que parece, Salazar não está lá em cima a olhar por nós. Mas bom, Jesus é um gajo prestável e ligou lá para baixo e, finalmente, conseguiu chegar-se à fala com o Tó Salas. Aqui fica o prefácio que ele teve a amabilidade de fazer, com algumas correcções da minha parte. Uma das muitas coisas giras presentes no melhor livro para oferecer este Natal.
Já sabem, quem estiver por Lisboa, amanhã, dia 9 de Novembro, pelas 18h30 vai haver apresentação do livro na FNAC do Chiado. Haverá depois noutras cidades com data a anunciar. Quem quiser comprar o livro, relembro que está à venda em todas as FNACs, Bertrands, hipermercados e Feira do Relógio em PDF pirateado. Quem estiver no estrangeiro pode encomendar através da wook.pt que chegará até vossa casa, mesmo que seja atrás do sol posto.

E, muito obrigado a todos, mais uma vez. Sem vocês que seguem diariamente as minhas parvoíces, editar um livro só seria possível se tivesse pago para o fazer.
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2 de novembro de 2015

Sexo depois do casamento e como sair da rotina



Para compensar a semana passada, nesta e mesmo estando em Dublin em trabalho, tirei um tempo para tratar da consulta e vos alegrar o dia. As respostas vão ser curtas que tenho várias Guiness à minha espera. Vamos então a mais uma sessão do "Doutor G explica como se faz". 



Caro Doutor G, namoro com um rapaz há cerca de 4 anos, e sempre fomos de ter várias zangas. Tudo sempre coisas passageiras e sem importância. Acontece que de há uns tempos para cá ele ficou diferente, mais desleixado. Com isso estas zangas tornaram-se mais frequentes e de maior importância e chegamos mesmo a acabar. Mas ele veio com a conversa do bandido muito arrependido e com isto acabou por haver umas sessões de forrobodó. Acontece que eu descubro, que anda uma gaja a fazer-se ao piso e à qual ele parece dar conversa. Não achei piada nenhuma principalmente porque antes de descobrir isto já o tinha abordado quanto a este assunto, ao qual ele respondeu que nunca deu abusos a ninguém. Eu confrontei-o e a reacção dele foi de pedir desculpas por ter escondido isto e blá blá, o que me deixa ainda mais de pé atrás. Portanto fico na duvida se aquilo é apenas conversa ou se ele anda a ver se arranja um segundo plano.    
Anónima, 21, Norte

Doutor G: Cara Anónima, quando dizes que descobriste, queres dizer que lhe andaste a cuscar o telemóvel, certo? Quem procura acha, já dizia a minha avó quando andava dois dias à procura dos óculos por casa sem se lembrar que os tinha postos. Tu é que sabes se ele merece o benefício da dúvida ou não, pode perfeitamente ter sido apenas um flirt inconsequente. Pode, também, dar-se o caso dele ser um porco como 99% dos homens (e das mulheres). Se antes as zangas já eram constantes, então agora que não confias nele, serão ainda piores. Se o queres manter, então tens de lhe perdoar esse eventual deslize. Se achas que não consegues, mais vale dizeres-lhe para ir ter com a badalhoca da amiga com quem ele anda a falar.


Boa tarde Dr. G! Acontece que eu tenho notado algo em mim que me causa algum desagrado, encontro-me na terceira relação séria e acontece que chego a uma ponto nas minhas relações  em que me sinto farto! Ao inicio tudo é bonito, chafurdar com fartura, na cama, no carro, no meio do mato, em fim onde calha. Sou feliz nos inícios e na descoberta. Mas chego a um ponto tipo um ano relacionamento em que me farto da rotina de namorar e estar com aquela pessoa, de estar preso, de ter que dar satisfações a alguém. Em fim, tenho 25 anos e isto começa a ficar sério =S. Gostava de assentar e fazer vida com alguém mas não esta fácil. Estou no meu 3 mês de namoro mas já andamos a uns sete meses, conheci família dela e tudo. Mas não me estou a sentir bem de novo... Pode dar-e uma dicazita Dr?
Anónimo, 25, Lisboa

Doutor G: Caro Anónimo, noto desde logo um grande problema que é o facto de não saberes escrever português. Calculo que tenhas desistido da escola também ao fim de um ano. A única dica que te posso dar é que deves escolher melhor as tuas parceiras, porque se perdes o interesse ao fim de tão pouco tempo, é porque não merecem o teu tempo. Ou, pode dar-se o caso, de tu seres um coninhas que tem medo do compromisso. O importante é seres honesto com elas e não as levares ao engano a pensar que isso é para durar. Metes um contador mal iniciem a relação, para elas saberem o tempo que têm contigo. Pode ser que a pressão do contra-relógio as faça aplicarem-se ainda mais.


Caro Doutor G, há cerca de 3 anos que sou bastante amiga de dois gajos, sendo que há cerca de um ano ando nas brincadeiras com eles. Sim, com os dois.Tudo começou por ser uma situação de gozo puro, de brincadeira entre bons amigos, quando me disseram pela primeira vez que o sonho de ambos era partilhar uma gaja. Ri-me à descarada e disse “Boa, adorava ser partilhada.” Sempre tive demasiado à vontade e confiança com ambos, e honestamente, nunca pensei que falassem a sério. Saltando partes que não interessam para nada, a verdade é que já tivemos algumas aventuras os 3, pois sempre tivemos uma mente aberta. O problema disto tudo começa quando cada um deles, começou a querer estar sozinho comigo. E ambos estiveram, diversas vezes. Tanto que há meses que já nem estamos os 3 juntos. E morrem de ciúmes quando um está comigo e outro não. Criei monstros. Estão mal habituados e a grande questão é que comecei a nutrir sentimentos por um deles, e não sei que faça. E há que frisar que o gajo pelo qual não sinto mais que amizade e tal, tem namorada. I know, i’m a bitch. Enfim, que faço doutor G? Preciso mesmo de si!
Anónima, 23, Porto

Doutor G: Cara Anónima, sim senhora, deixa-em parabenizar-te por teres uma mente tão aberta para teres à vontade para andar no simulador de ski de chicha com esses dois amigos. Assim é que é! De resto, preconizo que não irás ficar com nenhum numa relação séria. Porquê? Porque não estou a ver um homem que queira namorar com uma rapariga que viu, com os olhinhos que a terra há-de comer, a sugar a salsicha de cocktail de um amigo. Quem é que tinha a maior alavanca de Arquimedes? O que tu gostas ou o outro? Há detalhes que podem fazer toda a diferença. Se o que tu gostas, e gosta de ti, é menos abonado por Deus Nosso Senhor do salpicão do Minho, ele vai ficar sempre com problemas de inferioridade que o vão fazer ter crises de insegurança. Por outro lado, se o que gosta de ti é o que tem namorada, menos mal, está o caso arrumado. O mais provável é nenhum deles gostar de ti a sério e estarem só numa de competição masculina para ver quem sai por cima. Ou por trás. Ou de ladecos. Queres mesmo namorar com alguém, em que sempre que vos perguntam se foi amor à primeira vista, a resposta é: «Sim, percebi logo que era a mulher da minha vida quando os nossos olhos se cruzaram por entre os tomates do Alfredo...»


