16 de abril de 2019

Relação séria vs rodízio de genitália



A primavera anda no ar e toda a gente pensa em sexo, mas pouca gente o faz porque anda tudo agarrado ao telemóvel a ver memes e Game of Thrones e cenas. Bem, vamos ver se consigo ajudar e dar início a mais uma consulta "Doutor G explica como se faz".


Boas Doutor G, após terminar a minha última relação (há quase 3 anos) a minha vida tem sido um pouco atribulada e por consequência, a minha reputação junto das mulheres não é a melhor. Desde há um ano a esta parte que me aproximei de uma mulher que é minha amiga desde os tempos de escola. Mas se por um lado quero assumir esta relação e levá-la a sério, por outro não consigo deixar os rodízios de cona... Por favor ajude-me a resolver o meu problema. 
Rafael, 24, Porto 

Doutor G: Caro Rafael, primeiro do que tudo: classe! Bem, percebes que a tua pergunta tem a resposta em si mesma? Queres levar a relação a sério, mas não queres deixar a degustação de pipi alheio? São coisas incompatíveis a não ser que ela também goste de comer esse prato e não se importe de dividir contigo. No entanto, isso é como sair o euromilhões, é muito raro e sai sempre a alguém que depois estoira tudo e não sabe gerir bem a coisa. Por isso, tens de te decidir: ou queres uma relação séria ou queres andar feito saltimbanco de roulote de patareca. É isso, não há nada mais a dizer, a tua pergunta foi um desperdício de dinheiro dos contribuintes.


Olá Doutor G. Tenho fobia à hipótese de poder levar uma tampa. Não arrisco, deixo escapar boas oportunidades e depois fico a queixar-me de estar solteira. Como faço para superar este medo? Ainda agora estou interessada num rapaz, ele já veio falar comigo e eu na altura não percebi que ele poderia estar interessado, mas pela conversa acho que sim, até porque pedi opinião às minhas amigas e elas acharam o mesmo. E agora, acho que ele já perdeu o interesse. Já passaram alguns meses, eu não sei se ele já arranjou namorada e acho que não faz sentido voltar a falar com ele, porque ele não voltou a tentar falar comigo e já passou algum tempo. Não é estranho tentar voltar a falar com ele ao fim destes meses? Tenho medo de levar uma tampa. E se ele comenta com os amigos caso eu fale com ele? É que ele já não é da mesma faculdade que eu, mas ele conhece algum pessoal que é da minha faculdade.  
Anónima, 23, Lisboa

Doutor G: Cara Anónima, sofres de um grande mal designado em termos técnicos como "Ser mulher". Habituadas, durante séculos, a que seja o homem a tomar a iniciativa, não desenvolveram anticorpos para combater a situação da ocasional tampa. Tal como com muitas doenças, existe uma vacina que consiste em expor o sistema imunitário a pequenas doses de tampa até criar uma carapaça capaz de lidar com isso. Não, não ficas autista com esta vacina, ficas só com vergonha, vais para a casa deitar-te em posição fetal e ficar a remoer a tampa durante uns dias até que, depois de teres sucesso uma vez, esqueces todas as tampas que levaste. Contaram-me, ouvi dizer, o Doutor G nunca levou uma tampa na vida. Por isso, relativamente às tuas perguntas:
  • Não interessa o tempo que passou, se ele já esteve interessado em ti e nunca te comeu ainda deve estar, o homem sofre do síndrome do alpinista e gosta de espetar a bandeira em todos os picos. Às vezes acontece como o com João Garcia e fica-se sem uma extremidade, por isso convém usar preservativo por causa da sífilis.
  • Sim, ele vai comentar com os amigos, quer tenha interesse ou não, faz parte.
Qual é a pior coisa que pode acontecer? Ele não responder nem dar trela e levas a tua primeira tampinha, tornando o teu sistema imunitário mais forte para a próxima. O melhor que pode acontecer? Levares com a garrafa em vez da tampa.


Olá, doutor G! Conheci uma mulher "casada" de 30 anos que sofreu muita traição no primeiro relacionamento onde teve um filho. Depois do divórcio (6 meses depois) acabou se engatando a um homem de uns 45 anos que vinha de um relacionamento fracassado onde teve 1 filho. Ela confessa que só aceitou porque queria se livrar das traições passadas por este ser mais velho e tal, sabia o que queria da vida. Mas o problema é que eles são incompatíveis em quase tudo até na cama. Sei e já lhe disse que ela cometeu um erro ao aceitar se envolver com ele até pedir aluguer de uma casa para viverem juntos, enquanto não gostava dele!!! Estamos juntos há 7 meses e há 10 anos atrás ela foi minha aluna mas eu não dei espaço para trair minha esposa. Aqui começa o problema: Ela está tão apegada a mim e pretende se transferir de região de emprego só para se distanciar (350km) do marido para fracassar a relação deles. Ele a quer a todo o custo mas eu não posso lhe assumir como a segunda mulher como ela bem quer. Pois diz que sempre me quis e não pode me perder. E por aquilo que ela me faz posso perceber que quer futuro eterno comigo. Mas eu não posso ferir a minha esposa porque para mim tudo não passou de aventura mas ela quer coisas sérias. O que faço para me separar desta mulher?
D, 48, Lisboa 

Doutor G: Caro D, acho que te enganaste no e-mail, isto não é o contacto das novelas da TVI para enviar ideias de guião. No entanto, sinto a falta de uma gémea má e de uma gémea boa para ser mais comercial e agarrar o público geriátrico. Tal como uma novela da TVI, a tua narrativa tem vários buracos e as personagens são muito bidimensionais. Por exemplo, quando dizes "Não lhe posso assumir como a segunda mulher como ela bem quer", será que o que ela quer mesmo é ser a segunda mulher? Qual é a tua religião? Fica isso no ar. Parece-me que ela quer ser a primeira e parece-me que tu não lhe queres dizer que não que é para não perderes a amante. Meu amigo, isto é muito simples: dizes-lhe que tudo não passou de uma aventura e que não queres mais nada com ela. Se tens medo que ela vá contar tudo à tua primeira mulher, é a vida, quem quer cu tem medo. 


