14 de março de 2018

Fui a um bar de hipsters e gente estranha



Fui sair à noite numa das novas zonas alternativas de Lisboa, o Intendente, outrora local de toxicodependência a céu aberto e agora zona in, mas ainda com muita droga. Pelas ruas vi pessoas que não percebi se eram artistas ou sobreviventes da epidemia da heroína que assolou aquela zona no passado recente. Uma ou duas cervejas e dei por mim num bar em que parecia estar numa realidade paralela: daqueles típicos bares que são uma casa, onde se sobe umas escadas de madeira como quem vai visitar a avó; composto por várias salas e espaços e, até aqui, nada de estranho. O que me chamou à atenção foi a fauna local. Parecia estar num filme antigo do Woody Allen, mas com menos orçamento para o guarda-roupa. Gente alternativa, hipsters, artistas e outros sinónimos que se usam para apelidar "gente estranha". Ali, o bigode está na moda, mais nos homens, mas também em algumas mulheres. Parecia uma after party da selecção de Portugal dos anos 80! Havia muitas boinas e daqueles barretes que parecem meias na cabeça; havia óculos de massa; havia camisas de flanela e blazers de bombazine. Nas mulheres destacava-se aquele penteado meio rapado ou de franja cortada com a mesma perícia que eu cortava o cabelo às Barbies da minha prima só para a irritar, fazendo com que se assemelhem a um caniche que foi tosquiado pelo Andrea Bocelli. Homens e mulheres, todos com aquele ar de quem passa duas horas em frente ao espelho a esforçar-se para ter aquele look de "estou-me a cagar para as modas porque sou bué único e singular", ficando iguais a todos os outros que pensaram o mesmo e foram a esse bar. 

Todos tinham aquele ar de quem diz "Agora estou aí com um projecto", sabem? 

Aliás, ouvi esta conversa:

- Ganda Mário, o que é que tens feito?
- Estou aí com um projecto, agora.
- Olha, também eu. De quê?
- Ainda não posso falar muito, mas digamos que vai revolucionar o paradigma.

Claro que vai, Mário. Claro que vais fazer uma disrupção no mercado com a tua nova cerveja artesanal que deixas a carbonatar dentro de uma garrafa de litro e meio acondicionada no rabo. Sim, é premium e exclusiva porque só lá cabem duas de cada vez. O Mário tinha um copo de vinho numa mão e uma cigarrilha na outra, claro. O outro amigo, que também tinha um projecto, provavelmente uma plantação de rúcula biológica, estava a enrolar um cigarro, tinha óculos redondos e vestia-se como se tivesse acabado de ir a um concerto do Zeca Afonso.

Ao ver toda esta gente, eu e os meus amigos criámos o jogo: Poeta, músico ou sem-abrigo? É mais complicado do que parece, garanto-vos. Casaco roto, boina e bigode? É poeta. Bigode, cabelo grande e uma camisa apertada até ao último botão? Teclista numa banda que faz música experimental. Roupa velha, meio encardida, dois números acima ou abaixo do tamanho ideal, com cabelo despenteado e a cheirar mal? Pode ser sem-abrigo ou qualquer um dos outros, nem contemplando os que deviam ser actores que estão em cena num teatro qualquer vazio com a sua peça surrealista. Havia um que tinha a roupa toda suja de tinta e que tanto podia ser sem-abrigo ou pintor, fosse de casas ou de telas artísticas numa garagem algures em Marvila. No meio de toda a aquela gente, os alternativos éramos nós. Nós e uma rapariga com ar de seca, com um vestido preto e justo, casaco cor-de-rosa e maquilhada, irrepreensivelmente, que ia olhando para o telemóvel como quem começava a perceber que tinha sido enganada e que, afinal, já não iam ao Urban.

Não interpretem a minha descrição como pejorativa, o bar era giro e gostei do ambiente até porque que os hipsters têm uma vantagem: quando bebem não ficam agressivos. Ficam a contemplar o universo e o sentido da vida, a ter conversa intelectuais ou no seu canto sossegados. Vi um gajo tão bêbedo, encostado a uma parede, com o copo na mão, baixando e levantando a cabeça em loop.

Fazia lembrar aquelas personagens de alguns jogos de computador com as quais temos de falar para desbloquear alguma coisa ou para entrar numa side quest.

