26 de agosto de 2016

Um iraquiano e um português entram num bar...



Estamos na silly season, mas Portugal anda preocupado com assuntos muito sérios: os incêndios, burkinis e, claro, o caso de Ponte de Sor protagonizado por dois iraquianos filhos de um diplomata. O que podia ser apenas um caso de pancadaria na noite, algo que acontece diariamente, especialmente com porteiros de discoteca, tornou-se num evento mediático. Porquê? Porque os media decidiram agarrar nisto como bons abutres que são, ávidos de cliques e de audiência e, mal viram as keywords "iraquianos", "filhos de diplomata", "agressão", "coma", "koppus", ficaram malucos ao perceberem que tinham ali as tetas de uma vaca leiteira. Uma espécie de caso Meco, mas versão Verão de 2016, com artigos baseados em nada, e reconstituições bacocas. Numa dessas reconstituições feita por um canal de televisão, resolveram usar rapazes betos como figurantes para ilustrar o grupo envolvido em desacatos com os iraquianos! Ri-me. Vocês viram a fotografia deles, não viram?

Digamos apenas que para ser minimamente realista deveriam ter utilizados figurantes da Margem Sul ou da Linha de Sintra.

É que, parecendo que não, estes detalhes acabam por moldar a opinião pública. Esta história está a deixar o comum português, preconceituoso de origem, confuso:
  • Por um lado, acha óbvio que os iraquianos são culpados porque, bem, são iraquianos, muçulmanos e filhos de diplomatas. Razões mais do que suficientes para a condenação;
  • Mas, por outro lado, o rapaz que apanhou nas trombas usa boné e brincos e todos sabemos que isso é razão mais do que suficiente para merecer levar nas ventas como gente grande. É isso e mangas à cava.
É uma história muito mal contada, até porque dizem que os gémeos muçulmanos estavam num bar a beber álcool! Só falta dizerem que no fim da noite foram comer um hambúrguer com bacon a uma roulotte!

Vivemos uma época estranha, em que os julgamentos e os apedrejamentos na praça pública voltaram, mas em que os calhaus foram substituídos pelos comentários nas redes sociais, esse bonito tribunal virtual cheio de juízes de sofá. Todos julgamos e decidimos de quem é a culpa sem saber os factos. Também me incluo nesse grupo, atenção. Todos nós temos a convicção de quem é a culpa no caso do desaparecimento da Maddie, todos nos convencemos de que o Sócrates é culpado, e há muitos que mesmo com provas e condenações se convencem da inocência dos culpados, como no caso do Carlos Cruz. A presunção de inocência é só no papel, mas a diferença é que há uns que apesar de terem a sua teoria, não se negam a conhecer mais sobre os casos e a colocar todos os cenários possíveis em cima da mesa.

Acho giro observar a opinião pública a formar-se nestes casos em que ninguém esteve lá, mas todos sabem o que aconteceu. Em que todos nos tornamos especialistas em linguagem corporal e conseguimos perceber ao olhar para a entrevista dos dois iraquianos que eles estão a mentir e os únicos remorsos que têm é não terem dado pelo menos mais um pontapé na nuca do Rúben. «Iraquiano a falar bem? Ui, aquilo foi tudo estudado por um advogado! Vê-se logo que é culpado!», mas, caso ele falasse mal, haveria gente a dizer «Ui! Nem sabe falar! Deve ser pouco mitra, deve! Nem teve educação em casa!».

Imaginem que o rapaz que levou no focinho e todo o seu grupo era constituído por ciganos e que os gémeos iraquianos eram os manos Guedes.

Era diferente, não era? Imaginem que o Rúben e os amigos eram pretos e que os gémeos iraquianos eram antes filhos de um diplomata suíço. A opinião pública era capaz de ser diferente, não? Aliás, se os gémeos iraquianos tivessem um negócio de kebabs e tivessem corrido o grupo à catanada no focinho, desde que o grupo fosse de pretos, se calhar eram apelidados de heróis. Calma, não estou a defender os iraquianos! Gosto pouco de filhos de diplomatas que conduzem sem ter carta, e sob o efeito do álcool, e que viveram toda a vida numa bolha de proteção e de regalias que os faz crer que são impunes e imunes às intempéries que assolam os comuns e restantes mortais. Só acho que esta história tem mais camadas: 

Cenário 1:
Os iraquianos chegaram ao bar e começaram a dizer que o que faz falta a Portugal é um Saddam, irritando os portugueses porque toda a gente sabe que o melhor ditador do mundo foi Salazar. Palavra puxa palavra, palavrão puxa palavrão, o grupo do Rúben faz peito aos iraquianos e gera-se a confusão. Imbuídos pelo espírito acéfalo das massas, e pelo álcool que não deviam beber por que são menores, mas que nenhum dono que tem um estabelecimento chamado Koppus vai recusar servir, afiambram nos iraquianos. Os iraquianos, pouco habituados a apanhar no focinho nos colégios privados onde andaram, ficam melindrados e soltam o terrorista psicopata que há em si. Vão a casa contar ao papá o que aconteceu, mas o papá está a dormir e não os pode ajudar. Pegam no carro e vão percorrer a cidade em busca de alguém do grupo para se vingarem. Encontram o Rúben e tratam-no com o mesmo respeito que têm pelas mulheres no Iraque. Neste caso, foram os iraquianos a iniciar a confusão e a cometer o crime final, mostrando que são uns anormais de primeira e que deviam ser punidos com a obrigação de ir à missa católica todos os domingos às 7 da manhã.

Cenário 2:
Os iraquianos entram no bar, na boa. Toda a gente olha de lado porque pensam que eles vão tentar vender rosas. Dizem «Vão-se embora, seus monhés! Agora já não se vendem rosas, só selfie-sticks!» e gera-se a confusão. Os iraquianos defendem-se das ofensas e engalfinham-se com o grupo de rapazes mitras. Levam na boca porque estão em desvantagem e vão para casa. Voltam ao bar para encontrar as chaves de casa e, quando estão de carro a passear pela cidade encontram o Rúben sozinho e, ainda na raiva do momento, decidem sair do carro e vingar-se à força do petardo de força nas ventas. Perdem o controlo e vão longe de mais e quase matam o rapaz. Neste caso, os iraquianos são apenas culpados de terem ido longe de mais, já que foi o Rúben e o grupo a iniciar a confusão e, parecendo que não, mereciam levar na boca, ainda que com menos intensidade.

