23 de junho de 2017

Incêndios, cadáveres e pseudo feministas - Podcast #11



No episódio de hoje do podcast Sem Barbas Na Língua, falamos sobre o tema quente do momento, passe a expressão: os incêndios em Portugal. Falamos sobre o frenesim dos media e a cultura da tragédia alheia e do cadáver amestrado da Judite. Ainda há tempo para a rubrica «Coisas que nos fazem comichão» onde falamos sobre pseudo feministas e restaurantes sem higiene. Peço desculpa pelo som que desta vez ficou manhoso. Que não seja por isso que deixem de ouvir e, se gostarem, subscrevam e partilhem.



Podem ouvir e subscrever o podcast nas seguintes plataformas:
Subscrevam e partilhem, obrigado e não se fala mais nisso.
Ler mais...

21 de junho de 2017

Pesadelo numa Repartição das Finanças



Bem sei que ainda só se fala sobre os incêndios, mas eu também tenho desgraças na minha vida quase tão graves e que precisam da vossa atenção. Ontem, passei o dia nas Finanças. Ontem, que foi o dia mais longo do ano, decidi utilizar todas essas horas de sol para me enfiar em repartições das Finanças. Sim, repartições, plural, mas já lá vamos. Digo-vos que já estive em funerais mais animados e, tal como nos funerais, não fui às Finanças por gosto, mas sim por necessidade que calculo ser a razão que leva toda a gente a colocar os pés numa repartição, seja cliente ou trabalhador. Acontece que submeti o IRS e parece que houve divergências, sendo que a palavra «divergências» dita pelo Estado quer dizer «Olha que nós temos sempre razão e provavelmente vais pagar multas e cenas.». Fui notificado para esclarecer essas divergências e, como bom cidadão que sou, fui logo, a correr, resolver a situação porque ficar a dever alguma coisa ao Estado é pior do que ficar a dever ao Pablo Escobar, com a diferença que a plata és tu que a tens de dar. Lá fui, de manhã, para as Finanças de Alvalade. Chego por volta das 10h, tiro a senha e calha-me o número da sorte 83. Olho para o monitor e vejo que ia na senha 40. Nada mau. Tudo o que seja não ter de dar a volta é bom.

Felizmente, as filas das Finanças ainda não são como as outras filas em que os velhos têm sempre prioridade, caso contrário, em Alvalade, a única forma de seres atendido era esperares até chegares a velho.

Faço aquele pequeno ritual de esperar uns 20 minutos e perceber a que velocidade é que aquilo está a andar. Vejo que, nesses 20 minutos, o número avançou até ao 45 e recorrendo-me dos imensos conhecimentos matemáticos que adquiri ao longo de oito anos de curso de engenharia, percebo, através de uma regra de três simples, que a este ritmo iria demorar, sensivelmente, duas horas e meia. Fui ao café, aos correios, fazer compras para o mês e li Os Maias duas vezes. Voltei, passada hora e meia, com medo de já ter perdido a minha vez mas, felizmente, ainda faltavam 20 números! Ufa, que alívio. Lá esperei, desta vez sentado ao lado de todas as outras pessoas que estavam ali com cara de enterro. Já a espera ia longa e eis que recebo o que me pareceu ser um sinal da existência divina: do 75 ao 82 ninguém se acusou para ser atendido. Tinham desistido ou falecido, seja como for, ainda bem. Ao ver o meu número no ecrã, levanto-me como se tivesse uma mola nos glúteos e tivesse feito bingo. Aproximo-me do balcão, digo bom dia e sento-me:

- Então parece que tenho umas divergências no IRS... - afirmo.
- Acontece, vamos lá ver isso então - diz a senhora, sorridente - dê-me o seu cartão do cidadão.
- Ora aqui está.
- Hum... não pode tratar das divergências aqui, tem de ser nas Finanças da sua zona. - diz-me.
- A sério? - pergunto, incrédulo.
- Pois, é Amadora Zona 3. - confirma.
- Não sabia... - digo como olhar de Bambi ao ver a mãe a morrer.
- Divergências é sempre na repartição da zona onde mora - diz como se fosse uma informação veiculada, diariamente, nos media.
- Pronto, ok, mas pode dar-me uma ideia do que é? - tento.
- Ah sim, podemos ver aqui. Não podemos é resolver. - diz.

Lá estive com a senhora a tentar perceber o que teria acontecido e ao que parece eram questões com as retenções na fonte de alguns recibos verdes. Nada de grave, mas o mais simples erro com o Estado pode significar ter de ir de ir alugar o rabo para o Parque Eduardo VII para pagar as dívidas. Pelo que vi o erro não seria meu, mas sim de uma das entidades que me pagou. Menos mal, à partida. Descansei, agradeci, comi um rissol no café do lado e pus-me a caminho das Finanças da Reboleira.

Chego lá às 14h do dia 21 de Junho de 2017, mas parecia que tinha chegado no ano de 1980.