Doutor G, tenho 23 e estou numa relação de um ano com um rapaz de 28 anos. Antes de começarmos tinha decido que queria ir tirar mestrado fora e assim foi, o ultimo semestre estive fora da europa voltei um mês a Portugal e agora estou outra vez longe de casa. Gosto imenso dele e acho que o contrario também se proporciona, no entanto sinto que me esforço mais para isto resultar. Sempre que há discussões ele ou diz para falarmos sobre o assunto do dia seguinte, o que acaba por acontecer mas sinto sempre que nunca fica totalmente resolvido uma vez que as respostas deles se resumem em "esta bem", "tens razão" e "pois". Para somar a isto, eu volto em junho para pt mas ele vai agora para o Japão ate setembro eu quero encontrar um trabalho fora de pt mas na europa mas queria que não ficássemos longe mais uma vez, pois acho que não aguento mais meses longe do rapaz ate pq uma rapariga tambem tem necessidades. O que deva fazer relativemente a estas atitudes quando discutimos? Achas que só estou a ser parvinha? Estou a exigir muito quando pergunto onde ele gostava de ir trabalhar em setembro, para finalmente estarmos juntos? 
Carolina, 23 Tomar

Doutor G: Cara Carolina, portanto, vocês discutem e ele diz para falarem do assunto e depois diz-te "Tens razão" e estás a queixar-te? Está a dar-te razão, mulher! Queres o quê? Discussão e drama, que fiquem chateados cada um para seu lado até um dar o braço a torcer porque lhe apetece pinar? Isto é simples, parece-me que tu valorizas mais a carreira e a experiência de estudar e trabalhar fora do que a relação que tens. E, provavelmente, ele também. Nada contra, são escolhas, não podes é querer que ele te siga como um cãozinho para onde quer que vás, nem vice-versa. Ou conseguem fazer planos em conjunto ou não vai dar, mas não vale a pena estar a antecipar isso. Quando for altura, logo vêem, se não der, dão uma de despedida e cada um vai à sua vida. Já agora, aproveito para dizer que vou estar na tua cidade, Tomar, dia 27 de Abril com o meu espectáculo cujos bilhetes se podem comprar neste link.


Caro Dr G, encontro-me num relacionamento há cerca de 2 anos. Existe muita cumplicidade, amor, bom e frequente sexo. Em suma, o que toda a gente procura nos dias de hoje. No entanto, o "Bom mercado" mexe muito com a minha cabeça. A nível de instagram, apenas já me limito a observar os pedaços de mau caminho que por lá param. O pior está nas saídas à noite com amigos vadios. Depois de ingerir algum álcool, fico com uns instintos muito furtivos. Não sendo um Brad Pitt, posso dizer que aos dias que correm a minha técnica encontra-se apurada. A juntar a isto, o mercado a meu ver está cada vez melhor (os ginásios são cada vez mais frequentados). São mais assanhadas e quanto à concorrência cada vez é menor. Que devo fazer? Deixar de sair com amigos e deixar de beber o meu copo de vez em quando? Existe alguma actividade como yoga ou assim que me ajude?
Ricardo, 26, Évora 


Doutor G: Caro Ricardo, toda a gente sabe que a culpa das traições são as outras que se metem debaixo dos homens, as safadas. Com elas, igual, as mulheres só traem por culpa dos homens que não lhes dão atenção em casa e depois aparece um que as compreende e lhes dá com força. Ora bem, deixar de sair com os amigos ou deixar de beber não me parecem boas opções, mas deixo algumas que te podem ajudar:
  • Tocar um solo de oboé antes de sair de casa.
  • Andar com uma fotografia da Odete Santos na carteira, para cada vez que vais buscar dinheiro para comprar uma bebida equilibrar o índice de excitação.
  • Usares manga cava para reduzir a tua taxa de sucesso com as mulheres.
  • Arranjares amigos mais bonitos do que tu para só te calhar a feia do grupo e não te apetecer tanto.
  • Colar a pila ao interior da coxa com fita gaffa para, ao mínimo de intumescimento peniano, sentires uma dor e criares reflexo de Pavlov.
São só ideias, é ires experimentando.


Sr.Dr.G, existe uma tipa que mete conversa comigo e depois deixa de responder. É só cabra? Cumprimentos e bons espetáculos.(inserir publicidade aos mesmos).
Anónimo, 23, Braga 

Doutor G: Caro Anónimo, parece-me pouca informação para poder opinar em condições, mas deixo algumas hipóteses:

  • Deixa de responder porque está com o namorado.
  • Gosta de brincar ao toca e foge porque tem 12 anos.
  • Tem narcolepsia e adormece.
  • É, efectivamente, uma cabra.
Já que deixaste indicação para inserir publicidade dos espectáculos e és de Braga, ficas a saber que estarei nessa bonita cidade dia 11 de Maio e que os bilhetes se compram neste link. Obrigado.


E é isto. Façam o favor de continuar a fazer chegar as vossas dúvidas para a caixa de correio electrónico do Doutor G: porfalarnoutracoisa@gmail.com.

Como estamos na consulta do Doutor G, faz todo o sentido meter à bruta aqui uma coisa que, neste caso, são as próximas datas do meu espectáculo a solo:

23 e 24 de Abril - Lisboa - Clica aqui para bilhetes
4 de Maio - Londres - Clica aqui para bilhetes

23 de Maio - Faro - Clica aqui para bilhetes
21 de Junho - Porto - Clica aqui para bilhetes
Restantes datas para Póvoa de Varzim, Benedita, Viana do Castelo e Barcelona neste link.

