7 de dezembro de 2016

Cara%$o! Fod%$-se! Put% que pariu!



A minha mãe não gosta que eu use palavrões nos meus textos. Parafraseia a mãe do Hérman José, ou o Diácono nela inspirado, e diz que não há necessidade, embora não diga que eu até sou um bom artista. Há muitas pessoas que acham que a asneira é sinal de falta de educação e que só lá vai com pimenta na língua, porque não há melhor forma de educar do que a censura. Apesar de não utilizar palavrões em casa ou no trabalho, sou gajo para me transformar num carroceiro quando estou no meu grupo de amigos.

Há uns tempos andava a rodar um estudo que dizia que quem dizia palavrões era mais honesto e de confiança, mas isso é porque o estudo não foi feito por um estrangeiro na praça de táxis do aeroporto de Lisboa. Acho que esses estudos valem o que valem: pouco. São como aqueles que diziam que o irmão mais velho era o mais bonito e/ou inteligente, que só servem para quem se identifica com eles partilhar porque não é todos os dias que recebem elogios, porque, na maioria das vezes, são feios. Ainda assim, menos feios que os irmãos mais novos, claro.

Acho que os palavrões são uma das melhores ferramentas para passar emoção, especialmente na forma escrita. A emoção que se passa com um «Foda-se» não é a mesma que se passa com um «Apre!». Nem sempre, mas às vezes as asneiras são as únicas palavras que fazem sentido.


Não me indigno com eufemismos. Não me revolto com paninhos quentes.

Já tive textos de duas mil palavras em que apenas uma era uma asneira e em que nos comentários houve gente a dizer «Aquela asneira é que estragou o texto que até estava muito bom.». Percebo a sensibilidade ao vernáculo, mas deixem-me dizer que essas pessoas são palermas e que se uma asneira lhes estraga algo «muito bom» então vão passar a vida a queixar-se de muita coisa e a não apreciar os bons momentos.

Para além de serem comboios de carga de emoções, os palavrões servem para dar realismo e imergir as pessoas na história. Voltando as taxistas, se eu estiver a escrever sobre aquela vez em que um taxista me tentou albalroar o carro, enquanto desceu o vidro e me gritou enraivecido com os olhos raiados de sangue: «Seu palerma! Vá dar uma curva! Bolas! Que maçada, meu malandro!», toda a gente sabe que é mentira. A versão real tem, pelo menos, cinco ou seis palavras daquelas muito feias que as pessoas bem-comportadas nunca podem dizer. Este pensamento é estranho, até porque o vernáculo sempre foi utilizado por muitos escritores de renome, muitos dos quais galardoados com Nobel, mas, ainda assim, continua a ter má reputação. Até Lobo Antunes que não tem por hábito desculpar-se diz «Foda-se. Perdoem esta palavra, mas é a única que me sai. Foda-se.», numa das suas crónicas, apesar de não ser, claramente, um pedido de desculpas sincero. Nem devia. Quem escreve como ele é dono das palavras e usa as que bem entender e como bem quiser.

No humor há muito a ideia de que o palavrão é o subterfúgio de quem quer uma gargalhada fácil. É um facto que em muitos dos casos, a asneira, por si só, traz risos, tal como quando em crianças, sempre que ouvíamos uma asneira dita por um adulto era motivo de risota. Talvez seja um bom sinal que a nossa criança interior ainda está viva, ao contrário da Maddie. A Maddie é outro tema para a gargalhada fácil, mas isso é pano para outra manga. Sim, a asneira gratuita é uma muleta, mas em tantos outros é apenas a gasolina. A faísca que gera o riso está noutra parte da piada. Por exemplo, no sketch dos Gatos Fedorento da agência publicitária de Chelas: tem palavrões, ainda que censurados, mas sem eles o sketch nunca iria ter a mesma piada. Porquê? Primeiro, porque não estávamos habituados a que eles utilizassem vernáculo. Se o tivessem feito em cinquenta sketches antes, este não teria o mesmo impacto e isso é a prova que as asneiras podem ser utilizadas de forma inteligente. Depois, porque o riso vem de situações caricatas e se uma agência publicitária com dois criativos mitras já é caricato o suficiente, a falta de noção deles (ou excesso de honestidade) ao achar que «Super-Sumo é do caralho!» é um bom slogan, só torna a situação mais ridícula em prol do humor. O que é certo é que eu mais depressa bebia um sumo de uma marca que arriscasse com esse slogan do que com um outro pseudo-inspiracional. Outro exemplo e puxando a brasa à minha sardinha:



Neste sketch não havia asneiras no guião. Era suposto ter acabado antes do chorrilho de caralhadas proferidas por Deus. E, apesar do meu improviso, podia ter-se cortado na edição, mas percebemos que tinha mais piada assim. Tinha piada apenas e só pelas asneiras? Gosto de pensar que a piada ali não está na asneira, mas sim na situação de ser Deus a dizer asneiras a um ateu, da mesma forma que muitos religiosos fanáticos o fazem ao dizer que quem não acredita vai arder no inferno. Por isso, deixámos ficar e o que é certo é que as asneiras ali amplificam o riso. Também amplificam a quantidade de pessoas ofendidas com o sketch e não posso negar que também foi uma das razões para as manter.

As asneiras são das palavras mais inofensivas que existem até porque são ditas, na maioria das vezes, de cabeça quente e sem serem pesadas, o que as faz terem menos impacto em quem as recebe. Chamar «gordo da merda» a alguém ofende menos do que ser mais erudito e dizer que ele se assemelha a um leitão que costumava ter uma irmã siamesa, mas que depois a comeu quando ela estava prenha, criando uma espécie de matrioskas de leitões obesos. A segunda é mais pensada, é de alguém que quer mesmo aleijar o ego da outra pessoa.


A asneira é a irmã pobre da má intenção.

«Usar asneiras é recorrer ao que é fácil e de quem não tem vocabulário», diz-se amiúde. Não. A escrita, a meu ver, deve ser crua e fazer com que as pessoas se identifiquem com ela. Faz-me mais confusão quem vai ao Google procurar sinónimos caros para as suas palavras baratas só para ficar bem na fotografia e parecer eloquente. Por exemplo, ninguém diz «amiúde». Foi só para me armar.

