27 de setembro de 2018

Criação da Mulher? Deus foi ao Shark Tank



Todos sabemos que foi Deus que criou a mulher, mas o que não sabemos é como foi todo o processo de angariação de investimento para financiar essa que viria a ser a melhor invenção do mundo. Deus foi ao Shark Tank apresentar a sua ideia:

- Boa noite, o meu nome é Deus, sou empreendedor em série, escritor de um best seller e sou CEO da empresa Universo Lda. Venho oferecer-vos 10% da minha nova ideia de negócio!
- Olá Deus, você está sempre a inventar coisas! Diga lá o que é desta vez.
- A minha nova startup chama-se Projecto Eva que consiste em criar outro ser, chamemos-lhe "Gaja", para fazer companhia a Adão.
- Realmente, ele anda meio cabisbaixo. Esse "Gaja" é uma espécie de clone de Adão? Para jogarem à bola e lutarem todos nus?
- Valha-me eu! Claro que não! Este novo ser não será um Homem, já para evitar que haja problemas de homossexualidade no paraíso que todos sabem que eu sou muito conservador. Gaja, é um produto que vem equipado com uma coisa à qual dei o nome de "vagina" que é o molde negativo que usei para fazer o pénis do Adão. Digamos que se complementam.
- Vagina? Não sei se gosto do nome, não me soa bem. Não pensou numa coisa mais apelativa para o mercado. Sei lá, Vaginify ou iVagine ou assim mais trendy?
- Vagina vai vender bem, acreditem. É um bom nome e o packaging é atractivo.
- Ok, parece-me interessante. E para que é que precisa do dinheiro aqui dos Angel Investors?
- O investimento que procuro será utilizado para financiar uma equipa de cientistas que através de uma costela de Adão vão fabricar a Gaja.
- Inovador, sem dúvida. Pode descrever-nos como será a Gaja?
- Já pedi ao meu designer de produto para fazer uns esboços e aqui está uma ideia, assim muito por alto.
- Eishh, grande par de tetas. Isso será ergonómico? Fizeram testes de stress para ver se não lhe dá cabo das costas e prejudica a postura?
- O designer diz que está bom assim. Eu, particularmente, até acho os peitorais do Adão mais bonitos e apetitosos.
- Essas tetas vão trazer muitos problemas ao mundo. Espero que dote a Gaja de grande sentido de responsabilidade! Com grandes tetas, vem grande responsabilidade.
- Está tudo pensado. O Adão tem mais força, mas a Gaja como tem as mamas acaba por equilibrar um bocado o poder na relação, não impedindo que Adão lhe dê duas chapadas se por acaso a Gaja vier com algum defeito e precise de manutenção.
- Certo, certo. Bem e como é que vamos recuperar o nosso investimento?
- Boa pergunta. Ora bem, irão recuperar o vosso investimento se depois montarem empresas de roupa, maquilhagem e acessórios. A Gaja vai passar-se com isso e gastar muito dinheiro. Diria até, que quase toda a economia mundial vai girar em torno da Gaja.
- Então, no fundo, estamos apenas a criar um mercado e não um negócio, é isso?
- É isso.
- Então, devemos precisar de vários modelos, não? Já pensou nisso?
- Sou Deus… penso em tudo. A Gaja e o Adão vão poder criar outras pessoas sozinhos, o que vai libertar o esforço de produção da minha parte, tornando a empresa auto-sustentável e o mercado crescerá sem termos de mexer uma palha.
- E esses modelos vão ter todos grandes tetas?
- Não posso assegurar, o processo vai ser através de lotaria genética e selecção natural, caso contrário não faria mais nada do que desenhar tetas e fazer pénis como o senhor Pedro Arroja tão bem refere.
- Está certo, e modelos de outras cores?
- Credo, não. Vocês não devem ter lido meu livro. Tudo em branco.
- Deus, parece-me interessante, mas tendo em conta os problemas da consanguinidade no mundo animal, não teme que a descendência de Adão e a Gaja se babem muito?
- Hum... eh pá, nunca tinha pensado nisso. É um bom ponto, sim senhor. Eles também são feitos à minha imagem - perfeitos - por isso, mesmo que se estraguem um bocado ao longo dos anos, não há de ser muito. Não vamos estar aqui a colocar o pior cenário de que no futuro teremos humanos que não metem piscas nas rotundas ou que tratam os filhos por você, não é? A consanguinidade não vai estragar assim tanto.