Caro D.G, tenho 15 anos, sou de estatura pequena, bonita (segundo toda a gente, a não ser que seja mentira generalizada). Bom a verdade é que as minhas características tanto físicas (sou morena, quase um metro e sessenta, com as curvas certas, 58kg, para o caso de depois não dizer que faltavam pormenores) como psicológicas (sou bastante inteligente, modéstia à parte) tudo isto desde sempre atraiu a atenção de rapazes mais velhos. A questão é, embora eu seja segura, extrovertida e divertida, e a oferta até seja bastante até hoje apenas tive um namorado, com quem troquei uns beijos. Eu queria soltar-me, ser capaz de confiar... Mas não sou capaz, e em parte a culpa é minha tenho plena noção disso,  mas a verdade é que hoje em dia já não há aquele rapaz sincero, respeitador (o doutor diz que as mulheres é que se põem com joguinhos, mas os rapazes não são assim tão diferentes) tudo o que eles querem é divertir-se e dizer 'já a comi'.. Wow que bonito e depois uma rapariga está sempre de pé atrás e nunca os deixa sequer chegar.. Depois também acho que não sou para qualquer um logo não vou nessa de curtes.. Agora doutor há também outra coisa, há um amigo meu que eu adoro, que anteriormente tentou algo, que mexe bastante comigo, mas nessa altura ele tentou comigo e com uma amiga minha... Amiga essa que foi na conversa. Um ano mais tarde estou confusa porque nós damo-nos super bem mas sei que ele não é nenhum santo e que está mais bem comportado, mas se me estou a iludir e depois se dá porcaria?? Tudo isto para pedir ajuda em relação à falta de jeito com pretendentes e ajuda em relação a este amigo que devido à questão anterior é o único com quem eu me consigo imaginar.... Não me poupe, diga exatamente o que pensa, nem que isso seja que preciso de acompanhamento psicológico..  
Gabriela, 15, Viseu

Doutor G: Caro Gabriela, tenho um excelente conselho para ti: vai brincar com bonecas pá! Tens 15 anos e estás preocupada porque não te consegues soltar? Se calhar é porque tens 15 anos e devias era estar preocupada com outras coisas do que em levar com a anaconda ciclope. Viseu não é assim uma cidade em que não haja nada para fazer e que só se consiga passar o tempo de joelhos atrás da Sé. Em relação ao teu amigo, se ele tentou contigo e com outra é porque deve ser fresco. Mas, pensando bem, vocês têm 15 anos, é normal que não saibam o que querem e que disparem para todos os lados a ver onde é que a cegonha careca pode fazer o ninho. Em vez de passares a noite no bar «A Livraria» a dançar Kizomba com anões coxos de fato de treino, tenta antes passar os dias na Biblioteca. Para quem não percebeu esta analogia: «A Livraria» é mesmo um bar de Viseu onde ainda se dança o eskema e onde há pelo menos um anão coxo de fato de treino a convidar meninas para dançar. 


Ex.mo. Sr. Dr. G, namoro há 4 anos. Amo a minha princesa medieval e, creio, tal é reciproco. Porém, nunca fizemos sexo. Nunca. Tal seria normal se tivéssemos 15 anos, porém temos 31. E tal só acontecerá depois da benção divina - para os leigos, casamento -  onde todo o pecado do acto será expurgado, fazendo-o como mandam os mandamentos. Ora, Dr. G., não tenho problemas de maior em casar - já estou mentalizado para assentar. No entanto, como bem sabeis, o sexo é fulcral na vida do casal e não estou seguro em assumir um compromisso onde terei que passar um cheque em branco nessa parte da minha vida. Para cheques em branco já bastam aqueles que passamos aos sucessivos governos com o resultado que bem sabemos: acabamos sempre de quatro a levar na anilha. Assim, acabo por entrar num paradoxo: Não caso porque não fodo, não fodo porque não caso. Obviamente que isto já foi falado e mais do que falado e a minha princesa medieval não está disposta a ceder as suas virtudes antes do dia prometido. Acrescendo a tal, e como diversos estudos empíricos e científicos 100% fiáveis indicam - o Dr. G certamente que os conhece... - , um gajo que está numa relação há 4 anos sem brincar ao esconde à morcela dá em maluco e anda num estado de constante subir paredes...
Anónimo, 31, Margem Sul

Doutor G: Caro Anónimo, comprarias um Ferrari sem, primeiro, fazer um test-drive? Pronto... é isso. Diz-lhe que amor no rabo e paixão com a boca não são pecado. Sexo depois do casamento é como pré-pagamento num restaurante. É parvoíce. Depois se a comida é uma merda já não se pode reclamar. 


Caro Dr. G, como tem passado? Já é a terceira vez que recorro aos seus serviços. Já viu a confiança que deposito em si? Devia receber um prémio de paciente do ano. Conheci um rapaz 4 anos mais novo no trabalho. Eu trabalho numa pastelaria e ele noutra, mas são do mesmo proprietário (e patrão) e próximas geograficamente, tanto que há intercâmbio entre ambas (tanto de material como de pessoal). Mas ultimamente com os novos horários não nos temos visto muito. A verdade é que, no início, dava por ele a olhar para mim várias vezes e, quando começámos a conviver mais, ele passou a meter-se muito comigo. Agora, há dias em que passa pela pastelaria onde trabalho só para me cumprimentar. O que eu queria mesmo era ensinar-lhe a escola toda à montada (se é que me entende), mas não sei se o rapaz também está interessado ou se a maneira de ele agir comigo é mesmo a sua maneira de ser. Que conselhos me dá a sua ilustre e infinita sabedoria para esclarecer as intenções do moço sem que os meus outros colegas percebam?
S., 21, Lisboa

Doutor G: Cara S, se já é a terceira vez que recorres ao meu consultório, então já devias ter aprendido mais! Se ele passa na tua pastelaria só para te cumprimentar é mais do que óbvio que quer experimentar os teus brioches. Tu só tens de lhe perguntar se as bolas com creme são do dia. E, se ele sorrir de esguelha, está feito. A pastelaria é todo um mundo para trocadilhos javardos. E nem estou a entrar no âmbito dos salgados como o folhado de salsicha. Nunca lhe perguntes é se quer provar a tua pirâmide de chocolate, que isso é só nojento.


