7 de fevereiro de 2018

Filmes que marcaram a minha adolescência



Estava a ver o filme Tekken, baseado no jogo de Playstation com o mesmo nome, no canal Hollywood, e dei por mim a pensar que aquilo era capaz de ser o pior filme de sempre: actores péssimos, falas ridículas, realização amadora - excepto num ou outro plano a focar o rabo de uma das personagens femininas - e cenas de acção que deixavam muito a desejar. Depois, lembrei-me dos filmes que adorava em miúdo e percebi que eram quase todos iguais àquele. Enquanto as mulheres são influenciadas durante toda a infância por filmes da Disney que lhes dizem que basta serem bonitas e casar com um príncipe para serem felizes para sempre, os homens têm, para além desses príncipes, referências e exemplos diferentes. Os filmes que os rapazes vêem, colocam-lhes a pressão de terem de ser heróis: de terem de ser fortes e saber lutar, de terem de conseguir proteger as donzelas e, noutro tipo de filmes, de terem a pila grande.

Lembro-me de ir ao clube de vídeo e vasculhar por todos aqueles filmes os que eram de artes marciais e ofereciam uma boa hora e meia de porrada mal coreografada. Basicamente, se a capa ou o título tinha "ninjas" era para alugar. O ninja americano? Vi. Os três ninjas? Vi três vezes. O Ninja do Anal? Esse o meu pai disse que não era para a minha idade e pensei que fosse por ter demasiado sangue e violência, o que, pensando bem, era capaz de também ser verdade. Os anos 80 e 90 foram feitos do que aos olhos de hoje seriam maus péssimos filmes de acção, mas que marcaram uma geração e se tornaram icónicos. Um bom, ou mau, filme de acção dessa altura tinha de ter uma série de clichés incontornáveis:
  • Armas com balas infinitas. Num filme que já não me lembro qual, contei 21 tiros disparados de um revólver de seis balas.
  • Herói a babar e escorrer sangue, mas que no final arranja forças porque se lembra da mãe, do pai ou da nossa senhora e se levanta e acaba com o adversário;
  • O golpe final do último combate deve ser um pontapé rotativo no ar, especialmente no caso do Van Damme e do Chuck Norris;
  • Uma frase que ninguém diria quando mata o vilão principal;
  • Caminhar em câmara lenta enquanto algo explode em pano de fundo ou correr de algo prestes a explodir e mergulhar para a frente;
  • Carros que batem noutros e levantam voo.

Todos os filmes tinham um ou mais destes bonitos clichés. Nessa altura, o realismo era coisa secundária e se na filmagem ficava bem um carro a explodir depois ao passar por cima de um fósforo apagado, então era para adicionar à acção. Deixo alguns dos filmes desse género que me lembro com mais carinho.

Commando - 1985
Há muitos filmes em que a premissa é: raptaram a filha ao homem errado. Taken, mais recentemente, é um deles e é um excelente filme de acção, mas completamente adaptado de Commando. Ninguém mais errado do que o Arnold Schwarzenegger dos anos 90 para se raptar a filha. Talvez a maior estrela de acção de todos os tempos, fazia filmes em série em que a premissa era ele a matar tudo o que mexia, desde terrestres a alienígenas. Em Commando, o Arnold arma-se até aos dentes e distribui fruta a torto e a direito, matando 81 pessoas neste filme, o que dá quase uma média de uma morte por minuto durante o filme. Valente! É aquele tipo de filme que ainda hoje, se estiver a dar na televisão, fico a ver até ao fim. Marcou tanto a minha infância que perdoo os cerca de 987 erros, desde logo o facto de que se fosse realista, um gajo daquele tamanho ficava cansado nos primeiros cinco minutos do filme. O filme custou dez milhões a produzir em que nove devem ter ido para o Arnold e o restante foi gasto em explosões e figurantes que dão três mortais encarpados à retaguarda quando levam com um tiro. Se é para morrer, é para dar tudo e receber dez pontos do júri.

