13 de junho de 2018

Mundial de Futebol 2018 - Tudo sobre as selecções



Está prestes a começar mais um Mundial de Futebol. São muitas equipas e, por isso, decidi fazer um breve resumo para que seja mais fácil perceber o que poderá acontecer. Não precisam de agradecer, estou cá para vos ajudar.

Rússia - É a anfitriã, os jogadores vêm equipados com dashcams e com dopping. É um país que desrespeita os Direitos Humanos e com um presidente que manda matar quem diz mal dele, mas não falemos disso que isto é o negóci... a festa do futebol!

Alemanha - A equipa que está sempre "em renovação", mas que acaba por ganhar ou ficar lá perto. Percebe-se pela organização da equipa o porquê do Holocausto ter sido tão bem feito executado. Horrível, mas feito com minúcia.

Inglaterra - Até podem ir longe se não apanharem Portugal pelo caminho. Aposto que ainda têm pesadelos com o queixo e com as mãos sem luvas do Ricardo.

Bélgica - A promessa, cheia de bons jogadores, mas que não vão fazer nada de jeito.

Espanha - Longe de ter a selecção de há uns anos, é uma das favoritas. Ainda jogam ao primeiro toque, feitos mariquinhas com medo de apanhar pau do Bruno Alves e do Rúben Dias.

Polónia - Os jogadores ficam borrados se apanham a Rússia ou a Alemanha pelo caminho, mas têm as melhores adeptas.

Sérvia - O Benfica tem mais jogadores e ex-jogadores convocados na Sérvia do que em Portugal.

Portugal - Campeões Europeus que partem com uma grande vantagem pelo facto de terem quatro jogadores desempregados que vão dar tudo a ver se não têm de ir para o Benfica. É Cristiano e mais 10, ou mais 9 se jogar o João Moutinho.

Islândia - A capacidade futebolística do país é inversamente proporcional à sua habilidade para prender banqueiros e políticos corruptos. Se pensarmos bem, a população da Islândia cabe em três estádios de futebol e os convocados representam cerca de 0,01% da população.

França - Foram encavados por um bonito pénis das Caldas e a dúvida é se já terão recuperado de tamanho vexame sofrido em casa. Se eu fosse o Fernando Santos, tinha convocado o Éder só para o meter a jogar caso encontrássemos a França, só para os ver a ter flashbacks do trauma de há dois anos.

Suíça - São sempre neutros e nesta competição também é o caso. Presentes ou não, é um pouco indiferente.

Croácia - Têm o gajo que foi beijado pelo Carriço.

Suécia - Sem Ibrahimovic ninguém quer saber deles.

Dinamarca - Desde aqueles irmãos Laudrup e de ganharem um Europeu quase tão sem querer como a Grécia que nunca mais entraram para as contas.

México - Equipa financiada por Cartéis de droga.

Colômbia - Equipa financiada pelos Cartéis que financiam os Cartéis que financiam o México. Ou ao contrário que ainda me falta ver a última temporada do Narcos.

Costa Rica - A maioria das mulheres brasileiras tem pernas mais musculadas que os jogadores desta selecção tal é a fomeca que passam no seu país. Deviam chamar-se Costa Pobre, mas os fundadores eram optimistas. Os jogadores estão habituados a bola de trapos e chegam a estas provas e não se dão bem com as jubulanis e o catano.

Panamá - Nem sabem jogar à bola, verdade seja dita. É boa equipa para escolher como adversário no FIFA quando estamos numa só de curtir e tentar fazer golos bonitos.

Brasil - O eterno favorito e que mais vezes ganhou esta competição. São sempre os favoritos, embora na última edição, em casa, tenham levado 7-1 da Alemanha. Podem ganhar se não se perderem na noite russa a beber vodka e a festejar com prostitutas.

Uruguai - Ganharam em 1930 e em 1950, mas agora é meh. Tem o Suárez que remata e morde bem.

Argentina - São sempre favoritos, mas não têm feito nada de jeito. Têm o Messi, sim, mas também têm o Acuña que quando acabar este texto já deve ter rescindido do Sporting.

Nigéria - Correm bué.

Senegal - Correm bué e dão uns toques na bola.

Egipto - Têm o Salah e pronto, é isso. Deve ser tramado ser um dos melhores do mundo na sua posição e estar numa equipa que não ganha nada. Foi o que sentiu a vida toda George Weah na Libéria ou o Rui Patrício no Sporting.