Pensei que o meu velhinho Clio, acabado de vir da oficina, fosse agora um DeLorean, por engano do mecânico, e me tivesse feito regressar ao passado distante onde há ventoinhas com fitas esvoaçantes em vez de ar condicionado, ecrãs CRT com protecção para os olhos, e pessoas que apenas utilizam o dedo indicador para teclar. Parecia que estava dentro de um episódio do Duarte & Companhia com a diferença de que agora já ninguém pode fumar dentro dos escritórios. De resto, tudo igual. Tal como existe o andar modelo na venda de imobiliário, aqui parecia ter encontrado a repartição museu, parada no tempo, resistente às intempéries e com alguns trabalhadores que pareciam fossilizados. Tiro uma senha, daquelas do talho porque o digital podia destoar e sai-me o número 29. Ia no 20 e celebrei por dentro ao achar que iria demorar pouco. Esqueci-me que estávamos em 1980 e que, como tal, 9 senhas equivaliam a 50, já que aqueles computadores precisam de ser reiniciados a cada operação de somar na calculadora do Windows. Ao ver aquele oásis perdido num mundo cada vez mais tecnológico, decidi recorrer ao meu telemóvel, mais potente do que todos aqueles computadores juntos, e tirar uma fotografia para ilustrar este texto que pensei logo em escrever. Sinto uns passos a aproximarem-se na minha direcção e oiço uma voz:

- Peço descupaaaa... o senhor estava a tirar uma fotografiaaaa? - diz uma senhora.
- Sim. - respondo.
- Sabe que não pode tirar fotografias aquiiii? - pergunta.
- Não, por acaso não sabia. - digo.
- Vou ter de pedir para apagar a foto, simmmm? - pergunta num tom desagradável.
- Sim, sem problema. - digo enquanto procuro na galeria de imagens.
- É que não pode tirar fotografias aqui... percebeuuuu? - pergunta no mesmo tom.
- Sim. Já apaguei. - respondo, mostrando-lhe o telemóvel.
- De certezaaaa...? - desconfia.
- Sim. - afirmo.
- Prontoooo... - diz enquanto se afasta.
Como podem ver pelo arrastar da última sílaba de cada palavra, ela utilizou um tom paternalista e arrogante. Há uma diferença entre dizer «Peço desculpa» e «Peço desculpaaaa....», enquanto se faz um sorriso falso.
- Não precisa é de ser arrogante, sabe? - digo, não me contendo.
- Desculpeeee? - diz, virando-se para trás.
- Que pode dar-me a informação e pedir para apagar sem ser arrogante. Não é preciso. - sorrio, ironicamente.
- Eu fui arroganteeee?!?!?!?! - muda o tom.
- Pareceu-me.
- Fui arrogante? Eu fui arrogante? - perguntando a toda a gente que lá estava sentada, à procura da aprovação. - Vê, ninguém acha que eu fui arrogante. - diz, depois de ninguém se manifestar contra nem a favor já que ninguém quer desautorizar a pessoa que a seguir as pode tramar com os impostos. É como arranjar stress com um empregado de mesa antes de sermos servidos ou com um cabeleireiro antes do corte. Foi pouco inteligente da minha parte, bem sei, mas não me contive.
- Pronto, se calhar eu fiz confusão. Está calor aqui e posso ter interpretado mal. - digo, a tentar desanuviar.
- Pois, deve ter sido. Se eu fosse arrogante tinha chegado aqui e tirava-lhe o telemóvel para apagar as fotografias! - diz ela, reacendendo a chama de um problema que já estava resolvido.
- Sabe que não pode fazer isso e isso não era ser arrogante, era ser parva até porque não iria conseguir tirar-me o telemóvel e podia aleijar-se.
- Humpf... - resmunga enquanto vira costas e vai embora.

Nisto, fico em modo de alerta à espera que aparecesse um qualquer agente da autoridade a tentar fazer-me um mata-leão. Comecei logo a rever as aulas de jiu jitsu, mentalmente, para me recordar das várias técnicas de inverter a posição, fazer uma chave de braço ao polícia e mamar-lhe da boca que, segundo me ensinaram, é a melhor técnica para acabar um combate. Ninguém que anda à luta está preparado para aquilo se transformar numa violação homossexual, anotem que pode dar-vos jeito no futuro. Bem, sanado o conflito, lá esperei uma hora até que sou atendido. Sento-me:

- Boa tarde, parece que tenho umas divergências no IRS. - digo.
- Ora vamos lá ver isso, diga-me o seu número de contribuinte e vamos lá ver o que é que se passa. - diz a senhora, sorridente.
- Pelo que vi nas Finanças de Alvalade tem a ver com uma entidade que não submeteu todos os recibos - advirto.
- Ah, já sabe? Então porque é que não tratou das divergências lá em Alvalade? - pergunta, confusa.
- Porque me disseram que tinha de ser aqui... - respondo.
- Porquê? - insiste.
- Porque disseram que tinha de ser na zona de residência... - digo.
- Não tem. Pode fazer onde quiser. - diz, para meu espanto.
- Ai é? Então ando eu aqui a perder tempo para nada?
- Pois, o colega lá de Alvalade não sabe nada, está visto. - brinca dizendo a verdade.
- Eu a pensar que eu é que era ignorante, afinal a senhora que me atendeu é que é incompetente.
- Ah ah, há um mês que se pode fazer onde se quiser, mas há quem não queira ter trabalho, sabe como é... - diz.
- Pois... depois ficam todos com má fama.
- Ora nem mais. Nem mais.