Era daqueles tão hipster que nem se considera hipster porque os hipsters já são demasiado mainstream. Tenho pena de não ter uma foto para vos ilustrar, embora se uma imagem valesse mais de mil palavras, ninguém fazia legendas para os filmes, mas receio que a minha capacidade descritiva não faça justiça à realidade. Pensem em alguém acabado de sair de uma aula de palhaço no Chapitô a ser convidado para sair à noite e dizer «Vamos, mas tenho de ir a casa trocar de roupa.» e dizerem-lhe «Não é preciso, vamos ali a um bar no Intendente.». Imaginem o Stevie Wonder a entrar na Primark, tendo apenas dois minutos para escolher umas calças, camisola e casaco. Era muito isto. Vi um rapaz com um penacho na cabeça, tipo palmeira bonsai, com uma fita vermelha na testa e com as calças rasgadas de quem acabou de tentar roubar uma costeleta de novilho a um leão. A meio de uma conversa, diz:

- Acho que o abstraccionismo de Kandinsky é sobrevalorizado.

Ya, claro que é, Roberto que aluga um quarto na Mouraria e que passa as tardes a trabalhar/beber cervejas no hub criativo. Claro que o Kandinsky é sobrevalorizado. Aposto que os rabiscos que fazes numa folha de papel enquanto estás ao telefone a pedir uma pizza vegan são muito mais artísticos.

Outra característica deste bar é que os tempos de espera para pedir uma bebida ainda eram maiores do que o normal. Os artistas frequentadores deste estabelecimento nunca pedem uma cerveja directamente, pois, armados em connoisseurs, têm sempre de perguntar primeiro "Quais é que tem?"; "E vinho? Ao copo? Tem a carta?". Depois, perguntam por cocktails que ouviram uma vez alguém pedir num filme do Ingmar Bergman e, no fim, acabam por beber uma Super Bock ou Sagres, em copo de plástico, como o comum dos mortais. Estava tão absorvido por aquele mundo novo que nem me lembro da música que passava, sinceramente. Talvez fosse apenas silêncio e estática, segunda faixa do primeiro álbum de uma banda dinamarquesa que nunca ninguém ouviu falar e que é uma experiência auditiva com raízes no surrealismo abstracto. É possível que fosse algo desse género porque neste tipo de ambientes, tudo é arte e uma experiência. Até te podes masturbar num canto, a olhar fixamente as mulheres, que tens sempre a desculpa de que não é assédio nem atentado ao pudor, mas sim uma interpretação viva da instalação artística do russo Punhetovsky.
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13 de março de 2018

Sozinha ou mal acompanhada?



O dia está a correr-vos bem? Não me interessa, escusam de responder. Vamos a mais um "Doutor G explica como se faz".


Boa noite Dr. G, tenho 29 anos, e um jeito terrível para os homens. Como rapariga tímida e tardiamente desvirginada, comecei a usar o Tinder. Aconteceu, sempre que me encontrei com alguém, uma de duas coisas: ou o rapaz se revelava um autêntico bronco e eu dava um fora, ou eu me deixava encantar e acabava magoada. Não percebo que raio de cérebro é o meu que se apaixona com tanta facilidade e sinto que isto me está a impedir de estar com alguém de forma descontraída. Será o relógio biológico?? Serei uma mulher desesperada?? Eu, que até me considero bastante autónoma, com uma carreira sólida, e que nunca estive numa relação propriamente dita, acho isto deveras assustador.
Anónima, 29, Coimbra

Doutor G: Cara Anónima, cada caso é um caso e cada um é como cada qual. Aquele frase que não diz nada, mas que as pessoas usam só para parecer que são sensatas e tolerantes. Dizem alguns estudos que li na Internet que o cérebro das mulheres está programado de forma diferente e que os químicos que libertam aquando do orgasmo enganam o cérebro a pensar que está apaixonado. Isto deve-se à selecção natural e servia para que, sendo o sexo apenas para procriação, a mulher sentisse uma ligação ao parceiro para que não rejeitasse as crias, por exemplo. Ou seja: quando a trancada é boa, melhor do que as transactas, a mulher tende a apaixonar-se mais facilmente do que o homem, sendo que o homem mais facilmente diz que está apaixonado para ter funaná pelado outra vez. Se queres ter uma relação casual e descontraída o segredo é evitar certas situações:

  • Dormir em casa do sujeito ou deixar o sujeito dormir em tua casa, isto depois do esconde a morcela;
  • Não enviar mensagens de boa noite nem de bom dia;
  • Não usar emojies com corações;
  • Evitar jantares e cinemas;
  • Não conversar muito por mensagem e deixar a conversa para os encontros reais e apenas cinco minutos antes do sexo;
  • Usar a posição da canzana ou reversed cowgirl para evitar o contacto visual durante o encaixe de chicha.
É isto. Relaxa que tens 29 anos, ainda tens muitos anos pela frente para ficar uma senhora de meia-idade que vive com dez gatos. E, mesmo que assim seja, antes só que mal acompanhada. Quer dizer, se é para ficar bem acompanhada troca os gatos por cães. Pxii, boca para o barulho!