Tunísia - Destino turístico pelas praias até um maluco do Daesh andar lá aos tiros. Nem sabia que tinham futebol.

Marrocos - Se jogarem tão bem como vendem caldo Knorr a fingir que é ganza nas ruas de Lisboa, são capazes de ir longe.

Japão - Os Asiáticos podem ter um QI superior, mas a cena dos olhos prejudica um bocado na altura de rematar à baliza e nunca ganham nada.

Coreia do Sul - Desde que deixaram de ter árbitros a ajudar, como da vez que foram anfitriões, nunca mais fizeram nada de jeito. Desta vez estão mais descansados porque a Coreia do Norte está mais mansinha, mas como estão na Rússia, são capazes de ter as pernas a tremer por causa do comunismo.

Arábia Saudita - Os jogadores têm a vantagem de estar mais tranquilos porque sabem que as mulheres não os estão a trair pois estão em casa algemadas e de cara tapada.

Irão - Têm muito potencial, com jogadores prestes a explodir.

Austrália - Desta vez a viagem é mais curta, mas ainda assim é desperdício de combustível. Vieram fazer o que os australianos fazem que é passear, beber copos e papar gajas. Futebol está para a Austrália como os cangurus estão para a Rússia.

Está feito. Adeus e vamos falando.
Ler mais...

8 de junho de 2018

Tu que percebes de computadores...



Já escrevi algumas vezes sobre o glamour da vida de um informático, sobre a vida de um estudante de engenharia e sobre aquela mítica frase que todos ouvimos, dita por um amigo, pela mãe ou por uma tia: "Olha, meu puto, tu que percebes de computadores..." que antecede o pedido para irmos lá a casa arranjar-lhes o computador de borla.

Partem do princípio que alguém que tirou o curso de informática está automaticamente habilitado para perceber um dos maiores mistérios do mundo que é o facto das impressoras terem vontade própria; acham que um gajo que sempre mexeu em PCs tem de saber tudo sobre Macs; acham que temos sempre os DVDs originais do Windows e do Office, que resolvemos todos os problemas de software e que somos uma espécie de Dr. House que sabe logo diagnosticar se o problema vem da motherboard ou do ecrã. Não sabemos.

Para nós e quando o computador é dos outros, 90% dos problemas resolve-se desligando e voltando a ligar e os outros 10% resolvem-se formatando ou comprando um novo.

Apesar de já não ser informático de profissão, a fama de que percebo de computadores persegue-me e continuo a receber alguns pedidos de ajuda e sinto-me uma espécie de call center sem fins lucrativos. Continuo, também, a receber propostas no LinkedIn porque os recrutadores no mundo da informática são piores do que as testemunhas de Jeová.

Se olharmos para o futuro e para a forma como tudo tende a depender cada vez mais da informática e do software, a tendência destes pedidos será a de piorar. Por exemplo, com a chegada dos carros autónomos, os informáticos vão passar a ser os novos mecânicos, recebendo pedidos de amigos para irmos lá a casa arranjar-lhes o carro que está lento ou que não está a emparelhar bem com o Instagram causando problemas aquando da selfie ao volante. Se pensarmos bem, os informáticos daquelas lojas de arranjo e os mecânicos são parecidos: ambos falam em termos que o comum dos mortais não percebe e para quem não sabe muito do assunto fica sempre no ar aquela sensação de que se acabou de ser roubado.

Com o progresso e o aparecimento dos robôs sexuais, vamos receber pedidos ao género "Meu puto, tu que percebes de computadores, podes vir cá a casa arranjar a minha namorada que está um bocado lenta e anda com mau feitio?". Lá temos de ir a casa do nosso amigo, enfiar um cabo de diagnóstico na namorada dele - que está toda pegajosa - e, afinal, não funciona porque ele se esqueceu de meter o anti-vírus na backdoor. Piada nerd.

Com a Internet das Coisas a tornar-se ubíqua, vamos receber pedidos de ajuda parvos dos mesmos amigos em pânico que nos fazem aquelas perguntas básicas que com uma simples pesquisa no Google ficariam respondidas:

- Meu puto, preciso da tua ajuda! O meu frigorífico inteligente está avariado e não sei quantos ovos tenho no frigorífico!
- Já experimentaste abrir o frigorífico e voltar a fechar?
- Já, mas continua a não aparecer nada no touch screen.
- Sim, mas era abrir, contar os ovos, fechar o frigorífico e deixares de me chatear os cornos às duas da manhã.
- Já fiz! Tenho meia-dúzia! És um génio, meu puto!