Obrigado e, como sempre: 

Façam amor à bruta porque de guerras o mundo já está cheio.

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5 de abril de 2019

Maria Leal a traumatizar crianças



Escondam as crianças. Cortem-lhes a Internet. Enfiem-lhes agulhas nos olhos e selem-lhes os ouvidos com pasta de cimento. Façam tudo o que precisarem para que elas não entrem em contacto com o novo vídeo da Maria Leal, destinada aos mais novos. Como sempre, quando começo a receber centenas de mensagens, já sei que há música nova da Ana Malhoa ou da Maria Leal. Calhou ser da suricata com Parkinson e aqui fica o vídeo, para quem quiser ficar traumatizado, e depois segue a review que tanto pediram.


FO-DA-SE! A Maria Leal é das poucas artistas que se consegue superar e surpreender o público. Quando pensas que ela já tinha batido no fundo, ela encontra um poço para descer ainda mais. É tudo tão mau que fica bom. A Maria Leal é uma espécie de cão Pug que de tão feios e ridículos que são, acabam por ser engraçados.

Nota-se, desde logo, um cuidado na direcção artística. Há uma história que é contada neste vídeo, uma história de merda, mas uma história. Há um cenário diferente, roupas a condizer e uma direcção artística que tenta planos arrojados. Planos de merda, mas arrojados. Tudo começa com um miúdo assustado com ar de psicopata, provavelmente porque já está traumatizado dos takes anteriores. Estou a brincar, isto é feito ao primeiro take que estão-se a cagar para a qualidade final.

Nisto, vemos a pior montagem de sempre com a Maria Leal dentro de uma caixa de bonecas como se fosse uma Barbie.

Com isto da inclusão, se há a Barbie engenheira e a Barbie lésbica, faz sentido haver a Barbie Acidente de Viação.

Ao pé da Maria Leal, até a Cindy que era a Barbie rasca, parece bonita. Bem, depois de fazer pausa e bolçar um bocadinho, lá continuei a ver o vídeo. Aqui, temos um plano fechado da cara da Maria Leal e pronto, se até eu fiquei traumatizado, imagino o efeito no pequeno cérebro ainda em formação de uma criança. A Maria começa a ter o que parece um princípio de AVC, com tiques nos olhos, ao som dos ponteiros do relógio; vemos as mãos dela que são quase tão más como a cara. As unhas foleiras de cada cor, as tatuagens bimbas nas mãos, tudo mau! As mãos da Maria Leal parecem um Fiat Punto que foi fazer tunning a uma garagem da Amora.

Aos 45 segundos vemos o pânico estampado no rosto da criança e começa a "música". Sons psicadélicos - como se a cara de esquilo atropelado da Maria não fosse suficiente para deixar as crianças assustadas - e começa a "letra". "Tá. Tá. Tá", diz a nossa suricata albina e percebemos que tem ali um dente que condiz com o amarelo dos cabelos. Se virem bem, essa parte do "Tá tá tá, tá tára tára tá tá" dá um bom toque de despertador. Vou experimentar para começar a acordar antes da hora só com o medo de ter de ouvir a voz do rouxinol com catarro pela manhã.

Muda o cenário e a Maria aparece a conduzir uma carrinha das obras porque não havia orçamento para um autocarro escolar. As crianças vão em pé, à frente e sem cinto o que pode ser bom, pois podem ser projectadas pelo vidro e morrer e assim não têm de ouvir mais a Maria a cantar. Pelos 1:35 a Maria aparece a tentar fazer a dança do robô. Chorei a rir. Aquilo é um robô que precisa de óleo, apesar de ter muito azeite. É um robô com mau contacto. Aposto que os primeiros robôs humanoides vão parecer mais humanos e ter melhor aspecto do que este que a Maria Leal está a interpretar. Aliás, imaginem o filme do Extreminador em que do futuro vinha um robô parecido com a Maria Leal. Foda-se, isso, sim, era um filme de terror.

Se repararem, nesta altura, o plano está todo desfocado e nem repetiram. Bem sei que a música não pede mais e talvez seja bom, porque Maria Leal em HD com o foco bem feito é algo desnecessário para o mundo. Aos 1:47 a Maria Leal está a fazer aquela dança do robô com espinha bífida e aproxima-se da criança que se afasta e olha para o lado assustada! Não me parece que tenha sido guionada esta parte. Foda-se, chorei a rir outra vez. 

Aos 2:09 a Maria dá um doce a uma menina e a frase popular "Não aceites doces de pessoas estranhas" nunca foi tão bem ilustrada. Atrás, está um miúdo a levantar-lhe a saia e a ver as partes baixas da Maria. Mete a mão na boca para evitar o vómito. Aos 2:38 a Maria aparece com uma varinha de condão como se fosse uma fada madrinha da criançada.

Se as fadas madrinhas fossem como a Maria Leal, não precisávamos do bicho papão para meter medo às crianças.

Aos 3:22 temos um adulto a olhar para a Maria Leal como se estivesse a ver a morte de frente. Deve estar a pensar "Se calhar foi um erro aceitar entrar neste vídeo, o dinheiro não chega para pagar o que vou ter de gastar em psicólogos." Nesta altura, ela ignora a criança e foca-se no adulto, talvez a pensar que ele possa ter uma herança choruda para ela gastar em roupa do chinês, mas parece-me que piscar os olhos daquela maneira é uma má estratégia de engate. O que é aquilo? Para que é que está sempre a piscar? Está com conjuntivite? Entrou-lhe uma mosca para os olhos? Sinistro.