O falecido George Carlin, humorista norte-americano, tem um momento de stand-up comedy famoso em que fala das sete palavras que não se podem dizer em televisão. Recentemente, também o Louis CK falou disso, quando diz que censurar parcialmente palavras é um acto cobarde, porque as palavras passam mensagens e, censuradas ou não, essa mensagem e significado é colocado na cabeça de quem as lê. Perceberam o título deste texto, mesmo censurado, certo? Então qual é a diferença? É como quando na Casa dos Segredos censuram com «pis» as asneiras. Até a palavra «cu» eles censuram! Bem sei que o canal às vezes tem missa e que há senhoras idosas que vêem religiosamente o canal 24h do reality show enquanto resmungam «Que disparate! Que gente malcriada.» em vez de mudarem de canal. Esta censura é uma hipocrisia puritana que me faz comichão no piiiii. Um programa que aborda a natureza humana, que tem peixeirada a toda a hora e sexo de vez em quando, para infelicidade da produção, ter palavrões censurados é uma palhaçada. Ainda se censurassem as respostas que os concorrentes dão a perguntas de cultura geral, percebia. É muito mais ofensivo ouvir que África é um país e que a capital é Nova Iorque do que qualquer palavrão no dicionário de calão. O mesmo nas rádios em que parece que o som está a falhar, especialmente se estivermos a ouvir hip hop. É dizer aos rappers «Sim, realmente é difícil rimar com trabalho, mas arranja lá outra palavra... talho não dava? Vai para o talho? O pessoal vai gostar na mesma.».

A asneira não discrimina. É para o rico e para o pobre. Para o preto e para o branco. Para o padre e para a prostituta, às vezes quando estão juntos na cama.

Todos, ou quase, as dizem. Só costumamos dizê-las entre amigos chegados. Os rapazes sabem que já são adultos quando o pai já não tem problemas em dizer asneiras à frente deles. A asneira é boa. Aproxima-nos. Com tanta atrocidade que se passa no mundo, desconfio da honestidade, ou da humanidade, de alguém que me disser que nunca, mas nunca, soltou uma caralhada de indignação ou revolta. Quem diz isso aposto que chama nomes ao gajo da EMEL, ou à sua mãe, que lhe multou o carro porque "só" estava em cima do passeio.

PS: Têm neste link outro sketch que se foca nas pessoas que só se riem com asneiras e a parte mais gira é que a minha mãe fez de figurante e teve de me ouvir, em vários takes, a cuspir vernáculo do bom e do melhor.
Ler mais...

5 de dezembro de 2016

Pessoas que (pensam que) salvam crianças com likes



Sabem aquelas pessoas que acham que um like no Facebook ajuda crianças necessitadas em África? Esse é apenas um dos temas deste vídeo, onde ainda vão poder ver sketches sobre hipsters, casais que fazem peixeirada em público. O último sketch é um alerta importante para o apoio à violência doméstica, ou se calhar não. Vejam, gostem e partilhem.


Espero que tenham gostado. Qual foi o vosso sketch favorito desta vez?
  1. Hipster
  2. Crianças com Sida & Fome
  3. Ligue já
  4. Peixeirada relatada
  5. BBC
  6. Violência doméstica
Obrigado a todos os que têm seguido esta série da qual muito me orgulho.

Façam uma grande partilha para ajudar as criancinhas com Sida e Fome.

Cliquem aqui para ver, ou rever, os episódios anteriores.


Ler mais...

29 de novembro de 2016

Quando o sexo anal corre mal



É dia de mais uma consulta "Doutor G explica como se faz". O Doutor G anda com pouco tempo até porque amanhã, dia 30, é dia de apresentação do livro do Doutor G em Lisboa, para a qual vos convido todos desde já (mais info neste link). Se alguém a ler isto for de Constância, ou perto, fica a saber que vou estar este sábado, dia 3, na feira do livro desses lados e podem aparecer para um exame à próstata. Mais informações aqui.

Bem, vamos lá começar a consulta.


Boa noite Doutor, no outro dia enquanto eu praticava o acto da real queca em casa com o meu namorado de três meses decidimos estrear a bagageira do meu carro se é que me entende, e ele já andava a insistir nisto há muito tempo por isso não lhe neguei. Mas o problema era o seguinte, eu tinha acabado de jantar e o nosso jantar foi kebab (sim com aquele molho mesmo gostoso) e com uma investida da sua magnifica espada provocou uma reação no meu reto, mas no sentido inverso... Doutor, eu caguei-lhe na piça, mas foi mesmo liquido, daquela diarreia que parece aquela mousse que compras no pingo doce, e já que estava escuro ele pensava que era sangue portanto removeu o sardão e ligou a luz... e a cara dele matou-me Sr. Doutor, é como quem tá à espera de receber um jogo da PS4 para o Natal, mas afinal recebe umas meias. Ele limpou a gaita e foi-se embora sem sequer olhar nos meus olhos nem dirigir me uma palavra e ainda não nos falamos desde aí. Ajude-me Doutor, que eu amo aquele rapaz e não queria mandar esta relação pela sanita abaixo. O que faço?    
Anónima, 22, Santarém

Doutor G: Cara Anónima, obrigado desde já pela descrição tão detalhada do teu caso, especialmente porque estava sentado ao computador a comer um gelado de chocolate com brownies que parecem aqueles cocós onde se distinguem as sementes e as cascas dos tremoços. Muito obrigado. Posto isto, resta-me dizer-te que o teu namorado é um palerma. Homem que é homem não vacila quando o sexo anal dá merda, literalmente. Vai lavar-se e vem reconfortar a sua donzela cagona, como um bom cavalheiro, trazendo-lhe toalhetes e WC pato. No entanto, achei estranho quando comparaste a cara de alguém à espera de um jogo da PS4 com o facto de ele pensar que tinha a enguia trapalhona coberta de sangue, o que me leva a pensar que vocês são pessoas com fetiches estranhos no sexo. Moral da história: tens um namorado de merda que pensa que o rabo das mulheres por dentro é revestido a pétalas de rosa. Cu é cu, e cu tem cocó. Quem quer fazer sexo anal tem de ter consciência dos riscos e salpicos. É fazer naqueles dias em que já se foi ao trono e o cocó saiu qual lontra ninja bebé que nem deixa pistas no papel higiénico. Nos outros, em que nos limpamos e o papel sai sempre sujo, vezes sem conta, como se tivéssemos um lápis de cera preso no cu, é usar a porta da frente.


