17 de agosto de 2017

Histórias para crianças - Edição Feminista Radical



Não gosto da palavra "feministas radicais", até porque são duas palavras. Ser feminista é bom e nunca é demais lutar-se por isso. "Feminazi" também é um termo que não me atrai por ser uma comparação descabida e poder ofender os nazis. Por isso, à falta de melhor expressão, chamemos-lhes apenas "Pessoas parvas que lutam pelo que é certo, mas de forma errada". Sou da opinião que existe um machismo latente na sociedade, mas que prejudica tanto homens como mulheres e a prova disso são as mais conhecidas histórias para crianças. Decidi, por isso, reescrever alguns contos mais conhecidos adaptados à realidade do chamado feminismo pós moderno que envergonha as verdadeiras e verdadeiros feministas. Espero que gostem.

Branca de Neve
Era uma vez uma rainha muito bela segundos os padrões machistas das revistas femininas. Para além disso, era malvada como todas as mulheres que não trabalham e vivem dos rendimentos do marido ou do pai. Como não tinha carreira era fútil. Prova disso era que todos os dias perguntava ao seu espelho mágico se havia alguma mulher mais bonita do que ela. Certo dia, o espelho disse que sim: a Branca de Neve! A Branca de Neve era uma mulher com um metro e sessenta e 120 kg de formosura porque o espelho sabia que todos os corpos são igualmente bonitos. Com tanta inveja, apanágio das mulheres que não estão satisfeitas profissionalmente, mandou um criado matar a pobre da Branca de Neve. Quando ele a encontrou, a Branca de Neve gritou bem alto «Socorro! Estou a atacada por um homem branco heterossexual!» e veio logo um grupo de mulheres gritar aos ouvidos dele até ele se ir embora. A Branca de Neve continuou o seu caminho até chegar a uma casa e, como era uma mulher confiante, decidiu invadir propriedade privada. A casa pertencia a sete anões que trabalhavam numa mina que disseram que ela poderia ficar a viver com eles desde que arrumasse a casa enquanto eles fossem trabalhar. A Branca de Neve começou aos gritos a dizer que estava a ser micro agredida e oprimida! Os anões sugeriram que ela podia ir trabalhar para a mina com eles e a Branca de Neve começou a gritar, mais uma vez, dizendo que não ia aceitar ordens de homens brancos heterossexuais sobre o que fazer com a sua carreira. Como era independente, acabou por ficar em casa, mas não arrumava nada porque não era criada de ninguém. Quando a rainha soube que a Branca de Neve ainda estava viva, disfarçou-se de velha e foi bater à porta da casa dos sete anões. Deu-lhe uma maçã envenenada e a Branca de Neve comeu porque confiou nela por ser mulher, caso contrário tinha logo desconfiado que a maçã estava banhada em droga da violação. Comeu a maça e caiu para o lado. No funeral, passou um príncipe que a viu deitada e decidiu beijá-la. Nesse momento, a Branca de Neve acordou e começou aos gritos a dizer que estava a ser violada e a soprar num apito que tinha sempre com ela. A polícia chegou e o príncipe foi preso. A Branca de Neve viveu solteira e feliz para sempre porque não precisava de um homem.

Cinderela
Cinderela era filha de uma comerciante rica, porém quando a sua mãe morreu, o padrasto malvado e os seus dois filhos fizeram da Cinderela o que estavam habituados a fazer de todas as mulheres: ser a sua criada. Um dia houve um baile, mas a Cinderela não pode ir pois estava oprimida a limpar a casa. De repente, apareceu a sua fada madrinha que trouxe uma equipa de limpezas para arrumar tudo. Perguntou-lhe se queria que lhe fizesse aparecer um bonito vestido e uns sapatos de cristal, mas a Cinderela disse que ia de calça de ganga e nua da cintura para cima porque era preciso libertar os mamilos femininos da ditadura patriarcal! A fada perguntou se ao menos queria que lhe desse um bocadinho de cor e a Cinderela disse para lhe dar uns tons de azul nos pelos do sovaco, pois não se depilava como forma de protesto à ditadura das revistas de moda e do culto do corpo feminino depilado. «Se os homens podem eu também posso!», gritou. Lá foi ao baile e o príncipe ficou logo maluco por ver uma mulher em topless na festa. Chegou-se a ela e perguntou se queria dançar e a Cinderela disse «Os meus olhos estão aqui em cima, seu porco.». O príncipe pediu desculpa, dizendo que tinha sido um reflexo incontrolável porque a maioria das mulheres não ostentavam o peito desnudo em festas, mas a Cinderela não foi na cantiga e cuspiu-lhe na cara. «És um porco misógino e se não consegues controlar os teus impulsos de homem, então o melhor é auto castrares-te!», gritou. Quando deram as doze badaladas, os pelos do sovaco da Cinderela voltaram a ficar pretos e ela foi para casa. O príncipe nunca mais a procurou porque os homens têm medo de mulheres independentes e só ligam à aparência. A Cinderela também não estava interessada porque era lésbica e acabou por casar com a fada madrinha.

Capuchinho Vermelho
Era uma vez uma menina chamada Capuchinho Vermelho. Certo dia, o pai do Capuchinho fez uns bolos porque era ele que ficava em casa enquanto a mãe trabalhava e sustentava a família toda. Deu esses bolos ao Capuchinho para que ela fosse levar à avó. Disse-lhe para ter cuidado e que não fosse pelo atalho porque havia perigos. Como a Capuchinho era uma menina independente e que não acatava ordens do patriarcado, decidiu ir pelo atalho na mesma e de minissaia. Pelo caminho apareceu o Lobo Mau que lhe disse «Olá». O Capuchinho começou a gritar e a dizer que estava a ser micro violada e que ela podia andar de minissaia à vontade sem ter de ouvir impropérios por parte de homens que não sabem controlar-se «Uma pessoa já não pode ir levar bolos à avó sem ser incomodada e ouvir piropos nojentos? Vergonha!», gritou o Capuchinho. O Lobo Mau fugiu em direcção à casa da avó do Capuchinho e comeu-a porque era um macho e, como tal, sem critério. Disfarçou-se de avó e quando a Capuchinho chegou a casa viu o Lobo deitado na cama a fazer-se passar pela senhora. Como as mulheres são mais inteligentes do que os homens, o Capuchinho percebeu logo que não era a avó e deitou spray pimenta nos olhos do lobo. Um caçador, ouvindo os gritos, apareceu de espingarda na mão e a Capuchinho deu-lhe também com spray pimenta porque desconfiou logo que ele a fosse violar. De seguida tirou a espingarda ao caçador e matou toda a gente em legítima defesa. No fim, comeu os bolos todos porque não se importava de ser gorda já que todos os corpos são igualmente sensuais.

