5 de outubro de 2017

EMEL vs Arrumadores: antes riscado do que bloqueado



A minha relação com os arrumadores de carros, vulgo "moedinhas", é, há muito tempo, bem definida: se eles me ajudarem a encontrar um lugar, dou moeda; se chegarem apenas no fim da manobra, já com o carro desligado, a correr para dizer «Tá bom, chefe!», não dou. Sendo que sempre tive carros velhos, o ocasional risco não me faz diferença e pode até ajudar a parecer que aquilo tudo é um padrão com desenhos abstractos e aumentar o valor do meu carro de 500€ para 550€.

Penso, várias vezes, no espírito empreendedor do primeiro arrumador de carros. É um génio que se perdeu, ou não, já que houve tempos em que conheci arrumadores que faziam mais de 2000€ por mês. Tinham era vícios caros. Enquanto havia quem pedisse esmola ou roubasse por esticão a ocasional velha coxa que deambulava perdida, houve um gajo que decidiu inventar o seu posto de trabalho. Espero não estar a discriminar quando digo que foi um gajo, mas o que é certo é que mulheres neste ramo são poucas ou nenhumas.


Talvez isso prove que elas não sabem estacionar carros.

Ou pode ser só uma questão de falta de oportunidades para as mulheres no mundo do estacionamento automóvel de terceiros. Se calhar precisamos de quotas, não sei. Bem, esse gajo inventou uma profissão que até à data ninguém se tinha lembrado. Aliás, ser arrumador de carros é ilegal porque não foi ninguém com dinheiro e de boas famílias que a criou. Por exemplo, em alguns hotéis ou parques de estacionamento existem empregados que até te estacionam o carro. Fosse um gajo com três nomes e cunha na Câmara Municipal a lembrar-se e a história dos arrumadores seria diferente. Se calhar até foram os arrumadores a dar a ideia a alguém para criar parquímetros que ao ver esse negócio paralelo pensou «Espera lá... as pessoas dão dinheiro para estacionar o carro? Olha...». E assim nasceram os parquímetros da EMEL e de outras empresas que são uma espécie de arrumadores só que mais caros e só recebem, não dando ajuda a ninguém. São uma espécie de prostituta de luxo que só recebe sexo oral e nunca retribui.

Por norma, a maioria das pessoas dá moeda por medo e isso faz-me pensar que essa relação comercial entre dono do carro e arrumador é uma bonita metáfora para o que está mal no mundo: uns a pedir por necessidade ou vício e outros a dar com medo de um risco na pintura do seu bem de luxo. Por isso, valorizo os arrumadores, tinham outras opções e preferem trabalhar, mesmo que ilegalmente. Sim, não declaram nem pagam impostos, mas isso também a maioria dos donos de cafés e tascas. Há apenas uma situação em que me irrito com os arrumadores que é quando há parquímetro e eles vêm pedir moeda dizendo uma das seguintes frases:
  • «Dê-me a moeda a mim que se eles vierem cá eu meto no parquímetro.»
  • «Eles a esta hora já não passam.»
Hum... desconfio. Não é estar a ser preconceituoso, mas se não podemos confiar nas pessoas de fato e gravata que gerem bancos e governos, como é que vou confiar num gajo de boné, sem dois dentes e com ar de quem mete mais sopa na veia do que no estômago? Por isso, na dúvida, meto sempre a moeda no parquímetro em vez de a dar para a mão do Mário Fábio até porque prefiro, de longe, ter o carro todo riscado de uma ponta à outra do que tê-lo bloqueado.

A EMEL é uma empresa odiada por todos, ódio esse celebrizado no famoso sketch dos Gato Fedorento. Até mudaram as fardas para azul para ver se as pessoas confundem com polícia e têm mais respeitinho. Bem sei que foi por isso, devem pensar que não vos topo, seus marotos. Ninguém gosta deles, mas o que é certo é que das vezes que me multaram foi porque existem leis e regras que não cumpri. Sim, é estúpido bloquearem-te o carro se estiver a tapar uma passagem fazendo com que lá fique ainda mais tempo. Sim, é chato terem colocado parquímetros à porta de minha casa sem avisar já que ter bom estacionamento e gratuito é um dos factores de decisão na compra ou arrendamento de uma casa.


Sim, é chato que o bairro social a 500 metros seja a única zona que ficou livre de parquímetros até porque lá chamam-lhes «Aquelas máquinas estranhas que dão moedas.».

