18 de fevereiro de 2018

A Guita Toda | "A Vida Toda" - Carolina Deslandes



Os impostos levaram-me A Guita Toda. Uma paródia musical, com a música "A Vida Toda" de Carolina Deslandes. Espero que gostem desta minha primeira paródia musical (podem ignorar o óbvio que é eu não saber cantar) e que partilhem se também vos levam a guita toda em impostos.


Créditos:

*Som e edição de som*
Rodrigo Gomes - https://goo.gl/e9GxJJ

*Imagem, edição e realização*
Pedro Bessa - http://bit.ly/2C6JPMY

*Música original*
A vida toda - Carolina Deslandes - https://youtu.be/75iqd2yJH6w
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14 de fevereiro de 2018

À conversa com alguém que tem cancro



O episódio de hoje é muito especial e espero que não se assustem com os temas e o título. No Sem Barbas Na Língua desta semana, temos um convidado que é o Tiago que nos veio falar da sua experiência com o cancro que tem neste momento. Uma conversa dura e sem paninhos quentes sobre a doença, a perspectiva da morte e sobre como rir é, talvez, o melhor remédio. É ouvir e, se gostarem, subscrevam e partilhem.



Podem ouvir e subscrever o podcast nas seguintes plataformas:
PS: Se costumam seguir o podcast, subscrevam na plataforma que mais gostarem para serem notificados sempre que houver um novo episódio.
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13 de fevereiro de 2018

Relações poliamorosas e dicas de engate



O dia dos namorados está aí à porta e com ele muita gente encalhada fica em casa deprimida a chorar e a comer gelado enquanto vêem o Pretty Woman pela décima quinta vez. É a pensar neles que o Doutor G não tirou folga neste dia de Carnaval e vai dar uma bonita consulta "Doutor G explica como se faz". 


Caro Doutor, comecei a dar-me com uma rapariga e depois, por arrasto, a minha namorada também começou a simpatizar com ela e estão-se a tornar demasiado próximas. Após confrontar a minha namorada sobre o assunto, ela disse-me estar um bocadinho interessada na moça, que gostava de mim, mas que queria uma relação poliamorosa, mas eu não me sinto confortável com tal. Como lhe consigo dizer isso sem que ela me troque ou que fique chateada comigo?
Anónimo, 25, Lisboa

Doutor G: Caro Anónimo, o drama. A tragédia. O horror. Ter uma namorada que quer uma relação poliamorosa para andar às tesouradas de virilha com outras mulheres. É o pesadelo de qualquer homem. É isso e ter a Adriana Lima a mandar-nos nudes e a aparecer-nos de surpresa no chuveiro. Nojo. Diria que és um choninhas, mas pode dar-se o caso de isso ser uma porta aberta para depois ela se andar a engalfinhar com outros gajos e, nesse caso, talvez tenhas uma certa razão em não estar confortável com a situação. No entanto, se ela quer uma relação aberta e tu não queres, não haverá nada a fazer e mais vale aproveitares para o forrobodó pelado com ela e a amiga. Depois de comeres tudo, dizes que afinal não estava do teu agrado, tal como faz muito boa gente nos restaurantes para encher o bandulho e não pagar. Ela vai dizer que então é melhor acabarem ou vai dizer que não te quer perder e jurará ser-te fiel, mas, na verdade, vai andar a comer por fora sem te dizer. Estás entre a espada e a parede, por isso mais vale aproveitares e ficares entre o pipi e outro pipi.


