16 de outubro de 2019

Vegansexuais - activistas ou malucos?



Sabem o que são vegansexuais? Não, não são pessoas que só fazem sexo com leguminosas. Não, também não são pessoas que preferem usar pepinos em vez de vibradores de plástico que poluem o ambiente. Vegansexuais são pessoas que só fazem sexo com seres humanos que também são vegans. Dizem ser uma forma de protesto e que não se imaginam a, e passo a citar, "Beijar lábios por onde passam bocados de cadáveres de animais". É justo, eu também seria incapaz de ir para a cama com alguém que goste genuinamente das músicas da Maria Leal, a não ser que a pessoa em questão seja mesmo muito boa. A linha dos ideais e dos valores oscila consoante o par de seios da equação.

Devo dizer que percebo os vegansexuais, mas apenas se estivermos a falar de relações amorosas duradouras e não de encontros sexuais casuais. Um casal de namorados heterovegans (em que um é vegan e o outro não é, inventei agora) vai dar chatice, especialmente se o vegan for a mulher. Já todos sabemos que elas refilam quando se deixa o tampo da sanita levantado, agora imaginem o refilanço quando chegam a casa e o namorado está a desossar um pato.


Para uma pessoa não vegana, ter a casa a cheirar a peixe grelhado já é mau, agora imaginem para um vegan que acha que aquilo é Auschwitz.

No entanto, acho que esta postura dos vegansexuais é de quem não está preocupado com os animais. Sabem qual é a maior causa de um gajo ficar vegan de um momento para o outro? É começar a namorar com vegans. Já perdi a conta à quantidade de panhonhas que vi converterem-se em duas semanas só porque acham que estão apaixonados e que devem fazer tudo o que a outra pessoa quer para que ela também os ame. Por isso, a postura dos vegansexuais faz-me crer que não sabem o que andam a fazer para tornar o mundo um local com menos sofrimento animal. Haverá melhor forma de reduzir o consumo de carne do que uma mulher jeitosa dizer a um gajo "Vais mesmo comer esse bife ou preferes grelo?". Sim, passado uns anos ele vai fartar-se e acabar com ela só para comer bitoques sem culpa, mas durante aquele tempo reduziu-se o sofrimento animal no mundo.

Acham que uma gaja boa recusar sexo com um gajo só porque ele não é vegan vai ajudar o mundo? Sim, pode parecer um bom protesto, mas vocês esquecem-se que os homens mentem muito para levar gajas para a cama. Acham mesmo que ele não vai mandar uma mensagem a dizer "Estive a pensar no que disseste e vi aquele filme que me enviaste trinta e cinco vezes, e decidi ser vegan. Queres vir jantar tofu a minha casa?". Ela fica toda maluca porque acha que converteu mais um e vai lá a casa comer tofu e alheira de soja ao empurrão. De manhã, o gajo diz que mudou de ideias e que quer bacon e ovos.

Estou a falar de mulheres porque duvido que haja homens vegansexuais. Por muito vegan que um gajo seja, não vai recusar sexo com uma mulher jeitosa só porque ela come cabrito. Se o fizer, então é um gajo muito bem parecido que tem muitas gajas atrás dele e pode dar-se a esse luxo, ou é gay. Por falar nisso, haverá homens vegansexuais gays ou não dá tempo para perceber os hábitos alimentares enquanto se vai para a casa de banho do Lux? Nos Armazéns do Chiado é mais fácil, basta engatarem-se na zona de restauração e percebem logo a dieta de cada um.

Por fim, deve haver um subgrupo de vegansexuais que são as feias que comem hidratos a mais e que estão sozinhas há uns anos e que, como não arranjam ninguém, dizem que é porque rejeitam os não vegans e vegans conhecem poucos no trabalho. A pensar nestas, acho que devia haver níveis de não vegans e que os vegansexuais não deviam colocar todos no mesmo saco. Por exemplo:
  • Não come carne, mas come peixe: tem atenuante e, por isso, tem direito a brincadeiras com as mãos;
  • Não come animais, mas come ovos e queijo: já pode ter direito a sexo oral;
  • Só come aves porque são um bicho mais burro que não sente tanto: dá direito a linguadões e esfreganço com roupa.
Isto seriam os níveis assumidos porque, obviamente que se for rico e famoso até come uma vegansexual em cima de uma mesa no Chimarrão. O empregado a perguntar "Quer maminha?" teria toda outra conotação.

Um estudo feito com vegansexuais recolheu alguns dos seus argumentos:
  • "Não gostava de ter intimidade com alguém cujo corpo é literalmente feito de corpos de outros seres que morreram para o sustentar". Se é nisso que estás a pensar quando estão os dois nus na cama, se calhar o problema é mais grave.
  • "Mesmo que eu achasse a pessoa muito atraente, não ia gostar de me aproximar dela se o seu corpo fosse derivado de carne". Sim, porque o teu corpo é feito de seitã. A não ser que fosses vegan de nascença, lamento, mas o teu corpo também foi construído através de sofrimento animal.
  • "Os corpos das pessoas que não são vegan têm um cheiro diferente, mas para mim é sobretudo uma questão de ética sexual.". Isso do cheiro diferente é porque os não vegans tomam banho. Quanto ao resto, ética sexual é avisar antes de um gajo se vir durante o sexo oral e nunca tentar anal surpresa.
Reparem que estes vegans são mais extremistas do que muitos racistas que dizem "Eu não gosto de pretos, mas já comi pretas". Sinto que devia ser criado um filtro no Tinder para ajudar os vegansexuais a encontrar apenas pessoas que tenham a mesma ética animal do que eles. Este filtro seria muito útil também para os não veganos porque ajudaria a evitar pessoas chatas e sem sentido de humor. Com esta frase, os vegans têm duas hipóteses: ou ter fair-play ou comentar a insultar-me e a dar-me razão. Obrigado e até à próxima.

