23 de setembro de 2019

O abusador de menores empreendedor



Um dos assuntos do dia é o caso do João, condenado a 6 anos de prisão por abuso sexual de menores. Não seria notícia, não fosse o caso de o João ser babysitter de crianças e, no ano passado, ter ido falar com a Cristina Ferreira à TVI a promover os seus serviços de babysitting. 

Um babysitter pedófilo é a verdadeira definição de juntar o útil ao agradável. 

Está toda a gente com nojo do João, mas acho que não estão a dar-lhe o devido valor. Há pedófilos que ficam à espera que nasça uma sobrinha e que a família se reúna toda no jantar de Natal para abusar de um menor; outros rondam escolas a oferecer doces sem qualquer critério e a contribuir para a obesidade e diabetes infantil; o João tem espírito empreendedor e identificou o problema na sua vida: "Gosto de abusar de crianças, mas não tenho muitas crianças à minha volta, o que posso fazer para solucionar esta situação? Já sei, vou ser babysitter!". Génio. Reparem que isto não foi do dia para a noite, houve trabalho e investimento na sua formação como pedófilo certificado, já que começou por tirar um curso de auxiliar de acção educativa e, depois, passou por creches, escolas básicas, centros educativos e um centro paroquial. Fez uma espécie de rally tascas da pedofilia. Um peddy papper do abusador de menores. De notar que deixou o centro paroquial para o fim porque é onde o ensino da pedofilia é mais exigente pois é onde estão os abusadores mais experientes. Se houvesse um Shark Tank da pedofilia o João tinha tido um dos melhores pitches e angariado investimento. Até o Michael Jackson deu uma volta do caixão com orgulho do seu colega.

As pessoas dizem mal, mas quantas é que tiveram coragem de seguir os seus sonhos? De transformar o seu hobbie e prazer na sua fonte de rendimento? Pois, as pessoas criticam o João enquanto estão sentadas no seu cubículo ou no open space de um trabalho que odeiam, mas o João esteve 10 anos a viver o sonho de o deixarem sozinho com crianças desconhecidas e ainda lhe pagavam por isso! Chupem, haters! Na entrevista à Cristina Ferreira o João diz "Cheguei a receber muitos ‘não’. Não percebo porquê. Não sei do que é que alguns pais têm medo". Não sabes, João? Dou-te uma dica: que os filhos sejam obrigados a mamar outra coisa que não o biberão. Abusar de crianças já é do mais baixo que se pode chegar enquanto ser humano, mas ser um abusador que tem a lata de ir à TV promover os seus serviços de babysitting e ainda dizer estas coisas com a maior descontração do mundo é todo um novo nível subterrâneo. No entanto, temos de lhe reconhecer o valor, pois além de empreendedor é bom actor. Pela entrevista não diria que é pedófilo, diria que, no máximo, gosta de jogar Magic. A Cristina Ferreira disse que ele era uma bandeira para a igualdade de género para mostrar que não há profissões de homens e de mulheres. Ups. Afinal não, afinal é mais uma nódoa na bandeira, ou uma suástica na bandeira da igualdade de género. É a prova que às vezes o preconceito até tem alguma razão de ser.

No entanto, não podemos colocar todos os abusadores no mesmo saco. Há pedófilos que abusam das crianças e depois vão-se embora sem qualquer preocupação, o João não.

Preferiam ser abusados pelo Bibi ou pelo João que depois de vos ir ao rabo vos ajudava a fazer os trabalhos de casa?

Quer dizer, não sei se seria por esta ordem, mas seja como for. O Carlos Cruz alguma vez ajudou uma criança abusada a montar o Castelo da Playmobil? Duvido muito, mas o João brincava horas com as crianças, as pessoas é que só vêem as coisas más.  O João cobrava 6€ por cada hora de serviço ou 7€ se fosse depois das 21 horas. Isto é tudo uma questão de perspectiva, porque se fosse com adultos e fosse uma mulher, 6€ para vi cá a casa dar-me banho, ajudar-me na contabilidade e ainda me sugar as miudezas, era uma pechincha. O João tinha um anúncio online onde se lia "Olá papás e mamãs! Faço serviço de babysitter (à hora) e de ama ao domicílio. Sou de confiança, responsável, dedicado e com muito amor para dar aos pequenos". Na parte do dedicado e com muito amor para dar aos pequenos não mentiu, houve foi uma falha de interpretação porque a escrita nem sempre transmite o sentimento que queremos. Imaginem o João a dizer isso enquanto passa a língua nos lábios e ajeita os boxers por cima das calças e prolonga a parte "muitoooooo amooor". No fundo, ele sempre foi sincero, as pessoas é que não perceberam. Faltava ali um emoji com a língua de fora no fim para transmitir a vibe violadora adequada. "É mais fácil para mim "trabalhar" com as crianças do que trabalhar com os pais", disse João à Cristina. A palavra trabalhar está entre aspas porque o João fez aspas aéreas ao dizê-la. O João estava a dar-nos tudo para descobrirmos o mistério, mas ninguém percebeu. Claro que é mais fácil "trabalhar" com as crianças, são mais pequenitas e ficam a dormir com um calduço bem dado. Quando a Cristina Ferreira lhe perguntou duas palavras que identificassem a sua profissão ele disse "chuchas e brinquedos". Enfim, só não montou o puzzle quem não quis. 

No seu Instagram multiplicam-se as mensagens de ódio deixadas em forma de comentário às suas fotografias. É o linchamento popular da era digital, feito por pessoas com muito tempo livre que apenas querem ver o seu ego inchado por acharem que estão a fazer justiça de alguma forma.

Esqueceram-se foi que ele não deve ter telemóvel na prisão e se tiver é um Nokia 3310 enfiado no rabo e não anda a passear no Instagram. 

O João foi apanhado e condenado e confessou às autoridades que tinha dificuldades em controlar-se perante crianças do sexo masculino e que fez "carícias a uma ou duas crianças". Não foram carícias, meu monte de merda, foram abusos. Depois, quando alguém diz "uma ou duas" é porque foram muitas mais. Quando um gajo é parado numa operação stop e o polícia nos pergunta "Bebeu alguma coisa?" e um gajo responde "Uma ou duas cervejas" o polícia sabe logo que foram pelo menos 10. O João diz que não se consegue controlar, o que até poderia ser o caso, não fosse ele ter escolhido profissões onde pode ter contacto com crianças. Se o termo "pedofilia premeditada" existe, o João é um dos maiores embaixadores. 

Mesmo depois de sair da prisão, cumpra os 6 anos ou metade por bom comportamento - o que é fácil para o João porque não há crianças na prisão - a condenação inclui a proibição de qualquer contacto com crianças a nível profissional durante os próximos 15 anos. Sinto que há ali um buraco que pode ser explorado e não estou a falar dos buracos que o João explorava, estou a falar do "nível profissional". E se for voluntariado como hobby, já pode estar ao pé de crianças? 15 anos? Ao fim de 15 anos a pedofilia passa? Quem faz as leis deve pensar que é tipo verruga que com o tempo desaparece sozinha. Eu sei que daqui a 15 anos as crianças que o João abusou já são adultas, mas há crianças novas a aparecer todos os dias.
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20 de setembro de 2019

Valete Vs "Feministas" e Politicamente Correctistas



Valete, um dos rappers mais aclamados de Portugal - por pessoas que efectivamente gostam de rap e não pelas alunas do 7º A de Cascais que acham que rap é malas Gucci e carros alugados no stand do Alfredo só para o show off do vídeo - está no meio de uma polémica devido à sua última música. Para quem não a viu e ouviu, aqui fica:


Numa das notícias lê-se que este novo tema está "a ser associado a um apelo à violência contra as mulheres e humilhação do sexo feminino.". Muitas vozes insurgiram-se, dizendo que é uma péssima influência para a sociedade, especialmente para as crianças, dando o exemplo de um miúdo de 11 anos que gosta muito do Valete. Pois, se calhar os miúdos de 11 anos não deviam ver aquilo, tal como não devem ver um filme do Tarantino. Os pais que lhes metam trela que o Valete não é o Batatinha nem nunca quis ser. Estamos a falar de um gajo que sempre pautou o seu percurso por uma mensagem de igualdade e de activismo pelos mais marginalizados e esquecidos. Um gajo que sempre se assumiu de esquerda e que pelas letras parece ser de uma esquerda bem extremada, mas não tão extremada quanto aquela que agora anda por aí e que parece confundir arte com opinião.

