19 de junho de 2018

Estupidificação das massas, Mundial de Futebol, Nostalgia de jogos de computador



No episódio desta semana falamos sobre a estupidificação das massas; sobre o mundial de futebol; sobre o patriarcado e ser modelo; sobre a nostalgia dos jogos de computador e de consola e muito, muito mais. É ouvir e, se gostarem, subscrevam e partilhem.



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As crianças são burras e estúpidas



Há uns tempos, estava a dar um workshop de escrita criativa e humor (bem sei a história perde um pouco a credibilidade com este começo) quando, respondendo a alguém do público sobre a potencial má influência de alguns youtubers, disse que podia haver esse perigo e que era preciso os pais terem cuidado porque a maioria das crianças é burra e estúpida. Um senhora insurgiu-se e disse, com uma cara horrorizada, "Não concordo nada com isso e até estou estupefacta como é que alguém diz uma coisa dessas!". Percebi, então, que nem toda a gente que estava naquele workshop fazia a mínima ideia de quem eu era e retirei algumas conclusões sobre a senhora: primeiro, não percebeu a parte de estarmos num workshop que tem a palavra "humor" no título; depois, parece-me que deve ter faltado à aula sobre a utilização do exagero e da hipérbole como excelentes ferramentas para fazer rir. Era óbvio que eu estava a tentar ser engraçado, mas, se pensarmos bem, será que não é um bocadinho verdade? Só um bocadinho?

Debrucei-me sobre o assunto e cheguei à conclusão que, afinal, eu tinha razão, mesmo estando a generalizar e a exagerar. Acho, até, que é perigoso para as crianças que achemos que elas não são burras. Se partirmos do princípio que as crianças são muito inteligentes e que conseguem tomar decisões sozinhas e não precisam de protecção, somos capazes de aumentar a mortalidade infantil exponencialmente. Não estou a dizer que isso seja mau, há gente a mais no planeta e era um excelente acto de ambientalismo, já que andamos todos preocupados com os sacos de plástico, mas depois queremos aumentar a natalidade sem pensar que, assim, nascem mais seres humanos que vão poluir durante toda a sua vida.


O melhor para o planeta é a extinção da raça humana e, nesse sentido, não ter filhos vale mais do que separar o lixo e levar as compras do supermercado todas equilibradas na cabeça.

Voltando ao facto de as crianças serem burras: é por isso que os pais e a sociedade precisam de ter cuidado com elas e de as proteger. Temos de partir do princípio de que as crianças não tomam decisões inteligentes e é por isso que escondemos a lixívia porque elas, burras como são, podem lá ir beber a pensar que é Cerelac. "As crianças não são nada burras, são até muito inteligentes" dizia a tal senhora ofendida. Se isso fosse verdade, um adulto com a inteligência de uma criança de dois anos não seria considerado atrasado mental. Quanto ao serem estúpidas, basta irmos a qualquer escola para percebermos que as crianças são do mais maldoso e preconceituoso que existe. A culpa é delas? Até uma certa idade, é óbvio que não, não têm noção do que dizem ou fazem e estão apenas a imitar o que vêem os adultos ou as outras crianças a fazer.

Ser criança só é um qualidade enquanto se é criança no cartão do cidadão, caso contrário, um adulto que se porte da mesma forma que uma criança, é apelidado de infantil e isso raramente é um elogio. Se uma criança matar outra criança, mesmo que de propósito, empurrando-a das escadas abaixo, é considerada inimputável pelos seus actos. Sabem quem é que também tem esse privilégio? Os malucos e os deficientes mentais, logo, uma criança é mais parecida com esses do que com o resto da população. As crianças são esponjas e aprendem a uma velocidade incrível, é certo, mas se lhes medirmos a inteligência pelos padrões de um adulto, não há dúvidas que são burras. Por exemplo, um chimpanzé é mais inteligente do que uma criança de três anos e dizem que um cão tem a inteligência de uma criança de dois anos. Ora, a minha cadela ladra à própria sombra e já vi macacos a comerem as próprias fezes todos sorridentes. Esta minha argumentação prova que as crianças são burras. Sim, inteligência é um termo abstracto e existem vários tipos e várias formas de a medir, mas se formos pela abordagem de que inteligência é a forma de como um ser se adapta e sobrevive ao seu meio envolvente, deixem lá uma criança de cinco anos no meio do mato a ver se consegue construir um abrigo e caçar javalis. Até o Mogli só sobreviveu porque vieram os lobos dar-lhe uma ajudinha.