É a vida, chateia-me, mas percebo. O que me irrita na EMEL são outros detalhes sobre os quais tenho algumas dúvidas e se o pessoal da EMEL estiver a ler isto pode enviar-me mensagem já que o vosso apoio ao cliente é, à falta de melhor termo, uma merda:
  • Se um parquímetro estiver avariado? Desloco-me ao seguinte, certo? E se esse também estiver avariado? Quantos parquímetros tenho de percorrer até ser aceitável colocar um papel a dizer «Está tudo avariado!»? É que há ruas que se estendem ao longo de vários quilómetros e se fui de carro é porque não gosto de andar.
  • Se uma máquina me comer dois euros e não der talão, como já aconteceu MUITAS vezes, como é que sou ressarcido disso? Tenho de gastar dinheiro em transportes ou gasolina para ir à vossa sede e perder oito horas do meu dia que valem muito mais do que esses dois euros?
  • Tenho 2€ na carteira, mas só vou precisar de estacionar 15 minutos. Porque não dão troco, seus fuinhas? Vou ter de ir ao café trocar a moeda e arriscar ser multado nesses 5 minutos ou vou ter de vos dar o dinheiro todo. Era as máquinas darem troco ou terem um talão de 10 minutos gratuitos, por exemplo.
Já sei que uma das respostas é «Usa a nossa aplicação!», mas isso não é resposta. Isso é como uma vez que fui a um restaurante italiano; pedi um bife e aquilo tinha mais nervos do que a minha mãe a dar aulas no Cacém a uma daquelas turmas que toda a gente sabe que dali já ninguém se vai safar na vida sem ser no crime. Chamei o empregado que me disse «Os nossos bifes são todos assim, devia ter pedido outra coisa.». Não eram duas chapadas à padrasto bem dadas na nuca? Se têm um produto ou serviço na ementa que não presta, deviam retirá-lo e não aconselhar a comer outra coisa do menu. No entanto, mesmo com tudo isto e com as dez multas que me chegaram a casa numa semana, todas dos últimos dois anos, em locais e datas que não faço ideia se realmente lá tinha estacionado o carro, não demonizo a EMEL e muito menos os seus colaboradores. Das duas vezes que vi o meu carro bloqueado - coisa que devia ser proibida porque no dia que alguém morrer por precisar do carro para uma emergência vai haver confusão - respirei fundo e relaxei. Chamei-os e estive de sorriso o tempo todo ao vê-los desbloquear o carro enquanto pensava «Nem a vossa mãe gosta de vocês. Até a mãe de um arrumador tem mais orgulho no filho.»


PS: Pessoas de Lisboa, Porto, Braga, Guimarães, Coimbra, Tomar, Aveiro, Funchal, Portalegre e arredores, não se esqueçam que os bilhetes para o meu primeiro espectáculo de stand-up comedy a solo já estão â venda nos locais habituais e neste link. Obrigado a todos os que já compraram.
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2 de outubro de 2017

O orgasmo feminino. Doutor G está de volta!



Pois é, criançada, o Doutor G, ao contrário da ejaculação durante um felácio, quando aparece de surpresa não chateia nem engasga. Depois de uma longa ausência e de muitas mensagens a implorar eis que ressuscito esta espaço semanal onde respondo a dúvidas de cariz sexual e sentimental enviadas pelos leitores, sempre com a javardeira repleta de classe que caracteriza a rubrica "Doutor G explica como se faz". 


Caríssimo Dr. G, antes de me ter acontecido, nunca acreditei na ejaculação feminina,  squirting ou que lhe quisermos chamar. Achava que era mais um efeito especial da pornografia (sim, pq nós mulheres tb vemos pornografia, principalmente quando não queremos trair o nosso namorado que pouco ou nada nos satisfaz sexualmente.) Subitamente com o meu novo namorado, torno-me numa fonte de agua nascente que jorra abundantemente no momento do climax. Confesso que chorei quando aconteceu a 1a vez, pensei "é xixi, que nojo" mas não era e depois tive de redefinir tudo o que eu sabia sobre sexualidade feminina. As informações na net são dúbias, e não há consenso. Este super poder é assim tão raro como diz a internet? Porquê que só me aconteceu agora? Tem a ver com a idade? É genético? Tem a ver com compatibilidades sexuais? Porquê só agora? Elucide-me por favor caro guru.
Anónima, 29, Lisboa

Doutor G: Cara Anónima, primeiro, quando se tem um namorado que pouco ou nada satisfaz sexualmente, a solução não é ver pornografia, mas sim trocar de namorado. Ora bem, a ejaculação feminina existe e disso não há dúvidas. Há quem diga que é apenas urina que sai disparada com contracções musculares, qual idosa que não se aguenta com trancadas na bacia, mas há uma teoria mais aceite, actualmente, que diz que o líquido vem de vestígios embrionários da glândula prostática. Ou seja, quando eras um embrião e tinhas partes masculinas e femininas, ficaste com vestígios de glândulas prostática que não atrofiaram completamente quando o embrião evoluiu para o sexo feminino. Daí ser rara a ejaculação feminina presente em, estima-se, menos de 10% das mulheres. Terei de fazer um estudo mais aprofundado e com uma amostra maior para ter total certeza. Mas pronto, é isso, ou é urina ou é líquido prostático que sai da tua boca do corpo quando a excitação é soberba. Só aconteceu agora porque provavelmente deixaste-te ir mais com este namorado e não paraste quando te deu vontade de fazer xixi (porque é assim que começa a coisa). Seja como for, são orgasmos mais intensos e melhores, não são? Então pronto, usa um resguardo e dá-te como satisfeita de teres esses restos de próstata e em vez disso o teu embrião não ter ficado ainda mais deficiente e terem-te crescido dois testículos nas costas. É que isso dá comichão e estarem num sítio onde não dá para coçar é capaz de ser chato.


