24 de novembro de 2015

Bebidas de homem e bebidas de mulher



Sejam bem vindos a mais uma consulta javarda deste vosso consultório das terças-feiras, "Doutor G explica como se faz". Temos boas dúvidas hoje e eu estou de mau humor. Metam o cinto que vem badalhoquice.



Caro Dr. G. entrei na universidade há 2 anos e meses antes acabei com o meu namorado. Acontece que ao ir estudar para outra cidade conheci muitas pessoas interessantes, nomeadamente rapazes. Envolvi-me com alguns e a maior parte (sem me querer gabar) ficaram caidinhos por mim. Poderia até ter começado algo mais sério com um deles mas quando eles se punham com essas ideias, eu inventava uma desculpa e fugia deles. Porque será que fujo dos compromissos sérios doutor? Será algum trauma do passado que não me deixa avançar? Ou será apenas medo de me magoar como aconteceu anteriormente?   
Miriam, 19, Elvas

Doutor G: Cara Miriam, eu sei lá se são os chineses ou o vernáculo do pénis, menina. Pode ser por isso tudo mas é, principalmente, porque nenhum deles tinha interesse suficiente para te fazer ficar de beicinho. No dia em que um te der uma saraivada como gente grande, vais ver que perdes o medo de ser magoada e já só pedes é com mais força e à bruta. Se nenhum te levou a querer mais do que sambodromo dos lençois, então é porque nenhum merece. Ou então és uma doida javardolas que só quer andar no buffet de carnes vermelhas. Cuidado que diz que faz cancro. E sífilis.


Olá Doutor, sou um rapaz muito tímido e por isso destaco-me muito pouco em ambientes de convívio. Tenho assim muita dificuldade em fazer amigas, daquelas mais intimas. Por mais esforço que faça para tentar conhecer raparigas novas, as coisas nunca vão para o lado que eu quero, mesmo perdendo a vergonha e sendo brutalmente honesto (até me deixarem de falar e perder assim algumas delas). Tive apenas uma namorada, com quem namorei dois anos e tivemos sexo espectacular, mas no entanto não toco em nada há mais de um ano e meio, o que está a dar comigo em doido. E eu e a minha ex até concordamos que a minha performance é muito boa. O Dr. tem algum conselho para alguém como eu?
José, 21, Almada

Doutor G: Caro José, vamos chamar as coisas pelos nomes: és um xoninhas. Orgulha-te disso que o mundo, parecendo que não, cada vez é mais dos xoninhas. Os conselhos que se dá aos xoninhas parecem sempre muito frases feitas do Gustavo Santos: «Não tenhas medo da rejeição.»; «Tens de ter confiança e tentar, falhar, e voltar a tentar.» e, claro, «Ama-te a ti mesmo», algo que já deves estar farto de fazer neste ano e meio em que estás restrito a tocar solos de oboé. Mas acaba por ser verdade, se não és o gajo que se destaca nas festas, nunca vais ser e não há mal nenhum nisso. Mas não podes ser um coninhas de todo o tamanho, também. Tens 21 anos, o teu target está todo no Tinder e nessas plataformas de engate para xoninhas que não têm coragem de abordar as pessoas na vida real. Eu sei que deves estar sempre com a mão direita ocupada, mas usa a esquerda para ir fazendo swipes. De resto, é ter calma e ir vivendo. Arranja hobbies que, para além de te distraírem do facto de não teres um pipi com que brincar, são uma óptima forma de ficares uma pessoa mais interessante e de conheceres novas potenciais parceiras. A não ser que tenhas hobbies tipo coleccionar selos... dessa forma vais criar teias de aranha nas virilhas. Quanto à tua ex dizer que a tua performance é muito boa, de pouco te serve, é o mesmo que dizer «Sou excelente a escolher destinos de férias paradisíacos, a questão é que nunca tenho dinheiro para ir a nenhum.». Podes sempre pedir-lhe para fazer essa recomendação no Linkedin a ver se te ajuda no recrutamento.


Sou uma moça com alguma experiência em cambalhotas javardas no divã, a bem dizer sou uma gaija que gosta à brava de comer bem e consequentemente ser bem banqueteada com a bela da fruta rija a estalar de boa! Como já percebeu sou aficcionada convicta de uma bela tourada na cama. Bom, adiante. O que me traz aqui é um grande assunto ou um assunto grande, por assim dizer, que recentemente ainda só me chegou ás mãos, mas que brevemente me chegará a outras partes do corpo. Ou seja, o assunto é o seguinte: Mangalho tamanho XXL. E a minha questão é esta: há algum cuidado extra que uma gaija deva ter antes da bela cambalhota quando se depara com uma mortadela inteira estando ela habituada a chouriço corrente?!
Ana, 38, Lisboa

Doutor G: Cara Ana, folgo muito em saber que a safadeza no teu corpo está viva e de boa saúde. Se te calhou na rifa um barrote do Entroncamento, só tens de seguir estes passos para conseguires disfrutar em pleno:

  • Fazer dez minutos de alongamentos;
  • Tequila para anestesiar. Oralmente e não na patareca.
  • Lubrificante com fartura. Pode ser mesmo dos carros que é melhor.
  • Evitar posições como as pernas nos ombros dele e o piledriver. Opta por aquelas em que ficas em cima a fazer de porteiro, ou seja, a controlar a entrada.
  • Ter gelo à mão.
  • Halibut.
  • Canadianas.
Força nisso. Devagar nisso, aliás. De qualquer forma, deixo uma resposta mais detalhada para alguma leitora que tenha passado pelas mesmas dores.