Olá Dr. G, vou ser curta e grossa, para não gastar o seu precioso tempo: tenho um "caso" com um professor que tem mais 20 anos que eu, nunca fizemos luta greco-romana mas andamos lá bem pertinho! A cena toda é que ele casado e tem filhos mas foi ele que começou com esta situação, primeiro com uns comentários, uns beijos e agora constantes insinuações para algo mais sério e javardo. O problema aqui (para além do casamento) é que ele me liga todos os dias, quer saber sempre como estou, o que fiz, desabafa os problemas dele e eu os meus, etc, tal como se fosse meu namorado ou marido, em vez de querer só festa. Isto é normal? 
Maria Carolina, 22, Lisboa

Doutor G: Cara Maria, perguntas-me se é normal um gajo de 42 querer papar uma aluna de 22? Obviamente que sim. Se é normal ele ligar-te como se fosse teu marido ou namorado? É, mas só para quem tem um toquezito de psicopata. Ele, sendo que é teu professor, sente-se numa posição de poder e acha que te controla. Resta-te decidir se queres assim tanto que ele te dê umas reguadas ou não. Deve ser menos complicado andar com alguém solteiro e sem filhos, até porque dele nunca vais levar nada mais do que umas provas orais. Se depois não tiveres boa nota, não só vais pensar que és má aluna, como má amante.



Sou ou não sou um fofo? Podem partilhar que a gerência agradece. Até para a semana e continuem a enviar as vossas dúvidas (menos de 1000 caracteres) para porfalarnoutracoisa@gmail.com. 


Façam muito amor à bruta, que de guerras o mundo já está cheio.

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29 de outubro de 2015

Os vizinhos da minha namorada cantam Britney Spears



Quando durmo em casa da minha namorada sinto um enorme choque cultural. Para alguém nascido e criado na Buraca, estar em Alvalade, zona bem, é todo um mundo novo. Não passa um carro a tocar Kizomba a rebentar com o subwoofer, comprado na Norauto com o rendimento de inserção social. A Lacoste é uma marca usada por senhores com mais de 60 anos com os seus pólos verde-sporting e não por mitras com os seus bonés de ladecos e bolsas da cintura ao pescoço, quais São Bernardos do gueto. E, à noite, sinto a falta da banda sonora que me embala desde de pequeno: as sirenes da polícia, os tiros e os gritos que enchem a noite calma da Buraca. De vez em quando, em Alvalade, até vou ao café no bairro de ciganos só para matar saudades, mas não é a mesma coisa.

Na minha casa estou habituado a ouvir gritos entre homem e mulher, com portas a bater e tudo o que de bonito há na tradição da violência doméstica heterossexual. Estou habituado a buzinadelas às quatro da manhã em que um vizinho vai lá abaixo entregar um pacote suspeito a um amigo. Já estive, até, habituado a ter duas acompanhantes de luxo no prédio, que saíam para trabalhar às duas da manhã, entrando para o banco de trás de um Porsche Cayenne com um motorista vestido com o rigor que a profissão de chulo exige. Na casa da minha namorada tudo é diferente, a começar pelo facto de os vizinhos de baixo serem gays, algo que percebi há muito tempo, desde a primeira vez que os ouvi a cantar Britney Spears numa maratona de Karaoke pela noite dentro. Já o fizeram várias vezes, onde até há quem cante bem mas sempre em voz de falsete. São vizinhos que fazem muitas festas e sempre gays, na definição alegre da palavra. Ouvem-se gritinhos, cantorias, um ou outro «Ai mulher!» e, até, um «Vai Nádia Diamonds, a pista é tua!» que eu ouvi às duas da manhã com estes ouvidos que a terra há-de comer. Ninguém me contou nem sonhei, mas imaginei logo um desfile de drag queens com a lingerie que já caiu do estendal da minha namorada e que nunca foi devolvida. Nada contra, atenção! Quando o barulho é muito, basta-me dar duas ou três pisadas no chão que eles calam-se logo, mostrando que são vizinhos respeitadores.

Mas, na noite passada, ouvi algo que nunca tinha ouvido na minha vida: dois homens a fazer amor no rabo.

É estranho, não vos vou mentir. Ouvir dois homens a praticar o esconde a morcela à bruta não foi agradável. É como estarmos a procurar pornografia e aparecer-nos o thumbnail de um homem a com a boca no colo de outro! Um hetero olha logo para o lado ou faz scroll rapidamente enquanto contrai o esfíncter. Ouvir dois homens à bulha todos nus, ou, pelo menos, de calças para baixo, mete-nos imagens que não queremos na cabeça. É impossível ouvir aquilo e não visualizar a situação. Sou um gajo pela igualdade, já toda a gente sabe disso, conheço muitos gays, já partilhei balneários com muitos, e faria respiração boca-a-boca a um homem sem problema. Sou a favor do casamento entre pessoas do mesmo sexo, a favor da adopção por parte de casais homossexuais e essas modernices todas. Acho até que a homofobia está estritamente relacionada com a falta de neurónios funcionais. Aliás, concordo com o que disse Morgan Freeman, «Odeio a palavra homofobia. Não é uma fobia! Tu não estás com medo. Tu és só idiota.». Mas, como gosto de ser honesto, tenho a dizer que é um pouco desconfortável ouvir dois homens a fazer sexo. Dois homens a beijarem-se na boca à minha frente? Não me faz confusão, mesmo se houver muita língua. Homens a fazer sexo? Não gosto de ver. Não é a minha cena, peço desculpa. Nenhum homem hetero, por mais mente aberta e defensor da igualdade que seja, vê confortavelmente um filme pornográfico gay sem franzir o sobrolho e sentir um enjoozito. Não existindo palavra melhor, o que sentimos é nojo. É uma palavra forte mas não vamos estar aqui com paninhos quentes! É um nojinho, sim senhor! Calculo que seja o mesmo que um homossexual sente ao ver um pipi a ser lambido por um homem, ou o que uma lésbica sente ao ver um felácio heterossexual. É como ver os pais ou, Deus no livre, os avós no forrobodó com as peles ao pendurão. Mete nojo, mas até ficamos contentes por eles. Sou gajo para lá ir deixar um bilhete debaixo da porta a dizer «Só para dizer que vos ouvi a fazer sexo. Nada contra, mas deu-me um nojinho. Viva a igualdade!».