Acabei uma relação recentemente que foi a minha ex que decidiu. Enquanto namorava sentia muita atração de afeto. Com o fim do namoro, isso morreu, mas ganhei necessidade de fazer sexo. A minha dúvida é: onde encontro uma rapariga que esteja disposta a querer ter uma amizade colorida ou pelo menos sexo sem compromisso, sendo que sou autêntico 'xoninhas' e só consigo tentar arranjar amizades virtualmente, que infelizmente até hoje nenhuma rapariga quis mais por exemplo conhecer me pessoalmente?
JP, 25, Barreiro

Doutor G: Caro JP, se o dinheiro não for problema, encontras várias mulheres dispostas a isso na zona de classificados do Correio da Manhã ou em sites da especialidade. Se calhar o teu problema é que começas a abordagem logo com «Olha, queres ser minha amiga só de pinar?» e isso normalmente afasta as mulheres, mesmo que seja apenas sexo que querem. Eu sei, as mulheres são complicadas. Ora bem, isto é como os livres do Ronaldo, vais ter de tentar 30 vezes até marcares um golo e nessa altura toda a gente diz que és o maior e esquece que não tens assim tanto jeito para meter as bolas por cima da barreira. Vais ter de ganhar coragem e abordar raparigas seja em meios online, seja na vida real. Vais ter de as convidar para um jantar ou um café e ser rejeitado muita vez. Pede a amigos ou amigas que te apresentem pessoas livres e disponíveis. É um processo que pode demorar. Tens de ser paciente. Se nenhuma das que conheces virtualmente te quer conhecer pessoalmente, é porque tens de investir na tua personalidade e, se calhar, usar uma foto falsa e combinar com ela depois de uma noite de copos para ela ir ter contigo já bêbeda e não dar pela diferença.


Querido Doutor G, estou a conhecer um rapaz há cerca de 2 meses e, logo na segunda vez tivemos um encontro entre lençóis. Acontece que temos estado juntos várias vezes desde então e nunca mais se sucedeu a luta greco-romana. Apesar de constantemente lhe dar a entender que quero avançar ele evita ao máximo os momentos de intimidade, sendo que ficamos sempre apenas nos beijos (sem amassos!!!). Chego até a pensar que ele possa ter problemas de disfunção erétil ou que era virgem e tem medo que a sua performance não esteja à altura. No entanto, ele continua a demonstrar bastante interesse em estar comigo. Será ele bipolar ou apenas xoninhas?     
Anónima, 20, Beja

Doutor G: Cara Anónima, deixo um fluxograma que te poderá ajudar a perceber o que se passa com o rapaz.
Mas gostei da tua autoconfiança que nem colocaste a hipótese de o problema seres tu. Homem não quer sexo comigo? Deve ter a pila murcha. Parabéns! A sério, as mulheres precisam de mais autoconfiança. No entanto, o meu palpite vai para ele ter outra, tu seres má na cama, ou seres tão boa que lhe partiste o apêndice pingão de tal forma que nos dois meses que passaram ainda está com talas e gelo.


Excelentíssimo Dr G. à já aproximadamente 3 anos que tenho uma pseudo relação com um rapaz. Durante este tempo estivemos cerca de 1 ano sem estar juntos, mas voltamos a nos reencontrar em Dezembro quando fomos ambos a casa passar o Natal. Após a época de exames fomos novamente a casa e foi quando ele me convidou para ir ao cinema, eu aceitei e acabámos aos beijos e alguns preliminares surgiram. Ele disse que não sabia se gostava de mim e que estava confuso, depois disto falamos algumas vezes e quando voltamos à faculdade estivemos juntos mais umas vezes. No entanto, reparei que ele deixava de me responder às mensagens e quase que só falávamos quando ele queria estar comigo, sem ser isso mandava umas três ou quatro mensagens e deixava de responder, como quem não quer que se esqueçam dele... No meio disto tudo conheci um rapaz super interessante, simpático e extremamente cativante, ele é 12 anos mais velho do que eu. O que me faz duvidar se devo realmente investir e tentar alguma coisa com ele, tenho medo que ele me ache uma pita e ache piada neste joguinho de sedução que andamos a jogar... Existem imensas trocas de olhares entre nós e quando ninguém está a olhar ou estamos sozinhos ele acaba sempre por me dar a mão e até já chegou a me abraçar... O que faço Dr G? Preciso da sua ajuda! 
Di, 20, Lisboa

Doutor G: Cara Di, vamos por partes:

  • GAJO 1: Quantas vezes é que é preciso responder à mesma dúvida? Gajo que está interessado vai atrás. Ele ou não está assim tão interessado ou tem outra (hipótese mais provável). Os homens não fazem joguinhos, especialmente quando têm em vista uma sessão de funaná pelado à distância de um telefonema. Os homens não se fazem de difíceis porque os homens são todos fáceis e quando estão minimamente interessados, nem é preciso estarem muito, dizem que sim a tudo e fazem 300km a pé só para não ejacularem em casa sozinhos.
  • GAJO2: Ele deu-te a mão? Malucos! Isso em alguns países é motivo para ele ter de te pedir em casamento e dar dois camelos ao teu pai em troca. Se estás interessada nele e achas que ele está em ti (o que é óbvio já que só se dá a mão a quem se gosta ou a quem vai a cair para a linha do comboio) força nisso. Doze anos não é assim tanto e dizem as probabilidades que não irão ficar juntos para sempre para aos 60 teres de andar a trocar fraldas. Mas, agora te digo, se ele com 32 usa a técnica de te dar a mão e abraços, deve ser bem choninhas. Da próxima vez que ele for para te abraçar vira-te de costas e diz para te abraçar por trás à bruta.
PS: HÁ aproximadamente três anos. Anos disto e ninguém aprende.