Para os seguidores mais fieis do blogue, devem ter encontrado semelhanças com o famoso sketch da série Falta de Chá "Shark Tank dos Pastorinhos". Ficam já informados que a segunda temporada (podem ver ou rever a primeira aqui) vai estrear dia 8 de Outubro e que dia 6 vai haver uma ante-estreia ao vivo em Lisboa, com entrada livre. Podem ver mais informações neste bonito evento de Facebook para dizerem que vão e depois não aparecerem que é para isso que servem os eventos do Facebook. Se gostaram deste texto, podem partilhar que depois pode ser que veja a luz do dia em formato vídeo.
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26 de setembro de 2018

Porto vs Lisboa, Stand up vs Anedotas feat. Hugo Sousa



No episódio desta semana temos o convidado Hugo Sousa e falamos sobre stand up comedy e anedotas, as diferenças entre Brasil e Portugal, Lisboa e Porto, palavrões e muito mais.  É ouvir e, se gostarem, subscrevam e partilhem.



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20 de setembro de 2018

Bernardo vai para a universidade pública



Tal como nos filmes com sequelas, também esta série do Diário do Bernardo está a ser espremida mais do que devia. Para quem não leu, aqui ficam os links da parte 1, da parte 2 e da parte 3. A pedido de muitas famílias, aqui está a quarta parte desta epopeia do menino que foi transferido de um colégio privado para uma escola pública e que, agora, foi para a faculdade.

O relato que se segue pode ferir a susceptibilidade dos leitores mais sensíveis.

09:00h - Primeiro dia de aulas na faculdade. Infelizmente, não consegui entrar na Católica porque a minha média não foi suficiente. É o que dá ter-me mudado para a escola pública onde o ensino é muito pior, já que só isso explica ter passado de média de 18 para 10 em apenas um ano. Os meus papás ainda enviaram um envelope a alguns professores com uns vouchers, mas como são professores do público, não dão atenção às necessidades dos alunos.

09:30h - Foram os meus pais que me escolheram o curso porque eles é que sabem o que é bom para mim. Vim tirar gestão para depois ir para a empresa do meu pai, da minha mãe ou do meu tio. Convém ter um curso, fazer um estágio lá fora de um mês e depois voltar para uma dessas empresas para um cargo de gestão, para assim subir por mérito e não por cunhas.

10:00h - Estava a falar com uns colegas e disseram que iam ter dificuldades em pagar as propinas. Como são os meus pais que tratam disso nem sabia quanto eram e eles disseram-me que era mais de mil euros... por ano! Fiquei chocado, com um valor tão baixo é normal que o ensino seja inferior ao de uma privada.

11:00h - Ouvi um grupo de colegas a dizer que tinham bolsa e decidi iniciar conversa com eles. Perguntei logo em que acções estavam a pensar investir e eles disseram que não perceberam a pergunta, o que me leva a crer que isto dos bolseiros é como o SASE e também é um clube exclusivo.

12:00h - Fui abordado por um grupo de veteranos trajados que devem ser muito importantes porque já têm barba e cabelos brancos e disseram-me "Caloiro, enche já 10". Perguntei-lhes logo se sabiam com quem estavam a falar e de quem eu era filho! Riram-se e a seguir espetaram-me um ovo no rabo e disseram para eu cacarejar. Nas privadas as praxes são muito mais didácticas. Na Lusófona, por exemplo, têm desafios de natação em mar aberto.

12:30h - As praxes sempre serviram para conhecer algumas pessoas diferentes. Por exemplo, o Sandro é um caso curioso: está a tirar gestão, mas não tem nenhuma empresa da família ou amigos para depois lhe dar trabalho. Enfim, há pessoas que andam na faculdade a desperdiçar o dinheiro dos pais e depois queixam-se que não têm emprego.

13:00h - Fui almoçar à cantina, mas não havia menu degustação. Perguntei qual era a sopa e a senhora disse-me que era de legumes. Perguntei se nesses legumes estavam incluídos espargos e trufas brancas e ela disse que não sabia, que só lhe tinham dito que eram legumes. Lá comi a sopa e, garantidamente, não tinha nenhum deles. Vi que alguns colegas trazem comida de casa em recipientes muito pequenos, por isso devem ter quem lhes cozinhe pratos gourmet.

14:00h - Fui à secretaria pedir para me trocarem Matemática e Contabilidade Financeira por Inglês Técnico. Disseram que não era possível. Perguntei se podia passar logo para o mestrado já que tenho o curso de formação de hipismo e isso podia dar-me equivalência à licenciatura. Disseram que não era possível. Devem estar com algum problema informático no sistema, volto lá amanhã.

