4 de setembro de 2017

Aventura na Croácia - Parte 1/3



Como é que estamos? Bem? Com depressão pós-férias? É sinal que foram boas. Para efeitos de recordação futura quando tiver Alzheimer, vou fazer como já fiz da vez em que me aventurei em Marrocos e contar-vos as minhas férias só porque sim. Foram baratas, por isso não vou meter muito nojo. Pensem nisto como um guia turístico, mas daqueles em que ninguém me pagou para dizer bem nem tenho de promover a tasca de um tio que tem o melhor bitoque, mas que depois, afinal, é sola de sapato com a gema do ovo sem estar crua.

Quem estrela ovos e deixa a gema cozer, merecia que lhe enfiassem os dedos na frigideira até ficarem bem passados. 

Bem, vamos lá então. Fomos três casais heterossexuais brancos, não porque discriminemos casais do mesmo sexo ou de outras etnias, mas simplesmente porque assim calhou e porque ainda não é preciso preencher quotas nas férias. Foram as mulheres que ficaram de marcar as férias para mostrar que são independentes e proactivas, mas adiaram tanto que acabaram por ser os homens a tratar de tudo o que eram voos, hotéis e aluguer de veículo de quatro rodas. É bom ver que as tradições ainda se mantém. O destino? Não acredito nessas coisas, mas foi avião até à Croácia, onde alugaríamos uma carrinha suficientemente grande para seis pessoas e malas de três mulheres para 11 dias e com a qual percorreríamos a costa croata, Montenegro e a Bósnia.

Marcadas com três meses de antecedência, o que só piorou a minha angústia da espera pela viagem de avião, lá chegou o famigerado dia em que eu me meteria, mais uma vez, numa camioneta com asas conduzida por um taxista mascarado de piloto. Croatia Airlines, ainda por cima, essa companhia aérea de alto gabarito. Fui de directa, tomei jarda para dormir, não dormi, paniquei aqui e acolá e fui durante três horas a conter o ataque de pânico iminente que sentia a brotar de dentro de mim, qual Hulk mariquinhas. Aterrámos em segurança, as pessoas bateram palmas, não sei se ao piloto ou aos engenheiros que conseguiram fazer com que aquela lata velha desafiasse as leis da gravidade.

Fomos buscar a carrinha e seguimos viagem em direcção à primeira cidade: Pula. Foram cerca de 300 km onde verificámos que as portagens são mais caras do que em Portugal e as estradas são piores. O limite é 130 km/h, ou, traduzindo para limite à tuga, 160 km/h. Vislumbrámos paisagens bonitas, mas também muitas cidades que pareciam Rio de Mouro depois de uma praga de gafanhotos nucleares. Chegámos ao apartamento em Pula e fomos recebidos pelo Goran, Guronzan para os amigos, que nos recebeu com uma enorme simpatia e disponibilidade em ajudar, fora o facto de nos ter dito que o restaurante que nos aconselhava ficava a 5 minutos a pé, mas como sou desconfiado fui ver ao mapa e ficava a 3 km. Os croatas devem andar sempre a sprintar de um lado para o outro. Lá fomos para o restaurante que se chamava Lavanda que, como podem ver na foto, estava ali na linha ténue que separa o pitoresco e o motel para onde se levam prostitutas de rua.

Jantei uma grelhada mista, a primeira de muitas, como irão ver ao longo das três partes desta aventura. Estava razoável, mas em qualquer tasca portuguesa se come melhor e mais barato. Bem sei que nas zonas costeira da Croácia se deve é comer peixe e marisco, mas aqui o menino não aprecia bicheza do mar. 

Quem gosta de sapateira não tem critério. Se a sapateira andasse na selva em vez de no mar, toda a gente tinha nojo daquela tarântula gigante com pinças peludas.

Quando vou a Sesimbra peço um bitoque, sou esse tipo de pessoa que faz com que os empregados que dizem que o peixe é muito bom revirem os olhos. A cerveja deles faz lembrar a nossa, mas tem de ser bebida aos meios litros de cada vez porque homem que é homem bebe o seu peso em imperial ao lanche. Outra coisa que se bebe muito na Croácia é sumo de Pipi. Calma, vejam a foto em baixo e reparem que o designer não deve ter colocado as laranjas naquela zona por acaso.
Uma publicação partilhada por Guilherme Duarte (@guilhermercd) a
A cidade era razoável, mas nada de especial. Tem um coliseu a fazer lembrar Roma dos trezentos, um centro histórico pequeno para passear, e pouco mais. Valeu pelas praias, cuja água era como o Jorge Jesus gosta, limpinha, limpinha, e quente como não há em Portugal. Nem tudo é perfeito e, por isso, a areia era uma espécie de gravilha de parque de estacionamento ou rochas que dilaceram as plantas dos pés. A contar com isso levei uns sapatecos daqueles que os velhos usam para não pisar o peixe aranha. Não me orgulho.

Depois de duas noites, deixámos Pula em direcção a Split, mas primeiro parámos na jóia da coroa da Croácia: os lagos e cascatas Plitvice. Chegando lá, deparámo-nos com uma enchente de pessoas para comprar bilhete! Uma bicha maior do que o Polícia da Moda da CM TV. Piada fácil, mas apeteceu-me. Calem-se. No entanto, reparámos que havia outra fila, com um décimo das pessoas, que parecia ser também para comprar bilhetes. Entranhando e não querendo arranjar confusão com croatas de fato de treino, perguntei ao segurança e ele disse-me que ambas davam para comprar bilhetes e que podia ir para a que quisesse. Depois de muito pensarmos se queríamos esperar duas horas ou 10 minutos, optámos pela segunda. A psicologia de massas é assim, o pessoal vê uma fila grande e mete-se atrás a pensar que ali os bilhetes estão a sair do forno. Burros. Lá entrámos no parque sem nunca ninguém nos pedir bilhete e percebemos que havia uma terceira fila que era a de ir à confiança e não gastar dinheiro. Quem lá for, já sabe. Começamos a percorrer aquilo a pé enquanto íamos absorvendo toda aquela paisagem idílica, com água cristalina, quedas de água e verdura de fazer água na boca a qualquer vegan. Andámos uns dez quilómetros, tudo de chinelo menos eu que sou esperto e levei ténis. Ficaram todos cagados de lama? Ficaram, mas os pezinhos do menino não sofreram tanto.