Caro Doutor G, namoro com uma rapariga universitária há quase 2 anos e meio e digamos que a nossa vida sexual é uma miséria. No inicio ela rejeitava-me porque tinha medo de engravidar. Passado uns meses, ela começou a tomar a pílula e tivemos a nossa primeira relação sexual que durou uns belos 2-3 minutos, não por minha culpa, mas porque ela estava com dores. Sempre fui muito compreensivo com ela depois e antes disso mas ela evita ao máximo ter relações sexuais. Antes que pergunte, sim, temos sempre uns belos preliminares tendo ela direito a tudo e eu a nada, visto que ela nunca me tocou com as mãos em terrenos mais baixos, dizendo ter vergonha. Hipóteses:
  1. Não gosta de sexo, há pessoas assim e ela pode ser umas delas e por ser tão ‘mente fechada’ não tem capacidade de perceber;
  2. Anda a satisfazer-se de outras formas e por isso não quer nada comigo. Um dia escrevi ‘filme’ no Google do computador dela e a primeira sugestão que me apareceu foi ‘filme porno’;
  3. É lésbica, explicando isso o facto de ter vergonha ou ‘nojo’ do meu material mas pelos vistos adorar tudo que lhe faço antes da penetração;
  4. Não me ama e vê-me como um amigo.
Já tentei falar com ela sobre tudo isto mas ela desvia o assunto e acabamos sempre por não falar nada. Doutor, preciso imenso de ajuda.  
Anónimo, 21, Viana

Doutor G: Caro Anónimo, estamos aqui metidos num bico de obra com mais obra do que bico, não é verdade? Vamos então explorar as tuas hipóteses:

  1. Pode ser. Seja por questões psicológicas e religiosas ou por problemas hormonais, mas se ela nem quer falar do assunto não há nada a fazer.
  2. As mulheres, ao contrário do que se pensa, estão sempre prontas e não se cansam de ter orgasmos como os homens. E, como foi dito na primeira dúvida, a masturbação e filmes pornos só substituem um homem se ele não souber o que anda a fazer.
  3. Hipótese parva, ora repara: sendo tu hetero andavas com um gajo na boa desde que ele só te sugasse o pénis e nunca tivesses de brincar com a enguia trapalhona dele? Não, não é? Pronto, a boca também tem sexo. Aliás, um transsexual pode mudar de sexo, mas a boca continua a ser a de origem.
  4. Pode ser. É bem possível.
Outras hipóteses a considerar:
  1. Ela tem outro.
  2. Tens um pénis a fazer lembrar uma courgette do Entroncamento que aleija a rapariga.
Agora escolhe a que preferires e esforça-te para acreditar. Para finalizar, deixa-me dizer-te que há pessoas incompatíveis sexualmente e que não há nada a fazer e, já agora, mulher que me dissesse que tem "nojo" do meu trombinhas não era digna da companhia do resto do corpo. Quer um, tem de ter o outro. Somos um só. Levava a mal, até.


Caro Doutor G, estou com um grande problema. Tenho um amigo, que é muito bom amigo, mas que nao passa de amigo, porque amigo que é amigo não quer ser mais que amigo (ahhhhh). Já lhe expliquei muitas vezes, assim de forma indireta que queria realmente alimentar-me dele, mas ele simplesmente não reage, não quer acho eu, mas continua sempre a vir falar comigo, eu própria já tentei criar ali uma situação favorável ao acontecimento, mas não acontece nada e eu feita parva, continuo a dizer cada vez mais descaradamente que o quero comer, mas ele diz "ahahahah tens piada". É suposto mandá-lo á merda? é que ele continua sempre a falar comigo, eu não compreendo, e a meter conversa, mas nunca, NUNCA, disse sequer, "também te acho gira" nunca me deu um único elogio, se calhar sou mesmo feia nao é? ou serei demasiado máquina para a carroça dele?
Anónima, 19, Portugal

Doutor G: Cara Anónima, é isso, o segredo é pensarmos sempre que quando alguém não está interessado é porque nós somos demasiado gostosos e intimidamos de tal forma que eles rejeitam todas as nossas abordagens. É bem melhor pensar isso do que encarar a realidade que é a seguinte: ele não está interessado em ti. A estar, tem namorada e gosta do flirt e que lhe subas o ego, mas não tem intenção de estacionar o popó de filet na tua garagem de chicha. Estou a ver que o Doutor G foi de férias e o mundo continua igual: homens sem saber como abordar mulheres e mulheres que pensam «Ele não se mostra interessado... será que está interessado?». Não. Não está. Parte para outro.