Caro Doutor G, sou uma rapariga jovem e nunca pratiquei o amor nem nunca estive com um homem. Pois só me aparecem gay's à frente. E também não tenho nenhum amigo jeitoso com quem me possa envolver profundamente. Devo converter-me já ou ainda há esperança. Como é que resolvo este problema? As minhas amigas dizem que não sou super feia, tenho os dentes todos e prestes a ficarem alinhados e não tenho qualquer tipo de atraso mental.
Jéssica, 22, Lisboa

Doutor G: Cara Jéssica, não me parece que o problema seja só te aparecerem gays à frente, parece-me que o problema pode passar pelo facto das tuas amigas dizerem que "não és super feia". Repara que são as tuas amigas a dizê-lo e eu bem vejo no Facebook e Instagram as amigas a comentarem as publicações umas das outras com um "És linda!" e "Maravilhosa como sempre" em fotos de camafeus. Por isso, não confies muito no que elas te dizem. Teres os dentes todos é um bónus, mas estarem prestar a estar alinhados não funciona bem a teu favor, ainda. Como se pode ver no Shark Tank, os investidores só pagam pelo que a empresa vale actualmente e não pelo que ela vai valer daí a cinco anos. Sim, o potencial é importante, mas nunca se sabe quanto tempo vai demorar e qual o resultado final. No entanto, um dente ou outro fora do sítio dá carisma e piada a muito boa gente. Não teres um atraso mental não joga a teu favor, já que a maioria dos homens gosta de mulheres burras porque são inseguros e, na sua maioria, burros, também. Dito isto, há sempre esperança. Os feios também são felizes, mas é preciso ter noção da liga onde se joga. Sim, podes sempre tentar ir à Champions, mas no fim da época não há mal em reconhecer que não ter descido de divisão já foi uma sorte.


Olá doutor, passa-se o seguinte: há pouco mais de um ano apaixonei-me loucamente por uma rapariga. Duas semanas passadas e ela meteu conversa comigo por causa de outro assunto. Falámos muito durante vários dias seguidos e, quando eu disse que gostava muito dela, ela respondeu que já tinha um namorado há dois anos e que queria ficar com ele para sempre. Hoje em dia continuo a falar regularmente com ela, sendo que somos muito amigos, talvez na esperança que algo corra mal naquele namoro e que a chicha sobre aqui para o menino. Devo continuar a alimentar esta falsa esperança de namoro ou afastar-me?
J, 18, Alentejo

Doutor G: Caro J, se são muito amigos porque estás na esperança de molhar o bico, então é porque não são assim tão amigos, pelo menos tu dela. Ora bem, a resposta é simples: se ela te disse directamente que tinha namorado e queria ficar com ele para sempre, é porque nunca vai querer nada contigo a não ser que o namorado acabe com ela e ela precise de um saco de pancada genital para expulsar o capeta de dentro dela. No entanto, será sempre passageiro e vais ser o chamado "rebound sex". Tu é que sabes, a minha cadela também fica com o focinho apoiado nas minhas pernas enquanto eu janto, a fazer olhinhos de cadela abandonada, na esperança que eu lhe dê uma migalha. Às vezes tem sorte, outras nem por isso. No entanto, quando lhe dou alguma coisa, é sempre só um bocado e não tudo como ela queria. No fim, acaba sempre a comer a ração seca. Agora, tu é que vês se queres esperar pela migalha ou se vales mais do que isso e não queres ser como a minha cadela que não tem amor-próprio nem se valoriza. Já agora, a minha cadela tem a melhor conta de Instagram do mundo que podem seguir aqui @diariodeumabitch.


Até aos 18 anos nunca tive uma relação amorosa, até que 3 rapazes aparecem na minha vida no espaço de ano e meio. 
1º) Apaixonei-me por um amigo que não via há 4 anos porque tinha emigrado,  ele regressa e deixa-me plantada variadas vezes, diz-me que se encontrou com uma ex e que se envolveram e descobri ainda que já tinha levado um tiro na cabeça.
2º) Com este a perder pontos, comecei a desenvolver sentimentos por outro amigo que ora me dava para trás ora se metia comigo, até que um dia também me deixou plantada com a desculpa de que teve de ir cortar lenha para o meio do pinhal sem telemóvel.
3º) Outro rapaz mete conversa comigo, vai-se a ver, este tinha ideia de fugir de casa e quando perguntei "E comida?" ele responde "Eu tenho tudo planeado. Levo uma mochila com bolicaos." 
Agora, o 1º aparece agora a insistir com pedidos de amizade, o 2º levou 2 anos a parar de enviar mensagens de mês a mês, e o 3º não durou mais de 1 mês. Com gente tão complicada nunca cheguei a envolver-me com nenhum, nada de beijos, só mesmo dores de cabeça. Será possível que os rapazes de hoje são as verdadeiras princesas?
Rita, 21, Coimbra