Confesso que sempre achei estranho que o politicamente correcto perseguisse humoristas, mas se esquecesse dos rappers. Sempre achei estranho levar-se uma piada a sério e ninguém fazer isso com as letras de rap. Se a moda pega, não sei se há moralistas do sofá suficientes para escrutinar piadas e letras de rap ao mesmo tempo. Vão começar a ter trabalho e isso significa que rapidamente se calam. Os comediantes e os rappers têm muito em comum: estão na moda, só precisam de um micro e enchem salas em todo o país. O rap sempre foi o patinho feio da música, tal como o stand-up sempre foi o patinho feio do teatro. As coisas mudaram e ambos têm projecção e monetização e é muito por isso que os holofotes lhes estão apontados. Falam da responsabilidade que devem ter, mas na verdade é tudo muito por causa do buzz que dá falar neles. As pessoas podem não gostar e dar a sua opinião? Claro! Não podemos acusar as pessoas de serem intolerantes respondendo com intolerância sobre as suas opiniões. Não gostar? Legítimo. Achar violento? Tudo bem.

Achar que é uma apologia à violência e humilhação das mulheres? Podem ter essa opinião, tal como posso opinar que quem pensa assim é meio atrasado mental.

Aliás, é por aí que quero começar: quem acha que aquilo é um apelo à violência sobre mulheres é um atrasado mental. Pode ser interpretado dessa forma por atrasados mentais que gostam de bater em mulheres? Pode, não digo que não, tal como o Kill Bill pode ser interpretado por gajas malucas como um apelo a vestir um fato de treino amarelo da Primark e comprar uma espada para andar a matar gente na rua. Gente que interpreta mal as coisas haverá sempre, dos dois lados da barricada e, pasme-se, são ambos totós. Tanto os pseudo feministas, como os machistas que também viram as coisas desse prisma.

A meu ver, o vídeo é uma curta metragem, uma história e, como tal, nem precisa de ter mensagem. Retrata, até, a realidade, infelizmente. Sim, as mulheres também traem e há homens que quando são traídos matam as mulheres e os amantes. Infelizmente, o que o Valete retrata acontece vezes a mais pelo mundo inteiro. Acho que só um palerma é que vê aquilo como um normalizar ou incentivar violência sobre mulheres. Para mim, aquilo, além de ser arte e um bom rap em formato de storytelling, pode ser um alerta. É um murro no estômago para algo que acontece, retratado de uma forma crua e violenta como merece, sem paninhos quentes. Se calhar, até faz mais pela prevenção da violência sobre mulheres do que artigos da Fernanda Câncio.

Por exemplo, à pala do Valete, já vários artigos sobre a violência foram escritos e feita a chamada de atenção de que só este ano já morreram 21 mulheres vítimas de violência doméstica. O machista afinal está a alertar. Giro. Se calhar é esse o papel da arte, agitar as aguas, não sei, o burro devo ser eu. Quer dizer, se até Dezembro morrerem 100 mulheres e todos os homens que as mataram tiverem no histórico do YouTube a música do Valete, aí se calhar temos de dar a mão à palmatória e perceber que o Valete é um génio que apenas com uma música consegue influenciar tanta gente, embora ninguém tenha assassinado o Bush em 2004 quando ele lançou o rap "Fim da Ditadura". Estranho. Aliás, a culpa dos tiroteios é dos jogos de computador, como todos sabemos, e agora de cada vez que um caçador acertar chumbada na cara da mulher, a culpa é do Valete.

Se o BFF incentiva o femicídio, então "Os Maridos das Outras" do Miguel Araújo é um incentivo a ridicularizar e generalizar todas as mulheres que nunca estão contentes com o que têm; o "Faz Gostoso" da Blaya é uma apologia à traição e à utilização de roupa de marca cara por pessoas de bairros sociais.

Se o Valete incentiva a que se matem mulheres, então o David Carreira incentiva à surdez.

Entre os que criticam o Valete, aposto que há alguns que continuam a gostar do Chris Brown e até foram ao concerto dele em Portugal em 2016. É que se virmos bem, a música dele não fala de bater em mulheres, por isso é na boa. Por acaso, ele bateu em mulheres, mas há que separar a obra do artista neste caso. Vejam o Paco Bandeira que em nenhuma das músicas dele falava de violência doméstica. Isso sim, é um homem a sério que guarda essa parte pessoal para si e não anda aí a influenciar negativamente as pessoas com as suas letras. "Ó Elvas ó Elvas, levas uma que te vazo uma vista" poderia ter tido muito mais sucesso, mas o Paco é um senhor.

Quase que aposto que nenhum dos homens que matou mulheres este ano era fã de rap. Pelas idades e geografia, aposto que muitos gostavam de Tony Carreira. Vamos culpar o Tony? Não digo que não haja pessoas legitimamente preocupadas com a influência negativa que pensam que um vídeo daqueles pode ter. Acredito que sim, mas a maioria é "Olha isto a bater bué no YouTube, boa oportunidade para eu aparecer um bocadinho e mostrar a todos o quão boa pessoa eu sou e talvez angariar uns guitos!" Só para não me chamarem hipócrita por estar a fazer o mesmo, todo o dinheiro gerado com esta publicação será doado à minha cadela para comprar biscoitos.

Os que criticam e apelidam de grotesco e perpetuador de discriminação de género, são muitos dos que idolatram as Kim Kardashians da vida e, já que querem saber a minha opinião, essa é que influencia milhões de jovens mulheres a serem fúteis e talvez esse seja um real perigo para a luta feminista.

A arte tem de ser livre, mesmo que às vezes tenha repercussões indesejadas. Perigoso é limitar essa liberdade e achar que toda a ficção têm consequências reais. Nesse caso, a "Paixão de Cristo" seria um incentivo à violência contra o pessoal de barba e cabelo comprido; o "Jurassic Park" seria um incentivo a não confiar em gordos que sabem de computadores; e o "Titanic" seria um incentivo à desigualdade porque o Leonardo é que se fodeu à pala da Kate que não lhe deu um espacinho na porta e, além de discriminar os homens, discrimina os pobres, pois a Kate era rica. Buh. Devia ser proibido! Ah, e é uma das razões pelas quais as pessoas não se preocupam com o aquecimento global porque deu muito mau nome aos icebergs que ainda hoje tentam recuperar da má fama com que ficaram. É certo que o filme Jaws influenciou muitas mortes de tubarões, mas falar disso podia prejudicar o meu ponto de vista.