Depois de tudo visitado e de contemplarmos o esplendor da obra que Deus fez em apenas um dia, fomos embora de coração cheio, pés doridos, e sovacos suados. Chegámos a Split, ao cair da noite, e a localização do apartamento não coincidia com as fotos do local. Pensei logo que tínhamos sido aldrabados, mas liguei ao dono da casa e ele veio buscar-nos. A casa era ao pé de um estádio de equipa distrital que tinha estampado em grande "White Boys", com a bandeira dos Confederados Americanos, que vim a saber serem uma claque do Hajduk Split. Não há melhor vizinhança do que os nazis supremacistas brancos. 

Ninguém te protege melhor do escuro do que um neo nazi.

O rapaz que nos alugou a casa tinha todo o ar de fazer parte dessa claque e ficámos felizes por sermos todos brancos heterossexuais. Era muito simpático só que demasiado. Sabem aquelas pessoas com muita energia e que se agarram, tocam e abraçam pessoas que acabaram de conhecer e dão aqueles socos fingidos na barriga dizem «Ahhh, sabes como é que é!!»? Népia, não sei como é que é. Fora isso, muito simpático, deu-nos uma garrafa de vinho como boas-vindas e do apartamento dele vinha um cheiro a ganza nas escadas, mas disso ele não ofereceu. Pelo sim pelo não, era melhor não ficarmos muito morenos para continuarmos a fazer parte da palete de cores aceitáveis daquela zona.

Split à noite é tipo Albufeira em Agosto e cada um tira as conclusões que quiser. Durante o dia a cidade velha é muito gira, com ruelas pitorescas e tudo muito bem conservado. Percebemos, mais uma vez, que na Croácia tudo funciona com código de honra: pagámos uma viagem de barco na qual ninguém nos pediu para ver o bilhete que havíamos comprado no dia anterior. Ninguém. Foi entrar no barco e seguir. Fomos a três ilhas, mergulhamos no meio do mar Adriático e fizemos cerca de 4 horas no total numa traineira na qual o senhor do barco nos veio pedir para não estarmos todos do mesmo lado porque aquilo virava. Já na cidade, pagámos para subir a uma torre com escadas de metal onde faltavam parafusos e parecia ter gente a mais. Não tenho vertigens, mas senti algum desconforto. Pior estava uma senhora que precisou de parar para descansar ao primeiro lanço de escadas - só faltavam uns 50 - gabo a coragem, mas há que ter noção das nossas próprias fraquezas. Claro, mais uma vez, que ninguém nos pediu bilhete e bastava termos entrado de queixo erguido. Os croatas não devem ter muitos turistas portugueses, caso contrário, começavam a perder dinheiro porque para a próxima já sei que vou ter de recorrer à chico-espertice, tão tipicamente tuga. Depois de um dia bem passado, fomos jantar fora. Jantei o quê? Grelhada mista, pois está claro.

Bem, na próxima parte conto-vos como foi Dubrovnik e Kotor que há que fazer render o peixe depois de tanta grelhada mista de carne manhosa.

PS: Parte dois já disponível neste link.
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17 de agosto de 2017

Histórias para crianças - Edição Feminista Radical



Não gosto da palavra "feministas radicais", até porque são duas palavras. Ser feminista é bom e nunca é demais lutar-se por isso. "Feminazi" também é um termo que não me atrai por ser uma comparação descabida e poder ofender os nazis. Por isso, à falta de melhor expressão, chamemos-lhes apenas "Pessoas parvas que lutam pelo que é certo, mas de forma errada". Sou da opinião que existe um machismo latente na sociedade, mas que prejudica tanto homens como mulheres e a prova disso são as mais conhecidas histórias para crianças. Decidi, por isso, reescrever alguns contos mais conhecidos adaptados à realidade do chamado feminismo pós moderno que envergonha as verdadeiras e verdadeiros feministas. Espero que gostem.

Branca de Neve
Era uma vez uma rainha muito bela segundos os padrões machistas das revistas femininas. Para além disso, era malvada como todas as mulheres que não trabalham e vivem dos rendimentos do marido ou do pai. Como não tinha carreira era fútil. Prova disso era que todos os dias perguntava ao seu espelho mágico se havia alguma mulher mais bonita do que ela. Certo dia, o espelho disse que sim: a Branca de Neve! A Branca de Neve era uma mulher com um metro e sessenta e 120 kg de formosura porque o espelho sabia que todos os corpos são igualmente bonitos. Com tanta inveja, apanágio das mulheres que não estão satisfeitas profissionalmente, mandou um criado matar a pobre da Branca de Neve. Quando ele a encontrou, a Branca de Neve gritou bem alto «Socorro! Estou a atacada por um homem branco heterossexual!» e veio logo um grupo de mulheres gritar aos ouvidos dele até ele se ir embora. A Branca de Neve continuou o seu caminho até chegar a uma casa e, como era uma mulher confiante, decidiu invadir propriedade privada. A casa pertencia a sete anões que trabalhavam numa mina que disseram que ela poderia ficar a viver com eles desde que arrumasse a casa enquanto eles fossem trabalhar. A Branca de Neve começou aos gritos a dizer que estava a ser micro agredida e oprimida! Os anões sugeriram que ela podia ir trabalhar para a mina com eles e a Branca de Neve começou a gritar, mais uma vez, dizendo que não ia aceitar ordens de homens brancos heterossexuais sobre o que fazer com a sua carreira. Como era independente, acabou por ficar em casa, mas não arrumava nada porque não era criada de ninguém. Quando a rainha soube que a Branca de Neve ainda estava viva, disfarçou-se de velha e foi bater à porta da casa dos sete anões. Deu-lhe uma maçã envenenada e a Branca de Neve comeu porque confiou nela por ser mulher, caso contrário tinha logo desconfiado que a maçã estava banhada em droga da violação. Comeu a maça e caiu para o lado. No funeral, passou um príncipe que a viu deitada e decidiu beijá-la. Nesse momento, a Branca de Neve acordou e começou aos gritos a dizer que estava a ser violada e a soprar num apito que tinha sempre com ela. A polícia chegou e o príncipe foi preso. A Branca de Neve viveu solteira e feliz para sempre porque não precisava de um homem.