Doutor G: Cara Rita, esses rapazes não são princesas, vamos por partes:

  1. Este não é princesa e simplesmente cagou para ti porque queria era a ex. Acontece. Já tinha levado um tiro na cabeça? Bem, gostas deles a babar-se, está visto;
  2. Este é exactamente o caso do primeiro, mas não foi honesto contigo. Tinha outra em vista, ia dando para trás ou metendo-se contigo consoante o progresso com a outra. Ir cortar lenha para o meio do pinhal sem telemóvel é uma metáfora para "rachar a outra ao meio e não quis saber mais de ti".
  3. Este faz-me crer que andas a tentar engatar gajos à porta do infantário.
Pronto, é isto. Sorte a tua que não te envolveste com nenhum porque nenhum deles gostava de ti a sério. Se queres só sexo e não tens autoestima, aproveita o primeiro que a ex já lhe deve ter dado com os pés outra vez e deve estar disponível. Se queres sexo, mas não queres quem já te deixou plantada, espera que mais virão. Tem é sempre cuidado que se algum te parecer que é avantajado, pode ser só um bolicao no bolso.


Caro dr. G, desde há algum tempo que me dedico ao estudo da luta greco-romana, que isto de ser uma javarda do sexo feminino tem muito que se lhe diga e eu já me considero licenciada. No entanto há uns 4 meses comecei a estar com um rapaz com quem tenho uma grande relação intelectual, mas que em nada se comparava com o êxtase do nosso truca truca. Era a todo o dia, a toda a hora e de todas as formas possíveis. Infelizmente vi-me obrigada a acabar a tal relação devido a fatores externos, e passámos algum tempo separados, indo apenas beber um café de vez em quando para manter a conversa em dia. Mas como a vida não é feita de cafés e uma rapariga tem certas necessidades, voltámos a envolver-nos. A verdade é que a nossa relação intelectual e emocional não poderia ser melhor, no entanto no que toca à luta debaixo dos lençóis (onde nunca antes houve qualquer problema), as coisas pura e simplesmente deixaram de funcionar. Ele quer e tem ainda mais vontade que eu, mas na hora H o elevador não sobe. Já tentei TUDO, e sei que pode ser apenas por causa de stress, mas isto já dura há uma semana e, por muito que ele me deixe mais que satisfeita de outras maneiras, sinto saudades de levar com o mastro levantado. Há alguma coisa que eu possa fazer?
Anónima, 25, Porto

Doutor G: Cara Anónima, portanto, quando dizes que tiveram de acabar devido a factores externos, estás a querer dizer que ele arranjou namorada, certo? Assumindo isso, depois envolveram-se e ele ainda tem namorada, certo? Entretanto, o sistema hidráulico dele deixou de funcionar, certo? Juntando um mais um, chegamos à conclusão de que o peso que ele tem na consciência lhe é transferido para a glande, o que leva o zé pingão a não ter musculatura suficiente para erguer a sua magistral coroa. Ou isso ou tu estás mais gorda.  #bojardadodia.


O Doutor G não vive sem a vossa dor e angústia, por isso, até para a semana e continuem a enviar as vossas dúvidas para porfalarnoutracoisa@gmail.com. 


Façam amor à bruta porque de guerras o mundo já está cheio.

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8 de março de 2018

Falta de Chá na SIC Radical



Parece que isto vai acontecer. Quando? Amanhã, sexta-feira, dia 9 de Março, às 16:15h na SIC Radical. A primeira temporada do Falta de Chá vai ser transmitida, um episódio por semana, com repetições com fartura para toda a gente ver.


A televisão pode não ter o poder de outrora, mas continua a ser o grande selo de qualidade e a melhor forma de colocar alguma coisa no mapa. Ser "apenas" um projecto da net ainda é visto de lado por muitas marcas e pessoas do meio. Por isso, o objectivo desta reposição é a satisfação pessoal de ter essa aprovação de um canal com grande passado na comédia portuguesa e, também, levar a série a mais pessoas e a outros públicos. Por isso, obrigado a todos vós que apoiaram a série desde o início, já em 2016, e que lhe deram visibilidade para agora tentar outros voos.

Apesar de eu e o Ricardo Cardoso sermos génios, mais eu, obviamente, esta série nunca teria acontecido sem o apoio e participação de muitas outras pessoas. Por isso, quero deixar aqui muitos agradecimentos a toda a gente que participou, directa ou indirectamente, nesta aventura:

Desde logo, à produtora Até que Enfim, por ter apostado neste projecto meio maluco e por estar nele tal como nós: sem ganhar nada em troca. Foi uma equipa perfeita que aqui se juntou e que apenas tinha como objectivo criar algo diferente e com qualidade. Investiram do tempo deles, a custo zero, pela mesma razão que eu e o Ricardo o fizemos: criar coisas giras. Por isso, agradecimento a todos eles: Pedro Ramos, João Vicente, João Solano, Diogo Pires, Rui Carvalho, Paulo Bagulho, Francisco Rodrigues, Orlando Borges, André Pereira, André Gouveia.