***

PS: O meu espectáculo não discrimina e pode entrar todo o tipo de pessoas, menos as virgens (ofendidas). Se gostas de fazer sexo com vegetais és bem-vindo, se gostas de fazer com bonecas também. Se gostas de fazer com ovelhas, só se for com o consentimento delas. Eis as datas e bilhetes:

7 de Novembro - Vila Real Clica aqui para bilhetes
14 de Novembro - Évora Clica aqui para bilhetes
15 de Novembro - Almada Clica aqui para bilhetes
21 de Novembro - Covilhã - Clica aqui para bilhetes
23 de Novembro - Évora Clica aqui para bilhetes

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15 de outubro de 2019

Petição contra Joacine Katar Moreira



Consegui entrevistar o senhor Alfredo, um dos 20 mil assinantes da petição que tenta impedir a tomada de posse de Joacine Katar Moreira.

- Hoje, temos connosco o senhor Alfredo que assinou a petição que pretende impedir Joacine Katar Moreira de ser deputada. O que tem a dizer sobre as acusações de racismo que têm feito a quem assinou essa petição?

- Bom, são acusações ridículas porque eu não sou racista, mas…
- Mas o quê?
- Nada nada, eu até acho que ela não é negra. Cá para mim é tudo a fingir para ganhar votos. E toda a gente sabe que um branco fazer blackface é muito ofensivo para os conguitos. 
- Mas de onde é que tirou essa ideia?
- Vi na Internet.
- Circularam algumas insinuações, mas referentes à gaguez de Joacine e nunca à sua cor de pele.
- Pois, lá está, quem simula que é gago também simula que é preto, percebe. Eu não sou racista, mas… isto nos políticos não se pode confiar em nenhum.
- Então quer dizer que não votou em ninguém?
- Não, votei no André Ventura por causa daquilo dos ciganos. Eu não sou preconceituoso, mas… sabe como é que é. Um gajo tem de andar sempre com um olho no burro e outro no cidadão de etnia cigana, que já nem pode chamar ciganos à ciganagem que vem logo o politicamente correcto dizer que a gente somos xenófilos.
- Ok… voltando à petição, porque não quer que a Joacine seja deputada?
- Não é não querer que isso assim até parece que tenho alguma coisa contra a preta. É achar que não faz sentido. Ela nem é portuguesa, repare que nem se percebe bem o que ela diz, que vêm lá das ex-colónias a falar dialectos, ainda com sons estranhos. Eu não sou racista, mas acho que ela devia ir mandar bitaites para a terra dela.
- Então calculo que a questão da bandeira da guiné o tenha indignado, certo?
- Ah era a bandeira da Guiné? Pensava que era a bandeira de África. Estamos sempre a aprender.
- África é um continente, não é um país…
- Bem que podia ser um país que aquilo é tudo a mesma coisa, não é verdade?
- Está-me a parecer que o senhor pode ser um bocadinho racista…
Racista? Eu? Não brinque comigo, homem. Eu até tenho um amigo preto. Quer dizer, não é bem amigo, é conhecido, vá. Quer dizer, encontrei-o uma vez na rua. Vi-o ao longe e disse “Eh ganda Mantorras!”, mas afinal era o Marega.



***

PS: Podem ouvir esta crónica em formato áudio no podcast Por Falar Noutra Coisa, neste link da Antena 3. Também disponível no iTunes, Spotify e essas plataformas todas.
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14 de outubro de 2019

Relações à distância, traições, homens sérios e choninhas



Saudades do Doutor G e do melhor consultório sexual, sentimental e existencial do planeta terra? Ainda bem, as coisas boas fazem-se esperar. Vamos, então, sem demoras, dar início a mais um "Doutor G explica como se faz":

Bom dia Dr. G, estou numa relação à distância de 1 continente e 9 horas de diferença. Estando ciente que sou uma gaja super ciumenta, queria contornar esse aspecto para bem da minha relação. Tenho o hábito de mandar mensagem tds os dias, mas sei que ele nao partilha o mesmo e muitas vezes irrita-me o facto de nao me responder pois parece que estou num monologo. Há um dia ou dois da semana que falamos bastante e até mesmo por chamada mas sinto que não é suficiente. Queria saber como manter a relação saudável sem estar sempre ansiosa por uma resposta da outra parte que só chega de vez em quando.
Carolina, 22, Tomar

