14 de fevereiro de 2016

As verdadeiras estatísticas do amor



O estudo que se segue contém dados reais.

O amor é, cada vez mais, uma ciência que merece ser estudada a fundo. O amor é um jogo de probabilidades e, para o jogarmos, temos de saber o poder da nossa mão, salvo seja. Dizem os estudos recentes que cerca de 44% da população adulta é solteira, com um rácio de 9/10 de homens e mulheres, respetivamente. É importante reter estes números que serão importantes mais à frente.

A percentagem de homens que encontra uma namorada, ou seja, mais do que sexo casual, num bar ou discoteca é apenas de 2%. No caso das mulheres, o cenário é um pouco mais animador com a percentagem a chegar aos 9%. Esta discrepância de valores pode dever-se ao facto de muitas mulheres serem enganadas por homens que dizem que as amam só para as levar para a cama e, assim, pensam elas que estão numa relação séria quando no fundo, não passaram de carne para canhão. Para se conseguir maximizar as possibilidades de emitir recibo, ou facturar, é necessária atenção aos factores de maior relevo que são alvo de atenção para cada um dos sexos. Atentem no gráfico seguinte:
Por estes dados se vê que os homens são uns porcos e percebe-se, também, que as mulheres mentem muito. Com estes números façamos um exercício mental para ajudar à compreensão dos dados e informação com que acabam de ser inundados.

O Zé, 25 anos, vai a uma discoteca e, nessa discoteca, estão cerca de 300 pessoas. É ladies night e, por isso, está um rácio de apenas 35% de mulheres já que os restantes 65% são homens que foram ao engano do branding. Não quero estar aqui com cálculos matemáticos avançados mas atentem:

300*35%=105 (Juro!)

Ou seja, há apenas 105 mulheres nesse espaço de diversão nocturna. Dessas 105, aplicando a percentagem de 44% de solteiras, vemos que apenas 46 estão descomprometidas, sendo que há 0,2 que são capazes de petiscar alguma coisa com a quantidade certa de shots de tequila. Já agora, a quantidade certa de shots é 1 shot por cada 8,3kg de massa corporal. Voltemos ao Zé: é um rapaz normal, é tímido pelo que lhe é difícil demonstrar o potencial da sua personalidade num primeiro encontr. Não é rico e possui um índice de atractividade mediano, ou seja, 50% dos homens presentes na discoteca são mais atrativos do que ele. Com estes dados é fácil concluir que:

(300*75%)*50%*44%=49,5

Daqui, facilmente se conjetura que há mais homens, solteiros e mais atrativos do que o Zé, na discoteca, do que o total de mulheres solteiras. Isto, sem contar com os comprometidos que também vão para a noite ao engate. Com todos estes dados, mais as leis da Newton da inércia que são ponderadas na lei da primeira aproximação, a juntar às variáveis de causalidade geográfica e temporal, consegue-se, através da seguinte fórmula, chegar a um resultado assustador:
O Zé está fodido e, infelizmente para ele, não de forma literal. Posto isto, onde encontram as pessoas como o Zé o amor da sua vida? Bom, há sempre o método antigo do «Ó Carla, não tens nenhuma amiga solteira que goste de festa?» ou o «Fábio, aquele amigo que vi numa foto tua tem ar de quem lhe dava umas voltinhas. É solteiro ou infiel?». No entanto, nos tempos de hoje, o método mais recorrente é o chamado Xoninhas Dating, ou seja, os sites online de encontros.
Aparentemente, são boas notícias para o Zé, já que ou seja há cerca de 80% das 44% mulheres solteiras dessa idade que usam uma aplicação de encontros online. Sabendo, pelo último Censos em Portugal, que existem cerca de 400 mil mulheres entre os 18-25 anos, facilmente se deriva a seguinte conclusão:

400.000 * 44% * 70% = 140.800

Parece um talho de chicha que o Zé gosta! Entre os utilizadores deste tipo de aplicações, 14% dos homens diz ter encontrado uma relação estável numa aplicação online e esse número sobe para 28% no caso das mulheres. Mais uma vez se vê que é muito mais fácil para as mulheres encontrar o amor, ou, pelo menos, serem enganadas quando alguém diz que as ama só para lhes fazer bagunça no pipi. Podem parecer números animadores para o Zé, mas no mundo do dating online, a fotografia e o aspecto físico contam ainda mais que no mundo real e, sendo que o Zé é um rapaz mediano e que o rácio na internet é igual ao de uma ladies night, onde 2/3 são homens, o Zé tem poucas hipóteses de encontrar o amor verdadeiro. Mesmo que encontre a pessoa certa para casar, é de relembrar que mais de 70% dos casamentos acabam em divórcio em Portugal.
Este gráfico não quer dizer nada, os dados são completamente aleatórios mas achei que ficava bonito para terminar. Moral da história: o amor verdadeiro é raro. Muito raro. Se achas que o encontraste, então trata bem dele. Se não partilhares este post vais ter sete anos de azar em que não terás sexo nem amor. Mentira, não acredites nessas tretas que só estás a dar mais uma razão para ninguém gostar de ti.
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12 de fevereiro de 2016

O texto que o Facebook censurou



Gostaram do título do post? Sou muito bom em marketing. Foi a primeira vez que o Facebook apagou um post meu. Diz que não seguia os padrões de ética. Provavelmente, foi reportada por gente tacanha, mesquinha e mal fodida. Não me queixo, é a vida que um sócio escolheu. Já ser coninhas ninguém escolhe, nasceu com eles. Visto que o Google tem menos tinta azul do que o Facebook, aqui fica o texto para os coninhas gastarem o seu tempo a denunciar aqui também.

- Então és contra ou a favor da adopção por parte de casais homossexuais? - pergunto.
- Contra, claro!
- Então, porquê?
- Porque sim. Paneleiros a ter filhos? Onde já se viu?
- Mas não achas que possam ser bons pais e a amar a criança?
- Podem, mas a criança ainda sai maricas.
- A ciência diz que não, mas mesmo que fosse verdade?
- Já há maricas em todo o lado!
- Então, isso é bom para ti. Não tens sexo há dois anos. Se os homens ficarem todos gays se calhar já consegues ter sorte.
- ... Depois vai ser gozada na escola!
- Mais vale ser gozada na escola do que ignorada no orfanato.
- Não é bem assim. Acho horrível que se faça uma criança sem escolha passar por isso.
- Costumas ajudar muitas crianças com necessidades?
- Não.
- Pensei... como estás tão revoltado com o mal que estão a fazer às crianças...
- Epá, não é isso, só não sou a favor que os gays adoptem. Pronto.
- Acho que tens um piquinho de homofobia.
- Não sou nada. Até tenho um amigo que é gay.
- São amigos íntimos?
- Epá, vai apanhar no cu, estou farto desta conversa.
- Obrigado.