Preciso desesperadamente de ajuda doutor! Sou do Porto e a relação com a minha namorada está cada vez mais instável ... Namoramos há quatro semanas e adoro quando expressamos o amor, isto é, quando lhe mato a fome de enchidos. Mas este é exatamente o problema... é que esteja onde estiver, adoro que ela jogue bilhar de bolso com o meu taco; gosto ate, que a meio das aulas discretamente me roce os dentes na enguia (somos da mesma turma ) mas ela só fez isso uma vez e agora diz que é imprórpio e que nao volta a fazer isso... serei eu que sou retardaddo, ou devo arranjar outra para me espigar o milho?  
Anónimo, 22, Porto

Doutor G: Caro Anónimo, olha que o namoro estar cada vez mais instável em apenas quatro semanas não augura um futuro promissor. Estão piores do que o casal deste vídeo. Depois, percebe-se pela tua prosa que és um romântico e que até é de estranhar que a tua namorada não queira demonstrar o quanto te ama à base do felácio em público. É uma ingrata, ela. Ou, se calhar és só tu que não a sabe excitar para que ela perca a cabeça e não se importe de fazer coisas impróprias. Muitas vezes é isso. Quase todas as mulheres têm uma javardona dentro delas, mas muito poucas encontram um homem que saiba fazer as coisas de forma a que elas o demonstrem. Sou um filósofo do chavascal. Agora a sério, as aulas é para estar com atenção e não percebo como é que se roça dentes de forma discreta na genitália. Ou tu metes o trombinhas a espreitar pela secretária, tipo periscópio de submarino, com um livro a tapar, e ela vai lá como quem te está a comer migalhas do bolicão do colo, ou então os vossos colegas e professores são muitos distraídos. Ou é uma turma do ensino especial para cegos, também é possível. Ao menos podes andar todo nu que já não há problema em vazares uma vista a alguém... ficou um clima pesado, agora.


Caro Doutro G, ja lhe enviei uma questão aqui a tempos, tem razão em dizer que não conjuguei bem o verbo haver. Em relação a minha duvida da altura era o que fazer em relação ao meu colega com quem andava envolvida mas que ele só queria sexo e eu estava a ficar apanhadinha por ele, ele sempre disse que era só sexo e eu não me importava com isso porque gostava do que tinhamos, sexo mas também sabia que se precisa-se de um amigo ele estava lá mas não gostava do facto de ele não me beijar, faziamos sexo mas ele era incapaz de me dar um beijo na boca. em, agora estamos chateados porque ele disse coisas sobre mim a terceiros e eu não gostei mas sinto falta dele. Sim, sou uma idiota, não tenho jeito nenhum com rapazes, nunca namorei e parece que não encontro o rapaz que queira o mesmo que eu.
Anónima, 25, Porto

Doutor G: Cara Anónima, é sempre bom ver antigos pacientes a escreverem. Sou como qualquer outro psicólogo ou sexólogo que nunca quer que os pacientes fiquem mesmo curados, caso contrário é um cliente que deixa de estar fidelizado. Estou a brincar, não cobro pelas consultas e vocês só me dão trabalho. Mais uma razão para comprarem o meu livro que está à venda com 10% de desconto neste link. Pumba! Marketing no contexto certo! Sou um boss do caraças nisto das redes sociais. Bem, por um lado é bom saber que já aprendeste a conjugar o verbo haver, mas, por outro, escreveste "precisa-se" quando devia ser "precisasse", o que me deixa a pensar que nessecitas de mais umas aulas de português. Sim, foi de propósito. Olha, Anónima, isto é muito simples: és uma palerma e para o provar deixo aqui um fluxograma:



Olá Doutor Gê. Sou um jovem aveirense um pouco tímido que ainda não iniciou a sua vida sexual. Não é por falta de miúdas que me achem atraente, porque tenho noção de que sou vistoso e até pareço mais velho do que a realidade e já tenho aquela barba da moda. Mas na verdade queria era mesmo ganhar experiência com uma rapariga low profile uns anitos mais velha, para depois assegurar grande prestação sexual com as miúdas da minha idade. Esta semana fui pela primeira vez ao Dokk aqui em Aveiro com os meus amigos e ao fim de uns 10 min lá dentro fui abordado ao balcão por uma mulher com os seus 37/38 anos que entretanto começou discretamente a brincar com os meus ovos moles enquanto me dizia brejeirices ao ouvido. Só tive coragem de lhe meter a mão no rabo e entretanto os meus amigos chamaram-me para outro bar. Hoje encontrei o facebook dela e não sei o que fazer. Dr. G., acha que deva abordá-la e continuar onde parámos?   
André, quase 18, Aveiro

Doutor G: Caro André, onde é que fica mesmo essa discoteca? Estou a brincar, já fui ver na net e fica-me a caminho quando venho do trabalho do Parque das Nações para a Buraca. Bem, com que então o menino quer engatar uma MILF sabidona e safada? O leãozinho pensa que já tem juba para brincar com os crescidos? Sim senhor, é sempre bom ter confiança. Ora bem, se ela tomou a iniciativa de te apalpar os calzones para ver se o segredo estava na massa, só tens de a adicionar no Facebook e esperar que ela faça o resto. Se ela não o fizer, é porque o que afagou não lhe enchia as medidas. Nesse caso, tens de te lembrar que ela é uma leoa que caça e, como tal, tens de te fazer passar por um gnu indefeso para que ela ataque. Olha lá, não tens 18 anos ainda, que merda é esta a tentar incutir terceiros a cometer crimes? Ah, esquece, ela é mulher e nesse caso ninguém liga. Professor pina aluna de 17 anos? «Pedófilo! Tem de ser despedido e linchado na praça pública!» Professora pina 300 alunos de 17 anos? «Ganda maluca! Quem me dera ser aluno ela. Não faltava a nenhuma aula! Um miúdo de 17 anos já sabe bem o que faz.» Ainda dizem que ser mulher não tem vantagens.