Caro Doutor G, já há algum tempo que estou a namorar com um rapaz de quem gosto muito, mas quando chega a hora do funaná pelado algumas coisas não correm tão bem como deviam... Ele é bastante "sensível" e acaba por soltar os girinos albinos cedo de mais. Já tentei magoá-lo ligeiramente para ver se perdia a sensibilidade, mas acabou por querer parar e eu fiquei a ver navios. Sugestões?    
Maria, 27, Loures

Doutor G: Cara Maria, esta é das dúvidas mais recorrentes do sexo masculino: o problema da ejaculação precoce por parte dos seus parceiros. Esse problema pode dever-se a causas físicas ou psicológicas. As primeiras, convém ir ao médico ver se tem hipersensibilidade na cabeça do pimpolho e caso tenha, fazer uma circuncisão pode ajudar porque a cabeça do bicho ganha calo por estar sempre à fresca. Se for a segunda, sugiro que tentes algumas destas técnicas:

  • Tatua um retrato da mãe dele entre os seios e um do pai dele ao fundo das costas.
  • Quando ele se tiver quase a vir, chama-lhe o nome do teu ex.
  • Quando ele disser que já não aguenta mais, diz-lhe «Nem sabes, ontem risquei-te o carro!».
  • Quando o sentires que ele está prestes a atingir o clímax, diz-lhe que o clube de futebol dele é uma merda. Não só retardará o orgasmo, como ainda te vai dar umas palmadas. Se ele for do Benfica, convém estares de costas para ele porque é gajo para te agredir mesmo a sério na cara.
Há várias técnicas de solos de oboé que ele pode fazer para ir habituando o trombinhas a aguentar mais tempo e a salivar, mas não cuspir demasiado cedo. É ver no Google. Se nada resultar, é porque és demasiado gostosa e ele não se aguenta e que depois do menino bolçar seja homem e dê outra logo de seguida e te satisfaça. Se disser que não consegue, troca de namorado.


Boas dr, sou um gajo monogâmico, de relações duradouras e sem historial de traições. Contudo tenho uma fantasia que nunca consegui satisfazer: ménage com 2 mulheres. Fruto da minha postura na vida não aprecio uma mulher badalhoca portanto a ter que acontecer teria que ser com uma namorada e outra mulher (esta última badalhoca ou não - seria usada unicamente para o propósito). O que acontece é que a minha namorada não é virada para brincadeiras com o mesmo sexo. Questão: 1- como a convencer a entrar na brincadeira? 2- Qual o perfil de escolha para a segunda mulher: amiga desconhecida, amiga conhecida, serviços 'profissionais'?   
Anónimo, 27, Porto

Doutor G: Caro Anónimo, olha que estranho um homem com essa fantasia. Realmente, este consultório é só aves raras. Olha, troca de lugar com o gajo da primeira dúvida. Passa-lhe a tua namorada e tu ficas com a dele e recebes outra de oferta. Não dando jeito, até porque és do Porto e ele de Lisboa, é mandar o barro à parede com a tua namorada, mas se dizes que ela não é virada para aí, não haverá muito a fazer. Achas que se o Doutor G soubesse convencer a sua parceira a alinhar nessas aventuras tinha tempo para dar consultas? Podes tentar convencê-la com dinheiro, mas para isso mais vale ires a profissionais que deve ficar mais barato. Se a conseguires convencer, sugiro que seja com uma desconhecida. Com uma amiga vai ficar um ambiente estranho e com uma profissional vai ficar uma sensação estranha que normalmente é gonorreia.


Caro Dr. G, acho piada a uma miúda que trabalha numa loja de óculos. Ela é simpática e muito gira, mas não sei se a simpatia é apenas por trabalhar no atendimento ao público. Estava a pensar dizer-lhe que estou a ficar sem desculpas para ir à loja e convidá-la a sair, mas ali em frente as colegas todas torna-se difícil. Acha que tento na mesma, ou tento uma abordagem mais discreta tipo pelo facebook?  
A, 30, Norte do Mondego

Doutor G: Caro A, abordagem em pessoa é sempre melhor e as mulheres valorizam isso, especialmente num mundo de homens cada vez mais xoninhas que só sabem fazer swipe com os dedos e não os sabem usar para mais nada. Dito isto, proponho algumas destas frases de abertura:

  • «Eu nem preciso de óculos, por isso adivinha porque é que estou aqui.»
  • «Se isto fosse uma loja de roupa convidava-te para ires comigo ali para os provadores.»
  • «Vamos fazer um teste de optometria» e nisto baixas as calças perguntas se consegue ler as letras da última linha.
  • «Tenho aqui esta receita para aviar.» e nisto mostras-lhe uma receita de magret de pato com molho de frutos silvestres e dizes «Depois de aviarmos isto hoje ao jantar em minha casa, avio-te a ti.»
  • «És tão bonita que é um desperdício trabalhares num sítio onde a maioria dos clientes não vê bem ao perto.» - esta é genial.
Não tendo coragem, investe no Facebook, se bem que dá aquele aspecto de stalker desesperado, mas tu é que sabes. As mulheres que estejam a ler isto que digam se preferiam uma abordagem em pessoa ou virtual.


Tive uma namorada à 3 meses atrás e ela acabou comigo porque ainda sentia algo pelo ex dela. Nas primeiras semanas tivemos umas conversas para acalmar as coisas e ficarmos como amigos, mas eu não consegui e acabei por cortar relações contra a vontade dela. Mas ao fim de 3 meses ainda dou por mim a pensar nela e a ler as antigas mensagens dela. Devo falar com ela e ver se dá em alguma coisa? 
Anónimo, 23, Lisboa 

Doutor G: Caro Anónimo, ela acabou contigo porque não sabes conjugar o verbo haver. Temos pena. Foi merecido. Adeus e até à próxima. Vá, só porque é Carnaval, vou responder-te com um fluxograma:

Pronto, está feito e não se fala mais nisso. Bom Carnaval e bom dia de S. Valentim. Com sempre, se tiverem dúvidas, ou um amigo vosso tiver, podem enviá-las para porfalarnoutracoisa@gmail.com. 


Partilhem e façam amor à bruta porque de guerras o mundo já está cheio.

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8 de fevereiro de 2018

Facebook, temos de falar...



Facebook, temos de falar...

Quero começar por te agradecer, não gosto de ser ingrato. Agradecer-te por nos teres livrado do Hi5; agradecer-te por todo o conteúdo gratuito; agradecer-te pela forma como ligas pessoas do mundo inteiro; agradecer-te pelos memes e vídeos de gatinhos e bebés; e, acima de tudo, por me teres dado uma plataforma para escrever e fazer rir os outros e, assim, descobrir aquilo que realmente me dá prazer na vida. Agradecer-te por teres sido a minha montra e porque se não fosses tu, provavelmente, nunca estaria a viver da comédia e da escrita, faz agora um ano.

No entanto, como na maioria das relações longas, há alguém que se começa a desleixar e neste caso foste tu. Foste retirando o alcance das minhas publicações gradualmente e este ano decidiste tirar-me uma grande fatia da minha visibilidade no feed das pessoas. É desmotivamente. Reuni mais de 300 mil pessoas na minha página, sem ajudas de ninguém, só através do meu conteúdo, da generosidade das partilhas e dos likes das pessoas que gostam e, também, com a ajuda dos haters e coninhas que se ofendem por tudo e por nada. Sinto-me orgulhoso por ter reunido esse número, em apenas quatro anos, sem estar na TV, rádio ou outros media tradicionalmente impulsionadores da visibilidade. Sinto-me orgulhoso de o ter feito com o conteúdo que eu gosto e não com o conteúdo que eu acho que as pessoas vão gostar. Sei que as minhas taxas de engagement são das mais altas de Portugal e isso não se deve à minha cara bonita, nem ao facto de estar na TV e ser uma celebridade, mas apenas e só porque há quem goste do meu conteúdo. Diria que a esmagadora maioria das pessoas que seguem a página nem sabe o meu nome e não reconheceria a minha cara na rua e isso, apesar de poder ser um erro de marketing, é algo que me orgulho porque sei que o que lhes importa é o que escrevo e digo e não quem sou.