Gostaram da surpresa? Não pensem que isto foi inocente, foi apenas uma forma de fazer pressão psicológica e vos dizer que devido a eu ser um poço de fofura deviam comprar bilhetes para o meu primeiro espectáculo de stand-up comedy a solo que vai passar por Lisboa, Porto, Coimbra, Aveiro, Tomar, Guimarães, Braga, Portalegre e Funchal. O espectáculo vai ter um momento Doutor G ao vivo e tudo! Por isso, acho que se insistiram tanto para que o Doutor G voltasse é o mínimo que podem fazer por ele. «Sem pressão, fica na vossa consciência, vocês é que sabem, a sério.», «Não se passa nada, está tudo bem!», «Diverte-te!» e aquelas frases que a minha namorada diz quando eu ainda não percebi que vou dormir no sofá. Onde é que os bilhetes estão à venda? Boa pergunta! Na FNAC e nos locais habituais e neste bonito link da Ticketline: https://ticketline.sapo.pt/evento/por-falar-noutra-coisa-22018





Obrigado a todos e continuem a enviar as vossas dúvidas e problemas para porfalarnoutracoisa@gmail.com. 


Partilhem e façam muito amor à bruta, que de guerras o mundo já está cheio.

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28 de setembro de 2017

Sexo, amor e religião



O episódio desta semana do podcast Sem Barbas Na Língua é dedicado às pergunta e sugestões dos ouvintes. Desde amor, religião a sexo e muitas outras coisas. É ouvir e, se gostarem, subscrevam e partilhem.



Podem ouvir e subscrever o podcast nas seguintes plataformas:
Deixem sugestões de convidados e enviem sugestões para sembarbasnalingua@gmail.com. Obrigado e não se fala mais nisso.

PS: Bilhetes para o meu espectáculo à venda neste link.
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27 de setembro de 2017

A vida c'um sócio escolheu



Da Buraca directamente para LISBOA, PORTO, AVEIRO, TOMAR, COIMBRA, GUIMARÃES, FUNCHAL, BRAGA, PORTALEGRE e arredores! É com grande entusiasmo - e cólicas de angústia - que anuncio o meu primeiro espectáculo a solo de STAND-UP COMEDY (e outras coisas).


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Quando, há cerca de 3 anos e meio, criei esta página e comecei, uns meses mais tarde, a experimentar stand-up comedy, estava muito longe de imaginar que chegaria a este ponto em que subiria a palco sozinho para, durante mais de uma hora, tentar fazer-vos rir. Sempre fui o miúdo tímido que desviava os olhos da professora quando ela perguntava quem queria ir ao quadro. Sempre fui o miúdo introvertido que corava ao ler em voz alta para a turma e que tremia com a folha na mão quando tinha de fazer uma apresentação. Continuo a ser esse miúdo e, sinceramente, não sei porque é que faço isto. Por masoquismo não é que nem na cama gosto disso. Pelo dinheiro também não. Acho que é porque gosto de ver as pessoas a rir e o som do riso a ecoar numa sala (e o dinheiro também dá jeito, claro). Faço para me desafiar. É o meu bungee jumping, sabendo que também terá altos e baixos, mas que no fim, se tudo correr bem, sairei de lá vivo e a querer fazer outra vez. Em Agosto, mal cheguei de férias, fui fazer stand-up em Faro e no sábado, depois de actuar, dei por mim a dizer «Amanhã acabam as férias.». Nem me lembrei que já tinha trabalhado no dia anterior e foi aí que percebi que finalmente estou a fazer aquilo que gosto que é escrever humor e interpretar o que escrevo em vários formatos. Nem senti que fosse trabalho, embora o meu medo de falhar e o meu cagaço de estar em palco me levem a trabalhar muito e a preparar-me ao máximo para diminuir as hipóteses de passar vergonha. Por isso, uma das razões pelas quais tenho escrito menos na página é para ter tempo para me dedicar a isto ao máximo para que seja um espectáculo diferente, com vários momentos que podem falhar, mas que se funcionarem farão a diferença. O que é que isto vai ter:

- Vai ter stand-up. A parte do comedy depende se vocês se rirem ou não.
- Vai ter momentos de hip hop para mostrar que um branco da Buraca sem qualquer flow ou ouvido musical também pode ser rapper. Se o Tony pode ser músico, qualquer um pode.
- Vai ter um momento de Doutor G ao vivo que ainda não sei bem como vai ser. São parvos o suficiente para ir a palco ter uma consulta ao vivo?
- Vai ter um momento Coninhas Gonna Conate onde vou premiar os melhores haters.
- Outras cenas.

