22 de outubro de 2019

Fotografias safadas, relações casuais e perceber os sinais



Cá estamos para mais uma consulta "Doutor G explica como se faz". Sem mais demoras, vamos dar início as hostilidades.


Caro Dr. G, reencontrei recentemente, por acaso, um amigo antigo que já não via há alguns anos porque ele estava emigrado. Eu estava enrolada com um rapaz simpático mas que não me alegrava assim tanto. Os copos levaram ao enrolanço com o emigrante, mas apenas num nível adolescente de uns beijos e mãos marotas, porque ainda assim não fui capaz de dar facada no simpático. A verdade é que o simpático acabou por ir à vida dele e eu e o amigo começamos a falar imenso - base diária mesmo - na net, quase sempre ele a puxar conversa. Não nos ficámos só pela conversa e a coisa aqueceu online. Nisto tínhamos de nos ver, o que fizemos e foi o carnaval pelado com uma química que não desapontou. Agora estamos longe e já falámos de nos vermos, mas a coisa não avança e ninguém quer ter a iniciativa, porque isso seria admitir alguma coisa mais e falámos que seria 'casual'. Tudo isto me está a fazer diminuir o interesse no funaná online - que continuou, mas agora sabe a pouco - e quis parar com a coisa mas ele parece querer continuar e manda mensagens frequentes, com coisas como BOM DIA. Que raio é isto?!
Patrícia, 27, Braga

Doutor G: Cara Patrícia, as mulheres realmente nunca estão satisfeitas. Tivesse o teu emigrante dado uma foda mágica (finaliza o coito e desaparece) sem te dizer mais nada a não ser quando quer fotografias e vídeos das tuas miudezas e tu dizias que ele era um porco que só estava interessado em ti pelo sexo. Agora, o rapaz diz-te bom dia e tu reclamas? Se não têm mais nada de jeito para fazer a não ser fazer exames ginecológicos e urológicos via Internet, força nisso. Às vezes um gajo perde uma hora a escolher o filme ou a série no Netflix e depois já é demasiado tarde, vai-se dormir e foi uma hora perdida. Por isso, em vez de perderem esse tempo, mais vale masturbarem-se com a companhia um do outro. Usem o Whatsapp que tem mensagens encriptadas ou o Snapchat ou Instagram que aquilo apaga as imagens depois da primeira visualização. Depois logo se vê, aproveitem as viagens low cost e encontrem-se para o carnaval pelado algures. Agora, tem de ser mesmo muito bom ou vocês são feios e não arranjam mais ninguém. Era mesmo eu que me metia num avião para fazer sexo.


Caro Doutor G, deve um homem enviar fotografias do seu membro a uma rapariga? Como é que isso é visto do lado feminino e tem algumas dicas para tentar essa prática?
Anónimo, 25, Lisboa 

Doutor G: Caro Anónimo, dicas para enviar dic pics? Mas queres o quê? Uma masterclass sobre fotografia de naturezas mortas com os melhores ângulos e iluminação para o teu pimpolho parecer maior? Usar filtro Nashville ou Juno nos tomates? Não tenho grandes dicas a não ser não mostrares a cara, isto se tiveres problemas que as fotografias vão parar a terceiros. Se possuíres um pénis majestoso, pode até ser uma boa forma de promoção futura. Mentaliza-te que as raparigas para quem enviares vão, muito provavelmente, mostrar às amigas e por isso, assegura-te só que a rapariga em questão não é amiga da tua avó. Quanto à primeira questão "Se deves ou não", deixo um fluxograma para te ajudar:
Quanto a como é visto do lado feminino, é simples: se ela estiver atraída por ti e tiver pedido, vai gostar de ver a não ser que precise de fazer muito zoom para ver alguma coisa. Ao contrário dos homens, que gostam sempre de ver, mesmo que não tenham pedido. Especialmente sem terem pedido, vá.


Querido doutor g, ando a trocar mensagens com um gajo que conheci através de uns amigos. Tenho de ser sempre eu a tomar a iniciativa para as mensagens e já tentei marcar dois cafés, mas ele disse que andava com muito trabalho. Eu acho que ele está interessado, mas começo a duvidar. O que acha o caro doutor?

Ana, 31, Pombal

Doutor G: Cara Ana, ele não está interessado. Fim.