E foi isto. Estavam à espera de melhor quando viram o título, não foi? Daí o facto de ser ainda mais ridículo terem reportado isto. Enfim, homossexualidade reprimida é tramado. Já agora, apelo ao vosso sentimento de liberdade de expressão, para que partilhem este texto como se fosse o surto de clamídia na mãe Kikas. Obrigado e bem hajam.

Somos todos Charlie desde que o Charlie diga aquilo que eu quero ouvir.
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4 de fevereiro de 2016

Ana Malhoa, a nossa Van Dama



De cada vez que a Ana Malhoa lança um novo vídeo, para mim é como se fosse Natal. Por muito que me custe admitir, ela é uma das minhas musas inspiradoras. Nem precisei de ver o vídeo primeiro para decidir que ia escrever sobre ele, porque era óbvio que seria mais uma mina de ouro. A Ana nunca desilude, e, depois, de Turbinada e Encaixa Baby Encaixa, a fasquia estava elevadíssima! Infelizmente, acho que a qualidade tem vindo a aumentar, o que calculo que não seja um elogio para o que ela pretende. Apesar deste "Futura" ficar uns furos abaixo dos restantes dois que falei, continua a ser um poço de gorduras monoinsaturadas que enche o olho a qualquer amante do bom gosto e da classe. Quem ainda não visionou, aqui fica a pérola que, em seguida, irei esmiuçar, analisando todos as suas camadas como se de um bolo de bolacha, com azeite em vez de café, se tratasse.


O vídeo começa com uma sonoridade a fazer lembrar os jogos de naves do Gameboy onde vemos que este vídeo é cortesia da Paradise Entertainment. Nem vou dizer que isso é nome de produtora de vídeos pornográficos de bukkake de vão de escada, porque seria demasiado óbvio. Já agora, se estão no trabalho ou com pessoas ao lado, não vão pesquisar no Google o que é um bukkake. Deixem essa pesquisa para quando estiverem a bater claras em castelo para fazer uma mousse. O vídeo segue e aparecem imagens de concertos da Ana Malhoa com imenso fumo a sair.

Certamente, alguém que deixou cair uma garrafa de água em palco. Todos sabemos que se meterem água em azeite a ferver sai fumarada.

Pode ler-se nas letras que aparecem que a Ana já vai com mais de trinta anos de música. De notar que deve ter havido um erro tipográfico e que se esqueceram das aspas na palavra música. Considerar que a Dona Malhoa tem trinta anos de carreira na música, é o mesmo que eu dizer que tenho 25 anos de carreira de escrita porque comecei a juntar as letras aos 6 anos. Nisto, aos vinte e poucos segundos, entra a voz da nossa bomba latina a dizer «Muitos tentaram mas sempre  falharam. Quiseram matar-me mas sei reinventar-me.». Quem? Quem é que tentou matá-la e falhou? Quem é esta gente que não sabe cumprir uma tarefa tão simples? Apesar de não gostar da música dela, também não acho que seja razão para a matarem. O mute resolve e não é crime. Até porque vimos pelo fenómeno David Bowie, e outros, que depois de mortos é que eles vendem bem e toda a gente gosta deles. E, chamem-me picuinhas, mas prefiro uma Ana Malhoa viva de vez em quando, do que uma Ana Malhoa morta com direito a notícia de abertura de telejornal e posts em catadupa a dizer «RIP Ana Malhoa! Portugal ficará menos tropical e menos urbano sem a sua queen.». Tudo isto acompanhado de um vídeo nostálgico do Buéréré em Reggaeton. Por falar nisso, voltando ao vídeo, aparecem em letras grandes a frase «Movimento Urbano, criando a música urbana do futuro.». Primeiro, acho que a repetição da palavra urbana/o é desnecessário e fico assustado por saber que o futuro do mundo, para além das guerras nucleares e terrorismo, irá ter como banda sonora este tipo de música. Se um bombista suicida incomoda muita gente, um bombista suicida que grita "Come que é pessoal? Está tudo turbinado? Allahu Akbar, baby!» incomoda muito mais.

Depois, finalmente, aparece a nossa musa! A princípio assustei-me pois parecia que estava numa máquina de ressonância magnética e pensei que ainda íamos ter de a ver a rapar o cabelo na praia. Descansei, por isso, ao perceber que aquilo era uma espécie de solário a imitar uma cápsula de hibernação do filme Soldados do Futuro.

Neste caso, em vez do Van Damme temos a nossa Van Dama.

E pronto, entra o beat. O mesmo beat de sempre. Abre-se o solário e o que se vê? Mamaçal. Bom mamaçal, atenção. Ali, empinadinho, como se estivesse de candeias às avessas com a sua amiga gravidade. Estamos já no minuto de vídeo, e ela começa a fazer uma espécie de rap. Reparem que ela se esforça para meter aquela pronuncia de bairro, daquelas mitras que metem acento esdrúxulo no vernáculo de pénis. Exemplo: «Qué que tu quéres, ó cáralho?». A senhora Malhoa coloca-se de pé e podemos desde logo apreciar as suas sandálias de stripper, lindas e cheias de classe, ideais para fazer crossfit. A câmara começa a subir e ali no 1:15 minutos até parece que ela tem um enchumaço nas cuecas. Sempre pensei que o ginásio não trabalhasse esse músculo, mas, realmente, quando uma pessoa se dedica a sério é outra coisa. Percebemos nessa altura, também, que ela está enrolada em celofane. Sempre me disseram que fazer sexo oral a uma mulher sem apanhar bicheza, a solução era utilizar uma folhinha de celofane. Se for por aí, acho até muito bem que ela esteja toda panada em celofane, que é preciso ter cuidado com as doenças que andam para aí, especialmente nas pessoas que vão aos concertos da Ana Malhoa.

