11 de março de 2019

Quem quer ser empregada do meu filho?



Ontem foi um bom dia. Dois novos programas de televisão que prometem encontrar o amor. De um lado, na SIC, um grupo de pindéricas que querem namorar com um agricultor ou, em termos mais práticos, querem aparecer na televisão. Do outro lado, na TVI, um programa em que mães tentam desencalhar filhos para, finalmente, conseguirem meter o quarto no Airbnb. O dos agricultores tem paisagens bonitas, com planícies repletas de animais e vacas, e também das de quatro patas que dão leite. Piada fácil e machista, mas estava aqui tão à mão que tive de a fazer. Por isso, vou focar-me mais do da TVI que me parece ter o maior potencial humorístico. Primeiro, vamos aos gajos que querem encontrar a sua cara metade:
  • Um gajo que é barman, mas não quer gajas que gostem de sair à noite e cujo cabelo foi inspirado na capa da revista 100% Jovem de Maio de 1997. 
  • Um agrobeto da Golegã que gosta de ir com o jipe para o meio do mato porque é muito radical.
  • Um com a mania que é garanhão que foi comprar o casaco à Bershka a pensar que era cool e que diz que tem o hobbie da fotografia porque comprou uma máquina DSLR, mas que aposto que usa sempre no automático e usa flash à noite para fotografar paisagens.
  • Um que diz praticar bodyboard a nível nacional, imagino que seja fazer bodyboard em praias portuguesas, não sei.
  • Um com a mania que tem a mania e que trata as mulheres por princesas, o que faz sentido pois parece ter a mentalidade de um macho latino do tempo de D. Sancho I.
Portanto, os gajos são um misto de choninhas com bimbos rejeitados pela Casa dos Segredos; já as candidatas são um misto de badalhocas da margem sul com divorciadas encalhadas que ainda têm um Nokia dos antigos e não conseguem instalar o Tinder.

Sou um gajo prático e que gosta de simplificar e, a meu ver, se chamas princesa a uma gaja que acabaste de conhecer tens logo o visto azul de certificado de otário. No caso delas, se tens unhas de gel com brilhantes e dizes que gostas muito de dançar funk e kizomba e piscas o olho a morder o lábio a um gajo que acabou de te chamar princesa, tens logo também o selo de qualidade da ganadaria de Alcochete. Atenção que não tenho nada contra mulheres sexualmente libertas, acho que deviam ser todas, a questão é que estás num programa para "casar" e não para "acasalar", embora as duas coisas estejam intrinsecamente ligadas. A maioria está lá porque quer aparecer na televisão para depois ir fazer presenças em discotecas. Muitas das pretendentes foram ao Love on Top e a outros reality shows de dating e continuam à procura do "amor". No fundo, ninguém lhes pega e todos sabemos o porquê.

Uma das coisas que criou mais polémica foram as perguntas feitas às candidatas, especialmente por parte das mães dos ranhosos: a pergunta mais recorrente de algumas mãe para as candidatas era sempre: "Sabe cozinhar? O meu filho é de muito alimento." Ele que cozinhe, caralho. Que peça um uber eats ou o raio que o foda. Que meta uma pizza congelada na puta do microondas ou que coma pão de forma sem nada. Só mães a criarem panhonhas que querem uma mulher que seja mãe deles. Se querem uma empregada, sai mais barato contratar uma a tempo inteiro a 7€ à hora que casar sai mais caro e dá mais trabalho.

Estas mães não querem uma nora, querem uma Bimby.

Parece que estavam a fazer uma entrevista para a governanta lá de casa. Sinto que deviam ter feito outras perguntas mais importantes:
  • Sabe fazer o IRS e levar o carro à inspecção sozinha?
  • Não sabe cozinhar, mas sabe fazer os 3 pratos na cama? É que o meu filho é um lambão que mamou até aos 10.
  • Sabe fazer bons felácios? Sabe como é, um homem conquista-se pela boca.
Isto, sim, seria uma mãe preocupada com o bem-estar e a felicidade do filho. Se aceitas que a tua mãe te escolha a namorada, mereces uma estaladão no focinho. A mãezinha leva-te o pequeno almoço à caminha e dá-te à boquinha, é? Também precisas dela na noite de núpcias para te arregaçar a pilinha e apontar ao pipi da mulher? Cambada de coninhas, pah. Estou irritado, embora, por um lado, isto faça com que depois os gajos normais como eu pareçam os mais prendados do mundo só porque sei cozinhar e lavar a loiça.