Caro Doutor G., estou apaixonada por um amigo meu e até já me declarei a ele e ele respondeu que não está interessado mas quer manter a amizade, o que é extremamente desconfortável. Acontece que existem momentos em parece haver algum interesse da parte dele, ou então sou eu que quero muito que isso aconteça e vejo coisas. Por outro lado, um amigo de ambos (um dos melhores amigos dele) tem tentado envolver-se comigo e admito que existe alguma química ou tensão sexual entre nós, mas não me sinto bem porque gosto mesmo muito do outro meu amigo. Não sei o que fazer... espero mais tempo por uma coisa que provavelmente não vai acontecer ou deixo-me levar pela tensão sexual e depois vê-se? 
Isabel, 25, Porto 

Doutor G: Cara Isabel, a menina merece um par de palmadas e não é daquelas que você gosta. Estava a ler e a pensar que já tinha visto esta dúvida algures e fui pesquisar no histórico do Doutor G. Qual não é o meu espanto ao perceber que havia várias dúvidas parecidas com a tua. Sim, a dúvida mais recorrente das mulheres neste consultório é «Ele disse que não está interessado em mim... será que está?». Arre foda-se! Não, não está! Quando um homem diz que não está interessado é porque não está. Os homens só fazem jogos ao contrário quando dizem que gostam muito, mas, no fundo, é só para esvaziar o saco de pasteleiro. Ele não gosta de ti e quer manter a amizade, seja porque é mesmo teu amigo ou porque lhe dá gostinho ter-te por perto para lhe subir o ego. Não digo que um dia, numa noite de copos e carência, ele não te salte para cima só porque, bem, é homem. No entanto, não será mais do que isso, a não ser que tu na cama sejas uma espécie de santa milagreira que faz o impossível. Bem, posto isto, faz o que quiseres com o outro e depois logo se vê. Ou não, não faças nada do que disse. No fundo, não tenho diploma destas coisas, apesar de ter acabado de lançar um livro que se encontra a 10% de desconto neste link. Viram o que eu fiz outra vez?


Está feito. Gostaram? Relembro, mais uma vez, que dia 30 na FNAC do Chiado, às 18.45h, haverá apresentação do livro do Doutor G que tem 50% de conteúdo inédito e que nunca saiu nas consultas online. Mais informação aqui. Obrigado a todos e, como sempre, continuem a enviar as vossas dúvidas para porfalarnoutracoisa@gmail.com. 


Partilhem e façam muito amor à bruta, que de guerras o mundo já está cheio.

Ler mais...

28 de novembro de 2016

Discussões de casal, vídeos com gatinhos e padres



Todos sabemos que vídeos com gatinhos têm mais partilhas, o problema é quando as pessoas se aproveitam dos animais para ter vídeos virais. Neste episódio do Falta de Chá podem ver uma dessas situações e ainda descobrir se há vida inteligente na terra, ver o primeiro padre Youtuber e perceber que as mulheres são todas iguais no tocante à restauração. Vejam, gostem e partilhem.


Espero que tenham gostado. Qual foi o vosso sketch favorito desta vez?
  1. Vida inteligente na terra
  2. Viral
  3. Padre Youtuber
  4. Discussão de casal
Obrigado a todos os que nos têm apoiado! Não se esqueçam que a vossa ajuda é essencial!

Se gostaram toca a partilhar com #GatinhosForever e #JesusMelhorDoQuePhelps.

Cliquem aqui para ver, ou rever, os episódios anteriores.


Ler mais...

23 de novembro de 2016

Como os aniversários mudam ao longo dos anos



Com o passar dos anos, vamos encarando de forma diferente os aniversários e a forma como os comemoramos.

1º aniversário
As primeiras festas de anos não são para os aniversariantes, mas sim para os pais do bebé que o querem exibir, orgulhosamente, a todos os familiares e amigos. Querem mostrar a todos os seu grande feito de ter conseguido que a cria não falecesse nos primeiros doze meses. Sim, os pais, por esta altura, ainda contam a idade do filho em meses, tal como aqueles casais de namorados peganhentos que fazem publicações no Facebook, aquando de um mês de namoro, com juras de amor eterno acompanhadas de fotografias que, invariavelmente, contém montagens ranhosas com corações e letras de todas as cores. Neste aniversário os pais aproveitam para fazer inveja aos amigos que ainda não têm filhos, tentando convencê-los que passar noites em branco e ser espirrichado com urina é algo lindo e majestoso que o milagre da vida traz consigo. As crianças são inundadas de presentes que nunca vão usar e chegam ao fim do dia com um princípio de cataratas causado pelos flashes de todas as fotografias. Fotografias essas que serão posteriormente colocadas no Facebook com um emoji a tapar a cara da criança, não vão os papás ter um pedófilo na lista de amigos do Facebook. Desconfiam, principalmente, do Alfredo, cinquenta anos e divorciado, que mete fotografias com pouca luz, em tronco nu e óculos escuros, tiradas com a webcam no quarto. Bem, isto é a desculpa que eles dão, porque na verdade a maioria das vezes é porque a criança é feia.