Cenário 3:
São todos uma cambada de putos estúpidos que fazem da vida envolver-se em arrufos na noite. A culpa é de todos, especialmente dos pais que não lhes deram educação em casa. Era mete-los todos numa cela e chamar a Ana Malhoa e o Carlos Costa para um dueto de 24 horas como tortura.

Já me vi envolvido em cenas de pancadaria em legítima defesa em que tive zero culpa e comecei a apanhar sem saber de onde. Entrei em piloto automático e dei por mim em cima do gajo a tentar transformar-lhe a cara em Cerelac com grumos de ketchup e, se não me viessem parar, não sei se teria tido o discernimento de voltar a mim antes que corresse tudo muito mal. Se nesse caso o rapaz tivesse ido ter com o criador quem se lixava era eu, não era? E, no entanto, que culpa tive? Nenhuma. Só a culpa de não ter treino especializado para situações de stress que me conferissem capacidades de saber onde parar e, mesmo nas escolas da Buraca de da Damaia, isso ainda não é disciplina obrigatória. Portanto, eu lixava a minha vida por causa de um gandim que mereceu levar na tromba e que fazia da vida andar à porrada na noite e, segundo soube depois, com um grande cadastro criminal. Claro que aqui é diferente porque eu não tive tempo para pensar, não peguei no carro e voltei atrás já de cabeça fria e com tudo premeditado para o apanhar. Mas as coisas podem descontrolar-se e nesse caso a culpa é mais complicada de definir. A única coisa que sei é que aquele gajo mereceu ter ido parar o hospital.

A violência não resolve nada, mas às vezes ajuda.

O grande catalisador de opiniões neste caso é a imunidade diplomática. Claro que ela, num país como Portugal, é uma palhaçada, ainda mais para os filhos e em casos destes onde tudo aponta para um crime grave, com ou mais atenuantes. A imunidade foi inventada para diplomatas que trabalham em países que não respeitam muito o estado de Direito nem os direitos humanos, não foi para filhos mimados se armarem em campeões. A sorte de Portugal é que o Rúben não faleceu, caso contrário via-se obrigado a passar a batata quente entre tribunais, ministério, e procuradoria geral a ver quem tinha tomates de lhes retirar a imunidade. As relações iriam ficar tensas entre Portugal e o Iraque e se o Iraque ficou na merda depois de ser invadido pelos Estados Unidos, sob falsos pretextos, imaginem como ficava se agora fosse invadido por Portugal com um batalhão de mitras com ancinhos.

Dito isto, os iraquianos têm culpa. Claro. Podem é não ser os únicos a tê-la e era giro que os media se preocupassem em saber os factos antes de encaminhar a carneirada toda para o mesmo lado. O jornalismo deve informar, não deve fazer de cão pastor das massas desinformadas. Ainda por cima assim é fácil e nem lhes devia dar gozo. Ainda se o Rúben fosse um refugiado Sírio e os gémeos andassem num colégio privado e na JSD, sempre era um desafio maior. Resta-nos tirar o que de positivo há nesta história que é toda uma nova premissa para refrescar o reportório de anedotas portuguesas: «Um iraquiano e um português entram num bar...».
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21 de agosto de 2016

10 erros ortográficos que fazem comichão



Este texto é um pouco presunçoso, já que todos, mais cedo ou mais tarde, seja por ignorância ou distracção, damos a nossa calinada no português. No entanto, é sempre giro corrigir os outros só para os irritar e sairmos vencedores de uma discussão que até poderíamos estar a perder. Serve este artigo para explicar os erros mais irritantes da língua portuguesa e que podem levar até a mais bela e gostosa rapariga a perder todo o seu encanto e sex appeal. Bem, depende sempre do tamanho do decote, não sejamos mentirosos. Desde à muito tempo atrás que me debato com alguns dos erros mais comuns e, se é um facto que todos comete-mos erros, à uns que fazem mais urticária do que outros.


«À muito tempo atrás»
Ahhh (haaaaa?), a eterna questão do "a sem h". Lembro-me de estar no 7º ano, numa aula da disciplina de Desenvolvimento Pessoal e Social, alternativa a Educação Moral e Religiosa para onde iam parar as crianças filhas de pais que acham por bem não misturar religião e ensino, e escrever numa composição «Há uns anos (...)». A professora corrigiu-me dizendo que o 'H' estava a mais. Rebati e disse-lhe que vinha do verbo haver, mas ela insistiu que não e riu-se na minha cara, mostrando que lhe faltavam alguns dentes de lado. Fui para casa e arranjei um livro onde explicava o erro. Na aula seguinte, mostrei-lhe e ela respondeu-me «Não podes acreditar em tudo o que lês, também há erros nos livros.». «O mesmo se aplica ao que dizem os professores?», perguntei. Tive 3 a essa disciplina. Valeu a pena. Já agora, a expressão «à muito tempo atrás» tem dois erros: devia ser apenas «Há muito tempo». Fica um pequeno exemplo para ajudar a perceber:

- Não à droga! - Algo que estaria num cartaz ou num panfleto que alerta para os malefícios de tomar estupefacientes.
- Não há droga! - Algo que um mitra da Margem Sul diz com preocupação quando vai ao bolso e vê que já acabou o pólen.


«Já jantas-te?»
O eterno dilema do hífen com o qual tanta gente se baralha. É um dos grandes flagelos do mundo e não ajuda o facto dos correctores ortográficos ainda não conseguirem identificar este erro, já que muitas vezes a palavra hifenada também existe, mas dá um significado completamente diferente à frase. Exemplo:

A - Ontem uma gaja ofereceu-me um gelado.
B - E então? Lambes-te?

Neste caso, o interlocutor B está a perguntar a A se ele se lambe a si próprio. Uma pergunta algo estranha, convenhamos. A ortografia correcta seria «Lambeste», fazendo assim referência ao facto de ele ter ou não lambido o gelado, ou algo mais, oferecido pela rapariga atenciosa. Vejamos outro exemplo:

- Então, e fizes-te a gaja?