E, eis que começa o treino com a nossa bombada tropical a mostrar que está mais turbinada que um Renault GT da Damaia. Vocês viram aqueles abdominais? Aqueles braços? Minha nossa senhora, pela primeira vez invejo alguma coisa da Ana Malhoa! Se ela dedicasse tanto tempo às letras das músicas como dedica ao ginásio, certamente não estaria aqui a falar dela. O vídeo continua, por entre muitas rimas acabadas em "ar", muitos saltos altos de deixar orgulhoso qualquer pai e outras piroseiras, destaco algumas frases:

  • «Não foi o silicone que a mim me deu talento, isso a mim apenas e só me deu preenchimento.». Nada a apontar. É uma boa rima, confesso.
  • «Soy del raggaeton a mais latina da Europa.». E pronto, a nossa Ana não consegue deixar passar uma música sem meter lá para o meio o seu portuñol. Isto para além de que ser latino cada vez menos é uma qualidade. Basta olhar para os países que estão na merda: Portugal, Espanha, Itália, Grécia, toda a América Latina...

Já perto do fim, ela diz «Para ser a melhor de todos os tempos, necessitas qualidades unidas ao talento. Como a dedicação, foco e disciplina. É aí que dás conta que és invencível.». Gosto da cagança da Ana Malhoa que a leva até a rimar "disciplina" com "invenciva". E, sou só eu que acho que esta frase é uma citação do Cristiano Ronaldo? Ora voltem lá a ler... exacto. Depois disso, a Ana diz que é um ícone e eu concordo. É uma espécie de ícone do Internet Explorer que não é por muita gente utilizar porque tem pouca formação que faz dele um browser de qualidade. A "música" termina com a Miss Malhona a afirmar que é «a primeira desta liga». Qual liga? A liga tropical urbano portuguesa? Sim, a competição deve ser severamente feroz. Eu também venci uma competição de jiu jitsu uma vez porque era o único gajo da minha categoria que se tinha inscrito. Agora que penso nisso, um lutador que entre ao som de Ana Malhoa e que enquanto está encostado ao adversário comece a dançar a bambolear-se todo, é capaz de vencer por desistência.

Quando pensava que já estava a acabar, lembrei-me que os vídeos da Ana Malhoa são como os filmes da Marvel: é preciso sempre ver os créditos todos porque há boas surpresas! Fiquei a saber que há um produtor chamado Jorge Jedi que deve ser um gajo que ainda não percebeu que o tempo dos nicks do mIRC já foram há 20 anos. De certeza que ele é que inventou esta alcunha que é para dizer que é o JJ da Margem Sul. Depois, para manter a coerência com o Jorge Jedi, vemos que o main sponsor é o Dr. Rui Teixeira. Quem é o sujeito? Suponho que seja quem lhe deu enchimento às mamocas e lhe emprestou todo o material de clínica que aparece no vídeo. Ou isso ou Dr. é alcunha como Jedi, o que é bastante possível. Por fim, não posso deixar escapar o facto do vídeo ter o apoio da Nacional Óptica.

No meu entender, o patrocínio ideal seria o da MiniSom porque, claramente, aparelhos auditivos é algo que o público alvo da Ana Malhoa precisa.

Como já escrevi anteriormente nos sobre a Ana Malhoa (aqui e aqui), pode parecer que não gosto dela mas nem é o caso. Parece-me boa pessoa e não posso negar que ela coloca um empenho brutal nos vídeos que faz. A produção deste vídeo, para o que se costuma ver em Portugal, está muito boa. Acho, sinceramente que ela é uma excelente artista dentro do género. O género é que é uma merda. Moral da história: como vídeo de motivação para ir ao ginásio é excelente. Como música para ouvir enquanto se treina, ou em qualquer outra situação, é demasiado mau.
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2 de fevereiro de 2016

Com que idade se deve perder a virgindade?



Bem vindos a mais uma consulta do Doutor G. Vai ser curto e grosso que o Doutor G está de mau humor e precisa de ir fazer sexo e adormecer de seguida, ainda com a namorada presa debaixo do seu corpo escultural.


Caro doutor G, conheci uma rapariga pela net e que tal não foi o à-vontade da conversa que menos de uma semana depois já estávamos a sair juntos, o passeio correu bem, ela é uma querida e eu sinto-me atraído por ela, falamos quase todos os dias e combinámos voltar a estar juntos. O senão no meio desta história é a de que ao questionar-lhe após o primeiro encontro se tinha alguém, julgando eu saber a resposta me sai o tiro pela colatra e ela me diz que tem namorado. As minhas questões são as seguintes:

  1. É normal uma rapariga dar conversa a um rapaz que não conhece de lado algum e sair com ele tendo namorado?
  2. É normal o discurso e a forma como me trata apontar para o facto de não ter ninguém?
  3. Devo questioná-la sobre se estas saídas comigo não lhe causam constrangimentos com o namorado, ou devo por outro lado perceber quais os contornos desta relação para perceber se tenho hipóteses de substituir o atual?
  4. Quais as intenções desta rapariga?
Anónimo, 20, Porto

Doutor G: Caro Anónimo, quatro perguntas? Enviei-te por email a factura e o NIB. Vamos por partes:

  1. Não. Só é normal se ela for uma porca.
  2. Não. Só é normal se ela for uma porca.
  3. Não perguntes nada e aproveita o facto dela ser uma porca.
  4. Não sei as intenções, mas sei que é uma porca.

Caro Doutor G, alerto-o de imediato para o facto de esta admiradora que lhe escreve ser, e ter plena noção disso, uma xoninhas de primeira. Bem no topo da escala. Pelo engonhanço inicial, já deve ter desconfiado de que se trata de um caso de estudo. É bem provável. Cá vai: estou perto dos 30 e sou virgem. Não, não tenho semelhanças nenhumas com a Susan Boyle. Aliás, até tenho bastantes admiradores, devido aos meus traços algo exóticos (um deles, por eu lhe ter dado p'ra trás, tentou enforcar-se com uma corda feita de lençóis). Enfim, deixemos a novela mexicana. Também não tenho nenhum distúrbio mental. A menos que xonice seja um quadro clínico. Simplesmente não me apetece ter rolo de carne ao empurrão de um indivíduo qualquer... O que é facto é que, há dois meses, inusitadamente, deu-me p’ra me meter num talho, vulgo Tinder. Por curiosidade… E não é que um deus ariano de 21 anos, que estava em Portugal, meteu conversa e eu mordi o isco (em sentido figurado, infelizmente)? Pediu-me por 2 vezes para me encontrar com ele e eu deixei-o a ver navios. Principalmente porque, da 2ª vez, foi bastante explícito quanto ao que pretendia do encontro – profanidade, que é como quem diz, luta luso-germânica no vale dos lençóis (e ainda dizem que os alemães são xoninhas…!). Mas ele deve ter uma paciência de santo (ou então eu devo valer mesmo a pena), porque insiste e diz que volta a Portugal em breve. Só que eu tenho medo… E se o indivíduo me sai algum antissemita e me quer arrancar a pele para fazer sabonetes? E agora, a grande questão: como é que eu lhe digo que estou interessada no fumeiro alemão, só que… SOU VIRGEM, de modo a que não o ponha a mexer mais depressa do que um sócio da Buraca em modo running? Ou não digo? Sim, eu sei que faço parte daquele grupo de gajas (estúpidas, eufemisticamente falando) que é só conversa e depois nem vê-las. Mas não é por mal. A sério. É simplesmente uma mistura de hormonas, crenças parvas e inseguranças que nos carcomem o cérebro. Entre outras coisas… Estou a precisar de um Ctrl + Alt + Del... Obrigada e peço desculpa pelo testamento. ;)    
Anónima, 29, Planeta dos Xoninhas