Caro Dr. G, primeiro, começo por dizer que sou bissexual. Tenho a certeza desta condição pois já tive relação com os 2 sexos e gosto dos 2. Sou casado com uma mulher de quem gosto muito e tenho completa tesão por ela e nunca falhei. Gosto de mulheres e sinto extremo prazer com elas. Mas existe o outro lado, em que tenho uma vontade de estar com homens e como disse já estive e também sinto grande prazer. Como é óbvio (pelo menos para mim), só assumo o meu lado hétero (Sou daqueles que não gosta de ver gays na rua, mas aceita pois cada um faz o que quer e ninguém tem nada a ver com isso). Nem sequer penso em outra coisa. Também como é óbvio, a não ser a pessoa (homem) com quem estive e vou estando, ninguém sabe nem ninguém vai saber pois a situação dele é igual à minha e nem por sombras queremos assumir o que quer que seja, pois de homossexual só temos mesmo o prazer do sexo. Como isto é um “consultório”, peço-te que dês uma opinião, para realmente verificar o que outras pessoas pensam…

Joaquim, 32, Aveiro

Doutor G: Caro Joaqum, então tu és daqueles gajos que diz «Maricas de mão dada na rua? Que nojo!». Sempre me pareceu que quem diz isso tem uma espécie de homossexualidade recalcada. «De homossexual só temos mesmo o prazer do sexo?», até soltei uma gargalhada. «Eu, gay? Nem por isso, a única coisa que gosto é de sorver umas pilocas de vez em quando. Não é homossexualidade, é um hobbie.» O único problema no meio da tua história toda, é que estás a trair a tua mulher e ela não sabe e isso não tem nada a ver com a tua bissexualidade. Qualquer homem ou mulher casado tem vontade, mais cedo ou mais tarde, de efectuar o funaná pelado com outra pessoa, algures durante a vida. No teu caso é com outros homens, mas isso não é desculpa. É o mesmo que um heterossexual trair e dizer «É que eu tenho esta necessidade de comer uma chinesa de mamas grandes de vez em quando...». Mas bem, podes sempre falar com a tua mulher e pode ser que ela aceite. Antigamente, a mulheres diziam «O meu marido traiu-me porque ela se foi pôr debaixo dele.», pode ser que a tua diga «O meu marido traiu-me porque ele se for pôr por trás dele.». Até pode ser que ela goste, dizem aqueles estudos que a maioria das pessoas são bissexuais. Eu sei que não sou porque uma vez beijei uma gaja com buço e nada. Nem senti uma comichãozita na enguia trapalhona.


​Caro Dr G., há cerca de 2-3 meses comecei a falar com um rapaz. Eram conversas parvas, no geral, mas que volta meia volta tinham umas insinuações dúbias de parte a parte. Isto de falarmos quase diariamente durou umas 3 semanas, durante as quais fomos tomar café 2 vezes. De repente deixa de meter conversa comigo (e eu acabei por não meter tb pq não queria dar o ar de mt interessada, coisa típica de gaja) durante umas 2 semanas e eis senão quando o moço assume um relacionamento no facebook. Perante isto a minha dúvida é o que me escapou aqui??
  1. Ele só me via como amiga, nunca teve outras intenções, eu é que vi coisas onde não havia nada para ver;
  2. Ele ainda não tinha a outra segura, e por isso quis manter-me ali no banco de suplentes, não fosse dar-se o caso da outra não querer entrar em jogo;
  3. Fazia-lhe bem ao ego ter outra pessoa interessada nele, andar no jogo do flirt, mesmo não tendo qualquer interesse;
  4. Outra qualquer que me está a escapar mas que o Dr. G me vai elucidar.
Entretanto, 1 ou 2 semanas depois de assumir a tal relação, voltou a meter conversa comigo, como se nada fosse, e eu agora vejo-me na posição de querer mandá-lo à merda mas não poder para não dar numa de dama ofendida (porque bem vistas as coisas não tivemos nada, por isso não tenho o direito de estar chateada), e ao mesmo tempo não querer mostrar que isto me afectou (mas também não quero q ele ache q me pode manter ali no banco de suplentes à vontade, que eu vou ficar ali eternamente, porque isso não vai acontecer). Elucide-me Dr. G., que é dos poucos homens que ainda me faz acreditar que os seres do sexo masculino não são todos uns cafagestes.  
Maria, 25, Lisboa

Doutor G: Cara Maria, isto vai para aqui um testamento que sim senhor. Por hoje passa, mas dúvidas com este tamanho vão começar a ficar na caixa de entrada que ninguém me paga para isto e a boa vontade tem limites. Ora bem, vamos atalhar e passar já às respostas e não se fala mais nisso:

  1. Errado. Ele queria-te saltar para a cueca.
  2. Errado. Ele andava a ver qual queria e a primeira que se chegou à frente, ou atrás, fidelizou o cliente.
  3. Sim, fazia-lhe bem ao ego e isso tudo mas ele tinha interesse.
  4. Não há outra.
Conclusão: armaste-te em esquisitinha e difícil e outra mais badalhoca ficou com o prémio. Para a próxima já sabes, é caires-lhes de boca no colo como quem não quer a coisa. Ou quer a coisa. Se ele voltou a meter conversa contigo é porque continua interessado e quer pular a cerca, tropeçar e cair-te de pélvis na cara. Caga nesse gajo, é o conselho deste espécime masculino nada cafegeste.


Olá Dr. G., sou uma jovem rapariga, quase a terminar o curso superior, razoavelmente bonita e sempre fui muito bem comportada. Tive apenas um namorado e fui dando uns beijinhos a um ou dois rapazes, mas nada sério. Desde que terminei com o meu ex- namorado (há cerca de 5 anos) ele nunca me "largou", isto é, mandava mensagens, ligava-me, fazia cenas de ciúmes e eu nunca conseguia desligar-me por completo dele... a verdade é que também demorei a esquecê-lo. Acontece que, no verão passado, conheci um rapaz que me fez querer apagar o meu ex de vez. Começámos a conversar e a estar juntos. Porém, já nos afastámos algumas vezes porque ele diz que não quer assumir nada com ninguém. No meio disto tudo, fico baralhada. Há vezes em que parece que ele apenas quer estar comigo pelo sexo. Porém, faz coisas que me levam a pensar que não é bem assim, como uma vez que fez 150 km para me oferecer o jantar e irmos passear só porque eu estava em baixo nesse dia. A minha dúvida é: devo dar-lhe tempo e espaço para perceber o que quer ou sigo em frente, porque ele quer apenas aplicar-me uns mata-leões entre os lençóis? 
Anónima, 22 anos

Doutor G: Cara Anónima, nunca digas que és razoavelmente bonita que as pessoas imaginam logo um papa-formigas a provar limão pela primeira vez. Já respondi a dúvidas parecidas à tua e até me passo com este tipo de questões. Vou escrever agora como fazem os velhos e as velhas, nos comentários do CM, que só agora tiveram acesso à Internet: MAS SE ELE TE DIZ QUE NÃO QUER ASSUMIR NADA COM NINGUÉM QUAL É A PUTA DA DÚVIDA, CARALHO?!?!?! Se ele não quer, não quer, temos pena. Tens duas opções: ou continuas com ele só numa de te divertires, ou segues a tua vida se não estiveres para isso. Se ele diz isso e algum dia assumir alguma coisa contigo, não é porque mudou de ideias e começou a gostar de ti, é só porque ficou sem opções. A cena de ele fazer esses km todos para te consolar é porque se calhar até é um bom rapaz e gosta de ti como amiga colorida. Ou então foi porque estava com o depósito cheio e não estou a falar do carro.