Cinderela
Cinderela era filha de uma comerciante rica, porém quando a sua mãe morreu, o padrasto malvado e os seus dois filhos fizeram da Cinderela o que estavam habituados a fazer de todas as mulheres: ser a sua criada. Um dia houve um baile, mas a Cinderela não pode ir pois estava oprimida a limpar a casa. De repente, apareceu a sua fada madrinha que trouxe uma equipa de limpezas para arrumar tudo. Perguntou-lhe se queria que lhe fizesse aparecer um bonito vestido e uns sapatos de cristal, mas a Cinderela disse que ia de calça de ganga e nua da cintura para cima porque era preciso libertar os mamilos femininos da ditadura patriarcal! A fada perguntou se ao menos queria que lhe desse um bocadinho de cor e a Cinderela disse para lhe dar uns tons de azul nos pelos do sovaco, pois não se depilava como forma de protesto à ditadura das revistas de moda e do culto do corpo feminino depilado. «Se os homens podem eu também posso!», gritou. Lá foi ao baile e o príncipe ficou logo maluco por ver uma mulher em topless na festa. Chegou-se a ela e perguntou se queria dançar e a Cinderela disse «Os meus olhos estão aqui em cima, seu porco.». O príncipe pediu desculpa, dizendo que tinha sido um reflexo incontrolável porque a maioria das mulheres não ostentavam o peito desnudo em festas, mas a Cinderela não foi na cantiga e cuspiu-lhe na cara. «És um porco misógino e se não consegues controlar os teus impulsos de homem, então o melhor é auto castrares-te!», gritou. Quando deram as doze badaladas, os pelos do sovaco da Cinderela voltaram a ficar pretos e ela foi para casa. O príncipe nunca mais a procurou porque os homens têm medo de mulheres independentes e só ligam à aparência. A Cinderela também não estava interessada porque era lésbica e acabou por casar com a fada madrinha.

Capuchinho Vermelho
Era uma vez uma menina chamada Capuchinho Vermelho. Certo dia, o pai do Capuchinho fez uns bolos porque era ele que ficava em casa enquanto a mãe trabalhava e sustentava a família toda. Deu esses bolos ao Capuchinho para que ela fosse levar à avó. Disse-lhe para ter cuidado e que não fosse pelo atalho porque havia perigos. Como a Capuchinho era uma menina independente e que não acatava ordens do patriarcado, decidiu ir pelo atalho na mesma e de minissaia. Pelo caminho apareceu o Lobo Mau que lhe disse «Olá». O Capuchinho começou a gritar e a dizer que estava a ser micro violada e que ela podia andar de minissaia à vontade sem ter de ouvir impropérios por parte de homens que não sabem controlar-se «Uma pessoa já não pode ir levar bolos à avó sem ser incomodada e ouvir piropos nojentos? Vergonha!», gritou o Capuchinho. O Lobo Mau fugiu em direcção à casa da avó do Capuchinho e comeu-a porque era um macho e, como tal, sem critério. Disfarçou-se de avó e quando a Capuchinho chegou a casa viu o Lobo deitado na cama a fazer-se passar pela senhora. Como as mulheres são mais inteligentes do que os homens, o Capuchinho percebeu logo que não era a avó e deitou spray pimenta nos olhos do lobo. Um caçador, ouvindo os gritos, apareceu de espingarda na mão e a Capuchinho deu-lhe também com spray pimenta porque desconfiou logo que ele a fosse violar. De seguida tirou a espingarda ao caçador e matou toda a gente em legítima defesa. No fim, comeu os bolos todos porque não se importava de ser gorda já que todos os corpos são igualmente sensuais.

Carochinha
Era uma vez uma linda carochinha, que encontrou mil euros enquanto montava um móvel do IKEA sozinha. Com o dinheiro, em vez de fazer como outras mulheres que comprariam brincos e colares, foi antes investir na formação tirando uma pós-graduação de Estudos Feministas. Depois, pôs-se à janela a enviar CVs e a perguntar: «quem quer dar trabalho à Carochinha?». Passou um Burro e disse «Eu dou, mas pago-te menos pelo que pagaria a um homem com as mesmas qualificações!». A Carochinha disse que não queria e continuou a perguntar. Passou um cão e disse «Eu dou, mas só se não engravidares nos próximos 10 anos!». A Carochinha recusou e continuou a perguntar. Passou um bode e disse «Eu dou, mas só tenho um estágio remunerado para começar.» A Carochinha disse que não e continuou a perguntar. Até que passou o João Ratão que disse «Eu dou, tenho de preencher quotas e tenho uma vaga num cargo de gestão para o qual tens pouca experiência.». A Carochinha e o João Ratão assinaram um contrato de trabalho e foram felizes durante muito tempo até que a empresa começou a falir devido à falta de diversidade nos cargos de gestão e porque o gestor era um homem branco e heterossexual.