Aos 4:10 há um twist. A música pára, a criança acorda e afinal foi tudo um sonho. Ufa! Nisto, o telemóvel toca e é a Maria Leal e o puto encontra o que parece ser sémen de unicórnio num pires. Giro. Ou tudo isto não faz sentido nenhum, ou é um twist digno do David Lynch, mas inclino-me mais para a primeira opção até porque nos créditos vemos que foi a Maria de Sá a realizadora. Também vemos que foi ela que fez o script, adereços, maquilhagem tudo. O que vocês não sabem é que a Maria de Sá é a cabeleireira da Maria Leal e entre uma trança e outra a Maria diz-lhe "Olha, tens jeito para fazer tranças, o que achas que escrever e realizar um vídeo meu?" e assim foi. É a única explicação plausível.

E é isto, não há muito mais a dizer. Nem vou analisar a letra porque me parece que nem vale a pena. O que "Tá demais" é a taxa de poluição sonora e visual que este vídeo tem, embora confesse que o refrão entra no ouvido, mas há vermes que também entram e não é por isso que são bons. O que eu acho que é que a Protecção de Jovens devia investigar esta música pois podemos estar no âmbito do abuso infantil e pode ser perigosa. Por exemplo, se a dança pega e as crianças começam a fazer aquela cena das mãos e dos olhos a piscar vai ser difícil diferenciar entre isso e um ataque epiléptico. "Lá está ele a dançar Maria Leal", pensam os pais e, afinal, o puto está a morrer e ninguém o ajuda.

Se é para entreter as crianças, mais vale deixarem-nas ver o Alien ou o Predador que, além de terem melhor aspecto do que a Maria, sempre traumatiza menos as crianças. É que os pais podem explicar aos filhos que os monstros desses filmes não existem e são tudo ficção, já a Maria Leal existe mesmo, leva maridos tolinhos à falência e agora quer ficar com as nossas crianças. Se estivéssemos no século XV, a Maria estava na fogueira a crepitar. O progresso também tem coisas más.

PS: Agora que acedi ao vosso pedido para fazer resta review, vocês retribuem-me comprando bilhete para o meu espectáculo a solo de stand-up comedy. Acho que é justo. Bilhetes neste link para as novas datas de Lisboa e Porto e neste link para Braga e Faro. Se estiverem em Londres é neste link e todas as outras cidades (Rio Maior, Portalegre, Coimbra, Tomar, Póvoa de Varzim, Barcelona, etc.) podem encontrar as datas e bilhetes neste link. Obrigado, partilhem e não se fala mais nisso.
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20 de março de 2019

Quão importante é o sexo numa relação?



Está tudo em forma? Isso é que é preciso. Vamos, então, dar início a mais uma consulta "Doutor G explica como se faz".


Doutor G, imagine-se uma rapariga totalmente desprovida de qualquer tipo de compromissos afetivos para com terceiros, mas que volta quase sempre para casa acompanhada depois de uma saída à noite. Não é como se ela tivesse orgulho em ser roliça, mas nenhum rapaz a consegue cativar e uma pessoa tem necessidades. Imagine-se agora que esta rapariga encontra um menino que não seja aborrecido e gostava que ele ficasse para o pequeno almoço e refeições posteriores por tempo indeterminado. Acha que uma hipotética relação amorosa ficaria condenada pelo historial de badalhoquice desta rapariga ou é tranquilo?  
Anónima, 24, Coimbra

Doutor G: Cara Anónima,  há aqui vários factores que temos de considerar: se, por um lado, é verdade que muitos homens (talvez a maioria) fique de pé atrás ao saber que um potencial investimento amoroso tem o hobbie de albergar salpicão alheio de forma recorrente, também é verdade que os homens gostam de mulheres que gostem de sexo. Os homens são uns coninhas incoerentes e inseguros e têm medo que uma mulher que pratica o arrastão de pila possa vir a ser infiel ou, que já tenha tido, pela lei das probabilidades, gajos melhores na cama do que eles. Para um homem seguro, se ela teve muitos parceiros melhor, até porque assim há a possibilidade de fazer um brilharete e fazê-la pensar "Bem, este é mesmo bom na cama, porque é o melhor dos 372 com quem já pinei". Dito isto, como é que ele sabe o teu historial? Não tens um contador por cima da cama que incrementas a cada funaná pelado com desconhecidos, pois não? Não ficaram lá todos a viver e a tua cozinha parece o metro em hora de ponta, pois não? Então, é omitir até ele perguntar o historial. Quando ele perguntar, mais vale seres honesta e quando ele fizer uma cara de "Mas quem és tu? A padeira de Coimbra que avia toda a gente?" tu só tens de lhe efectuar um felácio épico e dizer "Vês, mas a prática fez a perfeição".


Caro Dr. G, tenho 63, ela 57, estamos juntos há 13 anos. Eu ainda preciso de 1 ou 2 doses diárias, ela precisa de zero ou uma mensal. Vamos pinando semanalmente, se não ocorrer o mau clima que este desajuste frequentemente acaba por acarretar. Além da quantidade, também a qualidade é muito fraca, não tenta ser sexy, mal me toca e até evita me estimular, pouca imaginação, prato único sem variações nem temperos (ou seja nem anal nem oral); nem carícias locais posso fazer pois arde aqui, doi ali, ou na melhor das hipóteses apenas incomoda. Só tem algum apetite na reconciliação de uma zanga. Passo o tempo frustrado mais ainda porque tive muita e boa experiência sexual e não posso deixar de lembrar como as coisas costumavam e deviam ser. Vês alguma outra saída além de desenvolver os músculos do braço? Não aconselhes o diálogo, já tentei muitas vezes e quando muito resultou por uns dias. Não refiras ajuda médica, ela recusa, incluindo compensação hormonal pois leu que faz cancro. Não digas para causar zangas e aproveitar a reconciliação pois é desgastante. Não sugiras o mais óbvio, mudar de namorada, pois estou muito ligado a esta, não conseguiria e é esta que amo a ponto de ter sempre suportado tudo isto.
Luís, 63, Vila Nova de Gaia 