Não digo que a arte não tenha consequências reais no mundo, já que influencia a cultura e correntes de pensamento, mas acalmem lá as patarecas metafóricas e deixem de ser coninhas. Há verdadeira violência contra mulheres, há verdadeiro racismo no mundo, há verdadeira discriminação de género e de orientação sexual em muitos sítios. Acho que o último onde deviam procurar era em músicas de rap, mas é mais fácil, eu sei, até porque ficou nas trends e nem foi preciso pesquisar nada. Até sou da opinião que muito do rap norte-americano perpetua um estereótipo negativo para comunidades negras e que pode influenciar negativamente os jovens a acharem que vender droga e viver no crime é cool e gangsta. Agora, se os problemas da sociedade e desigualdades estivessem resolvidos, não era o rap que os levava para o crime. O rap é reflexo da sociedade, não é causa dos seus problemas. 
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26 de junho de 2019

Marcha de Orgulho Heterossexual



Dia 21 de Setembro haverá uma Marcha do Orgulho Heterossexual. Acho bem, fazia falta algo para celebrar a heterossexualidade e lutar contra o preconceito e discriminação que nós, todos os heterossexuais, sofremos diariamente. Lembro-me quando, por volta dos 15 anos, me assumi como heterossexual aos meus pais. Foi muito complicado eles aceitarem, especialmente porque tinham medo do meu futuro e do sofrimento que este me poderia trazer. Lembro-me de dizerem, a chorar "Ainda por cima tu queres ir para informática e és heterossexual? Nem há gajas em informática e as que há têm bigode e fazem lembrar homens... ainda se fosses bi! Agora assim vais acabar sozinho?". Foi difícil para eles, especialmente para a minha mãe, que sempre sonhou em ter um genro gay que a ajudasse na decoração para a casa e fosse às compras com ela. Assim, teria uma nora e todos sabemos que as mulheres de hoje já não são prendadas como as de antigamente e que eu teria de cozinhar todos os dias. Lembro-me de os meus pais me dizerem que era uma fase, que eu estava confuso e que era uma moda influenciada pelos filmes e histórias da Disney em que há sempre um casal heterossexual. Não foi uma fase, ainda hoje aprecio pipi, apenas e só.

Ser heterossexual sempre foi complicado e as pessoas não sabem pelo que nós, especialmente os homens heterossexuais passamos. Primeiro, temos de aturar mulheres como parceiras e companheiras de casa, ter o ralo da banheira sempre entupido de cabelos e, pior, depois do sexo temos de conversar. Os gays têm a vida facilitada: se forem homens, querem é despachar, vir-se e ir jogar Playstation ou cantar Mariah Carey no Sing Star; se forem mulheres querem as duas ficar a conversar. A discriminação de ser um homem heterossexual começa logo na adolescência e nas relações amorosas: lembro-me de estar interessado em alguém do sexo oposto e sentir a pressão de ser eu a tomar a iniciativa para ir falar com ela; nos gays não há esse problema, já que qualquer um pode dar o primeiro passo por estarem em pé de igualdade genital. Também nos restaurantes os homens heterossexuais são discriminados, tanto aquando da prova do vinho como quando o empregado traz a conta. Partem do princípio que, por sermos o homem do casal, temos de ser nós a provar o vinho e lá temos de fazer aquela triste figura de fingir que entendemos de taninos e robustez de sumo de uva. Com os casais homossexuais tal não acontece e o empregado serve o vinho a quem calhar ou àquele que parecer menos rabicho.

A esta discriminação junta-se o assédio de que os heterossexuais são alvo todos os dias. A imposição violenta da homossexualidade a todos nós é um flagelo desta sociedade progressista. Quantas vezes não estamos no multibanco a levantar dinheiro e um gay se posiciona atrás de nós, encosta-se e pensamos que é um assalto, mas não: é uma violação. Começa a fazer amor com o nosso rabo e acabamos por nos enganar a meter o PIN, várias vezes, e ficamos com o cartão bloqueado. É uma situação bastante aborrecida. Nas praias também sentimos essa imposição da homossexualidade de cada vez que, especialmente em dias de muito calor, vem um grupo de gays e faz um arrastão de picha. Um magote de gays, em sunga e com corpos oleosos, varre o areal e viola toda a gente a chapadas de pila. É terrível porque no fim um gajo já não sabe o que é protector solar e o que não é.

Por tudo isto e muito mais, faz todo o sentido haver uma marcha de orgulho heterossexual! Este é o cartaz do evento de Facebook que está a convocar a marcha hétero.

É horrível, não é? Pois, sabem porquê? Porque não têm um designer gay com bom gosto. Até nisto os heterossexuais sofrem, na falta de tacto para conjugar cores e escolher bons tipos de letra. Ficámos presos no tempo do Paint e do Word Art, enquanto os gays evoluíram mais rápido para o Photoshop porque gostaram do nome do programa por lhes fazer lembrar compras.

Deixo algumas sugestões de actividades para a marcha de orgulho heterossexual. Em vez de músicas como YMCA, passar músicas românticas com letra de amor heterossexual dos Queen e do George Michael, especialmente da altura que tinham bigode. Em vez de drag queens, devemos ir todos vestidos de polícias e pedreiros, profissões másculas, mas temos de ir mal vestidos e sem estilo nenhum para celebrar a heterossexualidade! Outra coisa importante é levar algumas crianças para abandonar à porta de orfanatos.

Com a adopção de crianças por parte de casais do mesmo sexo, é importante repor o stock de crianças abandonadas por heterossexuais para mostrarmos o valor da família tradicional!

Como é que eu agora termino com este discurso irónico e falo mais a sério sem quebrar a genialidade do texto? Já sei, faço um parágrafo a dizer que vou mudar o tom a partir de agora e passar para um registo mais sério. Pronto, já está.

Marcha de Orgulho Heterossexual é uma palhaçada, foda-se. “Se há orgulho gay porque não há orgulho hétero?”, perguntarão alguns. Eu explico, meus pequenotes. Ter orgulho em ser gay é tão parvo como ter orgulho em ser hétero, sim, já que não é uma escolha e ter orgulho em coisas que não dependem do nosso esforço ou dedicação não faz sentido. Ter orgulho em enfrentar o preconceito e ter a coragem de viver como queremos viver, isso, sim, já faz sentido. Ter orgulho em todos aqueles que lutaram contra a discriminação e o estigma, sim. Perceberam? Ter orgulho em gostar de chupar pilas, é parvo, mas ter orgulho em saber chupar bem uma pila, aí sim, já é válido, tal como eu tenho muito orgulho em ser um mestre no que faço. A questão é tão simples que me sinto sujo em ter de a explicar, mas a verdade é que assumir a homossexualidade ainda é, muitas vezes, lutar contra algo. Assumir a heterossexualidade não é nada até porque ninguém precisa de a assumir, pois todos partimos do princípio que alguém é heterossexual a não ser que seja uma mulher com cabelo curto que conduza camiões ou um gajo de perninhas fininhas que use pochetes. Nesse caso assumimos que são gays. Preconceito? Sim, mas preconceito quase sempre certeiro.

Haver uma marcha heterossexual é o mesmo que haver uma marcha de orgulho organismo multicelular só para ver as amebas todas fodidas a refilar.

Agora, acalmem lá é a patareca lésbica e a pila que gosta de rabo de homem que a sigla está a ficar muito grande. LGBT está bom, fica no ouvido. LGBTQIAPK+? Andamos a brincar? É uma serial key para crackar o Office? Ficamos com LGBT+, pode ser? Embora me traga traumas por me fazer lembrar os meus tempos de informático em que C++ era um pesadelo. Os apontadores eram uma merda, embora em LGBT+ também existam apontadores em caso de orgia de homens, havendo sempre um que serve para apontar. Bem, já chega de piadas nerds.