Doutor G: Cara Carolina, se namoram à distância e ele não tem necessidade de todos os dias te dizer, pelo menos, um "Olá, correu bem o dia?", então ele não gosta assim tanto de ti. Percebo que o fuso horário seja chato, mas se tu lhe envias mensagem e ele passa dias sem responder, então vocês não namoram, tu andas a fazer-te a ele e ele a fazer-se de esquisito. Tens a certeza que ele sabe que namoram? Às vezes as mulheres pensam que os homens adivinham o que lhes vai na cabeça, vê lá isso. Uma relação Lisboa - Porto já está condenada ao fracasso, uma relação Tomar - Austrália (arrisquei) tem tudo para descambar, a não ser que esteja no horizonte ele voltar em breve. O que te aconselho é o seguinte: sempre que ele não responder durante muito tempo, enviares uma mensagem a dizer "A noite de ontem foi tão boa! Estou toda assada." e depois logo outra a seguir "Ups, não era para ti". Se ele responder logo já sabes que antes não era por falta de tempo. Se ele demorar dois dias a responder a isso, ou não gosta mesmo de ti ou trabalha muito. Relação à distância tem de haver video chamada com miudezas à mostra, caso contrário são só amigos por correspondência. Profundo. Chupa, Chagas Freitas. Se, por acaso, vocês começaram a namorar à distância e nunca estiveram juntos, receito duas cabeçadas na quina de uma mesa a ver se deixam de ser palermas. 

Caro Doutor G, eu tinha uma namorada, com quem dou umas voltas no carrossel, mas já percebemos que uma relação séria não resulta connosco. Uma das melhores amigas da minha ex, foi minha colega na faculdade e ficamos muito amigos. Ultimamente ela mostra-se interessada e parece estar All-in e por outras só faz Poker Face. Uma vez até combinamos fazer reconhecimento de um casino internacional, após estar tudo marcado, ela retirou as fichas de cima da mesa. Ainda não fui capaz de pôr as cartas em cima da mesa e sair o grande vencedor, mas já demonstrei interesse sem ainda se ter passado nada... Caro Doutor G como sei se estou apaixonado ou apenas quero comer esta gaja? E qual a melhor forma para conseguira que ela me aqueça a cabeça do c*r*lh* com os seus lábios de baixo?
DX, 20 e alguns, Ribeiro Frio 

Doutor G: Caro DX, tanta merda e tanta analogia de merda com jogos de sorte para perguntares como é que sabes se estás apaixonado ou só queres comer a rapariga? Eu é que sei? O Doutor G não é aldrabão como as cartomantes e bruxas da TV que afirmam saber tudo. O Doutor G, embora pareça, não tem poderes sobrenaturais que o fazem adivinhar o que as pessoas sentem apenas através de um parágrafo de metáforas de casino. Claro que quando a tratas por "gaja" e perguntas a melhor forma para te aquecer a cabeça do caralho com os lábios de baixo, pode pensar-se que é amor, tal é a classe e romantismo com que te referes à donzela. Bem, dito isto, deixo algumas formas que tens para descobrir se é amor ou luxúria:
  1. Antes de lhe enviares uma mensagem, toca um solo de oboé. Se depois do trombinhas bolçar ainda tiveres vontade de lhe enviar uma mensagem, pode ser amor, caso contrário só a queres comer.
  2. Se fossem fazer funaná pelado para um hotel, reservarias pequeno-almoço? Se sim, então é amor porque significa que querias passar tempo com ela vestida, embora sejas burro porque se vão para um hotel é para ficar na cama a alambazarem-se até ao checkout e depois comem numa estação de serviço.
Quanto à melhor forma de conseguires que ela acondicione o teu pénis na sua bolsinha marsupial genital, fica apenas uma dúvida: só queres que ela te aqueça a cabeça da enguia trapalhona? E o resto? Porquê só a cabeça? Bem, a melhor forma não há, até porque se já esteve marcado e ela se cortou em cima da hora é porque não está interessada e só anda a fazer bluff. É bom que tenhas um bom jogo de mão, porque me parece que vais ser tu sozinho na casa vazia, ou seja, não há full house para ninguém. Como ela é amiga da tua ex, se calhar já sabe que tens uma small blind. Vês? É assim que se faz.


Dr.G eu tenho um problema com homens. Embora nunca tenha tido dificuldades em arranjar parceiro é difícil que alguém me desperte interesse. A minha matrix de avaliação é simples, escolhi dois rapazes bem parecidos, letrados, independentes, que gostam de animais e tratam bem os pais. Durante uns tempos funcionou bem, depois invariavelmente dá asneira, esperam em mim alguém que cozinhe para eles, lhes lave a roupa e fique tipo cachorro em casa enquanto se divertem com os demais machos a ver maminhas em discotecas frequentadas por Erasmus e fêmeas de leste. Como escolher alguém para um relacionamento duradouro? A homossexualidade não é uma opção. Qual o truque para detectar alguém interessante, fiel, respeitador e homem?
Anónima, 24, Polónia

Doutor G: Cara Anónima, estou a ver que não és muito exigente com os homens. Basta que sejam bem parecidos, inteligentes e essas coisas todas que referiste. O problema é que a tua matriz, e não matrix que eu não sou o Morpheus, de avaliação está errada à partida. Dizes que eles eram independentes e depois querem que tu sejas a mãe deles? Se calhar a variável de avaliação de tratar bem os pais está exacerbada e andas a escolher aqueles que tratam demasiado bem os pais para que eles lhes continuem a fazer as lides domésticas. Tens de ir àqueles que batem na mãe porque esses de certeza que sabem cozinhar e passar a roupa, caso contrário não partiam um braço à própria mãe. Quanto ao resto, espécimes masculinos que gostem de sair com os amigos para ir a discotecas ver maminhas de leste e de Erasmus têm um nome: todos os homens heterossexuais do mundo. Sendo que vives na Polónia, a minha dúvida é saber se os homens de que falas são portugueses aí a viver ou polacos. Ora, se forem portugueses, acho que o problema é óbvio: eles estão aí para comer polacas. Ir à Polónia para namorar com uma portuguesa é como ir à Nigéria para ter bons cuidados de saúde. Não é que as portuguesas não sejam mais bonitas do que as polacas, atenção! Eu sempre achei que eram, mas depois fui à Polónia. Duas vezes só para ter mesmo a certeza. Acho que tens de esperar até voltares para Portugal porque os portugueses é o que falei e os polacos, por norma, são um bocado machistas e acham que as mulheres devem ficar na cozinha. Sim, homossexualidade lésbica na Polónia não aconselho, embora seja adepto e espectador da modalidade, mas eles são um bocado trogloditas e discriminam bastante a comunidade LGBTQIXPTO+-=. Quanto ao truque para identificar alguém interessante, fiel, respeitador e homem, digamos que o mundo percebe mais de mecânica quântica e que estamos mais perto de inventar viagens no tempo do que de descobrir isso.