Se isto fosse um programa em que há honestidade dos participantes, podia ser uma boa experiência social: perceber por que é que num mundo cada vez mais ligado há cada vez mais solidão; por que é que as relações amorosas são cada vez mais descartáveis; mas não: quem participa, salvo raras excepções, quer é fama e entrar no mundo dos profissionais dos reality shows porque não sabem fazer mais nada na vida. Falta sinceridade no programa. Faltou ver uma mãe a dizer sobre algumas candidatas "Ó filho, é gira, sim, mas é um bocado puta, não?". Aliás, foi curioso ver que uma das potenciais sogras gostou muito de uma senhora que tem a bonita profissão de ser filmada a sugar pichotas (se isto não é das melhores descrições para o que é ser actriz pornográfica, então não sei). Nada contra, o corpo é dela e se não sabe cozinhar, ao menos que saiba fazer o resto, mas duvido que a sogra continue a gostar dela quando descobrir que ela tem um filme chamado "Anita estuda para ser puta". Bem, ao menos estudou, certo, não é daquelas putas autodidatas que nem leva a coisa a sério nem faz formações para melhorar; ainda assim, duvido que a sogra goste de uma nora que não faz as lides domésticas, mas que leva com espanadores por dinheiro.

Acho que esta receita de programas de televisão tem muito potencial e sugiro outras opções dentro do mesmo formato:
  • Quem quer mamar da boca do meu filho licenciado em sociologia e que trabalha num call center?
  • Quem quer ter um perfil de Facebook em conjunto com o meu filho?
  • Mais? Podem deixar outras sugestões nos comentários.
Bem, não tenho mais nada a dizer sobre isto. Aguardo os próximos episódios porque o meu guilty pleasure é ver lixo televisivo e depois contar-vos como foi. De nada, não precisam de agradecer este sacrifício que faço por vós. Quer dizer, se querem agradecer, podem comprar bilhetes para ao meu novo espectáculo a solo, cujas datas e bilhetes podem ver neste link.


Bilhetes à venda na FNAC, Worten, teatros, Ticketline e BOL. É ir e partilhar. Obrigado e uma boa semana.

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5 de fevereiro de 2019

Podcast: Doenças, drogas, abusos sexuais



No episódio desta semana falamos sobre drogas, doenças, abusos sexuais e muito mais.

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29 de janeiro de 2019

Comentários jornais online, mamadeira de piroca, perguntas dos ouvintes



No episódio desta semana falamos dos recentes casos de racismo (?), comentários dos jornais online, mamadeiras de piroca (sim, é ouvir), perguntas dos ouvintes e muito mais.

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22 de janeiro de 2019

Podcast: Gillette, Armando Vara, Bairros Sociais



No episódio desta semana falamos sobre a polémica do anúncio da Gillette, da prisão de Armando Vara e políticos corruptos, violência policial e racismo em bairros sociais, fama da Internet e muito mais.

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15 de janeiro de 2019

Podcast: Lip sync, Fernando Pessoa, Cura gay, MILFS



No episódio desta semana falamos sobre o lyp sync, a censura de Fernando Pessoa, a cura gay, milfs cinquentonas e muito mais.

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11 de janeiro de 2019

Conversão e cura da homossexualidade - Maria José Vilaça



Algumas pessoas só descobriram agora que a psicóloga Maria José Vilaça é uma atrasada mental, mas eu já tinha descoberto há uns tempos quando fiz este texto. Ainda não ter sido expulsa da ordem é que me faz confusão, bem sei que os psicólogos são todos um bocado malucos, mas esta senhora abusa.