Não vou usar o nome verdadeiro desta senhora que me atendeu nas Finanças da Reboleira porque isto pode chegar até lá e ela não querer o protagonismo, por isso, vou usar o nome fictício de "dona Impecável" porque foi isso que ela foi: IM-PE-CÁ-VEL. Viu e reviu tudo, sempre sorridente, enquanto fazia contas numa calculadora dos anos 50, daquelas que sai papelinho, e anotava e voltava a fazer as contas para garantir que estava tudo certo. A situação não era trivial e esteve mais de uma hora a tentar perceber o que se passava e a melhor forma de resolver, mesmo já se tendo fechado a porta das Finanças e passado do horário de fecho das 15.30h. Nem com isso, por um segundo, tentou apressar-me e fazer as coisas a despachar e, mesmo quando eu já estava satisfeito voltou a confirmar, a imprimir tudo e deixar notas para garantir que se o problema voltasse a acontecer seria mais fácil de resolver. A meio da caça ao problema, onde eu ia mandando bitaites aleatórios sobre as potenciais causas, ela diz-me: «Eu até gosto disto. Quando é fácil não tem piada, isto assim é um desafio, parece um puzzle e temos de juntar as peças e perceber o problema.». 

A dona Impecável, nos seus cinquentas, a trabalhar numa repartição das Finanças, com a má fama de incompetente que isso acarreta, sem ar condicionado e com este calor, tinha gosto naquilo que fazia e isso fazia toda a diferença.

Saí de lá com o problema resolvido e mais do que isso: percebido. Uma coisa é saber que dois ao quadrado é quatro, outra é saber porque é que é quatro. Se toda a gente fosse como a dona Impecável, não havia piadas com funcionários públicos e repartições das Finanças. Felizmente, para mim que gosto fazer humor, que também há a dona Otária que me mandou ir a outro lado porque não queria trabalhar e a dona Arrogante De Merda que acreditou que eu tinha apagado a fotografia. 

Ler mais...

20 de junho de 2017

Só por curiosidade mórbida...



Todos sabemos que o ser humano tem uma atracção especial pelo que é mórbido. O exemplo típico disso é quando abrandamos o carro para ver um acidente, na esperança de podermos ver se é grave e estimar os estragos materiais e as perdas humanas através do vislumbre de sangue no chão, chapa amolgada e da quantidade de ambulâncias no local. Todos refilamos quando vemos que o trânsito, afinal, era por causa de um acidente na via contrária, mas ao passarmos pelo local também abrandamos e damos uma olhadela de relance para satisfazer a nossa curiosidade mórbida. Acontece o mesmo com as tragédias que enchem todos os jornais e especiais de notícias de horas e horas. Seja com os atentados ou, agora, com a tragédia dos incêndios que se abateu no nosso país mal-habituado a catástrofes desta dimensão, felizmente. Há um cantinho tenebroso e recalcado do nosso cérebro que espera que, de cada vez que se actualizam as notícias, o número de mortos tenha aumentado. «Isto ainda vai aos 100 mortos!», pensamos. Não ficamos tristes por não haver mais mortos, tal como não ficamos contentes se os houver, atenção, mas ficamos, à falta de melhor palavra, desiludidos da mesma forma como quando olhamos para um acidente no trânsito e afinal foi só um toque de chapa.

Há uma linha ténue entre informar e o entretenimento. «Morreram 64 pessoas» é informação, mas dizê-lo narrando uma montagem de imagens tristes em câmara lenta com uma música de fundo triste passa a ser entretenimento. Factos com uma roupagem elaborada para puxar à lágrima são entretenimento macabro. Uma das razões pelas quais vemos este tipo de notícias é para pensarmos como seria se fossemos nós a lidar com aquilo. Tínhamos dado meia volta na estrada? Feito marcha-atrás porque o carro tem o motor à frente e é melhor bater de trás sem ficar com o carro parado? Íamos a correr pela berma com um lenço ensopado em água do limpa-para-brisas? Tudo isto nos passa pela cabeça e está provado que assistir a tragédias nas quais há testemunhos de sobreviventes nos pode ajudar a não morrer caso desgraça parecida nos bata à porta. Uma vez vi uma entrevista de um gajo nu, na rua, que tinha saído de casa antes do prédio colapsar com um terramoto, sem tempo de se vestir porque estava a dormir sem roupa. Depois disso, de cada vez que me encontro todo nu na cama, antes de adormecer vou vestir uns boxers porque me lembro dessa situação constrangedora.