Por isso, acho injusto que me trates como uma marca. Percebo que o faças num post em que vendo bilhetes ou livros, tudo bem, não tenho problemas em patrocinar esses para que cheguem a mais pessoas. É justo. Agora, no conteúdo original que faço e que são 99% das minhas publicações? As pessoas não vêm ao Facebook para ver e consumir publicações de marcas. Ninguém está numa rede social para ver o que a Staples ou a Danone publicaram, mas estão para ver o que eu e muitos criadores de conteúdos fazem diariamente. Sei que sou uma gota no oceano, mas sei que são as páginas como a minha que trazem pessoas ao Facebook. Se as pessoas quisessem ver o que a família anda a fazer iam mais vezes aos jantares de aniversário da tia-avó.

Bem sei que fui mal-habituado e que nos deste uma plataforma nunca antes vista onde gajos como eu, sem cunhas nem jeito para o networking no meio “artístico”, podiam mostrar o seu trabalho a milhares de pessoas sem pagar nada. Bem sei que sim e é só por aí que te estou grato. Espero que quando vires os utilizadores a ir embora, como muitos já estão a ir, especialmente os mais novos, percebas o tiro no pé que estás a dar e voltes a dar às pessoas o conteúdo que elas disseram que queriam receber, embora perceba que em parte a culpa é delas que metem like em todas as páginas sem critério. Percebo que queiras fazer dinheiro e tens toda a legitimidade para isso, mas não trates quem cria conteúdo da mesma forma que tratas uma empresa que só quer vender serviços ou produtos. Tiras-me o público que eu angariei e ainda tens a lata de me enviar mensagens a dizer «Sabias que por mais 40€ podes alcançar até 7 mil pessoas?». Olha, por acaso não sabia e acho um roubo do caralho, se queres que te diga muito honestamente. Não sou rico, nem os meus pais são, por isso não vou poder pagar-te o que me pedes para chegar ao MEU público. Repara, há plataformas que pagam pelo conteúdo, já tu, ganhas dinheiro comigo com aqueles anúncios que metes ali de lado enquanto as pessoas me estão a ler. É na boa, era uma relação quid pro quo: tu davas-me espaço e público, eu dava-te tempo de antena para os teus anúncios e vivíamos bem com isso. Era justo. Agora, começo a achar que não.

Nem fiquei ressentido contigo quando me bloqueaste duas vezes sem qualquer razão e sem me deixares contestar a decisão. Uma conversa com a minha namorada que tinha a palavra violação foi o suficiente para me meteres de castigo 24h. Depois, voltaste a fazê-lo quando publiquei um comentário onde me ofendiam e chamavam nomes e ao qual respondi sem uma única caralhada. Censurei a fotografia e nome da pessoa, mas mesmo assim decidiste que era bullying. Percebo, realmente a minha resposta foi de uma categoria que destruiu o coninhas e, por isso, talvez fosse mesmo caso de bullying. Não fiquei magoado nem me queixei, pois percebo que tens um algoritmo de reports e precisas de manter a casa limpa e, às vezes, levam por tabela os que não fizeram nada de errado a não ser dizer umas verdades ou ofender gente sensível a tudo menos a causas importantes. Percebo, é na boa, faz parte. Compreendo que os teus indianos não saibam distinguir ironia em português.
Vou continuar por cá, até porque o meu conteúdo dificilmente se adapta às outras redes. Só os vídeos, que faço pouco, no YouTube, talvez. Eu escrevo, textos longos, por isso o Twitter será sempre uma plataforma secundária para mim e o Instagram é para comédia fastfood que não é a minha. Não digo fastfood no sentido negativo, atenção, há conteúdos fastfood muito bons por lá, mas simplesmente não é o meu estilo. De qualquer das formas, vou começar a andar mais também pelo Twitter (@noutracoisa), Instagram (@guilhermercd) e no YouTube (PorFalarNoutraCoisa). Se calhar começo a publicar por email ou por grupo de WhatsApp, não sei, ou faço um canal no mIRC onde vou partilhando as minhas coisas. Cá me irei safar, não precisas de te preocupar comigo, mas sinto que quem está a começar a criar conteúdo vai ter uma tarefa difícil e acabará por desistir ainda antes de saber se tem jeito ou não, e é pena porque há por aí tanta gente com talento e vontade para criar, seja em que área for.