FIM

Como comecei por dizer, ser feminista é bom e eu sou feminista, tal como a maioria dos homens e mulheres com dois pingos de inteligência. Num tom mais sério, acho mesmo que a versão original destas histórias são realmente discriminatórias e que podem incutir ideais de género prejudiciais às crianças. Nas histórias, as mulheres nunca trabalham e o único objectivo é casar com um homem rico - tipo mulher de jogador de futebol - e os homens para se safarem têm de ser ricos, bonitos e fortes para defender a sua dama lutando com dragões. É demasiada pressão para ambos os sexos. Fazia mais sentido reformular estas histórias do que alterar o nome do Cartão do Cidadão, mas para isso é preciso criar e isso dá mais trabalho. Mas pronto, isto digo eu que sou um homem branco heterossexual e do lado do patriarcado opressor. Se acharem que vale a pena, posso fazer uma segunda parte com as histórias da Bela Adormecida, A Bela e o Monstro e As três porquitas.
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14 de agosto de 2017

Melhores/piores frases de engate na net



Como alguns de vocês sabem, estive envolvido na criação de uma aplicação inspirada no Tinder, mas que é muito mais gira. Chama-se Fuck Marry Kill e é inspirada no jogo do mesmo nome que normalmente se faz com celebridades, com variantes como o "Smash or Pass" ou o "Hot or Not". Consiste em teres de escolher de entre três pessoas, com qual farias o amor à bruta, com qual casarias, e qual, por exclusão de partes ou não, matarias. Na aplicação jogas com pessoas reais que também se registaram e podes ter match e conversar com os outros jogadores. Por exemplo, dás um Fuck a alguém que também te deu a ti e voilá, abre-se uma janela de chat onde podem combinar o hotel. Acontece o mesmo se houver match de marry onde podem reservar logo a capela e de kill onde podem marcar um duelo até à morte.

Neste momento já não estou envolvido na gestão da aplicação e sou uma espécie de advisor que vai mandar bitaites nas reuniões de vez em quando. Antes de sair de lá fiz uma colectânea das melhores/piores frases de abertura que tanto homens como mulheres - principalmente homens - usaram. Por motivos de segurança, as mensagens são encriptadas na base de dados e por isso as que vou mostrar aqui foram as que eu ou outros membros da equipa recebemos nos nossos perfis enquanto estávamos a testar e melhorar a aplicação. Imagino que haja bem melhores/piores.



A classe do Carlos. Aposto que esta abertura resulta uma em cada 1000 vezes. Isto com imagens ia ocupar muito espaço, por isso aqui ficam transcritas as melhores e piores abertura que apanhei para poderem fazer copy paste e usar à vossa conta e risco.


Match de Fuck

Gajo: Precisas que te pague um copo ou queres-me comer mesmo sóbria?
A demonstrar poder de compra, insegurança e vulnerabilidade ao mesmo tempo. Bravo.

Gajo: És tão boa que vai ser rápido e ainda chegas a casa a tempo da novela.
A tentar fazer crer que a ejaculação precoce é um elogio e não um problema.

Gajo: Se dar piropos não fosse crime, dizia-te que és boa como o milho, mas sendo assim digo apenas "Olá".
Valorizo este abertura e acho que pode funcionar.

Gajo: És muito bonita e gostava de fazer sexo contigo.
Homem adora constatar o óbvio.

Gaja: Sou nova na aplicação, mas significa que agora temos de fazer sexo, não é?
Ui, mulher no comando. São sempre novas nas aplicações de dating online, é sempre a primeira vez que usam.

Gaja: Só estava aqui para fazer amigos e não para sexo, mas fizeste-me mudar de opinião.
Sim senhor, gosto de ver mulheres atrevidas. No entanto, ela pode estar a querer dizer que ele nem para amigo serve.


Match de Marry


Gaja: Agora vais ter de me meter um anel no dedo.
Gajo: Só se antes disso me deixares meter o dedo noutro sítio.
Como estragar tudo numa frase. Ou não, isto nunca se sabe.

Gajo: Não tenho dinheiro para a cerimónia por isso podemos passar já para a noite de núpcias.
Entre o poupado e o forreta a linha é muito ténue.

Gaja: Desculpa se te levei ao engano, mas não acredito no casamento.
Gajo: Na boa, também prefiro só sexo.
Gaja: Fixe. Hoje a que horas?
Jazus. Vai dar namoro.

Match de Kill

Gajo: Dei-te kill, mas até és gira!
O desespero tem um nome e o nome é "Gajo".

Gajo: Agora tenho de te matar, não é? Vens cá a casa que eu espeto-te.
Eu bem digo que touradas só na cama.

Gajo: Preferes morrer com um tiro ou engasgada?
Sem palavras. Este é para casar, meninas.

Gaja: Kill? A sério? Olha bem para ti.
Gajo: Também me deste kill, caso contrário não haveria match.
Gaja: Ya, mas eu sou gira.
Gajo: Não és.
A rapariga que não devia ter instalado esta aplicação porque claramente não tem autoestima suficiente para lidar com o mundo.

Gajo: Ou te dei kill por engano ou mudaste a foto.
Tradução: na outra foto eras feia, mas nesta até te papava.

Por fim, esta que me aconteceu a mim.
Gaja: Essa foto não és tu!
Eu: Não? Então?
Gaja: Eu conheço essa pessoa da foto, é de um humorista.
Eu: Tem dias. Pois, sou eu.
Gaja: Claro.
Eu: Olha agora... até partilhei a app na página, isto foi ideia minha.
Gaja: Sim sim.
Eu: Não acreditas?
Gaja: Nop. Vou reportar-te.
Eu: Por um lado fico contente por zelares pela minha identidade, por outro gajas desconfiadas é uma chatice.
Gaja: Adeus.
Eu: Adeus.