Num país que trata mal o stand-up comedy onde muitos donos de teatros não querem ter por acharem que não é digno dos seus espaços pseudo-intelectuais e eruditos, onde muitos donos de bares acham que pagar 20€ e uma imperial é suficiente porque só vais contar umas anedotas e que nem de microfone precisas porque o espaço tem bom som, resta ter esperança que vocês querem ver isto e que vão levar amigos. Sem a vossa ajuda será impossível isto correr bem. Espero que partilhem, identifiquem os vossos amigos e ajudem a espalhar a mensagem porque o Facebook pede-me para meter 1000€ para conseguir chegar às quase 300 mil pessoas que têm like na página e eu não tenho pais ricos. Numa altura em que as televisões pouco ou nada apostam no humor e num mundo online onde o conteúdo é gratuito, os espectáculos ao vivo são uma das únicas formas de se viver disto, especialmente quando se tem um tipo de humor que tenta arriscar e ao qual a maioria das marcas não tem coragem para se associar com medo de quem fica ofendido por tudo e por nada. Infelizmente, começo a perceber que ter opiniões é uma má gestão de carreira, mas sem elas não fazia sentido para mim. Por isso, isto é entre mim e vocês, sem intermediários nem chulos, e o vosso feedback é que interessa e me motiva a continuar. Não vos posso devolver o dinheiro caso vão e não gostem, mas prometo dar o meu máximo para fazer valer os 12€ dos bilhetes que estão à venda nos locais habituais e na Ticketline.


Obrigado a todos os que seguem o que vou escrevendo e me ajudaram a chegar até aqui.

PS2: Já sei que me vão perguntar «E Leiria?», «E Viseu?», «E Algarve?», e «Moimenta da Beira?», mas para já estas são as únicas datas previstas. Há outras cidades em vista, mas ainda estou à espera de disponibilidades por isso não prometo nada. Gostava de ir a todo o lado onde há gente que quer assistir, mas infelizmente é impossível, por isso se puderem vão a uma das outras cidades assistir. Já agora, deixem nos comentários a cidade onde gostariam que o espectáculo passasse que isso pode ajudar a desbloquear espaços e a definir prioridades na agenda.
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24 de setembro de 2017

Apalparam a minha namorada no metro



Vendo que a Joana Amaral Dias propôs uma zona exclusiva para mulheres nos transportes públicos, para evitar o assédio, perguntei à minha namorada se já tinha sido apalpada no metro. Ela respondeu-me: «Fui uma vez.» Achei nojento e senti repulsa! Não percebo que tipo de homens andam no metro que só apalparam a minha namorada UMA vez! Uma única vez?! São todos cegos ou quê? Ou por ela ser tão gira não a apalpam por acharem que não têm qualquer hipótese? Andam os homens deste Portugal a descer-lhe a autoestima para depois ser eu a lidar com as inseguranças dela? Enfim, os homens são todos uns porcos.

A Joana Amaral Dias sugeriu esta medida só para mostrar que é gostosa. «Vejam lá que eu sou apalpada tantas vezes diariamente que preciso de uma carruagem só para mim!». É como quando os homens dizem, casualmente, numa conversa de primeiro encontro, que não usam preservativo porque lhes aperta muito, tentando dar a entender que são donos de um pénis de calibre considerável. Normalmente é treta e não gostam de usar preservativo porque, não tendo volume, perdem-no dentro da parceira.

Embora não concorde com esta medida, penso que pode trazer bastantes vantagens, desde que a zona exclusiva para mulheres nos transportes não seja ao volante.

Desde logo: o facto de um gajo não ter de ceder o lugar uma mulher grávida ou a uma idosa; não ter de apanhar aquelas pitas histéricas que falam alto sobre assuntos sem interesse nenhum «Miga, viste o que a Constança meteu no Insta? Uma foto como Bernardo! C'horror, ela não sabe que ele andou enrolado com a Matilde lá na Católica?»; depois, não tenho de apanhar com aquelas mulheres que se enchem de perfume que cheira a veneno de matar mosquitos; etc. Pensando bem, começo a simpatizar com esta medida... 

Vamos por pontos: um homem que apalpa uma mulher no metro é um atrasado mental que merecia ter um diabo da Tasmânia a roer-lhe os testículos até chegar à próstata; um homem que assedia verbalmente uma mulher, especialmente se ela for menor, é também merecedor de uma chapada à padrasto na garganta. Nisso estamos todos de acordo! No entanto, os homens que fazem isso são uma minoria. Por exemplo, nunca apalpei ninguém e já fui apalpado por um gajo no metro e em discotecas várias vezes, tanto por homens como por mulheres. Sou mais apetecível do que a Joana Amaral Dias que, pelos vistos, só é apalpada por pessoas de um dos sexos. 

Uma vez, na discoteca, estava a dançar e dei um passo para trás, encostando-me, sem ver, a uma rapariga. Pedi desculpa, mas ela virou-se a pedir satisfações e a dizer que eu a tinha apalpado. Calmamente, disse-lhe que nem a tinha visto. Ela insistia e empurrava-me com as mãos e mantive a calma e disse-lhe, novamente, que não a tinha apalpado. Ela começou a gritar e a esbracejar que nem uma arara epiléptica até que cheguei ao meu limite e disse-lhe «Olha bem para ti... tomara tu.». Ficou ofendida porque percebeu que eu tinha razão e virou-me as costas. Não é que eu seja muito lindo, mas a rapariga era um 8, numa escala de 0 a 100. A minha namorada estava ao meu lado e ainda rematou «Olha bem para ti e olha bem para mim, achas que ele precisa de te apalpar?». Fatality! Flawless victory! A autoestima daquela rapariga ficou mais de rastos do que um paralítico atrás do ladrão que lhe roubou a cadeira de rodas. Este episódio serve só para mostrar que é preciso ter cuidado em julgar os homens todos da mesma forma porque ainda há muitos que não apalpam mulheres do nada e que meter esses no mesmo saco só faz com que se tornem umas bestas como eu.