Resta-me esperar que o público se lembre de mim quando não lhes apareço no feed durante uns tempos e venham aqui ou ao blogue ver se publiquei alguma coisa nova ou que activem as notificações ali em cima do botão Gostar e Seguir. Resta-me esperar que essas pessoas partilhem quando gostam, caso contrário a página poderá começar a morrer. Repara, por mim é na boa, Facebook, da mesma forma que me despedi para fazer isto, também volto a trabalhar na minha área de formação, sem qualquer problema. Gostava é que isso acontecesse quando o público se fartasse de mim, ou eu perdesse o gosto em fazer isto, e não porque tu não lhes mostras o que ando a fazer, mesmo depois de terem mostrado interesse nas minhas publicações e interagido com elas centenas de vezes.

Sem ressentimentos.
Guilherme Duarte a.k.a. O gajo de barba do Por Falar Noutra Coisa.
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7 de fevereiro de 2018

Filmes que marcaram a minha adolescência



Estava a ver o filme Tekken, baseado no jogo de Playstation com o mesmo nome, no canal Hollywood, e dei por mim a pensar que aquilo era capaz de ser o pior filme de sempre: actores péssimos, falas ridículas, realização amadora - excepto num ou outro plano a focar o rabo de uma das personagens femininas - e cenas de acção que deixavam muito a desejar. Depois, lembrei-me dos filmes que adorava em miúdo e percebi que eram quase todos iguais àquele. Enquanto as mulheres são influenciadas durante toda a infância por filmes da Disney que lhes dizem que basta serem bonitas e casar com um príncipe para serem felizes para sempre, os homens têm, para além desses príncipes, referências e exemplos diferentes. Os filmes que os rapazes vêem, colocam-lhes a pressão de terem de ser heróis: de terem de ser fortes e saber lutar, de terem de conseguir proteger as donzelas e, noutro tipo de filmes, de terem a pila grande.

Lembro-me de ir ao clube de vídeo e vasculhar por todos aqueles filmes os que eram de artes marciais e ofereciam uma boa hora e meia de porrada mal coreografada. Basicamente, se a capa ou o título tinha "ninjas" era para alugar. O ninja americano? Vi. Os três ninjas? Vi três vezes. O Ninja do Anal? Esse o meu pai disse que não era para a minha idade e pensei que fosse por ter demasiado sangue e violência, o que, pensando bem, era capaz de também ser verdade. Os anos 80 e 90 foram feitos do que aos olhos de hoje seriam maus péssimos filmes de acção, mas que marcaram uma geração e se tornaram icónicos. Um bom, ou mau, filme de acção dessa altura tinha de ter uma série de clichés incontornáveis:
  • Armas com balas infinitas. Num filme que já não me lembro qual, contei 21 tiros disparados de um revólver de seis balas.
  • Herói a babar e escorrer sangue, mas que no final arranja forças porque se lembra da mãe, do pai ou da nossa senhora e se levanta e acaba com o adversário;
  • O golpe final do último combate deve ser um pontapé rotativo no ar, especialmente no caso do Van Damme e do Chuck Norris;
  • Uma frase que ninguém diria quando mata o vilão principal;
  • Caminhar em câmara lenta enquanto algo explode em pano de fundo ou correr de algo prestes a explodir e mergulhar para a frente;
  • Carros que batem noutros e levantam voo.