Tudo errado. «Fizes-te» não existe em nenhum dicionário a não ser nos que são usados na Escola da Vida, escola que dá diplomas que só são aceites em entrevistas de emprego para o Trabalho na Empresa Bronze, que é onde toda a gente burra com orgulho acaba por ir estudar e trabalhar.

Outro erro relacionado com o hífen também bastante comum é o "-mos". «Faze-mos» não existe. «Fize-mos», também não. Nenhuma conjugação verbal leva hífen no mos a não ser aquando de uma conjugação pronominal do verbo no modo imperativo. Daí a grande diferença entre «chupamos» e «chupa-mos».


«Estar vivo é o contrário de estar matado.»
A utilização do particípio passado, regular ou irregular, é uma das situações que mais origina falsas correcções por parte de gente que acha que é inteligente, mas vai-se a ver e afinal é burra. Exemplo:

- No fim, fiz amor com ela.
- Antes ou depois de a teres matado?
- De a ter morto, queres tu dizer. És mesmo burro!

O sujeito A, para além de, provavelmente, fazer amor com cadáveres, também não sabe utilizar o particípio passado. Sim, a forma correcta de dizer é «teres matado.». Para ser fácil de perceberem, sempre que utilizarem o verbo auxiliar «ter», utilizam sempre o modo regular do verbo. «Ter matado», «Ter imprimido». Quando o verbo que antecede é o «ser» ou «estar», utiliza-se o modo irregular: «ser-se morto», «estar impresso». Fácil. Até a Lili, filósofa do Jet Set, sabe esta regra: «Estar vivo é o contrário de estar morto.».


«Trás a mala que está por traz do móvel.»
Verbo trazer é com z. Logo "traz" é relativo ao verbo. Devia ser fácil de perceber. Exemplo:

- A nova colega de trabalho tem ar de safadona. Deve gostar de levar por traz.
- Por trás, queres tu dizer.
- Eu a dizer-te que ela gosta de apanhar no cu e tu preocupado com o português. É por essas e por outras que ainda és virgem.


«Mais melhor bem feito.»
Crescemos a ouvir dizer «Mais bem, não! Melhor!» e muitas vezes gozamos e dizemos «Mais melhor bem», muitos para disfarçar o facto de não saberem qual o termo que devem aplicar. É comum ouvirmos ou lermos o seguinte:

- Já viste as colegas novas?
- Bem gostosas. Qual é que achas que é a melhor?
- A Carla é gira de cara, mas a Roberta é a que tem o corpo melhor feito.

Errado! Das duas uma, ou se escreve «tem o melhor corpo» ou se escreve «tem o corpo mais bem feito.». De qualquer forma, é sempre melhor uma cara gira e um corpo mais fraco, do que um corpo Playboy e uma cara de suricata atropelada.


«Oje não me dá geito.»
Pessoas que escrevem «geito» em vez de «jeito» mereciam uma chapada na moleirinha. Não é preciso ser doutorado para dectectar este erro! Imagino estas pessoas a verem o corrector automático ou o Google a sugerir «Será que quis escrever 'jeito'?» e a pensarem «Bem, este corrector não é nada de geito.». Burros.


«Eu puse-o, tu puses-te-li-o.»
Um erro que se ouve bastante, ou houve, para alguns, mas que escrito confesso que não me lembro de ver. Aliás, nem sei como é que estas pessoas escrevem este erro. Será púzio? Pus-e-o? Puse-o? São pessoas que aposto que já tiveram a conversa seguinte:

- Não encontro o meu dildo! Não o viste? Eu pu-lo aqui!
- Pulas aí? Diz-se "puse-o", sua burra.

Os hingnorantes são sempre os primeiros a corrigir os outros.


«Vossê não çabe uzar çedilhas!»
Não sei o que mais me faz comichão, ou comixão para muitos: ver escrito «vossê» ou «voçê». Sim, talvez utilizar um 'c' seja melhor do que dois 's', mas não saber as regras básicas da utilização da cedilha, algo que se aprende na primária, não tem desculpa. São pessoas que nem sabem que não sabem escrever, nem têm dúvidas, pois se tivessem eram inteligentes e jogavam pelo seguro: escreviam «vós».


«Não vaiam por aí!»
Vaiam só existe no verbo «vaiar». No verbo «ir» é sempre «vão». Bem sei que soa estranho dizer-se «Diz-lhe que não vão aí!» e que ficaria mais musical dizer «Diz-lhes que não vaiam aí!», mas é um erro grave. Um erro apenas aceitável em senhoras de idade avançada do interior de Portugal que não sabem ler nem escrever.


«Podem ser uns quaisqueres!»
Dizer quaisqueres é o mesmo que dizer qualqueres. É parvo e um erro de quem passava as aulas de português a escrever bilhetinhos com erros ao colega do lado.

A - Já viste as novas colegas de trabalho? Quais queres comer?
B - Umas quaisqueres.

Se, na primeira frase, a utilização de «quais queres» está correcta, na segunda, a sua utilização está errada e mostra que o interlocutor B, para além de não ter muito critério na escolha de parceiras sexuais, também só se vai safar se elas tiverem os padrões baixos.


E pronto, espero que este artigo ajude a combater a iliteracia e os constantes atropelos da Língua Portuguesa que fazem com que Camões revire os olhos no caixão, mesmo o de vidro. A ver se o Ministério da Educação me convida para reescrever os livros de português que com exemplos destes é que a criançada aprende. Já agora, se virem algum erro neste texto e decidirem armar-se em espertinhos e corrigir-me, passem o corrector nos comentários para não se porem a geito.


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15 de agosto de 2016

Os perigos do Pokémon Go - Documentário



Tomei a liberdade de produzir um pequeno documentário sobre a vida de um viciado no Pokémon Go. Para além de testemunhos da família, conta também com a opinião especializada do Doutor G.