Ainda por cima, de noite está mais frio e era uma vergonha aparecer a Judite ao meu lado a fazer uma reportagem quando estou todo mirrado. 

Esta curiosidade mórbida pode justificar o facto de a grande maioria das notícias que fazem as manchetes dos jornais ser negativa. A maioria de nós vive num mundo fixe, sem guerra, sem fome, sem crime. Esquecemo-nos que a maioria do mundo não é assim e ficamos surpreendidos quando vemos notícias negativas, especialmente se forem perto de nós. Imaginem um telejornal em que todas as notícias eram positivas, com coisas boas que tinham acontecido a outras pessoas e feitos fantásticos que outros tinham praticado. Íamo-nos sentir uma merda. Por muito que nos custe, os jornalistas não devem criar ondas de solidariedade porque assim estão a distinguir entre tragédias de maior e de menor valor e a dizer que as pessoas enquanto indivíduos não valem o mesmo. As vidas só valem se forem à palete e se a tragédia for em grande. Porque é que se recolheram toneladas de alimentos para os bombeiros e se assobia para o lado quando nos entregam o saquinho do banco alimentar contra a fome? Todos nós temos as nossas causas e não é isso que está em causa, passe a expressão: o que está em causa é dar-se um litro de água para ajudar um bombeiro ou dar cinco euros para a conta solidária e acharmos que somos as melhores pessoas do mundo e que podemos dar lições de moral aos outros. Fixe, ajudaste. Seja para te sentires bem ou não o que interessa é que ajudaste, mas feitas as contas continuas a trazer muito mais mal ao mundo do que bem, directa ou indirectamente. Todos nós. Somos um capricho do universo que tal como o fogo consome tudo por onde passa e deixa destruição atrás com o nosso consumismo desenfreado.

Por muito que nos queiramos colocar num pedestal de empatia face às aos outros, o que é certo é que o nosso sofrimento enquanto observadores de uma tragédia dura pouco. Todos nos emocionámos ao ouvir aquele homem que perdeu a mulher e as duas filhas, no entanto, ele irá continuar a sofrer o resto da vida e nós, para a semana, já nos esquecemos.

De que serve esta compaixão lusco-fusco quando aquele homem vai passar os aniversários das filhas, da mulher, natais, dias do pai, aniversários de casamento, num sofrimento inimaginável? Nada. Não serve de nada.

Sabermos que não serve de nada deixa-nos impotentes e é isso que nos leva a canalizar a nossa frustração para outros sítios: quem tem culpa? O Governo? Os particulares que não limpam as matas? Os Koalas que gostam de eucaliptos? As pessoas que fazem piadas com tragédias? A CMTV? A Judite? Chamem-me cínico, mas se descobrissem que a única forma de acabar com os incêndios era acabar com os eucaliptos e que, por um efeito borboleta qualquer de uma cadeia de valor que desconhecemos, os iPhones iam aumentar de preço para o dobro devido a isso, queria ver como é que ia ser. Todos queremos culpados desde que não sejamos nós. Todos queremos soluções desde que não tenhamos de abdicar de nada.

Entre o incêndio no prédio de Londres e os de Pedrogão Grande qual é a diferença? Um foi no Reino Unido, outro em Portugal, sim, mas eu, como a maioria dos portugueses, não conhecia ninguém que tenha morrido nem em um, nem no outro. Porque é que me sinto mais triste por terem morrido portugueses do que ingleses? É toda uma escala de percepção de valor subjectiva que colocamos nas vidas alheias. Haverá várias explicações sociológicas e evolutivas que nos fazem sentir mais empatia pelo que nos é, aparentemente, mais próximo e uma delas posso especular que seja «Ui... tão perto! Podia ter sido comigo! Fogo, ainda bem que não foi.». Num lar de idosos, sempre que morre alguém os outros utentes ficam de rastos mesmo que não se dessem bem com quem se foi. Porquê? Por empatia, em parte, mas porque a morte dos outros lhes lembra que os próximos podem ser eles. Num mundo não muito distante, os privilegiados serão imortais e quem tem poucas posses irá continuar a morrer. Nesse sentido, quem viver na imortalidade pode perder toda a empatia e o que faz deles humanos já que a morte dos outros não lhes irá recordar o seu sofrimento ou a sua finitude. Se calhar isso justifica por que é que quem acredita na imortalidade e no paraíso muitas vezes se rebente sem compaixão pelos inocentes que leva consigo.