Doutor G: Caro Luís, desconfio fortemente que esta dúvida seja fidedigna: primeiro porque nunca vi um senhor de 63 anos a utilizar a expressão "pinar", depois porque com 63 anos um gajo tem mais que fazer do que pinar bi-diariamente. O dominó não se joga sozinho! Bem, dito isto, e sendo que todas as sugestões que eu iria dar tu dizes que não servem para nada, só te resta ir às freelancers do sexo. Há pessoas incompatíveis sexualmente, se ela não está para aí virada é porque pode ter uma necessidade de sexo inferior à tua. Ou tem outro, também pode ser. Parecendo que não, com 57 é preciso mais tempo de recuperação que a carne maturada mói mais facilmente. Fui nojento, eu sei. Se não a queres deixar, resta-te resignares-te ao sexo medíocre dessa relação. Não aconselho que a violes porque, além de ser crime, elas tendem a não se empenhar muito quando estão a ser violados, algo que é errado porque seria tudo mais rápido. Experimenta fazer as lides domésticas, se calhar é só isso, libertá-la de fazer o jantar e lavar a loiça e ela já fica com vontade. Falem, se não se resolver e não a quiseres deixar, ou vais trair ou pouco ou nada irás pinar e terás de te conformar. Bonito poema. Parecia uma rima dos DAMA, sempre acabadas em "ar".


Caro doutor G, estou noiva e vou casar no próximo ano, mas há uma coisa que me anda a atormentar: o rapaz não parece ter interesse na dança horizontal. Ou seja, de vez em quando fazemos (tipo uma vez a cada 15 dias ou isso), e ele sabe mexer-se, mas tenho de ser eu a iniciar e às vezes nem assim. Só que eu preciso de mais vezes. Vibradores e dildos não são grande substituto e tenho medo que um destes dias me borrife para a propriedade e decida pinar por aí. Gosto mesmo dele e não quero ser infiel. Sugestões?
Carla, 28, Lisboa

Doutor G: Cara Carla, talvez devas juntar-te ao Luís de 63 anos da dúvida anterior. O meu conselho é muito simples: não cases com ele. Fim do esclarecimento, volte sempre e obrigado. Agora a sério: a compatibilidade sexual é fundamental num casamento, especialmente quando ainda são novos. Se, além de pouco sexo ele não mostra interesse nem toma a iniciativa, a tendência será piorar. Cabe-te a ti decidir a importância que o sexo tem na tua vida conjugal, mas se já te passa pela cabeça saltar a cerca com uma vara emprestada, diria que o casamento vai ser curto ou que o marido terá uma avença mensal de ornamentos de marfim. Fala com ele, explica que a tua campainha de satã precisa de mais sinfonia e se ele não mudar, muda-te tu.


Olá Doutor, vivo junto à beira-mar (é relevante) e perto de casa existe um mini-mercado onde trabalha uma rapariga extremamente atraente e simpática. Idade idêntica, trabalhou cá no mês do Verão e dadas as minhas compras recorrentes ela já me conhecia, trocávamos "olás" amigáveis e que eu notava serem diferentes do típico "olá" de boa educação a outro cliente. Mas desapareceu no fim do Verão. Há poucos dias fui lá e, para meu espanto, reparei que está de volta. Ficámos a fitar-nos uns bons dois segundos e trocámos umas palavras enquanto me fazia a conta. Pensei em perguntar-lhe o nome ou em arranjar maneira de lhe mostrar o meu para ver se algo nas redes sociais acontecia que pudesse desbloquear a coisa. Pensei também que o supermercado vende licor e preservativos, e que o meu move pode passar por aí. Tenho pensado bastante e acredite que a moça vale a pena, Doutor. Eis a dúvida: qual a maneira correta de fazer uma aproximação à pista sem dar cabo dos trens de aterragem?
Pedro, 23, Vagueira 

Doutor G: Caro Pedro, se, ao menos, houvesse uma forma de iniciar uma conversa sem as redes sociais. Isso é que tinha sido uma boa invenção, não era? Imagina uma forma em que presencialmente, pudéssemos comunicar com as outras pessoas. Não sei como, sinais de fumo não se pode em locais fechados, danças de acasalamento as pessoas pensam que é flash mob e juntam-se e acaba por ser orgia, não estou a ver nada. Olha, giro era uma cena tipo em que emitias sons que formavam palavras e a outra pessoa compreendia através de um sistema de audição que transformava essas tuas palavras em sinais perceptíveis pelo cérebro dela. Isso é que era, como é que ainda ninguém fez essa app? Andam a dormir. Ahhhh, chama-se falar, caralho! Fala com ela, coninhas da merda! Faz assim: chegas ao pé dela, e quando ela estiver de forma sexy a passar o código de barras no leitor, dizes:
  1. Como é que te chamas?
  2. Eu sou o Pedro, prazer. No verão passado estavas aqui a trabalhar, não foi?
  3. Pois, lembro-me bem da tua cara, por acaso.
  4. Queres ir tomar um café mais logo ou amanhã?
  5. Pronto, então diz-me o teu número para combinarmos.
O que pode correr neste cenário:

  1. Chamo-me Jasmim Vanessa.
  2. Sim, foi o meu primeiro ano, quando fiz 15 anos.
  3. Lembras-te é das minhas mamas seu porco me merda! ACUDAM que me estão a micro-agredir!!!
  4. Obrigado, mas tenho namorado.
  5. Não tenho telemóvel nem redes sociais, sou contra essas coisas e sou vegan. Vais mesmo comprar este bacon que é cadáver de porco? Devias ter vergonha.
Isto é o pior que pode acontecer: ela recusar o café, dando uma desculpa qualquer, ou que tem namorado ou que tem de trabalhar. Na melhor das hipóteses, dá-te o número, trocam mensagens e ela não dá erros tipo "a gente podia-mos ir tomar café no çabado", vão dar uma volta e poderá a coisa desenrolar-se. Se ela rejeitar, começas a ir a outro supermercado ou na próxima compras preservativos XXL só para ela ficar a pensar no que pode ter perdido. Vá, depois diz como correu e se fizerem sexo, vais pensar em mim e vai ser estranho.