Raramento faço vídeos, mas como podem ver isto ainda deu trabalho, por isso, espero que tenham gostado e que partilhem para que possamos alertar toda a gente para os riscos desta nova droga.
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8 de agosto de 2016

Fui barrado no Vaticano



Não, o Vaticano não é uma discoteca nova que selecciona pessoas à entrada com base no rácio entre pénis e vaginas, na sua vestimenta ou, até mesmo, na cor de pele: o Vaticano de que falo é a cidade-Estado cujo chefe é o Papa Francisco. Durante as férias, passei por Itália e achei que seria interessante dar um pulinho até ao Vaticano ver a residência oficial do Senhor já que, apesar de ser ateu, gosto da história e da arte que a religião traz consigo. O sol ia a pique e nem os 40 graus que se faziam sentir me demoveram de esperar uma hora para passar o posto de controlo. Pelos vistos, nem Deus consegue proteger o seu castelo, mas se tudo acontece por vontade d'Ele, não será de mau tom estarem guardas e seguranças a implicar com o seu plano Divino? Bem, estava com a minha namorada que, obviamente, devido ao calor que se fazia sentir e ao facto de estarmos de férias, não estava de burka. Passámos a segurança sem problema pois, felizmente, ainda não existem máquinas de raios X que alertem para a passagem de ateus amorais! Satisfeitos por já não termos de torrar mais na fila de espera e por sabermos que dentro das igrejas e catedrais está sempre fresquinho porque se há coisa que o Senhor tem é bom ar-condicionado nas suas casas, dirigimo-nos até à entrada da Basílica de São Pedro. Aí, estava mais um segurança e foi nesta altura que me lembrei porque é que a religião e a Igreja dos homens me deixam o estômago às voltas e não é das hóstias fora do prazo, nem por beber duas garrafas de penalti de sangue de Cristo. Qual porteiro de discoteca, barrou-nos a entrada! Relembro que era para entrar numa catedral Católica e não numa qualquer mesquita!

Aparentemente, os calções da minha namorada não cumpriam o dress code da Santa Sé. Toda a gente sabe que mostrar os joelhos e os ombros é para as putas!

É preciso não ter vergonha na cara para se ir de pernas à mostra para a casa do Senhor que, todos sabemos, é de muito respeito. Nem quis acreditar que em pleno Século XXI, um segurança estivesse a dizer a uma mulher como é que esta se deve vestir e, basicamente, a dizer-lhe que a sua forma de estar na vida não é aprovada pelos princípios da moral e dos bons costumes do mais alto dos polícias da moda que é Deus. Disseram que teríamos de voltar para trás e que vendiam lenços lá fora para que ela cobrisse todo o pecado que trazia à mostra. Eu ia de calções e t-shirt, mas dentro dos limites permitidos pela Lei do Dress Code Divino. Há algures na entrada um cartaz que avisa para este facto, pese embora ninguém nos tenha dito nada antes de estarmos uma hora na fila à espera. Ficava-lhes bem ter um stylist à entrada a acompanhar os seguranças e que fosse percorrendo a fila de espera e carimbando a testa das pecadoras com a palavra "Scortum" que significa "prostituta" em Latim.

Como podem ver, também há homens ilustrados, mas só porque pareceria mal apenas se dirigirem às mulheres, embora saibamos que esta lei as discrimina mais porque a maioria dos homens anda mais tapado. Quase que parece hipocrisia já que somos todos iguais aos olhos do Senhor, mas aos homens proíbe-se a entrada de camisola de alças e/ou calções muito curtos, algo que se compreende perfeitamente pois as camisolas de alças deviam ser proibidas em todo o lado e todos sabemos que tipo de homens usam calções curtos: aquele tipo de homens que não se podem casar pela Igreja porque no rabo é pecado. 

Se proibissem a entrada de mulheres com unhas de gel daquelas com brilhantes e piercings, tudo bem, era compreensível e até de valorizar o bom gosto imposto na casa do Senhor.

Agora assim, é só um sinal do atraso de mentalidade que ainda existe por aqueles lados. Se calhar sou eu que sou ingénuo e peço demais a uma instituição que ainda se rege segundo crenças medievais de amigos imaginários que querem controlar com quem fazemos sexo e se usamos ou não contraceptivos. Confesso que esperava mais do Papa Francisco, esperava que fosse mais progressista e que mudasse estas leis palermas, mas talvez sejam reminiscências de quando era porteiro de bares na Argentina.

Contrariado e com vontade de correr toda a guarda Suíça à chapada na nuca, lá fomos comprar um lenço para cobrir as esbeltas e hipersexualizadas pernas da minha amada. Três euros bastaram, valha-nos Deus. Enquanto esperava que ela comprasse o manto sagrado, iniciei conversa com um senhor indiano que percebi estar na mesma situação:

- Então, a sua mulher também não conseguiu entrar? - pergunto.
- Sim, tinha os ombros descobertos. - diz.
- Pois, a minha foi as pernas. Ridículo.
- A culpa é da minha mulher, devia ter-se informado antes. - diz ele de forma condescendente.
- Acha? Mas acha que faz sentido? - interrogo-o.
- Hum... não sei. Temos de respeitar...
- Eu acho ofensivo. Não somos feitos à imagem de Deus? Homens e mulheres não são iguais?
- Sim, mas você é homem, não é? Somos diferentes...
- À imagem do Deus deles, dizem que não. Eu não acredito em nenhum.
- Pois, eu também não é o meu, mas respeito.
- Se ninguém respeitasse eles começassem a perder dinheiro porque ninguém vinha cá, queria ver se não mudavam logo de opinião. Até gente nua entrava que eles querem é dinheiro.
- Pois, cada religião tem as suas crenças. Sabemos lá qual é que está certa.
- Eu acho que não está nenhuma.
- Se calhar tem razão, o que interessa é sermos boas pessoas.
- Nem mais. E andarmos tapadinhos senão isto ainda cai aqui um raio.
- Ha ha ha.

Até uma rapariga em cadeira de rodas foi obrigada a voltar para trás e comprar um paninho para cobrir as pernas. Não bastou tê-la feito com defeito e com umas pernas que pareciam saídas de um jogo de Mikado, como ainda a obrigam a voltar para trás naquele calor e depois de horas de espera para cobrir os membros inúteis que Deus lhe deu. As únicas pessoas que não têm de se tapar são as crianças e todos sabemos porquê... porque seria errado sexualizar o corpo de crianças e inocentes! Pensavam que era porquê? Porque muitos membros da Igreja têm o hábito de fornicar criancinhas e abafar escândalos e proteger padres pedófilos? Não sejam tontos, isso já passou. Já pediram desculpa! O que querem que eles façam mais?