É e será sempre a nossa sina. Estou certo de que os médicos também recebem pedidos dos amigos hipocondríacos, mas, no futuro, os médicos vão ser substituídos por inteligência artificial e lá nos vai calhar a nós, informáticos, perceber porque é que a máquina de toque rectal não está a funcionar correctamente. Estamos cá para vos ajudar, mas, em nome de todos que "percebem de computadores", deixo um apelo: pesquisem primeiro no Google antes de nos virem chatear. Obrigado.
Ler mais...

5 de junho de 2018

Imigração, Feminismo, sobrancelhas pintadas e sovacos peludos



No episódio desta semana falamos sobre a imigração e o aumento da extrema-direita; sobre o racismo e humor; feminismo e polémicas parvas; sobrancelhas pintadas e sovacos peludos; e muito mais. É ouvir e, se gostarem, subscrevam e partilhem.



Podem ouvir e subscrever o podcast nas seguintes plataformas e noutros players e agregadores.

  
 

iTunes - Pesquisem na store ou sigam este link (avaliem e subscrevam)
Não se esqueçam de subscrever na vossa plataforma favorita, deixar like na página do Facebook, comentar e partilhar com os vossos amigos. Obrigado e um bem haja.
Ler mais...

3 de junho de 2018

Uma princesa não fuma, só dá nos ácidos



O Ministério da Saúde identificou um problema: são as mulheres jovens quem mais está a fumar e decidiu criar uma campanha focada nelas, em formato de curta metragem, e criou-se a histeria no galinheiro. Pumba, galinhas histéricas logo assim a abrir as hostilidades. O auto-proclamado Estado Feminista veio dizer que a campanha é machista, sexista e misógina, até porque são os únicos três adjectivos que possuem no seu vocabulário.

A campanha centra-se numa mulher em estado terminal de cancro no pulmão que a certa altura diz à filha "Promete-me que vais ser sempre a minha princesa e lembra-te que uma princesa não fuma". Isabel Moreira disse "Espero que o Ministério da Saúde retire a campanha, que é uma campanha misógina e culpabilizante das mulheres" e o Bloco de Esquerda afirmou que a campanha "confunde público-alvo com discriminação". As Capazes não quiseram ficar de fora e disseram "Não há problema em fazer uma campanha dirigida às mulheres. O problema é a redução da campanha a uma série de estereótipos que têm prejudicado a mulher, reduzindo-a ao papel de mãe e ao papel de princesa". 

Reduzindo a mulher ao papel de mãe? Mas queriam o quê? É uma curta, não deu para mostrar que a personagem tinha um curso superior e era gestora de uma grande empresa. Está em fase terminal, havia de estar a trabalhar em vez de estar em casa? Cambada de burros. Aliás, ela está acamada e a casa está toda arrumada, mostrando que ou é o marido que faz as lides domésticas ou têm empregada (ou empregado, que não quero estar aqui a discriminar).

Uma princesa não fuma, mas dá nos ácidos, pois só isso explica ver fadas madrinhas a voar e tentar enfiar-se numa abóbora a pensar que é um Uber.

Ironicamente, a campanha foi escrita por duas mulheres. Mulheres machistas, obviamente, que é o nome dado por pseudo-feministas a mulheres que têm opiniões diferentes das delas porque as pseudo-feministas advogam a liberdade da mulher desde que esta pense e aja da mesma forma do que elas. A actriz Paula Neves é, portanto, misógina, já que participou na campanha; as duas estudantes que criaram a campanha são, também elas, misóginas; a mãe da miúda que aparece no vídeo é, por esta lógica, misógina, indo até à misógina-mor: Graça Freitas, directora-geral da Saúde. Tudo sexista! Já agora, em vez de lhes chamar misóginas, prefiro dar créditos a todas as mulheres envolvidas na criação da campanha, desde as actrizes às criadoras e a todas as envolvidas na produção: Ana Rosa, Joana Cunha, Fátima Ferraz, Beatriz Silva, Vera Casaca, Andreia Santos, Maria Melo, Sara Barreiros, Beatriz Realista, Bruna Parreira, Jessica Velez, Mayara Santos, Teresa Sousa, Inês Teixeira, Catarina Vasconcelos, Adriana Barros, Paula Neves e Margarida Cardoso. Parabéns por criarem em vez de criticarem.