Boa noite caro Dr.G, sou um jovem de 19 anos, que raramente vou a discotecas ou bares nocturnos. A minha dúvida é a seguinte: existe um tipo de bebidas certas para o homem e outro para as mulheres? Sempre que saio à noite não sei se devo beber esta ou aquela bebida, se vou pagar o mico porque estou a beber uma bebida que as "mulheres é que bebem", etc. Existe um tipo de bebidas para beber quando se está entre amigos e outro tipo quando se está na companhia de uma mulher?
Anónimo, 19, Algures 

Doutor G: Caro Anónimo, pagar o mico? A tua sorte é que eu via a Malhação e sei o que é que isso quer dizer. Mas, indo à tua pergunta, tudo depende da tua confiança. Eu, devido à minha barba e masculinidade exuberante, posso beber um daiquiri de morango com uma sombrinha lilás e ainda assim parecer um heterossexual. De resto, bebe mas é o que gostares e marimba-te para o que os outros pensam. Pede uma bebida de gaja se te apetecer e se a, ou as, mulheres que estiverem contigo se rirem, só tens de dizer «Só falta a sombrinha espetada. Por falar em espetar...». 



Espero que tenham gostado, caso contrário peçam a devolução do dinheiro na secretaria. Obrigado a todos e, como sempre, até para a semana e continuem a enviar as vossas dúvidas para porfalarnoutracoisa@gmail.com. 


Partilhem e façam muito amor à bruta, que de guerras o mundo já está cheio.

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20 de novembro de 2015

Homofobicus otarius: os "melhores" comentários



Foi aprovada a lei da adopção por parte de casais do mesmo sexo e gerou-se o caos nas redes sociais, como sempre. Antes de vos mostrar, quero apenas dizer que, para mim, só há um argumento relativamente válido de quem é contra a adopção por parte de casais do mesmo sexo: é o argumento de que a sociedade pode não estar preparada e que os miúdos vão sofrer discriminação na escola por parte de outros putos ranhosos, filhos de pais preconceituosos que os vão impregnar de crueldade e homofobia. Ainda assim, embora perceba este argumento, sou a favor porque acho que o bullying é saudável e porque qualquer pessoa inteligente vê que mais vale chamarem-nos maricas no recreio do que passar a vida numa instituição sem uma família que nos dê amor. Posto isto, varri algumas secções de comentários de jornais portugueses e morri um pouco por dentro. Porque não gosto de guardar as coisas más só para mim, partilho aqui convosco para, também, falecerem um pouco. De nada.


Aqui conseguimos observar alguns exemplares de uma ramificação da evolução humana que não teve a sorte e chegar a ser homo sapiens, mas sim, homofobicus otarius. Comparar homossexualidade com pedofilia não é desinformação, é mesmo atraso cognitivo. De notar que existem «likes» em alguns destes comentários, dando a entender que esta sub espécie "humana" não está, infelizmente, perto da extinção.



Neste belo quadro, podemos observar os argumentos desta espécie, altamente ponderados e eloquentes. O uso das letras maiúsculas e os erros ortográficos são uma das armas mais poderosas do homofobicus otarius. De notar a falta de conhecimento da anatomia humana do senhor Jorge que, para além de pensar que dois pipis ou duas pilinhas podem procriar, ainda acha que adoptar o filho que foi abandonado por um casal heterossexual é, de alguma forma, «usar os filhos».



Perante a falta de argumentos, muitas vezes, o homofobicus otarius prefere expressar os seus argumentos e emoções na forma de bonequinhos palermas.



O senhor Mário é um cientista incoerente. Apesar de denotar algum sentido de humor, embora nojento, decide chamar Deus, dizendo que nada acontece por acaso, sem depois se lembrar que se Deus faz tudo pensado, também terá feito gays e lésbicas propositadamente. Tal como terá permitido que a lei fosse aprovada ao invés de deitar um meteorito na Assembleia. O senhor Mário é um palhaço.



A Luzia e o David a mostrarem-nos que o mais importante neste caso é a semântica. Já agora, podiam juntar-se os dois que assim só se estragava uma casa. Mas não procriem, por favor.



A verdadeira magia acontece nas zonas de comentários anónimos, onde o homofobius otarius revela a sua faceta mais nojenta. Chamo à atenção para o senhor Fernando, que está claramente a tentar enganar as pessoas, dizendo que é gay. Até se pode dar o caso dele ter um fetiche anal mal resolvido, é um facto. Mais uma vez, o homicídio da língua portuguesa é uma constante, porque a iliteracia e o preconceito andam de mãos dadas. Duas mãos de sexos diferentes, atenção. Não queremos cá mariquices.



Sim senhor, até que enfim argumentos e propostas de solução. O senhor Felisberto a revelar a sua homossexualidade reprimida a ver se pega. «Ah e tal, vou enfiar um pénis no rabo e outro até à garganta só para provar que tenho razão!».



A democrata senhora Helena a fazer a pergunta que faz sentido, à qual eu vou tomar a liberdade de responder. Senhora Helena, estas coisas não devem ir a referendo porque, como pode ver em todos os comentários acima, ainda existe muita gente retrógrada e atrasada mental. Como tal, os direitos humanos não devem ir a referendo, correndo o risco de serem decididos pela maioria inculta, burra e desinformada.