Caro Doutor G! Sou um rapaz com relutância em comilanços casuais. No entanto, fui deparado com a teoria de um amigo de que "tem que se ir aos treinos para se brilhar nos jogos". O doutor também partilha desta opinião? 
Jovem, 21, Coimbra 

Doutor G: Caro Jovem, bom, dizem os estudos que as pessoas melhores na cama são as que tiverem poucos mas longos relacionamentos e não as que tiveram muitos parceiros apenas casuais. Isto tem a ver com o facto de terem mais tempo para aprimorar a técnica e, muitas vezes, nos casos de uma noite, as pessoas são mais egoístas e querem é despachar. Dito isto, em termos de prática, é melhor fazer mal feito do que não fazer. Imagina que queres ir correr uma maratona em março de 2020. É melhor não treinares nada até lá ou dares apenas umas corridas curtas ao fim-de-semana? Pois, as corridas não te vão ajudar muito, mas são melhores do que nada. Porquê? Boa pergunta, porque se passares muito tempo sem treinar, quando fores chamado a titular para o jogo, vais estar mais nervoso e menos confiante, o que vai resultar numa baixa performance.


Sou um cabrão e fodi a minha relação com a mulher da minha vida. Como faço ou o que faço para a reconquistar pela 9472926458x?
Anónimo, 24, Porto 

Doutor G: Caro Anónimo, se achas que ela é a mulher da tua vida, devias querer o melhor para ela e, claramente, o melhor para ela é estar com outra pessoa que não tu. Pumba, a verdade dói mais do que sexo anal sem lubrificante. 


Doutor G, preciso da tua ajuda. Entrei agora na Universidade e no meu curso e turma há uma rapariga pela qual desenvolvi uma enorme crush. Já fomos com mais colegas nossos ao Bowling e foi super divertido. Ela ri-se das minhas piadas e tem empatia comigo. Contudo, quando lhe dei boleia a casa, ela revelou-me que tinha namorado, algo que suspeitei, mas não tinha a certeza, e desabafou que achava que a relação não iria demorar muito tempo. Apanhou-me desprevenido nesse comentário e eu mudei de assunto. Desde então, já fomos andar de mota os dois, falamos poucas vezes do namorado, mas não sei o que fazer. Não trocamos muitas mensagens. Não sei se devo insistir nela, tipo ir tomar um lanche ou algo assim com ela, ou se não me devo intrometer. Além disso, não sei se ela acha-me piada, porque também é super nice e fixe com outro gajo da minha turma. Sinceramente, só não quero estragar a nossa amizade. O que achas que devo fazer? Tentar puxar mais ou estar na minha e ir esquecendo-a?
Anónimo, 19, Lisboa

Doutor G: Caro Anónimo, vamos aqui desde já estabelecer uma regra de ouro da corte amorosa. Quando alguém revela a outra pessoa (com quem não tem muita confiança) que tem namorado, mas que a relação não está para durar, isso é código para: "Quero ser honesta para o caso de descobrires, até porque redes sociais e isso, mas quero que saibas que estou disponível a darmos umas trancadas por fora a ver no que dá". Pronto, foi isto que ela quis dizer. Se a juntar a isso acresce o facto de terem ido andar de mota os dois, é mais do que óbvio que ela quer ter entre as pernas mais centímetros cúbicos do que os do veículo de duas rodas. Se ela também é nice e fixe com outro gajo é porque, pasme-se, também o pode querer comer. Ou não, pode ser só simpática com ele porque ela é boa pessoa. Tu é que sabes o que fazer, mas ela basicamente deu-te a senha para lhe desencriptares o pipi. Tudo isto pode ser falso e ela ser apenas uma gaja que gosta de provocar para depois rejeitar, ou até pode sentir atracção e estar só no flirt e depois não ir até ao fim por causa do namorado. No fundo, pode ser qualquer coisa porque as mulheres são um bicho estranho. Quanto a estragar a amizade, nunca nada fica estragado com sexo. Sexo é tipo bacon, fica bem com tudo, menos com crianças e com os pais.


Olhem, se querem a minha opinião, foi uma boa consulta. Tenho duas perguntas para todos vós:
1- Estou a pensar testar o Doutor G num formato vídeo. Como é que ia funcionar? Boa pergunta. Seria eu e um convidado, a ler e a responder às questões que iam enviando. Com algumas rubricas pelo meio e jogos javardos, mas eloquentes. O que vos parece? Deixem nos comentários para medir o vosso feedback e depois fazer o que me apetecer na mesma.