A Beatriz Moreira, uma das duas jovens de 18 anos, que idealizaram a campanha, disse "Essas pessoas que se consideram feministas são na verdade aquelas que mancham o nome 'feminismo'. Eu, mulher e feminista, durante a minha infância brinquei com rapazes, esfolei joelhos e recusei usar saias, mas nunca deixei de ser a princesa da minha mãe, do meu pai e dos meus avós". Chupem. Ainda bem que ela disse aquela coisa de manchar o feminismo que assim não preciso de ser eu a dizer.

Isto é uma campanha para impactar mulheres e não para mudar mentalidades no tocante aos estereótipos. Percebo que uma campanha "Uma camionista não fuma" pudesse ser mais interessante para mudar paradigmas, mas depois não cumpriria o objectivo de impactar mulheres. Sim, porque mais mulheres jovens se identificam com princesas do que com camionistas. Se é para arranjar polémica é para ir à raiz do problema: quem disse que aquela rapariga é uma princesa? E se ela quiser ser um príncipe? Quem é que está a assumir o género da criança em tão tenra idade? Isto é, obviamente, repressão do patriarcado! Sugiro a campanha: "Uma pessoa de género indeterminado (até decidir o que quer ser) e sem qualquer estrato social não fuma".

E depois há a questão: mas por que raio é que uma princesa não deve fumar? E se ela quiser fumar? Quando muito, um príncipe é que não deve fumar, que eles é que andam atrás dos dragões e ficam sem fôlego num instante. As princesas nunca as vi a fazer tarefas fisicamente exigentes, a não ser que seja devido aos corpetes e espartilhos que apertam a peitaça e reduzem a capacidade de respirar e, nesse caso, fumar pode complicar ainda mais. Estou a brincar, claro que uma princesa não fuma, uma princesa nem pode trabalhar, como vimos no caso do casamento real em que a Meghan Markle teve de abdicar da carreira para se casar com o Harry. Essa merda é que é misoginia e reduzir o papel da mulher a dona de casa sem vida própria, mas disso não falam elas porque vestidos lindos e não sei quê. E nas companhias aéreas que exigem que as hospedeiras tenham uma certa altura e peso? Nisso não pegam elas e essa merda é que é discriminação e sexismo.

E as associações "feministas" que não têm diversidade e só aceitam feias? Pois, dessa discriminação ninguém fala.


Já aqui escrevi sobre o impacto que acho que as histórias infantis têm na vida das mulheres e dos homens: às mulheres, basta-lhes serem bonitas que conseguem sacar um príncipe; aos homens, basta-lhes serem ricos e fortes para sacarem uma gaja boa, mesmo mamando-lhe da boca enquanto está inconsciente. Sim, esses estereótipos são prejudiciais desde tenra idade, mas trazer esse debate para esta campanha, exigindo que seja retirada, é só de quem não tem mais nada com que se preocupar. Se ainda viessem dizer que a campanha é desperdício de dinheiro público e que não serve para nada, isso tudo bem; já estamos numa fase em que toda a gente sabe os malefícios do tabaco e quem fuma é palerma, tal como eu.

Se as mulheres são esquecidas, há merda. Se se lembram delas e tentam resolver um problema grave, há merda. Se não fosse por isto era por outra coisa, tipo o casal ser branco e heterossexual e a miúda não ter traços asiáticos e ter os quatro membros inteiros. Os radicais de esquerda são os radicais livres e, como tal, são prejudiciais à saúde, mas acho que tudo isto vem de um fundo bom que é o da igualdade e de um mundo melhor para todos; mesmo estes radicalismos e exageros parecem-me ter um fundo bom, na sua maioria, apenas com uma pequena parte vinda de pessoas que encontraram uma forma de alguém lhes dar atenção. Estamos num período de mudança e as coisas equilibrar-se-ão no futuro e, seja como for, às vezes é preciso dizer merda para acender o debate e o que é certo é que nunca se falou tanto de igualdade de género como agora e isso é bom. Nas revoluções há sempre extremismos e danos colaterais e temos de confiar que o futuro será melhor. Nas revoluções também há poemas, por isso deixo-vos com um:

Grita machista
Por tudo e por nada
És feminista
Mostra-te indignada
Grita opressão e sai à rua
Porque as mulheres são livres
de ter opinião
desde que seja igual à tua 
Grita misoginia
Faz uma romaria
E culpa o patriarcado
Pelo teu ordenado
Uma princesa fuma, se quiser,
Porque é uma mulher
Forte e independente
Que afugenta os homens
Com a sua liberdade, 
Ou, na verdade,
E mais concretamente,
ninguém a quer foder,
Literalmente.