Quero agradecer a todos os espaços onde nos deixaram gravar, enriquecendo os cenários da série e, também, sem pedirem nada em troca:
Ao Afonso Cruz por ter feito o bonito logótipo do Falta de Chá.

Às pessoas que perderam tempo de vida a ser figurantes só para nos ajudar a que os sketches ficassem mais compostos: Marco Talento, Nuno Ferreira, Pedro Castanheira, Pedro C., Rúben Rosa, Tiago Cardoso, Afonso Baptista, André Costa, António Santos, Belmira Duarte, Bruna Gonçalves, Francisco Nunes, Hugo Amorim, Iola Martins, José Duarte, Luís Alves, Rita Grosso, Rui Duarte, Rui Geadas, Xana Morgado, Diana Santos, João Pereira, Rita Capelo, Rui Gouveia, Sofia Pitta, Sophie Le Roy, Lara Mesquita, Henry Ferreira, Joana Maria Sousa, Paulo Sousa, Tiago Dias, Milene Santos.

Aos convidados especiais:
  • André Nunes, um actor a sério e que aceitou entrar num bonito sketch. Na segunda temporada vai entrar em mais, só para aprender a não dizer que sim às pessoas.
  • Ana Luísa Costa, por dar vida a várias personagens, também ela uma actriz a sério, e fazer essas personagens ficaram com muito mais piada do que se fossemos nós com uma peruca a fazer.
  • Maria João Rosa, jornalista da TVI, por ter aceitado ser a nossa pivot a abrir e a fechar a série e dar assim alguma credibilidade a toda esta palhaçada.
À Mascarilha por nos emprestar uma catrefada de material para que as nossas personagens ganhem vida.

Ao Tá Bonito e ao Ainanas por irem partilhando os episódios e ajudando a chegar a mais gente.

Agradecer também à equipa da Meio Termo por ter convencido o Pedro Boucherie Mendes que esta era uma boa aposta e agradecer, também, ao Pedro por se ter deixado convencer disso e apostado, uma vez mais, em humor nacional quando os outros canais estão quase todos vedados a isso.

E, por fim, um agradecimento às duas pessoas que tornaram isto tudo possível: os meus pais, que me fizeram. E os pais do Ricardo Cardoso, vá.

Enquanto vêem ou revêem a primeira temporada, vamos terminar de gravar a segunda que, esperamos, seja ainda melhor do que esta. Vai estrear este ano, possivelmente em Setembro e conta com ainda mais sketches, mais convidados (posso adiantar desde já Bruno Salgueiro, António Raminhos, Jel, entre outros), mais palermice e com o mesmo empenho de criar algo diferente e que vos divirta. Obrigado a todos.

PS: Se me estiver a esquecer de alguém nos agradecimentos, peço desde já desculpa, mas a minha memória já não é o que era.
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7 de março de 2018

Óscares, Celebridades Inúteis, Maus chefes, Crianças Irritantes



No episódio desta semana do melhor podcast feito por duas pessoas com barba, falámos os Óscares, celebridades inúteis, maus chefes e experiências pessoais com eles, big macs, crianças irritantes e muito mais.  É ouvir e, se gostarem, subscrevam e partilhem.



Podem ouvir e subscrever o podcast nas seguintes plataformas:
Subscrevam na plataforma que mais gostarem para serem notificados sempre que houver um novo episódio.
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6 de março de 2018

Trocar mensagens com ex-namorados/as



Prontos para a dose semanal de javardeira com classe? Então, sem mais demoras, vamos a mais um "Doutor G explica como se faz".


Olá Dr. G, namorei durante cerca de um ano com um rapaz. Não deixámos de falar desde que acabámos e ele fala várias vezes numa nova oportunidade. Contudo, sempre que fala nessa oportunidade, vem acompanhada de conversas sobre sexo. Fala sobre o que quer fazer, e no meio disso tudo, pede sempre para termos sexo oral. Tenho duas perguntas:
1. Será mau eu ter sexo com ele mesmo sem namorar? 
2. Tenho muitas dúvidas acerca de lhe fazer sexo oral, alguma dica? 
Ana, 19, Algarve