Todos os anos morre gente nos incêndios, mas desta vez morreram mais. No entanto, para quem perdeu os familiares é igual terem sido só eles ou eles e mais cem. Será, até, uma consolação mórbida o facto de não terem sido os únicos. Parece menos injusto quando morre muita gente da mesma causa já que a pergunta «Porquê a mim?» é feita por muitos e percebe-se a ausência de resposta ou um inevitável «A vida é mesmo assim...». Deixem-me fazer de advogado do diabo com tudo o que isso implica que é dizer coisas com as quais posso não concordar. No verão de 2015 morreram duas pessoas num incêndio que como foram só duas não tiveram direito a tanta cobertura dos media nem a ondas de solidariedade. Logo, não houve ajudas, nem dinheiro, nem nada. Parece injusto, não? Porque é que ajudamos uns e não ajudamos outros? Porque é que só queremos ajudar em tragédias grandes e nas pequenas fingimos que não é connosco? Será porque as grandes acontecem menos vezes e assim não temos de ajudar tantas vezes? Será porque ajudar nas pequenas não nos faz sentir tão bem como ajudar nas grandes? Se assim for, será que a nossa empatia por grandes causas não é egoísta? Lembrem-se que estava a fazer de advogado do diabo! Estou apenas a filosofar em voz alta qual Nietzsche da Buraca que não sabe bem o que diz, mas que gosta de fazer perguntas, mesmo que erradas porque muitas vezes são essas que originam as respostas certas.

Talvez eu seja um cobarde que não gosta de encarar a realidade, mas a verdade é que me faz confusão. Afecta-me a sanidade mental ver horas ininterruptas de desgraças. Se de cada vez que fosse jantar fora o menu do restaurante tivesse fotografias de crianças a morrer à fome em África eu passava a só comer em casa. Todos nós temos mecanismos para lidar com o estado do mundo e um deles é o humor. Depois de ficar com lágrimas nos olhos ao ver desgraças alheias, sacudo isso pensando em piadas horríveis que nem sempre as digo em voz alta. Não que não tenha coragem, mas feito o peso entre a piada e o potencial de ofensa, acho que não valem a pena. Haverá sempre quem não perceba isso e pense que empatia é querer ver todas as imagens horríveis e ir pesquisar fotos dos cadáveres no Google e expressar um sentido «Q'horror!». Outros pensam que empatia é escarrapachar um #PrayForPortugal em bold. Ultrapassa-me essa forma de compaixão.

Não sou religioso e acho que rezar está para ajudar como oferecer meias está para o Natal: é de quem não quer ter muito trabalho.

Percebo que faça sentir melhor a quem reza, mas, à partida, é só mesmo isso que faz. Mas pronto, é um facto que mal, à partida, também não vai fazer... a não ser que exista Deus e o Diabo, e o Diabo fique ciumento de estarem todos a rezar a Deus e decida mandar mais uns raios cá para baixo e incendiar mais umas matas. Não sei, quando estamos no campo da fantasia tudo é possível.

Ver pessoas a chorar os seus mortos na televisão é terrível. Aperta-nos no coração, deixa-nos a voz embargada e inunda-nos os olhos de água para apagar o fogo da tristeza. Não sou neurocientista nem psicólogo, mas diria que o processo no nosso cérebro sempre que se vê uma tragédia alheia é a seguinte:
  1. Sentimos um soco no estômago;
  2. O nosso cérebro envia sinais de desconforto ao nosso corpo;
  3. Choramos e pensamos «Coitados.»
  4. Sentimo-nos boas pessoas por empatizar com a desgraça dos outros.
  5. Sentimo-nos aliviados por não ser connosco.
  6. Achamos que vamos passar a valorizar mais o que temos e a queixarmo-nos menos das coisas pequenas do dia a dia.
Acrescentaria que nos dias de hoje o passo 7 é irmos para o Facebook indignar-nos ou mostrar que somos solidários apenas para mostrar aos outros o quão boas pessoas somos. Diria que o ponto 6 é uma das razões pelas quais somos viciados em ver desgraças alheias. Sim, temos empatia e é bom sentirmo-nos seres humanos decentes que empatizam com o seu semelhante, mas é o sentimento egoísta de que vamos mudar de vida. De que vamos passar a ser mais felizes por termos a sorte de estar vivos. De que vamos dar importância às pequenas coisas da vida e ser mais felizes. É como ver um filme inspirador que achamos que nos vai mudar os hábitos logo de manhã. Não vai e, como tal, precisamos de ver outro para voltar a ter essa sensação de renascimento. É a razão pela qual as pessoas nunca compram só um livro de autoajuda. Precisam daquele sentimento ao acabar o livro de «Vou mudar de vida!». A maioria fica na mesma e precisa desses minutos de "novo eu" outra vez. É o que está na génese daquele pessoal que faz viagens a países para ver os pobrezinhos. Há uns anos estava na moda ir à Índia e levar umas canetas para ajudar as criancinhas e vir de lá com um sentimento de «A minha vida até é bem boa e eu só me queixo...».