Lá entrámos e começamos a visitar a monumental Basílica de São Pedro.É incrível o que o Homem consegue construir quando está motivado pelo medo da morte! E quando tem dinheiro infinito saqueado e mão de obra escrava, algo que também dá jeito e ajuda nestas coisas. Lá dentro, vislumbravam-se centenas de mulheres com lenços aos ombros e a tapar as pernas, mostrando que a humanidade está claramente em declínio e que são todas umas promíscuas ninfomaníacas que só querem é exibir chicha. Cambada de ordinárias! Nos pilares e nas paredes, anjinhos de tanga pavoneavam-se por todo o lado de mamilos à mostra a tentar corromper os santos e mártires ilustrados e esculpidos por toda a parte.

Aquilo é tão imponente, cheio de arte e história a cada canto que quase me fazia esquecer a premissa perversa que leva à construção de templos megalómanos e ostentosos de adoração ao Senhor.

«Bem, pessoal, temos de contruir aqui uma catedral do caraças para ver se o Senhor nos abre as portas do céu! Tem mesmo de ser gigante! Tem de ser o Maracaná das Igrejas, esta merda! Temos uma vida do caraças aqui na terra, mas todos sabemos bem a merda que fazemos. Se forem só mesmo as boas pessoas que entram no céu nós vamos ficar à porta, por isso, pelo sim pelo não, vamos confiar que o Senhor se deixa subornar com felácios ao ego! Metemos aqui uma cúpula e umas estátuas e pinturas de deixar toda a gente de queixo caído e, se Deus quiser, Deus tapa os olhos às nossas atrocidades! Siga? Já mandei cá o empreiteiro e ele já me deu o orçamento, mas temos de andar em cima deles que já sabem como é. Dizem que em 100 anos está pronta, mas depois vai-se a ver se são 150. Vá, chamem os escravos que esta merda é para começar o quanto antes que eu já não vou para novo. Ah e metam ouro à parva, vamos confiar que Deus é como os ciganos e se pela por cenas douradas.»

Infelizmente, não consegui ir à Capela Sistina ver os frescos pintados por Miguel Ângelo para poder observar o bom trabalho que a Igreja fez depois do Concílio de Trento quando decidiu que aquilo tinha demasiada nudez e decidiu tapar tudo o que era pilinhas e pipis de uma das maiores obras-primas renascentistas. Algo compreensível se pensarmos que foi há 500 anos e era tudo uma cambada de gente grunha, mas que, infelizmente, ao olhar para as pernas tapadas da minha namorada, percebi que ainda tem repercussões nos dias de hoje. Perguntei-me se poderia entrar de vestido e com um chapéu ridículo na cabeça como os bispos, ou se poderia entrar vestido de bobo da corte do Século XI como a vestimenta palerma da Guarda Suíça. Será que poderia entrar de burka só com os olhinhos de fora? Ou a Igreja discrimina quem não tem e quem tem demasiado respeito? É certo que é difícil traçar um limite: calções abaixo do joelho? Acima? Daqueles que deixam o nalguedo a apanhar ar? Biquíni? Onde é que fica a linha da decência? Qual é que é o corte e costura da moral? No fundo, não estarão eles a assumir-se como um bando de ordinários de sexualidade reprimida e que nem podem ver uns ombrinhos ou umas pernas que começam logo a montar a tenda por baixo do hábito que não faz o monge? Parece que estou a ver Deus, de calças nos tornozelos e túnica puxada para cima, a querer bater uma divina punheta e não conseguir porque os seus lacaios mandaram tapar tudo o que era chicha da boa. Não se faz. Se Deus precisasse de controlo parental tinha-nos dado penas ou em vez de nos ter feito à Sua imagem, tinha-nos feito à imagem do Tony Ramos em que mesmo nus não se vê para além da penugem.
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2 de agosto de 2016

Amizades coloridas com ex e simular orgasmos



Depois de umas merecidas férias, o maior especialista em javardeira com classe está de volta para mais uma consulta "Doutor G explica como se faz".


Caro Doutor G, tenho 23 anos, e a minha vida a nível da luta greco-romana pelada com a minha cara metade é soberba. Regular, diversificada, com tudo aquilo a que temos direito. O problema é que eu amo muito a minha namorada, mas (tantas boas historias que começaram por esta frase eu sei) existe uma amiga minha que a uns anos me levou a explorar certas e determinadas partes do seu corpo, e agora voltou para Portugal e tem metido conversa comigo. Acho sinceramente que ela deseja algo mais que conversa, e talvez possamos repetir certas aventuras do passado e visto que ela faz parte do passado e não desejo trair a minha menina, tenho uma questão: depois do sexo com a minha namorada, para refrescar, seria melhor sagres ou super bock?
FV, 23, Évora

Doutor G: Caro FV, isto de ocupar um consultório com dúvidas palermas devia dar direito a um ano de mau sexo. Sim, porque mau sexo é pior do que nenhum sexo. Tu estás a tentar convencer-te de que és um gajo fiel incapaz de trair a namorada, mas ao dares importância a essa amiga e enviares-me uma dúvida a gabares-te da tua superior moralidade, só quer dizer que, mais cedo ou mais tarde, vais esbardalhar pipi alheio do outro lado da cerca. Em relação à tua questão, aconselho qualquer uma das marcas de cerveja, visto que nenhuma me paga para dizer bem deles. Sendo que a Sagres já tem o Ricardo Araújo Pereira, fica a dica para a Super Bock abrir a pestana. E, para finalizar, como o Doutor G também tirou um workshop de macumba na Cova da Moura, vou rogar-te uma praga: invoco os espíritos da javardeira para que um dia apareça a tua pornstar favorita a pedir-te boleia para um hotel. Ao chegares ao hotel ficas a saber que ela está no quarto com as outras duas pornstars do teu top 3. Ela convida-te para subir porque precisa de uma opinião sobre lingerie provocante. É de notar que é de noite e estás com os copos porque vieste de um jantar da empresa. Quero ver essa fidelidade agora! Ser fiel quando se é feio e não se tem gajas boas de volta é mais fácil do que tirar chupas a crianças catatónicas e amputadas dos bracinhos. Mesmo assim achas que ias resistir e não subias ao hotel? Então ias apanhar uma operação STOP e levavas com uma multa por conduzires com os copos. Xeque-mate: fodeste-te na mesma.