Já sei que muita gente vai ficar ofendida com este texto, especialmente mães e pais sem sentido de humor devido à privação do sono a que estão sujeitos, neste momento, porque o seu recente rebento, para além de burro, é ingrato e só sabe pedinchar e chorar por tudo e por nada. "Não podes dizer essas coisas, as crianças são o melhor do mundo!", dirão. Se as pessoas que dizem isto pensassem mesmo, genuinamente, assim, não haveria tantas a morrer em África de causas completamente evitáveis.

As crianças só são a melhor coisa do mundo para os pais, para o Pai Natal e para os pedófilos.

E para os pais, só são a melhor coisa do mundo porque crescem e, se tudo correr bem, um dia saem de casa. Por que é que acham que a taxa de natalidade está a diminuir? Porque os casais novos estão a ver que se os filhos forem como eles, só lá para os quarenta é que saem do ninho e deixam de dar despesa.

Quanto aos youtubers, tantas vezes acusados de estarem a contribuir para criar uma geração de atrasados mentais, tenho um misto de sentimentos. Por um lado, todo os criadores de conteúdo, especialmente na Internet, devem ser livres de fazer o que quiserem. Depois, duvido que quando começaram estivessem a contar que agora estariam a entreter crianças da primária; estavam a contar sacar gajas e só têm fãs com idade de mamar e não é da forma que eles tinham pensado. Por isso, acho que cabe apenas aos pais regular o que os filhos podem ou não ver e, não conseguindo evitar que vejam algo que não acham aconselhável, têm de se sentar com eles e explicar o que se passa. Bem sei que muitos pais querem é que os filhos fiquem com o iPad na mão sem os chatear, mas quem lhes disse que educar uma criança ia ser assim tão fácil, enganou-os bem. Por outro lado, como dizia o tio do Peter Parker, "Com grandes views e followers, vem grande responsabilidade". Se eu soubesse que o meu público é, na sua maioria, miudagem de 10 anos, fazia o conteúdo que faço? Provavelmente não, teria mais cuidado, mas tenho 34 anos e outra perspectiva que os miúdos de vinte e poucos ou menos não terão. Pior do que o conteúdo questionável de alguns, é a publicidade de muitos vídeos. Se na televisão, fazer publicidade directamente para crianças tem de obedecer a uma série de regras, na Internet devia ser igual. Só digo isto porque tenho inveja do dinheiro que fazem, atenção.

Claro que uma má influência de antigamente apenas contaminava a turma ou a escola onde andava; hoje, uma má influência pode alastrar-se por milhares ou milhões de pessoas que a seguem. No entanto, isso também é válido para as boas influências e há muita gente no youtube ou em qualquer rede social a fazer coisas muito boas e a inspirar crianças, jovens e adultos ou, simplesmente, a entretê-los e a fazê-los rir. No fundo, a Internet é como Deus: está em todo o lado e, por um lado, dá, mas por outro tira.

A maioria das pessoas é burra, logo, a maioria das crianças também o será. Não são os youtubers os únicos responsáveis por essa criança palerma que têm aí em casa, a culpa também é vossa. É da vossa educação. É dos vossos genes. É da sociedade. É minha. É de todos, mas acima de tudo vossa.

PS: A tal senhora saiu do workshop a meio. Pagaram-me igual.
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13 de junho de 2018

Mundial de Futebol 2018 - Tudo sobre as selecções



Está prestes a começar mais um Mundial de Futebol. São muitas equipas e, por isso, decidi fazer um breve resumo para que seja mais fácil perceber o que poderá acontecer. Não precisam de agradecer, estou cá para vos ajudar.

Rússia - É a anfitriã, os jogadores vêm equipados com dashcams e com dopping. É um país que desrespeita os Direitos Humanos e com um presidente que manda matar quem diz mal dele, mas não falemos disso que isto é o negóci... a festa do futebol!

Alemanha - A equipa que está sempre "em renovação", mas que acaba por ganhar ou ficar lá perto. Percebe-se pela organização da equipa o porquê do Holocausto ter sido tão bem feito executado. Horrível, mas feito com minúcia.