Espero que tenham ficado inspirados para terem sucesso nesse mundo cruel que é o dating online. Se quiserem instalar e testar, seja pelo gozo ou porque já rodaram as outras aplicações todas e ainda não encontraram o amor, sigam este link. Isso depois tem uma data de funcionalidades giras como poderes ver o teu ranking e se és material só para uma noite ou para casar e ainda podes ver quem é que te quer saltar em cima à bruta, embora te possam ter escolhido apenas porque eras o menos feio do grupo.
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9 de agosto de 2017

Férias com amigos vs Férias com a namorada



Como estamos na silly season, acho que não vale a pena falar de assuntos sérios para não vos estragar as férias. Férias essas que podem ser de vários tipos, cada um com os seus prós, contras e idiossincrasias. Passar férias com os amigos não é igual a passar férias com a namorada, por exemplo e, por isso, aqui ficam alguns tipos de férias pelas quais, se tudo correr bem, iremos todos passar na vida.

Com os pais
Para quem tem pais, passar férias com eles é o normal nos primeiros vinte anos de idade, mais ou menos. Quinze dias no Algarve em que as únicas coisas que fazes é comer, esperar pela digestão, ir à água, apanhar sol enquanto ouves a tua mãe a gritar que tens de meter protector e te persegue com um frasco de factor total na mão para te barrar como se fosses uma tosta com Philadelphia. Vais dar aquela voltinha dos tristes pela cidade a seguir ao jantar, enquanto os teus pais vêem gente nova a divertir-se e ponderam se estão ou não arrependidos por te terem concebido. A partir de uma certa idade, já só sais da cama ao meio-dia e ouves o teu pai a queixar-se que mais valia terem alugado uma casa sem piscina porque não a aproveitas de manhã, sinal que já estás mais velho e te deitas mais tarde, mesmo que seja a jogar Playstation porque não tens ninguém com quem sair. É nesta altura que vais trocar olhares com uma rapariga que também passeia com os pais a seguir ao jantar e vais jurar que é a mulher da tua vida. Todos os dias a vês e pensas que é o destino, mas é só porque estás numa vila com mil pessoas e dás de cara com as mesmas pessoas várias vezes ao dia, mas na gorda desdentada não reparas tu porque és um fútil. Com a idade e a independência vais começando a passar férias cada vez menos com os teus pais, a não ser que tenhas tirado Sociologia e aí não tens escolha porque só consegues tirar férias se forem eles a pagar. Nem é bem tirar férias, é desfrutar do desemprego noutra cidade.

Com os amigos
É preciso distinguir dois tipos de férias com os amigos: as quando estás solteiro e as quando estás comprometido. Nas primeiras o planeamento é fácil: países de leste, Interrail pela Escandinávia ou Albufeira. Qualquer um deles garante maior facilidade em encontrar raparigas alcoolizadas que te achem atraente só porque tens um ar latino de português, especialmente se for na Rua da Oura em Albufeira, onde o português é uma criatura mais evasiva do que o Big Foot. Nas férias de amigos solteiros o hotel ou casa é de menor importância: fica a 10 km da praia mas a 100 metros da rua dos bares? Perfeita. Vocês são 10 marmanjos e a casa é um T0 com um colchão de encher na varanda, mas é mesmo na rua dos bares? Perfeita. O plano é simples: comer massa com atum e hidratares-te com cerveja desde que acordas; sair todas as noites porque ficar em casa é desperdício de férias; curar a ressaca com restos de massa de atum e uma cerveja. Voltas de férias sem que nenhuma rapariga se tenha interessado por ti, mas não desanimas e pensas como um sportinguista: «Para o ano é que é.».

Quando se tem namorada o planeamento é mais complicado. Primeiro, mal a informes que vais de férias só com os teus amigos, vais ter de responder a um interrogatório de fazer inveja a muito investigador da PJ:
  • «Com quem vais?»
  • «Também vai o Manel, aquele que trai a namorada?»
  • «Para onde vais?»
  • «Vão raparigas?»
  • «Não vai aquela tua amiga que te quer saltar para cima, pois não? A Ana Puta ou lá como é o nome dela.»
  • «Vão ficar alojados em que hotel? Manda-me as coordenadas.»
  • «Para que é que vais comprar roupa para ires de férias? É para as outras, é?»
Entre outras. Depois de conseguires o Visto no gabinete da tua namorada, sabendo já que ela te cobrará mais tarde por teres a mania que és independente, vais andar com o telemóvel sempre na mão porque caso toque e não atendas é sinal, para a tua namorada, que estás numa orgia com dez inglesas. Começas a perceber que o melhor é enviares-lhe mensagem por volta das 2h a dizer que já estás em casa a dormir. O gajo que tem namorada, normalmente, desaparece durante uma hora a meio da noite e os amigos pensam que ele já a está a trair, mas, na verdade, esteve uma hora a discutir ao telemóvel porque ela diz que ele não lhe liga apesar de ele ter estado 1 hora com ela ao telefone durante as férias quando se devia estar a divertir com os amigos e a procurar uma namorada nova. Invariavelmente, é quando tens namorada que várias mulheres vão ficar interessadas em ti porque existe um complô mundial em que elas combinam isso só para fazerem os homens comprometidos sentirem-se mal, ou por recusarem, ou por traírem. 

Com a namorada
A escolha do local é fácil porque o facto de estar perto de uma zona com vida nocturna e movimentada não entra na equação. Ninguém quer ir beber copos com a namorada! Isso é o mesmo que ressuscitares um peru que trouxeste do talho para o voltares a matar logo a seguir. No entanto, no meio do nada e sem Internet também não é boa opção, já que terão de falar um com o outro e podem chegar à conclusão que estão juntos há dez anos e não têm nada em comum. As férias com a namorada podem ser cansativas, especialmente para mim que sou quem tem de conduzir, marcar hotéis, escolher restaurantes ou cozinhar se comermos em casa, carregar com malas etc. E a minha namorada, o que é que ela faz? perguntam vocês. Bem, ela é bonita e precisa de tempo para se maquilhar e esticar o cabelo porque a beleza de origem não lhe chega. Quando tiro duas semanas de férias com ela, na verdade, só tenho uma semana de tempo útil.