Todos os filmes tinham um ou mais destes bonitos clichés. Nessa altura, o realismo era coisa secundária e se na filmagem ficava bem um carro a explodir depois ao passar por cima de um fósforo apagado, então era para adicionar à acção. Deixo alguns dos filmes desse género que me lembro com mais carinho.

Commando - 1985
Há muitos filmes em que a premissa é: raptaram a filha ao homem errado. Taken, mais recentemente, é um deles e é um excelente filme de acção, mas completamente adaptado de Commando. Ninguém mais errado do que o Arnold Schwarzenegger dos anos 90 para se raptar a filha. Talvez a maior estrela de acção de todos os tempos, fazia filmes em série em que a premissa era ele a matar tudo o que mexia, desde terrestres a alienígenas. Em Commando, o Arnold arma-se até aos dentes e distribui fruta a torto e a direito, matando 81 pessoas neste filme, o que dá quase uma média de uma morte por minuto durante o filme. Valente! É aquele tipo de filme que ainda hoje, se estiver a dar na televisão, fico a ver até ao fim. Marcou tanto a minha infância que perdoo os cerca de 987 erros, desde logo o facto de que se fosse realista, um gajo daquele tamanho ficava cansado nos primeiros cinco minutos do filme. O filme custou dez milhões a produzir em que nove devem ter ido para o Arnold e o restante foi gasto em explosões e figurantes que dão três mortais encarpados à retaguarda quando levam com um tiro. Se é para morrer, é para dar tudo e receber dez pontos do júri.

Força Destruidora - 1988
Talvez seja o filme de porrada que vi mais vezes. Numa altura em que as artes marciais mistas ainda não existiam, toda a gente gostava de pensar se o karaté ganharia ao boxe ou se um mestre de kung fu seria capaz de derrotar um segurança do Urban. Este filme trouxe-nos isso, num torneio sangrento em que cada concorrente tinha a sua especialidade. A do Van Damme era fazer a espargata, claro, habilidade que ele faz questão de mostrar em todos os filmes e que lhe veio a ser útil para ganhar uns trocos no anúncio da Volvo depois de estar um bocado na mó de baixo. Em Força Destruidora, a tradução que alguém em Portugal achou que ficava bem face ao título original Bloodsport, Van Damme faz-se acompanhar de um amigo gordo que também é lutador, embora não seja de sumo. Van Damme limpa toda a gente e no final o chinês grandão mau que fez de chinês grandão mau em todos os filmes que participou, joga sujo e manda-lhe pó para os olhos. O que ele não sabia era que Van Damme tinha sido treinado por um velhote que já desconfiava que ele ia ficar cego um dia e era ensiná-lo a lutar de olhos vendados ou dar-lhe um cão guia. Optou pela primeira e deu jeito. Com um pontapé rotativo no ar, claro, Van Damme lá ganha o torneio e papa a gaja. Clássico. Depois deste, o Van Damme fez mais cerca de 73 filmes iguais, mas passados em cenários diferentes. Depois, meteu-se nas drogas, no álcool e nas prostitutas e ficou na merda. Depois, fez o único bom filme da sua carreira, JCVD, que é muito bom e onde acho que merecia ter tido, pelo menos, uma nomeação para os Oscars. Não estou a gozar, se não viram vejam que é mesmo bom. Juro. Ninguém acredita, mas é verdade. Moral da história: se queres ser bom actor, dá nas drogas todas e perde tudo.

Delta Force - 1986
Para mim, Chuck Norris era só no Walker - O Ranger do Texas. Se isto não é o nome de série mais americano de sempre, não sei qual é. Nos filmes, meh, nunca gostei muito. Sempre achei que tivesse ar de tio e não de lutador, apesar de entre todos, ser o único que teve uma carreira de competição de sucesso nas artes marciais. Ainda assim, nunca gostei dos filmes dele. Tal com o Van Damme, acabava sempre com os vilões com um pontapé rotativo no ar, com a diferença de que o Chuck o fazia em calça de ganga e sapato de engraxar. Classe.