Dito isto, as marchas gays têm todo o meu apoio, podem ser exuberantes com gajos com plumas e lanternas enfiadas no rabo a dizer que são pirilampos. Por mim, tudo bem, transexuais, intersexo e tudo isso, não tenho nada a ver com o assunto. Identificas-te com um estegossauro e metes 7 pilas ao longo da coluna vertebral, alinhadas com os chakras, e dizes que és um estegossauro de pichas? Estás no teu direito, não tenho nada a ver com isso, mas não fiquem chocados por haver pessoas chocadas, até porque muitos se vestem assim para chocar. É normal, há pessoas mais conservadoras que vão achar aquilo uma palhaçada. Meter a pila num ninho de vespas e depois dizer que as vespas picam não vale de protesto porque toda a gente sabe que as vespas picam. Sim, as vespas deviam ter mais tolerância, mas sabemos que não têm, é preciso educar ou esperar que morram.

Mas bem, é por tudo isto que faz sentido haver uma marcha gay e não uma marcha heterossexual. Primeiro, porque marchar é um bocado maricas, depois porque houve e ainda há, em muitos países, verdadeira discriminação contra a homossexualidade - dá pena de morte em muitos casos - e, que eu saiba, meter pilinha no pipi só dá morte se a dona do pipi for casada com um gajo que tem uma arma. A marcha de orgulho gay não deve ser encarada como “Eles acham que os gays são melhores!”. Claro que haverá lá gays palermas que pensam assim e querem chamar à atenção para o seu novo corte de cabelo, mas a premissa e origem é muito mais profunda do que a futilidade aparente do evento e não é preciso ser muito inteligente para perceber isso.
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11 de junho de 2019

Dúvidas sexuais e sentimentais respondidas pelo Doutor G



O Verão está aí à porta e, com ele, chega a época de maior prática e funaná pelado. Como tal, o Doutor G tem sido inundado com dúvidas e, por isso, vamos sem demoras dar início a mais um "Doutor G explica como se faz".


Bom Dia Sr. G, estou saindo com uma ex garota de programa, não a conheci na ex-profissão, mas vou direto ao ponto: ela tem uma enorme experiência e eu no caso não tenho nem uma, e isso me assusta um pouco, como posso lidar com a situação? 
Anónimo, 21, Rio de Janeiro 

Doutor G: Caro Anónimo, você está sendo muito coninhas, ou, aliás, bucetinhas. Se tu não tens experiência e ela tem muita, encara essa relação como uma formação/workshop gratuito. A maioria dos homens tem de pagar e tu tiveste direito a um giveaway de surra de bunda. Pergunta-lhe se tem o CAP de formadora que é para no fim teres direito a um certificado para poderes meter no CV. Tens de ver pelo lado positivo, se ela era garota de programa e está contigo de borla é porque gosta mesmo de ti, ou então és rico e estás a pagar os jantares todos e as férias e, afinal, ela ainda é garota de programa, mas sem carteira profissional. Outro ponto positivo é que se ela era garota de programa, provavelmente já esteve com gajos muito piores do que tu que só conseguiam sexo a pagar. Sim, também teve com outros muito melhores, mas o que interessa é que provavelmente não és o pior e sempre tens tempo para aprender.


Boa noite, acabei com a minha ex a uns 6 meses. Claro passei por aqueles momentos de desgosto e de não querer saber dela. Ela veio falar comigo a 3 semanas atrás e temos vindo a falar e tem vindo a cima os sentimentos. Nos acabamos porque não tínhamos nada em comum e era só funana pelado. Uma pessoa tem que procurar o bom de dois mundos, tanto o sexo como o intelectual. Não sei o que fazer, dar uma tentativa e possa ser desta ou deixar onde esta e ir a procurar de outras damas.

Anónimo, 23, Porto 

Doutor G: Caro Anónimo, apetece-me dar-te duas chapadas à padrasto devido aos erros a conjugar o verbo haver, mas é uma guerra que o Doutor G admite já ter perdido. É a vida, temos de saber quando desistir. Por isso, vou só dar-te chapadas à padrasto por outro motivo: voltar para o ex é comer comida com bolor e nem estou a falar de queijo que dizem que fica melhor. Se há 6 meses não tinham nada em comum achas que agora vão ter? Um semestre não chega para uma pessoa mudar muito a não ser que seja em Erasmus em Amesterdão e tomar cogumelos mágicos e descobrir que, afinal ,a vida não faz sentido e ficar lá a viver numa quinta ocupada por punks anti-capitalismo que fazem fila para comprar o novo iPhone. No fundo, esses sentimentos que sentes a vir ao de cima são as saudades de te vires em cima dela. Sou um romântico, eu sei. Agora, tu é que sabes quais eram as incompatibilidades e se achas que podem ser ultrapassadas. Faz assim, quanto estiveres com vontade de estar com ela, toca um solo de oboé e se, no fim, ainda tiveres vontade de a ver, pode ser amor, caso contrário era só vontade de voltar a um pipi onde já foste feliz.


Olá Doutor G, ao final do primeiro mês de namoro ele já falava em vivermos juntos e ter filhos. Disse-lhe para irmos com calma e construirmos algo sólido. Tudo corria às mil maravilhas e já fazíamos planos para daqui a uns anos quando o comportamento dele muda por completo. Quando lhe apetecia estar comigo agia como se nada se tivesse passado, mas no resto do tempo era como se eu não existisse. Para ele estava tudo bem em manter as coisas assim, embora eu notasse que ele parecia fazer de tudo para que eu terminasse o namoro e para me afastar da vida dele. Cansei-me e disse-lhe que não tinha feitio para ser a amiga colorida e que ele não tinha tomates, preferindo faltar-me ao respeito. Ele não negou e, mesmo assim, tentou que fosse eu a terminar passando essa responsabilidade para mim. Eu pu-lo no lugar e disse-lhe para ele ser homem por uma vez na vida e ele lá acabou por dizer que era melhor terminarmos porque não tinha respostas para mim e que para ele estava tudo bem. Terminarmos foi o melhor que podia ter acontecido, mas eu não entendo qual é o gajo que diz à namorada que quer fazer planos e ter filhos e depois quer transforma-la numa amiga colorida. Qual é a lógica deste comportamento? O gajo é parvo ou faz-se?
Anónima, 26, Lisboa

Doutor G: Cara Anónima, ora bem, a resposta é simples: ele no início estava apaixonado por ti e foi perdendo o encanto. Isso ou fazia-te juras de amor eterno só para ter direito a sexo anal, é uma técnica ancestral utilizada até por padres que juram amor eterno a Deus e depois usam o rabo de crianças como estojo para o pénis. Sou um génio das metáforas, obrigado. Bem, no entanto, e se me permites, podemos também estar perante um quadro de "namorada needy ninja cinturão negro mastershit". Repara: pelos vistos, tu é que não estavas satisfeita com a situação, mas ele dizia que estava tudo bem. No entanto, achavas que a responsabilidade de acabar era dele? Quem está mal é que se tem de mudar e se não estavas a sentir-te respeitada, esperas que ele acabe em vez de seres tu a dar-lhe um chuto no cu? Não me digas que és daquelas mulheres que no restaurante diz sempre "tanto faz, escolhe tu", não há nada pior que pessoas sem iniciativa, especialmente quando essa iniciativa é para seu próprio proveito. Ele foi com tudo no início e tu disseste para ele ir com calma, e ele foi, mas com calma a mais para o teu gosto. Resumindo, ele pode ser um cabrão, sim, pode ter arranjado outra entretanto, ok, mas pode simplesmente ter deixado de ver um futuro contigo no horizonte e isso pode ser por muitas coisas e uma delas é por lhe teres chateado tanto a cabeça. Ponto positivo: não deixou de gostar de ti porque o sexo era mau, caso contrário não te tinha mantido como amiga colorida. É sair da relação de peito erguido que ainda és nova e isso não descai tanto.