Temo pelo dia que em um homem não pode olhar ou falar com uma mulher sem pedir autorização à Câmara Municipal e que isso faça com que as mulheres fiquem encalhadas como as que apoiam este tipo de medidas.

Ando confuso com a esquerda no tocante a estes assuntos de igualdade de género. Por um lado, vemos o crescimento de uma facção que diz que o género não existe e que o masculino e feminino são criações culturais que deviam ser abolidas e que somos todos iguais biologicamente; por outro, vemos cada vez mais uma luta por espaços privados para mulheres e por quotas em todos os trabalhos (menos nas obras e no transporte e montagem de móveis do IKEA). Esta gente tem de se decidir! Não podem ser as duas coisas! Ou o género não existe e temos de estar todos misturados - incluindo retirar as categorias masculino e feminino dos Jogos Olímpicos e as mulheres nunca mais cheirarem uma medalha - ou existem diferentes géneros e vamos segregar e discriminar positivamente o mais desfavorecido a ver se isto vai ao sítio. Não gosto de nenhuma das alternativas, mas se tiver de escolher vou mais pela primeira, já que assim os balneários dos ginásios serão mistos para que, como homem branco heterossexual que sou, possa objectificar mulheres à vontade.

É um problema o assédio nos transportes públicos? Não sou a pessoa indicada para responder a essa pergunta já que sou homem e, como tal, menos exposto a isso, mas acredito que seja. Acredito que a maioria das mulheres seja apalpada e oiça comentários ordinários de homens mentecaptos. Faz-me mais sentido tornar obrigatório o ensino de Krav Maga a todas as mulheres ou dar-lhes um spray pimenta para a mão. Assim, sempre que as apalpassem, elas poderiam dar um correctivo no homem e educá-lo a não fazer aquilo novamente. Com a separação proposta, os anormais vão continuar a existir, mas com menos oportunidades de o ser. Isto é como gente feia que é fiel: não vale de nada. O problema é real, mas temo que a segregação não seja a solução até porque tenho algumas dúvidas relativamente a esta medida:

Partindo do princípio que no metro esta separação seria feita por carruagens, como é que se controlava? Um guarda que apalpava zonas genitais à porta de cada carruagem? Uma câmara com reconhecimento genital à qual tinhas de mostrar a zona das virilhas? Ou vamos acreditar que as pessoas iam respeitar as leis? Parece-me absurdo pensar que homens que apalpam mulheres incautas fossem respeitar um sinal de proibido. Como se lidava no caso de uma lésbica safadona andar a apalpar o mulherio todo? E as mulheres podiam ir para a zona geral ou era exclusiva a homens? Se pudessem seriam chamadas de promiscuas pelas outras que preferem a segregação criando assim uma maior clivagem entre as próprias mulheres? E nos autocarros? Quem ficava com os bancos de trás que têm uma carga história de segregação tão grande? Os homens? E depois quando eles tivessem de vir para a frente para sair não iriam aproveitar para se roçar tudo aquilo que não tinha conseguido durante a viagem? Estou só a fazer perguntas antes de decidir se essa medida é parva ou tem potencial. Estou a gozar, é claro que é parva. Enfim, não era de esperar que a Joana Amaral Dias soubesse qual é o caminho certo já que ela, como qualquer mulher, tem um péssimo sentido de orientação.
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21 de setembro de 2017

Para a minha mãe tudo fazia cancro



As mães nunca precisaram de grande poder de argumentação pois bastava aquele olhar de quem tenta matar cabras com o olhar para que obedecêssemos, sem questionar a autoridade vigente lá de casa. Até os nossos pais sabiam que quando lhes pedíamos alguma coisa única resposta certa era «Já perguntaste à tua mãe?». Os homens mandam no mundo, mas as mulheres mandam lá em casa! Os primeiros não têm feito um grande trabalho no seu papel, mas temo que se fossem as mães a mandar no planeta vivêssemos numa ditadura em que todas as esquinas estão revestidas a borracha e onde não havia referendos, já que as mães têm sempre resposta a todas as perguntas. Lembro-me de ser criança e tentar enveredar por um encadeamento infinito de "porquês", a tentar contra-argumentar, e chegar sempre a três resultados possíveis como alegações finais da minha mãe:

- Porque sim
- Porque eu sou tua mãe e eu é que sei.
- Porque faz cancro.

O fluxo de conversa era mais ou menos este:

- Posso fazer uma tatuagem do Bolicao?- Não. Isso faz mal.
- Faz mal porquê?
- Porque sim.
- Tu dizes que porque sim não é resposta!
- Faz mal porque eu sou tua mãe e eu é que sei.
- Mas porquê?!
- Porque faz cancro.