E é isto. Façam o favor de chegar as vossas dúvidas (ou dos vossos amigos...) para porfalarnoutracoisa@gmail.com.

Tal como no sexo, é bom dar e receber. O que é que me podem dar em troca desta bonita consulta? Nudes? Também pode ser, mas caso sejam homens, prefiro que comprem bilhetes para o meu novo espectáculo de stand-up comedy. Ficam aqui com as próximas datas:

22 de Março - Vila do Conde - Clica aqui para bilhetes
23 de Março - Guimarães - Clica aqui para bilhetes
30 de Março - Funchal - Clica aqui para bilhetes
4 de Abril - Aveiro - Clica aqui para bilhetes

(NOVA) 23 e 24 de Abril - Lisboa - Clica aqui para bilhetes
(NOVA) 11 de Maio - Braga
 - Clica aqui para bilhetes

Todas as datas e cidades nos locais habituais e nas minhas redes.
Obrigado e, como sempre: 

Façam amor à bruta porque de guerras o mundo já está cheio.

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13 de março de 2019

As mulheres também gostam de sexo pelo sexo



Numa altura em que os revivals estão na moda, em que Hollywood não tem criatividade e só faz sequelas e remakes, decidi ressuscitar o Doutor G que estava em ano sabático. Calma, não precisam de ficar já malucos que, como muitas sequelas e remakes, pode ficar aquém. Vamos, então, dar início ao "Doutor G explica como se faz".


Boa noite, conheci um homem quase a três meses e desde o primeiro encontro que estamos quase todos os dias juntos. Bom sexo e boa conversa, temos gostos muito parecidos e o tempo passa voando quando estamos juntos. Estou numa fase que tento aproveitar sem grandes expectativas mas conhecê lo surpreendeu me muito. Não sou como muitas mulheres que não toma iniciativa e eu própria convido para sair etc. Apesar de estar a aproveitar o momento fico na dúvida se haverá aqui algum futuro, se o lado carinhoso dele e brincalhão e querer estar comigo todos os dias apenas isso ou se estará mesmo interessado em mim e nao apenas no sexo. 
Anónima, 31, Lisboa

Doutor G: Cara Anónima,  o Doutor G não é o Professor Bambo ou a Dona Maya. O Doutor G baseia-se em factos e numa intuição e bom senso acima de média, é certo, mas não consegue fazer futurologia com base numa questão destas. As mulheres complicam demasiado, ora repara: "estou a adorar conhecê-lo, bom sexo e boa conversa, mas... estou na dúvida". Na dúvida de quê? Não está a ser bom? Aproveita. Pode ter futuro ou não ter futuro, nunca se sabe, embora quando as coisas estão na fase em que tudo é lindo já estás assim, temo que possam não ter grande futuro e já todos sabemos de quem será a culpa. É um bocado presunçoso achares que ele pode só ser carinhoso contigo por causa do sexo, é achares que és tão boa na cama que pode levar um homem a ser falso só para te comer. Estou a brincar, os homens fazem isso mesmo com gajas que não são boas na cama. Para a maioria dos homens, uma mulher é boa na cama se lá estiver e o deixar meter. Dito isto, nunca saberás, por isso aproveita e deixa de ser gaja.


Olá Dr. G, namoro há praticamente um ano, e as coisas até agora estão a correr muito bem, gostamos muito um do outro e o sexo é fantástico, no entanto, adoraria praticar o dito anal com ela, coisa que ainda não aconteceu. Gostaria de saber qual a sua opinião na abordagem que devo ter, ou por outro lado, se me pode dizer o que devo evitar. Um abraço e obrigado pelo regresso!
David, 24 Lisboa 

Doutor G: Caro David, estás na fase de João Garcia, o alpinista português, em que queres espetar a bandeira onde nunca estiveste, mesmo que nunca mais lá voltes, não é? Ele ficou sem o nariz, a ver se tu não ficas sem outra coisa. Ora bem, deixo algumas sugestões para abordar o tema do sexo anal:

  • Dizeres-lhe "Gostavas de experimentar sexo anal?". Ya, falar com ela e dizeres quais são as tuas fantasias, conceito muito estranho este de comunicar, eu sei, mas pode funcionar. No entanto, aconselho a nunca te referires a sexo anal como "Hoje apetecia-me entrar no teu túnel de chocolate".
  • Durante o sexo, envias um dedo, estilo sonda exploratória, que passa no ânus da tua amada. Recolhes informação e em caso de contracção forte do esfíncter ou caso ela te tire a mão, é um sinal que o caminho não está livre e que deves recuar.
  • "Enganares-te" no buraco, técnica muito utilizada, mas que não recomendo. É como mudar de via na estrada sem meter piscas, é falta de respeito e pode dar merda, neste caso, literalmente.
  • Usares a táctica chamada "À lá Cristiano" em que mesmo que ela diga que não, tu forças a entrada por trás. Esta técnica também tem outro nome que é: crime.
Boa sorte e compra lubrificante e não tentes depois de um jantar no mexicano.


Caro Dr. G, sou a Ana e estou já a algum tempo tempo no "mercado", tenho medo de desvalorizar. Já tentei o tinder, o happn, o grinder e nada. O Facebook, o Instagram e o Twitter também tentei engatar lá. Não deu em nada. As pessoas com quem dei match são todas "burrinhas". O problema será meu ou de quem lá está? Em que me pode ajudar Dr? 
Ana, 27, Lisboa

Doutor G: Cara Anónima, partindo do princípio que não és um camafeu, penso que o problema será o seguinte: tens os padrões demasiado altos. Repara, és mulher e logo aí tens muito mais facilidade em ter pretendentes. Se não encontras nenhum que gostes em todas essas plataformas é porque estás com a mira desajustada e a apontar muito para cima. Sendo que na primeira frase conjugaste mal o verbo haver, se calhar não devias ser tão picuinhas com a inteligência dos matches. Fui bruto, eu sei, mas vocês já deviam saber ao que vêm. Querem paninhos quentes falem com os vossos amigos.