Não se trata de preconceito, trata-se de não gostar de ter imagens na cabeça que não me atraem. Por exemplo: se fossem duas vizinhas gostosas a praticar o lambe a carpete como gente grande, não me faria confusão, embora dissesse à minha namorada que era nojento. No entanto, se fossem duas vizinhas com obesidade mórbida já me ia ser desconfortável porque ia colocar-me imagens na cabeça de pouca sensualidade a não ser para quem tem fetiches com a zona da charcutaria dos hipermercados. É assim que eu vejo o sexo homossexual: da mesma forma que sexo entre duas pessoas nada atraentes para mim. Não me interessa se são homens ou não, interessa-me o facto de que não me atraem sexualmente. Portanto, se me causa alguma confusão não é porque discrimino os gays, mas sim porque discrimino toda a gente que eu não acho atraente.

Sou daqueles vizinhos apologistas que o barulho do sexo não entra nas contas da lei do ruído, seja a que horas for. Pedir aos vizinhos para baixarem o volume dos gemidos, do vernáculo gritado ou do som da palmada no glúteo, é uma falta de respeito! Já se queixaram de mim e só fez com que eu me empenhasse ainda mais nas próximas para a chinfrineira ser ainda maior.

Vizinhos que fazem bom sexo, são vizinhos que vão chatear menos nas reuniões de condomínio.

Nunca um vizinho que anda satisfeito ao nível da safadeza no leito vai queixar-se das lâmpadas fundidas ou do lixo que não é despejado. Isso é coisa de velho ressabiado por ver rabos gostosos e saber que só lhes pode tocar se for a pagar. Por isso, façam sexo com barulho à vontade que eu não vos chateio, mesmo que me esteja a ser desconfortável. Sou um gajo porreiro, bem sei. Por isso, enquanto eles estavam a fazer a lide, eu aguentei e tentei não me concentrar naqueles sons de homem em apuros. Subi o som da televisão, tentei distrair-me com o telemóvel, enrolei-me em posição fetal e meditei para ir para o meu happy place, mas nada funcionou. Comecei a tentar imaginar que a aquele som não passava de um javali a jogar à cabra cega, ou de uma cabra cega a pisar pioneses, mas era impossível. Aquilo era claramente um combate de jiu jitsu onde havia uma chave de pila, feita com duas nádegas masculinas. O isolamento deste prédio é tão mau que parecia que estavam a fazer sexo aos pés da minha cama. A meio até consegui ouvir uns barulhos metálicos e temi que fosse de um saca-rolhas e fosse ter o Correio da Manhã à porta. Provavelmente, foi o só som da tiára da Nádia Diamonds a cair no chão.

A minha sorte foi que aquilo durou dez minutinhos. Os homens são uns egoístas no sexo, já se sabe, então quando são dois deve ser um toma e embrulha que agora vamos remodelar a sala. Mas atenção, dez minutinhos ali intensos a dar tudo. Aquilo foi, claramente, sexo pós discussão no qual se notava um misto de amor e raiva. No fim, ouviu-se o chuveiro e pensei: «Claro, o sexo gay é como qualquer tipo de sexo anal: no fim, é sempre aconselhável ir ao duche porque o intestino tem bicheza que não convém deixar a marinar no prepúcio, durante toda a noite.». Lá se lavaram e não houve segundo round, mas quem diz que os homens adormecem sempre depois do sexo é porque não conhece estes vizinhos. Sendo que são os dois homens, seria de esperar que fosse tiro e queda! Orgasmo seguido de ressonar! Nada disso! Puseram-se a falar, falar, falar, ver televisão e, a certa altura, um grita em plenos pulmões (eram já três da manhã): «Olha para aquela gorda com aquele vestido!!!». Sem me levantar da cama, bati com o pé no chão. Fez-se silêncio. Quem duvida que os gays são pessoas de bem, aqui tem a prova.

«Isto é tudo homossexualidade reprimida!», devem estar a pensar alguns de vós.

Claro que não é! Caso fosse, tinha sentido umas comichõezitas na zona das virilhas e nada. Morto. Falecido como se tivesse acabado de fugir de um foca leopardo pelas águas gélidas do Ártico. Mais encolhido do que uma tartaruga fotossensível num dia de Agosto. Tão inerte que o Schumacher ao lado dele seria considerado hiperactivo.

Não tenho mais nada a acrescentar. Achei que devia partilhar esta minha experiência convosco. Caros vizinhos, se por acaso lerem isto, não se coíbam. Ajavardem à vontade, gritem, chamem por Deus e pela Celine Dion que eu quero é que sejam felizes. De resto, já sabem, cantorias depois das duas da manhã aos dias da semana é que não. Se for Queen ainda vá que não, agora, Britney Spears... deixem-se de paneleirices.

PS: Dia 4 de Novembro sai o meu belo livro. Se quiserem estar a par das datas das apresentações e outras informações, cliquem aqui e deixem o vosso email que se houver alguma coisa na vossa cidade eu aviso-vos. Obrigado.
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23 de outubro de 2015

Cronologia política: o que nos espera?