Força Destruidora - 1988
Talvez seja o filme de porrada que vi mais vezes. Numa altura em que as artes marciais mistas ainda não existiam, toda a gente gostava de pensar se o karaté ganharia ao boxe ou se um mestre de kung fu seria capaz de derrotar um segurança do Urban. Este filme trouxe-nos isso, num torneio sangrento em que cada concorrente tinha a sua especialidade. A do Van Damme era fazer a espargata, claro, habilidade que ele faz questão de mostrar em todos os filmes e que lhe veio a ser útil para ganhar uns trocos no anúncio da Volvo depois de estar um bocado na mó de baixo. Em Força Destruidora, a tradução que alguém em Portugal achou que ficava bem face ao título original Bloodsport, Van Damme faz-se acompanhar de um amigo gordo que também é lutador, embora não seja de sumo. Van Damme limpa toda a gente e no final o chinês grandão mau que fez de chinês grandão mau em todos os filmes que participou, joga sujo e manda-lhe pó para os olhos. O que ele não sabia era que Van Damme tinha sido treinado por um velhote que já desconfiava que ele ia ficar cego um dia e era ensiná-lo a lutar de olhos vendados ou dar-lhe um cão guia. Optou pela primeira e deu jeito. Com um pontapé rotativo no ar, claro, Van Damme lá ganha o torneio e papa a gaja. Clássico. Depois deste, o Van Damme fez mais cerca de 73 filmes iguais, mas passados em cenários diferentes. Depois, meteu-se nas drogas, no álcool e nas prostitutas e ficou na merda. Depois, fez o único bom filme da sua carreira, JCVD, que é muito bom e onde acho que merecia ter tido, pelo menos, uma nomeação para os Oscars. Não estou a gozar, se não viram vejam que é mesmo bom. Juro. Ninguém acredita, mas é verdade. Moral da história: se queres ser bom actor, dá nas drogas todas e perde tudo.

Delta Force - 1986
Para mim, Chuck Norris era só no Walker - O Ranger do Texas. Se isto não é o nome de série mais americano de sempre, não sei qual é. Nos filmes, meh, nunca gostei muito. Sempre achei que tivesse ar de tio e não de lutador, apesar de entre todos, ser o único que teve uma carreira de competição de sucesso nas artes marciais. Ainda assim, nunca gostei dos filmes dele. Tal com o Van Damme, acabava sempre com os vilões com um pontapé rotativo no ar, com a diferença de que o Chuck o fazia em calça de ganga e sapato de engraxar. Classe.

Rambo - 1982
O gajo que inspira toda a gente que vai jogar paintball e que acaba por ser o primeiro a morrer. Primeiro, andar na selva de tronco nu é a pior estratégia de camuflagem de sempre; depois, na vida real, as balas acabam e os adversários, mesmo que cegos, conseguem acertar uma ou outra bala. Nunca fui fã do Rambo e nem me lembro do filme, mas aposto que é isto: um ex-militar decide ter uma vida pacata a pescar ou a fazer renda de bilros, mas dá por si a ter de pegar em armas e ir salvar alguém. Varre um exército inteiro, têm uma faca grandona para aviar malta e para cortar chouriços e queijos pelo caminho, e salva toda a gente. Fim.

Karate Kid - 1984
Um panhonha choninhas aprende a lutar karaté para papar uma gaja que usava permanente. É isto. Diferente dos restantes, já que a acção aqui era secundária, mas a premissa é exactamente a mesma. Foi o melhor que aconteceu a muitos pais do mundo inteiro que depois disto metiam os filhos a lavar e encerar o carro e arrumar a loiça e diziam que era treino de karaté. Todos nós, depois de ver o filme, tentávamos fazer aquele pontapé em que ele parece uma garça com vontade de cagar. O golpe mais inútil de sempre numa luta real. Enquanto estás a levantar a perninha feito flamingo a pisar areia quente, já levaste com uma cabeçada à Cais do Sodré das ventas. 

Kickboxer - 1989
Van Damme a fazer de Rocky que pode dar pontapés. Ganha tudo. Fim.

Máquinas de Guerra - 1992
Com Van Damme e o outro herói de acção, muitas vezes esquecido, e que fazia, muitas vezes, de mau da fita: Dolph Lundgren. O Governo usa corpos de soldados para criar máquinas de guerra perfeitas: soldados alterados geneticamente que não sentem dor e têm bué força e cenas. Acaba como acabam todos os filmes do Van Damme: à porrada, mesmo tendo dezenas de armas de fogo disponíveis ao lado. Já estou no set «Vá, Jean Cláudio, agora pegas na metralhadora e matas o loiro e fechamos isto, ok?» e ele «Tenho uma ideia melhor... pontapé rotativo no ar, que tal?».