Olá Douctor G. quando vim para a universidade estava num relacionamento só que passado uns tempos ele mudou por completo e depois já antes de ter acabado comigo vivia com uma gaja que conheceu na escola. Só que quando regressou a casa para as ferias do natal mandou-me mensagem teve comigo e tal e só falou mal dela. A partir dai nunca mais tivemos qualquer tipo de contacto, só que agora com as ferias de verão é 100% provável que o vá encontrar, ou com a namorada ou sozinho!!! Que acha que devo fazer? Eu já tive uma amizade colorida depois dele, mas não o queria voltar a encontrar. Além do mais a namorada dele não sabe que ele teve comigo.   
Anónima, 22, Porto

Doutor G: Cara Anónima, estás mortinha para voltar a tropeçar e cair de boca no colo do teu ex-namorado. Não o queres voltar a encontrar, não! Não pensas tu noutra coisa e estás só a desejar que ele esteja sozinho que é para lhe poderes sugar a alma através de movimentos peristálticos vaginais. Bem, se me dizes que é 100% provável que o vais encontrar vou assumir que vais passar férias a uma terriola qualquer daquelas em que são sempre as mesmas pessoas no único bar da esquina e já toda a gente rodou toda a gente, primos incluídos. Acertei? Claro. Sendo assim, não tens que te preocupar, já que, não tarda, isso dá a volta e passas na casa de partida para recolher as tuas vinte estirpes de herpes.


Caríssimo Dr. G, apesar da minha tenra idade, a minha actividade sexual teve um início precoce, visto que aos 13 anos tive a minha primeira namorada (mais velha, ela tinha 15), e as hormonas fizeram tudo acontecer. Consequentemente, após ter terminado com ela, continuei à procura de uma gruta para albergar o meu Homo Erectus o que fez com que eu levasse uma vida boémia até agora, porém conheci uma rapariga no Porto, cidade natal dela. Ela desconhecia a minha reputação e como parecia ser uma "presa fácil" decidi dar trela. Não tinha intenções de ter algo sério com ela, uma vez que ela mora longe e eu nem estava para relações na altura, acontece que os sentimentos me tramaram. Decidimos começar a namorar e até tínhamos algo engraçado (do qual eu sinto falta), ela dizia ser virgem, mas eu nunca acreditei pois, apesar de abstenção sexual, ela tinha conversas muito indecentes. Acontece que passados seis meses ela conta-me que no início da minha relação me tinha traído porque eu não lhe dava segurança e ela afirmava ver muitas fotos minhas com "amigas"... depois disso tentei lidar, passado um mês tudo o que tinha cá dentro caiu-lhe em cima e cortamos contacto, porém eu muitas vezes dou por mim a pensar nela enquanto tenho uma das "amigas" sentada na minha cara. Será isto fruto das hormonas ou apenas idiotice minha querer voltar para alguém em quem não confio mas sinto falta?
Luís Soares, 17, Bragança

Doutor G: Caro Luís, caga na gaja. Dar a desculpa que se traiu porque se sentia insegura é o mesmo que um pedófilo dizer que comeu uma criança porque pensava que era um anão depilado. Não colavam muito bem em tribunal, não é?


Caríssimo prezado Dr. G., namoro há cerca de 5 meses, já tive outros mas estes foi o primeiro a abrir-me as portas do paraíso, se é que me faço entender. Praticamos o funaná pelado sempre que dá, em relação a performance dele não tenho nada apontar, ele faz de tudo focando-se sempre no meu e no seu prazer, o problema é que nunca atingi o tão desejoso e maravilhoso climax durante o ato. A minha duvida é se o problema sou eu ou ele:
  • Meu - porque não consigo relaxar pois estou constantemente a achar que me vou descuidar (e atenção que estou a falar de coisas liquidas), e não compreendo o porque sendo que certifico-me de o fazer antes, é psicológico de certeza e de certa forma sinto que prejudica. Acha normal?
  • Dele - por algum motivo que não sei qual é, e por se achar já bastante experiente.
Por outro lado a duvida que paira é, que como este foi o meu primeiro não posso estar aqui a gabá-lo sendo que ainda não experimentei dançar a melodia de outras canções. O que faço Dr. G ?? sou contra a traição e nunca o faria, mas quero expandir horizontes... ou seja estou literalmente f...
Tita, 18, Lisboa

Doutor G: Cara Tita, sendo que nunca tiveste um orgasmo, não me parece que o teu namorado te tenha aberto as portas do paraíso. Ao invés, deu-te uma pulseira com tudo incluído no limbo do forrobodó pelado. A pedido de muitas famílias, vou recorrer ao auxílio de um fluxograma que deverá servir para qualquer mulher perceber onde está o problema da sua insatisfação sexual:
Claro que há algumas excepções que caem fora deste fluxo como, por exemplo, dizeres que achas que o problema é teu porque vais soltar fezes durante o acto. Nesse caso, talvez o problema seja estarem a efectuar o amor no rabo e, mesmo assim, há muitas formas de atingir o orgasmo.


Boas Sôr doutor, é o seguinte, namorei quase 2 anos, o relacionamento terminou muito mal, por eu ter feito asneira... Passado mais de meio ano, depois de ter tentado falar mais de uma vez e nunca conseguirmos ter-nos resolvido de vez, ela diz que a irrito, simplesmente pela minha maneira de falar ou até mesmo porque sim e que quer ser minha amiga sem qualquer rancor... O que devo achar desta tanga toda? Porque me quer ela por perto? E afirmou me que não teve com mais ninguém depois de mim...
Gonçalo, 20, Lisboa

Doutor G: Caro Gonçalo, ex-namorados ficarem amigos é o mesmo que dormir com uma almofada feita de cotão do umbigo: sim, já fez parte de nós; sim, custa-nos separar do que demorou tanto tempo a juntar, mas, acima de tudo, é parvo. É o mesmo que fazer um capachinho de pelos do rego para um dia que fiquemos carecas: sentimos que temos ali algo que é nosso e que um dia podemos vir a usar, mas quando começarmos a ter umas entradas vemos que era só estúpido utilizar aquilo. Ela quer-te por perto porque é mulher e, por norma, as mulheres gostam de ter todos os ex-namorados a aquecer o banco de suplentes. Podem ou não ir a jogo um dia, em que o jogador titular é transferido para um clube pela cláusula de rescisão em que elas não o conseguiram manter. Mas, o banco serve, sobretudo, para lhes encher o ego enquanto outro(s) lhes enchem a concha que alberga a pérola, isto se ela tiver um piercing com uma pérola no clítoris.