E é isto. Espero que tenham gostado. Se forem contra pelos motivos que falei no início, até vos respeito, mas argumentem de forma inteligente. Não sejam otários. Não sejam homofobicus otarius.
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18 de novembro de 2015

Regras de etiqueta para os novos botões


Com os novos botões do Facebook, há muita gente confusa sobre qual a melhor forma de os utilizar. Felizmente, eu vou armar-me em Paula Bobone da Buraca e explicar-vos as regras de etiqueta para as mais variadas situações com as quais se irão deparar.



Um post de gatinhos


Um post de uma criança africana subnutrida


Um post com uma passagem da Bíblia


Uma selfie de alguém cuja beleza é inexistente


Um post de uma grávida a mostrar a barriga


Um post a informar que alguém próximo morreu


Uma foto de uma rapariga em fio dental

De nada.
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17 de novembro de 2015

Como detectar um namorado abusador?



Depois de uma semana de folga, eis mais uma sessão do melhor consultório sentimental exercido por alguém sem diploma para o efeito. É dia de uma rubrica "Doutor G explica como se faz". 



Olá Dr G., sou uma miúda algo volumosa, mas apesar disso nunca tive problema em arranjar namorados e coisas assim do género. O que acontece é que eu namoro já há uns 3 anos e não conheço os pais dele, no entanto conheço irmão, mas porque o irmão chegou lá a casa e nós estávamos os 2 juntos lá em casa, não estávamos a zumbar pelados vá lá, fui apresentada como amiga... Amiga??? A sério??? No outro dia estava eu a dizer ao meu namorado que eu achava que ele tinha vergonha de mim, porque as gordas são como as pantufas toda a gente gosta de usar mas ninguém tem coragem de sair com elas à rua. Ao que ele responde que não tem vergonha porque ele vem ter comigo ao trabalho, à faculdade, ao ginásio, leva-me aos jantares com os amigos dele (ah sim, para os amigos eu sou namorada porque uma vez um ficou hipnotizado a olhar para o meu sorriso estonteante, e ele lá disse é a minha namorada e lá o moço acordou) para nenhum se meter comigo. Eu então perguntei porque é que ele não me queria apresentar aos pais dele, ao que ele responde que só apresenta quando eu estiver em forma, então isto é ou não é ter vergonha de namorar com uma gorda?? E depois vocês gajos têm o dom de virar o bico ao prego, porque ele diz logo que eu é que tenho vergonha dele porque não ando de mão dada na rua com ele nem lhe dou beijinhos, ora não gosto de demonstrações de afeto em público... Ele tem vergonha de mim ou não??    
Sissi, 26, Lisboa

Doutor G: Cara Sissi, se ele te diz directamente que só te apresenta aos pais quando estiveres em forma, não percebo qual é a tua dúvida. É óbvio que ele tem vergonha de ti. Tens um namorado honesto! Uma otário, mas honesto. A não ser que a casa dos pais dele seja no 15º andar e o elevador esteja avariado e seja por isso que ele precisa que estejas em forma... Ou porque os jantares de família acabam sempre numa orgia com tudo a fazer um 69 em pé e a saltar à corda. Aí sim, compreendo que seja preciso uma boa forma física, que ninguém gosta de ver uma orgia perder ritmo porque está lá uma gorda que não tem andamento. Mas bom, esse teu namorado é um palerma. Fica ao teu critério a forma como queres dar seguimento ao processo.


Caro Doutor G, estive com uma pessoa durante alguns anos e, tendo-me dedicado por inteiro a ela, algumas das minhas habilidades sociais (neste caso, namoriscar/meter conversa com as mulheres) ficaram demasiado diminuídas. Agora que terminamos (e quando digo terminamos, já lá vai um ano), não voltei a estar com mais nenhuma mulher. Sempre que saio à noite e mesmo que beba uns copos, parece que nunca sei o que lhes dizer, ao ponto de lhes provocar interesse ou curiosidade. Para além de sentir falta de companhia do sexo feminino na minha vida pessoal, o meu braço direito está com o dobro do tamanho do esquerdo, se é que me entende. Não há hora do meu quotidiano em que não pense em sexo! Estou totalmente impaciente e ansioso. Já pensei em soluções temporárias, mas são tão dispendiosas! Sinto que o tempo vai passando e que nunca mais estarei com ninguém. Estarei a dar em louco?  
Anónimo, 23, Porto

Doutor G: Caro Anónimo, não estás a dar em louco mas está a sofrer do síndrome coitus xoninhux, que se manifesta por uma proporcionalidade inversa entre o nível de xonice e a quantidade de sexo que se pratica. Estás há um ano sem ver sexo do ponto de vista do utilizador, não é assim tão grave. Conheço casos bem mais graves que depois foram ao sítio, salvo seja. Ora bem, abordar mulheres na noite é sempre algo complicado que requer treino e habituação à rejeição. A prática faz a perfeição e não há muito mais que eu te possa dizer. Antes de ponderares soluções que envolvam a troca de orgasmos por capital monetário, sugiro-te as alternativas virtuais. O Tinder e essas ferramentas da moda, ideais para xoninhas com problemas de ansiedade. Na pior das hipóteses treinas os dedos com os swipes, algo que te poderá dar jeito depois quando chegar o tão ansiado dia. 