E pronto, é isto que tinha para dizer sobre esta polémica parva. Na minha opinião de homem branco heterossexual perpetuador da sociedade patriarcal, achei a curta-metragem bonita, bem feita, e forte. Agora, vou ali fumar um cigarro que já fiquei enervado e, só para chatear, vou usar uma tiara.
Ler mais...

24 de maio de 2018

Marial Leal - Review à nova música e vídeo



Penso que a Luciana Abreu pode ter acabado de perder o primeiro lugar no pódio para a pior música de sempre. Já tinha dito várias vezes que nunca mais falaria da Maria Leal, por já ter escrito tudo o que havia a escrever sobre ela, mas acabei por ceder à pressão de toda a gente que me enviou o vídeo para fazer uma review. Dizem que a melhor terapia para ultrapassar um trauma é falarmos sobre ele e talvez isto me faça bem, porque há coisas que vemos e ouvimos e que não nos deixam dormir descansados se não as deitarmos cá para fora. Por isso, aqui segue o vídeo que podem ver e ouvir à vossa própria responsabilidade. Não o vejam mais do que uma vez e façam pausas de dez em dez segundos, caso contrário podem ter danos cerebrais irreversíveis. Em baixo, a review profissional a que vos tenho habituado.


O vídeo começa com a batida e uma voz a falar em Castelhano porque há que seguir a tendência e em estrangeiro parece sempre menos foleiro. Somos brindados com umas pernas oleadas com azeite rançoso e, de repente, aparece uma mão a segurar um copo. Várias coisas assinalar aqui: mãos de bruxa; aliança na mão esquerda que dá a entender que há uma pessoa ainda com mais mau gosto do que a Maria Leal; uma unha com decalques estilo carro chunning; um copo com rodelas de laranja que devem ter sido cortadas com essas unhacas. Somos presenteados com mais umas imagens da Maria, com uma voz a dizer "Este é o beat para toda a gente, este é o beat do verão".


Não sei se é para toda a gente, talvez seja melhor ser só para os surdos.

Percebemos, aos 14 segundos, que a Maria tem uma tatuagem a dizer Marial Leal, já a pensar na altura em que terá Alzheimer, para não se esquecer de quem é. Também servirá para a identificar em caso de morte, porque assim ninguém terá de olhar para o corpo e cara e bastará ver aquela tatuagem, poupando quem tiver de reconhecer o cadáver.

Nisto, começa a tortura auditiva, com a Maria Leal a gritar "Todo el mundo, cantando". Os mais fracos teriam desistido nesta parte, mas eu bolcei na própria boca, engoli e continuei. E pronto, aparece a tolinha a pedir que a Argentina, México e o Paraguai cantem com ela "Vai, vai vai". Penso que ela não precisa de nos mandar ir a lado nenhum: nós vamos sozinhos para longe. Quero chamar à atenção para o que se segue:

Vai, vai vai,
Vai que o Verão chegou-ou-ou
Vai que o calor começou
go go go

Em termos líricos isto é da mais fina poesia que Portugal já fabricou-ou-ou. Eis que vemos um plano da Maria Leal em estúdio, a gravar a voz, e devo dizer que usar um microfone daqueles para a voz da Maria Leal é como usar uma câmara fotográfica topo de gama para fotografar... a Maria Leal. Continua a letra e ela diz "Vai que está fenomenal". Penso que a palavra fenomenal nunca tinha sido usada numa música, por isso é de gabar a capacidade de adjectivação da senhora Maria, que na verdade é do senhor Sérgio Ventura que foi quem escreveu a letra. Não vamos estar aqui só a fazer bullying à Maria quando há outros que também merecem crédito. "Fenomenal" é acompanhado de um auto-tune e de um eco de uma subtileza equivalente a gordo a comer pipocas no cinema. Se repararem bem, ela deita a língua de fora ao dizer esta palavra, numa espécie de camaleão com espasmos que acabou de sair do dentista e ainda tem a boca dormente.