Rambo - 1982
O gajo que inspira toda a gente que vai jogar paintball e que acaba por ser o primeiro a morrer. Primeiro, andar na selva de tronco nu é a pior estratégia de camuflagem de sempre; depois, na vida real, as balas acabam e os adversários, mesmo que cegos, conseguem acertar uma ou outra bala. Nunca fui fã do Rambo e nem me lembro do filme, mas aposto que é isto: um ex-militar decide ter uma vida pacata a pescar ou a fazer renda de bilros, mas dá por si a ter de pegar em armas e ir salvar alguém. Varre um exército inteiro, têm uma faca grandona para aviar malta e para cortar chouriços e queijos pelo caminho, e salva toda a gente. Fim.

Karate Kid - 1984
Um panhonha choninhas aprende a lutar karaté para papar uma gaja que usava permanente. É isto. Diferente dos restantes, já que a acção aqui era secundária, mas a premissa é exactamente a mesma. Foi o melhor que aconteceu a muitos pais do mundo inteiro que depois disto metiam os filhos a lavar e encerar o carro e arrumar a loiça e diziam que era treino de karaté. Todos nós, depois de ver o filme, tentávamos fazer aquele pontapé em que ele parece uma garça com vontade de cagar. O golpe mais inútil de sempre numa luta real. Enquanto estás a levantar a perninha feito flamingo a pisar areia quente, já levaste com uma cabeçada à Cais do Sodré das ventas. 

Kickboxer - 1989
Van Damme a fazer de Rocky que pode dar pontapés. Ganha tudo. Fim.

Máquinas de Guerra - 1992
Com Van Damme e o outro herói de acção, muitas vezes esquecido, e que fazia, muitas vezes, de mau da fita: Dolph Lundgren. O Governo usa corpos de soldados para criar máquinas de guerra perfeitas: soldados alterados geneticamente que não sentem dor e têm bué força e cenas. Acaba como acabam todos os filmes do Van Damme: à porrada, mesmo tendo dezenas de armas de fogo disponíveis ao lado. Já estou no set «Vá, Jean Cláudio, agora pegas na metralhadora e matas o loiro e fechamos isto, ok?» e ele «Tenho uma ideia melhor... pontapé rotativo no ar, que tal?».

Menções honrosas:
  • Steven Seagal: Nunca fui muito fã do Steven. Sempre achei que um homem de rabo de cavalo não podia ser o herói que eu precisava na minha adolescência. Lutava como quem estava a enxotar abelhas e tinha um olhar de quem não está a conseguir identificar as letras da última linha no optometrista.
  • Jackie Chan: as lutas era muito bem coreografadas e ele não usava duplo o que o deixou em coma uma ou outra vez.
  • Bruce Lee: os seus golpes eram tão rápidos que tiveram de ajustar a velocidade das câmaras de filmar no filme Enter the Dragon para os conseguirem captar. Se fosse num filme porno era uma curta metragem. Morreu porque fez alergia a um ingrediente de um analgésico para a dor de cabeça. Andou o Van Damme a dar na droga anos e este 

E pronto, os filmes da minha adolescência foram muito isto. Era porrada ou tubarões. Bem, podem deixar nos comentários outros filmes dentro deste género que vos marcaram. Se quiserem umas dicas de filmes realmente bons para ver, podem ver estas sugestões que fiz em 2014. Porra, este blogue está a ficar velho.
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6 de fevereiro de 2018

Carnaval, fanatismo do futebol, alimentos da moda



E aqui está mais um episódio do excelso podcast Sem Barbas Na LínguaFalamos sobre o Carnaval, o fanatismo do futebol e as personagens que são os presidentes, imortalidade e consciência, abacate, pepino e outros alimentos da moda e muito mais. É ouvir e, se gostarem, subscrevam e partilhem.



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