Doutor G: Cara Anónima master xoninhas, todas as mulheres se metem no Tinder por curiosidade. Ainda está para vir a primeira que assuma e diga «Sim, fui para o Tinder porque gosto que me ajavardem a boca do corpo com alheira genital enquanto eu faço de ovo a cavalo, sem compromisso e com vários gajos diferentes por semana.». É sempre «Curiosidade» ou «Conhecer pessoas.». Quanto muito há várias que estão no Tinder porque é mais uma plataforma que lhes permite rejeitar homens para se sentirem melhor com elas próprias. Se queres ir ao castigo com o teu alemão, diz-lhe que és virgem e logo vês. Acho que deves sempre dizer-lhe que és virgem, para teu bem, para ele saber que não pode entrar por aí à bruta feito panzer nazi. Tens sempre a opção de dar uso à câmara de gás e à parte do teu corpo que te tem prejudicado mais: a boca. Não por esta ordem, porque ATM, sem passar pelo chuveiro, é nojento. Moral da história: queres mesmo perder a tua virgindade de coleção com ele? Vai em frente, mas com jeitinho, a não ser que tenhas um dildo africano em casa e que já tenhas a musculatura labial inferior mais do que treinada para agasalhar salsicha fresca.


Caro Dr. G, durante cerca de 18 anos fui um rapaz não só tímido mas também condicionado na vida social por morar no cu de Judas. Depois as coisas mudaram, mas serve isto para dizer que tenho pouquíssima experiência em relações, sociais ou não. Adiante... acontece que o que mais aprecio num possível interesse amoroso é que ela seja carinhosa e me ache boa gente, assim como eu a acho boa gente (pode chamar-me lamechas; eu sei que sou). O problema é que, nos últimos 5 anos, todas as moças que preencheram indubitavelmente estes requisitos têm um hábito chato, que é o hábito de serem comprometidas! Algumas até são casadas... a minha dúvida é se isto é comum na vida social: que as comprometidas sejam as mais carinhosas e, portanto, as que mais me atraem. Será que é por terem quem lhes faça festa lá em casa que estão mais felizes e, portanto, com mais vontade de espalhar amor por aí? Espero que isso não seja a regra, senão vou sempre ir parar às comprometidas. Já agora, não tenho nenhum fetiche por pessoas comprometidas; quando eu me interessei pelas moças de que falo, eu nem sabia que elas eram comprometidas...  
P, 23, Porto

Doutor G: Caro P, ter interesse amoroso por alguém que é boa pessoa não é lamechice, é inteligência. Quando dizes que as mais carinhosas são comprometidas, estás a querer dizer que são carinhosas contigo? Não percebi. É que se assim for, estás a criar um paradoxo ao dizer que são boas pessoas. As comprometidas deixam de o ser com a mesma velocidade que arranjaram namorado. É veres a tua janela de oportunidade. Aposta nos últimos meses de Primavera que é quando as relações tendem a terminar devido aos padrões migratórios do Verão. De qualquer das formas, há por aí muita mulher solteira e boa moça mas normalmente são-no por pouco tempo. Mulher bonita e sexy, boa pessoa e solteira há mais de 6 meses, 99% das vezes tem traços de psicopatia. Dá para ver nos olhos.


Ganhei finalmente coragem para lhe escrever. Há pouco tempo fiz uma ''amizade pedagógica'' c/ um Erasmus Alemão. Sabe, ele tem namorada e diz que combinaram ser ''livres'' este ano, sinceramente não quero saber se ele está a mentir. Eu divirto-me muito mas por outro lado já quebrámos todos os 10 mandamentos do nosso tango. Conhece as minhas amigas todas, há xoxos em público, fomos ao IKEA... Socorro! O sexo feminino adora estas coisas, está no sangue, ter uma asa cheia de músculo para nos proteger é um mimo. Agora, quando um macho alinha nisto... Será que ele se está a apaixonar? O que faço?
M, 21, Lisboa

Doutor G: Cara M, primeiro do que tudo, é óbvio que ele te está a mentir e que a namorada dele não foi informada desse pacto de liberdade condicional durante um ano. Sendo que os alemães têm fama de ser muito frios e não demonstrarem afecto, diria que provavelmente ele está mesmo a ficar apaixonado. A minha pergunta é a seguinte: e então? Ele vai embora no fim do ano. Se ele se puser com histórias que quer ficar em Portugal, basta dizeres-lhe que não gostas dele o suficiente para casar e ter filhos cuja primeira palavra que vão dizer é «Mutter», «Vater» ou «Heil Hitler». Podes também dizer-lhe que és meio judia da parte do pai e pode ser que ele deixe de gostar de ti.


Caro Dr. G, venho aqui expor-lhe dois problemas:

  1. Há mais de dois anos tive um caso passageiro com uma rapariga, mas passado uns meses o interesse despertou. Andamos durante uns meses e tínhamos excelentes momentos de lutas greco-romanas debaixo dos lençóis. Porém, a universidade distanciou-nos, mas nunca demos o nosso caso por terminado. Isto até que levei com um belo par de estruturas afiadas na minha cabeça (não éramos namorados, mas a sensação era esta). Aí deixamos de ter o nosso caso e ela lá continuou com as suas aventuras académicas. Entretanto tive alguns casos, mas nunca uma verdadeira namorada. Contudo, no verão surgiu de novo aquele sentimento e, como estava solteiro, acabamos por voltar a estar juntos umas quantas vezes. Desta vez não me quis deixar agarrar e mantivemos a coisa simples. Agora tudo voltou para as universidades mas de vez em quando lá acontece qualquer coisa sem nenhum compromisso à mistura. Cheguei a acabar com isto de vez, mas quando o ambiente é propicio acaba por acontecer alguma coisa. Aqui a questão é: será que devia deixar este caso ir rolando visto que não há qualquer compromisso ou deveria cortar já?
  2. Não me considero um xoninhas, falo muito à vontade com raparigas pessoalmente e sempre me disseram que sou uma pessoa muito interessante. O meu problema é saber quando uma rapariga está interessada em mim! Eu noto a maneira como falam, gestos, etc., mas nunca consigo ver quando é que elas estão realmente interessadas em saltar-me em cima... Será que tem alguma sugestão para mim neste caso?
Afonso, 21, Aveiro