Com casais
Chega aquela altura em que no grupo de amigos está tudo comprometido e é então que surgem as férias em casais. Há sempre aquele casal que ainda namora há pouco tempo e que é uma bomba relógio que pode rebentar a qualquer momento. Ainda não se conhecem bem e estar na mesma casa durante uma semana é diferente de ir jantar ao McDonald's e ao cinema do Colombo uma vez por semana. Alguém vai ficar de trombas e estragar o jogo do Pictionary porque vão discutir se o desenho que ele fez se parece com um coelho ou com um canguru. Além de que existe a pressão de fazer o cônjuge estranho ao grupo de amigos sentir-se em casa e rapidamente aquilo se transforma num reality show em que tudo diz mal nas costas um dos outros. Vai haver o casal que quer ir passear, o casal que quer ir à praia, e o casal que quer beber e dormir até às duas da tarde. Nestas férias, o baralho de cartas e o jogo de tabuleiro são indispensáveis e como vai haver um casal que vai dormir sempre mais cedo, o melhor é sempre três casais para não faltar ninguém para jogar à sueca.

Sozinho
Queres ir à aventura! És introvertido e achas que viajar sozinho é que te vai mudar e abrir para o mundo. Reservas um quarto num hostel misto que divides com mais 20 pessoas na esperança de as conheceres e te enturmares e, quiçá, dividires o colchão com a vizinha do beliche de cima. Vais sair sozinho e acabas quase violado por um italiano (como me aconteceu a mim). Percebes que afinal viajar sozinho não é assim tão giro e começas a ter saudades das sopas da tua mãe porque andas a comer, em todas as refeições de há uma semana para cá, pão de forma com mortadela. Vais ficar doente com uma constipação porque não tinhas lá a tua mãe para te dizer para levares um casaco mesmo que estivessem 40 graus e vais perceber que estar sozinho no estrangeiro, doente, é das piores sensações do mundo com a excepção de ser violado por um italiano e apanhares HIV. Vais dar mais valor aos emigrantes, aos teus pais e ao Tinder.

Com os filhos
Se ainda não forem independentes e for preciso limpar-lhes o rabo e a boca, mais vale ficar em casa. Se já forem independentes, mais vale deixá-los em casa e não gastar dinheiro com gente ingrata.

É isto. Boas férias se for caso disso. Se já gastaram todos os cartuchos este ano, temos pena, não fossem garganeiros. Agora aguentem com o pessoal que, como eu, guardou as férias para o final.


***


PS: Depois do verão vou estrear o meu espectáculo a solo de stand up comedy que vai passar por várias cidades. Se quiserem receber uma notificação por email quando as datas foram reveladas e os bilhetes estiverem à venda, deixem os vossos contactos neste link. Se não quiserem, partilhem este texto no botão em baixo ficamos amigos na mesma.
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7 de agosto de 2017

A mama do Benfica estava fora-de-jogo?



Ler com a voz de relato de futebol: é vermelho, nota-se um alto na ponta esquerda. O foco ajusta e vislumbra-se o símbolo do Sport Lisboa e Benfica. O que será? A câmara afasta-se... o que é que é isto ó meu? É mama! É um seio de uma loiraça! É mamaçal! É peitaça! É bago de chicha! É saquinho de leite Vigor! É disto que o meu povo gosta!

Já sabem do que falo, certo? Do plano feito pelo realizador no jogo da supertaça que originou uma onda de revolta. Onde é que foi essa revolta? No local onde acontecem todas as revoltas palermas: no Facebook.

Perguntei à minha namorada se ficaria ofendida caso tivesse sido com ela e ela respondeu «Ofendida? Não. Era sinal que tinha boas mamas.».

Eu dizer-lhe que tem boas mamas não a convence tanto como um realizador fazer um grande plano de uma delas porque, como qualquer gaja, valoriza mais um elogio vindo de outra pessoa que não o namorado.

Voltando ao assunto, estará a malícia no plano escolhido ou na cabeça das pessoas que o viram e pensaram «Eishhh, ganda teta! Estou ofendido com este realizador! Vou apresentar queixa no meu mural do Facebook, mas primeiro deixa-me filmar a televisão para publicar caso tenha havido alguém que não viu esta coisa horrível que nunca devia ter acontecido!». Sim, é um bocado parvo nos intervalos dos jogos fazerem-se planos das mulheres jeitosas que o realizador vislumbrou no estádio, mas é machismo ou é um elogio à figura feminina? Talvez seja um pouco dos dois. Misoginia é que não é de certeza já que a sua definição é "Aversão às mulheres" e "Repulsão patológica pelas relações sexuais com mulheres". As pessoas é que gostam de atirar com essa palavra sem fazerem ideia do que significa só porque viram que era a palavra mais usada no site das Capazes. Quando muito, este plano mamário é anti misógino! Talvez, aquando de um jogo de futebol feminino, e sendo uma realizadora, irá focar a câmara no enchumaço de tomatada de um adepto nas bancadas. Ah, esqueçam, ninguém vê futebol feminino. «Buh! Machista!»