É o seguinte, envolvi-me com um homem 15 anos mais velho do que eu, casado e com filhos. É o homem mais giro com quem já estive, divertimo-nos imenso e a coisa durou 6 meses (porque tive de vir embora daquela região). Ainda trocamos mensagens com frequência mas eu sei que esta coisa de ser "a outra" não é para mim e tenho de o esquecer, porque a verdade é que fiquei embeiçada... Agora (o ridículo!): um amigo da minha mãe aprendeu a ler cartas de tarot e do nada disse que eu ia viver com um homem que tinha conhecido na circunstância X (não vale a pena detalhar mas batia certo com este gajo!) e como é óbvio ninguém sabia desta "relação". Eu não costumo acreditar nestas coisas mas fiquei abananada. Doutor, mantenho uma pequena esperança em ficar com ele ou viro a página?
DM, 23, Algarve

Doutor G: Cara DM, acreditar num tarólogo é quase tão mau como acreditar nos meus conselhos. Repara que ainda por cima foi um gajo que aprendeu agora a ler cartas de tarot, nem sequer é um cartomante com décadas de experiência no que concerne à charlatonice. Se a informação bateu certo é porque o gajo tem uma boa equipa de pesquisa que te andou a investigar ou, wait for it, é pura coincidência!!! Juro-te que existem, embora a Margarida Rebelo Pinto diga que não. Posto isto, é óbvio que deves virar a página, queres mesmo chegar aos 40 anos, auge sexual das mulheres, e ter um homem de 55 com uma alavanca de Arquimedes já meio cabisbaixa? Isto para além do facto de que 99% das vezes os homens não deixam as mulheres pelas outras, com quem só querem é funáná pelado. De qualquer das formas, se o tarólogo estiver certo, significa que existe mesmo um destino e um futuro delineado, pelo que virares a página e teres ou não esperança não vai servir, nem interferir, para nada. É fazeres a tua vida e esperar para ver, mas garanto-te, com 99,999999999999999% de certeza que esse tarólogo não tem razão. A ter, é pura coincidência. Mas, como tenho mente aberta, pergunta-lhe aí quantos livros é que vou vender


Namorei 5 anos com um rapaz era muito nova e sempre pensei que fosse para a vida, até que um belo dia ele decidiu dar um "fora" assim sem mais nem menos. Sofri bastante e depois lá fui fazendo a minha vida, mas já se passaram uns tempos e não me tem aparecido ninguém de jeito e pelo meio, quando eu já não penso no outro, ele aparece-me à frente. Parece sei lá o quê! É que sempre que já estou recomposta emocionalmente ele cruza-se comigo (não estou a falar obviamente em se cruzar na rua comigo...do género manda sms a fingir que não sabe que sou eu. Depois passa  um tempo já estou "curada" e aparece numa coisa em que quero participar (o que quero dizer é que parece que já são coincidências a mais). O que faço? O meu estado emocional já se esta a passar.  
Ana, 28, Lisboa

Doutor G: Cara Ana, só tens de o ignorar. Se ele te deixou sem dar satisfação e de vez em quando tenta entrar na tua vida só para ver o que se passa é porque é um palerma que, para além de não ter tido consideração por ti, continua a não querer que tu sejas feliz e o esqueças. O problema é que se ele te chamasse de volta tu ias a correr e como ainda não te aprendeste a valorizar, não te posso ajudar. Da próxima vez que ele te enviar uma mensagem a fingir que não sabes quem tu és, manda-lhe a foto da maior pila que encontrares na net com a legenda «O número que pretende contactar não se encontra disponível devido ao facto de estar a ser destruída por este excelso pénis.»


Boas, sou o Ricardo tenho vinte e cinco anos e namoro há cinco anos e pouco com uma rapariga mais nova. Acontece que apesar de o sexo ser bastante satisfatório, sou uma pessoa extremamente aventureira e ela não. Gostava de experimentar cenas do género sexo anal, sexo em publico, orgias e até mesmo sexo a 3 (das duas formas). A minha namorada sabe que sou aberto a novas experiências sexualmente mas nunca quer realmente experimentar coisas novas, a "rotina" sexual é praticamente sempre a mesma. Alguma dica em especial? Já tentei falar abertamente com ela sobre isto contudo na grande maioria das vezes ou recebo um não imediato e não se fala mais do assunto ou fica, na falta de melhor palavra, fodida comigo.
Ricardo, 25, Algures

Doutor G: Caro Ricardo, tens sempre roofies para a tentar persuadir. Estou a brincar! Não faças essa merda! As pessoas ou são compatíveis sexualmente ou não são. Não há volta a dar. Não há nenhum argumento espectacular que eu te possa dar que leve a tua namorada a pensar «Olha que sim senhor, afinal fazer uma orgia até tem as suas vantagens» ou «Olha que nunca tinha pensado por esse prisma, vamos lá então chamar aquela amiga para a cama connosco que é capaz de fazer bem à celulite.» Se ela não quer, temos pena. Aliás, se eu fosse a tua namorada e me dissesses que não te importavas de me ver a levar com um nabo alheio, eu era gaja para achar que tu não gostavas assim tanto de mim. Mas isto sou eu que sou um gajo atento aos detalhes. Em relação ao sexo anal e sexo em público, a história é diferente já que apenas contempla os vossos genitais e, talvez, o de um ou outro voyer que se esteja auto satisfazer. Nesse caso é uma questão de seres espontâneo. Leva-a para o WC dos deficientes que é uma espécie de droga de transição para quem quer fazer verdadeiro sexo em público. O sexo anal, é ires apalpando terreno. Aproveita as noites de bebedeiras, que desde sempre que o álcool é utilizado como anestesia para operações delicadas.


Exmo. Dr.G, como está? Sempre tive dificuldade em gostar verdadeiramente de alguém e em querer alguém ao meu lado como namorado. A realidade é que nunca estive apaixonada. Conheci um rapaz há uns meses, demo-nos muito bem e eu até estava a gostar dele e a ponderar uma coisa séria. A coisa estava bem encaminhada até ao dia em que ele se mostrou um pouco… vamos dizer mentalmente instável. Livrei-me imediatamente dele antes que levasse uma nos queixos e agora estou meio traumatizada. Quer dizer, demoro tanto tempo a interessar-me por alguém e afinal ele é doido? What the fuck? Coloco-lhe então 4 questões:
  1. O que é que faço para ultrapassar este trauma?
  2. Como é que sei, sem conhecer bem a pessoa, que ele não bate bem da tola e um dia pode dar uma de Chris Brown na minha cara? Existem sinais?
  3. O que é que pode explicar a minha falta de entusiasmo em relação aos gajos que conheço? E não, não sou lésbica.
  4. Caso voltes a ficar solteiro podemos ir beber um café? Juro que não sou feia! Não sou uma Sara Sampaio mas também não sou um Sloth. 
Mariana, 27, Lisboa 

Doutor G: Cara Mariana, vamos então por partes:
  1. É pensar que segundo as probabilidades será complicado encontrares dois psicopatas abusadores e cobardes de seguida. Eu também não sei se o avião não cai, agarro-me às estatísticas.
  2. Há poucos sinais embora, para os mais atentos, seja possível ver-lhes nos olhos. Os chamados crazy eyes são algo que, com a prática, se conseguem identificar tanto nos homens como nas mulheres. Se ele tiver um livro do Gustavo Santos na mesinha de cabeceira, também é um bom indicador;
  3. Andas a dar-te com os homens errados;
  4. Eu não vou ficar solteiro, lamento. Quanto muito posso ficar viúvo e aí sim, aceito ser consolado todo nu que a roupa preta não me assenta bem. Atenção que isto não é um convite para assassinares a minha namorada.