Cavaco Silva pronunciou-se e indigitou Passos Coelho como primeiro-ministro, como seria de esperar. Há quem aplauda o respeito pelo resultado da votação e a continuidade do que sempre se fez em situações em que não há maioria absoluta, há quem ache que um governo de esquerda seria mais estável, pelo menos a curto prazo. A mim é-me indiferente. PS ou PSD, já todos vimos que a diferença é pouca ou nenhuma. Como cidadão que opina sobre todos os assuntos, vou fazer uma pequena previsão dos acontecimentos políticos que nos esperam:
  • Cavaco Silva indigita Passos Coelho como Primeiro Ministro.
  • Passos Coelho envia mensagem a António Costa a dizer "Chupa!".
  • Paulo Portas envia mensagem a António Costa a dizer "Chupas?"
  • Passos Coelho toma posse com um sorriso de violador maroto na cara.
  • António Costa passa horas no banho a chorar em posição fetal.
  • Partidos de esquerda fazem moção de rejeição ao Governo.
  • Passos Coelho aparece na Assembleia com uma t-shirt onde se lê «Haters gonna hate, coninhas gonna conate».
  • António Costa continua em posição fetal mas diz que apoia a moção de rejeição.
  • O Governo cai.
  • Passos Coelho demite-se e vai trabalhar a recibos verdes para a empresa de um amigo.
  • Marcelo Rebelo de Sousa é eleito Presidente da República.
  • Cavaco abandona o Palácio de Belém numa mota laranja, com a Maria a pendura e grita: "Hasta la vista bitches!!!"
  • Mariana Mortágua diz que depois disto já viu tudo. Afirma que só falta ilibarem o Sócrates e ela desiste da política e despe-se para a Playboy.
  • Sócrates é ilibado e sai em liberdade, aplaudido por uma multidão. Ganha a alcunha do D. Sebastião Clooney.
  • Mariana Mortágua despe-se para a Playboy. Ironicamente, a direita é muito utilizada nesse dia.
  • Costa demite-se e Sócrates assume o cargo de secretário geral do PS e prepara-se para as eleições antecipadas.
  • Marcelo faz um comunicado ao país onde sugere vários livros, dentro dos quais destaca «Por Falar Noutra Coisa» que diz ser o melhor livro de sempre*
  • Sócrates é eleito Primeiro Ministro com maioria absoluta e é eleito, também com maioria absoluta, o mais sexy da Dica Da Semana, deixando Tony Carreira para segundo lugar.
  • Sócrates constitui Governo e anuncia os seus ministros:
    • Vice Primeiro-Ministro: Diogo Infante;
    • Ministro das Finanças: Fátima Felgueiras;
    • Ministro dos Negócios Estrangeiros: Sara Norte;
    • Ministro da Defesa: Um porteiro de discoteca;
    • Ministro da Administração Interna: Isaltino Morais;
    • Ministro da Justiça: Palhaço Batatinha;
    • Ministra da Presidência: Margarida Rebelo Pinto;
    • Ministro Desenvolvimento Regional: Zezé Camarinha;
    • Ministro da Economia: Vale e Azevedo;
    • Ministro do Ambiente: O ex CEO da Volkswagen;
    • Ministro da Agricultura e do Mar: O Dux da Lusófona;
    • Ministro da Saúde: Alexandra Solnado;
    • Ministro da Educação: Carlos Cruz;
    • Ministro da Segurança Social: Ricardo Salgado.
  • A economia portuguesa cresce mas só porque Luaty Beirão quebrou a greve de fome e foi direito aos Pastéis de Belém.
  • Marcelo faz novamente um comunicado ao pais só para mandar um beijinho à Judite de Sousa.
  • Sócrates anuncia o programa "Isto parece mesmo o PEC 4 mas não é".
  • É convocada uma manifestação onde se esperam mais de cinco milhões de pessoas na rua a exigir mudança!
  • A manifestação é cancelada porque o Benfica é campeão e o Marquês está reservado.
  • Aumentam os impostos no dia seguinte.
  • Convoca-se nova manifestação. 
  • A manifestação é adiada porque vem aí o Verão e depois com o calor sua-se muito e cansa.
  • O Verão dura até Outubro e o Natal está à porta. A manifestação fica para o ano seguinte.

E vai ser isto. A imperial vai continuar barata e o país vai continuar na mesma.

*O livro sai diz 4 de Novembro.
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20 de outubro de 2015

Como resolver a frigidez religiosa?



É com a graça do Senhor que vamos a mais uma consulta de elevado teor javardo em mais uma rubrica: "Doutor G explica como se faz".



Caro Dr. G, tenho namorada há cerca de 2 anos e mesmo que ache que o nosso kanguru perneta é de boa qualidade - temos sexo freq. (3-4 vezes/semana, rara a semana q n temos), claro que algumas são rapidinhas mas também há grandes combates de luta greco-romana sob os lençóis, ambos gostamos de fazer sexo oral, já variamos imenso (até já tivemos o livro do Kamasutra aberto à frente para experimentar), etc etc... - vivo com uma inquietação que nunca me tinha acontecido antes: não consigo dar um orgasmo à rapariga! Fico a pensar que poderá ser de não ter a chave certa para abrir o cadeado dela (ou pior, de ser realmente mauzinho na cama), mas ela nunca se queixa, bem pelo contrário... Mesmo que fosse isto sempre me disseram «enquanto houver língua e dedo não há mulher que meta medo», mas nem mesmo assim vai lá (até sugeri comprar um brinquedo para ajudar!)... O pior é que quando ela está quase lá e ainda dá mais vontade de %$#%"$#%, ela diz que «não se está a sentir bem», e faz por a coisa acalmar, coisa que nunca me tinha acontecido antes... Enfim Dr. G, será que ela é impossível de satisfazer?! Será que sou uma merda e tenho que esforçar mais? Lista de espera para transplante de piroca?? Ou será que estou a dar importância a mais ao assunto visto que ela não se queixa?
Anónimo, 22, Porto

Doutor G: Caro Anónimo, falta um ponto essencial na tua história para poder avaliar a situação em conformidade: ela atingia o nirvana javardo com outros e/ou sozinha? Se a resposta for «sim», lamento informar-te mas és tu quem não sabe dar-lhe o tratamento como deve ser. Se a resposta for «não» então talvez estejamos perante um caso de frigidez auto-inflingida. Não me parece tratar-se de um comum caso de falecimento vaginal, visto que a rapariga parece gostar e dizes que até chega a estar quase a atingir a erupção de serotonina. Nesse caso, o que eu sugiro é que não pares mesmo quando ela disser que se está a sentir mal, é continuar a matraquilhar com o piston de chicha até ela perder a mania de que é pecado ir ter com o senhor antes do tempo. Bebam uns copos antes e relaxem que vai funcionar melhor do que um transplante de piroca, que é provável que fiques aí com um pedaço de carne ao pendurão que, embora maior, de pouco te irá servir. Comprem brinquedos à vontade embora se ela diz que se está a sentir mal, não vai ser diferente quando estiver a levar com o dildo turbilhão v18 de uma marca conhecida de retroescavadoras. Quanto a dares importância ao assunto, acho que deves dar, porque se ela não se queixa a ti, vai fazê-lo às amigas ou pior, um amigo.