Dos 6 aos 10 anos
A excitação que antecede o dia de anos, por volta desta idade, é aquela que nunca mais se sente na vida. Contamos os dias para o tão esperado evento e acordamos com os níveis de energia no máximo para gritar ao mundo que fazemos mais um ano de idade. Queremos uma festa com bolo cheio de bonecada e convidamos todos os nossos amigos da escola, mesmo aqueles que não gostamos muito que é para ficarem roídos de inveja ao verem-nos abrir todos aqueles presentes ou para não os deixarmos jogar na consola. Com esta idade há três festas: uma na escola; outra com a família em casa; e outra num qualquer parque de merendas com escorregas. No meu tempo era no Alvito ou no Parque dos Índios da Serafina, ambos em Monsanto, onde meninas de indumentária duvidosa se alinhavam à beira da estrada para se deixarem desembrulhar a troco de dinheiro. Comemos, saltamos, brincamos e fazemos planos para o que queremos ser quando formos grandes: astronauta, bombeiro ou operador de telemarketing. O bolo vem, sopramos as velas e pedimos desejos na confiança pura de que irão, todos, realizar-se.

14 anos
Com a chegada da puberdade e da adolescência as crianças já não querem festejar os anos com a família e, por isso, há duas hipóteses: ida ao cinema ou jantar num restaurante chinês. Pelo menos, na minha altura era assim, em que com 14 anos ainda éramos crianças inocentes com pais que não nos deixavam sair à noite para fumar e beber até cair. Enfim, pais rígidos de outrora que não deixavam os filhos divertir-se. Convidamos os amigos todos da escola, mas já não convidamos aqueles dos quais não gostamos tanto porque começamos a perceber que a maioria das pessoas não vale a pena o tempo que perdemos com elas. Convidamos a rapariga pela qual temos um fraquinho e, qual jogador de xadrez, fazemos com que acabe por sentar-se mesmo ao nosso lado, ou à nossa frente, só para depois descobrirmos que come de boca aberta e ficarmos desiludidos. O bolo vem, sopramos as velas, mas já não pedimos desejos. Já não temos a inocência para acreditar nessas coisas.

18 anos
É a loucura! Finalmente, a maioridade e, finalmente, os donos de estabelecimentos vão vender-nos álcool! Há jantar fora com direito a bebida à discrição e, invariavelmente, bifinhos com natas e cogumelos. Pedimos boleia aos pais para nos irem levar, mas já não nos despedimos com um beijo porque temos a mania de que já somos adultos. O pai despede-se com um «Tenham juízo.» e a mãe com um «Não trouxeste o casaco? Eu disse-te que à noite fica fresco. Queres te que vá buscar o casaco a casa e já to trago?». Respondemos com «sim» à parte do juízo e com um «não» enquanto reviramos os olhos, acenamos e nos afastamos. Passados dez minutos de perdermos de vista o carro dos pais, já estamos bêbados. Bebemos copos de penálti, seja de mão direita ou esquerda, porque não queremos cheirar a leitinho no esplendor dos nossos dezoito anos. Somos adultos, pensamos. A meio do jantar a nossa mãe liga-nos para saber se está tudo a correr bem e cometemos o erro de atender ao pé dos nossos amigos que começam, logo, a fazer barulhos de gemidos de mulher e a gritar «Gira lá a ganza, ó Guilherme.». Saímos do restaurante e vamos beber shots. Depois, vamos a uma discoteca qualquer onde um amigo jura a pés juntos conhecer um RP que nos mete lá dentro de borla. Chegamos lá e somos barrados, claro. Vamos a outra qualquer até aquilo fechar. Vamos para casa de táxi e passamos numa padaria para o caso de os nossos pais estarem a acordados dizermos «Levantei-me cedo e fui comprar pão.». Vemos que ainda estão a dormir e tentamos não fazer barulho, mas deixamos cair as chaves no chão e ao apanhá-las derrubamos um candeeiro que cai contra a janela e parte os vidros que, por sua vez caem, em cima da cabeça de um vizinho que grita de agonia até os nossos pais acordarem.

Dos 20 aos 30 anos
Os festejos de aniversário mantêm-se mais ou menos os mesmos durante uma década. Vamos sempre ao mesmo restaurante com o mesmo menu porque em equipa que ganha não se mexe. Continuamos a privilegiar a quantidade de bebida face à qualidade da comida e os amigos vão sendo os mesmos. Vão-se juntando alguns que conhecemos no trabalho, enquanto outros tiveram de emigrar e os que tiraram sociologia ou filosofia não têm dinheiro para ir jantar fora. Dizem que aparecem depois de jantar, mas acabam por ficar em casa porque ir para a noite sem dinheiro para beber é como ir a Roma e não ver o Papa, embora quase ninguém que lá vai o veja. Há sempre aquele amigo que leva a namorada nova, mesmo que só namorem há duas semanas. Ninguém gosta dela e todos pensam que tem ar de quem lhe mete os cornos, mas ninguém diz nada.

30 anos
Chegamos aos trinta e os aniversários já não são bem um motivo de celebração. Começamos a perceber que, na melhor das hipóteses, o melhor terço da vida já passou e nós ainda não fizemos nada de jeito do que tínhamos sonhado. Como já somos crescidos já nos mandamos para um jantar com menu de 20€ e já não pedimos vinho da casa, armados em enólogos de palato apurado. Ainda temos aquele amigo que não trabalha e que não pode ir. Temos o amigo que trabalha por turnos e também não vai. Temos os que tiveram filhos há pouco tempo e se separassem da sua cria por umas horas o mundo acabava. Há sempre confusão nas contas e nos pratos porque começa a haver vegans, pessoal intolerante ao glúten, pessoal que só come carnes brancas e pessoal que não bebe porque conduz ou está a antibiótico. Vamos com a ideia de sair até ser dia, mas às duas da manhã começa a dar a soneira e começamos a ter miragens com o quentinho dos nossos lençóis. Ainda assim, resistimos e vamos para a discoteca onde acabamos sentados em pufes a olhar à volta e a pensar «Pareço pai desta gente... no meu tempo isto não era assim, só gajos com t-shirts decotadas e gajas com ar de madrinha de casamento do Toy.». Vamos para casa, depois de gastarmos as senhas todas em gin. A ressaca demorará dois dias a passar.