Carochinha
Era uma vez uma linda carochinha, que encontrou mil euros enquanto montava um móvel do IKEA sozinha. Com o dinheiro, em vez de fazer como outras mulheres que comprariam brincos e colares, foi antes investir na formação tirando uma pós-graduação de Estudos Feministas. Depois, pôs-se à janela a enviar CVs e a perguntar: «quem quer dar trabalho à Carochinha?». Passou um Burro e disse «Eu dou, mas pago-te menos pelo que pagaria a um homem com as mesmas qualificações!». A Carochinha disse que não queria e continuou a perguntar. Passou um cão e disse «Eu dou, mas só se não engravidares nos próximos 10 anos!». A Carochinha recusou e continuou a perguntar. Passou um bode e disse «Eu dou, mas só tenho um estágio remunerado para começar.» A Carochinha disse que não e continuou a perguntar. Até que passou o João Ratão que disse «Eu dou, tenho de preencher quotas e tenho uma vaga num cargo de gestão para o qual tens pouca experiência.». A Carochinha e o João Ratão assinaram um contrato de trabalho e foram felizes durante muito tempo até que a empresa começou a falir devido à falta de diversidade nos cargos de gestão e porque o gestor era um homem branco e heterossexual.

FIM

Como comecei por dizer, ser feminista é bom e eu sou feminista, tal como a maioria dos homens e mulheres com dois pingos de inteligência. Num tom mais sério, acho mesmo que a versão original destas histórias são realmente discriminatórias e que podem incutir ideais de género prejudiciais às crianças. Nas histórias, as mulheres nunca trabalham e o único objectivo é casar com um homem rico - tipo mulher de jogador de futebol - e os homens para se safarem têm de ser ricos, bonitos e fortes para defender a sua dama lutando com dragões. É demasiada pressão para ambos os sexos. Fazia mais sentido reformular estas histórias do que alterar o nome do Cartão do Cidadão, mas para isso é preciso criar e isso dá mais trabalho. Mas pronto, isto digo eu que sou um homem branco heterossexual e do lado do patriarcado opressor. Se acharem que vale a pena, posso fazer uma segunda parte com as histórias da Bela Adormecida, A Bela e o Monstro e As três porquitas.
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14 de agosto de 2017

Melhores/piores frases de engate na net



Como alguns de vocês sabem, estive envolvido na criação de uma aplicação inspirada no Tinder, mas que é muito mais gira. Chama-se Fuck Marry Kill e é inspirada no jogo do mesmo nome que normalmente se faz com celebridades, com variantes como o "Smash or Pass" ou o "Hot or Not". Consiste em teres de escolher de entre três pessoas, com qual farias o amor à bruta, com qual casarias, e qual, por exclusão de partes ou não, matarias. Na aplicação jogas com pessoas reais que também se registaram e podes ter match e conversar com os outros jogadores. Por exemplo, dás um Fuck a alguém que também te deu a ti e voilá, abre-se uma janela de chat onde podem combinar o hotel. Acontece o mesmo se houver match de marry onde podem reservar logo a capela e de kill onde podem marcar um duelo até à morte.

Neste momento já não estou envolvido na gestão da aplicação e sou uma espécie de advisor que vai mandar bitaites nas reuniões de vez em quando. Antes de sair de lá fiz uma colectânea das melhores/piores frases de abertura que tanto homens como mulheres - principalmente homens - usaram. Por motivos de segurança, as mensagens são encriptadas na base de dados e por isso as que vou mostrar aqui foram as que eu ou outros membros da equipa recebemos nos nossos perfis enquanto estávamos a testar e melhorar a aplicação. Imagino que haja bem melhores/piores.



A classe do Carlos. Aposto que esta abertura resulta uma em cada 1000 vezes. Isto com imagens ia ocupar muito espaço, por isso aqui ficam transcritas as melhores e piores abertura que apanhei para poderem fazer copy paste e usar à vossa conta e risco.


Match de Fuck

Gajo: Precisas que te pague um copo ou queres-me comer mesmo sóbria?
A demonstrar poder de compra, insegurança e vulnerabilidade ao mesmo tempo. Bravo.

Gajo: És tão boa que vai ser rápido e ainda chegas a casa a tempo da novela.
A tentar fazer crer que a ejaculação precoce é um elogio e não um problema.

Gajo: Se dar piropos não fosse crime, dizia-te que és boa como o milho, mas sendo assim digo apenas "Olá".
Valorizo este abertura e acho que pode funcionar.

Gajo: És muito bonita e gostava de fazer sexo contigo.
Homem adora constatar o óbvio.

Gaja: Sou nova na aplicação, mas significa que agora temos de fazer sexo, não é?
Ui, mulher no comando. São sempre novas nas aplicações de dating online, é sempre a primeira vez que usam.

Gaja: Só estava aqui para fazer amigos e não para sexo, mas fizeste-me mudar de opinião.
Sim senhor, gosto de ver mulheres atrevidas. No entanto, ela pode estar a querer dizer que ele nem para amigo serve.


Match de Marry


Gaja: Agora vais ter de me meter um anel no dedo.
Gajo: Só se antes disso me deixares meter o dedo noutro sítio.
Como estragar tudo numa frase. Ou não, isto nunca se sabe.