Caro Dr. G, vou ser direto: adoro lamber o ânus da minha namorada. Quando estou-lhe a fazer sexo oral gosto também de lhe lamber o ânus. É normal? É um caso clínico recorrente? As mulheres tendem a gostar? Pergunto isto porque quando pergunto a minha namorada ela diz que não sabe muito bem se gosta ou não, que é estranho. É de notar que apenas o faço ao fim de um banho, por razões óbvias.
Anónimo, 29, Lisboa 

Doutor G: Caro Anónimo, ainda há pouco tive essa conversa com outros membros do sexo masculino. Um deles gostava dessa prática, o outro dizia que era nojento. O Doutor G aprecia bastante e recomenda a prática, desde que feita com higiene, obviamente. É até uma falta de respeito não o fazer, repara: aquando do cunilingus o ânus está ali a escassos centímetros de distância e seria até, indelicado, não o cumprimentar. Se vais subir ao primeiro andar e encontras um vizinho no rés-do-chão não lhe dizes olá e dás, se ele quiser, dois dedos de conversa? Ora bem, no sexo é igual. O ânus tem terminações nervosas e pode ser usado como fonte de prazer, tanto para mulheres como para homens, sejam heterossexuais ou não. As mulheres tendem a gostar, dizem até que é uma nova tendência na sexualidade dos mais novos, mas cada caso é um caso e é ir vendo, se ela diz que não desgosta, estás num bom caminho. Coisas a ter em conta:

  1. Se ela faz a depilação genital, mas deixa um tufo no rabo, significa que não há cá brincadeiras naquela zona. Se ela deixa uma espécie de rabo de esquilo é porque para ela aquilo é terreno baldio onde nada deve ser plantado.
  2. O Doutor G, apesar de ser um javardo, sente uma responsabilidade que veio com tamanho poder: o sexo oral no ânus pode transmitir DSTs e outras bactérias, por isso vejam lá isso. Vou dizer para não fazerem porque vocês vão fazer na mesma, por isso, ao menos lavem-se bem e se virem um alto não é brinde do bolo-rei, é hemorróida ou cancro do cu.
Caro Doutor G. uma amiga minha, que vou intitular de Alzira, pediu-me ajuda mas eu achei que o Doutor era a pessoa mais indicada. Ela é casada, mas recentemente, verificou que o seu médico de família passou a ser um jovem doutor. Está bom de ver que passou a ser hipocondríaca e passou a contrair tudo o que era viroses. Depois de inúmeras idas ao centro de saúde e muitas horas de conversas, a Alzira verificou que havia uma certa empatia e um crescente clima entre eles. Ele discretamente vai dando sinais e ela já só fantasia com ele a fazer-lhe um exame completo ao pipi na marquesa do consultório. Mas isto já dura há meses (e aproximadamente 50 idas ao consultório), e ele não avança. As dúvidas da Alzira são as seguintes:
  1. Será que ele nunca vai avançar devido ao código deontológico que o rege?
  2. Será que ele tem medo de avançar por ter medo que ela faça queixa caso o desfecho seja insatisfatório?
  3. Será que ele não avança por ela ser casada?
  4. Como deixá-lo antever que ela está aberta a pular a cerca com ele (mas sem ser óbvio demais para o caso de estar a interpretar o comportamento dele mal e levar a tampa do século)?
Por favor, Doutor G., ajude esta minha amiga.
Uma amiga preocupada, 30, Porto

Doutor G: Cara Alzira, quer dizer, amiga da Alzira, assim é que é, enganei-me, o meu primeiro conselho é que a tua amiga peça o divórcio. Depois, quem me dera ter um médico de família assim, não que quisesse que me auscultasse o rabo, mas um que atenda assim tão rapidamente e que seja empenhado no seu trabalho. A minha médica de família demora duas horas a escrever no computador e não sabe coisas tão simples como o número de cigarros que um maço tem, além de ter de ser aqui o Doutor G a alertá-la para valores que podem estar mal nas análises. No fundo, a minha médica de família é uma espécie de Google, mas que passa análises e exames. Estará extinta em menos de dez anos quando a inteligência artificial fizer melhor o trabalho dela que, pelos vistos, foi para o curso por prestígio e não por vocação, ao contrário do Doutor G que está aqui a dar consultas de borla e se preocupa, de facto, com os seus pacientes. Bem, depois deste desabafo, vamos ao que interessa e às tuas dúvidas... da Alzira, perdão:
  1. Duvido que ele avance, mas se ela avançar duvido que ele se lembre do juramento de Hipócrates.
  2. Vivemos tempos em que dizer "bom dia" pode ser considerado assédio, por isso imagina um médico dizer "bom dia, agora dispa-se para eu lhe fazer um esfreganço cervicovaginal com esta espátula de chicha.". Pode ser perigoso e se o médico é novo, ainda pode não conhecer bem os médicos chefes para o encobrirem depois de fazer merda.
  3. Ela que apareça sem aliança a ver se há alguma mudança no comportamento dele. Se ele der conta e, por acaso, referir esse facto, é porque está interessado e tu... a tua amiga, pode dizer "Olhe, se calhar perdi em algum lado onde ando sempre a meter os dedos a pensar em si, veja lá, doutor". Se eu não sou um génio, não sei quem será.
  4. Aqui o ónus está do lado da Alzira. Ele está em ambiente profissional e, por isso, se ela quer que ele lhe meta outra coisa na boca e lhe peça que diga "Ahhh", tem de ser ela a ir directa ao assunto. Não pode ser discretamente, tem de arriscar a tampa e ter de mudar de médico de família. A vida é assim, feita de escolhas.
Vá, boa sorte para ti... para a tua amiga Alzira.


Caro Dr. G, namoro há 4 anos com uma sujeita e até hoje não tenho razões de queixa, apenas acontece uma coisa que não me agrada: Sempre que fazemos sexo, eu primo por ser ela a primeira a vir-se e só depois chega o meu momento. Acontece que quando ela vem-se fica muito "aterrada" e, apesar de continuarmos para eu me vir, ela já quase não quer trocar de posição e basicamente parece que estou a fazer sexo com uma boneca. Já falei com ela sobre este assunto e ela já tem melhorado neste aspecto, contudo gostaria de saber a sua opinião e se tem algumas dicas para dar a volta a esta situação.
Anónimo, 24, Portugal Continental


Doutor G: Caro Anónimo, desde já deixa-me dar-te os parabéns por duas coisas: primeiro, por saberes conjugar o verbo haver; depois, por seguires os ensinamentos do Doutor G e te empenhares em fazeres questão que a tua namorada atinja o clímax. O prazer delas deve estar sempre em primeiro lugar, não porque elas mereçam, mas porque se andarem satisfeitas sexualmente ficam menos chatas. Bem, o orgasmo feminino pode ser muito poderoso e o facto de ela ficar "aterrada" só pode abonar em teu favor. Tens de lhe dar um tempo, faz uma pausa para ir comer ou ver um episódio de uma série e depois ela que trate de ti com o mesmo empenho com que tratas dela. Se ela recusar, bem, já sabes o que sente a maioria das mulheres que fica a meio porque o homem se vem sem se preocupar com elas e a seguir vira-se para o lado e dorme.