40 anos
A entrada nos "entas". Fartos de convidar toda a gente que já nunca aparecia, fazemos uma coisa mais pequena em casa, só para amigos chegados. Há quem traga os filhos pequenos sem avisar e há quem venha munido de cinco mil fotografias das férias que fizeram nas Caraíbas a pensar que estão a trazer valor para o jantar. Vamos controlando o que bebemos porque já sabemos que a ressaca agora dura uma semana. Compramos vinho caro com a desculpa de que dá menos dor de cabeça, mas a verdade é que já não nos contentamos com o mesmo de há uns anos. Queremos mais e mais caro. Trabalhamos para isso e a vida é para ser aproveitada. É nesta fase que há quem se lembre que era giro fazer uma festa temática e aí vemos pessoal quase nos cinquenta mascarados de Peter Pan e Sininho como se fossem para o Carnaval da Damaia. Se não forem solteiros, as prendas que recebem nesta altura dos amigos são sempre de cariz sexual: vibradores, lubrificantes, livros kamasutra, preservativos com sabores. A vossa mulher preferia que fosse um candeeiro ou jogo de toalhas. 

50 anos
O dia que outrora nos enchia os olhos de brilho e felicidade, alheios à nossa pressa desmedida de crescer, é agora o dia que nos lembra que a meia-idade chegou. A meia como quem diz, porque provavelmente não chegaremos aos cem. Fazer cinquenta anos é uma data importante e convidamos todos os amigos para uma jantarada à antiga, mas onde as conversas já não são as mesmas. Os temas, agora, versam sobre planos poupança e reforma, spreads, propinas das faculdades dos filhos, doenças e medicina alternativa. Há sempre alguém do grupo que está a tomar medicamentos homeopáticos e que jura a pés juntos que foram a única coisa que lhe resolveu as hemorroidas. No final, vai-se a uma discoteca daquelas cheias de divorciados cinquentões no engate. Passam músicas dos anos oitenta e dançamos até os joelhos permitirem. O dia seguinte é passado na cama a ver filmes de domingo à tarde ou programas de música pimba. É por volta desta idade que há pessoas que começam a ligar para os números de valor acrescentado. Várias vezes, porque quanto mais ligar, mais hipóteses tem de ganhar.

60 anos
Já morreu um ou dois amigos com cancro ou outra doença que nos leva quem gostamos cedo demais. Sentimos que a única coisa boa que vem aí é a reforma, embora tenhamos medo dela por sabermos que é a última paragem. Pensamos que devíamos ter poupado mais. Janta-se com alguns amigos próximos e percebe-se que os planos de festejar os anos em Las Vegas ou no Havai, com toda a gente, nunca vão ser concretizados. Em vez disso, vai-se ao restaurante mais próximo de casa. Recordam-se histórias e mostram-se fotografias antigas. Os homens sentam-se todos de um lado da mesa, a falar sobre bola e a discutir política. As mulheres agrupam-se do outro lado a falar sobre feiras e a mostrar fotografias do novo sofá que compraram para a sala. Um dos casais vai embebedar-se e discutir sobre lides domésticas e forma de educar os filhos. Fica um ambiente estranho e vai tudo dormir.

70 anos
Só festejamos porque queremos que a família se junte toda. Filhos, netos, amigos que restam, tudo numa mesa a a recordar o passado ou a antecipar o futuro dos mais pequenos. Percebemos que está tudo a passar cada vez mais rápido e que o que menos importa são as prendas. Nunca deviam ter importado, pensamos, mas as pessoas fazem questão de nos oferecer: pijamas, robes e mantas. Tudo o que é preciso para uma velhice quentinha e confortável. Fazemos a piada do «Vamos aproveitar que este pode ser o último aniversário.», tentando afugentar a morte com o humor porque é para isso que ele serve. As pessoas riem e dizem «Ainda estás aí cheio de saúde, ainda nos vais enterrar a todos.» Pensamos que ser coveiro depois de reformado não era o nosso sonho. O bolo vem, mas tem creme de ovos e nesta idade isso vai dar-nos a volta ao intestino. Apagamos as setenta velas em fases porque se soprarmos demais deslocamos a bacia e borramo-nos todos.

80 anos e restantes
Os nossos amigos de quando éramos jovens já não aparecem. Já há alguns anos que deixaram de celebrar anos de vida e passaram a ter outro aniversário em que os presentes são sempre flores. Vem o bolo, trazido por uma empregada do lar, e nós ficamos a pensar quem é que será que faz anos. Ao que parece somos nós, mas já nos vamos esquecer a seguir, uma e outra vez. Os filhos vieram visitar-nos neste dia especial. Não o faziam desde o aniversário passado. Mentira, no ano passado não vieram porque se tinham esquecido e foram passar férias para o estrangeiro. Sopramos as velas, cai-nos a placa, e não pedimos desejos. Não por já não acreditarmos em magia ou por nos termos esquecido, mas porque sabemos que já não há tempo para os realizar.

Ficou um clima pesado. Peço desculpa.
Ler mais...

22 de novembro de 2016

Fantasias sexuais com Jesus Cristo, assédio e traição



É dia de mais uma consulta "Doutor G explica como se faz" e, mais importante do que isso: dia 23 estará nas bancas o livro do Doutor G com cerca de 50% de conteúdo original e dúvidas inéditas que nunca foram respondidas nos consultórios online. Quem for de Lisboa ou perto pode aparecer na FNAC do Chiado, dia 30, às 18.30h/19h para a apresentação e um exame à próstata gratuito. Mais informações neste link.


Olá Dr.G! Trabalho na parte da gestão na minha empresa e à umas semanas veio para aqui um homem 15 anos mais velho. No princípio era só risos e piadas secas mas com o tempo os risos já continham malícia e as piadas tinham se tornado em frases completamente provocantes. Não consigo resistir ao charme deste homem que quando tudo fica meio vazio chega perto de mim e puxa me pela camisa de uma forma irresistível. O problema é: Ele tem outra. Ele liga me todos os dias e deixa aquelas mensagens que não nos deixam dormir só de imaginar aqueles momentos mais picantes com ele. Agora que mudei para um emprego melhor, ele quer estar comigo. O meu coração acelera só de ver o nome dele no telemóvel. O que devo fazer?    
B, 22, Leiria

Doutor G: Cara B, agora imagina que esse gajo era feio e tu não tinhas qualquer tipo de atracção física por ele. Era assédio sexual no local de trabalho, não era? Pois é, a diferença entre assédio e charme é apenas determinado pelo nível de beleza do perpetrador. Já agora, quando dizes que ele tem outra... não serás tu a outra? Se o problema é o teu coração acelerar quando vês o nome dele no telemóvel, sugiro que mudes o nome nos contactos. Não percebo esta gente, mas o Doutor G agora é o padre da paróquia onde as beatas vêm pedir autorização para pecar? Se te apetece saltar-lhe de boca no colo, salta. O que é que eu tenho a ver com isso? Já sabes é que ele tem outra e é quinze anos mais velho, se depois te apaixonares e ficares na ilusão de que ele vai deixar a mulher, já sabes que és burra.