Resumindo a reportagem da TVI: parece que, na condição de psicóloga, a dona Maria José faz terapia onde aconselha homossexuais a tratarem-se porque diz que a homossexualidade é uma patologia, fruto de surtos psíquicos como a bipolaridade. Quem nunca teve um surto psíquico de bipolaridade que num dia nos apetece levar no cu do José e no outro já queremos viver maritalmente com a Maria e lamber-lhe o pipi como gente grande? Por amor de Deus, não atirem pedras.

A utilização de José e Maria não foi inocente, já que a dita psicóloga aconselha as pessoas a irem fazer uma cura à Igreja do Lumiar e mete padres ao barulho que participam na "cura". Desde logo, mostra uma certa incapacidade da Igreja para atrair fieis, já que se queria ter um sítio para fazer cura da homossexualidade devia ser na Igreja do Chiado. Depois, como sempre, sinto aqui uma certa discriminação por parte da Igreja: onde estão as sessões de conversão para heterossexuais? Dava-me jeito. As mulheres só dão chatices e deixam cabelos a entupir o ralo da banheira. Convertia-me na boa, ainda por cima, toda a gente sabe que ser gay abre portas no mundo do espectáculo. Não sei como seriam as sessões de conversão, mas calculo que passem por ouvir Katy Perry, ler revistas de decoração de interiores e em vez de isolamento, devem ser sessões de orgia no Trumps. É preciso é ir com calma e não exceder a dose dos tratamentos porque um gajo quer ficar homossexual e não uma bicha maluca. A Maria José diz que ver pornografia gay nos pode tornar gays, bem como ter inclinação para as artes ou sermos chamados de maricas na escola porque não gostamos de jogar à bola.

Tudo certo, mas esqueceu-se de referir que fazer dieta também pode provocar surtos de homossexualidade. Quem me tira os enchidos tira-me tudo.

No debate que se seguiu à reportagem, a Maria José esteve presente e disse que era tudo mentira e montagem e abandonou o programa porque devia ter uma consulta às cinco. Não seria a primeira vez que uma reportagem da Ana Leal teria manipulações e coisas retiradas da net fora do contexto, mas neste caso não restam muitas dúvidas. Primeiro, porque a Maria José já tinha dado entrevistas no YouTube onde diz que a homossexualidade é uma doença que deve ser tratada; depois, porque na reportagem houve um rapaz que foi com uma câmara oculta para as sessões de terapia e, a não ser que a TVI ande a investir em efeitos especiais, percebemos a posição e violação do código deontológico da Maria José, coisa que estou certo que a Ana Leal também deve ter topado porque é algo que ela percebe bem. Quando vi a reportagem, pensei logo "Onde é que um gajo leva uma câmara oculta sem ninguém dar conta?". Depois lembrei-me "Ahhh, ya... na pochete".

O padre que aparece na reportagem a fazer as terapias de conversão tinha a cara tapada, ao contrário da psicóloga. Não sei se foi por a reportagem passar na TVI ou se foi coincidência. O senhor padre diz que não existe amor nem relações sexuais entre pessoas do mesmo sexo e que é preciso reprimir os desejos desviantes porque também ele tem muitos "desejos bárbaros". Pensei, automaticamente, nele a masturbar-se a ver o canal Panda e a vir-se para cima de um Nenuco enquanto canta músicas da Xana Toc Toc.

Para terminar, tenho apenas a dizer que, na qualidade de Doutor G, posso afirmar que a cura para a homossexualidade chama-se "Casar com alguém do sexo oposto e levar uma vida infeliz de fachada, enquanto se leva no rabo às escondidas." Não compensa, aturar uma mulher e nem fazer sexo com ela é parvoíce. Por fim, deixo-vos com uma bonita passagem Bíblica que explica toda esta perseguição aos homossexuais por parte de muitos católicos:

"Não há ninguém mais obcecado com a sexualidade dos outros do que aquele que não fode como deve ser." - São Mateus Rosé 6:13.

PS: A todos os gays e heterossexuais, não se esqueçam de comprar bilhete para o meu novo espectáculo a solo de stand-up comedy. Não discrimino ninguém, nem vou tentar converter ninguém a meter a boca onde não gosta. É ver os bilhetes e datas neste link ou, se forem de Faro ou Vila do Conde, é neste link.
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