Doutor G: Caro Afonso, vamos por partes:

  1. Se não há nenhum compromisso e tu não sofres com o facto de saber que ela nas horas livres de ti anda a chafurdar com outros, é deixar andar que ao menos sempre vais petiscando qualquer coisa. Usa é sempre o preservativo que ela um dia pode vir com bicho.
  2. É um mistério antigo o de conseguir perceber os sinais das mulheres. É mais fácil perceber sinais de fumo ou sinais de luzes de um taxista do que os sinais de interesse da fêmea humana. É perguntar. «Olha lá, ó Patrícia. Estás aí a efectuar-me um excelso felácio, sim senhora. Mas ainda não percebi se estás só a enviar-me sinais errados ou não. De qualquer das formas, depois de eu me vir, quero esclarecer essa situação porque eu já estou farto que andes a dar-me sinais errados.»

Caro Doutor G, tenho 24 anos ja tive 2 relacionamentos que se podem considerar de mais sérios e uns quantos "amigos" e "amigas". O problema, ou não, é que sou virgem. Pois não sei como uma gostosa como eu continua virgem. Mas tenho um medo de ter um relacionamente agora e dizer que sou virgem, medo e vergonha. Com esta idade e ser virgem é uma coisa rara eu sei mas o meu obetivo não é ir para o casamento virgem não tem nada a ver com isso mas também não sei como deixei agravar o caso doutor. Por isso, como vou dizer a alguém que com esta idade continuo virgem? Como ultrapassar essa vergonha? O medo da reação da outra pessoa? Por favor doutor preciso mesmo da sua ajuda. 
Anónima, 24, Lisboa 

Doutor G: Cara Anónima, tudo depende do tipo de relacionamento que queres. Queres só um Skelator para dar cabo do teu He-Man numa noite de loucura e sem compromisso? Força nisso. Podes optar por romper o hímen em casa com o auxílio de um pepino e um cabide, só para o rapaz não achar que estás com o período. Se o teu objectivo for ter um namorado, não tens de ter vergonha em lhe contar. Se ele for o gajo indicado para ti, e gostar de ti, não vai ficar incomodado com isso. A maioria dos homens até prefere, devido à insegurança que têm, acham que não ter termo de comparação é melhor. Já um homem confiante e que sabe que é bom lutador de judo pelado, prefere uma mulher experiente que é para ela ter a certeza de que ele é mesmo bom e não é só por falta de termo de comparação. De qualquer das formas, ser virgem aos 24 não é vergonha nenhuma, apenas é tempo perdido.


Estimado humano, qual é a probabilidade de encontrar um rapaz que considere: Goodfellas um dos melhores filmes de sempre; tenha lido Catcher in the Rye e que depois de ter lido o livro tenha percebido que afinal não era um psicopata; goste da escrita de Leonard Cohen; odeie o Justin Bieber por nenhuma razão em particular e em momentos de fraqueza e confusão intelectual ouça Taylor Swift e se questione sobre o porquê de o fazer? E já que estamos nisto, se fosse um ser humano melhor do que eu também dava jeito (sei que esta parte será mais complicada dado que para ter estes gostos ele tem que ser tão pretensioso como eu mas enfim...) A minha pergunta, na verdade é: Achar que algum dia, vamos encontrar alguém com os mesmos interesses é minimamente plausível ou apenas idealista? Sei que normalmente a temática é sexo mas dado o meu uso de meias com padrões coloridos, essa situação está no plano do metafísico. Aliás, se for bem feito, pelo menos, segundo o que vendem, deve ser para lá que as pessoas vão. Cá para mim, sexo é como um gajo com um six pack - à primeira vista parece agradável mas quando pensamos que o six pack é o part time dele, deixa de ser atraente e passa a ser triste. (Este comentário é mesmo de virgem ressabiada! Porém, não deixa de ser válido.)
N, 20, Braga 

Doutor G: Cara N, começa a meter mais tabaco nas cenas que fumas. Outra virgem? Mas andaram a rodar o Doutor G no convento ou quê? Só pipi por encertar, hoje. Claro que irás encontrar alguém com gostos parecidos aos teus, mas não esperes que sejam 100% iguais, até porque isso é uma seca de relação. Sem discórdia e dualidade de gostos, não se aprende nada. Por isso, deixa de ser picuinhas. Em relação à tua analogia de sexo com six-pack, deixa-me dizer-te que não faz sentido algum. O sexo é bom e quem não gosta tem stress na cabeça. Não me venham com merdas que são gostos e necessidades diferentes. É pancada nos cornos recalcada porque uma vez viram o pai a levar com um strap-on da mãe enquanto o tio Alfredo gravava tudo e batia uma com a pila entalada entre dois hamsters. Quando fizeres sexo, do bom, vais dar-me razão.



Não se estiquem tanto no tamanho das dúvidas que enviam que eu tenho mais que fazer. De qualquer forma, muito obrigado e, como sempre, até para a semana e continuem a enviar as vossas questões javardas e lamechas para porfalarnoutracoisa@gmail.com. 


Partilhem e façam muito amor à bruta, que de guerras o mundo já está cheio.

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1 de fevereiro de 2016

Há pessoas que não têm noção



Já devo ter feito mais quilómetros de comboio do que um militar da Pampilhosa destacado em Lisboa que vai a casa todos os fins-de-semana. Com dois interrails feitos, um dos quais com mais de 10.000 km de comboio, acho que sou quase doutorado na arte de viajar sobre carris. No entanto, ontem, vim do Porto para Lisboa e foi uma viagem prolífica em várias experiências novas. Desde logo, estava no ar aquele cheiro característico a pavilhão de ginástica de uma escola da Musgueira depois de uma aula de duas horas de educação física. Aquele aroma a marinar de suor reduzido a melaço nas virilhas. Há pessoas que não fazem da higiene pessoal uma prioridade nas suas vidas. Era Domingo e um comboio de longo curso, nem venham com a conversa de que foi a seguir a um dia de trabalho e as pessoas não têm culpa. As pessoas têm culpa, sim senhor. Há pessoas porcas.