Gajo: Não tenho dinheiro para a cerimónia por isso podemos passar já para a noite de núpcias.
Entre o poupado e o forreta a linha é muito ténue.

Gaja: Desculpa se te levei ao engano, mas não acredito no casamento.
Gajo: Na boa, também prefiro só sexo.
Gaja: Fixe. Hoje a que horas?
Jazus. Vai dar namoro.

Match de Kill

Gajo: Dei-te kill, mas até és gira!
O desespero tem um nome e o nome é "Gajo".

Gajo: Agora tenho de te matar, não é? Vens cá a casa que eu espeto-te.
Eu bem digo que touradas só na cama.

Gajo: Preferes morrer com um tiro ou engasgada?
Sem palavras. Este é para casar, meninas.

Gaja: Kill? A sério? Olha bem para ti.
Gajo: Também me deste kill, caso contrário não haveria match.
Gaja: Ya, mas eu sou gira.
Gajo: Não és.
A rapariga que não devia ter instalado esta aplicação porque claramente não tem autoestima suficiente para lidar com o mundo.

Gajo: Ou te dei kill por engano ou mudaste a foto.
Tradução: na outra foto eras feia, mas nesta até te papava.

Por fim, esta que me aconteceu a mim.
Gaja: Essa foto não és tu!
Eu: Não? Então?
Gaja: Eu conheço essa pessoa da foto, é de um humorista.
Eu: Tem dias. Pois, sou eu.
Gaja: Claro.
Eu: Olha agora... até partilhei a app na página, isto foi ideia minha.
Gaja: Sim sim.
Eu: Não acreditas?
Gaja: Nop. Vou reportar-te.
Eu: Por um lado fico contente por zelares pela minha identidade, por outro gajas desconfiadas é uma chatice.
Gaja: Adeus.
Eu: Adeus.

Espero que tenham ficado inspirados para terem sucesso nesse mundo cruel que é o dating online. Se quiserem instalar e testar, seja pelo gozo ou porque já rodaram as outras aplicações todas e ainda não encontraram o amor, sigam este link. Isso depois tem uma data de funcionalidades giras como poderes ver o teu ranking e se és material só para uma noite ou para casar e ainda podes ver quem é que te quer saltar em cima à bruta, embora te possam ter escolhido apenas porque eras o menos feio do grupo.
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9 de agosto de 2017

Férias com amigos vs Férias com a namorada



Como estamos na silly season, acho que não vale a pena falar de assuntos sérios para não vos estragar as férias. Férias essas que podem ser de vários tipos, cada um com os seus prós, contras e idiossincrasias. Passar férias com os amigos não é igual a passar férias com a namorada, por exemplo e, por isso, aqui ficam alguns tipos de férias pelas quais, se tudo correr bem, iremos todos passar na vida.

Com os pais
Para quem tem pais, passar férias com eles é o normal nos primeiros vinte anos de idade, mais ou menos. Quinze dias no Algarve em que as únicas coisas que fazes é comer, esperar pela digestão, ir à água, apanhar sol enquanto ouves a tua mãe a gritar que tens de meter protector e te persegue com um frasco de factor total na mão para te barrar como se fosses uma tosta com Philadelphia. Vais dar aquela voltinha dos tristes pela cidade a seguir ao jantar, enquanto os teus pais vêem gente nova a divertir-se e ponderam se estão ou não arrependidos por te terem concebido. A partir de uma certa idade, já só sais da cama ao meio-dia e ouves o teu pai a queixar-se que mais valia terem alugado uma casa sem piscina porque não a aproveitas de manhã, sinal que já estás mais velho e te deitas mais tarde, mesmo que seja a jogar Playstation porque não tens ninguém com quem sair. É nesta altura que vais trocar olhares com uma rapariga que também passeia com os pais a seguir ao jantar e vais jurar que é a mulher da tua vida. Todos os dias a vês e pensas que é o destino, mas é só porque estás numa vila com mil pessoas e dás de cara com as mesmas pessoas várias vezes ao dia, mas na gorda desdentada não reparas tu porque és um fútil. Com a idade e a independência vais começando a passar férias cada vez menos com os teus pais, a não ser que tenhas tirado Sociologia e aí não tens escolha porque só consegues tirar férias se forem eles a pagar. Nem é bem tirar férias, é desfrutar do desemprego noutra cidade.

Com os amigos
É preciso distinguir dois tipos de férias com os amigos: as quando estás solteiro e as quando estás comprometido. Nas primeiras o planeamento é fácil: países de leste, Interrail pela Escandinávia ou Albufeira. Qualquer um deles garante maior facilidade em encontrar raparigas alcoolizadas que te achem atraente só porque tens um ar latino de português, especialmente se for na Rua da Oura em Albufeira, onde o português é uma criatura mais evasiva do que o Big Foot. Nas férias de amigos solteiros o hotel ou casa é de menor importância: fica a 10 km da praia mas a 100 metros da rua dos bares? Perfeita. Vocês são 10 marmanjos e a casa é um T0 com um colchão de encher na varanda, mas é mesmo na rua dos bares? Perfeita. O plano é simples: comer massa com atum e hidratares-te com cerveja desde que acordas; sair todas as noites porque ficar em casa é desperdício de férias; curar a ressaca com restos de massa de atum e uma cerveja. Voltas de férias sem que nenhuma rapariga se tenha interessado por ti, mas não desanimas e pensas como um sportinguista: «Para o ano é que é.».