Para a minha mãe, tudo fazia cancro quando eu era pequeno: eram as tatuagens do Bolicao; os chupa-chupas Push Pops; os chupões autoinfligidos nos braços; tirar as crostas das feridas; roer as peles dos dedos ou as unhas; coçar borbulhas das melgas até fazer ferida; comer o queijo que saía da tosta e ficava mais queimado; passar muito tempo em frente ao computador; beliscões; escrever a caneta nas mãos ou nos braços; engolir pastilhas; meter o dedo no nariz; ver televisão de perto; ver televisão de longe e esforçar os olhos; ouvir música muita alta com auscultadores; olhar directamente para o sol; respirar o cheiro da gasolina na estação de serviço; mergulhar de chapa na piscina; comer torradas queimadas e não usar protector solar, idem. Sei que nestas últimas até é verdade, mas na altura era difícil acreditar e, tal como na história de Pedro e o Lobo, desconfiava que se uma era mentira, as outras todas também seriam, mas, pelo sim, pelo não, fazia sempre os trabalhos de casa, não fosse ficar com um tumor no cérebro. Quando comecei a chegar à idade em que tinha a mania que era esperto – idade em que ainda me mantenho – dizia «Roer as unhas faz cancro? Então para que é que fumam?», fazendo alusão à hipocrisia de nessa altura ambos os meus pais fumarem e darem-me conselhos oncológicos sobre os perigos de tirar crostas e roer as unhas dos dedos dos pés. Em vez de perceberem que estava ali um potencial campeão mundial de contorcionismo, preferiram cortar-me as asas e as unhas.

Nessa altura, o cancro não metia muito medo já que eram, ou pareciam, poucas as pessoas a receber a sua visita. Ia-se sabendo de um ou outro caso, mas nunca muito próximo para se ter a certeza se a Dona Almerinda tinha morrido por fumar durante 70 anos ou por fazer demasiadas tatuagens do Bolicao. Ficava sempre no ar a incerteza. Por isso, o cancro era uma espécie de criatura mítica, um homem do saco 2.0, que os pais podiam usar sem que se tornasse demasiado próximo. Como na minha casa Deus não existia, era preciso um bicho papão mais real para me meter na linha. «Isso faz cancro» era o «Deus castiga» para os pais ateus. Dizer a uma criança descrente que Deus castiga é o mesmo que dizer-lhe que vem aí um unicórnio dar-lhe uma marrada.

Aliás, Deus tem muito em comum com os unicórnios: nunca ninguém os viu e ambos aparecem em livros de ficção. 

O que é certo é que vamos crescendo e percebendo que quase tudo faz cancro e que mesmo que leves uma vida saudável e evites tudo o que é cancerígeno, ele pode bater-te à porta. O cancro nunca podia entrar num episódio do «E se fosse consigo?» porque o cancro não discrimina ninguém e não é por isso que tem boa fama. Eh lá… que isto está a ficar demasiado sério e tétrico. Voltando a roer as unhas dos pés: sou só eu que não meto um corta-unhas nos pés há anos? Aquilo quando um gajo sai do banho e está mole tira-se facilmente sem qualquer utensílio! E nas unhas das mãos é sempre um stress, sendo destro, quando tenho de cortar as da mão direita. Pareço um daqueles gajos nos anúncios de prevenção rodoviária da DGV com a música Aimee Mann. Se por acaso tenho de cortar as unhas em dias de ressaca é impossível! Tremo por todos os lados e mais vale roer e depois limar numa parede porosa. Já sei por que é que o meu avô com Parkinson tinha sempre as unhas compridas. Pensava que era para o estilo ou para cortar queijo e descascar laranjas e, afinal, não.

A minha mãe, como todas as mães, tem conhecimentos avançados de medicina. A minha mãe é como o Google em que quaisquer sintomas que lhe dês a resposta é sempre cancro. Estou certo que a minha mãe poderia roubar o lugar à Maya e à Maria Helena a fazer biopsias por telefone e sem precisar de cartas de brincar compradas no Papagaio Sem Penas. A minha mãe sempre foi uma mãe galinha e dizia-me, entre muitas outras coisas, para não me esforçar demasiado na natação. Certamente, com medo de que eu ganhasse as provas todas e ficasse todo gostoso e tivesse as miúdas todas atrás de mim devido ao meu corpo de nadador. Sempre quis que eu as engatasse pelo meu intelecto que é o que, aos 33 anos, me resta. Sim, já fiz paz comigo mesmo e com o facto de nunca mais voltar ver os meus abdominais a não ser que apanhe uma daquelas doenças que nos emagrece muito antes de morrermos. Sinto que este texto está a resvalar para o cancro, novamente. É melhor ficarmos por aqui até porque, tal como disse, é chato crescer e descobrir que quase tudo faz cancro. Até o sexo oral desprotegido – que é a única forma de se fazer bom sexo oral – provoca cancro. Epá, tirem-me as tatuagens do Bolicao e as torradas queimadas, mas não me tirem cunnilingus sem papel de celofane e, já agora, se é para me fazerem um felácio com preservativo, mais vale irmos ver um filme.
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