Entro no comboio, 2ª classe, claro, que se chama "turística" só por causa do politicamente correcto, avisto o meu lugar e coloco as malas em cima. Daqueles lugares que são quatro, frente a frente, sento-me do lado do corredor, virado no sentido da marcha. Nos outros lugares ainda não está ninguém, mas a meu lado está uma bolsa daquelas de cintura, sinal de que não teria boa companhia. Passados vinte minutos, aparece o meu colega de viagem. Noto, desde logo, um cheiro a tabaco de quem esteve a fumar no WC. Desvio as pernas para ele passar e ele senta-se logo a ocupar os dois apoios para os braços. Ali, sentadinho como se estivesse na poltrona de uma casa de alterne. Era tudo dele. Não sei se sabem, mas mandam as regras da boa etiqueta que o apoio do meio fique para a pessoa que não vai à janela. Ainda assim, se fosse um apoiar de braço normal, tudo bem, mas não! Aquilo era meio braço dele já a invadir o meu espaço que nem que eu me encolhesse conseguia evitar o contacto físico. 

Chamem-me esquisito, mas não gosto de ir a roçar braço e ombro com alguém que nem sequer me pagou um jantar ou disse boa tarde.

Depois, este bicho era daquelas pessoas que suspiram compulsivamente de dois em dois minutos, sabem? Aqueles suspiros que vêm do interior da alma e que trazem consigo um bafo de cão que come as próprias fezes? Era isso. Portanto, para além do cheiro a tabaco entranhado na roupa e da falta de respeito pelo meu espaço privado, ainda se juntava o mau hálito e cheiro a cabelo lavado com água do bidé de um lar da terceira idade. Isto, para não falar da bolsinha à cintura ridícula, onde ele, provavelmente, teria guardadas duas perninhas de frango do Pingo Doce e meio pastel de nata. Com tudo isto, começou a crescer em mim uma vontade de cometer homicídio. Dei por mim a fantasiar espetar-lhe a caneta que tinha na mão mesmo na carótida. Respirei fundo, como ele, e entretive-me no telemóvel com alguma dificuldade porque o meu braço direito estava com mobilidade limitada. A certa altura, ele levanta-se para atender uma chamada e eu ocupo o encosto do braço, qual ninja. Passado uns minutos, o gajo chega, senta-se e tenta ocupar o apoio. O que faria uma pessoa normal? Punha o braço para dentro e pronto, tal como eu havia feito. Este animal não. Este animal decide que o apoio dá para os dois e começa a encostar o braço dele no meu e a empurrar muito subtilmente. Finco o cotovelo e mantenho o meu território demarcado. Ele suspira e eu quase que vacilo com o cheiro a língua de porco que lambe o próprio cu. Ficamos ali num impasse. Numa espécie de xadrez de antebraço. Claramente, eu tinha o controlo do encosto, mas ele tinha o braço encostado ao meu no seu apoio imaginário. Ele ia fazendo força de vez em quando e aproveitava quando o comboio abanava mais para se fazer cair na minha direcção a ver se eu cedia. Mas que tipo de terrorismo é este? Quem é esta gente? Não acreditando no que se estava a passar, para o testar tiro o braço apenas durante dois segundos e ele, logo, mas logo, ocupa o apoio todo. Que filho da puta. Mais uma vez não se limitava a ocupar o apoio e tinha para cima de dez centímetros de cotovelo do meu lado. Até encheu o peito, todo pavão. Como entrar numa discussão ou possível agressão sobre um apoio para braços me pareceu parvo, decidi ir até à carruagem do bar. Chegando lá, vi que havia um sofá com mesinha livre. Impecável. Voltei atrás, de passo apressado, para ir buscar o portátil. Cheguei ao lugar e lá estava a besta toda esparramada no lugar, de perna esticada com os pés em cima da cadeira da frente que ainda ia vazia, e com um braço no meu banco. Olha-me e encolhe-se um bocado, mas não o suficiente que manda a boa educação. Digo, em tom irónico, «Deixe-se estar, vim só buscar isto. Já pode ocupar tudo à vontade.»

Sentei-me no sofá do bar, convicto que me tinha livrado do maluco, sem desconfiar que o pior estava para vir. Começo a escrever o que viria a ser este texto e, na mesa do lado, vai uma mãe com dois miúdos que não se calam um segundo. Vão a jogar um qualquer jogo de futebol nos telemóveis, enquanto fazem um relato em tempo real. Dura há uma hora, já. A mãe está no Tinder e aposto que na descrição não revela ser mãe de dois rebentos ranhosos e irritantes, porque essa informação a juntar à cara dela e às unhas de gel foleiras, pode atrair os homens errados, como o pai das crianças que, provavelmente, já se pôs a milhas desde o ultrassom. Estou a ser mau, bem sei, mas culpem o gajo do encosto. A senhora lá leva os filhos embora e eu tenho alguma paz. De notar que foram para a carruagem de 1ª classe, mostrando que o dinheiro não traz bom gosto. Qual não é o meu espanto, quando reparo numa senhora que estava à minha frente numa daquelas cadeiras de balcão.

Uma senhora com um fetiche gastronómico peculiar: burriers au vin.

Passo a explicar a receita: abrem um pacotinho daqueles de vinho, dos pequenos, branco, e vão a beber durante a viagem, como se fosse um Bongo, o bom sabor da selva. Envoltos nesse espírito animal e selvagem, começam a tirar mucosas do nariz e comem-nas. Sim, esta senhora, adulta e sem aparentes distúrbios mentais, está há dez minutos a comer macacos do nariz! Sapas, minha gente. Sapas! Ela tem um método que se vê ter sido aperfeiçoado ao longo dos anos: consiste em retirar uma caracoleta do seu imundo nariz, observá-la durante dez segundos na ponta do seu dedo, como qualquer chef com estrelas michelin faria para assegurar a qualidade. Depois, leva o seu orangotango nasal à boca, mastiga e saboreia-o um pouco e, por fim, dá um trago no seu pacote de vinho. Da próxima vez que o Anthony Bourdain vier a Portugal, em vez de ir com o Sá Pessoa e o Avilez comer pregos e marisco, tem de vir provar a especialidade gourmet desta senhora. Há pessoas que não têm noção! Não fui o único a reparar e ao lado viam-se bastantes pessoas a comentar e a fazer aquela expressão de quem acabou de bolsar na própria boca. Isto durou e durou. Aquele nariz estava mais cheio do que uma carrinha de ciganos. E não, não estou a comparar ciganos a mucosas do nariz, porque toda a gente sabe que os ciganos não gostam de sapas.