Caro Doutor G, somos a Joana e o Tiago de São Miguel, Açores. Somos os primeiros malucos a partilhar com o doutor a nossa vida a dois? Vamos tentar não ser Alice. O problema em causa é ancestral. A Joana quando praticamos luta greco-romana não atinge o orgasmo. São vários os motivos avançados de parte a parte. Do lado da Princesa, o tamanho da espada, do lado dele a frequência de duelos e o conhecimento do adversário de parte a parte. Como resolvemos este problema facilmente? A vontade de ambos é enorme. 
Joana e Tiago, Açores

Doutor G: Caros, sim, acho que foram os primeiros a consultarem-me em conjunto. Só espero que não tenham também um Facebook conjunto que isso é o mesmo que fazer cocó de mãos dadas. O que faz mais confusão nesta dúvida, é a Joana ter dito directamente ao Tiago que a culpa dela não atingir o nirvana dos lençóis é o tamanho da espada. Porque das duas uma: ou é por excesso de tamanho, ou o Tiago consegue aguentar golpes duros na sua auto-estima. De qualquer das formas, seja por excesso ou por defeito, o tamanho do membro não é desculpa para não haver orgasmo, já que existem dedos e língua. Ela atinge o orgamos sozinha? Se sim, a culpa é do Tiago, se não, a culpa é da Joana. De qualquer forma a culpa é dos dois que deviam era estar todos nus a esfregarem-se de todas as maneiras e feitios em vez de estarem a enviar dúvidas à espera que eu resolva a situação. O único método 100% fiável de eu vos ajudar com o vosso problema era ser eu a tratar da Joana. Como o código deontológico não mo permite, resta-me desejar que se descubram mutuamente sem medos e sem tabus. Mas Tiago, a partir do momento em que enviaram esta dúvida, fica sabendo que quando a Joana se vier, a primeira coisa que vai pensar é em mim. De nada.



Continuem a enviar as vossas dúvidas para porfalarnoutracoisa@gmail.com. E, esta rubrica terá tanta continuidade quantas as pessoas que a continuem a ler, por isso, partilhem e deixem-se de vergonhas. Até lá, 


Façam muito amor à bruta, que de terrorismo o mundo já está cheio.

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15 de novembro de 2015

Não rezem por Paris. Rezem por Portugal.



Mais um atentado em Paris. Mais uma centena de mortos. Mais um movimento de solidariedade nas redes sociais. Mais fotos de perfil alteradas. Mais uma chorrilho de ofensas por todo o lado. Mais do mesmo.

Depois de uma tragédia como a de Paris era de esperar uma consternação geral, também, em Portugal. Era de esperar que nas redes sociais se multiplicassem as manifestações de apoio, solidariedade, e pesar pelas vidas perdidas. Era de esperar que houvesse uma introspecção sobre as causas desta tragédia. Era de esperar surgissem ideias para soluções e, sobretudo, era de esperar que houvesse uma união em torno do sofrimento das famílias das vítimas de mais um momento triste para a humanidade. Era de esperar isso tudo para quem anda distraído e acha que a raça humana bate bem da cabeça. Em vez disso, surgiu um discussão muito mais importante: deve ou não colocar-se o filtro da bandeira francesa na foto de perfil.

Numa altura em que nos devíamos unir, dividimo-nos em opiniões sobre as opiniões diferentes que temos.

Enquanto os familiares sofrem e choram os mortos de uma guerra que não era deles, os bastiões da moralidade online ofendem-se nos comentários de todas as publicações do mural das lamentações do Facebook. Ora são hipócritas os que meteram filtro da fotografia, ora são hipócritas os que criticam dizendo que não serve de nada, achando que os seus comentários são diferentes. O grande problema é esse: mudar a foto não serve de nada; rezar não serve de nada; escrever sobre o assunto não serve de nada. Nada serve de nada e é por isso que casos destes vão continuar a acontecer, cada vez mais. Vão continuar a voar balas, vão continuar a explodir bombas cujo rastilho é a ignorância e a falta de empatia das pessoas.

«Mas ó Guilherme, seu anormal, tu também fizeste piadas sobre as fotografias e criticaste!!! Devias ter familiares mortos nos atentados para veres o que era bom! Graças a Deus!!!» dizem alguns iluminados mas só porque a luz do monitor está no máximo. Primeiro, não critiquei ninguém que colocou o filtro, apenas fiz piadas com isso. Eu sei que para alguns é um conceito complicado de perceber, mas as piadas raramente trazem opinião no bico a não ser a intenção de fazer rir. Passa-me completamente ao lado se colocam filtros nas fotos com duckface tiradas com o selfie stick na mão enquanto seguram o balão de Gin com a outra. Não me interessa. Se acham que é um gesto bonito, que demostra solidariedade, e, principalmente, se vos apazigua a alma, força! A sério que não vejo mal nenhum nisso nem acho que seja hipocrisia colocarem a de França e não a de Beirute, ou de não terem a da Serra Leoa todos os dias. Cada um se sensibiliza com o que quer. Cada um se indigna com o que acha melhor. Hipócritas somos todos, porque todos escolhemos, de forma consciente ou não, dar o nome "desgraça" ou "tragédia" consoante o que nos é ou não mais próximo. Por isso, não vejo mal nenhum nos filtros das fotografias, até porque em alguns casos disfarça a falta de beleza das pessoas e o nosso mural fica menos feio. Não me digam é que são melhores pessoas só porque o fizeram, que aí sim, merecem levar dois pares de estalos à padrasto. De resto, façam o que vos apetecer e não liguem ao que os outros dizem, porque esses outros, não colocando o filtro, também não fizeram nada para ajudar. No fundo, estamos todos no mesmo barco e ninguém fez nada para ajudar a não ser pensar para si «Coitados... mas antes eles que eu». Somos todos hipócritas. Eu incluido.