Doutor G: Cara Ana, o erro começou em não terem deixado de falar. Esta mania de manter amizade com os ex-namorados é de gente que ainda não encerrou o assunto e, mais tarde, acaba quase sempre por dar cocó. Quando se tira cotão do umbigo, manda-se fora, não se guarda numa caixinha para o caso de um dia ser preciso porque se comprou um hamster e pode dar jeito para lhe fazer uma caminha. Dito isto, vamos às respostas:
  1. Não. Se estão ambos confortáveis em ter uma relação apenas sexual, está tudo bem. É aproveitar enquanto não se tem mais ninguém para ir oleando o motor e não gripar depois uma viagem mais longa. O que me parece é que tu tens esperança de algo mais e se assim for não devias ir na cantiga dele das Novas Oportunidades que toda a gente sabe que isso nunca serviu para nada.
  2. Ora bem, se não lhe fazias sexo oral está explicada a razão pela qual terminaram. Mais uma vez, se estão confortáveis com uma relação baseada no sexo, força nisso, mas atenta que através de sugadelas nas miudezas também se podem apanhar doenças. No entanto, fazer sexo oral com preservativo é como ir à praia artificial de Mangualde: não é igual à natural e mais vale ficar em casa.
Obrigado e boa continuação.


Doutor, acabei recentemente a minha relação de longa data e, mesmo na reta final, envolvi-me com outra pessoa, também ele numa relação mas não com fim à vista. A coisa foi acontecendo, com muita naturalidade, tanta que me deixei completamente levar. Já houve de tudo um pouco, desde passeios na rua de mão dada ao mais maravilhoso funaná pelado! Ambos desenvolvemos sentimentos um pelo o outro e, se não fosse o empecilho dele, bem que poderia dizer que estava numa relação quase perfeita. Já lhe deixei bem claro que esta situação se está a tornar incomportável e que eu não gosto de partilhar, mas do outro lado só oiço palavras (um dia vai acontecer, um dia vamos ser só os dois, ...) mas não vejo nada a acontecer e até vejo planos a serem feitos... No meio disto tudo, a parva sou eu, que não lhe estou a conseguir por um par de patins e mandá-lo para bem longe. Apesar de várias tentativas, acabo sempre por ceder mais uma vez porque, esquecendo o resto, gosto do que temos e sei que não quero ficar sem isso. Vejo vários cenários nesta situação.... ou a coisa se vai arrastando e eu vou ser sempre "a outra", ou então é conice dele em largar o empecilho dele e isso nunca vai acontecer, ou um dia destes vai perceber que está a ser uma besta quadrada e que eu sou uma mulher maravilhosa e vai largar tudo para ficar comigo. O que aqui está a acontecer bate certo com os dois primeiros cenários, não é verdade? Eu é estou para aqui a ser uma parva e a tentar acreditar em historinhas de amor dignas de uma novela mexicana, não é correto?
Anónima, 26, Setúbal

Doutor G: Cara Anónima, é correcto. Obrigado e até à próxima.


Caro Dr. G, de há uns tempos para cá a minha namorada sempre que eu ejacular quer que eu guarde o esperma num frasquinho. Até aí tudo bem, o problema é que eu tenho por hábito fazer festas ao malaquias várias vezes ao longo do turno de trabalho, para além de temer que os meus colegas descubram o que levo no frasquinho sempre que volto do wc, não  entendo para que quer ela os meus nadadores olimpicos em frascos?!
Anónimo, 26, Margem Sul

Doutor G: Caro Anónimo, esperemos que o teu trabalho não seja cozinheiro, ou assim. Se fores portageiro até compreendo que necessites de aliviar a tensão ao longo do dia e que ao veres a cancela a levantar tanta vez te dê as vontades. Espero é que tenhas toalhetes sempre contigo para o troco não vir todo colado. Dito isto, eis as várias razões que podem levar a tua namorada a fazer-te esse pedido:
  • Viu uma blogger de moda a dizer que faz bem à pele e usa todos os dias como hidratante;
  • Vende o teu esperma no mercado negro por 50€ o frasco;
  • Quer ficar com espera teu para na eventualidade de faleceres ela se poder fecundar com o auxílio de um saco de pasteleiro;
  • Para controlar todas as tuas ejaculações e saber se andas a pular a cerca.
Qualquer uma das hipóteses é válida e se é algo que lhe dá jeito, força nisso. Fica é atento caso o jantar comece a ser muitas vezes bacalhau com natas ou strogonoff.