2- Outra pergunta é: já comprarem bilhetes para as últimas datas do meu espectáculo de stand-up comedy? Não? Então vejam lá isso. Se já viram e gostaram, sugiram a um amigo.
- 7 de Novembro - Vila Real - Clica aqui para bilhetes
- 14 de Novembro - Évora - Clica aqui para bilhetes
- 15 de Novembro - Almada - Clica aqui para bilhetes
- 21 de Novembro - Covilhã - Clica aqui para bilhetes
- 23 de Novembro - Damaia - Clica aqui para bilhetes

E é isto. Façam favor de continuar a fazer chegar as vossas dúvidas para a caixa de correio electrónico: porfalarnoutracoisa@gmail.com.
Obrigado e, como sempre: 

Façam amor à bruta porque de guerras o mundo já está cheio.

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21 de outubro de 2019

Professor agride aluno: excesso ou justificado?



Um professor agrediu um aluno do 8º ano durante uma aula. Dizem as testemunhas que tudo começou quando o aluno, depois de ter sido avisado, foi ao telemóvel outra vez. Nisto, o professor passou-se e disse "Dá cá o caralho do telemóvel, filho da puta" e como o aluno não largou o telemóvel o professor agarrou-o pelo pescoço e atirou com a cabeça dele contra uma das mesas. Fatality.

Eu sei o que estão a pensar "Ser professor é muito desgastante e isto deve ter sido depois dele aturar muita coisa e passou-se". Não, foi no primeiro dia de aulas daquele professor naquela escola! Era uma aula de apresentação, nem estavam a dar matéria! Boss! Todos sabemos que os professores, nos primeiros dias de aula, têm de mostrar respeito, mas ser amigáveis, e têm de evitar situações constrangedoras para não ficarem com alcunhas para o resto do ano; que o diga a Queques, a Voz de Robô e o Pila Rota (não perguntem), meus professores do 7º ano. Se calhar foi por medo das alcunhas que este professor abordou o ensino do 3º ciclo como se fosse uma prisão, onde é preciso chegar e mostrar quem manda. O professor identificou o alfa da turma, que normalmente é o mais otário e que, por isso, é o mais popular, e fez-lhe uma manobra de wrestiling. Acham que alguém lhe vai dar a alcunha de caixa de óculos? Nada disso, o gajo vai ficar conhecido como o Mike Tyson.

O mais estranho deste caso é que foi numa escola de Alvalade. É que nas escolas onde eu andei, na Buraca e na Damaia, isto não era notícia, era uma segunda-feira normal, mas em Alvalade achei estranho. Pensava que as pessoas desta zona eram mais civilizadas e que resolviam os conflitos de outra forma que não a violência ou a linguagem obscena. Acho estranho o professor não ter desafiado o aluno para um duelo de esgrima ou uma corrida de cavalo com obstáculos. Na escola primária onde andei, na Buraca, havia uma professora infame que tinha na sua posse a Dona Chiba. A Dona Chiba era uma régua de madeira com vários buracos para criar menos resistência ao ar e, assim, atingir uma maior aceleração e velocidade para que a energia cinética fosse maior, o que resultava num choro mais agudo da criançada que se portava mal e levava com ela no lombo. Já no 5º ano vi uma aluna a agredir um professor. Ele era meio deficiente porque tinha tido um acidente e ela era um pequenito diabo da Tasmânia que andava à porrada com gajos nos intervalos e que decidiu, depois de ser mandada para a rua, empurrar o professor e dizer "Você é um atropelado" antes de sair. O professor tentou ir atrás dela, mas era meio coxo e ela corria muito. Gritou umas cenas, mas ninguém percebeu muito bem porque a baba atrapalhou.

Este acontecimento deu também para perceber que há uma distinção de tratamento por parte dos media. A notícia foi dada em muitos locais da seguinte forma "Professor agride criança em sala de aula de escola de Alvalade". Se o caso se tivesse passado na Damaia, garanto que a notícia seria "Jovem é agredido por professor depois de criar desacatos numa sala de aula de escola da Damaia". Se és de uma zona fina e tens 13 ou 14 anos, és uma criança, se és de uma zona com má fama, já és um jovem como quem diz que já devias ter mais juízo e portar-te melhor.