Caro doutor G, então é o seguinte, tenho 28 anos, fui casada 5 anos e junta com outro rapaz outros 3. Recentemente ofereci um par de patins ao moço e desde aí sou uma javardona. Arranjei um amigo colorido que, apesar de ser uma máquina na cama, só aparece quando lhe apetece. Entretanto tenho um outro amigo que está em Portugal, com quem falo sobre tudo e mais alguma coisa e com quem pretendia praticar um bocado de exercício durante as férias, mas que agora a modos que me deu uma grande tampa. Como eu não sou pessoa de estar parada e tenho que aproveitar os anos que perdi por ter casado aos 19 anos, nos intervalos tenho tido umas aventuras manhosas que me deixam a sentir super culpada e badalhoca porque supostamente estou a "trair" esse meu amigo colorido que só me procura quando lhe apetece. Depois deste extenso resumo da minha vida sexual, a minha pergunta é: serei eu maluca por só gostar de gajos que me tratam mal ou isto de ficar de 4 por quem não me quer será mesmo a minha sina?
A., 28, Suíça

Doutor G: Cara A, é perfeitamente natural uma mulher gostar de homens que a tratam mal. É o denominado «Síndrome da baixa autoestima» que leva a que mulheres, especialmente as que não tiveram uma boa relação com o pai, se sintam apegadas a homens que as tratam mal e as façam sentir em casa. No entanto, não sabendo a história por completo, não me parece que o teu amigo colorido te trate mal, já que a amizade colorida pressupõe que alguém só compareça quando tem vontade e está com aquela larica de esfoliar a maçaroca. Uma relação em que se tem de estar presente quando não nos apetece tem outro nome: namoro, casamento ou violação. Não tens de ter problemas em efectuar a espargata pelada por aí! Não estás a trair o teu amigo colorido até porque ele anda a fazer o mesmo, caso contrário aparecia mais vezes para estar contigo. Da próxima vez que te sentires a ficar de quatro por alguém que não te quer, experimenta primeiro um beijinho ou aperto de mão para que eles se mantenham interessados mais tempo. Canzana é só no terceiro encontro, já dizem os senhores que criaram o site dos Dates Católicos. No primeiro é joelhos e no segundo é missionário. Sempre sem preservativo como manda o Vaticano.


Boa tarde Dr. G. há esta rapariga que conheci através de uns amigos e que ao fim de um tempo por coincidência acabei por dormir na casa dela, na cama dela com ela (com mais gente no quarto). Não tínhamos intenção de nada, pelo menos ela, e fez questão de me dizer isso desde o início. O problema é que eu já sentia uma atração por ela tendo-lhe dito também no início mas ela insistia que só queria uma pila amiga a dormir com ela. Convidou-me mais vezes para dormir em casa dela (desta vez sem gente no quarto), mas nunca deu em nada, não é que ela não soubesse que eu queria até porque tenho noção que ela sentiu várias vezes que a minha espada de combate estava mais que pronta para a luta greco romana, mas nunca mostrou interesse em mais que dormir ao meu lado. Agora pergunto doutor: o que é que uma mulher pode ter na cabeça ou o que é que nela se passa para convidar um homem para dormir com ela simplesmente para o fazer ficar com uma dor na espada de tanto tempo pronta sem luta alguma? 
T. R, 21, Braga

Doutor G: Caro TR, existe toda uma panóplia de razões que podem levar a que uma rapariga queira dormir com um rapaz sem, pelo menos, lhe dar um beijinho de boa noite e meter o menino a bolçar:

  1. Ela pensa que és gay e desvaloriza a tua erecção porque ela tem o cabelo curto e vista de trás é como se fosse um gajo com o rabo depilado;
  2. Está à espera que tu a agarres à bruta e lhe digas ao ouvido «Estou com uma tesão que se isto fosse o posto médico e eu estivesse com arritmias podias medir-me as pulsações à vista desarmada só pelo latejar nos lençóis. Nem consigo ver a televisão com esta tenda de circo armada. Queres ver um número de trapézio, elefante amestrado ou o do palhaço com a flor que esguicha?».
  3. Ela é uma cock teaser e gosta de te provocar e, como tem zero atracção por ti, sabe que nunca irá acontecer nada a não ser que esteja bêbeda e/ou se queira vingar de algum gajo que lhe deu tampa;
  4. Ela tem manchas de humidade no quarto e como tu és uma espécie de desumidificador de pipis usa-te para ver se consegues ter o mesmo efeito no estuque e fazer desaparecer o bolor das paredes.
De qualquer das formas, só há uma maneira de saber. É Verão, sê directo: dorme nu e pede-lhe para te apanhar o Pokémon com a boca.


Sinto que fui especialmente javardo nesta edição. Não precisam de agradecer com falinhas mansas. Partilhem e, como sempre, até para a semana e continuem a enviar as vossas dúvidas para porfalarnoutracoisa@gmail.com. 


Façam muito amor à bruta:
de guerras o mundo está cheio.

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31 de julho de 2016

Como lidar com a depressão pós-férias



Pois é, estou de volta! Estive duas curtas semanas de férias e agora é hora de voltar ao trabalho e, como muitas pessoas, estou com alguns sintomas que podem indicar uma condição psicológica preocupante à qual se dá o nome médico de «Depressão pós-férias» (DPF), ou, em termos leigos «Aquele sentimento de um gajo não querer trabalhar mais. Nunca na vida.». É um assunto que não é levado a sério pela sociedade que parte do princípio que as férias são sinónimo de recarregar energias e não tem em consideração que estas podem ser interiorizadas como uma espécie de saída precária da prisão. Neste artigo altamente científico, pretende elucidar-se o trabalhador, ou estudante, sobre os principais sintomas, causas e tratamentos desta epidemia.


O que ê?