Mais tarde, voltei ao meu lugar e lá estava o polvo com os seus tentáculos espalhados por todos os assentos. Olhou para mim de soslaio, como quem não tinha esquecido o meu comentário anterior, e fez questão de não se encolher. Sento-me mesmo à bruta, a deixar cair estes 85kg (87, pronto) com força na cadeira. Ele vê-se obrigado a encolher o braço e a resmungar qualquer coisa que eu não percebi. Ao parar em Santarém, uma senhora entra, chega à nossa fila e o seu olhar vai alternando entre a o bilhete e o número do lugar. Olha e olha, outra vez, até que se dirige ao meu colega espaçoso.

- Desculpe, acho que o meu lugar é esse.
- Pois, o meu é aquele ali. Eu vim para este. - responde ele, como se fosse a coisa mais natural do mundo.
- Pronto, então se pudesse sair. - diz a senhora, sempre sorridente e simpática.
- É que aquele uma pessoa vai de costas e eu fico mal disposto.
- Pois, eu também. O meu lugar é esse. - diz ela, firme.
- Pronto, pronto. A donzela quer eu mudo! - diz ele todo condescendente.

Quer dizer, andava aquele anormal a ocupar o apoio para o braço, todo esticado em cima de mim, mal educado e mal cheiroso, e afinal aquele lugar nem era o dele? Foda-se. Que atrasado mental. Há pessoas que não têm noção.

Uma palavra a todas as pessoas, que são muitas, que se sentam num lugar que não é o seu: parem com essa merda!

Se há lugares marcados vão para o vosso! Não é na janela? Vão de costas? É longe do bar? Temos pena! Para vosso comodismo, as outras pessoas é que têm de vos abordar a pedir para lhes darem o lugar que era deles e esperar que se levantem, tirem as malas, e ainda apanham o assento quente do vosso rabo, que é nojento. O rabo e a situação. Tenham juízo, cambada de palermas. É o mesmo síndrome do pessoal que estaciona em segunda fila e vai ao café. Para vosso comodismo de não quererem andar a perder tempo ou andar mais 10 minutos a pé para estacionar o carro, as outras pessoas é que têm de esperar 5 minutos e buzinar no meio da rua para virem destrancar-lhes o carro? Falta de respeito. 

Bem, a última etapa da viagem fez-se bem e, como em qualquer viagem de comboio, terminou com aquelas velhas e velhos a falar ao telemóvel em alto e bom som a dizer que estão a chegar. «Tou? Tou? TOU? Não te estou a ouvir bem! TOU! Estou a chegar! A CHEGAR! SIM. DEZ MINUTOS! DEZ MINUTOS! DEZ MINUTOS! NOVE MINUTOS!»Por falar em velhas e velhos. É incrível a falta de entre-ajuda e solidariedade que temos enquanto espécie. Fico chocado ao ver uma senhora de idade, já com dificuldades em andar, a tentar colocar ou tirar uma mala maior do que ela no compartimento de cima e pessoas a passar sem a ajudar. Fico a observar e a pensar como é que é possível que toda a gente se limite a ver sem a ajudar. Fico ali a olhar para toda a gente e a ver que ninguém a ajuda. Ninguém! Tudo a olhar e eu a vê-los.
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26 de janeiro de 2016

Dicas para apimentar a safadeza no quarto



Nem só de sodomia política é feita a nossa vida sexual. Por isso, vamos a mais uma consulta "Doutor G explica como se faz".


Caro Doutor G, ando na universidade e conheci um rapaz, com quem tenho mantido contacto. Quando começamos a falar mais, aproximamo-nos bastantes ao ponto de trocarmos mensagens todos os dias. Uma noite fomos sair e curtimos, depois disso ele insistiu para irmos para a casa dele, só que eu não quis, quando voltamos para junto dos nossos amigos ele começou a fazer-se as minhas amigas. Entretanto o tempo foi passando e uma noite depois de sair da discoteca fui para casa dele, e pela primeira vez fizemos a luta greco-romana, acontece que no fim ele mandou-me embora, qual pastilha elástica que se usa e deita fora (ele dizia mesmo que não queria dormir comigo). Este ano ainda não aconteceu nada, mas continuamos a falar. Eu sentia que ele estava mais querido (dizia que não ia fazer ''asneiras'') e demonstrava vontade em estar comigo, até que tivemos uma grande discussão e ele se afastou. Não consigo compreender o que aquele rapaz quer, porque diz-me que não tenho nada haver com a vida dele (se anda ou não com outras), mas não se afasta definitivamente. Ajude-me por favor Doutor G! 
Flávia, 20, Coimbra

Doutor G: Cara Flávia, o que tu precisas é de dois pares de palmadas bem dadas e não estou a falar daquelas que tu gostas. Repara na sequência de acções: Flávia troca mensagens com o Zé; Flávia curte com o Zé: Zé convida Flávia para ir lá a casa comer lampreia genital; Flávia recusa e o Zé faz-se às amigas de Flávia; Flávia, não só continua a dar-se com o Zé, como acaba por lá ir a casa noutro dia comer a lampreia reaquecida; Zé expulsa Flávia de casa depois da lampreia bolsar; Flávia, ainda assim, continua a falar com o Zé e a achar que ele é bom rapaz. Para que percebas melhor onde quero chegar, deixo-te aqui a minha opinião em forma de meme.


Primeiro, provavelmente o Zé tem namorada, daí o sentimento de culpa que o levou a não querer dormir contigo e o facto de não te querer dar satisfações da sua vida pessoal. De qualquer das formas, o Zé é um palerma que só te quer traçar e vem com falinhas mansas para te enganar. Se só quiseres comer-lhe a lampreia, força. Se estás à espera de algo mais sério, és ingénua. Se valoriza aí garota! Caga no Zé.