Quando se tem namorada o planeamento é mais complicado. Primeiro, mal a informes que vais de férias só com os teus amigos, vais ter de responder a um interrogatório de fazer inveja a muito investigador da PJ:
  • «Com quem vais?»
  • «Também vai o Manel, aquele que trai a namorada?»
  • «Para onde vais?»
  • «Vão raparigas?»
  • «Não vai aquela tua amiga que te quer saltar para cima, pois não? A Ana Puta ou lá como é o nome dela.»
  • «Vão ficar alojados em que hotel? Manda-me as coordenadas.»
  • «Para que é que vais comprar roupa para ires de férias? É para as outras, é?»
Entre outras. Depois de conseguires o Visto no gabinete da tua namorada, sabendo já que ela te cobrará mais tarde por teres a mania que és independente, vais andar com o telemóvel sempre na mão porque caso toque e não atendas é sinal, para a tua namorada, que estás numa orgia com dez inglesas. Começas a perceber que o melhor é enviares-lhe mensagem por volta das 2h a dizer que já estás em casa a dormir. O gajo que tem namorada, normalmente, desaparece durante uma hora a meio da noite e os amigos pensam que ele já a está a trair, mas, na verdade, esteve uma hora a discutir ao telemóvel porque ela diz que ele não lhe liga apesar de ele ter estado 1 hora com ela ao telefone durante as férias quando se devia estar a divertir com os amigos e a procurar uma namorada nova. Invariavelmente, é quando tens namorada que várias mulheres vão ficar interessadas em ti porque existe um complô mundial em que elas combinam isso só para fazerem os homens comprometidos sentirem-se mal, ou por recusarem, ou por traírem. 

Com a namorada
A escolha do local é fácil porque o facto de estar perto de uma zona com vida nocturna e movimentada não entra na equação. Ninguém quer ir beber copos com a namorada! Isso é o mesmo que ressuscitares um peru que trouxeste do talho para o voltares a matar logo a seguir. No entanto, no meio do nada e sem Internet também não é boa opção, já que terão de falar um com o outro e podem chegar à conclusão que estão juntos há dez anos e não têm nada em comum. As férias com a namorada podem ser cansativas, especialmente para mim que sou quem tem de conduzir, marcar hotéis, escolher restaurantes ou cozinhar se comermos em casa, carregar com malas etc. E a minha namorada, o que é que ela faz? perguntam vocês. Bem, ela é bonita e precisa de tempo para se maquilhar e esticar o cabelo porque a beleza de origem não lhe chega. Quando tiro duas semanas de férias com ela, na verdade, só tenho uma semana de tempo útil.

Com casais
Chega aquela altura em que no grupo de amigos está tudo comprometido e é então que surgem as férias em casais. Há sempre aquele casal que ainda namora há pouco tempo e que é uma bomba relógio que pode rebentar a qualquer momento. Ainda não se conhecem bem e estar na mesma casa durante uma semana é diferente de ir jantar ao McDonald's e ao cinema do Colombo uma vez por semana. Alguém vai ficar de trombas e estragar o jogo do Pictionary porque vão discutir se o desenho que ele fez se parece com um coelho ou com um canguru. Além de que existe a pressão de fazer o cônjuge estranho ao grupo de amigos sentir-se em casa e rapidamente aquilo se transforma num reality show em que tudo diz mal nas costas um dos outros. Vai haver o casal que quer ir passear, o casal que quer ir à praia, e o casal que quer beber e dormir até às duas da tarde. Nestas férias, o baralho de cartas e o jogo de tabuleiro são indispensáveis e como vai haver um casal que vai dormir sempre mais cedo, o melhor é sempre três casais para não faltar ninguém para jogar à sueca.

Sozinho
Queres ir à aventura! És introvertido e achas que viajar sozinho é que te vai mudar e abrir para o mundo. Reservas um quarto num hostel misto que divides com mais 20 pessoas na esperança de as conheceres e te enturmares e, quiçá, dividires o colchão com a vizinha do beliche de cima. Vais sair sozinho e acabas quase violado por um italiano (como me aconteceu a mim). Percebes que afinal viajar sozinho não é assim tão giro e começas a ter saudades das sopas da tua mãe porque andas a comer, em todas as refeições de há uma semana para cá, pão de forma com mortadela. Vais ficar doente com uma constipação porque não tinhas lá a tua mãe para te dizer para levares um casaco mesmo que estivessem 40 graus e vais perceber que estar sozinho no estrangeiro, doente, é das piores sensações do mundo com a excepção de ser violado por um italiano e apanhares HIV. Vais dar mais valor aos emigrantes, aos teus pais e ao Tinder.

Com os filhos
Se ainda não forem independentes e for preciso limpar-lhes o rabo e a boca, mais vale ficar em casa. Se já forem independentes, mais vale deixá-los em casa e não gastar dinheiro com gente ingrata.

É isto. Boas férias se for caso disso. Se já gastaram todos os cartuchos este ano, temos pena, não fossem garganeiros. Agora aguentem com o pessoal que, como eu, guardou as férias para o final.


***


PS: Depois do verão vou estrear o meu espectáculo a solo de stand up comedy que vai passar por várias cidades. Se quiserem receber uma notificação por email quando as datas foram reveladas e os bilhetes estiverem à venda, deixem os vossos contactos neste link. Se não quiserem, partilhem este texto no botão em baixo ficamos amigos na mesma.
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7 de agosto de 2017

A mama do Benfica estava fora-de-jogo?



Ler com a voz de relato de futebol: é vermelho, nota-se um alto na ponta esquerda. O foco ajusta e vislumbra-se o símbolo do Sport Lisboa e Benfica. O que será? A câmara afasta-se... o que é que é isto ó meu? É mama! É um seio de uma loiraça! É mamaçal! É peitaça! É bago de chicha! É saquinho de leite Vigor! É disto que o meu povo gosta!

Já sabem do que falo, certo? Do plano feito pelo realizador no jogo da supertaça que originou uma onda de revolta. Onde é que foi essa revolta? No local onde acontecem todas as revoltas palermas: no Facebook.

Perguntei à minha namorada se ficaria ofendida caso tivesse sido com ela e ela respondeu «Ofendida? Não. Era sinal que tinha boas mamas.».

Eu dizer-lhe que tem boas mamas não a convence tanto como um realizador fazer um grande plano de uma delas porque, como qualquer gaja, valoriza mais um elogio vindo de outra pessoa que não o namorado.