Consumimos o sofrimento dos outros. «Pimenta no cu dos outros é refresco.» e «Lembra-te que há sempre quem esteja pior.» são frases ditas amiúde e que comprovam isso. Há estudos que concluem que ao vermos outras pessoas em sofrimento o nosso cérebro processa essas imagens como se o sofrimento fosse nosso, tornando assim a empatia numa dor real. Há outros estudos que dizem que a empatia não é mais do que o nosso cérebro a reproduzir o nosso próprio sofrimento do passado por vermos outros a sofrer. Sentir tristeza por outros pode não ser mais do que estar triste por nos lembrarem que já estivemos tristes. A ser assim, somos todos egocêntricos, mesmo nas alturas em que pensamos estar a ser o mais despojados de ego possível. Há, também, estudos que dizem que a empatia impossibilita a mudança do mundo já que, por exemplo, a empatia nos faz dar várias pequenas esmolas que nunca mudarão nada e que esses pequenos actos de compaixão nos impedem de reunir forças para praticar o bem em grande escala e ter, realmente, impacto no mundo.

Não estou a dizer para ajudarem ou não. Não tenho soluções, só tenho perguntas.

Foi só um desabafo e uma introspecção sobre de onde vem esta coisa que chamamos compaixão que nos parece distinguir de todos os animais. Talvez seja por sermos os únicos animais que sabem que a sua existência é finita. Talvez seja esse medo da morte que faz com que nos unamos apenas quando a vislumbramos. Só é pena é que, bem vistas as coisas, a única forma de sermos um povo unido e solidário é esta merda arder toda de norte a sul.
Ler mais...

18 de junho de 2017

Formas de evitar tragédias como a de Pedrogão Grande



É incompreensível uma tragédia como o incêndio em Pedrogão Grande quando basta ver as redes sociais para perceber que Portugal está inundado de especialistas em incêndios. Toda a gente sabe de quem foi a culpa e como é que os bombeiros devem apontar a mangueira para extinguir as chamas. Vendo tamanho conhecimento espalhado nas redes, não quis ficar atrás e decidi dar algumas ideias que podem ajudar a prevenir que tragédias como esta se voltem a repetir. Sinto que o área do combate aos incêndios está muito ultrapassada: vivemos num mundo em que se leva homens à Lua, se aterra robôs em Marte, se faz fissão nuclear de átomos para obter energia limpa, se fazem vídeos HD com telemóveis, mas ainda se apagam fogos com mangueiras. Por isso, deixo aqui algumas ideias inovadoras que podem ajudar a combater este flagelo:

1- Um primo de um ministro cria uma empresa de limpeza de matas que é contratada por adjudicação directa. Vão ver que aí já há orçamento.

2- Todos os familiares dos deputados compram um helicóptero que depois podem alugar a preço inflacionado para ajudar a combater os incêndios. Por vezes a corrupção pode ajudar a mobilizar os dinheiros públicos para onde fazem falta.

3- Fazer como as mulheres que retiram os seios preventivamente para evitar futuros cancros: desbastar a floresta toda bem rente ou queimar com napalm para nunca mais crescer lá nada. Estamos num brainstorming, não há ideias estúpidas.

4- Criar uma app para apagar incêndios! É uma app que não serve para nada como quase todas as apps, mas por ser uma app vai atrair investimento, especialmente se for à Web Summit.

5- Em vez de os bombeiros pedirem donativos de bens alimentares via Facebook, que tal o Continente e o Pingo Doce chegarem-se à frente? Como contrapartida, os bombeiros, enquanto combatem as chamas, viram-se para a câmara e dizem «Uau, este sumo marca Continente vem mesmo a calhar neste momento de calor infernal!» enquanto bebem o pacote com o logo virado para a câmara. Quem não quiser esperar pelas grandes superfícies e quiser ajudar, pode ver aqui como e onde fazer. Também há uma campanha de crowdfunding a decorrer aqui.

6- Os governantes trocam os seus Mercedes e BMWs topos de gama por Renaults Clio em segunda mão e usam o dinheiro que pouparam para comprar viaturas de combate aos incêndios. O meu Clio de 2002 tem ar condicionado, por isso era na boa.

7- Na mesma linha, deviam trocar a viatura oficial do Marcelo Rebelo de Sousa por um carro dos bombeiros já que ele é sempre o primeiro a chegar a todo o lado. O camião dos bombeiros teria dois canhões: um de água e outro de afecto.

8- Trocar as armas dos militares por bisnagas e mobilizar o exército para combater as chamas. Incêndios são todos os anos, guerras não tenho visto nenhumas por cá. De qualquer da forma, as bisnagas podem ser realistas e servem na mesma para patrulhar e essas cenas que os militares fazem num país sem guerra.

Bem sei que algumas medidas são populistas, mas ao menos tentei dar algumas ideias criativas e fazer parte da solução e não do problema. Agora vou ali à praia que estou a morrer de calor. Sem ofensa.
Ler mais...