Doutor G, estou num grande dilema! Há uns tempos que não fornico com ninguém e nos belos 23 anos torna a situação difícil. Não e que não tenha interessados em querer descobrir o que está por baixo destas belas roupas, mas nenhum deles me enche as medidas ou mexe com o meu íntimo. Passando à questão fulcral em que me pode ajudar, sou assídua nas minhas idas ao ginásio e o novo PT é um pedaço de mau caminho que até me torno religiosa e se ele quiser ajoelho-me para rezar. A minha dúvida é: serei uma Sheila por só querer f**** com ele? Ele está na mesma onda que eu, portanto talvez possamos fazer a festa. PS: Vemo-nos dia 16 no Porto!
Inês, 23, Porto

Doutor G: Cara Inês, obrigado, desde já, por ires ao meu bonito espectáculo no Porto, para o qual ainda há alguns bilhetes neste link. Quanto à tua dúvida, penso já ter respondido a semelhantes e é um bocado assustador ver como as mulheres ainda se retraem e acham que não é natural querem fazer sexo pelo sexo. Queres pinar o gajo? Pina, mas com força e bem pinado. É um bocado cliché pinar um personal trainer, mas é um bocado para isso que eles servem. Se me dissesses que estavas com vontade de discutir arte ou política internacional com ele é que era estranho e eras capaz de te desiludir. Desde que ele não cobre no fim o valor da hora de exercício, estás à vontade. Aproveita e, no fim, faz alongamentos que se o sexo for bem feito queimas mais calorias do que uma ida ao ginásio. Aproveita para lhe dizer durante o sexo aquelas cenas que os PTs dizem durante os treinos:

  • Vai, mais uma.
  • Isso, a última é toda tua.
  • Não desiste, insiste, isso, boa.
  • Contrai bem.
  • Acabou o descanso, vamos a mais um set.
Tem apenas cuidado para o ambiente não ficar estranho depois do sexo já que terias de mudar de ginásio ou ficar gorda.


Caro Dr. G, conheci o Jim à 6 anos na faculdade e rapidamente estabelecemos uma amizade inseparável. Durante este tempo, eu tive alguns relacionamentos, que falharam e ele sempre foi o meu porto de abrigo. Aconteceu que, recentemente, tivemos relações sexuais que se tem repetido com bastante frequência e não sabemos onde isto nos vai levar ou que passo devemos tomar... será só uma mera amizade com benefícios, ou tudo indica que haverá algo mais?
Anónima, 27, Guimarães

Doutor G: Cara Anónima,  olha outra. Mas eu é que sei? Mas os meus tomates são bolas de cristal? Vá, por acaso até posso especular sobreo que aconteceu e irá acontecer:

  1. O Jim sempre te quis comer, quiçá, gostou de ti romanticamente.
  2. Tu sempre o mantiveste no banco de suplentes como "migoooo".
  3. Depois de vários relacionamentos falhados estavas carente e precisavas de alguém que te subisse a autoestima.
  4. Certo dia, com álcool à mistura ou não, enrolaram-se e soube-te a pato.
  5. Vais cagar para ele quando aparecer outro porque sempre o viste como amigo e estás só a sentir-se sozinha.
  6. Ele vai deixar de ser teu amigo.
  7. Tu vais ficar com ciúmes e tentar que ele não se afaste.
  8. Ele vai afastar-se na mesma.
  9. Tu vais ficar a pensar que ele era o homem da tua vida, mas na verdade é só porque ficaste sem uma coisa que agora já não podes ter.
É isto. Ou não, não sei. Pode dar-se o caso de se apaixonarem verdadeiramente um pelo outro e viverem felizes para sempre, mas dizem as estatísticas que é pouco provável, por isso, é aproveitar o funaná pelado enquanto sabe bem. O que sei é que podem aproveitar para ir ao meu espectáculo em Guimarães dia 23 de Março, no CAE São Mamede, cujos bilhetes estão à venda nos locais habituais e neste link. Se ele não gostar do espectáculo, é deixá-lo na hora porque claramente tem péssimo gosto e só baixa o teu valor de mercado andares a comê-lo.


Espero que tenham gostado, a ideia é voltar à recorrência semanal, mas dependerá sempre das dúvidas que me fizerem chegar para porfalarnoutracoisa@gmail.com. Não se esqueçam que estou em tour com o meu segundo espectáculo a solo de stand-up comedy e que os bilhetes são como o sexo oral, não se lambem sozinhos. Vejam todas as datas neste link, excepto Vila do Conde, Faro, Londres e Viana do Castelo. Obrigado e, como sempre: 

Façam amor à bruta porque de guerras o mundo já está cheio.

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11 de março de 2019

Quem quer ser empregada do meu filho?