Acho que foi uma boa consulta, concordam? Gostaram muito? Pronto, então pensem nisso ao ver as últimas datas do meu espectáculo a solo e respectivo link para comprar bilhetes.

15 de Junho - Viana do Castelo - Clica aqui para bilhetes

21 de Junho - Porto - Clica aqui para bilhetes
20 de Julho - Barcelona - Clica aqui para bilhetes

E é isto. Façam o favor de continuar a fazer chegar as vossas dúvidas para a caixa de correio electrónico do Doutor G: porfalarnoutracoisa@gmail.com.
Obrigado e, como sempre: 

Façam amor à bruta porque de guerras o mundo já está cheio.

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26 de maio de 2019

Amizade com os ex, virgindade, relações à distância



Cá estamos. Sem demoras, vamos dar início ao mais conceituado consultório sentimental e sexual do mundo, "Doutor G explica como se faz":

Caríssimo Dr. G, estou com um grande dilema. Quero practicar o sexo com o meu amado, mas assim que lhe disse que ia passar o fim de semana em casa dele, a primeira preocupacao dele foi a m#$%@ do jogo dos play-offs da NBA, que ia passar à uma da manhã. O que fazer????
Anónima, 25, Porto Salvo

Doutor G: Cara Anónima, ainda se fosse para ver futebol, tudo bem, era de homem, agora basquetebol? É trocar de namorado. Homem que prefere ver negões grandões a suar do que degustar pipi, é homem que não serve. Dito isto, podes satisfazê-lo enquanto ele vê os jogos, tentando que ele crie um condicionamento pavloviano e, assim, sempre que ele vir NBA fica com uma ereção e pode ser que desista de ver o jogo e vá tratar de ti. Também pode fazer com que ele fique com uma ereção sempre que vê um sujeito de cor mais escura o que significa que se andar de comboio na Linha de Sintra vai andar sempre de pau feito. É uma experiência gira que podes fazer. Dito isto, também pode dar-se o caso de tu não seres suficientemente boa na cama que justifique deixar de ver o jogo. Há pessoas que mais vale jogar playstation do que ter o trabalho de tomar banho para nos lavarmos por baixo.


Caro Doutor G, tenho uma namorada à cerca de 1 ano e meio, e quando estamos juntos a relação é formidável, bom sexo, identificação emocional e tudo o que se quer. O problema é que de há 6 meses para cá estou a estudar em Inglaterra, e ela em Portugal permanece. No início corria bem, mas recentemente descambou. Ela andou a ter conversas indevidas com outros rapazes e eu descobri, em duas ocasiões distintas. Creio que nunca consumou nenhum pecado extra-relacional, mas a dúvida permanece. Quando a confrontei ela mostrou genuíno arrependimento, pediu desculpa e disse que nunca se voltaria a repetir. Pouco depois disso vim fazer férias a Portugal e tudo correu às mil maravilhas como costume. O problema é que esta situação se vai prolongar pelos próximos 3 a 4 anos, enquanto terminamos os estudos respetivos. No entanto, depois de tudo o que aconteceu, tenho alguma dificuldade em confiar, e em imaginar como é que após um primeiro ano atribulado, poderão as coisas rumar a melhor porto nos próximos 3 anos.
Anónimo, 22, Inglaterra 

Doutor G: Caro Anónimo, toda a gente mostra genuíno arrependimento depois de ser apanhado. Ora bem, o flirt é normal e estando vocês longe, ainda mais natural que haja jogos de sedução. Erro teu que foste cuscar, quem procura encontra sempre alguma coisa que não gosta até porque, muitas vezes, tiram-se as coisas do contexto. Agora, depende do teor das conversas. Se era "Ui, estou aqui com uma falta de salpicão, o meu namorado está longe e comia bem agora a tua morcela", nesse caso, a não ser que ela adore feijoada e cozido, parece-me que tens umas armações de marfim na testa, tenha sido o acto consumado ou não. Vocês são novos, é normal que ainda tenham a ilusão que uma relação nessa idade vã durar para sempre e resistir às intemperis da distância durante 3 ou 4 anos. Estatisticamente, tens maior probabilidade de morrer num desastre de avião a ir ter com ela para matar saudades do que a vossa relação estar viva no fim de tanto tempo de distância. Mas hey, pensa positivo, se até os aviões caem de vez em quando, pode ser que vocês sejam a excepção à regra. Spoiler alert: provavelmente, não são.


Caro Dr. G, começo por dizer-lhe que não sou apenas uma mulher preocupada e a pedir aconselhamento, somos três. E nada tem a ver connosco, está relacionado com um amigo em comum que trabalha connosco. Este amigo, vamos chamar-lhe Manuel Maria, é casado há menos de 10 anos e tem um filho. Têm os dois 27 anos. Ele trabalha, ela não (por opção). Ela foi a única mulher que ele alguma vez teve. Depois do enquadramento, passamos a explicar. Descobrimos há poucos meses, através de afastamentos do Manuel Maria com sucessivas chamadas telefónicas diárias, que a mulher dele não quer de forma alguma que ele se relacione com mulheres. Ela dá-lhe uns minutos para almoçar e liga-lhe para que passe a sua hora de almoço ao telefone com ela, garantindo assim que não há conversas com mais ninguém. Sempre que ele sai do trabalho, a primeira coisa que faz é ligar-lhe e ir a falar ao tlm até casa. Isto todos os dias. Não vai a almoços, a lanches, a nada. Muito menos a jantares, isso era a loucura. Ele desabafou connosco e confessou estar muito em baixo, discute imenso em casa porque não quer deixar de se dar com quem se deu até agora e que a mulher não acha que tenhamos conversas apropriadas (somos umas devassas aparentemente). Posto isto, já falamos com ele e explicamos que isto não é saudável, não faz sentido. Achamos que há ameaças com o filho que é ainda um bebé e sabemos o quanto significa para ele. Ao dia de hoje, ele deixou de se relacionar connosco fora do âmbito profissional. Acha que devemos continuar a insistir até que ele perceba que a mulher é maluca e que este não é de todo o caminho certo ou simplesmente só nos cabe assistir ao seu declínio até à depressão?
Três devassas, Lisboa

Doutor G: Caras devassas, todo o quadro que descrevem indicia estarem na presença de um choninhas cinturão negro master shit. Por norma, a chonice não tem cura externa e terá de ser ele a perceber que é um banana. Toda a ajuda que lhe tentarem dar, tentando com que abra os olhos, só irá funcionar ao contrário pois atrás de um choninhas está sempre uma mulher manipuladora e viperina. Vai conseguir virá-lo contra vocês e consumar ainda mais o ascendente que tem sobre o seu namorado amestrado. A única hipótese é juntarem-se as três, encostarem-no a um canto, e fazerem-lhe um arrastão de pipi ao mesmo tempo para ele perceber que há vida além da namorada controladora. A única forma de ele acordar é perceber que há coisas melhores na vida do que aturar uma namorada que abusa dele psicologicamente. Se isso não resultar, ou ele é um choninhas crónico ou vocês são três devassas de fraca qualidade. No entanto, esta vossa dúvida é importante para a sociedade, numa altura em que se fala tanto de violência doméstica para com as mulheres, esquecemo-nos dos milhares de homens bananas que são abusados psicologicamente pelas namoradas. Uma coisa é levar uma joelhada no baixo-ventre por termos queimado o arroz, outra pior é termos de ir ao IKEA domingo de manhã. A violência doméstica tem limites.