Doutor G. , sou o Alexandre e tenho 21 anos e de momento estou a viver na Alemanha...Tenho namorada mas ela está em Portugal (namoramos à 9 meses) e como pode imaginar ja faz algum tempo que não estaciono o carro na garagem. No entanto, tenho uma amiga aqui na Alemanha cuja prateleira da para meter os livros do semestre inteiro e me provoca várias excitações. Ela já mostrou algum interesse em mim, mas eu disse-lhe que tinha namorada. Mas agora começo a sentir-me cada vez mais com vontade de a partir... Que devo fazer?  
Alexandre, 21, Alemanha

Doutor G: Caro Alexandre, mais um que não saber conjugar o verbo haver. A sério, o que é que achas que vais conseguir ao enviar uma dúvida destas para o Doutor G? Achas que eu vou dizer «Ó meu amigo, se ela tem uma prateleira assim tão soberba, caga na tua namorada e dá-lhe uma, daquelas que aleijam, para nos vingares a todos pelo que a Merkel nos tem feito passar.»? Era? Estás à procura de alguém que te incentive a meter uma bela armação de marfim na testa da tua namorada? Tem juízo. Mas, já agora, quão soberba é a prateleira?


Boa noite Dr. G, não sei o que fazer a minha vida! Ora bem, de um lado tenho um mulherengo, que só pensa em sexo e... Tirou-me a virgindade! Do outro lado, tenho um rapaz que é formidável comigo e que se esforça para estar comigo, mas não mexe comigo como o outro. Não sei se hei de dar uma chance ao Bonzinho ou se hei de me atirar com tudo para o mulherengo (que já anda enrolado com outra). O que é que eu faço?
Liliana, 18, Mafra

Doutor G: Cara Liliana, faz o que quiseres e não me chateies. Diga eu o que disser já sei qual será o resultado: vais fazer o que te apetecer, tal como quando a minha namorada me pergunta qual o vestido que fica melhor. Por isso, em vez de te aconselhar, vou prever exactamente o que irá acontecer:
  1. Vais começar a namorar com o bonzinho.
  2. Vais encornar o bonzinho com o mulherengo.
  3. Vais trocar o bonzinho pelo mulherengo e acabas com uma frase do tipo «Não te mereço, és demasiado boa pessoa para mim.»
  4. Começas a namorar com o mulherengo e descobres que ele te anda a trair.
  5. Reclamas e dizes que os homens são todos iguais e utilizas daquelas frases «Homens decentes são como as casas de banho: ou estão ocupadas ou não prestam para nada.»
  6. Voltas ao ponto 1.
Por isso, faz o que quiseres.


Caro Doutor G, tenho 21 anos, sempre fui um menino muito bem comportado, tímido e civilizado. Nunca investi tempo ao tentar relacionar-me com uma rapariga, até porque nunca tive uma namorada até hoje. Durante 21 anos, aguardei pela altura certa, por aquele momento pelo qual todos ansiamos, encontrar a pessoa certa, para o resto das nossas vidas! Hoje, não sei o que se passa comigo, de toda as raparigas e mulheres que há por aí… tinha de ser a minha professora de análise de matemática! O olhar dela, a maneira como ajusta o seu cabelo liso em cima do ombro direito, o cuidado dela ao pegar no giz, o sorriso, a voz, mas melhor ainda são a coxas dela... MEU DEUS!! Não consigo olhar, sequer estar no mesmo local que ela, fico sempre com calor, hiperativo e com tiques manhosos. Muita vezes, tenho certas impulsões para saltar para cima dela, cheirá-la, lambê-la, agarra-la, devorá-la até onde o meu fôlego me permitir. Comecei a faltar às aulas dela, no entanto para a semana vou exceder o limite de faltas, por este andar a cadeira ficará para o ano que vem, mas não pode ser, pois ela estará lá novamente, quanto mais rápido a fizer mais depressa isto acaba! Ela é casada, tem filhos, é impensável alimentar qualquer tipo de esperança, nunca vai acontecer nada entre nós. Porém, uma coisa é certa, da próxima vez não sairei de lá sem sentir aquele RABO nas minhas delicadas mãos! De uma maneira ou de outra, isto não vai acabar bem, não sei o que fazer para me livrar disto!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!  
Nelson Ferreira, 21, Coimbra

Doutor G: Caro Nélson, encaminhei a tua questão para a PJ porque me parece que, mais cedo ou mais tarde, vais violar a professora. Eu também faltava às aulas de Análise Matemática, mas porque eram dadas por um professor que ainda usava acetatos aos quais chamava «transparências». Passei na mesma, o que só quer dizer que as aulas não serviam para nada. Deixo-te algumas frases de engate que podes utilizar com a professora:

  • Se eu por acaso tiver de ir à oral é a professora que avalia?
  • O limite do somatório que tende para infinito é aproximadamente 21 centímetros.
  • Podia ajudar-me a resolver esta equação a duas incógnitas: X sobre Y = funaná pelado.
Agora a sério, a PJ deve estar quase a ligar-te.