Inglaterra - Até podem ir longe se não apanharem Portugal pelo caminho. Aposto que ainda têm pesadelos com o queixo e com as mãos sem luvas do Ricardo.

Bélgica - A promessa, cheia de bons jogadores, mas que não vão fazer nada de jeito.

Espanha - Longe de ter a selecção de há uns anos, é uma das favoritas. Ainda jogam ao primeiro toque, feitos mariquinhas com medo de apanhar pau do Bruno Alves e do Rúben Dias.

Polónia - Os jogadores ficam borrados se apanham a Rússia ou a Alemanha pelo caminho, mas têm as melhores adeptas.

Sérvia - O Benfica tem mais jogadores e ex-jogadores convocados na Sérvia do que em Portugal.

Portugal - Campeões Europeus que partem com uma grande vantagem pelo facto de terem quatro jogadores desempregados que vão dar tudo a ver se não têm de ir para o Benfica. É Cristiano e mais 10, ou mais 9 se jogar o João Moutinho.

Islândia - A capacidade futebolística do país é inversamente proporcional à sua habilidade para prender banqueiros e políticos corruptos. Se pensarmos bem, a população da Islândia cabe em três estádios de futebol e os convocados representam cerca de 0,01% da população.

França - Foram encavados por um bonito pénis das Caldas e a dúvida é se já terão recuperado de tamanho vexame sofrido em casa. Se eu fosse o Fernando Santos, tinha convocado o Éder só para o meter a jogar caso encontrássemos a França, só para os ver a ter flashbacks do trauma de há dois anos.

Suíça - São sempre neutros e nesta competição também é o caso. Presentes ou não, é um pouco indiferente.

Croácia - Têm o gajo que foi beijado pelo Carriço.

Suécia - Sem Ibrahimovic ninguém quer saber deles.

Dinamarca - Desde aqueles irmãos Laudrup e de ganharem um Europeu quase tão sem querer como a Grécia que nunca mais entraram para as contas.

México - Equipa financiada por Cartéis de droga.

Colômbia - Equipa financiada pelos Cartéis que financiam os Cartéis que financiam o México. Ou ao contrário que ainda me falta ver a última temporada do Narcos.

Costa Rica - A maioria das mulheres brasileiras tem pernas mais musculadas que os jogadores desta selecção tal é a fomeca que passam no seu país. Deviam chamar-se Costa Pobre, mas os fundadores eram optimistas. Os jogadores estão habituados a bola de trapos e chegam a estas provas e não se dão bem com as jubulanis e o catano.

Panamá - Nem sabem jogar à bola, verdade seja dita. É boa equipa para escolher como adversário no FIFA quando estamos numa só de curtir e tentar fazer golos bonitos.

Brasil - O eterno favorito e que mais vezes ganhou esta competição. São sempre os favoritos, embora na última edição, em casa, tenham levado 7-1 da Alemanha. Podem ganhar se não se perderem na noite russa a beber vodka e a festejar com prostitutas.

Uruguai - Ganharam em 1930 e em 1950, mas agora é meh. Tem o Suárez que remata e morde bem.

Argentina - São sempre favoritos, mas não têm feito nada de jeito. Têm o Messi, sim, mas também têm o Acuña que quando acabar este texto já deve ter rescindido do Sporting.

Nigéria - Correm bué.

Senegal - Correm bué e dão uns toques na bola.

Egipto - Têm o Salah e pronto, é isso. Deve ser tramado ser um dos melhores do mundo na sua posição e estar numa equipa que não ganha nada. Foi o que sentiu a vida toda George Weah na Libéria ou o Rui Patrício no Sporting.

Tunísia - Destino turístico pelas praias até um maluco do Daesh andar lá aos tiros. Nem sabia que tinham futebol.

Marrocos - Se jogarem tão bem como vendem caldo Knorr a fingir que é ganza nas ruas de Lisboa, são capazes de ir longe.

Japão - Os Asiáticos podem ter um QI superior, mas a cena dos olhos prejudica um bocado na altura de rematar à baliza e nunca ganham nada.

Coreia do Sul - Desde que deixaram de ter árbitros a ajudar, como da vez que foram anfitriões, nunca mais fizeram nada de jeito. Desta vez estão mais descansados porque a Coreia do Norte está mais mansinha, mas como estão na Rússia, são capazes de ter as pernas a tremer por causa do comunismo.