Acho que as pessoas exageram ao criticar este professor de Alvalade. Atirar com a cabeça contra uma mesa é agressão violenta? Por favor, ainda se fosse no meu tempo, em que as carteiras tinham farpas a sair e parafusos enferrujados. Hoje devem ser feitas de plástico reciclado e todas almofadadas nas quinas para os alunos não fazerem dói dói na zona do baço enquanto correm na sala de aula a experimentar métodos alternativos de ensino. Antigamente, um aluno portava-se mal, chamavam-se os pais e o aluno apanhava em casa. E bem, que a porradinha nunca fez mal a ninguém se dada em doses homeopáticas e compensadas com amor e carinho. Hoje, os pais vêm às escolas e fazem queixa do professor que acusa o seu rebento de ser meio burro sem perceber que ele é especial e que tem diversidade intelectual e que só anda aos berros e aos saltos dentro das aulas porque é diferente e não mal-educado. Os adolescente são um bocado insuportáveis, toda a gente reconhece isso, nem os pais gostam muito dos filhos quando estão nessas idades e pensam muitas vezes em como seriam mais felizes se o coito tivesse sido interrompido, mesmo que isso implicasse sujar os cortinados.

Outra nota importante é o facto de a aula em questão ser de TIC - Tecnologias de Informação e Comunicação - e, por isso, o professor seria, muito provavelmente, informático. Não estou a dizer que desculpa, mas é atenuante. Toda a gente sabe que os informáticos têm traumas do bullying que sofreram na escola e que ao verem um puto armado ao pingarelho podem passar-se e usar os truques que aprenderam a jogar GTA. O professor não ter usado um bastão e roubado o telemóvel ao aluno fim, já foi uma sorte.

Há quem se queixe que os professores só fazem greves e não querem trabalhar, mas afinal ainda há professores que trabalham mais do que as suas responsabilidades. Bater num aluno é fazer horas extra não remuneradas. A minha mãe é professora e já foi ameaçada de agressão algumas vezes. Nunca abriu a cabeça a nenhum aluno, não que não tivesse vontade, mas porque é boa professora. Isto é como a violência doméstica, não é que um gajo nunca tenha vontade de bater na namorada, mas simplesmente não se faz. Agora, acho que se um professor for agredido fisicamente, não deve enrolar-se em posição fetal e fingir de morto. Acho que aí tem legitimidade para se defender, embora não me pareça ter sido este o caso. Um professor de educação física é o único que pode agredir alunos de forma dissimulada. "Hoje é dia de luta greco-romana" diz o professor. Depois, chama o Martim para demonstrar à turma algumas técnicas. Nisto, entusiasma-se e parte a coluna do Martim em dois sítios, ficando o Martim tetraplégico e não podendo desta forma voltar a pegar no telemóvel e a desestabilizar a aula para os colegas. O professor diz que foi um acidente, leva uma reprimenda e fica tudo bem.

Obviamente que um professor nunca pode agredir um aluno, ainda por cima menor, mas devia poder chamar os pais à escola e aviar neles pelo comportamento de merda do filho. Pensemos pela positiva: antes um professor bater num aluno do que obrigar um aluno a bater-lhe.

***

PS: Relembro as últimas datas do meu espectáculo Só de Passagem:

7 de Novembro - Vila Real Clica aqui para bilhetes
14 de Novembro - Évora Clica aqui para bilhetes
15 de Novembro - Almada Clica aqui para bilhetes
21 de Novembro - Covilhã - Clica aqui para bilhetes
23 de Novembro - Damaia Clica aqui para bilhetes

Obrigado a todos e ajudem a partilhar a mensagem.
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20 de outubro de 2019

Primeira Paragem - Preliminares | Aveiro



Em 2018, depois de terminar a tour do meu primeiro espectáculo a solo (que podem ver no YouTube), decidi fazer uma tour em bares com vista a preparar e criar o meu segundo solo, Só de Passagem que alguns de vocês podem já ter visto. Essa pequena tour por bares teve o nome de Preliminares e todo o processo foi filmado com foco nos bastidores e palermices que se iam dizendo. Ficou durante muito tempo na gaveta e esteve para não ver a luz do diz, mas resolvi lançar agora, um episódio por cidade, que lançarei ao longo das próximas semanas. O primeiro episódio já está disponível e foi em Aveiro. Espero que gostem. Não é um projecto com o intuito de fazer rir ou ensinar e muito do que é dito não é para ser levado a sério. Seguem-se Viseu, São João da Madeira, Lousã, Ponte de Lima, Vila Real, Bragança, Guarda, Portimão, Évora e Beja. 