Este comportamento de nos meter uns contra os outros é dar a taça aos terroristas. O medo é a moeda deles. Não é o número de mortos e de feridos, é o medo que conseguem espalhar ao resto do mundo. E este comportamento de ofensas cruzadas é a prova que eles estão a vencer. Estas ofensas vêm do medo. Porque quem mete o filtro na fotografia tem medo. Quem critica também tem medo. Quem diz que a culpa é dos refugiados tem medo. Quem diz que devem ser recebidos de braços abertos também tem medo. Temos todos medo, e em vez de fazermos desse medo o que nos une, fazemos dele o que nos separa. Não há mal nenhum em ter medo, mas quem o tenta esconder usando-o para se fazer valer e ofender os outros, numa altura em que o que nós sentimos é completamente secundário, é ser-se conas. Somos todos uns conas. Todos. Por isso, o terrorismo continua a ganhar terreno. Porque se alimenta da ignorância, do medo e, principalmente, da conice dos outros. 

Num caso destes não interessa quem tem razão! Ao discutirmos quem tem razão acabamos por a perder toda ao esquecermos a verdadeira razão pela qual a deveríamos estar a discutir. 

Foda-se que esta frase ou é genial ou é só parva. É capaz de ser só parva. Nem vou estar aqui a escrever sobre o movimento "Pray for Paris", porque é óbvio que rezar não serve de nada a não ser para apaziguar quem o pratica. Para mim, até é um bocado de mau gosto chamar mais religião ao barulho... mas como isto é um texto sobre o facto de sermos parvos em estarmos a criticar as opiniões dos outros, vou-me abster de comentar mais sobre isso. Ainda assim, permitam-me que deixe uma adenda para aqueles que se apressaram a dizer que a culpa é dos refugiados. Para essa gente, quero apenas dizer que parece que um dos terroristas tem mãe portuguesa! Por isso, de agora em diante, dizer que a culpa do terrorismo na Europa é dos refugiados, é o mesmo que dizer que a culpa do terrorismo é das mães portuguesas. Touché, madafacas.

E pronto, peço desculpa por este texto não ter piada mas os ataques de sexta-feira, ironicamente 13, tiraram-me um bocadinho mais a esperança na humanidade. Não pelas mortes, pelo sofrimento gratuito e desvalorização da vida humana só porque acreditam num ser imaginário com outro nome. Não foi isso que me fez perder ainda mais a credulidade para com o Homem. Foi mesmo o ver a forma com que continuamos a lidar com a tragédia dos outros, uma após a outra. Continua apenas a interessar-nos o nosso umbigo. Somos todos uns merdas. Todos. Não rezem por Paris. Rezem por Portugal.

PS: Só para não dizerem que eu só escrevo sobre estes assuntos para ter likes, não se esqueçam que podem comprar o meu livro que já está nas bancas.
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13 de novembro de 2015

Escondam as ganzas e as criancinhas



Então diz que o Governo foi com o caralhinho? Está giro, sim senhor. Eu tenho andado demasiado ocupado com toda a azáfama do livro que acabo de lançar e só agora é que me consegui debruçar sobre o assunto. Debruçar não foi um verbo escolhido ao acaso, já que é nessa posição que os nossos políticos nos gostam de ver, e, ao que parece, nós também. 
Quando a PàF "ganhou" as eleições, não vi ninguém no meu mural de Facebook a celebrar. Achei estranho porque nem eu sei escolher assim tão bem os meus amigos. Agora, depois do Governo ter caído, o meu mural parece o mural das lamentações do pessoal com três nomes e cabelinho à foda-se. Uma pieguice capaz de envergonhar o seu maior ídolo.

Devem estar a pensar que eu gosto do Costa e que acho que o governo PS viabilizado pelos restantes partidos de esquerda vai ser impecável. Mentira. Não gosto do Costa e não acredito que alguém que queira mesmo fazer o bem do país faça carreira como político, seja no PS ou PSD. Não votei BE nem PCP nem me revejo na grande maioria dos seus ideais. Mas, se tiver de pesar os prós e contras, acho que um governo de esquerda será o menos mau. Só tenho pena do BE e do PCP limparem as mãos das responsabilidades e não integrarem também o Governo. Acho que a Catarina Martins e o Jerónimo deviam ser ministros de qualquer coisa só para verem se isto da política é mesmo para eles ou se fazer é mais difícil do que falar. Acho que lhes fazia bem essa oportunidade de coaching. 


No meio disto tudo, a única esquerda que me preocupa a sério é a da Selecção Nacional. Antes Jerónimo do que Eliseu.

Por mim já valeu a pena só de ver a cara do Passos após a moção de rejeição ter sido aprovada. Foi aquela cara de anticlímax de quem foi deixado a meio de um felácio. Uma sensação nova para o Portas, pelo menos do ponto de vista de quem recebe. Se repararem bem, a sigla PàF é muito parecida com APAF, Associação Portuguesa de Árbitros de Futebol. Faz sentido, já que todos sabemos que há muitas coisas que unem políticos e árbitros. A diferença é que os políticos têm vouchers para jantares de luxo ilimitados e todos pagos por nós.