Caro DR. G, ando com problemas na minha relação, sou casada e ao contrario do meu marido eu não sou nada religiosa e foi difícil para mim aguentar até à tão esperada noite de núpcias. Este não o ponto principal da historia, desde os meus tempos de adolescência que sempre tive uma atracão especial por raparigas, não deixando de me sentir atraída por homens. O meu marido não sabe que eu sou como a gillete, dou para os dois lados. Recentemente conheci uma rapariga no ginásio, acho-a atraente e depois de muita conversa falei-lhe se estaria a fim de dançar o funaná pelado a três. Como é que abro a mente do meu marido, visto que ele é muito religioso e as únicas pernas que ele quer abrir são as minhas? Ajude-me Dr.G que é uma fantasia que eu quero mesmo realizar.    
Rute, 29, Celorico da Beira

Doutor G: Cara Rute, para convenceres o teu homem só tens de lhe dizer: «Quero trazer uma amiga para a cama connosco.». Pronto, está feito. Ele só não aceitará se for gay ou se estiver com medo que seja uma armadilha para depois numa próxima vez cobrares o favor e levares o Wilson. Se o problema dele for por pensar que Deus está a ver e que condena sexo a três, diz-lhe que Deus até é fã dessas coisas e que até lhe faz uma vénia se conseguir satisfazer-vos às duas. Deus é um gajo porreiro nessas coisas, caso contrário nunca tinha inventado o orgasmo, muito menos os múltiplos das mulheres. Vistam-se de freiras que pode ser que ele prefira. Pensando bem, se ele é assim tão religioso, quase padre, pode ter mais resultado se se vestirem de colegiais.


Caro Dr. G, namoro com uma gaiata 4 anos mais velha que eu e ela tem uns fetiches muito estranhos. Não é que eu no outro dia acordei com o meu pé dentro da boca dela? Confrontei-a com o assunto e não é que vim a descobrir que ela gosta mais de lamber pés do que chupar-me a linguiça. Mesmo assim não desgosta, ainda ontem veio dizer-me que queria que lhe desse com o oboé na testa e ao mesmo tempo lhe enfiasse com o dedo gordo pelo cu a cima. Não sei se devo participar nas brincadeiras dela. Preciso de ajuda Dr.G, devo ou não devo? 
João Maria, 18, Idanha

Doutor G: Caro João Maria, mas estás armado em xoninhas ou quê? Claro que deves, as fantasias dos outros são para ser satisfeitas. Se me estivesses a falar de um cocó no peito, uma chuvinha dourada nas costas e uma cataplana de peixe regurgitada nos olhos, aí dizia-te já para não te meteres nisso que isso só gente com transtornos é que gosta. Agora, se ela gosta de te chuchar no dedão grande do pé então é deixá-la estar ali entretida. Ela que aproveite para te roer as unhas que até te poupca trabalho. Há muita gente com fetiches com pés e não há mal nenhum nisso, desde que ela não te peça para lamberes os dela depois de ter corrido uma maratona com uns ténis da feira e sem meias. Para isso mais vale comprares um queijo da Serra. Quando a dares-lhe com o oboé na testa e enfiares-lhe o dedo gordo no rabo, não percebo o problema. Era mais estranho se fosse para lhe dares com o dedo gordo na testa, além de que seria mais exigente em termos anatómicos.


Querido Doutor engenheiro, conheci um rapaz numa festa de verão em 2013, e desde então que mantemos contacto e uma amizade colorida que começou um mês depois disso. Este verão disse-me que só esteve comigo este ano. Estava tudo a correr bem, eu ia estudar para lá em Setembro ele já falava em namoro e passou a ser ainda mais amoroso e as lutas na cama passaram a ser ainda melhores. O pior é que aconteceu um imprevisto e só vou poder estudar lá para o ano... A nossa amizade mantém-se mas da ultima vez que estivemos juntos já foi mais como antes. Ele tem uma panca por uma rapariga e pediu-me conselhos (já me tinha falado nela antes do verão)...  Já saiu algumas vezes com ela e eu e disse para ele avançar porque já saíram muitas vezes, mas fiquei devastada porque sei que ele não é de meio termo, quer algo sério. Eu estes dias nem tenho tomado a iniciativa de mandar a primeira mensagem, mas ele tem necessidade de falar comigo todos os dias porque tem mandado sempre. Dr.G o que ele quer afinal? Se gosta da outra porque sente tanta necessidade de continuar a falar comigo, sendo eu de longe e tudo? Será que é possível ele esperar um ano visto que já esperou 2? Será que me quer só picar para ver a minha reação?
Florinda, 20, Porto

Doutor G: Cara Florinda, e estudar? 20 anos e tiveste outro imprevisto e não entraste na Faculdade? Esse imprevisto chama-se falta de estudo Florinda. Queres acabar como bailarina do Toy? Tu tem juízo Florinda e troca o Kamasutra pelo livro de Matemática. Agora, voltando à tua dúvida: esse gajo é um palerma. Mas desde quando é que se pedem a quem andamos enrolados, e com quem já tivemos conversas sobre namoro, conselhos sobre como saltar à cueca de terceiras? Mas esse gajo come gelados com a testa ou quê? Isso é um erro de principiante, a não ser que tu sejas uma daquelas raparigas que fica a pensar «Ai queres a outra? Então agora até te vão saltar os tintins com a queca que te vou dar! Ou não me chame eu Florinda!». Se fores desse tipo de mulher, a nossa conversa pode acabar aqui porque é de alguém que se valoriza pouco. Bem, mas partindo do princípio de que não, vou explicar-te o que acho que se passa na cabeça dele: ele não comeu ninguém durante este ano porque não conseguiu e decidiu dizer-te isso para parecer que gosta muito de ti; se calhar até gosta, mas ao ver que tu vais ficar mais um ano longe, decidiu dar banho à minhoca a ver se algum peixe graúdo mordia; ele falou-te na outra rapariga para te dar a entender que afinal já não quer namorar contigo e que são só parceiros da fodenga, «fuck buddies» em estrangeiro. Concluindo, ele só vai ficar à tua espera se não lhe aparecer nada melhor entretanto.