Caro Doutor G, nunca percebi a razão que levava os casais a trair, até que finalmente percebi... Estamos na segunda metade dos 20 anos e temos tudo o que muitos casais com 30/40 ainda não conseguiram alcançar: casa própria, carro dos sonhos, emprego que sempre quisemos e um filho em comum. Tudo parece correr bem, até que, recebi temporariamente uma colega da minha idade vinda de outro escritório, e foi atração mutua. Até que hoje a boleia para a casa dela estava marcada, boleia essa que se iria consumar um pecado bíblico, com toda a certeza. Fui forte e arranjei uma desculpa no último segundo do acontecimento. Dei por mim a pensar em desistir de tudo e fugir com ela. O problema é que dou trela a quase todas as miúdas que me dão conversa. Já tentei abrir o relacionamento para menage de forma a cometer o pecado de forma legal, mas sempre foi rejeitado por ela. Receio que mais cedo ou mais tarde irei fazer merda e estragar tudo. O que recomenda para esta situação?
Anónimo, 28, Porto 

Doutor G: Caro Anónimo, acho que não te deves martirizar já que estás melhor do que a maioria das pessoas, dizem as estatísticas. Ou seja, sentindo atracção, conseguiste rejeitar e afastar-te da boca da loba. O segredo é esse: evitar as situações porque há algumas que depois de estar lá, pode não haver volta a dar. O jogo de sedução enquanto comprometido é como os encantadores de serpentes. Andam ali, a provocar a cobra e a esquivarem-se das suas investidas, apenas por desafio e entretenimento ou para mostrar aos amigos. No entanto, há sempre um ou outro encantador que se mete demasiado a jeito e a cobra lá lhe enterra as presas na zona das virilhas. Essa de teres sugerido uma ménage foi de génio, sim senhor. Nunca ninguém se lembrou dessa. Deves pensar que és mais esperto do que os outros, deves ser daqueles que vai até ao fim da via e se mete já com traço contínuo para ultrapassar toda a gente. A tua namorada fez como eu que é cada vez que vê um espertinho desses, não o deixa meter. Bem, se tu já estás a pensar que mais cedo ou mais tarde vais fazer merda, é óbvio que vais fazer. Quando acontecer logo vês, até pode acontecer ires para a cama com um pipi novo, diferente do que tens em casa, e não gostares muito. Ah ah ah. Sou um brincalhão.


Caro Doutor G, tenho namorado há quatro anos e foi com ele que perdi a virgindade, tudo corre bem excepto que nunca tive um orgasmo quando fazemos sexo. Sim, sozinha consigo ter mas com ele nunca aconteceu. Qual será o problema? Relembro que nunca tive outro parceiro e que por isso não sei se isto é normal ou não, se é um problema meu ou dele ou se somos apenas incompatíveis.
Ana, 22, Évora

Doutor G: Cara Ana, tudo corre bem excepto o facto de nunca teres tido um orgasmo durante o sexo é o mesmo que dizer "Sim, a vida corre-me bem, exceptuando o facto de estar preso numa cave sem ver a luz do dia e a comer tofu todas as refeições enquanto um senhor que cheira mal se senta em cima de mim e lê um livro do Gustavo Santos em voz alta". Deixo um fluxograma que poderá ajudar a despistar o teu problema:
Diria para comprarem brinquedos e o ajudares a perceber o que te dá prazer. Se ele e aplicar e quiser aprender, tudo bem, se ele foi egoísta e não estiver preocupado com o teu prazer, é experimentares com outros para ter a certeza de quem é a culpa.


Boa tarde Caro Dr. G. a ultima namorada que tive foi há  7 anos, e acabamos há coisa de 4. Não tenho problemas em conhecer raparigas, procuro algo serio para ficar quieto no lugar,  mas elas acabam sempre por me colocar na friendzone, estou farto. Perdi o meu habito de ser aquele predador em que qualquer coisa servia  para molhar o pincel, será por estar a entrar na casa dos 30? será que sou um choninhas tão amestrado e sem volta a dar? o que posso fazer para voltar a deixar de ser choninhas? ajuda-me! pois sou um conas! O Doutor está disponível para ser o meu mentor?
Miguel, 27, Leiria