Caro Dr.G, tenho 17 anos a caminho de 18, eu não sou bom mesmo de cama. O que devo fazer, as mininas que já tranzaram comigo nunca mais querem saber de mim. Me ajuda Dr.
Anónimo, 17, Brasil 

Doutor G: Caro Anónimo, ninguém é bom de cama aos 17 anos, excepto o Doutor G que sempre foi um predestinado nas artes do funaná pelado. Tens de ter calma, elas podem não querer saber de ti depois do sexo não por seres mau na cama, mas por teres uma personalidade de merda. Também acontece, se bem que mesmo com personalidade de merda, se lhes desses uma bela surra de rola, elas quereriam repetir a dose na mesma. Ora bem, é praticar. Sexo é como a stand-up comedy, ensaiar sozinho em casa não serve de muito pois só com público é que sabemos se somos bons ou não. É seres generoso na hora de dar prazer e não seres egoísta que é o problema da maioria dos homens. Não tem nada que saber, o clitóris fica no pipi, lá dentro assim para cima fica o ponto G e não esquecer as restantes zonas erógenas da mulher que são o corpo todo. Se tens um micro-pénis, usa dois preservativos com algodão no meio para dar volume e, como não vais sentir nada, até vais aguentar mais tempo. Quem não é bom na cama tem de ser criativo e uma espécie de MacGyver do chavascal.


Doutor G, tenho 21 e sou virgem. Sempre fui uma rapariga minimamente dentro dos padrões da sociedade, apesar de ser envergonhada nunca tive dificuldade em conhecer pessoas novas, desde cedo que namorei com rapazes apesar de nunca ter sido uma prioridade nem preocupação na minha vida. Não acho que precise de ter uma relação duradoura para fazeres sexo, acho que o problema foi não ter encontrado a pessoa certa... mas a verdade é que também não tem que ser a pessoa certa para fazer sexo. A verdade é que eu não tenho assim tanta escolha devido ao meu mísero esforço, como já referi anteriormente, sou envergonhada e focada noutras coisas e um bocado seletiva. No entanto, já tenho 22 anos (e necessidades hormonais) e nunca fiz sexo nem tive uma verdadeira relação o que é uma coisa bastante estranha para a sociedade em geral. A questão é... preocupo-me ou continuo a navegar por aí à espera de tropeçar em alguém que me agrada?
Anónima, 22, Leiria

Doutor G: Cara Anónima, bem, preocupada já tu estás, caso contrário não estarias a recorrer aos serviços gratuitos do Doutor G. Este tipo de questões até me dão vontade de começar à estalada em pessoas aleatórias na rua. Tu és gaja! Gaja! E pelo que dizes não és feia! Só és virgem se quiseres. Um gajo tímido, gordo, feio e pobre é que tem direito a queixar-se de ser virgem. Uma gaja virgem a queixar-se é como o Futebol Clube do Porto a queixar-se que o Benfica comprou árbitros ou vice-versa. O Sporting é o gajo feio e pobre que se pode queixar, até porque já passaram tantos anos que já é virgem de títulos outra vez. Sim, ganhou a taça, mas todos sabemos que equivale a uma punheta lambida, no máximo. Eu não te posso ajudar a perder a virgindade, até porque sou comprometido, tu é que tens de perceber se queres esperar por alguém especial ou só queres ficar sem o selo de garantia. Se queres esperar por alguém especial, é ir conhecendo pessoas até surgir a química. Se só queres tirar o selo, é instalar o Tinder e meter na descrição "Só estou aqui para perder a virgindade" e vais ver a quantidade de pretendentes que vais ter. Tudo gajos maus na cama, provavelmente, pois só um gajo inseguro é que não quer ter termo de comparação. A vantagem é que os gajos inseguros normalmente têm o pénis pequeno e não te vai doer tanto a primeira vez.


Caro Dr. O meu problema é o seguinte, o meu relacionamento acabou à uns meses mas ela ainda diz que gosta de mim, passa a vida a perguntar aos meus amigos se ando com alguém, a "stalkear" as minhas redes sociais e afins. Concordá-mos em pôr um fim na nossa relação e tentarmos ser amigos, até ai tudo bem, até nos envolvermos e ela começar a agir como namorada outra vez e eu decidi cortar relações. Há uns dias resolvemos falar e tentar ser amigos de novo só que desta vez, para haver comunicação tenho de ser eu a meter conversa (se bem que ela começa a desenvolver) e ela só mete conversa para fazer cenas de ciúmes. Ela diz-me que não consegue ter ninguém como namorado agora e que precisa de mim como amigo na vida dela. Pergunto-me, será que ela gosta mesmo de mim e um dia mais tarde quer voltar? Ou simplesmente quer têr-me como suplente caso vá a uma festa de salpicão e aquilo dê para o torto têm-me a mim para a consolar? Ou simplesmente não quer nada mas diz para ficarmos amigos só para ficar de consciência tranquila e eu não me afastar ? 
Anónimo, 22, Porto


Doutor G: Caro Anónimo, parece-me que tu é que a queres ter no banco de suplente. Para que queres ser amigo de uma ex ciumenta? És atrasado mental ou assim? Peço desculpa, mas ficar amigo de ex já é parvo, é como guardar cotão do umbigo, agora ficar amigo de uma ex que é ciumenta e avariada das ideias? Fiquem mas é juntos que só se estraga uma casa. Dizes que ela que te quer na vida dela e tu é que metes conversa? Mas comes pipis com a testa ou quê? Foda-se, estou irritado. Pronto, já respirei fundo. Deixo-te um fluxograma para ilustrar as tuas opções:

Como esta consulta é gratuita, faz todo o sentido publicitar as próximas datas do meu novo espectáculo para, no caso de vocês serem pessoas gratas, comprarem bilhetes:

1 de Junho - Benedita - Clica aqui para bilhetes

8 de Junho - Póvoa de Varzim - Clica aqui para bilhetes
15 de Junho - Viana do Castelo - Clica aqui para bilhetes
21 de Junho - Porto - Clica aqui para bilhetes
20 de Julho - Barcelona - Clica aqui para bilhetes

E é isto. Façam o favor de continuar a fazer chegar as vossas dúvidas para a caixa de correio electrónico do Doutor G: porfalarnoutracoisa@gmail.com.
Obrigado e, como sempre: 

Façam amor à bruta porque de guerras o mundo já está cheio.