Doutor, uma dúvida que me assola e que ainda não foi abordada... qual é a cena das cock teasers? Não entendo como é que uma mulher consegue chegar a um nível de teasing extremo e depois... nada!!! O que lhes vai naquela cabeça? Qual é a cena delas? Conto com a sua experiência para saber como acabar com este flagelo que tantas dores de "cabeça" dá a um homem!  
Um cidadão consternado, 24, Barreiro

Doutor G: Caro cidadão consternado, uma «cock teaser» é apenas uma mulher que não foi excitada ao ponto de ir até ao fim. Sim, há mulheres que gostam de provocar só porque sim e para dar negas no fim mas... se o homem souber dar-lhes a volta elas acabam a noite nuas sem que isso estivesse nos seus planos. As «cock teasers» acabam por ser as mais fáceis porque são as que mais facilmente se colocam na boca do lobo, pensando elas, incautas, de que o lobo é mansinho e não tem pedalada para elas. Quando apanham um lobo em pele de cordeiro que as apanha de surpresa, ó meu amigo, a palavra «teaser» desaparece-lhes do título profissional e dá lugar a «sucker». Algumas acabam violadas, é um facto, e não é desses casos que estou a falar.


Doutor G, a minha questão é a seguinte: há cerca de três meses, comecei a namorar com o meu atual namorado. Até agora, tudo tem corrido sempre bem. O problema é o seguinte: pouco antes de começarmos a namorar, a ex namorada dele decidiu que deviam ser amigos, e ele aceitou. Falam regularmente, sobre vários assuntos, mas o meu namorado muitas vezes esconde isso. Quando o confronto, diz ser coisas sem importância, que apenas não contou porque achava que eu ia ficar com ciúmes. O que mais me preocupa, é que ele ainda não lhe contou do nosso namoro, e tenho medo que ela fale com ele porque ainda tem esperanças de voltar, e ele, homem que é, não vê isso. O que devo fazer Doutor? 
Beatriz C., 20, Lisboa

Doutor G: Cara Beatriz, ser amigo da ex-namorada é como guardar o cotão do umbigo num frasco e ir lá dizer «Bom dia» todas as manhãs. Até te podia dizer que há alguns casos onde isso acontece e que é natural, dependendo se já eram amigos antes, de como acabaram, etc e tal. Mas, sendo que me dizes que ele ainda nem lhe contou que vocês namoram, é mais do que óbvio que esse gajo não gosta assim tanto de ti e quer manter a porta (e não só) da namorada entreaberta para ele voltar para ela assim que quiser. Mesmo sem saber o caso, vou arriscar dizer que foi ela que acabou com ele e disse «Mas podemos ser amigos» mesmo à gaja que não quer que o homem tenha outra para já. Ele, xoninhas, aceitou e agora anda contigo a tentar esquecê-la mas sempre na esperança que ela mude de ideias e o chame. Pode também dar-se o facto de ele ainda andar a picar o ponto G dela. Deixo ao teu critério, mas na minha opinião ele não te merece, a não ser que tu aceites essa situação com normalidade. Aí és tão parva quanto ele e só se estraga uma casa. Podes sempre começar a falar com o teu ex e enviar-lhe uma foto da zona das virilhas, dizendo que a tua Beatrizinha ficou amiga do Zé Guloso dele.


Caro Dr G, depois de bastantes anos solteirona por não encontrar um rapaz à maneira, finalmente encontrei o tão desejado rapaz em que posso confiar, divertir-me e adiante... Quer dizer, não tão adiante porque até ele me deixar deitar a cabeça na foronha da almofada dele foi um St António! Infelizmente ele tem problemas de saúde, problemas esses que afetam o seu desempenho sexual. Ele explicou-me isso tudo, eu compreendi e esperei dois valentes meses em que toda eu já era fogo! Bem, até que um dia ele lá se decidiu que era hora de apagar o fogo e quando me saca da mangueira... Choque! Além de ter que aproximar para a conseguir ver, ela está sempre mais murchinha que um vaso de salsa que não é regado ao fim de 3 dias no mês de Agosto. Eu bem tento tudo para ela se animar mas tadinha, mesmo quando fica toda risonha, o tamanho continua a deixar-me bem tristonha. Nestes meses que se passaram, os sentimentos foram sempre crescendo em ambas as partes mas não sei o que fazer. Dr G, acha que estou a dar demasiada importância ao sexo? Eu não sei mas na minha ideia acho que não há mulher alguma que aguente uma vida inteira sem prazer sexual.
Mara, 27, Porto

Doutor G: Cara Mara, tu é que sabes a importância que o sexo tem para ti. Eu acho que uma relação saudável tem de ter bom sexo, caso contrário tudo se vai desmoronar, nem que seja porque não dá para fazer sexo de raiva pós-discussão, onde se libertam todas as tensões. Se no conflito Israelo-Árabe fizessem uma grande orgia, acredito que se alcançaria a paz num instante. Ele que fale com o Futre e lhe peça daqueles comprimidos que tiram o calcário da serpentina, como dizia a saudosa Rute Remédios. Se, devido às condições de saúde, ele não poder tomar nada disso, então é mais complicado. Diz que comer quatro dentes de alho crus todos os dias durante dois meses aumenta substancialmente as concentrações de óxido nítrico no sangue e, consequentemente, a potência da erecção. Isto é mesmo verdade, não sou eu a inventar só para ele andar com mau hálito todos os dias. Se o problema é mesmo tamanho e não o desempenho, também se torna complicado. Ele que coloque dois preservativos e, no meio dos dois, espuma de enchimento que se mete nos prédios. Não dá tamanho mas dá volume, que diz que é o que importa mais. Resumindo: se gostam um do outro, tentem várias coisas, experimentem brinquedos e chafurdem no sexo oral e manual a ver se te acalma o fogo. Se, mesmo assim a coisa não melhorar, tens de tomar a decisão se amor sem sexo satisfatório te conseguirá fazer feliz. Se as condições de saúde dele forem muito graves, também só vais ter de esperar pouco tempo... Ficou um clima estranho...



Se Deus quiser para a semana cá nos veremos novamente. Se até hoje ele tem querido sempre, não há-de ser agora que vai mudar de ideias. Rezem muitos «Pais Nossos» para limparem o karma e, até lá, enviem as vossas dúvidas para porfalarnoutracoisa@gmail.com. 