Aos cinquenta segundos, vemos imagens do estúdio em que a Maria e o Jaimão estão concentradíssimos na produção da música. Há até uma parte em que eles fazem um gesto de "Exactamente, é mesmo isto". Penso que estes sete segundos que vemos foi exactamente o tempo total investido na criação da música e letra e, mesmo assim, não há desculpa. Finaliza o refrão com "Vem curtir com a Maria Leal". É assim, Maria, se for curtir numa de beber uns copos e dançar, numa festa da aldeia, sim senhora, tudo bem, sou gajo para me divertir e curtir um bocado; se é curtir numa de te mamar da boca, mesmo com os dentes arranjados, não vai dar, lamento.


A Maria Leal é das poucas artistas que precisa de auto-tune e Photoshop ao mesmo tempo.

"Estou na adrenalina (?), o meu corpo quer dançar". O teu corpo pode querer, mas nós preferimos-te quietinha e caladinha num canto. Já te vimos a dançar em várias situações e ninguém gosta de ver ataques epilépticos ou alguém a tentar andar com um taser nas cuecas. Prossegue com "Manda vir o segurança que não estou a aguentar". Não consigo descodificar estes versos, mas vou dar várias opções: ela gosta de pinar com seguranças e está que nem se aguenta (talvez devido do taser nas cuecas); não está a aguentar tanta adrenalina e precisa que o segurança a ajude a ir lá fora apanhar ar; alguém está a assediar a Maria e ela precisa que o segurança afaste o rapaz cego que se está a roçar nela.

Não consigo decidir se gosto mais das imagens da Maria à beira da piscina ou dentro dela. Por um lado, nas primeiras, gabo-lhe a coragem de não ter vergonha de mostrar os pneus, já que eu na praia sou daqueles que joga às cartas deitado de barriga para baixo, todo desconfortável, só para não estar sentado e parecer que tenho uma bolsa marsupial com um hipopótamo bebé a dormir lá dentro; por outro lado, é em pé, dentro da piscina, que a Maria solta todo a sua ginga, dançando de tal forma que parece estar numa aula de aeróbica para pessoas especiais. A música continua com "O MC meteu aquele som que trouxe o sol e o calor". Que som é esse? Existe a dança da chuva e o MC do sol e do calor e nunca ninguém me disse nada? Aposto que esse som é a música da Marial Leal que até afasta as nuvens para longe.

Por esta altura os meus ouvidos já pedem um descanso, mas prossigo estoicamente e oiço "Vamos logo ao que é bom, latino mostra o teu sabor", com um auto-tune que parece um rouxinol a ser sodomizado por um elefante. Por volta dos 1:58 minutos a Maria aponta para o monitor no estúdio numa de quem está a dar dicas ao produtor, porque toda a gente sabe que ela não sabe cantar, mas que em música é uma expert. Nisto, Maria começa a dançar no estúdio, com o seu movimento patenteado que se chama "A suricata bêbeda", seguido do "Dança do ventre obstipado".

Por esta altura, o beat muda, mas continua igual, e a Maria entra na última parte da música "Já corres na pista". Não percebo se estamos a falar de uma discoteca ou de uma pista de atletismo, mas pode ser tudo uma bonita metáfora, dizendo que dançar é como correr: quem o faz por gosto não cansa. Enquanto ela canta "O teu charme é demais, vem latino moreno, mostra os teus moves sensuais", aproxima-se um gajo que, inteligentemente, decidiu não dar a cara para o vídeo. A abordagem dele na sedução é tirar-lhe a flor que ela tem na orelha e ela manda-o à piscina, algo que não condiz com a letra, pois assim se percebe que nem os moves eram sensuais, nem ela estava interessada. No fundo, a Maria é uma cock-teaser que provoca e depois dá tampa. Segue com um  "Estou a vibrar e tu vais ficar a conhecer melhor o que eu tenho para dar".


Vibrar não era mau, mas melhor era estares em modo silêncio ou de avião para não termos de te ouvir.

O último minuto e meio é a repetição do refrão até sair sangue pelos ouvidos e termina com um piscar de olho que me irá atormentar nas próximas noites.