Arábia Saudita - Os jogadores têm a vantagem de estar mais tranquilos porque sabem que as mulheres não os estão a trair pois estão em casa algemadas e de cara tapada.

Irão - Têm muito potencial, com jogadores prestes a explodir.

Austrália - Desta vez a viagem é mais curta, mas ainda assim é desperdício de combustível. Vieram fazer o que os australianos fazem que é passear, beber copos e papar gajas. Futebol está para a Austrália como os cangurus estão para a Rússia.

Está feito. Adeus e vamos falando.
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8 de junho de 2018

Tu que percebes de computadores...



Já escrevi algumas vezes sobre o glamour da vida de um informático, sobre a vida de um estudante de engenharia e sobre aquela mítica frase que todos ouvimos, dita por um amigo, pela mãe ou por uma tia: "Olha, meu puto, tu que percebes de computadores..." que antecede o pedido para irmos lá a casa arranjar-lhes o computador de borla.

Partem do princípio que alguém que tirou o curso de informática está automaticamente habilitado para perceber um dos maiores mistérios do mundo que é o facto das impressoras terem vontade própria; acham que um gajo que sempre mexeu em PCs tem de saber tudo sobre Macs; acham que temos sempre os DVDs originais do Windows e do Office, que resolvemos todos os problemas de software e que somos uma espécie de Dr. House que sabe logo diagnosticar se o problema vem da motherboard ou do ecrã. Não sabemos.

Para nós e quando o computador é dos outros, 90% dos problemas resolve-se desligando e voltando a ligar e os outros 10% resolvem-se formatando ou comprando um novo.

Apesar de já não ser informático de profissão, a fama de que percebo de computadores persegue-me e continuo a receber alguns pedidos de ajuda e sinto-me uma espécie de call center sem fins lucrativos. Continuo, também, a receber propostas no LinkedIn porque os recrutadores no mundo da informática são piores do que as testemunhas de Jeová.

Se olharmos para o futuro e para a forma como tudo tende a depender cada vez mais da informática e do software, a tendência destes pedidos será a de piorar. Por exemplo, com a chegada dos carros autónomos, os informáticos vão passar a ser os novos mecânicos, recebendo pedidos de amigos para irmos lá a casa arranjar-lhes o carro que está lento ou que não está a emparelhar bem com o Instagram causando problemas aquando da selfie ao volante. Se pensarmos bem, os informáticos daquelas lojas de arranjo e os mecânicos são parecidos: ambos falam em termos que o comum dos mortais não percebe e para quem não sabe muito do assunto fica sempre no ar aquela sensação de que se acabou de ser roubado.

Com o progresso e o aparecimento dos robôs sexuais, vamos receber pedidos ao género "Meu puto, tu que percebes de computadores, podes vir cá a casa arranjar a minha namorada que está um bocado lenta e anda com mau feitio?". Lá temos de ir a casa do nosso amigo, enfiar um cabo de diagnóstico na namorada dele - que está toda pegajosa - e, afinal, não funciona porque ele se esqueceu de meter o anti-vírus na backdoor. Piada nerd.

Com a Internet das Coisas a tornar-se ubíqua, vamos receber pedidos de ajuda parvos dos mesmos amigos em pânico que nos fazem aquelas perguntas básicas que com uma simples pesquisa no Google ficariam respondidas:

- Meu puto, preciso da tua ajuda! O meu frigorífico inteligente está avariado e não sei quantos ovos tenho no frigorífico!
- Já experimentaste abrir o frigorífico e voltar a fechar?
- Já, mas continua a não aparecer nada no touch screen.
- Sim, mas era abrir, contar os ovos, fechar o frigorífico e deixares de me chatear os cornos às duas da manhã.
- Já fiz! Tenho meia-dúzia! És um génio, meu puto!