Doutor G: Caro Miguel, o quê? A última namorada que tiveste foi há 7 anos e acabaram há 4? Que raio de métrica é essa? A última namorada que tiveste foi há 4 anos, pronto. Querem pôr o Doutor G a fazer contas desnecessárias. Imagina, vais para o Brasil em Janeiro e voltas em Março. Dizes que não vais ao Brasil desde Janeiro ou desde Março? Pois, desde Março, claro. A não ser que estejas a dizer que entre os 7 e os 4 anos atrás, ela já não era tua namorada, mas ainda não tinham acabado oficialmente. Se for isso, não faz sentido na mesma. Bem, quanto às tuas perguntas:

  • Vais para a friendzone? É porque não passas a vibe de ser bom na cama;
  • Não tens vontade de varrer pipi alheio de forma recorrente porque estás a chegar aos 30? Não. Com a idade a tendência é piorar, basta ver os velhos rebarbados a jogar dominó no jardim e a olhar para tudo o que mexe;
  • És choninhas? Provavelmente.
  • Há volta a dar? Se antes não eras, há volta a dar.
  • O que fazer para deixar de ser choninhas? Deixares de ter medo da rejeição e seres tu mesmo, a não ser que sejas otário, nesse caso tenta ser outra pessoa. Ou não, elas tendem a gostar muito dos otários.
O Doutor G não aceita mentoria privada com homens, não por qualquer questão homofóbica, mas porque seria um serviço muito bem pago e seria injusto apenas os ricos terem acesso a tais serviços de qualidade. Se entrar para o SNS e o Estado comparticipar, podemos ver isso.


"Estamos tão gratos por ter voltado Doutor G! Como lhe podemos agradecer?" Ora, boa pergunta, caros leitores. Por coincidência, tenho 5 novas e últimas datas do meu espectáculo de stand-up comedy para as quais podem comprar bilhete, caso ainda não tenham visto. Se já viram, podem partilhar e sugerir aos amigos que tenham bom gosto humorístico.

7 de Novembro - Vila Real - Clica aqui para bilhetes

14 de Novembro - Évora - Clica aqui para bilhetes
15 de Novembro - Almada - Clica aqui para bilhetes
21 de Novembro - Covilhã - Clica aqui para bilhetes
23 de Novembro - Évora - Clica aqui para bilhetes

E é isto. O Doutor G já tem poucas questões em lista de espera, por isso façam favor de continuar a fazer chegar as vossas dúvidas para a caixa de correio electrónico: porfalarnoutracoisa@gmail.com.
Obrigado e, como sempre: 

Façam amor à bruta porque de guerras o mundo já está cheio.

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Casados à Primeira Vista - O Regresso dos encalhados



Está de volta o programa que apaixonou muita gente, menos os concorrentes que não conseguiram enamorar-se uns pelos outros, apesar do aval dos especialistas e dos algoritmos secretos que dizem possuir. Aliás, resultou tão bem que nenhum - repito: nenhum - dos casais formados está junto neste momento, o que prova que ou os seres humanos e o amor são muito imprevisíveis ou estes especialistas percebem tanto disto como a Diana Chaves de apresentação.

No entanto, é televisão e o propósito é entreter e não juntar forever alones. Teve muita audiência e parte desse sucesso deveu-se ao facto de muitos dos casais não se darem bem. O ódio gera mais audiência do que o amor, excepto nos filmes pornográficos. Os concorrentes também sabem disso e duvido que a maioria concorra a este programa para encontrar o par perfeito -  se o faz é meio burro. Os concorrentes do "Casados à Primeira Vista" são os que não são suficientemente bimbos para participar no "Love on Top". O Love on Top é o Eskada no Porto e o Casados à Primeira Vista é o Urban em Lisboa que, à primeira vista, parece ter menos doenças venéreas, mas acaba por ser tudo igual.

Acho que os concorrentes se encaixam todos num destes perfis:
  • Encalhado - o concorrente que verdadeiramente não consegue encontrar ninguém. Normalmente, se não for feio é de fazer soar logo o alarme de psicopata. Há uma tão encalhada que disse que inscrever-se foi "um grito de socorro". Acho que tomar comprimidos ou fazer uma tatuagem tribal no fundo das costas talvez desse menos trabalho e passasse a mesma mensagem de desespero.
  • Quer fama - Não tinha tatuagens e músculos suficientes para entrar na Casa dos Segredos e restou-lhe esta oportunidade para conseguir fazer presenças em discotecas. Este tipo de concorrente diz que participou "pela experiência".
Os especialistas são os mesmos da primeira temporada porque em equipa que ganha não se mexe. Com uma taxa de 100% de divórcios, a mudança seria contraproducente:
  • Um que diz que é "coach" e que faz "matches" e que ou é muito beto ou tem um problema da fala, pois diz "intessante" e "quemunicação".
  • Uma que é especialista em comunicação e que descobriu e passo a citar "que a comunicação é fundamental para o relacionamento com os outros.". Foda-se, a sério? E descobriste isso sozinha? Génio.
  • Um que é terapeuta sexual, mas que tem cara de periquito eunuco.
  • Um que é neuro não sei das quantas com quem não vou gozar porque já foi meu mestre de jiu jitsu e o respeitinho é bonito.
Vamos conhecer os casais, até agora, desta nova temporada. Temos de estar atentos que isto parece um episódio da série Dark e já não sabemos quem anda a comer quem.