Caro dr.G, conheci um homem com quem me encontrei algumas vezes nestes últimos tempos, no entanto, nunca chegamos às lutas romanas, ora porque estava em fase de produção de polpa de tomate, ora porque tive um certo receio de me envolver com uma pessoa que praticamente não conhecia. O que é certo é que descobri há pouco que ele arranjou outra rapariga e com cara de bode, pelos vistos. E embora nunca tivéssemos tido nada de sério fiquei com uma certa sede de vingança, mulheres.. Preciso de inspiração para por em prática um plano que o faça arrepender-se de ter nascido com uma banana. Conto consigo e com uma boa dose de maldade!!
Margarida,26, Montijo

Doutor G: Cara Margarida, vieste ao sítio certo para obter uma boa dose de maldade, por isso aqui vai: chupas no dedo e não choras. Não tinham nada sério, andavas armada em difícil, ele arranjou outra mais afoita que, mesmo com cara de bode, o satisfaz. Agora, olha, aguenta que a vida é assim mesmo.


Bom dia dr. G estou numa relação há quase um ano, mas antes desta relação, durante uns meses, tive um amigo onde apenas praticávamos os funana pelado e adorava estar com ele. Nunca houve sentimentos nem nada do género. Acontece que quando o meu namorado soube nao gostou de saber que falávamos e tiveram uma discussão os dois. Eu e o meu amigo deixamos de falar... Problema: agora voltamos a falar e ele propôs a estarmos juntos novamente e eu fiquei sem saber o que fazer. Porque eu não quero trair o meu namorado, mas gostava de ter uma despedida com o meu amigo. Ajude-me grande sábio.
C, 21, Porto

Doutor G: Cara C, eu começo a pensar que os pacientes do meu consultório têm fetiches sado-masoquistas e que enviam dúvidas só para serem ofendidos. Para não te chamar já nomes, vou deixar um fluxograma e logo vês onde te encaixas:
Portanto, agora escolhes: trais o teu namorado e pronto; acabas o namoro e chafurdas à vontade com o outro; deixas de falar com o outro e dedicas-te ao teu namorado. Seja como for, o nível porquitxona já está em aviso laranja, agora é decidires se queres passar para vermelho ou verde.


Está feito. Como sempre, até para a semana e continuem a enviar as vossas dúvidas para porfalarnoutracoisa@gmail.com. 


Façam amor à bruta porque de guerras o mundo já está cheio.

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1 de março de 2018

Como resolver a crise na Síria



Parece que na Síria está, novamente, em alvoroço. Como tinham deixado de aparecer vídeos no nosso feed de Facebook, pensámos que já estava tudo a dançar à volta de uma fogueira e a comer cupcakes, não foi? Parece que não e só na última semana, 500 mortos, entre os quais 120 crianças. Sinto que não há grande vontade da comunidade e das grandes potências internacionais para acabar com este conflito e que partilhar vídeos chocantes não é suficiente. Por isso, achei que faria sentido dar algumas dicas práticas na esperança que cheguem aos altos cargos da ONU e se resolva a crise de uma vez por todas.

Enviar gurus motivacionais
Depois de ver um vídeo em que uma criança chorava e se lamentava por estarem num abrigo subterrâneo, sem água nem comida, e sem poderem ir lá fora buscar uma almofada para dormir mais confortáveis, dado o risco elevado de levarem com uma bomba, pensei numa solução brilhante: enviar gurus motivacionais e especialistas em coaching para as ajudarem com as seguintes frases:
  • «Estão fora da vossa zona de conforto e isso é bom!»
  • «Pedras no vosso caminho? Apanhem todas porque nunca sabem quando é que vão ter de se defender de metralhadoras.»
  • «Vocês preocupam-se demasiado com o futuro sem usufruir do presente. Há coisas que não podemos controlar, especialmente as balas perdidas.»
  • «Vivam cada dia como se fosse o último porque um dia vão acertar e esse dia será, provavelmente, ainda hoje.»

Mudar a geografia da Terra
O grande problema da Síria é que está lá longe. Nem com o mundo cada vez mais aldeia global são tratados como vizinhos e toda a gente sabe que a o nível de indignação e de tragédia depende da proximidade e do pantone do tom de pele. Exemplo: rebenta uma bombinha chinesa no nosso prédio ou um maluco anda com uma faca na mão para cortar queijos na nossa rua e gritamos "terrorismo"; rebenta uma bomba que mata dezenas de crianças inocentes do outro lado do mundo e afinal parece que é um "conflito militar". É natural, porque quando é ao pé de casa, lembra-nos que podíamos ter sido nós, já quando é lá longe, um gajo nem pensa muito nisso. Por isso, proponho que o mundo volte a ser uma Pangeia, onde todos os continentes estão ligados por terra e mais aconchegados. É agarrar em meia dúzia de barcos rebocadores e trazer a Síria ali para junto os Estados Unidos que a coisa resolve-se, isto se não construírem um muro.