16 de junho de 2017

A moda do gin com salada lá dentro



E os gins que continuam na moda? É verdade. Vieram para ficar, está visto. Às vezes penso em quem terá iniciado esta moda do gin de balão com salada lá dentro. Terão sido as marcas de gin, de água tónica ou os agricultores de pepinos? Imagino uma espécie de agricultor hipster de pepinos, que já os cultivava antes de serem cool, a ser gozado pelos seus colegas que plantavam batatas e outros legumes e tubérculos mais mainstream:

- Ó Manel, como foi a venda no mercado?
- Muito fraquita. Só me levaram meia dúzia de pepinos.
- Também para que plantas tu pepinos? Ninguém gosta disso! É um nicho muito pequeno! Tens de plantar é batatas e agradar às massas, e não estou a falar de esparguete.
- Isso não é desafio para mim. Pepinos é que é! Um dia vocês vão ver! O pepino tem finalidades nutricionais, estéticas e recreativas! (como escrevi neste texto)

Nisto, o Manel incumbiu-se da missão de fazer do pepino um dos vegetais mais consumidos no mundo e juntou forças ao gin Hendrick’s. Começaram a fazer campanhas publicitárias e a trazer o gin de volta, mas desta feita com pepino lá dentro. Agora o Manel é o agricultor mais rico lá da terra dele porque cada rodela num gin custa 5€. Vai buscar. Todos os outros agricultores querem plantar pepinos e o Manel goza com eles dizendo «Já plantava isso antes de ser fixe plantar isso.» enquanto ajeita a sua echarpe roxa e ajusta os seus óculos de ver de massa sem lentes. Bem, talvez não tenha sido assim que tudo aconteceu, espero que não sigam este blogue a contar com factos históricos, mas o que é certo é que o gin está para ficar. Eu tenho uma dicotomia de sentimentos em relação ao gin: por um lado gosto de um bom gin, por outro lado acho que é uma moda meio parva, a começar logo pela preparação: tem de se passar o gelo no copo para ficar gelado, tem de se passar folhinhas de menta e casca de limão nas bordas para aromatizar, depois uma baga de zimbro, uma folha de louro, um cardamomo, um bocado de laranja, dois dentes de alho, vinagre balsâmico e um patinho de borracha para enfeitar. No fim, o pior, tem de se deitar a tónica numa colher em espiral para não quebrar as bolhinhas frágeis da menina. Com isto tudo, se estás numa fila de cinco pessoas no bar e todas pedem um gin, só vais beber quando já tiveres fome e talvez seja por isso que metem uma salada para dentro do copo. Fazem isto tudo que é para depois no fim quando te pedirem 15€ pelo gin tu pensares «Epá sim senhor, o gajo até teve bastante trabalho com isto.». Tretas. Em casa meto duas rodelas de pepino no copo, gin lá para dentro sem ser preciso medidor, e água tónica a encher o copo.

Qualquer dia o gin une-se ao sushi e o balão vem com bocados de alga e um peixinho dourado vivo, com duas palhinhas especiais que servem de pauzinhos para comer.

Claro que quando o gin é do carrascão (não vou estar a acusar marcas), que se comprou para a passagem de ano, convém meter o máximo de cenas para dentro do copo para disfarçar o sabor a morte de fígado. Até açúcar e um peito de frango grelhado se deve adicionar. Agora, quando o gin é bom (como o Hendrick’s que fez parceria comigo para escrever este texto), até podem beber da garrafa, desde que de forma responsável, se é que isso é possível.

***

Em honra do gin simples porque a qualidade é boa e não precisa de ficar camuflado na salada, o Hendrick’s criou o Dia Mundial do Pepino cujas celebrações incluem a festa "A Cidade Labiríntica do Sir Pepino", na bela cidade do Porto, dia 17 de junho. Podem ver mais informações aqui e aqui.
Ler mais...

14 de junho de 2017

O pepino é o melhor amigo da mulher



Hoje celebra-se o Dia Mundial do Pepino e, por isso, vou contar-vos uma bonita história sobre um pepino chamado Zé. Zé era um pepino com um índice de massa corporal acima da média. Um pepino de ossos largos ou, se preferirem, gordo. O Zé vivia num cesto no mercado do Bolhão, no Porto, juntamente com outros pepinos que faziam pouco dele por ser roliço e o faziam sentir-se mal com a seu diâmetro balofo. O Zé queixou-se à comissão de proteção dos pepinos a dizer que sofria bullying, diariamente, mas ninguém fez nada.

Certo dia, uma mulher, cliente do mercado, agarrou num daqueles sacos de plástico que ainda não se pagam, e levou uns quantos pepinos com ela. Pela primeira vez, o Zé, que era sempre preterido em relação a outros pepinos mais maneirinhos, também havia sido escolhido para esta viagem que culminaria em sacrifício dos pepinos. Os pepinos estavam contentes e ansiavam por tal fim em prole de um bem maior do que eles.

Chegando a casa da mulher, faziam apostas sobre a utilidade que lhes seria dada. Fins de beleza, nutricionais ou práticos? Só o tempo o diria.

O primeiro pepino foi cortado às rodelas para servir de máscara de beleza e melhorar os bicos de papagaio da mulher. Um fim digno para qualquer pepino que se preze que ainda poderá ter a sorte de ser fotografado e colocado no Instagram de uma qualquer blogger de moda.