Voltando ao assunto, estará a malícia no plano escolhido ou na cabeça das pessoas que o viram e pensaram «Eishhh, ganda teta! Estou ofendido com este realizador! Vou apresentar queixa no meu mural do Facebook, mas primeiro deixa-me filmar a televisão para publicar caso tenha havido alguém que não viu esta coisa horrível que nunca devia ter acontecido!». Sim, é um bocado parvo nos intervalos dos jogos fazerem-se planos das mulheres jeitosas que o realizador vislumbrou no estádio, mas é machismo ou é um elogio à figura feminina? Talvez seja um pouco dos dois. Misoginia é que não é de certeza já que a sua definição é "Aversão às mulheres" e "Repulsão patológica pelas relações sexuais com mulheres". As pessoas é que gostam de atirar com essa palavra sem fazerem ideia do que significa só porque viram que era a palavra mais usada no site das Capazes. Quando muito, este plano mamário é anti misógino! Talvez, aquando de um jogo de futebol feminino, e sendo uma realizadora, irá focar a câmara no enchumaço de tomatada de um adepto nas bancadas. Ah, esqueçam, ninguém vê futebol feminino. «Buh! Machista!»

Não digo que na cabeça do realizador a génese do plano não tenha sido a seguinte: «Olha o símbolo do SLB numa mama! Faz close-up no pipo!». Claro que deve ter sido, os homens são uns javardolas, especialmente quando estão com os amigos a ver a bola. No entanto, é motivo para tanta indignação? Não andam a lutar pela igualdade de peitos e pela libertação do mamilo? As pessoas ofendidas não são as mesmas que consideram que o peito de uma mulher é igual ao peito de um homem e que devia ser tratado da mesma forma? Se a mama é uma parte do corpo como outra qualquer, aquilo é só um zoom out do símbolo do SLB. Mau gosto? Não sei. Podemos discutir se usar uma camisola do SLB é mau gosto ou não, mas o plano em si, meh, é só uma mama e olhem que eu gosto muito de mamas. Há mamas em todo o lado. Usam-se mamas para vender desodorizantes, shampoos e proclamar repúblicas. Os caloiros de marketing e publicidade aprendem logo a regra de ouro «Na dúvida, metem-se mamas.» que funciona sempre. Epá, é uma mama. Arranjem uma para vocês que isso passa.

Sou e sempre serei pela igualdade. Se as mulheres quiserem andar todas em tronco nu eu serei o primeiro a apoiar essa decisão, mas, marquem as minhas palavras: vai dar merda. Tirar a conotação sexual de fruto proibido dos seios femininos vai ser prejudicial para muitas mulheres. Pensem naquelas mulheres feias que nem portas em que a única coisa que as pode valer é um generoso decote preenchido por uma peitaça épica. Como ficam essas que vão ver ser-lhes retiradas as suas únicas armas no ritual de chamamento de machos disponíveis numa noite na discoteca? É como tirar o dinheiro a um gajo rico e mais feio que nem um cadáver de gajo feio. As mamas de mulher possuem um poder incomensurável. Se pedra ganha a tesoura, tesoura ganha a papel e papel ganha a pedra, mamas ganha a todos. Desmistifica-se a mama e as mulheres perderão poder ao invés de o ganhar. Acreditem em mim que eu tirei engenharia informática e de mamas percebo bem.

Voltando ao plano polémico, nos dias de hoje dá para pegar em tudo: se o realizador filma uma gorda a festejar um golo é porque está a gozar com a banhas a abanar da senhora; se filma um homem em tronco nu é porque quer vender detergente para a roupa; se filma uma criança a comer um calipo é porque é pedófilo. Relaxem. É só uma mama.

Aposto que o vídeo árbitro pediu para rever a repetição enquanto foi ao WC.

As reportagens do telejornal na praia também têm obrigatoriamente de ter um ou dois rabos em fio dental e ninguém se indigna com os planos fechados de nalguedo que é, na sua maioria, pingão e nem merecia tempo de antena. Já toda a gente viu pornografia daquela amadora que foi parar à Internet, muito provavelmente, sem autorização de ambos os intervenientes, não já? Então pronto, não vamos ser hipócritas com um seio no qual nem se percebia se o mamilo estava intumescido ou não. No meio disto tudo, quem tem direito a ficar ofendido é o seio direito que teve zero tempo de antena. A mama esquerda já é a que tem sempre mais atenção por, devido a estar do lado do coração, ser a maior, o governo é de esquerda, e a mama direita ninguém quis saber dela. Indecente.

Verdade que a mulher em causa pode não ter gostado de ver o seu seio a ser figura de destaque numa partida de futebol. Ela é a única que poderia, legitimamente, ficar ofendida com a situação. No entanto, não a vi queixar-se, não vi nenhum post a dizer «Carta Aberta da Dona da Mama» a circular pela Internet, talvez por ser inteligente e desvalorizar a situação. Por isso, para que é que as pessoas precisam de ficar ofendidas por ela? Pensam que por ser loira e ter seios empinados não terá inteligência para perceber o mal que lhe fizeram? Pensam que por ser mulher é muito vulnerável e precisa de ajuda de um bando de gente que quer atenção? Tivesse a mulher umas grandes mamas de silicone com um grande decote e ninguém ficava indignado porque diriam que é uma oferecida e que estava mesmo a pedi-las. Vai-se a ver e no fim, de contas quem ficou indignado é que é machista.
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2 de agosto de 2017

Guia para não ser roubado num restaurante



Então, parece que há restaurantes que agem de má fé com turistas? Ah, estou em choque! Sempre pensei que fosse mito como o a espécie elusiva do taxista que nidifica nos aeroportos. Uma espécie de Big Foot português que só quem sofre de miopia e se esqueceu dos óculos consegue ver ao longe. Embora ache que só é burlado, num restaurante, quem quer, já que Portugal não é um país de mafiosos que te partem as rótulas se refilares e chamares a polícia, vou deixar um breve guia para diminuir os casos de aldrabice em restaurantes. É dirigido a turistas, mas vou escrever em português e eles, se quiserem, que aprendam a língua que este blogue não é um restaurante em Vilamoura.