Como o próprio nome indica, a depressão pós-férias é o sentimento de depressão depois de um período de férias. Acho que era preciso explicar esta parte porque há muita gente burra por aí, embora os burros tenham menos tendência para a depressão porque a ignorância é uma bênção e quem não pensa nas coisas não se deprime. A DPF é uma patologia que foi diagnosticada pela primeira vez em meados do Séc. XX, altura em que as pessoas começaram a ter alguns dias férias para gozar por ano. Um trabalhador de uma linha de montagem, 16 horas por dia, sem dias de férias, está imune a este tipo de doença de gente que não sabe o que custa a vida. A cada nova geração, a taxa de incidência aumenta, porque toda a gente sabe que a juventude não quer trabalhar e só quer é sexo, drogas e Pokémons. 


Diagnóstico

O diagnóstico da depressão pós-férias é de precisão difícil. Muitas vezes, confunde-se a preguiça crónica do trabalhador mandrião com um quadro de depressão pós-férias. É preciso saber separar as coisas, porque a utilização da desculpa por parte do preguiçoso «Chefe, sabe como é que é, não tratei do relatório porque estou em depressão pós-férias...» tende a desvalorizar uma doença que deve ser levada a sério. É comum a DPF ser assimptomática e vermos doentes a afirmarem que «Preciso de férias das férias!» o que seria o mesmo do que curar a ressaca de um alcoólico com um shot de absinto. O diagnóstico deve ser feito por um médico que não tire férias há cinco anos, impedindo assim que ele inconscientemente vicie os resultados por, também ele, sofrer da mesma enfermidade psicológica. Pode, também, ser efectuado por um gestor de recursos humanos que tenha tirado uma certificação em «Motivação no local de trabalho», «Desmotivação ou preguiça?» e «Como identificar colaboradores que estão a ver se mamam subsídio de desemprego?». Em último recurso, pode ser feito o diagnóstico através da Internet, em sites fiáveis como este e se tiverem três ou mais dos seguintes sintomas é certo que sofrem de DPF. Se forem hipocondríacos como eu, com essa pesquisa no Google também vão perceber que têm SIDA, Cancro, e todo o tipo de doenças raras que matam depressa e de forma dolorosa.


Sintomas
  • Ver as fotografias das férias 72 vezes de seguida e partilhá-las em todas as redes sociais, inclusivamente recuperando a password do Hi5 para ir lá publicá-las. Recorrer rapidamente às urgências quem der por si num círculo infinito de refreshs para ver se as fotografias têm mais likes;
  • Achar que em vez de se trabalhar no primeiro dia de volta ao emprego se deve fazer o planeamento do trabalho só para queimar tempo;
  • Contemplar o suicídio como uma opção válida para resolver os problemas naquela primeira segunda-feira de manhã;
  • Chegar ao trabalho e verificar a folha de férias para ver quando são as próximas;
  • Aquando da pergunta «Então essas férias?» dar sempre a mesma resposta: «Curtas...»;
  • Enviar mensagens a todos os médicos que encontrar no Facebook a perguntar se passam atestados por dez euros;
  • Fantasiar com o fim do mundo: incêndios, terramotos, quedas de asteroides e outras catástrofes naturais que pudessem destruir o local de trabalho;
  • Gastar tudo o que sobrou na conta, depois de gastar o subsídio de férias, no Euromilhões e em Raspadinhas «Pé-de-Meia»;
  • Sentir taquicardias quando se desliga o "Out of office" automático do email.

Causas
  • Ter demasiado dinheiro para gastar em boas férias que fazem com que o resto da nossa vida pareça inútil. Voltar de Bora Bora para a Zona Industrial do Barreiro é um choque que deve ser evitado;
  • Ter um trabalho de merda. A tendência para a DPF é proporcional ao desfasamento entre a qualidade férias/trabalho. Exemplos:
  • Passar férias num local onde há mais gajas boas do que no nosso local de trabalho. Voltar de uma praia onde abundam bundas em fio dental e seios empertigaitados de moças jovens, e sexualmente gulosas, para o meio de uma empresa cheia de informáticos, aumenta em 80% a probabilidade de incidência de DPF. O mesmo é válido para mulheres que voltem de um resort onde estavam hospedados todos os nadadores olímpicos, e que voltem, também, para uma empresa onde a fauna mais abundante são informáticos;
  • Férias longas. Por cada dia de férias tirado, a probabilidade de contrair depressão pós-férias aumenta em 5% (desde que dentro da proporcionalidade do rácio de qualidade Emprego/Férias da tabela acima);
  • Não ter feito o trabalho que devia ter sido feito na última semana que antecedeu as férias. Soube bem, na altura, fingir que se trabalhava nos últimos dias quando, na realidade, se esteve a ver fotos de gajas boas nas discotecas da cidade que iriamos visitar, mas agora vai doer mais o regresso à vida real.

Tratamento
  • Obrigar os amigos e conhecidos a verem todas as nossas fotografias de férias a um ritmo de dez minutos por fotografia com direito a zoom em todos os detalhes. Isto fará com que vejamos tristeza e desespero nos olhos deles, enquanto sorriem e dizem «Boas vidas, deve ter sido muito giro...» e «Ahhh, ainda faltam as que tiraste com o telemóvel? Fixe...». Toda a gente sabe que a melhor cura para a depressão, seja ela de que tipo for, é vermos pessoas mais deprimidas do que nós;
  • Despedir-se (ver formas criativas para o efeito);
  • Substituir os tradicionais leite e cereais ao pequeno almoço por bebidas alcoólicas destiladas. Sugestão: papas de aveia com vodka, numa massa consistente para libertação lenta ao longo do dia;
  • Marcar reuniões fictícias para dormir;
  • Dizer que se comeu comida marada nas férias e passar pelo menos quatro horas por dia na sanita, alternando entre sesta e choro abafado por um rolo de papel higiénico amarfanhado.
  • Atualizar o perfil de LinkedIn só para nos enganarmos a nós próprios com promessas de procura de um emprego melhor;
  • Depois de regressar ao trabalho, ir colocando fotos das férias no Instagram para as pessoas que nos seguem pensarem que ainda estamos de férias e nos sentirmos melhor ao meteres-lhes nojo.
Se os sintomas durarem vários meses, sugere-se que o doente faça por mudar de vida e pare de se queixar porque já ninguém tem paciência para o ouvir. Pode, inclusivamente, experimentar os conselhos do Quintino Aires e converter-se à etnia cigana.
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