O segundo pepino foi, também, fatiado, mas desta feita para uma salada de alface. O verão está aí e ajudar a manter a linha é um dos objetivos de qualquer pepino.

O terceiro pepino teve um dos fins mais nobres de qualquer pepino nos dias de hoje: para aromatizar um gin Hendrick’s. Talvez o único sítio onde o pepino não sabe mal, se é que querem saber a minha opinião. Não é que saiba mal noutros gins, mas foi com o Hendrick’s que fiz parceria para escrever este texto.

O quarto pepino foi cortado pelo namorado da mulher quando ela lhe pediu para ir preparando as courgettes para o jantar que, como a maioria dos homens, não soube distinguir um pepino de uma courgette. Um sacrifício desnecessário, pensam? Não, já que depois o usou para engraxar os sapatos. Sim, pepino serve para deixar os sapatos brilhantes segundo a minha pesquisa no Google sobre as utilidades do pepino. Foi um risco essa pesquisa, especialmente na zona das imagens.

Nisto, já todos os pepinos gozavam com o Zé a dizer que ele tinha sido comprado por engano e que nunca seria utilizado para nada. O Zé acabrunhava-se no canto do saco de plástico pousado na segunda prateleira do frigorífico, tímido e com medo de perecer oxidado, encarquilhado e malcheiroso e de ver a sua vida sem propósito deitada ao lixo. Nem os gatos vadios o iriam comer, como se pode ver em vários vídeos da Internet de gatos assustados com pepinos.

O quinto pepino foi inteiro para uma liquidificadora para ser triturado juntamente com espinafres, brócolos, cenoura e gengibre. Uma sopa? Não, um sumo detox daqueles que sabem tão bem como óleo de fígado de bacalhau deixado ao sol durante um verão inteiro. Fazem bem? Devem fazer melhor do que um gin (menos Hendrick’s, claro!), mas não sei se compensará.

O sexto pepino foi cortado ao meio e foi passado no espelho da casa de banho. Os outros pepinos estranharam, mas ao que parece passar um pepino num espelho impede que este fique embaciado pois o seu suco forma uma fina película brilhante. Ao serem informados disto, os pepinos sentiram orgulho de ser pepinos. O Zé pensou «Porque é que não fui eu escolhido para esta tarefa, já que sendo mais gordo, cobriria mais superfície do espelho de uma só passagem?». Veremos, em breve, que o Deus dos pepinos escreve certo por linhas tortas.

Na manhã do dia seguinte, dois pepinos foram retirados de uma só vez para serem triturados e comidos à colher enquanto a mulher se queixava de uma enorme dor de cabeça. Os pepinos são excelentes para curar a ressaca. Talvez a mulher tivesse bebido demasiado gin de má qualidade (e não Hendrick’s) na noite anterior.

Ao cair da noite, a mulher acendeu umas velas e uns incensos e tomou um banho de imersão. Ao sair do banho, ainda apenas de toalha, abriu o frigorífico para ver se haveria algo para comer, mas viu o seu olhar preso ao Zé. Hesitou. Mordeu o lábio e lançou a mão para o retirar do saco. Os restantes pepinos não queriam acreditar que o Zé seria o escolhido em vez deles. Porque havia sido selecionado aquele pepino grosso e trapalhão que ninguém queria? Um mistério que nunca ninguém iria descobrir já que, no dia seguinte, a mulher apareceu com o Zé numa mão, passou-o por água e voltou a colocá-lo no saco. Os outros pepinos riram-se na cara pepinesca do Zé. Riram e riram e disseram que ele era o pior pepino de sempre e que não havia registos da história de um pepino escolhido para o sacrifício ter sido rejeitado! O Zé virou a chacota daquele frigorífico onde até os pepinos em pickles, discriminados por tantos, se riam dele. No entanto, o Zé tinha um sorriso na cara de quem já não se importava com o que diziam dele. Sabia bem o que tinha acontecido e para que fim maior tinha sido escolhido naquela noite.

A autoconfiança do Zé era tão grande que não havia bullying que o deitasse abaixo. O Zé, para além de ser o mais gordo, sentia-se o maior daqueles pepinos todos.

O Zé é apenas um dos muitos pepinos heróis deste mundo que já mereciam um Dia Mundial do Pepino, agora criado pelo Hendrick’s. Para celebrar os labirintos da vida dos pepinos, em tanto semelhantes aos nossos, no próximo dia 17 haverá a festa "A Cidade Labiríntica do Sir Pepino", na bela cidade do Porto, terra natal do Zé. Podem ver mais informações aqui e aqui.

Não me quero gabar, mas um texto sobre pepinos que consegue ser informativo, com uma mensagem forte sobre o bullying e ainda um bocado javardo, dependendo da mente indecente de cada um dos leitores, é um bom texto. Acho que até merece ser partilhado.
Ler mais...