Cavaco Silva tem agora um dilema em mãos: indigita Costa para primeiro-ministro para governar com o apoio do BE e do PCP ou nomeia um governo de gestão até novas eleições. Pode também decidir formar governo de iniciativa própria e meter a Ana Malhoa como Primeira Ministra Turbinada. No fundo, ele pode fazer o que lhe apetecer. Vou fazer de analista político daqueles que sabem tudo no fim dos telejornais, mas que fazer alguma coisa, está quieto ó pessoa cujos antepassados recentes vieram de África! É nisto que Cavaco está a pensar enquanto degusta um belo de um bolo rei, cujo brinde é uma pastilha de Rennie:
  1. Nomeia governo de gestão e incendeia a esquerda, o que fará com que nas próximas eleições o PS ganhe por maioria absoluta, nem que tenha de se coligar antes da ida às urnas.
  2. Nomeia Costa e aqui há duas hipóteses:
    1. A coisa corre mal e temos eleições daqui a um ano, o que garantirá maioria absoluta ao PàF nas próximas eleições;
    2. A coisa corre bem, Portugal melhora incrivelmente e Costa fica na história como o melhor primeiro-ministro de sempre e a direita nunca mais cheira nada nas eleições das próximas décadas.
No fundo, se Cavaco indigitar o Costa, não será por respeito à democracia mas sim porque não confia que aquilo vá dar em alguma coisa e assim assegura o futuro do seu partido. Caso haja governo formado pelo segundo partido mais votado, não é algo assim tão fora do comum: na Bélgica, o atual primeiro-ministro é do quinto partido mais votado nas últimas eleições. Não sei qual é o estado atual da Bélgica, mas não me parece que esteja pior do que nós. Curiosamente na Noruega e na Dinamarca, esses países em crise, o caso é parecido. Uns para a direita, outros para a esquerda. A meu ver, quantos mais partidos estiverem a formar governo, melhor. Mais a vontade do povo está reflectida na Assembleia. Podemos discutir se a vontade do povo é a melhor mas isso são outros quinhentos ou seja lá qual for o valor do ordenado mínimo.

Passos Coelho diz que quer uma revisão constitucional para permitir novas eleições. O nosso Pedro sempre teve um problema com a constituição. Eu, uma vez, também fui votado delegado de turma no 5º ano e não queria nada. No entanto, usei o meu poder como delegado de turma para convencer o professor a fazer uma nova votação. Votaram em mim outra vez. É o que dá ser o único branco da turma, os miúdos são preconceituosos e partiram do princípio que eu era um gajo responsável só pela cor da minha pele. Incrível a discriminação e racismo que ainda existe em Portugal.

Voltando ao tema, uma coisa temos a certeza: Passos e Portas são uns monos que para ali andam. Não percebemos ainda que a austeridade não é o caminho? Acreditam mesmo que Portugal está melhor do que há quatro anos? Já nos habituamos é a ser encavados e dói-nos menos agora do que quando nos enfiaram um dildo Rambo XXL pelo nalguedo acima sem pedir licença nem ter a cortesia de colocar uma vaselina, no início, e um Halibut, no fim. Aumentaram as exportações? Uau. Fixe. 

Eu também consegui vender um ralador velho no eBay a um gajo do Congo e não é por aí que a minha riqueza aumentou.

O desemprego diminuiu? Óbvio. Ninguém consegue passar tempo indeterminado sem trabalhar e mais cedo ou mais tarde tem de aceitar trabalhos onde é completamente explorado. A dívida e o défice que foram as razões principais pelas quais andamos a apertar o cinto estão piores. Por isso não me digam que estamos melhores. Estamos conformados e calejados, é o que é. Ao menos agora há suspense! Há novidade! É um pequeno sinal que as coisas podem mudar um pouco. Se para melhor ou para pior, não faço ideia. Pior é um bocado complicado, mas eu confio na incapacidade de todos os políticos para conseguirem sempre piorar a nossa situação. Há que lhes reconhecer esse dom.

«Ai porque a democracia não foi respeitada!», dizem alguns enquanto afastam o cabelo Playmobil da frente dos Arnette brancos. Engraçado que não se manifestaram quando os seus queridos políticos prometeram uma coisa em campanha e depois fizeram outra. Aí esses palermas não se pronunciaram sobre o respeito pela democracia.

«Isto adultera as eleições porque quem votou BE e PCP também não queria um PS a governar», dizem alguns, curiosamente que não votaram BE e PCP. Até pode haver alguma razão neste argumento, mas eu ainda não vi ninguém que votou nesses partidos a queixar-se. Arrisco, até, que se perguntarem a essas pessoas se preferem um acordo mal amanhado de esquerda ou o PàF no governo, a resposta será unânime e tenderá para o lado para onde o pénis normalmente descai.

Façamos uma analogia javarda para percebermos se a democracia não foi mesmo respeitada ou se isto foi um dos maiores exemplos de democracia que já tivemos: Estão numa despedida de solteiro com 10 amigos e estão a tentar decidir a que casa de strip querem ir. As opiniões dividem-se:
  • 4 amigos querem ir ao «Portas Abertas» ver strip masculino com homens oleados e cuequinhas rosa choque;
  • 3 amigos querem ir à «Mãe Gertrudes» ver strip feminino;
  • 2 amigos querem ir à «Mãe Alzira» também de strip feminino mas onde se pode fumar;
  • 1 amigo diz que quer ir à «Mãe Arlinda» porque para além das gajas tem lá garrafa.
Gera-se a rebaldaria e os que querem ir ao «Portas Abertas» dizem que a escolha deles é a que tem mais votos e que é isso que conta. Os outros refilam e torcem o nariz porque nenhum deles gosta de homens oleados. Têm a certeza disso porque no ano anterior foram obrigados e viram que não era a cena deles. Como têm um inimigo em comum, juntam-se e chegam a um consenso de ir à «Mãe Kikas». Nenhum deles gosta especialmente das meninas de lá, mas ao menos não têm pila. Agora, a votação da maioria é 6 para 4, ganha a «Mãe Kikas». Há uma nova maioria que chegou a um acordo para evitar ver rabos de homens depilados no varão. Neste caso, resta aos outros quatro comer e calar e ir à «Mãe Kikas». Podem refilar e ficar no balcão a dizer que nem sequer há um travesti ou uma gaja com a maçã de adão mais pronunciada, mas só lhes fica bem aceitar a decisão da nova maioria. Claro que o mais provável pode ser chegarem lá e o gajo que queria ir à «Mãe Arlinda» mudar de ideias e dizer que vai embora buscar a garrafa e beber sozinho num canto... mas isso é outra história. Se isso acontecer, os outros vão estrebuchar com um «Eu bem disse que devíamos ter ido ao "Portas Abertas"!» e vai gerar-se a mesma discussão inicial. No fundo, fica tudo na mesma e nós continuamos a ter apenas meios para ir às meninas de estrada.
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