Notas sobre este "documentário":

  • foi gravado com uma câmara e um microfone.
  • foi realizado por um alcoólico e preguiçoso.
  • não foi guionado nem preparado e isso nota-se.
  • pode ou não espelhar opiniões reais sobre locais e pessoas.
  • pode conter vestígios de ironia e sarcasmo.
  • não pretende fazer rir.
  • não é bem um documentário.
Obrigado a todos os que participaram, a todos os parceiros e, especialmente, ao público.

ÚLTIMAS DATAS do espectáculo Só de Passagem:
- 7 de Novembro - Vila Real
- 14 de Novembro - Évora
- 15 de Novembro - Almada
- 21 de Novembro - Covilhã
- 23 de Novembro – Damaia

Bilhetes à venda nos locais habituais e neste link.
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18 de outubro de 2019

Marcelo, o influencer



Marcelo Rebelo de Sousa recebeu 40 influencers no Palácio de Belém, quase tudo mulheres, claro, porque existe machismo e entraves ao sucesso das mulheres em todo o lado, excepto no mundo da influência digital. Marcelo pondera a recandidatura e tudo isto não passou de uma estratégia para ter uma masterclass de digital influencing. Reparem, Marcelo só é presidente porque ficou famoso na televisão, mas a televisão já não tem a mesma força e, por isso, ele precisa de saber mais sobre a internet e as redes sociais.

Resta saber em que canais irá apostar Marcelo. Partindo do princípio que não irá para o Facebook, já que para garantir essa faixa etária basta ligar para o programa da Cistina, restam as opções:

  • Marcelo YouTuber – Pinta o cabelo de laranja e faz reacts ao canal parlamento. Faz unboxings dos diplomas com as leis para vetar ou promulgar. Se falar meio atrasado mental, pode até conseguir conquistar o eleitorado brasileiro e exercer a sua influência na política externa contra Bolsonaro.
  • Marcelo cria um Twitter - Ao contrário de Trump, que faz tweets às 5 da manhã, possivelmente embriagado antes de dormir, Marcelo faz a essa mesma hora, mas depois de já ter acordado, lido 3 livros e ter ganho uma prova no Tejo de 1000 metros mariposa contra um golfinho.
  • Marcelo Instagrammer - A estratégia mais óbvia se Marcelo quiser tornar-se num verdadeiro influencer. Ao contrário de outrora, não vale a pena influenciar as pessoas a ler livro que isso não dá likes, por isso terá de investir em stories com filtros. Sempre que houver tragédias, teremos acesso a elas em primeira mão através dos lives do Marcelo, já que chega sempre primeiro do que a polícia e bombeiros e, até mesmo do que a CM TV. A suas hashtags de eleição poderão ser: #afecto #MarceloNoComando #MarcelandoNaCaraDasInimigas #BELEM10PROZIS
Com esta visita dos 40 influencers, foram 40 selfies com o Marcelo partilhadas nas redes sociais, chegando a milhões de pessoas. O nosso presidente agora é tão famoso e popular que naqueles vox pops de rua, à porta da Universidade Lusófona, já ninguém diz que o presidente da república é o D. Afonso Henriques.


***

PS: Podem ouvir esta crónica em formato áudio no podcast Por Falar Noutra Coisa, neste link da Antena 3. Também disponível no iTunes, Spotify e essas plataformas todas.
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16 de outubro de 2019

Vegansexuais - activistas ou malucos?



Sabem o que são vegansexuais? Não, não são pessoas que só fazem sexo com leguminosas. Não, também não são pessoas que preferem usar pepinos em vez de vibradores de plástico que poluem o ambiente. Vegansexuais são pessoas que só fazem sexo com seres humanos que também são vegans. Dizem ser uma forma de protesto e que não se imaginam a, e passo a citar, "Beijar lábios por onde passam bocados de cadáveres de animais". É justo, eu também seria incapaz de ir para a cama com alguém que goste genuinamente das músicas da Maria Leal, a não ser que a pessoa em questão seja mesmo muito boa. A linha dos ideais e dos valores oscila consoante o par de seios da equação.