Temos o Pedro e a Liliana. Faz lembrar a bonita história de amor de Pedro e Inês, mas das barracas. Ele é de Corroios e ela de Sacavém. Ele professor e ela fez questão de frisar que era secretária, mas clínica. No fundo, quando alguém diz que trabalha na área da saúde já sabemos que não estamos a falar com um médico. Casaram num ilhéu, com poucos convidados porque a família e amigos tiveram mais noção do que eles e ambos têm bom aspecto, mas escrevem votos como se fossem o Pedro Chagas Freitas. Quando as amigas da noiva viram o noivo sussurraram "Ela vai gostar" e "Ai não, já passastes" e decidiram meter-se com ele dizendo "A noiva é muito feia! Muito gorda". Isto dito por uma que tinha uma amiga bem gorda ao lado e mesmo a discriminar os mamutezinhos. Enfim, nisto as Capazes não pegam. O que é certo é que a noiva gostou e ele também e houve mamanço de boca com escalope de fora ainda antes de serem declarados marido e mulher. É assim mesmo, quem vai para este programa não pode estar com puritanismos. Quando parecia que podia tudo dar certo, até porque ambos acreditam nos signos, percebemos que ela usa o anel de outro gajo de quem ainda gosta e que o novo marido lhe ofereceu uns brincos que comprou uma vez em Timor e que tinha guardados para alguém especial.

Quem é o maluco que compra brincos sem ter ninguém a quem oferecer só para o caso de um dia dar jeito? É fugir.

Depois temos a Marta e o Luís. A Marta tem 37 anos, é jornalista e está desesperada por visibilidade e por ter filhos. O seu historial é sempre gajos que acabam por lhe meter os cornos. Todos. Ela pergunta-se "O que é que eu fiz?" e "O que é que eu não fiz?". O que fizeste não sei, o que não fizeste se calhar foi anal. Diz que gosta de aventuras e que é menina para, se lhe ligarem numa sexta-feira a dizer "Faz a mala que vamos de fim de semana", ela ir. Tchiiii, a louca! A vagabunda! Mulheres destemidas capazes de ir passar dois dias a Peniche sem saberem bem onde é que fica. O Luís vem da Austrália e como está habituado a animais venenosos não será problema se a noiva for uma jararaca, até porque ele tem ar de suricata. Não tem mau aspecto, mas parece uma caricatura de si mesmo, sempre encandeado com as luzes ou com o decote da Diana Chaves. A noiva chega ao altar, vê o noivo e, plot twist: já se tinham comido há uns anos. Deve ser mesmo coincidência, deve. A produção anda a dormir, queres ver?

Por fim, temos dois casais em um. Elas são irmãs e vão casar ao mesmo tempo. A Ana, de 42 anos e a Inês, de 38, que diz que é arquitecta, mas que não exerce. Têm ambas uma forte ligação que se percebe no facto de terem unhas de gel foleiras. A Inês considera-se muito inteligente, mas a escolha das unhas faz-me duvidar. Dizem ser duas princesas, mas apesar de serem de Aveiro, parecem ser princesas do Barreiro. É uma família de encalhadas que falhou a data limite de inscrição para o Love on Top.
  • À Inês calhou-lhe o Hugo, agricultor de 42 que diz ser formador, embora eu tenha percebido "fumador" o que faria sentido pois aparenta ter 55. Os especialistas enganaram-se e juntaram uma bimba de unhas de gel às cores com um agricultor, a pensar que estavam no outro programa do canal. Ele diz que as características mais importantes da noiva são ser "magra e morena" o que mostra desde logo que é um homem honesto e que não está ali com as tretas de o que conta é o interior. É um cavalheiro.
  • À irmã, Ana, calhou-lhe na rifa o Paulo, de 51, de quem claramente ela não iria gostar. O Paulo ficou encalhado à primeira vista. Até eu que não sou especialistas já sabia que ia dar merda e deu. Claramente ela queria um bimbo do Love on Top e deram-lhe um senhor de meia-idade sem gonorreia. O que ela não percebe é que lá porque na discoteca há gajos mais novos a quererem saltar-lhe em cima, dificilmente vão querer casar com ela. 
Ambas as cerimónias foram em Sintra, fez-me sentido serem na Linha de Sintra, mas teria feito mais se fossem para os lados de Massamá ou Cacém. Elas viram os noivos e ficaram desiludidas. A Inês conseguiu disfarçar, mas a Ana como é "mais transparente e frontal" que é sinónimo para "mais pessoa de merda" não conseguiu e mostrou logo o seu desagrado para com a rifa que lhe tinha calhado. Mais tarde, através dos votos da Ana, dos comentários da Ana e dos testemunhos para a câmara da Ana, percebemos que ela é maluca e que talvez seja por isso que ninguém a atura. Sim, há muitos homens que se sentem intimidados por mulheres fortes e independentes, mas também há muitos que não querem aturar malucas.

E, para já, foram estes os concorrentes apresentados. Sempre que perguntam a um deles as três coisas mais importantes numa relação, todos referem a fidelidade, respeito e amizade e ninguém refere pinar como gente grande. Deve ser por isso que estão todos encalhados. Continuo a sentir falta de diversidade: um cego que diga acreditar em amor à primeira vista; e não há gordas nem gordos, porque a produção sabe que isso de todos os corpos serem bonitos é treta.

Questiono-me se o pessoal que é contra o casamento entre pessoas do mesmo sexo não se insurge contra este tipo de casamento. Então, não são eles que dizem que o matrimónio é um laço sagrado e o pilar da família que deve ser respeitado? Ou só há falta de respeito se houver pénis acondicionado em rabo macho? Vejam lá isso. Bem, cá estarei para ver e analisar para vos dar o resumo que vocês merecem sobre este programa que quebra estigmas antigos, pois sempre ouvi dizer "Não abras a porta a estranhos e não aceites doces de desconhecidos.", mas parece que faltava a parte de "A não ser que seja para casar com eles e esteja lá gente a filmar para a televisão."