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6 de maio de 2019

Review à nova "música" da Ana Malhoa | Sobe Desce



Enviassem-me vocês fotos de cariz erótico em vez de mensagens quando a Ana Malhoa lança um vídeo e a minha vida era bem mais interessante, mas cada um colhe das árvores que plantou. Neste caso, plantei uma oliveira e vocês ficam em estado de alvoroço de cada vez que vos cheira a azeite acabado de fazer. Ora bem, vamos então ver o vídeo e, de seguida, proceder ao ensaio filosófico sobre as imagens e a música inframencionadas:


Gostaram? Mais uma vez, devo dizer que fiquei desiludido, penso que a Ana tem vindo a melhorar em todos os aspectos e isso é péssimo para mim. Sinto que, a continuar assim, este será o último vídeo da Dona Ana ao qual faço uma review. Mas, bem, comecemos pelo início:

AM, iniciais da nossa musa, fazem lembrar os rádios AM com música e som de qualidade muito duvidosa. Coincidência ou o Universo a dar umas dicas? Nunca saberemos. O vídeo começa e noto, desde logo, que a Miss Malhoa está vestida com ar de executiva e com mais classe do que é normal, fora aqueles óculos escuros de cego do Blade Runner. Podemos, até, dizer que a Ana está sexy. Está com boa pinta... ups, 15 segundos e aparece vestida como a Sheila do Cacém que se aperaltou para ir a um casamento, só que esse casamento é do Toy. Ainda tive alguma esperança nesta parte, mas foi fogo de vista e os níveis de azeite voltaram a estabilizar em seguida. Analisemos, agora, algumas passagens líricas da canção:

Eu não me canso eu tenho cardio 
Eu balanço ya tipo um pêndulo 
Isto é grande tu esquece o binóculo 
Tipo ampulheta mas eu parto o tempo

Isto parece Fernando Pessoa em ácidos, quer dizer, isso seria Fernando Pessoa normal; isto parece Camões se fosse cego da outra vista. Não, não faz sentido, sendo cego poderia escrever boa poesia na mesma, só que com uma letra que ninguém percebia bem. Hum, isto é merda. Pronto, é isso, é merda. Continua:

ficas tipo um vulcão
Em ponto de ebulição 

Ora bem, o que a Rainha Tropical quer dizer nesta parte é que os homens ficam prestes a ejacular. A Ana dá-se com homens com ejaculação precoce, está visto. Aliás, nos tempos que correm é melhor ser inclusivo e não quero discriminar já que a Ana não especifica o género e, por isso, podemos estar a falar de squirt feminino. Avancemos:

Sem controlo nessa mão 
A mandar guito para o chão

Sem controlo nessa mão, leva a crer que é alguém de idade avançada que tem Parkinson e que, por isso, se masturba com direcção assistida. Depois, a mandar guito para o chão? Afinal estamos numa casa de strip. Faz mais sentido.

Isto é mais duro do que kevlar
É treino puro nada de injectar
Bem vindo à aula
Prepara esse corpo que eu vou-te ensinar

Uma bonita metáfora que diz que a Ana não é a favor da utilização de esteróides para o aumento da massa muscular. Já viram o braço da menina? Se não usa hormonas nem esteróides só aumenta o meu respeito por ela. É tudo natural na Ana, excepto os peitorais, claro.

Tu vê bem como isto mexe
Fora do controlo sente como isto treme

Então, Ana? Se treme assim tanto é porque o treino tem sido fraco. Com tanto ferro e cardio devia estar tudo tonificado sem carnes soltas a abanar. Também é normal, reparem que toda a gente naquele ginásio está maquilhado e gajas que vão para o ginásio todas arranjadas estão mais preocupadas em contar likes do que calorias e repetições.

Ficas baralho tal e qual jetleg
Agarra-te bem tipo uma pole dance

Não quero estar aqui a ser um nazi da ortografia inglesa, mas é jetlag que se escreve e está assim escrito "jetleg" na letra oficial do canal de Youtube. Agora, será um erro ou será que é um trocadilho genial? Algo alusivo ao facto de "skip leg day" e de as pernas tremerem com os agachamentos? Nunca saberemos se há aqui profundidade ou apenas má ortografia. Nisto, entra o refrão: "Sobe, desce. Sobe, desce". Estamos a falar de treino ou de sexo? Não sei porquê, mas sinto que todas as músicas da senhora Malhoa são uma metáfora sexual, reparem: "Sobe e desce", "Ela mexe", "Viúva Negra", "Encaixa baby Encaixa", e "AEINOCU".

E, depois, que ginásio é aquele? Estamos em Maio, todos os ginásios estão cheios de pessoa a dar as últimas para conseguirem ir para a praia e não terem vergonha de tirar a roupa. Anda tudo à pinha, um gajo tem de esperar 10 minutos para que a máquina fique livre e a Ana está num ginásio vazio? Isto é um achado se bem que, apesar de ter pouca afluência, tem gajos em tronco nu a treinar. Se vejo isto num ginásio, chamo logo a polícia que alguém ali incorreu num crime de ultrapassar os limites do bom senso e está, claramente, acima da taxa de bimbalhice permitida por lei em espaços públicos. Mas bem, antes tronco nu do que daquelas camisolas de alças fininhas com cores berrantes que alguns pategos usam. A música segue:

Andalé andalé
Tu vê bem como eu aumento 

Ahhh, finalmente aquele toquezito de castelhano para nos relembrar a boa e velha Makina Turbinada. Ao dizer "Tu vê bem como eu aumento", percebemos que a Ana Malhoa é uma grower e não uma shower. Nunca pensei.

Tu pensas que és o tarzan 
Mas eu não te agarro a liana 
Mas se agarrasse e apertasse
Gritavas tipo Ipiranga

Não percebi se isto é bom ou mau. Se é uma promessa de prazer sexual ou uma ameaça de mutilação genital. Depois, o Tarzan é filho de aristocratas ingleses que ficou perdido na selva africana. O grito do Ipiranga é da independência do Brasil. Nada faz sentido. Por falar em pessoas penduradas em lianas, durante o vídeo vemos imagens de uma stripper de cabelos rosa. Aliás, vemos uma bailarina de pole dance de cabelos rosa, assim é que é. Não conseguimos vislumbrar-lhe a cara, pelo que não podemos assumir se a Ana Malhoa tem skills de bailarina exótica, mas arriscaria dizer que não é ela já que tem muita flexibilidade e a Ana tem mais ar de fazer treino de força, até porque só assim consegue agarrar e apertar lianas até o sujeito gritar.

Agora a sério, a letra nem está péssima e sabem porquê? Porque não foi a Ana a escrever. O segredo de uma boa gestão está em saber delegar funções e é por isso que a Ana tem uma carreira tão longa, ou demasiado longa, se preferirem. No entanto, é por isto que, lá no fundo, admiro muito a Ana Malhoa. É uma camaleoa - não sei se é uma leoa na cama ou não - e reinventa-se. Haverá más línguas que dizem que ela surfa a onda que está a bater mais no momento, mas eu chamo-lhe capacidade de adaptação numa indústria altamente darwiniana. A Ana já foi pimba, já foi tropical urbano, já foi reggaeton, já foi música de carrinho de choques, agora é meio trap, meio afro beat, aproveitanto as tendências musicais do momento, sem, no entanto, perder a sua essência e continuar a ser um bocado pimbalhona. E isso, meus amigos, é arte.

***


Por falar em vídeos, decidi descentralizar e filmar o meu novo espectáculo em Braga, no bonito Theatro Circo. Quando? No próximo sábado, dia 11 de Maio.

Comprem bilhetes neste link, se ainda não o fizeram, e avisem os vossos amigos bracarenses que é para sermos muitos e depois quando sair o vídeo no final do ano as pessoas não dizerem que o público de Braga é pior do que o de Lisboa. Chantagem emocional, eu sei, mas vá, apressem-se e esgotem isto. Restantes datas da tour:

23/05 - Faro - Bilhetes neste link.
01/06 - Benedita - Bilhetes neste link.
08/06 - Póvoa de Varzim - Bilhetes neste link.
15/06 - Viana do Castelo - Bilhetes neste link.
21/06 - Porto - Bilhetes neste link.
20/07 - Barcelona - Bilhetes neste link.

Depois disto, fecha a loja. Obrigado a todos.
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