Caro Doutor G, conheci uma garota a 9 meses, tive uma sessão bruta de truca - truca, e ela reclamou muito do tamanho do Pau, foi um escandalo geral mas aguentou até as ultimas consequências. O que acontece no entanto é que desde aquela altura, ela nunca mais quis ter relações com penetração, limitando-se apenas a fazer uns broches (mas tao bons que acabo gozando), e ela nunca disse exatamente o motivo que a leva a não querer ter sexo de novo e eu vou apenas suspeitando que seja o tamanho que a assustou. Quais sao as dicas que me dás para tentar convence-la a dar de novo para mim?
Anónimo, 26, Luanda

Doutor G: Caro Anónimo, que bom ver uma dúvida da minha terra! Ah, não, espera, é Luanda! Confundo sempre com a Buraca! Está tudo aí a bater em Angola? Tudo aí mesmo na calmaria e quê? Não tarda é sexta-feira, dia do homem, e dá aquela vontade de beber uma cuca e ir na discoteca roçar nas brancas. Ya, mesmo a sério. Bem, relativamente à tua questão, parece-me óbvio que ela se assustou com a jiboia mwangolesa. Se calhar da outra vez fizeste-lhe um estiramento ao nível da musculatura labial anterior e, ou ainda está em recuperação, ou não quer que lhe estragues aquilo para a vida. Sim, dar à luz sem esforço é uma vantagem, mas as mulheres já usam mala e não precisam de outro sítio para guardar a maquilhagem, os livros da escola, e candeeiros de pé alto. Para a convenceres, novamente, a fazer de toca para a tua toupeira do Entroncamento, tens de lhe prometer que vais ser mais meigo, usar lubrificante, e não fazer a posição piledriver. Ela que fique por cima a controlar o ritmo e a profundidade do encaixe e nunca lhe proponhas sexo anal, caso contrário, aparecem na capa do Correio da Manhã aí de Luanda com o título «Mulher falece na retrete depois de lhe entrar uma cobra píton pelo cadeirote.»


Caro Dr.G, o que fazer quando estamos envolvidos intimamente com o nosso parceiro e, de repente, ser mais sensível ao toque, começar a rir por causa de cócegas? O que fazer para atenuar essa questão?
M., 24, Lisboa

Doutor G: Cara M, é um problema bastante comum, especialmente no dia em que a depilação deixou o campo pelado para a prática do desporto rei. A capacidade de concentração é a única coisa que pode resolver o problema. Podes deixar-te ir e rir à vontade até à exaustão, desde que ele perceba que não o estás a fazer porque estás a achar que o trombinhas dele é muito cómico. Depois, tudo o que tira a sensibilidade pode ajudar: gelo, bebidas alcoólicas, e palmadas e trincas de força.


Caro Sr. Dr. G, quais são os sinais que a mulher dá para sabermos se está interessada ou não? Ao contrário dos homens (sabem logo se querem peixe ou carne), as mulheres são umas complicadas por natureza. Vou dar-lhe o meu exemplo mais recente cujo tópico pode interessar-lhe: Instrutora de ginásio. Convidei-a para sair para discutirmos um determinado assunto íntimo dela (não é sexual LOL) e a resposta foi: "Temos tempo para discutir o assunto no ginásio ;)". A meu ver, parece-me um ponto final em algo mais mas às vezes tenho a esperança que ela seja daquela espécie rara de quem gosta de se fazer de dificil. Ela não me está a dar muito feedback e continuar a "insistir" já começa a parecer awkward. Já me aconselharam a sair, mas preciso do conselho do mestre: continuo ou é tempo perdido? Como devo proceder, para pelo menos saber se está minimamente interessada?
Anónimo, 23, Lisboa

Doutor G: Caro Anónimo, ela não está interessada. Pronto, é isto. Quando te parecer que ela pode estar a ficar interessada, é só porque está a ver se lhe compras umas aulas de PT. No máximo dos máximos, ela poderia ter algum interesse mas ser comprometida e daí essa resposta. Sim, podia estar a fazer-se de difícil, mas ao ver que tu poderias desistir, ela enviar-te-ia sinais do contrário só para te baralhar o sistema. O smile que ela fez no final da resposta diz mais do que o resto da frase. Ela não te quer. Só violando é que lá vais. Não, não é um conselho, obviamente. Apenas um reparo final: mostra que conheces pouco as mulheres ao dizeres que as que se fazem de difíceis são espécie rara. Em todo o mundo, mas especialmente em Portugal, há cerca de 27% mais mulheres que se fazem de difíceis do que há homens heterossexuais. Valores retirados de um estudo independente que vi na Internet agora mesmo mas que já me esqueci da fonte.


Caro Dr.G, há muitos homens hetero com o fetiche de experimentar strap on com raparigas? Recentemente soube de um rapaz que tem esse fetiche e, que eu saiba, gosta mais de mulheres que outra coisa. Daí a minha dúvida... fez-me um bocadinho de confusão. Se calhar sou eu que sou antiquada, não sei. 
Anónima, 25, Aveiro

Doutor G: Cara anónima, penso que já falei sobre esse assunto aqui. Acho que há homens hetero que podem retirar prazer de enfiar coisas no rabo, desde que essa coisa não seja uma pila verdadeira. Posto isto, diria que ele está mais perto de ser gay do que eu, que, como dizia o gajo de Alfama «nunca meti um alho no cu. Nem alho nem nada.». Agora, parece-me que esse fetiche terá mais a ver com a questão da submissão do que da orientação sexual. Se ele te pedir para te vestires de lenhador e começar a chamar-te Orlando, enquanto lhe tocas na próstata com uma rebarbadora, aí diria que definitivamente é gay e, acima de tudo, quem é que nos dias de hoje se chama Orlando?


E está terminada a consulta. Como sabem, para além de conselheiro javardo, trabalho num estúdio de startups onde criamos vários produtos digitais e, inclusivamente, coisas e cenas fofinhas. Sendo vós assíduos leitores do Doutor G, acho que vão gostar deste produto: um gerador de ideias para tudo e mais alguma coisa e, como sei que sois uns javardos, tomei a liberdade de criar um quadro de ideias para apimentar a vossa vida sexual! Quem é amigo, quem é? Basta clicarem aqui, e experimentar e ajavardar à vontade. Ainda não funciona bem em smartphones, aviso já. Desafio-vos, depois, a partilhar as ideias mais parvas/nojentas que vos calharam. Aqui fica a minha.
Portanto, a ideia gerada é: Ir para um cemitério, enfiar os dedos no ânus com Nutella, tudo isto na posição do mambo invertido e, porque isto não era suficientemente inspirador, ir ainda buscar inspiração ao filme maroto de 2009 «Suor de tetas». E o meu trabalho é muito inventar coisas destas. Obrigado a todos e, como sempre, até para a semana e continuem a enviar as vossas dúvidas para porfalarnoutracoisa@gmail.com. 


Partilhem e façam muito amor à bruta, que de guerras o mundo já está cheio.

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