Menções honrosas:
  • Steven Seagal: Nunca fui muito fã do Steven. Sempre achei que um homem de rabo de cavalo não podia ser o herói que eu precisava na minha adolescência. Lutava como quem estava a enxotar abelhas e tinha um olhar de quem não está a conseguir identificar as letras da última linha no optometrista.
  • Jackie Chan: as lutas era muito bem coreografadas e ele não usava duplo o que o deixou em coma uma ou outra vez.
  • Bruce Lee: os seus golpes eram tão rápidos que tiveram de ajustar a velocidade das câmaras de filmar no filme Enter the Dragon para os conseguirem captar. Se fosse num filme porno era uma curta metragem. Morreu porque fez alergia a um ingrediente de um analgésico para a dor de cabeça. Andou o Van Damme a dar na droga anos e este 

E pronto, os filmes da minha adolescência foram muito isto. Era porrada ou tubarões. Bem, podem deixar nos comentários outros filmes dentro deste género que vos marcaram. Se quiserem umas dicas de filmes realmente bons para ver, podem ver estas sugestões que fiz em 2014. Porra, este blogue está a ficar velho.
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6 de fevereiro de 2018

Carnaval, fanatismo do futebol, alimentos da moda



E aqui está mais um episódio do excelso podcast Sem Barbas Na LínguaFalamos sobre o Carnaval, o fanatismo do futebol e as personagens que são os presidentes, imortalidade e consciência, abacate, pepino e outros alimentos da moda e muito mais. É ouvir e, se gostarem, subscrevam e partilhem.



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5 de fevereiro de 2018

Virgindade, perder o interesse e cócegas nos genitais



Está frescote, não é verdade? Um minuto de silêncio por todos os feios e encalhados que não têm quem lhes aqueça o corpo nestes dias de Inverno. Já está? Pronto, então vamos a mais um "Doutor G explica como se faz".


Olá Dr. G, tenho 19 anos e ainda sou virgem mas o problema é que eu disse aos meus amigos que já não era para não ser a virgem do grupo. Mas agora comecei a dar-me com um rapaz que é amigo dum amigo meu, só que ele pensa que já não sou virgem, e eu gosto mesmo dele e quero mesmo que a minha primeira vez seja com ele. Eu não sei se lhe conto sobre a minha virgindade ou não?   
Uma virgem, 19, Lisboa

Doutor G: Cara virgem, primeiro do que tudo, deixo uma dica: se sentes necessidade de mentir aos teus amigos então é melhor trocares de amigos. Quanto ao resto, na minha opinião de especialista do chavascal, deves contar-lhe que ainda tens o selo da garantia no pipi. Por várias razões:
  1. Ele pode não querer ser o teu primeiro e está nesse direito, já que pode não querer ser assim tão importante para ti;
  2. Ele, se for um gajo que sabe o que faz, terá mais cuidado e não vai entrar por aí a dentro como se fosse a polícia de intervenção a arrombar portas;
  3. Ele não vai pensar que estás com o período quando, ao tirar o seu Zé Pingão, vir que este vem da gruta com pinturas rupestres no capacete;
  4. Se gostas mesmo dele parece-me correcto não começar uma relação baseada na mentira.
Depois de lhe contares, uma destas coisas vai acontecer:
  1. Ele não se importa porque gosta mesmo de ti e sente-se especial;
  2. Ele não se importa porque não gosta de ti e só te quer comer;
  3. Ele importa-se porque gosta de ti e tem medo de te magoar emocionalmente se a relação não resultar;
  4. Ele importa-se porque não gosta de ti e queria uma gaja com experiência a levar com bandarilhas de chicha.
É ver.


Olá Doutor G. conheci um rapaz há quase meio ano, e desde então falamos todos os santos dias por mensagens. Sempre tivemos uma ótima amizade virtual e desde a última vez há 2 meses que estivemos juntos o clima entre nós aumentou, ao ponto de trocarmos mensagens mais provocadoras e até mesmo de mostrarmos sentimentos um pelo o outro. No entanto ele parece ter medo de se atirar ao bife! Para não falar das vezes que desmarcou encontros comigo. Acontece que desde o ínicio deste ano tenho notado algo diferente nele, a forma como fala, o tempo que demora a responder/o facto de estar online e não responder (sim eu tenho isso em conta), resumindo parece que aquele mega interesse por mim desapareceu. Já o confrontei várias vezes e a resposta dele é que apenas tem estado ocupado (típica desculpa) e não quer de todo afastar-se de mim. Já tentei deixar de lhe falar mas é mais forte que eu, na verdade ele também dá conversa, mas nada como a antes. O que devo fazer? Está mais que na hora de lhe pôr os patins? Ou terei mesmo de ser EU a tomar as rédeas da coisa??    
Uma nova fã, 21, Lisboa