15:30h - Fiquei chocado! O laboratório de informática havia uns computadores topo de gama como eu nunca vi! Não eram Macs, mas eram uns assim com umas torres grandes e uns monitores enormes e profundos porque devem ser tão potentes que precisam de espaço para todo o hardware. Nem sei bem mexer naquilo, os meus papás compraram-me o novo iPhone XS, mas aqueles computadores já tinham o XP.

16:00h - Uma das piores coisas desta faculdade é que não tem lugar para estacionar perto. Falei com o João sobre esse assunto e ele disse-me que não trazia carro e que vinha num transporte que o deixava mesmo à porta da faculdade. Realmente, como é que não me lembrei disso!
Note to self: falar com o papá para me arranjar um motorista.

16:15h - O João, além do transporte privado, está no regime de trabalhador-estudante e pode faltar a algumas aulas e tem regalias nos exames.
Note to self: pedir ao papá para me colocar já a vice-presidente da empresa para ter mais facilidades.

16:30h - Ao contrário da escola, aqui já tenho alguns colegas do meu nível social. Por exemplo, todos os que vieram de fora de Lisboa são ricos e vivem todos em moradias de luxo, pois ouvi-os falar que pagam cerca de 600€ de renda e que dividiam casa com mais dez pessoas. Uma moradia de 6000€ ao mês deve ter piscina e SPA, certamente.

17:00h - Conheci uma rapariga que entrou com média de 19 para o meu curso. Perguntei-lhe logo o que estava ali a fazer em vez de estar a tirar medicina e ela disse-me "Porque acho que não se deve ir para medicina pela média, mas por vocação e gosto e eu prefiro este". Perguntei-lhe se os pais não a tinham obrigado e ela disse que não, que a deixaram escolher. Enfim, às vezes esqueço-me que há pessoas mais desfavorecidas que têm pais que não se preocupam com o futuro dos filhos.

Como sempre, arrepiante. Apelo a todos para que partilhem e alertem para este flagelo. #PrayForBernardos #JeSuisBernardoMartimLourençoSalvador
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18 de setembro de 2018

Racismo e Mamona, atracção física, humanos do futuro



No episódio desta semana falamos sobre discriminação na entrada das discotecas, racismo e Patrícia Mamona, atracção física, carros e humanos do futuro e muito mais.  É ouvir e, se gostarem, subscrevam e partilhem.



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17 de setembro de 2018

Pesadelo recorrente: ainda não acabei o curso



Tenho dois pesadelos recorrentes. O primeiro é que matei alguém, escondi o corpo e vivo em constante pânico de ser preso. O segundo, muito mais aterrador, é quando sonho que ainda me faltam cadeiras para acabar o curso.

O cenário é sempre o mesmo: vou à secretaria pedir o diploma e dizem-me que, afinal, ainda me faltam cadeiras para terminar o curso. Neste momento, instala-se o pânico e penso "O quê? Eu já nem sei estudar, há cadeiras que fiz sem saber como e só tenho a explicação da providência divina e agora ainda tenho mais para fazer?". O sonho torna-se num pesadelo e o desespero faz-me ponderar o suicídio já que nunca é uma cadeira simples de encher chouriços! É sempre um dos cadeirões com projectos complicados ou daquelas que passei apenas porque os planetas estavam todos alinhados e o professor tinha recebido um felácio e estava de bom humor. No meu caso, que tirei engenharia informática, costuma ser a cadeira de Sistemas e Sinais ou de Redes de Computadores que, ironicamente, me foram ensinadas por professores que só teriam felácios a troco de compensação monetária, o que pode explicar a grande concentração de prostituição à volta do Instituto Superior Técnico.

Há quem recorde com saudade os tempos de faculdade e há quem tenha estudado no IST. 

São dois grupos cuja única intersecção são os nerds da primeira fila que iam à segunda data de exame fazer melhoria porque só tinham tido 19. Já escrevi várias vezes sobre a minha experiência nessa bonita instituição e, por isso, não me vou alongar muito e quem quiser ler ou reler ficam aqui estes links - A vida de um estudante de engenharia; Ser engenheiro informático tem glamour; O que realmente aprendi na universidade - mas resumindo: aprendi muito e teve bons momentos, mas o mesmo dirão os soldados que estiveram no Iraque.