Devo dizer que percebo os vegansexuais, mas apenas se estivermos a falar de relações amorosas duradouras e não de encontros sexuais casuais. Um casal de namorados heterovegans (em que um é vegan e o outro não é, inventei agora) vai dar chatice, especialmente se o vegan for a mulher. Já todos sabemos que elas refilam quando se deixa o tampo da sanita levantado, agora imaginem o refilanço quando chegam a casa e o namorado está a desossar um pato.


Para uma pessoa não vegana, ter a casa a cheirar a peixe grelhado já é mau, agora imaginem para um vegan que acha que aquilo é Auschwitz.

No entanto, acho que esta postura dos vegansexuais é de quem não está preocupado com os animais. Sabem qual é a maior causa de um gajo ficar vegan de um momento para o outro? É começar a namorar com vegans. Já perdi a conta à quantidade de panhonhas que vi converterem-se em duas semanas só porque acham que estão apaixonados e que devem fazer tudo o que a outra pessoa quer para que ela também os ame. Por isso, a postura dos vegansexuais faz-me crer que não sabem o que andam a fazer para tornar o mundo um local com menos sofrimento animal. Haverá melhor forma de reduzir o consumo de carne do que uma mulher jeitosa dizer a um gajo "Vais mesmo comer esse bife ou preferes grelo?". Sim, passado uns anos ele vai fartar-se e acabar com ela só para comer bitoques sem culpa, mas durante aquele tempo reduziu-se o sofrimento animal no mundo.

Acham que uma gaja boa recusar sexo com um gajo só porque ele não é vegan vai ajudar o mundo? Sim, pode parecer um bom protesto, mas vocês esquecem-se que os homens mentem muito para levar gajas para a cama. Acham mesmo que ele não vai mandar uma mensagem a dizer "Estive a pensar no que disseste e vi aquele filme que me enviaste trinta e cinco vezes, e decidi ser vegan. Queres vir jantar tofu a minha casa?". Ela fica toda maluca porque acha que converteu mais um e vai lá a casa comer tofu e alheira de soja ao empurrão. De manhã, o gajo diz que mudou de ideias e que quer bacon e ovos.

Estou a falar de mulheres porque duvido que haja homens vegansexuais. Por muito vegan que um gajo seja, não vai recusar sexo com uma mulher jeitosa só porque ela come cabrito. Se o fizer, então é um gajo muito bem parecido que tem muitas gajas atrás dele e pode dar-se a esse luxo, ou é gay. Por falar nisso, haverá homens vegansexuais gays ou não dá tempo para perceber os hábitos alimentares enquanto se vai para a casa de banho do Lux? Nos Armazéns do Chiado é mais fácil, basta engatarem-se na zona de restauração e percebem logo a dieta de cada um.

Por fim, deve haver um subgrupo de vegansexuais que são as feias que comem hidratos a mais e que estão sozinhas há uns anos e que, como não arranjam ninguém, dizem que é porque rejeitam os não vegans e vegans conhecem poucos no trabalho. A pensar nestas, acho que devia haver níveis de não vegans e que os vegansexuais não deviam colocar todos no mesmo saco. Por exemplo:
  • Não come carne, mas come peixe: tem atenuante e, por isso, tem direito a brincadeiras com as mãos;
  • Não come animais, mas come ovos e queijo: já pode ter direito a sexo oral;
  • Só come aves porque são um bicho mais burro que não sente tanto: dá direito a linguadões e esfreganço com roupa.
Isto seriam os níveis assumidos porque, obviamente que se for rico e famoso até come uma vegansexual em cima de uma mesa no Chimarrão. O empregado a perguntar "Quer maminha?" teria toda outra conotação.