***

PS: Vila Real, Évora, Almada, Covilhã e Damaia: bilhetes para as últimas datas do meu espectáculo de stand-up comedy a solo neste link
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8 de outubro de 2019

Resumo das Eleições Legislativas 2019



Mais umas eleições, mais uma voltinha. Ficou tudo na mesma, como sempre, mas houve algumas novidades que estão a dar que falar. Claro que a culpa foi da abstenção que só foi a mais elevada de sempre porque há muita gente ainda sem telemóvel com câmara fotográfica que não conseguiu tirar foto ao boletim e publicar nas redes sociais e, assim, o voto não contou.

O PS, sem surpresas, foi o partido mais votado. No seu discurso usou todas as buzzwords como ecologia e igualdade de género, e fez uma espécie de cock teasing, a dar esperanças a todos os partidos pequenos à sua esquerda. Resta saber se o PS tem familiares suficientes para fazer face ao aumento de número de deputados ou se terá de fazer outsourcing e ir aos primos em 3º grau. Por falar nisso, a polémica do nepotismo na política foi muito falada este ano e diz-se que a maioria dos deputados são familiares deste e daquele, mas, agora, há pelo menos um que temos a certeza ser familiar de uma prostituta. Não sei qual será o grau de parentesco - diria que é filho - mas já lá CHEGAremos.

O PSD parecia ser um dos grandes derrotados da noite, mas pelo discurso de Rui Rio parece que ganhou. Notou-se que ele é do Sporting, pois esteve sempre a culpar os outros e gabou-se das pequenas conquistas como a taça da liga. O Rui Rio é daqueles que ficou contente com a derrota do Sporting na supertaça porque estava à espera do 10-0 e, assim, o 5-0 contou como vitória moral. Rui Rio deu um exemplo de como ser feliz na vida: estimar o horrível para o péssimo parecer bom. Nem eu com os copos fico com os padrões tão baixos como o Rui Rio. O Rui Rio varre a mais gorda e feia da discoteca e diz "Chupem! Tinham dito que ia sozinho para casa, mas ó para mim aqui a safar o mamute! Vitória!". 

O CDS foi o grande derrotado da noite e o único que assumiu. Quer dizer, o Aliança também, por isso props para o Santana Lopes, político de carreira, que conseguiu tantos votos como o Tino de Rans. O Santana parece aquele jogador de futebol que já ganhou a Champions e que agora se arrasta num clube da distrital. É preciso saber quando pendurar as chuteiras ou, neste caso, as luvas. Voltando ao CDS, a Cristas demitiu-se e provou que rezar não serve de nada, já que foi à missa depois de votar e conseguiu perder 13 deputados na mesma. Isso ou até Deus acha o catolicismo do CDS ultrapassado e sabe que não se deve misturar religião com política. O único problema é que a Cristas veio dar um bocado força à tese de que as mulheres estão bem é na cozinha, mas é preciso perceber que ter uma mulher a liderar um partido com os valores retrógrados do CDS é como ter o Valete a liderar o Ku Klux Klan. Enfim, o CDS insiste em gays e mulheres como líderes, não percebendo que o parte do seu eleitorado católico os discrimina um bocado.

O Bloco de Esquerda foi um dos vencedores da noite, todos fanfarrões, mas a piar fininho a dizer que estavam disponíveis para novo acordo com o PS. Quando percebes que a pessoa em quem estás de olho tem outras a fazerem-lhe olhinhos, já sabes que não te podes fazer de difícil.

A CDU foi o único partido a sair prejudicado da geringonça, mas tal como Jerónimo é incapaz de assumir que a Coreia do Norte é uma ditadura, também foi incapaz de assumir a derrota.

O PAN passou de 1 para 4 deputados, sendo um dos grandes vencedores da noite. Está aberto a negociar com qualquer partido, até porque dizem não ser de esquerda nem de direita. Acho que é porque os cães são disléxicos. Pensava que a minha cadela gostava do PAN, mas afinal deve ser PSD porque fica toda maluca e vai buscar a trela quando ouve o nome do deputado de Viseu Fernando Ruas. 

A grande novidade destas eleições foi a inclusão de três novos partidos no lote dos que elegeram deputados:
  • Um deputado para o Iniciativa Liberal, o partido dos betos que não sabem que são betos e que têm um bom designer de cartazes.
  • O Livre que veio dar mais diversidade ao parlamento já que é a primeira vez que se elege uma beatboxer.
  • E, por fim, o Chega elege um deputado.
A partir de agora, sempre que alguém disser que foi votar no aborto, não sei se estão a falar do referendo de 2007 ou do André Ventura.

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PS: Podem ouvir esta crónica em formato áudio no podcast Por Falar Noutra Coisa, neste link da Antena 3. Também disponível no iTunes, Spotify e essas plataformas todas.
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7 de outubro de 2019

Ideias para diminuir a abstenção



Mais umas eleições, mais uma abstenção alta e culpa de todos os males. As críticas à abstenção vêm de todos os políticos, os mesmos que durante quatro anos nada fizeram para a combater e só se lembram no dia das eleições porque fica bem e deflecte a culpa que todos têm em que seja tão alta. A abstenção é efeito e não causa, mas tentam convencer-nos do contrário.