Doutor G: Cara nova fã, se fosses leitora habitual do consultório do Doutor G, saberias que esta é a dúvida mais recorrente das pacientes femininas. Quando um homem parece ter perdido o interesse é porque, imagine-se, perdeu o interesse! Ahhh, que informação dramática! Se nunca se atirou ao bife e se dá desculpas como "estar ocupado" é porque não está para aí virado e isso pode dever-se a uma das seguintes razões:

  1. Só falava contigo para lhe subires o ego e não tem interesse;
  2. Só falava contigo para lhe subires o ego e tem namorada;
  3. É gay e estava a testar-se;
  4. Tem uma micose no escroto que teima em não sarar;
Dito isto, ou lhe fazes um ultimato ou manda-lo dar uma volta e depois se ele vier atrás logo vês. Um gajo pode estar ocupado, mas estando interessado, até no funeral da mãe, se receber fotos de mamas, arranja um tempinho depois da missa para ir enterrar o coveiro zarolho antes do enterro da mãe.


Caro Doutor G, tenho um amigo de infância que se casou há um ano. Ele convidou-me para o casamento mas eu infelizmente tive que cancelar devido a compromissos de trabalho. Eu pedi desculpa pelo sucedido e expliquei as razões para a impossibilidade de eu ir a Portugal para o casamento. Passou-se desde então pouco mais de um ano durante o qual não ouvi mais notícias dele, até outra pessoa me ter dado uma notícia que me levou a contactá-lo. Dei-lhe os parabéns do nascimento do filho e disse-lhe que gostaria de me encontrar com ele. Recebi uma resposta cordial mas sem tentativa de compreender ou reconhecer as razões que eu tinha mencionado há um ano. A minha pergunta é a seguinte: como é que o Doutor G lidaria com esta situação? Aguentaria mais conversas que tentariam dar-me sentimento de culpa, ou punha a amizade em standby?
Anónimo, 29, Lisboa

Doutor G: Caro Anónimo, eu à espera de um «Comi-lhe a noiva.», «Papei a irmã dele», «Fiz o parto do filho dele e tiver uma erecção», sei lá, qualquer coisa irreverente e nada. Uma dúvida de amizade? Mas isto aqui é o "Perdoa-me" e eu sou a Fátima Lopes ou quê? Se te era completamente impossível ir ao casamento, ele só tem de compreender. Pode ficar chateado, mas amigo perdoa, especialmente os homens, as mulheres, por norma, é que ficam remoer merdas para sempre. Os homens só fazem isso com o futebol: «Ai, foi penalti roubado? E aquele na 3ª jornada na época de 1998/99 contra o Chaves? Desse não falas tu!». Ele já tinha pago o casamento e ficou a arder com um lugar vago depois do catering encomendado? Deste-lhe uma cena para a casa como prenda e ele queria um pacote experiência na casa da mãe Kikas? Marca um café com ele e falem, se ele se armar em vítima a querer que tu rastejes e lhe peças desculpa mais uma vez, é dizeres-lhe «Faz testes de ADN ao teu filho porque eu vi a tua mulher com outro a sair de um Motel.». Só naquela de lançar o caos já que uma amizade tão longa, quando é para acabar, é para se ficar com uma história para contar.


Olá doutor G, estou numa relação há dois ano e tenho me deparado com um problema. Sempre que tento por a mão nos genitais do meu namorado e ele não está à espera, dá-lhe uma crise de cocegas violentas e com espasmos que por vezes me magoam. Já nos chateamos varias vezes por causa disto, pois para mim esta relação não faz sentido se ele não me deixa tocar-lhe nos genitais fora do ato. E sim eu tenho a certeza que ele não é homosexual pois é bastante bom no que faz e tem bastante gosto em praticar-me sexo oral. O que faço? 
Anónima, 20, Lisboa

Doutor G: Cara Anónima, o famoso caso da enguia sensível ao toque surpresa. Há, também, o correspondente no caso feminino: a ostra que se fecha com cócegas quando é apanhada desprevenida. É uma consequência da evolução que servia para afugentar os predadores furtivos que atacavam de emboscada. O segredo é antes de lhe meteres a mão, dás-lhe uma joelhada na sacola dos girinos. Vais ver que, a seguir, ele sente tudo menos cócegas. Não há muito a fazer, as cócegas são involuntárias e chateares-te com ele por uma coisa que ele não consegue controlar, é injusto, mas percebo que seja frustrante. A fruta é para apalpar mesmo sem ser logo para comer. Ele que passe uma lixa até ganhar calo, não sei, ou que meta uns cremes para meter o bicho dormente. Pensa que antes isso do que ter cócegas durante o acto, embora os espasmos pudessem ser giros já que te punhas em cima dele e era tipo montar o touro mecânico.