É e será sempre a nossa sina. Estou certo de que os médicos também recebem pedidos dos amigos hipocondríacos, mas, no futuro, os médicos vão ser substituídos por inteligência artificial e lá nos vai calhar a nós, informáticos, perceber porque é que a máquina de toque rectal não está a funcionar correctamente. Estamos cá para vos ajudar, mas, em nome de todos que "percebem de computadores", deixo um apelo: pesquisem primeiro no Google antes de nos virem chatear. Obrigado.
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5 de junho de 2018

Imigração, Feminismo, sobrancelhas pintadas e sovacos peludos



No episódio desta semana falamos sobre a imigração e o aumento da extrema-direita; sobre o racismo e humor; feminismo e polémicas parvas; sobrancelhas pintadas e sovacos peludos; e muito mais. É ouvir e, se gostarem, subscrevam e partilhem.



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3 de junho de 2018

Uma princesa não fuma, só dá nos ácidos



O Ministério da Saúde identificou um problema: são as mulheres jovens quem mais está a fumar e decidiu criar uma campanha focada nelas, em formato de curta metragem, e criou-se a histeria no galinheiro. Pumba, galinhas histéricas logo assim a abrir as hostilidades. O auto-proclamado Estado Feminista veio dizer que a campanha é machista, sexista e misógina, até porque são os únicos três adjectivos que possuem no seu vocabulário.

A campanha centra-se numa mulher em estado terminal de cancro no pulmão que a certa altura diz à filha "Promete-me que vais ser sempre a minha princesa e lembra-te que uma princesa não fuma". Isabel Moreira disse "Espero que o Ministério da Saúde retire a campanha, que é uma campanha misógina e culpabilizante das mulheres" e o Bloco de Esquerda afirmou que a campanha "confunde público-alvo com discriminação". As Capazes não quiseram ficar de fora e disseram "Não há problema em fazer uma campanha dirigida às mulheres. O problema é a redução da campanha a uma série de estereótipos que têm prejudicado a mulher, reduzindo-a ao papel de mãe e ao papel de princesa". 

Reduzindo a mulher ao papel de mãe? Mas queriam o quê? É uma curta, não deu para mostrar que a personagem tinha um curso superior e era gestora de uma grande empresa. Está em fase terminal, havia de estar a trabalhar em vez de estar em casa? Cambada de burros. Aliás, ela está acamada e a casa está toda arrumada, mostrando que ou é o marido que faz as lides domésticas ou têm empregada (ou empregado, que não quero estar aqui a discriminar).

Uma princesa não fuma, mas dá nos ácidos, pois só isso explica ver fadas madrinhas a voar e tentar enfiar-se numa abóbora a pensar que é um Uber.

Ironicamente, a campanha foi escrita por duas mulheres. Mulheres machistas, obviamente, que é o nome dado por pseudo-feministas a mulheres que têm opiniões diferentes das delas porque as pseudo-feministas advogam a liberdade da mulher desde que esta pense e aja da mesma forma do que elas. A actriz Paula Neves é, portanto, misógina, já que participou na campanha; as duas estudantes que criaram a campanha são, também elas, misóginas; a mãe da miúda que aparece no vídeo é, por esta lógica, misógina, indo até à misógina-mor: Graça Freitas, directora-geral da Saúde. Tudo sexista! Já agora, em vez de lhes chamar misóginas, prefiro dar créditos a todas as mulheres envolvidas na criação da campanha, desde as actrizes às criadoras e a todas as envolvidas na produção: Ana Rosa, Joana Cunha, Fátima Ferraz, Beatriz Silva, Vera Casaca, Andreia Santos, Maria Melo, Sara Barreiros, Beatriz Realista, Bruna Parreira, Jessica Velez, Mayara Santos, Teresa Sousa, Inês Teixeira, Catarina Vasconcelos, Adriana Barros, Paula Neves e Margarida Cardoso. Parabéns por criarem em vez de criticarem.

A Beatriz Moreira, uma das duas jovens de 18 anos, que idealizaram a campanha, disse "Essas pessoas que se consideram feministas são na verdade aquelas que mancham o nome 'feminismo'. Eu, mulher e feminista, durante a minha infância brinquei com rapazes, esfolei joelhos e recusei usar saias, mas nunca deixei de ser a princesa da minha mãe, do meu pai e dos meus avós". Chupem. Ainda bem que ela disse aquela coisa de manchar o feminismo que assim não preciso de ser eu a dizer.