Não digo que na cabeça do realizador a génese do plano não tenha sido a seguinte: «Olha o símbolo do SLB numa mama! Faz close-up no pipo!». Claro que deve ter sido, os homens são uns javardolas, especialmente quando estão com os amigos a ver a bola. No entanto, é motivo para tanta indignação? Não andam a lutar pela igualdade de peitos e pela libertação do mamilo? As pessoas ofendidas não são as mesmas que consideram que o peito de uma mulher é igual ao peito de um homem e que devia ser tratado da mesma forma? Se a mama é uma parte do corpo como outra qualquer, aquilo é só um zoom out do símbolo do SLB. Mau gosto? Não sei. Podemos discutir se usar uma camisola do SLB é mau gosto ou não, mas o plano em si, meh, é só uma mama e olhem que eu gosto muito de mamas. Há mamas em todo o lado. Usam-se mamas para vender desodorizantes, shampoos e proclamar repúblicas. Os caloiros de marketing e publicidade aprendem logo a regra de ouro «Na dúvida, metem-se mamas.» que funciona sempre. Epá, é uma mama. Arranjem uma para vocês que isso passa.

Sou e sempre serei pela igualdade. Se as mulheres quiserem andar todas em tronco nu eu serei o primeiro a apoiar essa decisão, mas, marquem as minhas palavras: vai dar merda. Tirar a conotação sexual de fruto proibido dos seios femininos vai ser prejudicial para muitas mulheres. Pensem naquelas mulheres feias que nem portas em que a única coisa que as pode valer é um generoso decote preenchido por uma peitaça épica. Como ficam essas que vão ver ser-lhes retiradas as suas únicas armas no ritual de chamamento de machos disponíveis numa noite na discoteca? É como tirar o dinheiro a um gajo rico e mais feio que nem um cadáver de gajo feio. As mamas de mulher possuem um poder incomensurável. Se pedra ganha a tesoura, tesoura ganha a papel e papel ganha a pedra, mamas ganha a todos. Desmistifica-se a mama e as mulheres perderão poder ao invés de o ganhar. Acreditem em mim que eu tirei engenharia informática e de mamas percebo bem.

Voltando ao plano polémico, nos dias de hoje dá para pegar em tudo: se o realizador filma uma gorda a festejar um golo é porque está a gozar com a banhas a abanar da senhora; se filma um homem em tronco nu é porque quer vender detergente para a roupa; se filma uma criança a comer um calipo é porque é pedófilo. Relaxem. É só uma mama.

Aposto que o vídeo árbitro pediu para rever a repetição enquanto foi ao WC.

As reportagens do telejornal na praia também têm obrigatoriamente de ter um ou dois rabos em fio dental e ninguém se indigna com os planos fechados de nalguedo que é, na sua maioria, pingão e nem merecia tempo de antena. Já toda a gente viu pornografia daquela amadora que foi parar à Internet, muito provavelmente, sem autorização de ambos os intervenientes, não já? Então pronto, não vamos ser hipócritas com um seio no qual nem se percebia se o mamilo estava intumescido ou não. No meio disto tudo, quem tem direito a ficar ofendido é o seio direito que teve zero tempo de antena. A mama esquerda já é a que tem sempre mais atenção por, devido a estar do lado do coração, ser a maior, o governo é de esquerda, e a mama direita ninguém quis saber dela. Indecente.

Verdade que a mulher em causa pode não ter gostado de ver o seu seio a ser figura de destaque numa partida de futebol. Ela é a única que poderia, legitimamente, ficar ofendida com a situação. No entanto, não a vi queixar-se, não vi nenhum post a dizer «Carta Aberta da Dona da Mama» a circular pela Internet, talvez por ser inteligente e desvalorizar a situação. Por isso, para que é que as pessoas precisam de ficar ofendidas por ela? Pensam que por ser loira e ter seios empinados não terá inteligência para perceber o mal que lhe fizeram? Pensam que por ser mulher é muito vulnerável e precisa de ajuda de um bando de gente que quer atenção? Tivesse a mulher umas grandes mamas de silicone com um grande decote e ninguém ficava indignado porque diriam que é uma oferecida e que estava mesmo a pedi-las. Vai-se a ver e no fim, de contas quem ficou indignado é que é machista.
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2 de agosto de 2017

Guia para não ser roubado num restaurante



Então, parece que há restaurantes que agem de má fé com turistas? Ah, estou em choque! Sempre pensei que fosse mito como o a espécie elusiva do taxista que nidifica nos aeroportos. Uma espécie de Big Foot português que só quem sofre de miopia e se esqueceu dos óculos consegue ver ao longe. Embora ache que só é burlado, num restaurante, quem quer, já que Portugal não é um país de mafiosos que te partem as rótulas se refilares e chamares a polícia, vou deixar um breve guia para diminuir os casos de aldrabice em restaurantes. É dirigido a turistas, mas vou escrever em português e eles, se quiserem, que aprendam a língua que este blogue não é um restaurante em Vilamoura.

Restaurante sem preços à porta é caro.
É o bê-á-bá da restauração na óptica do utilizador. Um restaurante sem uma ementa colada numa vitrina à entrada é daqueles que se leva demasiado a sério e acha que o cliente vai lá para ter uma experiência sensorial e não porque tem fome e precisa de comer e ficar satisfeito. Se o restaurante tem preços à porta e decides não ver porque tens vergonha de ser de classe média e só percebes que o prato custa 100€ quando te sentas e vês a ementa, tens duas opções: sair ou ficar e pagar. Se optares pela segunda só para parecer bem, és uma palerma e mereceste ser roubado. Sim, porque um prato a 100€ é sempre um assalto mesmo que tenha trufas pretas que só crescem no rabo do menino Jesus.

Ver ou perguntar sempre os preços antes.
Não quiseste ver os preços à porta para não dares ar de pelintra? A ementa não tem preços e não queres perguntar para impressionar a menina que trouxeste no primeiro encontro? Temos pena. Se te cobrarem 100€ por um bitoque só estás a ter o que mereces. Das duas uma: ou és rico e não te preocupas com preços, ou não és rico e não perguntas para pareceres que és rico e assim até te estão a ajudar, já que a melhor forma de pareceres rico é pagares 100€ por um bitoque de frango.