Querido Doutor G, namoro à 2 anos com um rapaz e ele é maravilhoso e muito querido mas à uns tempos pra cá que tenho uma dúvida a latejar no meu cérebro: se devo ou não entregar-me a ele de forma sexual. É que sabe doutor eu sou católica e na minha religião defendesse o sexo apenas para procriar ou seja não posso fazer sexo antes do casamento! Mas eu amo tanto o meu namorado e não sei se aguento esperar até lá, pois a vontade é muita. Ele é impecável até hoje nunca me precionou mas podesse fartar, mas por outro lado também estarei a "trair" a minha religião e vou estar a pecar e depois se o sexo corre mal? E me arrepender?
Nokas, 22, Porto

Doutor G: Cara Nokas, vamos por partes:

  • "há 2 anos"
  • "há uns tempos"
  • "defende-se"
  • "pressionou" - esta deu-me gonorreia nos olhos.
  • "pode-se"
Isto para não falar da pontuação. De resto, como é óbvio, é fazer sexo antes do casamento e quanto mais (e com mais) melhor. Vais comprar uma Bimby sem te fazerem o teste lá em casa? Claro que não. Vais querer provar pelo menos dois ou três pratos (quem percebeu esta analogia que deixe um #trêsPratos nos comentários) e depois logo decides se vale a pena o investimento. Se for uma merda, mais vale arrependeres-te antes do que depois do casamento. O divórcio, para além de dar trabalho e custar dinheiro, também é pecado, por isso mais vale prevenir. A não ser que ele seja rico, nesse caso é continuares virgem para ver se ele se apressa a pedir.


Tens uma dúvida? Precisas de aconselhamento profissional sobre as lides do sexo e dos sentimentos? É uma dúvida de um amigo? Então, envia um email com para  porfalarnoutracoisa@gmail.com e habilita-te a uma consulta totalmente grátis do maior especialista mundial na arte da javardeira com classe.


Partilhem e façam muito amor à bruta, que de guerras o mundo já está cheio.

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2 de fevereiro de 2018

Tipos de pessoa e de fotografa no Instagram



Tenho alguma dificuldade em perceber como funciona o Instagram. Já há uns tempos que tenho o meu (@guilhermercd), mas só comecei a usar mais a partir do momento que desenvolveram a funcionalidade de fazer zoom nas fotos. Não vale a pena especificar o tipo de fotos para as quais isso dá jeito. Não tenho grande jeito para o Instagram, já que 90% das minhas fotos são da minha cadela e os outros 10% são selfies embriagado. Sempre que virem duas selfies seguidas no meu Instagram, é sinal que estou com os copos. Se forem dez é porque vou ter uma daquelas ressacas de dois dias que atormentam o pessoal depois dos trinta. Para melhorar o meu Instagram, fui analisar alguns tipos de pessoa e de fotografia que andam pelo Instagram. Segue uma descrição seguida da minha tentativa de imitar e assim ser famoso no Instagram.

Mamas e rabos
Não sei se é por o Instagram ter um algoritmo que sabe exactamente os meus gostos, mas quando vou à pesquisa, 90% do que me aparece são raparigas seminuas. Uma espécie de galeria soft porn que orgulhará muitos pais. Talvez seja baseado nos gostos dos meus amigos que são todos uns porcos, é possível que sim. Mamas é e será sempre o argumento mais forte à utilização de qualquer rede social e da Internet no geral. Não houvesse mamas, e o ser humano não tinha inventado a tecnologia. Pedra ganha à tesoura que por sua vez ganha ao papel. Papel ganha à pedra, mas mamas ganha a todos.

Abdominais
Não pensemos que são só as mulheres que gostam de mostrar o corpo para ter likes e seguidores. Também há bastantes homens a mostrar o belo do abdominal, seja na praia ou no WC, porque a foto a seguir ao treino com um batido de proteína vale mais do que 500 kcal perdidas na passadeira. Tenho por lema de vida: se a tua fotografia de perfil de uma rede social é de tronco nu, é porque és um palerma.


Animais
Cães e gatos são os únicos que disputam o pódio da Internet com as mamas. A própria da minha cadela tem um Instagram (@diariodeumabitch), mas não é daqueles criados por donos malucos que não têm mais nada que fazer na vida. O da minha é uma paródia a essas, com uma cadela que diz asneiradas porque veio do gueto. O objectivo é um dia ela ser influencer canina digital para ter ração à borla. Veio do canil, tem de começar a render que isto ninguém dá nada a ninguém.