Ontem foi um bom dia. Dois novos programas de televisão que prometem encontrar o amor. De um lado, na SIC, um grupo de pindéricas que querem namorar com um agricultor ou, em termos mais práticos, querem aparecer na televisão. Do outro lado, na TVI, um programa em que mães tentam desencalhar filhos para, finalmente, conseguirem meter o quarto no Airbnb. O dos agricultores tem paisagens bonitas, com planícies repletas de animais e vacas, e também das de quatro patas que dão leite. Piada fácil e machista, mas estava aqui tão à mão que tive de a fazer. Por isso, vou focar-me mais do da TVI que me parece ter o maior potencial humorístico. Primeiro, vamos aos gajos que querem encontrar a sua cara metade:
  • Um gajo que é barman, mas não quer gajas que gostem de sair à noite e cujo cabelo foi inspirado na capa da revista 100% Jovem de Maio de 1997. 
  • Um agrobeto da Golegã que gosta de ir com o jipe para o meio do mato porque é muito radical.
  • Um com a mania que é garanhão que foi comprar o casaco à Bershka a pensar que era cool e que diz que tem o hobbie da fotografia porque comprou uma máquina DSLR, mas que aposto que usa sempre no automático e usa flash à noite para fotografar paisagens.
  • Um que diz praticar bodyboard a nível nacional, imagino que seja fazer bodyboard em praias portuguesas, não sei.
  • Um com a mania que tem a mania e que trata as mulheres por princesas, o que faz sentido pois parece ter a mentalidade de um macho latino do tempo de D. Sancho I.
Portanto, os gajos são um misto de choninhas com bimbos rejeitados pela Casa dos Segredos; já as candidatas são um misto de badalhocas da margem sul com divorciadas encalhadas que ainda têm um Nokia dos antigos e não conseguem instalar o Tinder.

Sou um gajo prático e que gosta de simplificar e, a meu ver, se chamas princesa a uma gaja que acabaste de conhecer tens logo o visto azul de certificado de otário. No caso delas, se tens unhas de gel com brilhantes e dizes que gostas muito de dançar funk e kizomba e piscas o olho a morder o lábio a um gajo que acabou de te chamar princesa, tens logo também o selo de qualidade da ganadaria de Alcochete. Atenção que não tenho nada contra mulheres sexualmente libertas, acho que deviam ser todas, a questão é que estás num programa para "casar" e não para "acasalar", embora as duas coisas estejam intrinsecamente ligadas. A maioria está lá porque quer aparecer na televisão para depois ir fazer presenças em discotecas. Muitas das pretendentes foram ao Love on Top e a outros reality shows de dating e continuam à procura do "amor". No fundo, ninguém lhes pega e todos sabemos o porquê.

Uma das coisas que criou mais polémica foram as perguntas feitas às candidatas, especialmente por parte das mães dos ranhosos: a pergunta mais recorrente de algumas mãe para as candidatas era sempre: "Sabe cozinhar? O meu filho é de muito alimento." Ele que cozinhe, caralho. Que peça um uber eats ou o raio que o foda. Que meta uma pizza congelada na puta do microondas ou que coma pão de forma sem nada. Só mães a criarem panhonhas que querem uma mulher que seja mãe deles. Se querem uma empregada, sai mais barato contratar uma a tempo inteiro a 7€ à hora que casar sai mais caro e dá mais trabalho.

Estas mães não querem uma nora, querem uma Bimby.

Parece que estavam a fazer uma entrevista para a governanta lá de casa. Sinto que deviam ter feito outras perguntas mais importantes:
  • Sabe fazer o IRS e levar o carro à inspecção sozinha?
  • Não sabe cozinhar, mas sabe fazer os 3 pratos na cama? É que o meu filho é um lambão que mamou até aos 10.
  • Sabe fazer bons felácios? Sabe como é, um homem conquista-se pela boca.
Isto, sim, seria uma mãe preocupada com o bem-estar e a felicidade do filho. Se aceitas que a tua mãe te escolha a namorada, mereces uma estaladão no focinho. A mãezinha leva-te o pequeno almoço à caminha e dá-te à boquinha, é? Também precisas dela na noite de núpcias para te arregaçar a pilinha e apontar ao pipi da mulher? Cambada de coninhas, pah. Estou irritado, embora, por um lado, isto faça com que depois os gajos normais como eu pareçam os mais prendados do mundo só porque sei cozinhar e lavar a loiça.

Se isto fosse um programa em que há honestidade dos participantes, podia ser uma boa experiência social: perceber por que é que num mundo cada vez mais ligado há cada vez mais solidão; por que é que as relações amorosas são cada vez mais descartáveis; mas não: quem participa, salvo raras excepções, quer é fama e entrar no mundo dos profissionais dos reality shows porque não sabem fazer mais nada na vida. Falta sinceridade no programa. Faltou ver uma mãe a dizer sobre algumas candidatas "Ó filho, é gira, sim, mas é um bocado puta, não?". Aliás, foi curioso ver que uma das potenciais sogras gostou muito de uma senhora que tem a bonita profissão de ser filmada a sugar pichotas (se isto não é das melhores descrições para o que é ser actriz pornográfica, então não sei). Nada contra, o corpo é dela e se não sabe cozinhar, ao menos que saiba fazer o resto, mas duvido que a sogra continue a gostar dela quando descobrir que ela tem um filme chamado "Anita estuda para ser puta". Bem, ao menos estudou, certo, não é daquelas putas autodidatas que nem leva a coisa a sério nem faz formações para melhorar; ainda assim, duvido que a sogra goste de uma nora que não faz as lides domésticas, mas que leva com espanadores por dinheiro.

Acho que esta receita de programas de televisão tem muito potencial e sugiro outras opções dentro do mesmo formato:
  • Quem quer mamar da boca do meu filho licenciado em sociologia e que trabalha num call center?
  • Quem quer ter um perfil de Facebook em conjunto com o meu filho?
  • Mais? Podem deixar outras sugestões nos comentários.
Bem, não tenho mais nada a dizer sobre isto. Aguardo os próximos episódios porque o meu guilty pleasure é ver lixo televisivo e depois contar-vos como foi. De nada, não precisam de agradecer este sacrifício que faço por vós. Quer dizer, se querem agradecer, podem comprar bilhetes para ao meu novo espectáculo a solo, cujas datas e bilhetes podem ver neste link.


Bilhetes à venda na FNAC, Worten, teatros, Ticketline e BOL. É ir e partilhar. Obrigado e uma boa semana.

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5 de fevereiro de 2019

Podcast: Doenças, drogas, abusos sexuais



No episódio desta semana falamos sobre drogas, doenças, abusos sexuais e muito mais.

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