Perguntar o preço de coisas que não estão no menu.
Vamos assumir que és vegan e que pedes um bitoque sem carne nem ovo e que passaram aquela parte constrangedora em que o empregado pergunta se queres uma fatia de fiambre e queijo e dizes que não comes carne e ele pergunta se queres omeleta por aí fora. Chegam à conclusão que é só mesmo batatas, arroz e salada, prato que, obviamente, não está no menu da tasca. Pergunta quanto é, caso contrário não podes refilar quando na conta vier o mesmo preço que terias pago se comesses o bife. Se, no fim, te armares em esperto ao dizeres que o teu prato feito à medida não consta na ementa e que por isso não pagas, és um palerma. Sim, lamento, mas os vegans também podem ser palermas.

O que vem para a mesa é oferecido?
Algures na lei diz que o que vem ou está na mesa sem ter sido pedido é, por defeito, oferta da casa. No entanto, deves assumir que não é e não vale a pena armares-te em esperto e comer tudo para depois refilar. Pergunta primeiro porque ninguém gosta de clientes armados ao pingarelho. Outra comum é quando vem o empregado todo simpático a dizer que tomou a liberdade de trazer uns ovos mexidos com farinheira e que são cumprimentos do chef. Perguntem quanto custa, já que, normalmente, cumprimentos do chef quer só dizer que ele manda um «Olá, tudo bem?» para a mesa. Se for caro e não quiserem, mandem para trás tal como quando uma prostituta se faz a vocês no Tinder.

Se comeste uma azeitona, mais vale comeres todas.
Eu sei que é chato pagar por um prato de azeitonas quando só comeste uma e sabes que as restantes vão ser reutilizadas para os próximos clientes, mesmo que as tenhas metido na boca e chupado o azeite. Sabendo disso, já que vais pagar, mais vale comeres todas ou trazeres para casa. Não só é mais justo para ti, como evitas reciclagem de acepipes. Se comeste uma e engoliste o caroço só para no fim te armares em chico-esperto e dizeres que não pagas, és um palerma.

Quando o empregado sugere um vinho, é porque é caro.
Pedes um jarro de vinho da casa e o empregado diz que é melhor pedirem uma garrafa que é uma excelente pomada? Aceitas sem perguntar o preço? És patego. Pergunta quanto custa. Perguntar o preço das coisas não é sinónimo de ser pelintra, mas sim de quem trabalhou muito para ter o dinheiro que tem, seja pouco ou muito. Ninguém fica rico a gastar à parva sem se preocupar com o preço das coisas. Isso é só para quem já nasceu rico e não sabe o que custa a vida.

Manter registo das bebidas.
Estás num restaurante e já se pediram dez imperiais antes do jantar começar e já vieram vinte jarros de sangria para a mesa, só durante as entradas? Toma nota disso porque vai haver engano na ementa e em 99% dos casos é a favor do restaurante. Já deve haver uma app para este efeito que também podes usar quando te quiseres gabar de ser muito homem ao enumerares tudo o que já bebeste, enquanto tentas convencer um candeeiro de que estás sóbrio.

Sobremesas.
É nas sobremesas que, muitas vezes, os restaurantes fazem dinheiro. Há restaurantes em que o prato, sopa e bebida custam 5€ e depois uma mini fatia de bolo de chocolate custa 6€. É preciso ter atenção já que por alguma razão os empregados sabem sempre de cor as sobremesas que têm: para não terem de te trazer a lista e te assustar com os preços. Ah, e sempre que perguntares se a mousse é caseira lembra-te que nunca nenhum empregado de restaurante disse que "não" e, por isso, depois não te queixes se ela for caseira porque o preparado instantâneo foi feito em casa da cozinheira.

Confere a conta no final.
Tens vergonha de conferir a conta por teres medo que pensem que és pobre? Mereces ser enganado. Encontras uma entrada na conta que não comeste e decides não dizer nada para não pareceres um sem-abrigo? Mereces ser enganado. Bem sei que não conferes a conta quando vais ao hipermercado fazer as compras do mês, mas no restaurante é mais provável que se tenham "enganado". Se vires lá ver as entradas que não comeste, só tens de dizer ao empregado que houve um engano porque também não vale a pena começares logo a gritar que te estão a assaltar. Pode ter sido um erro inocente, pouco provável, mas pode.

Sair sem pagar é sempre uma opção.
Se tens a certeza que te estão a burlar e estás com demasiada pressa para chamar a polícia, ir embora sem pagar é uma opção válida. Ladrão que rouba ladrão tem um milhão de anos de perdão. Sim, eram menos anos, mas com a inflação agora é assim. Eles vão fazer o quê? Agarrar-te? Não. Chamar a polícia depois de te terem tentado burlar? Claro que não. Por isso, optas pela mesma política que está por trás destas armadilhas para turistas: «O turista só vem uma vez, podemos enganar e não é preciso fidelizar.» e usas a lógica do «Já que não vais voltar, podes sair sem pagar.». Não faças é a figura de um gajo que eu conheço que saiu sem pagar só porque sim e, depois, esqueceu-se e voltou lá passado um mês e foi reconhecido, claro.

Sê honesto que o karma é um prato gourmet.
Por fim, se reparares na conta que se enganaram a teu favor, avisa o empregado. Eu sei que custa ser honesto, mas assim podes queixar-te com mais legitimidade quando te tentarem enganar. Isso ou não digas que falta um prato na conta e deixas 10€ de gorjeta. No fundo, pagas o mesmo, mas fazes boa figura. Isto se preferires mandar pausa de rico em vez de honesto.


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PS: Depois do verão vou estrear o meu espectáculo a solo de stand up comedy que vai passar por várias cidades. Se quiserem receber uma notificação por email quando as datas foram reveladas e os bilhetes estiverem à venda, deixem os vossos contactos neste link. Se não quiserem, partilhem este texto no botão em baixo ficamos amigos na mesma.
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