Pessoas distraídas
O Instagram está cheio de paparazzis que tiram fotografias a pessoas distraídas a olhar para o horizonte. São essas mesmas pessoas que depois publicam essas fotografias no próprio Instagram, pelo que calculo que esses paparazzis sejam como os fotógrafos de casamento ou do Zoomarine que tiram a fotos e vão impingi-las e quem compra é sempre por ter vergonha de se não o fizer estar a dar ar de pelintra.

Lentes de contacto perdidas
A famosa foto de blogger de moda/fashion diva/influencer brand digital/palerma que tira a fotografia como se estivesse à procura das lentes de contacto no chão. Percebo, já que na maioria dos casos esconde um bocado a cara e ajuda a manter a ilusão de que é bonita na vida real. Por norma, é uma armadilha e não são assim tão giras, tal como aquelas todas que vemos de rabo de cavalo, óculos escuros e a conduzir um SMART, MINI ou Fiat 500. Enganam sempre. A única razão aceitável para ter uma fotografia a olhar para o chão é à noite, com os copos, à procura da chave de casa que caiu do bolso, só com um olho aberto que é para conseguir fechar, e um amigo nosso acende a lanterna do telemóvel para ajudar e tira uma fotografia sem querer.

Comida
Para uma criança subnutrida africana o Instagram é uma espécie de casa de strip em que não deixam tocar nem comer. Esta moda começou apenas em ocasiões especiais: um bom restaurante, um bom cozinhado feito em casa, etc. Agora, é por tudo e por nada e até um rissol de carne da estação de serviço de Aveiras merece uma fotografia no Instagram. Menos, minha gente. Calculo que o Instagram dos chineses esteja carregado de fotografias de gafanhotos, larvas e aranhas. Isso para além de ter ainda muito mais fotografias de cães, claro.


Fotógrafos "profissionais"
Antigamente, qualquer macaco com uma máquina DSLR achava que já era fotografo profissional, agora qualquer um com um smartphone e meia dúzia de filtros acha que uma foto do pôr-do-sol em Belém com a hashtag #sunset é digna do prémio da National Geographic Photo.

Fotos do verão em pleno inverno
O aquecimento global está a trocar as estações e deve ser essa a razão pela qual o meu feed de Instagram está cheio de gente na praia em pleno Inverno. Gente que guarda fotos propositadamente para isso só para parecer que tem férias o ano inteiro e esquecer que está no escritório sem janelas, a acordar antes do sol nascer e a chegar a casa já de noite.

Influenciadores a promover merdas
Exemplo: rapariga voluptuosa cujas fotografias se cingem a mostrar o decote, com mais de 300 mil seguidores, publica fotografia - a mostrar o decote até porque ter coerência na linha editorial é importante para fidelizar seguidores - com um creme na mão, totalmente casual, a dizer que adora aquele creme. Boa jogada das marcas, até porque desses 300 mil seguidores, 299 mil não são gajos rebarbados que fazem zoom nas mamas da rapariga nem nada. É mesmo o público que vai comprar o creme para a celulite. Há marcas que são burras que nem calhaus.

Bebés
Claro que o Instagram tinha de ser uma espécie de ementa de pedófilos. Grávidas e bebés por todo o lado. Publicar uma fotografia do bebé com um emoji a tapar a cara já é bem parvo, mas ter pessoas a comentar essa mesma foto com «É tão lindo!» é de perder a fé na humanidade. Os pais têm sempre problemas em mostrar a cara do filho porque na maioria dos casos parece ratazanas acabadas de sair do banho. No entanto, quando é para o bebé ganhar cremes e concorrer a passatempos, aí até metem fotografias deles nus. Tudo bem que podem ser raptados por um pedófilo, mas a possibilidade de ganhar um pacote de fraldas compensa o risco.

E pronto, espero que tenham recuperado do choque da primeira foto. Este texto foi só mesmo para promover o meu Instagram. Sinto que tenho de diversificar para as marcas me darem cremes que agora estou a chegar aos 34 e vou começar a precisar de disfarçar as rugas. Podem seguir-me em @guilhermercd e, já agora, podem seguir o da minha cadela (@diariodeumabitch) que é bem mais interessante, até porque ela tem 8 mamas para mostrar. Podem partilhar este texto à vontade que o meu rabo de esquilo precisa de atormentar mais pessoas.
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31 de janeiro de 2018

Pessoas estúpidas e a selecção natural



E é dia de mais um episódio do magnífico podcast Sem Barbas Na Língua. Neste episódio falamos de pessoas estúpidas e a selecção natural; mortes irónicas e massacres religiosos; coisas que nos fazem comichão e muito mais. É ouvir e, se gostarem, subscrevam e partilhem.