Cidadãos moralmente superiores, que publicam o seu boletim de voto nas redes sociais, fazem uma espécie de perseguição contra quem não foi votar, embora eles próprios não tenham ido votar uma vez porque estavam de férias, mas afinal é só dever quando dá jeito. São pessoas que, das duas uma: ou têm a presunção de achar que uma publicação sua vai diminuir a abstenção; ou só o fazem para ter atenção e se sentirem superiores. Muitas dessas pessoas, que dão lições de democracia, são as que em 2015 disseram que a PaF ganhou as eleições e foi roubada, mostrando que nem percebem que estão a eleger deputados e não o Primeiro Ministro e que não percebem nada desta democracia que tanto defendem. Como não gosto de criticar sem dar sugestões, aqui ficam ideias para diminuir a abstenção em futuras eleições:

- Votar dá desconto em cartão Continente. O desconto dependeria do partido votado. Se votássemos PAN, o desconto não poderia ser utilizado para comprar produtos de origem animal. Se votássemos PNR, o desconto não estaria disponível para produtos de porco preto.

- Votar dá dados móveis. Quem fosse votar teria direito a um pacote extra de dados móveis durante a legislatura. Mais uma vez, o tamanho do pacote dependeria do partido em que votássemos. Se votássemos CDS, os dados não poderiam ser utilizados em sites pornográficos porque é pecado, já se fosse no LIVRE, todos os sites estariam disponíveis, mas a Internet seria muito lenta e com soluços.

- As mesas de voto têm table dance. Já lá está uma mesa, falta a stripper. Ou o stripper que eu sou inclusivo. É uma estratégia simples e que pode funcionar. Votar já é para maiores de 18, por isso não havia problema. Para quem vota PNR, a stripper seria de nacionalidade portuguesa; para quem vota BE, a stripper seria meio negra, meio cigana, anã e com perna de pau para haver diversidade.

- Um Marcelo em cada mesa de voto a tirar selfies. Marcelo é o unificador da população portuguesa e a possibilidade de uma selfie com o presidente seria um grande impulsionador da ida às urnas. Se o boletim de voto nas redes sociais já dá likes, imaginem uma selfie com o Marcelo. Isto seria implementado através de clonagem ou figuras de cera, se bem que Marcelo tem energia para estar em todo o lado ao mesmo tempo.

- Votar através das redes sociais. Entre uma citação do Chagas Freitas e uma notícia do Correio da Manhã, aparecia uma publicação a dizer "Vote já no seu partido favorito". No fim era mais fácil partilhar no feed para mostrarem a todos que já votaram. Podia ser usado em jogos: estás no candy crush e de repente aparece um popup a dizer "Vote agora para desbloquear o nível secreto".

- UBER voto. Chamava-se um UBER voto e vinham trazer o boletim a tua casa para votares e iam entregá-lo no local certo. Eliminaria um dos problemas que é o facto de não se poder votar em qualquer sítio (um dos problemas da abstenção mas de que ninguém parece interessado em resolver) e, melhor, ainda podias pedir um cheeseburguer.

- Parceria com influenciadores digitais. Os influencers apelavam ao voto e tinham um cupão que as pessoas poderiam utilizar na altura de votar. Escolhiam o partido e colocavam o cupão no campo de desconto, UNAS10 ou URNAS10 neste caso, e tinham direito a desconto no IRS e o influencer recebia por afiliado.

- Fazer uma petição pública para censurar a música "Abstenção" do rapper Sam the Kid. Como temos visto ultimamente, o rap incentiva a coisas más e, tal como a música BFF do Valete é uma apologia à violência de género, penso que o Sam the Kid é o responsável por esta elevada taxa de abstenção. Censure-se que na altura de Salazar não havia abstenção.

- Retirar os doentes terminais dos possíveis eleitores. Pois é, isto quem está a quinar não devia votar que é muito giro decidir coisas e depois não estar cá para arcar com as consequências dessas escolhas. Velhos igual. Quer dizer, se tirarmos os velhos a abstenção sobe já que os jovens são quem menos vota. Esqueçam esta ideia.

Não haver sondagens. Eu sei que as sondagens vendem muitos jornais e movimentam muito dinheiro, mas se ninguém tiver noção da intenção de voto, pode ser que haja gente que não pensa "Ah, isto já está ganho para o PS, não vale a pena ir votar". Eu sei que esta ideia faz sentido e que não devia estar aqui.

- Menos políticos corruptos, mais competentes, que se preocupem com as pessoas, falem a língua delas e que não façam promessas em vão para caçar votos. Ah, esta é capaz de dar muito trabalho, esqueçam.

Não sou a pró-abstenção, acho que todos deveriam votar, mas faz-me comichão ver políticos a falar da abstenção sem fazerem nada para a mudar. Faz-me confusão enfiarem todos os que se abstêm no mesmo saco e usarem-nos como bode expiatório. Parecem uma namorada que trai o marido e depois o acusa de estar ausente, tentando desviar a atenção do cerne da questão que é o facto de todos já termos sido enganados por falsas promessas de políticos. A abstenção é como os árbitros no futebol: não quer dizer que a maioria não seja uma merda, mas são sempre usados como desculpa para ninguém assumir que jogou mal e mereceu a derrota.

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Não se abstenham de assistir às últimas datas do meu espectáculo:
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