E pronto, é isto. Sinto-me sujo e vou ali tomar banho enquanto choro enrolado em posição fetal. Este texto está na linha ténue entre o humor e o bullying, admito, mas acho que quem faz músicas destas tem um bocadinho de culpa e até agradece que se fale neles. Peço desculpa por vos ter obrigado a ver, mas podem fazer como eu e partilhar o texto para dividirmos o sofrimento por todos. Obrigado.
Ler mais...

23 de maio de 2018

Formas de baixar o preço dos combustíveis



Fui informado que a população se está a unir para um boicote às gasolineiras, no dia 28 de Maio. Acho muito bem que as pessoas se unam para lutarem pelos seus direitos.

Os preços estão obscenos e ainda este fim-de-semana gastei 50€ para vir do Porto a Lisboa a 170 km/h.

Quero, por isso, juntar-me à causa e garantir-vos que na próxima segunda-feira não vou abastecer o meu carro. Só para fazer dói dói nos gigantes do combustível, vou atestar o carro no dia anterior, ou, para lhes fazer ainda mais mossa, no dia seguinte para eles ficarem ali aflitos à espera do meu dinheiro e na dúvida se voltarei a ser cliente. Desta forma, nem usufruo do desconto de fim de semana e até deixo em casa os cupões e nem peço um cartão de sócio do SLB a um amigo, só para eles verem como elas doem. Eles passam-se com estes tipo de protestos, já quando estico a reserva e faço 50 km só porque não me apetece ir abastecer naquele dia, eles ficam logo em sentido. Até vão ficar malucos quando me virem a ir de carro para o trabalho na segunda-feira sem ter abastecido; vão pensar que o meu carro anda a água ou assim. Podia ir de transportes? Podia, mas sou mais revolucionário quando estou confortável e assim consigo entrar e sair da bomba várias vezes, sem abastecer, só para eles ficarem naquele suspense a roer as unhas.

Embora isto deva ser suficiente para eles verem o meu descontentamento e convocarem uma reunião de emergência para baixarem os preços, vou mais longe no meu protesto. Vou à bomba, sem abastecer, e vou trazer o stock inteiro de pastilhas em promoção para dar despesa à casa. Depois, vou ler todas as revistas sem comprar nenhuma, só para fazer pirraça. Vão ficar tolos e baixar a gasolina pelo menos um cêntimo, garanto-vos.

O Governo não escapa a esta minha ira de revolucionário e irei, também, fazer-lhes pressão para que baixem os impostos dos combustíveis. Como? Boa pergunta: na altura das eleições, vou lá desenhar uma pila no boletim de voto. Já estou a ver os deputados todos pasmados com a minha capacidade de desenho e a terem em conta os meus falos artísticos na altura do Orçamento de Estado.

Vou aproveitar a onda de revolução para tratar já de outros assuntos que tenho pendentes. Aqui na minha rua há um passeio todo esburacado e, por isso, vou boicotar esse passeio e ir sempre pela estrada. Até sou gajo para tirar uma foto e meter no Instagram com a hashtag #tenhamvergonha - para ser mais eficaz - mas tiro a foto da estrada para o passeio porque, como já disse, boicotarei o passeio.

Tabaco é outra: os preços estão muito altos. Segunda feira não vou comprar maço e fumarei do volume que comprar no Domingo. 

E as nozes e os cajus? Estão mais caros do que ouro e, por isso, vou abastecer um carrinho de compras no domingo que é para segunda-feira os boicotar ali mesmo à bruta. E as rendas? Ah pois, dia 28 vou dormir na rua.

Voltando aos combustíveis, aposto que haverá quem faça pouco deste boicote, sejam pessoas que não têm carro ou pessoas que andam sempre de transportes, que vão dizer que fizeram boicote só para ficarem bem na fotografia. É como não irem a uma manifestação e usarem Photoshop para dizer que estiveram lá. Haverá sempre essas pessoas que se aproveitam da proactividade e cidadania dos outros, mas não podemos desmotivar. Temos de lutar pelos nossos direitos e dos que vierem a seguir. Já me estou a ver a contar aos meus filhos "Vocês vêm de uma família de revolucionários! O vosso avô esteve no 25 de Abril, a vossa avó na grande manifestação dos professores em 2008 e aqui o vosso pai... houve um dia em que não meteu gota".
Ler mais...