Voltando ao pesadelo recorrente. Quando acordo, empapado em suor e virado ao contrário na cama de tanto espernear, ainda fico, durante uns minutos, naquele limbo entre o sonho e a realidade em o meu cérebro debate consigo mesmo, tentando acordar a parte responsável pela lógica que está desligada durante o sono REM, que é quando sonhamos. O meu cérebro tem este diálogo quando acordo desde pesadelo:

- E agora? Como é que vou acabar o curso?
- Ó burro, já acabaste o curso há oito anos!
- Não acabei, não, falta-me uma cadeira que o senhor disse.
- Foi um sonho!
- Será? Parecia mesmo real.
- Foi, já nem trabalhas em informática.
- Não?
- Não, agora escreves merdas na Internet e fazes stand-up, mesmo que não tivesses acabado o curso, se tudo correr bem já não precisas dele.

Ufa. Apercebo-me que foi tudo um sonho e há uma sensação de alívio e paz que só deve ser comparada à de vermos a nossa amante a dar à luz um filho que dizia ser nosso, mas que vai-se a ver e nasceu com traços de índio Cherokee.

Falei com um especialista de interpretação de sonhos e ele disse-me que este pesadelo recorrente significa que não gostei do curso. Pedi o meu dinheiro de volta e dei-lhe uma chapada na moleirinha por estar a constatar o óbvio. No entanto, gostei muito do meu 12º ano e também costumo sonhar que ainda não o acabei e nunca é agradável: apercebo-me tarde, quase que como se me esquecesse que ainda o tinha para fazer e quando dou por ela já faltei a muitas aulas e testes e já não o consigo acabar. Andei na secundária D. João V na Damaia, o que também pode explicar muita coisa. Talvez quando tiver 70 anos, estes pesadelos se tornem em sonhos nostálgicos porque a morte está mais perto. Ficou profundo, agora. Chupa Chagas Freitas.

Ao contrário do que seria de esperar, a recorrência deste pesadelo tem vindo a aumentar, e diria que o meu inconsciente decide fazer-me uma trollagem, pelo menos uma vez por mês. Talvez seja porque no último ano todas as semanas tenho de ir ao IST gravar o podcast Sem Barbas Na Língua; dizem que não devemos voltar a um sítio onde fomos felizes e por isso não há problema. Não me interpretem mal, gostei de lá estudar, mas só porque já não estudo lá, percebem? Até sinto alguma falta de aprender coisas novas a fundo e até me meteria num curso novo se tivesse tempo para isso, mas a perspectiva de ter de tirar novamente engenharia informática causa-me arrepios que descem pela espinha.

Como é óbvio, sendo uma pessoa minimamente inteligente, não acredito que podemos ver o futuro nos sonhos, caso contrário já teria feito uma orgia com as modelos da Victoria's Secret e a minha namorada nem tinha ficado chateada, mas a verdade é que no dia que fui à secretária pedir o meu certificado de habilitações, uns três anos depois de ter entregado a minha tese de mestrado (no primeiro trabalho que tive não me pediram provas de ter acabado o curso porque eu transmito muita idoneidade), o rapaz que lá estava deu uma olhadela para os meus dados no computador e disse-me "Ainda lhe faltam créditos para terminar, certo?". Devo ter ficado pálido e belisquei-me para ter a certeza de que não estava a sonhar. Seguiu-se esta conversa:

- Hum... acho que não, até tenho a mais.
- Aqui diz que faltam dez créditos.
- Pois, mas tem de estar mal. - digo, ponderando já o homicídio em massa ou o suborno. - Não há aí um processo de equivalências por causa da confusão de Bolonha?
- Ahhhh, está aqui sim, até tem créditos a mais, é verdade.

Há erros que não se cometem. Uma coisa é trocar o pénis por uma vagina a um paciente que só precisava de tirar uma verruga do ânus, outra é dizer a um aluno - especialmente se ele for do IST - que, ao contrário do que pensava, ainda não acabou o curso.

Isto é cutucar um ninho de vespas com a pila. Os gajos de Columbine mataram 13 pessoas por menos!

Passou, foi giro, rimo-nos, e até lhe sugeri que começasse a pregar esse susto a todos os alunos. É preciso um gajo divertir-se no trabalho, especialmente se esse trabalho for no mesmo local que causa pesadelos a tanta gente. Por isso, já sabem, se vos acontecer, podem estar a sonhar ou pode ser uma partida que eu iniciei. Podem agarrar-se a isso até perceberem que, afinal, ainda vos falta mesmo meio crédito para terminar o curso.
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11 de setembro de 2018

Idiotas na Internet, Regresso de Louis CK, Redes sociais e censura



Estamos de volta depois de umas merecidas férias. No episódio desta semana fazemos um resumo do que mais relevante se passou durante Agosto, falamos sobre as idiotices das redes sociais, psicopatas à portuguesa, o regresso de Louis CK, o boicote à Nike e Le Pen e muito mais.  É ouvir e, se gostarem, subscrevam e partilhem.



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