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30 de janeiro de 2018

Celibato, ejaculação precoce e animais de estimação



Como é, meus caros? Estamos rijos e com vontade de ajavardar com classe? Vamos, então, a mais uma consulta "Doutor G explica como se faz".


Olá Dr. G, acontece que sou comprometida e feliz há 2 anos e ele pediu-me em casamento e vamos casar daqui a dois anos. Mas o problema é que eu tenho um gato há 3 anos e fui eu que sempre cuidei dele e o meu namorado diz que não quer esses bichos nem nenhum a viver na casa dele. Não sei o que faça, eu sempre adorei bichos. Ajude-me.    
Olga, 27, Lisboa

Doutor G: Cara Olga, é uma situação comum, infelizmente. Como só vão casar daqui a dois anos, é esperar e ver se o gato morre, entretanto, ou se a vossa relação não dura até lá. No entanto, o meu conselho é que metas já o animal para adopção a ver se alguém lhe pega. Quando digo animal, refiro-me ao teu namorado, claro. Por falar em animais, vou estar numa noite de stand-up comedy solidário, juntamente com outros humoristas, promovido pela ONG ANIMAL, que será já dia 3 de Fevereiro, em Cascais. Reservas e informações neste link.


Boas Dr. G. estou a estudar Teologia neste momento, não num seminário (apesar de ter feito o seminário até ao 10º ano). A ocorrência é que estou a caminho de um impasse na minha vida. Tenho namorada, no entanto a minha vocação não me parece completamente definida e desde que ingressei no curso de Teologia que me fascina outra vez esta opção do presbitério (grande parte dos professores são padres e vê-los com modelos de vida é extraordinário), e não deixo de pensar que a minha vocação possa ser, desde já, a ordenação e a pregação a tempo inteiro da Boa Nova. A inquietação está em como perceber a minha vocação - marido ou presbítero? Existe algo que possa fazer para testar? Não consigo deixar de pensar no amor que tenho pela minha namorada e no amor que tenho por Jesus Cristo. Desde já um muito obrigado, Que a paz de Jesus Cristo esteja contigo. 
Anónimo, 23, Porto

Doutor G: Caro Anónimo, há uma forma fácil de testar: quando rezas ficas de pau feito e Jesus faz-te um bico? Se não for esse o caso, escolhe antes a namorada que me parece que ela faz mais por ti do que Jesus que, aliás, nunca pediu a ninguém que deixasse de pinar por causa dele. Se Deus nos deu o orgasmo (e às mulheres os múltiplos) não foi para ficarmos com as miudezas a ganhar bolor.


Caro doutor, no meu último envolvimento andamos a ali a enrolar no vai não vai e não passava dos amassos, mas eu sempre quis experimentar praticar o amor com ele, pois ele era de raça negra e sempre tive curiosidade. Um dia lá avança-mos. Eu tinha grandes expectativas, mas no fim, acabei extremamente desiludida, "not even a minut?". Agora não sei se devo dar uma segunda oportunidade e achar que a primeira correu mal e que a segunda vai ser melhor ou desistir simplesmente.
A, 20, Guimarães

Doutor G: Cara A, primeiro, parece-me que é um pouco racista quereres experimentar o rapaz só porque ele é de raça negra, mas pronto, é uma espécie de discriminação positiva e preenchimento de quotas, por isso deixo passar. O que não posso deixar passar é a palavra "avança-mos". Fiquei com urticária e se por acaso isto fosse o chat do Tinder e me escrevesses isso, a minha enguia trapalhona escondia-se mais depressa do que uma tartaruga a ouvir o grasnar de uma gaivota. Fiquei tão baralhado que até li "not even a minete", pensando que o rapaz tinha descurado os preliminares. Depois, percebi que estamos a falar de um caso de ejaculação precoce que nem espaço para preliminares teve. Tudo depende: ele achou que o tempo foi normal e ficou satisfeito ou pediu desculpa pelo sucedido? Se foi o primeiro caso, acho que não deves dar uma segunda hipótese já que estamos na presença de um homem egoísta - que são a maioria. Se foi o segundo, é encarares como um elogio e dares uma segunda oportunidade onde ele, provavelmente, se irá esforçar. Não te esqueças que sendo ele negro, não pode ter erecções durante muito tempo senão falta-lhe sangue no cérebro e desmaia.