Enviar negociadores a sério
A ONU perdeu tempo a negociar um cessar fogo de 30 dias. O facto de se negociarem paragens na guerra, é sinal que a guerra não é assim tão importante. Nem num jogo online um gajo faz pausa, por mais que a nossa mãe nos chame para jantar! Por isso, só imagino que uma guerra destas seja menos importante do que uma ronda de Call of Duty, o que leva a crer que podia ser evitada e só existe devido a interesses externos. No entanto, já que o pessoal das bombas está aberto a negociar, sugiro que enviem os senhores que vendem flores e óculos escuros nas ruas. Ninguém negoceia melhor do que eles e convence as pessoas a comprar coisas que nunca querem, achando que fizeram um bom negócio quando eles ficam sempre ganhar. Facilmente, lhes vendiam armas que só iriam funcionar durante um dia, tal como aquelas bugigangas com luzinhas que lhes compramos quando estamos com os copos. Ainda lhes venderiam chapéus e tiaras de princesa e guerra perderia toda a credibilidade.

Holograma de Deus
Já escrevi, anteriormente, que a melhor forma de acabar com este tipo de conflitos que têm por base a religião era criar um holograma realista de Deus. Seja que Deus for, era recriá-lo digitalmente e projectar nas nuvens ou em cima de uma bananeira. Perdoem-me a incorrecção caso não haja bananeiras na Síria, mas o meu conhecimento sobre a flora local é diminuto. Deus apareceria a dizer que não aprovava aquela guerra e que quem quisesse ir para o céu tinha de agarrar na própria arma e estourar os miolos a si mesmo. Quem não o fizesse, ficava provado que estava na guerra por questões políticas e económicas e deixava de poder usar a carta de Deus para manipular o povo. Isso e talvez a população deixasse de acreditar que Deus está a olhar por elas, mesmo quando vêem os irmãos serem mortos à sua frente e isso ajudasse a que não se resignassem e ficassem à espera de uma ajuda que nunca virá, seja divina ou de países com interesses financeiros em manter uma guerra perpétua.

Matar toda a gente
Esta solução é um bocado radical, mas do ponto de vista prático talvez fosse a única 100% fiável. A morte só é chata se ficar cá alguém para chorar, caso contrário não faz mossa a ninguém. Por isso, o que tinha de se fazer era matar toda a gente daquela região, familiares e amigos incluídos, para que ninguém que ficasse órfão ou perdesse entes queridos ficasse vivo e a sofrer com a perda. Bastava ir ao Linkedin de todas as crianças sírias e matar todas as conexões até dois ou três graus acima na hierarquia. Assim, o conflito acabava rápido e o mundo sempre era mais honesto em admitir que, no fundo, se está a borrifar para as mortes de pessoas na Síria. Como bónus, ficava-se com um terreno livre para depois fazer campos de golf ou, juntando esta ideia à da Pangeia, trazia-se a Síria para perto da Linha de Sintra e aumentavam-se os subúrbios de Lisboa para quem não tem renda para pagar casa no centro. Em termos de paisagem, a Síria destruída não iria destoar muito do Cacém, Massamá ou da Buraca.

Ensiná-los a falar inglês perfeito
Acho que isto podia mudar muita coisa. Ver e ouvir crianças a sofrer em árabe nunca tem o mesmo impacto. Primeiro, porque é uma língua que se associa logo a terrorismo, depois porque um gajo nunca sabe se não foi o tradutor que se enganou e as crianças não estão ali só a queixar-se de não ter a nova casa da Barbie ou um fidget spinner novo. Garanto-vos que se os vídeos que andam a circular fossem com uma menina síria sem o hijab e a falar um inglês perfeito, a repercussão seria muito maior e toda a gente pensava «Opá, afinal eles são humanos como nós, se calhar é melhor ajudar.» 

Enviar a Super Nanny
Tendo em conta o passado recente, penso que a Super Nanny na Síria podia ajudar a que toda a gente se revoltasse, chocada com tamanha violação dos direitos básicos das crianças. Uma coisa é levar com bombas, ver os pais e os irmãos desfeitos no que parece um móvel do IKEA sem instruções de montagem, outra coisa é serem mandados para o banquinho das pausas e depois serem gozados na escola. Com uma Super Nanny, o mundo unir-se-ia para defender os interesses das crianças! Como consequência, a guerra terminaria num instante ou, pelo menos, deixaria de ser transmitida na televisão e já não nos estragava a hora de jantar porque não há nada pior no mundo que estar a comer magret de pato com redução de vinho do Porto e estar uma criança na TV a dizer que não tem nada para comer, fazendo-nos sentir mal. Pior do que isso só se o pato estiver demasiado bem passado.

São só ideias, lembrem-se que não há ideias estúpidas num brainstorming. Sintam-se à vontade de adicionar valor e novas ideias nos comentários.

PS: Quem ficar ofendido com este texto por não perceber ironia ou por ser burro no geral, em vez de perderem tempo a comentar, podem fazer algo mais útil e ajudar neste link.
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