Olá Dr. G, eu tenho um problema. Na verdade é que namoro há 4 anos com uma pessoa e a relação é perfeita em todos os aspectos (se é que o Dr. me entende), mas agora eu tenho tido uns sonhos eróticos um bocado estranhos, eu sonho que estou a fazer sexo com Jesus Cristo e não é só isso, agora quando estou a consumar o acto com o meu namorado imagino que o estou a fazer antes com Jesus Cristo. Será esta fantasia normal? Será que o estou a trair? É que eu nem sou católica e agora até ando com uma imagem dele na minha carteira. Ajude-me Dr. eu já não sei o que fazer.

Alguém, 25, Lisboa 

Doutor G: Cara Alguém, primeiramente, parabéns pela correcta conjugação do verbo haver. Depois, fantasiar com Jesus não é traição, é incesto! Se somos todos filhos de Deus, Jesus há de ser, pelo menos, teu meio irmão. Se, por acaso, Jesus te aparecer como aparece à Alexandra Solnado e consumarem o acto, usa preservativo. Toda a gente sabe que filhos de meios-irmãos nascem bilús da cabeça e não precisamos de mais comentadores da Casa dos Segredos. O teu caso é perfeitamente natural desde que meteram o Diogo Morgado a fazer de Jesus: a beatagem ficou confusa pois, qual cão de Pavlov, começavam a salivar, mas por baixo, sempre que ele aparecia no ecrã, confundindo, assim a crença de «Sinto Jesus dentro de mim.» com o desejo «Gostava de sentir Jesus dentro de mim.». É ainda mais normal se fores do tipo de mulher que gosta de dominar na cama. Ver ali o homem pregado e vergastado faz com que comeces a imaginar sobre o que lhe farias se o apanhasses ali sem poder mexer os braços e as pernas e só com um lençolzito do chinês a cobrir as miudezas. Ainda para mais, à altura que ele está na cruz nem precisas de esfolar os joelhos. Algumas dicas para te livrares dessa fantasia:

  • Estuda um bocado de história e percebe que, muito provavelmente, Jesus era monhé.
  • Jesus passava o dia a comer e beber vinho e, por isso, não teria os abdominais definidos.
  • Jesus andava embrulhado com prostitutas e, mesmo não havendo HIV na altura, devia ter uma gonorreiazita ou outra.
  • Ias ter de aturar Maria! Uma sogra que consegue enganar o marido a dizer que engravidou virgem, imagina a megera manipuladora que não é.
Se nada resultar, mergulha os dedos em Tabasco e vai à missa. Sempre que o padre disser a palavra «Jesus» ou «Cristo» dás uma ou duas badaladas na campainha de Satã. Depois de algum treino, sempre que pensares ou ouvires falar em Jesus, em vez de sentires humidade, irás sentir um ardor psicossomático. Não falha! É como se treina os cães a não aceitar chouriços de desconhecidos! Vai ser é tramado se, por acaso, fores sportinguista.



Caro Doutor G, gosto de um rapariga que já conheço à algum tempo, que em princípio não tenciona ter uma relação comigo. O que devo fazer? Contar que gosto dela a ver se desenrola alguma coisa ou cagar nisto tudo, deixar de choramingar e partir para outra? Já agora tem dicas para temas e formas de cativar e prolongar a conversa? 
Anónimo, 19, Perdido no mundo 

Doutor G: Caro Anónimo, mas que conice vem a ser esta? Até me faltam as palavras e, por isso, vou responder à tua dúvida utilizando um fluxograma.
Quanto às dicas para cativar e manter conversa... vou fazer de conta que não perguntaste isso que é para não ter de te fazer cyber bullying e chamar-te xoninhas.


Caro Dr G, o meu nome é Maria, tenho 25 anos e sou do Porto e preciso da sua ajuda preciosa! Em Março deste ano terminei uma relação complicada/abusiva com um rapaz por quem me apaixonei loucamente e após isso tive uma fase de vida loca em que tudo o que vinha à rede era peixe. Durante essa fase conheci um rapaz que se tornou um amigo colorido, mas com quem passei quase todas as minhas tardes durante um mês e que se tentava aproximar de mim e eu estava sempre a afastar dizendo que não queria nada sério e só me queria divertir. A questão é que ele foi a melhor foda que eu já tive e combinava-mos em todos os aspectos e eu acabei por me apaixonar por ele, mas antes que eu tivesse coragem de lhe dizer alguma coisa ele desenvolveu sentimentos por outra rapariga. Ele foi honesto comigo e contou-me dessa situação e eu decidi ficar calada que nem um rato e deixá-lo seguir com a sua vida. Continuamos a manter contacto e conversas picantes, mas nunca mais estivemos juntos pessoalmente desde esse dia. Entretanto recentemente eles acabaram a sua relação e ele voltou a entrar em contacto comigo alegando que tinha saudades de estar comigo e de fazer sexo comigo e os meus sentimentos voltaram todos ao de cima e percebi que nunca deixei de gostar dele. O que faço Dr? Desta vez acha que devo ganhar os tomates para lhe dizer ou devo retomar a amizade colorida com ele e depois logo se vê? 

Maria, 25, Porto


Doutor G: Cara Maria, atenta no fluxograma da dúvida anterior. É a mesma coisa, só que descreveste a dúvida com cinco vezes mais caracteres, como é normal em qualquer mulher. Se gostas dele, tenho uma solução fantástica para ti onde tens 100% de hipóteses de saber se ele sente o mesmo: DIZ-LHE!!! Até porque foste tu que, inicialmente, se armou em mulher moderna e disse que só queria dar umas voltas, por isso, parece-me mais do que justo que sejas tu a dizer «É o seguinte... eu só queria dar umas voltas contigo, mas deste-me uma saraivada de chicha tão épica que agora me faz confusão que andes com outras. Há quem diga que é amor, há quem diga que é egoísmo. Seja como for, queres ser o meu pênis cativo?». Logo vês o que ele diz.


E é isto. Espero que tenham gostado e que comprem o belo do livro do Doutor G que já se encontra em pré-venda com 10% de desconto e portes grátis neste link.

Obrigado a todos e, como sempre, até para a semana e continuem a enviar as vossas dúvidas para porfalarnoutracoisa@gmail.com. 


Partilhem e façam muito amor à bruta, que de guerras o mundo já está cheio.

Ler mais...