Boas caro Doutor! Estive namorado 3 anos, entretanto tudo acabou. Passados uns tempos, comecei a falar com umas miudas e tal, a coisa correu bem com uma, ja existia quimica, porque ja nos conheciamos antes e existia conversas quentes mas devio a ela estar namorada nunca foi nada para frente. Mas deixamos de nos falar durante uns tempos, que acontece foi que eu terminei o meu ela terminou o seu, e as conversas voltaram ao que eram, até que chegou a altura de acontecer beijos e conhecer o sistema de cada um! Sempre com ela a dizer que nao cria passar nada disso, visto que tinhamos uma boa amizade, o que acontece certo dia sem mais nem menos deixa-me de me falar, tentei saber que se passou mas sempre sem resposta.   
Anonimo, 22, Lisboa

Doutor G: Caro Anónimo, ela arranjou outro. Fácil. Limpinho, limpinho. Nem vale a pena pensares mais. Deixo um fluxograma para te ajudar a perceber:
Ou isso, ou deixou-te porque não sabes escrever e ela «cria» um homem com pelo menos a quarta classe feita. Passem as dúvidas no corrector, é o mínimo que podem fazer em consideração com o Doutor G, que presta serviços de forma gratuita. Esta dúvida até me deu refluxo gástrico e cancro nos olhos.


Doutor G, escrevo-lhe aquilo que todos os dias está nos meus pensamentos: Será que ler o 'Doutor G explica como se faz' me está a tornar viciada em sexo e assuntos do género? Isto é: o facto de acompanhar, assiduamente, o seu blogue está a tornar-me "obcecada" em matéria de sexo? Ou significa que gosto de me intrometer e conhecer a vida sexual de outras pessoas? 
Ana, 24, Lisboa

Doutor G: Cara Ana, embora gostasse de acreditar que o Doutor G tem o poder de viciar as pessoas em sexo, especialmente as do género feminino, e apenas através da escrita e não da sua prática, temo que o mérito não seja meu. Devia ser apenas um lado teu que estava adormecido e que acordou ao ler tanta javardeira com classe. Deixa-me dizer-te que sinto que esta dúvida pode ser considerada como assédio à minha pessoa e que há aí um convite implícito para uma consulta privada. No entanto, vou esperar que um dia sejas famosa e recebas um Globo de Ouro para me ir queixar às revistas.


Caro Dr. G, conheci uma rapariga há 2 ou 3 meses, ela tem 20 eu tenho 29 e gosto dela e ela sabe isso. Já falei com ela e disse-lhe abertamente que queria ter algo com ela, não para ajavardar ou apenas aproveitar-me de uma fraqueza que, quiçá, ela tenha, mas sim começar um namoro minimamente decente. Continuamos a falar e a ser amigos, mas ela ate agora ainda não se decidiu e tem dias que fala bem, manda msgs, telefona, trata-me com carinho etc... há outros que nem bom dia me diz. Ajude-me Dr. 
Anónimo, 29, Setúbal 

Doutor G: Caro Anónimo, se ela ainda está a decidir é porque já decidiu que não quer nada sério contigo. Continua a falar contigo de vez em quando porque gosta da atenção que tu lhe dás e gosta de ter um banco de suplentes recheado, que é para conseguir lutar em todas as frentes e fazer boa figura na Europa. Deixa que seja ela a tomar a iniciativa e deixa de lhe dar tanta atenção. Já fizeste a tua parte e abriste o teu coração, agora é esperar e ver o que acontece. Talvez o teu erro tenha sido dizeres-lhe que não a querias para ajavardar. As mulheres, embora digam que não, gostam que um homem olhe para elas como o Lobo Mau olhava para a avozinha do Capuchinho Vermelho. Capuchinho Vermelho pode ser uma metáfora para o capuz do clitóris, sendo que, se estiver vermelho, é melhor ela ir ao médico.


Está feito. Não esquecer que o Doutor G vai estar presente no último espectáculo desta minha primeira tour, dia 16 de Fevereiro, na Damaia. É coisa para esgotar, por isso agarrem os vossos bilhetes na FNAC ou neste linkObrigado a todos e, como sempre, até para a semana e continuem a enviar as vossas dúvidas para porfalarnoutracoisa@gmail.com. 


Façam muito amor à bruta porque de guerras o mundo já está cheio.

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