Partilhem e façam muito amor à bruta, que de guerras o mundo já está cheio.

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15 de outubro de 2015

O cavalheirismo morreu com a igualdade



Deu-me para a nostalgia (e preguiça) e decidi reeditar o primeiro texto que escrevi neste humilde estabelecimento.

Acho que o cavalheirismo é uma palermice. Gosto da boa educação e respeito, quando se justificam, mas parece-me que o cavalheirismo é discriminatório. Não acreditam? Vamos por partes:

Pagar o jantar (especialmente se for primeiro encontro)
Nem sou muito forreta, mas acho descabida toda esta noção de que fica bem ao homem pagar o jantar, ou as bebidas, ou o motel. Até o posso fazer, mas porque sim e me apetece, e não porque fica bem e é esperado que o faça. Se uma mulher reparar que eu não paguei o jantar, então, provavelmente, não merece um segundo encontro. Esta tradição existe por duas razões: A primeira porque a mulher não era economicamente independente, então tinha de ser o homem a pagar. Mas isto acontecia, e acontece, para demonstrar poder sobre o sexo feminino, mostrando quem é que manda e mete comida na mesa. Nos dias de hoje, de igualdade, isso já não faz sentido e acho que é continuar a discriminar. A segunda razão nasceu pelo facto de o homem pensar que aumenta as suas possibilidades de praticar o coito pagando o jantar à donzela. O pior é que é capaz de ser verdade em muitas situações. Quanto maior for a conta, mais probabilidade há de se comer três pratos a seguir. Uma vez uma rapariga "esqueceu-se" da mala e da carteira quando fomos jantar fora. Duas vezes. Não houve terceiro encontro. Gostava de saber se já alguma mulher pagou, por iniciativa própria, a conta do jantar num primeiro encontro. Tenho sérias dúvidas.

Ceder o lugar a uma mulher
Se eu não estiver cansado e a mulher em questão vier carregada de sacos e com um ar de quem vai ter um AVC, obviamente que cedo o meu lugar sem qualquer problema. A questão é que também o faria se fosse um homem a estar nessa situação. Agora, privar-me do meu descanso só porque fica bem devido à noção antiquada de que as mulheres eram seres mais fracos, é algo que não me agrada. Não gosto de discriminar. Quem tem energia para andar dez horas num centro comercial, correr trinta lojas com 12 sacos na mão, tudo isto de saltos altos, tem, certamente, energia para aguentar uns minutos em pé. Já agora, em termos de prioridade, deixo-vos um enigma: estão dois amigos sentados numa carruagem do metro e entram quatro pessoas. Um velho de bengala com aquela tosse de quem já não vai aproveitar a vida muito mais tempo; uma velha a carregar uma grade de minis aos ombros; uma trintona com seios épicos e ar cansado de quem esteve a fazer uma maratona sexual mas que ainda lhe apetece mais; uma criança preta que pisou uma mina e ficou sem uma perna. A quem devem, os dois jovens, ceder os seus lugares?

Mulheres e crianças primeiro em caso de tragédia
Escandaloso! Crianças ainda vá que não vá, nem que seja para não as ter de aturar aos berros na fila de espera. De resto, mulheres e homens em pé de igualdade, se faz favor! É eu apanhar-me num naufrágio a ver se cedo o lugar na fila dos botes salva-vidas. Até passo à frente, se for preciso! Derrubo duas ou três velhas e mando uma grávida borda fora. Se só deixarem entrar mulheres e crianças num barco salva-vidas, depois quem é que se ia saber orientar e conduzir sem raspar nas rochas? Há que pensar nas coisas.

Proteger do frio
Ceder o casaco quando estão -4ºC ao Sol porque a mulher achou que não devia levar casaco, porque não tinha nenhum que ficasse bem com aquelas botas: Temos pena! As mulheres estão sempre a gabar-se que têm mais capacidade de sofrimento do que os homens e mais resistência à dor. Então, ora aí está uma boa maneira de provar tais afirmações. Até porque, depois, ficamos constipados e com febre e como nós somos mais mariquinhas vamos queixar-nos muito mais do que elas. Por isso não há o porquê de arriscar. Se eu tiver calor e ela frio cedo, educadamente e de forma protectora, o meu casaco. Mas, se depois começar a sentir um fresquinho peço-o de volta. O segredo é usarmos sempre um casaco da cor que ela mais odeia.

Abrir a porta para uma mulher passar primeiro
É uma questão de cortesia e boa educação que deve ser feito a qualquer pessoa, homem ou mulher. Muitas vezes, especialmente em elevadores, estou à espera e chega uma mulher toda lampeira e age como se fosse a minha obrigação deixá-la ir à frente. Nesses casos faço questão de passar primeiro e não segurar a porta. A não ser que a mulher em questão justifique deixá-la passar para poder observar melhor outros ângulos. De certeza que foi para observar glúteos que essa moda surgiu. Por exemplo, a subir escadas, faz-me todo o sentido deixar as mulheres de mini-saia irem à frente. Toda a gente sabe que aquilo prende a mobilidade e se caírem para trás, está lá quem lhes meta a mão.

Avisar o momento do clímax
Aquando do sexo oral, efectuado pela mulher ao homem, diz que é de cavalheiro avisar quando estiver a chegar o momento do lançamento da língua de camaleão. Quer dizer, um gajo chegar a casa com um ramo de flores ou uma caixa de chocolates de surpresa, tudo bem: «Ai amor, adoro quando me fazes surpresas». Quando é uma surpresa que vem cá de dentro, somos uns porcos e insensíveis à sensibilidade da epiglote da menina. Enfim, quem é que vai entender as mulheres?

Concluindo, prezo muito o romance, mas prezo ainda mais a igualdade. Acho que os princípios do cavalheirismo estão assentes no machismo e a verdadeira igualdade pressupõe a extinção de privilégios. Boa educação e cortesia, sim. Cavalheirismo obrigatório, não. Num casal gay ou lésbico, será que também se coloca este problema? Quem paga o jantar num primeiro encontro gay? Quem finge que percebe de vinhos e faz a prova? A quem vai o indiano vender rosas? São tantas as questões importantes que não vejo serem discutidas nas reuniões dos partidos. É por isto que Portugal está como está.
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