Isto é uma campanha para impactar mulheres e não para mudar mentalidades no tocante aos estereótipos. Percebo que uma campanha "Uma camionista não fuma" pudesse ser mais interessante para mudar paradigmas, mas depois não cumpriria o objectivo de impactar mulheres. Sim, porque mais mulheres jovens se identificam com princesas do que com camionistas. Se é para arranjar polémica é para ir à raiz do problema: quem disse que aquela rapariga é uma princesa? E se ela quiser ser um príncipe? Quem é que está a assumir o género da criança em tão tenra idade? Isto é, obviamente, repressão do patriarcado! Sugiro a campanha: "Uma pessoa de género indeterminado (até decidir o que quer ser) e sem qualquer estrato social não fuma".

E depois há a questão: mas por que raio é que uma princesa não deve fumar? E se ela quiser fumar? Quando muito, um príncipe é que não deve fumar, que eles é que andam atrás dos dragões e ficam sem fôlego num instante. As princesas nunca as vi a fazer tarefas fisicamente exigentes, a não ser que seja devido aos corpetes e espartilhos que apertam a peitaça e reduzem a capacidade de respirar e, nesse caso, fumar pode complicar ainda mais. Estou a brincar, claro que uma princesa não fuma, uma princesa nem pode trabalhar, como vimos no caso do casamento real em que a Meghan Markle teve de abdicar da carreira para se casar com o Harry. Essa merda é que é misoginia e reduzir o papel da mulher a dona de casa sem vida própria, mas disso não falam elas porque vestidos lindos e não sei quê. E nas companhias aéreas que exigem que as hospedeiras tenham uma certa altura e peso? Nisso não pegam elas e essa merda é que é discriminação e sexismo.

E as associações "feministas" que não têm diversidade e só aceitam feias? Pois, dessa discriminação ninguém fala.


Já aqui escrevi sobre o impacto que acho que as histórias infantis têm na vida das mulheres e dos homens: às mulheres, basta-lhes serem bonitas que conseguem sacar um príncipe; aos homens, basta-lhes serem ricos e fortes para sacarem uma gaja boa, mesmo mamando-lhe da boca enquanto está inconsciente. Sim, esses estereótipos são prejudiciais desde tenra idade, mas trazer esse debate para esta campanha, exigindo que seja retirada, é só de quem não tem mais nada com que se preocupar. Se ainda viessem dizer que a campanha é desperdício de dinheiro público e que não serve para nada, isso tudo bem; já estamos numa fase em que toda a gente sabe os malefícios do tabaco e quem fuma é palerma, tal como eu.

Se as mulheres são esquecidas, há merda. Se se lembram delas e tentam resolver um problema grave, há merda. Se não fosse por isto era por outra coisa, tipo o casal ser branco e heterossexual e a miúda não ter traços asiáticos e ter os quatro membros inteiros. Os radicais de esquerda são os radicais livres e, como tal, são prejudiciais à saúde, mas acho que tudo isto vem de um fundo bom que é o da igualdade e de um mundo melhor para todos; mesmo estes radicalismos e exageros parecem-me ter um fundo bom, na sua maioria, apenas com uma pequena parte vinda de pessoas que encontraram uma forma de alguém lhes dar atenção. Estamos num período de mudança e as coisas equilibrar-se-ão no futuro e, seja como for, às vezes é preciso dizer merda para acender o debate e o que é certo é que nunca se falou tanto de igualdade de género como agora e isso é bom. Nas revoluções há sempre extremismos e danos colaterais e temos de confiar que o futuro será melhor. Nas revoluções também há poemas, por isso deixo-vos com um:

Grita machista
Por tudo e por nada
És feminista
Mostra-te indignada
Grita opressão e sai à rua
Porque as mulheres são livres
de ter opinião
desde que seja igual à tua 
Grita misoginia
Faz uma romaria
E culpa o patriarcado
Pelo teu ordenado
Uma princesa fuma, se quiser,
Porque é uma mulher
Forte e independente
Que afugenta os homens
Com a sua liberdade, 
Ou, na verdade,
E mais concretamente,
ninguém a quer foder,
Literalmente.

E pronto, é isto que tinha para dizer sobre esta polémica parva. Na minha opinião de homem branco heterossexual perpetuador da sociedade patriarcal, achei a curta-metragem bonita, bem feita, e forte. Agora, vou ali fumar um cigarro que já fiquei enervado e, só para chatear, vou usar uma tiara.
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