Restaurante sem preços à porta é caro.
É o bê-á-bá da restauração na óptica do utilizador. Um restaurante sem uma ementa colada numa vitrina à entrada é daqueles que se leva demasiado a sério e acha que o cliente vai lá para ter uma experiência sensorial e não porque tem fome e precisa de comer e ficar satisfeito. Se o restaurante tem preços à porta e decides não ver porque tens vergonha de ser de classe média e só percebes que o prato custa 100€ quando te sentas e vês a ementa, tens duas opções: sair ou ficar e pagar. Se optares pela segunda só para parecer bem, és uma palerma e mereceste ser roubado. Sim, porque um prato a 100€ é sempre um assalto mesmo que tenha trufas pretas que só crescem no rabo do menino Jesus.

Ver ou perguntar sempre os preços antes.
Não quiseste ver os preços à porta para não dares ar de pelintra? A ementa não tem preços e não queres perguntar para impressionar a menina que trouxeste no primeiro encontro? Temos pena. Se te cobrarem 100€ por um bitoque só estás a ter o que mereces. Das duas uma: ou és rico e não te preocupas com preços, ou não és rico e não perguntas para pareceres que és rico e assim até te estão a ajudar, já que a melhor forma de pareceres rico é pagares 100€ por um bitoque de frango.

Perguntar o preço de coisas que não estão no menu.
Vamos assumir que és vegan e que pedes um bitoque sem carne nem ovo e que passaram aquela parte constrangedora em que o empregado pergunta se queres uma fatia de fiambre e queijo e dizes que não comes carne e ele pergunta se queres omeleta por aí fora. Chegam à conclusão que é só mesmo batatas, arroz e salada, prato que, obviamente, não está no menu da tasca. Pergunta quanto é, caso contrário não podes refilar quando na conta vier o mesmo preço que terias pago se comesses o bife. Se, no fim, te armares em esperto ao dizeres que o teu prato feito à medida não consta na ementa e que por isso não pagas, és um palerma. Sim, lamento, mas os vegans também podem ser palermas.

O que vem para a mesa é oferecido?
Algures na lei diz que o que vem ou está na mesa sem ter sido pedido é, por defeito, oferta da casa. No entanto, deves assumir que não é e não vale a pena armares-te em esperto e comer tudo para depois refilar. Pergunta primeiro porque ninguém gosta de clientes armados ao pingarelho. Outra comum é quando vem o empregado todo simpático a dizer que tomou a liberdade de trazer uns ovos mexidos com farinheira e que são cumprimentos do chef. Perguntem quanto custa, já que, normalmente, cumprimentos do chef quer só dizer que ele manda um «Olá, tudo bem?» para a mesa. Se for caro e não quiserem, mandem para trás tal como quando uma prostituta se faz a vocês no Tinder.

Se comeste uma azeitona, mais vale comeres todas.
Eu sei que é chato pagar por um prato de azeitonas quando só comeste uma e sabes que as restantes vão ser reutilizadas para os próximos clientes, mesmo que as tenhas metido na boca e chupado o azeite. Sabendo disso, já que vais pagar, mais vale comeres todas ou trazeres para casa. Não só é mais justo para ti, como evitas reciclagem de acepipes. Se comeste uma e engoliste o caroço só para no fim te armares em chico-esperto e dizeres que não pagas, és um palerma.

Quando o empregado sugere um vinho, é porque é caro.
Pedes um jarro de vinho da casa e o empregado diz que é melhor pedirem uma garrafa que é uma excelente pomada? Aceitas sem perguntar o preço? És patego. Pergunta quanto custa. Perguntar o preço das coisas não é sinónimo de ser pelintra, mas sim de quem trabalhou muito para ter o dinheiro que tem, seja pouco ou muito. Ninguém fica rico a gastar à parva sem se preocupar com o preço das coisas. Isso é só para quem já nasceu rico e não sabe o que custa a vida.

Manter registo das bebidas.
Estás num restaurante e já se pediram dez imperiais antes do jantar começar e já vieram vinte jarros de sangria para a mesa, só durante as entradas? Toma nota disso porque vai haver engano na ementa e em 99% dos casos é a favor do restaurante. Já deve haver uma app para este efeito que também podes usar quando te quiseres gabar de ser muito homem ao enumerares tudo o que já bebeste, enquanto tentas convencer um candeeiro de que estás sóbrio.

Sobremesas.
É nas sobremesas que, muitas vezes, os restaurantes fazem dinheiro. Há restaurantes em que o prato, sopa e bebida custam 5€ e depois uma mini fatia de bolo de chocolate custa 6€. É preciso ter atenção já que por alguma razão os empregados sabem sempre de cor as sobremesas que têm: para não terem de te trazer a lista e te assustar com os preços. Ah, e sempre que perguntares se a mousse é caseira lembra-te que nunca nenhum empregado de restaurante disse que "não" e, por isso, depois não te queixes se ela for caseira porque o preparado instantâneo foi feito em casa da cozinheira.

Confere a conta no final.
Tens vergonha de conferir a conta por teres medo que pensem que és pobre? Mereces ser enganado. Encontras uma entrada na conta que não comeste e decides não dizer nada para não pareceres um sem-abrigo? Mereces ser enganado. Bem sei que não conferes a conta quando vais ao hipermercado fazer as compras do mês, mas no restaurante é mais provável que se tenham "enganado". Se vires lá ver as entradas que não comeste, só tens de dizer ao empregado que houve um engano porque também não vale a pena começares logo a gritar que te estão a assaltar. Pode ter sido um erro inocente, pouco provável, mas pode.