Um estudo feito com vegansexuais recolheu alguns dos seus argumentos:
  • "Não gostava de ter intimidade com alguém cujo corpo é literalmente feito de corpos de outros seres que morreram para o sustentar". Se é nisso que estás a pensar quando estão os dois nus na cama, se calhar o problema é mais grave.
  • "Mesmo que eu achasse a pessoa muito atraente, não ia gostar de me aproximar dela se o seu corpo fosse derivado de carne". Sim, porque o teu corpo é feito de seitã. A não ser que fosses vegan de nascença, lamento, mas o teu corpo também foi construído através de sofrimento animal.
  • "Os corpos das pessoas que não são vegan têm um cheiro diferente, mas para mim é sobretudo uma questão de ética sexual.". Isso do cheiro diferente é porque os não vegans tomam banho. Quanto ao resto, ética sexual é avisar antes de um gajo se vir durante o sexo oral e nunca tentar anal surpresa.
Reparem que estes vegans são mais extremistas do que muitos racistas que dizem "Eu não gosto de pretos, mas já comi pretas". Sinto que devia ser criado um filtro no Tinder para ajudar os vegansexuais a encontrar apenas pessoas que tenham a mesma ética animal do que eles. Este filtro seria muito útil também para os não veganos porque ajudaria a evitar pessoas chatas e sem sentido de humor. Com esta frase, os vegans têm duas hipóteses: ou ter fair-play ou comentar a insultar-me e a dar-me razão. Obrigado e até à próxima.

***

PS: O meu espectáculo não discrimina e pode entrar todo o tipo de pessoas, menos as virgens (ofendidas). Se gostas de fazer sexo com vegetais és bem-vindo, se gostas de fazer com bonecas também. Se gostas de fazer com ovelhas, só se for com o consentimento delas. Eis as datas e bilhetes:

7 de Novembro - Vila Real Clica aqui para bilhetes
14 de Novembro - Évora Clica aqui para bilhetes
15 de Novembro - Almada Clica aqui para bilhetes
21 de Novembro - Covilhã - Clica aqui para bilhetes
23 de Novembro - Damaia Clica aqui para bilhetes

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15 de outubro de 2019

Petição contra Joacine Katar Moreira



Consegui entrevistar o senhor Alfredo, um dos 20 mil assinantes da petição que tenta impedir a tomada de posse de Joacine Katar Moreira.

- Hoje, temos connosco o senhor Alfredo que assinou a petição que pretende impedir Joacine Katar Moreira de ser deputada. O que tem a dizer sobre as acusações de racismo que têm feito a quem assinou essa petição?

- Bom, são acusações ridículas porque eu não sou racista, mas…
- Mas o quê?
- Nada nada, eu até acho que ela não é negra. Cá para mim é tudo a fingir para ganhar votos. E toda a gente sabe que um branco fazer blackface é muito ofensivo para os conguitos. 
- Mas de onde é que tirou essa ideia?
- Vi na Internet.
- Circularam algumas insinuações, mas referentes à gaguez de Joacine e nunca à sua cor de pele.
- Pois, lá está, quem simula que é gago também simula que é preto, percebe. Eu não sou racista, mas… isto nos políticos não se pode confiar em nenhum.
- Então quer dizer que não votou em ninguém?
- Não, votei no André Ventura por causa daquilo dos ciganos. Eu não sou preconceituoso, mas… sabe como é que é. Um gajo tem de andar sempre com um olho no burro e outro no cidadão de etnia cigana, que já nem pode chamar ciganos à ciganagem que vem logo o politicamente correcto dizer que a gente somos xenófilos.
- Ok… voltando à petição, porque não quer que a Joacine seja deputada?
- Não é não querer que isso assim até parece que tenho alguma coisa contra a preta. É achar que não faz sentido. Ela nem é portuguesa, repare que nem se percebe bem o que ela diz, que vêm lá das ex-colónias a falar dialectos, ainda com sons estranhos. Eu não sou racista, mas acho que ela devia ir mandar bitaites para a terra dela.
- Então calculo que a questão da bandeira da guiné o tenha indignado, certo?
- Ah era a bandeira da Guiné? Pensava que era a bandeira de África. Estamos sempre a aprender.
- África é um continente, não é um país…
- Bem que podia ser um país que aquilo é tudo a mesma coisa, não é verdade?
- Está-me a parecer que o senhor pode ser um bocadinho racista…
Racista? Eu? Não brinque comigo, homem. Eu até tenho um amigo preto. Quer dizer, não é bem amigo, é conhecido, vá. Quer dizer, encontrei-o uma vez na rua. Vi-o ao longe e disse “Eh ganda Mantorras!”, mas afinal era o Marega.



***

PS: Podem ouvir esta crónica em formato áudio no podcast Por Falar Noutra Coisa, neste link da Antena 3. Também disponível no iTunes, Spotify e essas plataformas todas.
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