Sair sem pagar é sempre uma opção.
Se tens a certeza que te estão a burlar e estás com demasiada pressa para chamar a polícia, ir embora sem pagar é uma opção válida. Ladrão que rouba ladrão tem um milhão de anos de perdão. Sim, eram menos anos, mas com a inflação agora é assim. Eles vão fazer o quê? Agarrar-te? Não. Chamar a polícia depois de te terem tentado burlar? Claro que não. Por isso, optas pela mesma política que está por trás destas armadilhas para turistas: «O turista só vem uma vez, podemos enganar e não é preciso fidelizar.» e usas a lógica do «Já que não vais voltar, podes sair sem pagar.». Não faças é a figura de um gajo que eu conheço que saiu sem pagar só porque sim e, depois, esqueceu-se e voltou lá passado um mês e foi reconhecido, claro.

Sê honesto que o karma é um prato gourmet.
Por fim, se reparares na conta que se enganaram a teu favor, avisa o empregado. Eu sei que custa ser honesto, mas assim podes queixar-te com mais legitimidade quando te tentarem enganar. Isso ou não digas que falta um prato na conta e deixas 10€ de gorjeta. No fundo, pagas o mesmo, mas fazes boa figura. Isto se preferires mandar pausa de rico em vez de honesto.


***


PS: Depois do verão vou estrear o meu espectáculo a solo de stand up comedy que vai passar por várias cidades. Se quiserem receber uma notificação por email quando as datas foram reveladas e os bilhetes estiverem à venda, deixem os vossos contactos neste link. Se não quiserem, partilhem este texto no botão em baixo ficamos amigos na mesma.
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31 de julho de 2017

Coisas e pessoas que vais encontrar este Verão



O verão é, para muitos, a melhor altura do ano. Férias, calor, praia, corpos morenos e seminus fazem parte desta estação. O verão está cheio de situações e clichés, algumas boas, outras nem tanto. Aqui ficam algumas.


O estrangeiro bêbedo
São seis da manhã, doem-te os pés, sentes-te velho e preparas-te para ir comer um cachorro quente e ir para casa, quando és abordado por um rapaz na casa dos vinte, de calção, chinelo e camisa branca só com dois botões apertados. Percebe-se que já vomitou, pelo menos, duas vezes e que já esteve a dormir meia hora no chão. O que é que ele quer saber a esta hora? Onde apanhar um táxi para ir para casa dormir? Não. Onde pode ir comer para curar a bebedeira? Não. Onde é o hospital mais próximo para beber um café e um saco de soro? Não. Ele quer sempre saber onde é que ainda há uma discoteca aberta a esta hora! Ele quer crazy party madafaca! Tu dizes que a esta hora já está tudo fechado e ele fica triste, dizendo que ainda está sóbrio pois só bebeu vinte cervejas, duas garrafas de jagermeister, dez shots de absinto, cinco gins e só fumou 10 ganzas e snifou 5g de coca. Sensibilizado por a noite dele ter sido tão fraca, dizes-lhe que talvez haja uma discoteca a 5km aberta mais meia hora. É o suficiente para ele ficar entusiasmado e te perguntar quanto custa um táxi para lá, ao que respondes que são 25€, já a contar com a taxa especial para turistas. Ele agradece e despedes-te sempre com a frase «Enjoy Portugal.», enquanto ele desaparece no infinito em direcção ao nascer do sol.


Crianças malcriadas
As crianças só são o melhor do mundo porque o verão só dura três meses. Tanto para os pais como para os que levam por tabela, as crianças são o pior do verão. Sim, ter filhos é muito lindo e essas coisas todas que vocês são obrigados a dizer, mas o que é certo é que com o dinheiro que gastam com elas podiam ter ido duas semanas para Bora Bora com regime de tudo incluído. Crianças a correr na praia e a levantar tempestades de areia enquanto soltam guinchos de matança do leitão têm o poder de estragar um bom dia de praia: a água está quente, há raparigas jeitosas em biquínis reduzidos, o senhor da bola de Berlim enganou-se no troco e acabámos por não pagar nada, tudo é idílico e uma espécie de dia modelo de umas férias de verão até que, do nada, duas crianças nuas passam ao teu lado a correr e te enchem a bola de Berlim de areia. Os pais pedem desculpa e olham para os filhos com aquela cara de «E se eu me enganar e te mandar ir à água antes de fazeres a digestão...?». 

Empregados que só falam inglês
A língua oficial do Algarve no verão é o inglês e por muito que isso nos faça confusão, a verdade é que são os estrangeiros que pagam as contas de quem tem negócios que vivem do turismo. No entanto, não conseguimos deixar de ficar indignados quando vamos a um bar na Rua da Oura e pedimos uma imperial e percebemos que o rapaz atrás do balcão só fala inglês. Na verdade, ele percebeu-nos e nós até sabemos inglês suficiente para dizer «Beer», mas apodera-se de nós o espírito maligno do PNR e pensamos «Que merda é esta? Isto é Portugal ou é Inglaterra? Primeiro os nossos!.», mas lá bebemos a nossa cerveja e vamos procurar inglesas promiscuas que já tenham bebido o suficiente para terem os padrões baixos e termos alguma hipótese.

Fotos cliché
Só é Verão a sério se tirares todas estas fotografias, caso contrário é como se estivesses emigrado no Pólo Sul a jogar à macaca com pinguins:
  • Pés na praia - só para o caso de alguém estar a pensar se terás ou não unhas encravadas.
  • Termómetro do carro - porque as pessoas precisam de ser avisadas quando está calor, caso contrário sairiam de casa de camisola de gola alta. Obrigado pelo serviço público.
  • Com um flamingo cor de rosa - a minha pergunta é: porquê? Porque sim? Bem me parecia.
  • Distraído a olhar para o horizonte - disfarças tão bem como quando passa uma gaja boa por ti e achas que olhas para o rabo dela sem a tua namorada perceber.
  • De costas com os braços no ar - esta foto só serve dois propósitos: mostrar o rabo porque é bom e/ou tapar a cara porque é má.
  • A foto da inveja - aquela foto das férias a dizer «Para fazer inveja aos meus colegas», mas o que tu não dizes é que és desempregado.
  • Com fatias de melancia ou ananás - sim, comes fruta tropical, mas os teus pneus de lado mostram que onde mais comes ananás é na pizza.
Pessoas a ler na praia
O verão é aquela altura em que as pessoas acham que vão retomar o hábito de leitura. Vão à FNAC e compram um livro do top que seja do Dan Brown ou do José Rodrigues dos Santos e levam-no a passear para a praia. Não digo do Chagas Freitas ou do Gustavo Santos porque a maioria das pessoas ainda tem um pingo de dignidade para ler isso apenas em privado. Fazem aquele ritual de chegar à praia e montar arraial, tiram a roupa e passam bronzeador, deitam-se e abrem o seu livro que tem o marcador ainda (e sempre) nas primeiras páginas. Lêem uma página e sacam do telemóvel para ver o Facebook e o Instagram e mandar uns áudios no WhatsApp a dizer «Miga, estou a fazer aquilo que há tempos andava para fazer e não é uma orgia que isso já fiz! É ler um livro! Até agora isto de juntar palavras com o pensamento é TOP!». Já que estão com o telemóvel na mão tiram uma fotografia ao livro para que toda a gente veja que vocês são mais do que uma cara bonita e que também se cultivam. Lêem mais uma página e entretanto são horas de ir para casa. No dia seguinte trazem a revista Maria escondida dentro do livro.

O pulseiras
Não chega tirar cinquenta selfies por hora e transmitir todos os concertos em formato de instastories? Não vá alguém ter dúvidas se foram mesmo a um festival que é melhor andar com os braços cobertos com as correspondentes pulseiras. Contam-se cinco festivais, quatro pubcrawls, uma pulseira de uma barraca de artesanato feito à mão que que toda a gente tem igual, mais a pulseira das urgências para fazer um aborto preventivo depois de uma festa da espuma. Sabem aquelas pulseiras que tinham de se usar e depois atirar ao mar e pedir desejos? Eram menos ridículas do que usar as pulseiras de festivais como adereços de moda. É para quê? Para parecerem pessoas mais interessantes? Porque não curtem relógios e é a única forma de ter 500€ no pulso? Para quebrar o gelo?

- Estou a ver que também foste à Expofacic...
- Fui! Temos em tanto em comum!
- Nem por isso, é que eu tirei a pulseira no dia a seguir quanto tomei banho porque sou uma pessoa com dignidade.
- Ahah LOL, és tão engraçado. Gostaste dos D.A.M.A.?
- Népia, fui mesmo pela música. 
- Que totó! D.A.M.A. é uma banda, não sabias?!
- Olha, tens umas mamas épicas, mas não vai dar.


Pessoas a beber cocktails
Caipirinha e Gin é coisa do passado. Agora a moda é beber um cocktail, pelado ou não. Achas que três euros por um sumo de laranja natural é um roubo, mas pagar 10€ por um bocado de Joy de maracujá com vodka do LIDL e uma folha de hortelã já é na boa, não é? Lá porque a bebida tem um nome que te faz lembrar algo que as meninas do Sexo e a Cidade bebiam e leva ingredientes que tu não conheces, não quer dizer que valha esse dinheiro todo. Ah, e o gajo que faz cocktails que agora não se chama barman, mas sim cocktail chef? Epá, és o DJ das bebidas e só estás a remisturar o que outros já criaram. Toma juízo, a sangria até já se vende em pacote.

O estrangeiro lagosta
Uma personagem mítica de qualquer zona costeira portuguesa em tempo de verão. O estrangeiro lagosta faz mais pela luta contra o cancro do que todas as campanhas de sensibilização já que é quando o vemos passar que nos lembramos de colocar protector. Só de o vermos sentimos a dor e imaginamos a noite terrível que ele vai passar quando tiver de roçar aquelas costas nos lençóis ásperos do hotel. O estrangeiro lagosta oscila entre o mal passado e o gangrena onde todo ele já é sangue pisado. Quando se nota mais que estamos na presença de um lagostim e não de um índio cherokee é quando vemos aquele que tem a marca da tshirt, exibindo um torso branco pálido de cadáver morto na sibéria, com uns braços, pescoço e pernas cor de tijolo.


Bancas que vendem coisas
Em qualquer cidade algarvia turística vês bancas que vendem cenas, mas as que mais me intrigam são as que ainda fazem dinheiro com tatuagens temporárias. Quando é que as tatuagens do Bolicao - que eram oferecidas - se tornaram num negócio sazonal? Quem é o cliente alvo destas bancas que fazem essencialmente tribais manhosas? Quem é que decide que o verão é a melhor altura para ser mitra? «Durante o ano vou andar de aspecto decente, mas chega o verão e vou meter alta tramp stamp temporária para perceberem que não ando nisto para casar.» Os gajos igual: «Vou aproveitar estas duas semanas para encarnar a personagem de labrego a ver se concretizo o meu fetiche de comer uma gaja das barracas.». As outras bancas são aquelas pelas quais és arrastado pela tua namorada, enquanto ela experimenta quinhentos colares de pedras verdes, azuis e vermelhas e te vai perguntando de qual gostas mais sem perceber que para ti são todos iguais. Compra dois ou três e quando estão a ir para casa diz sempre «Foram mesmo baratos... devia ter comprado mais dois ou três.». Tu compraste uns óculos escuros Rabo Ban por 5€ que vais partir ou perder nas próximas horas.

E é isto. Bem sei que muita coisa ficou em falta, mas conto convosco para completarem o texto nos comentários. Bom Agosto a todos e, se for caso disso, boas férias.


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PS: Depois do verão vou estrear o meu espectáculo a solo de stand up comedy que vai passar por várias cidades. Se quiserem receber uma notificação por email quando as datas foram reveladas e os bilhetes estiverem à venda, deixem os vossos contactos neste link. Se não quiserem, partilhem este texto no botão em baixo ficamos amigos na mesma.
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