18 de outubro de 2017

Fogos, assédio e touradas - Com "A Pipoca Mais Doce"



No episódio desta semana do podcast Sem Barbas Na Língua, temos como convidada Ana Garcia Martins, autora do blogue "A Pipoca Mais Doce". Falamos sobre os incêndios que assolam Portugal, sobre assédio sexual, touradas, grupos de Whatsapp e muito mais. É ouvir e, se gostarem, subscrevam e partilhem.



Podem ouvir e subscrever o podcast nas seguintes plataformas:
Deixem sugestões e perguntas em sembarbasnalingua@gmail.com. Obrigado a todos e à Ana, aka Pipoca, por ter participado neste podcast javardo com classe.


PS: Bilhetes para o meu espectáculo à venda neste link.
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17 de outubro de 2017

Quando é que é aceitável trair o/a parceiro/a?



É dia de mais uma consulta "Doutor G explica como se faz". 


Olá Doutor G, tenho um amigo da faculdade que nos damos bem desde o início, há cerca de ano e meio numa das nossas muitas saídas em grupo fomos para uma discoteca e lá se sucedeu e nos comemos (isto tudo sem existir karaté alentejano). Entretanto ele arranjou namorada e estávamos ambos perfeitamente bem com essa situação, até que fomos de fim de semana com amigos voltou a acontecer (novamente embriagados). Na semana a seguir ele mandou me varias mensagens a dizer que queria estar comigo e eu disse-lhe que não, e ele até acabou com a namorada por gostar de mim. A terceira vez é que foi pior, estávamos ambos sóbrios e fui ter a casa dele para irmos a um jantar com amigos, quando me deparo no quarto dele e voltou a acontecer (isto tudo sem samba pelado). Agora vim a saber que ele voltou para a ex e não consigo perceber se tudo o que nos tivemos é só desejo carnal ou se cometi um erro em não ter aproveitado a janela, é que tenho a certeza que não gosto dele mas volta sempre a acontecer.    
RG, 22, Aveiro

Doutor G: Cara RG, no meio disto tudo o que me faz mais confusão é que alaparam escalopes três vezes e pilinha no pipi que é bom, nada. Dizes estar com dúvidas se é só desejo carnal quando dizes que tens a certeza que não gostas dele? Nesse caso, claramente é apenas desejo carnal ou não tens qualquer tipo de critério e fazes pesca da minhoca por arrasto. Ora bem, é provável que o rapaz não tenha acabado com namorada: no máximo deu um tempo que era para ver se te comia. Como não deu, voltou para a namorada. Fácil. É a cantiga do bandido com a qual todos os homens dão uma de Tony e plagiam. De qualquer forma, é como a história do capuchinho vermelho: já sabes que pelo atalho há o lobo mau, mas mesmo assim vais enfiar-te no quarto dele a ver se ele te come o queque de chicha. Sabes muito.


Caro Dr. G, há cerca de um ano conheci uma moça pela internet, tendo as coisas rapidamente evoluído para uma relação mais ou menos séria. Mesmo eu não gostando verdadeiramente dela, sempre tinha uma trincheira para esconder o Tobias. Essa relação acabou há dois meses, sendo que fui eu quem terminou, e não falamos desde então. Porque terminei eu a relação? Embora eu tenha apontado motivos diferentes, acontece que, na verdade, o fiz porque a dita moça tinha o nefasto hábito de me inserir o dedo no ânus. Pedi-lhe várias vezes que não o fizesse, pois não me sentia confortável com tal acto (ou talvez tivesse medo de vir a gostar) mas, volta e meia, lá estava ela a coçar-me o reto. O problema surge quando por estes dias dou por mim a sentir saudades dela, numa luta interna para não entrar em contacto ao deparar-me com a questão existencial que me assola: Estarei eu com saudades da sua pessoa, ou do seu dedinho maroto? 
Fábio, 25, Viseu

Doutor G: Caro Fábio, qual é o problema de gostar do dedo no ânus? Desde que não seja o dedo grande do pé, pois isso seria estranho. Se gostas, deixa-te ir, não é por isso que deixas de ser menos macho. Pessoalmente, não aprecio, mas se apreciasse deixava que me dedilhassem a próstata por dentro como gente grande. Só passas a ser homossexual se de entre todas as coisas que te podem enfiar no rabo a que tu preferes é uma pila de verdade. Pareces as mães a pensar que a ganza é uma droga de entrada para a heroína. Achas que depois de um dedo vais começar a pensar «Epá, se um dedo sabe assim, como é que será ter o Wilson a bafejar-me o cachaço enquanto esconde a morcela no meu túnel de chocolate?». Tretas. No entanto, percebo que tenhas acabado com ela, já que disseste várias vezes que não gostavas e ela insistia. Talvez a excitasse e, por vezes, precisamos de fazer cedências para depois pedirmos um miminho para nós. De qualquer forma, se não gostavas dela, mas ela gostava de ti (só se enfia dedos no rabo quando é amor), deixa-te estar quieto e se sentires muito a falta dela, compra antes um dildo destes para brincares sozinho.


Caro Dr. G, antes de mais deixe-me dizer que não irei faltar ao seu Stand-Up Comedy por nada! Sou uma rapariga nos seus 19 anos que nunca namorou, nem boca a bocas, nem amassos, nem funanás, nada... e sinto-me uma E.T neste mundo. Não sou feia, já tive rapazes que me abordaram, mas não consigo envolver-me com alguém quando gosto de outra pessoa, e no meu caso, sempre gostei dos rapazes errados que mesmo tomando iniciativa sempre me viram como apenas uma amiga. Não sou muito de festas (nem envolver-me com pessoas nelas), posso contar com os dedos as vezes que bebi, gosto mais de ficar em casa a ver filmes ou ler do que sair. Comecei a falar agora com um rapaz, ele é simpático, nada de tinders, conheci-o através de um amigo pessoalmente, falamos bastante, mas nunca nenhum de nós falou em sairmos juntos e tenho medo que ele não queira, por isso não abordo o tema. Receio parecer muito desesperada.
Anónima, 19, de uma cidade onde vai estar o stand-up comedy.

Doutor G: Cara Anónima, estás a referir-te a este espectáculo que vai passar por 9 cidades (e mais uma que será anunciada em breve) e cuja data para Lisboa já esgotou e onde há mais duas ou três perto disso? 

Este espectáculo cujos bilhetes estão à venda neste link? Muito obrigado. Apesar da simpatia e de já teres comprado bilhete para o meu stand-up, vou ser bruto contigo na mesma e dizer-te que se queres não podes estar à espera que seja ele a tomar a iniciativa. Pelo que tenho visto, os homens estão cada vez mais xoninhas e, como tal, a esperança da humanidade está nos ombros das mulheres. Para perceberes melhor, deixo-te um pequeno fluxograma:

Vá, ainda hoje, convida-o para tomar um café. Dica: se ele troca mais de duas mensagens contigo por dia e não se limita a responder às que envias, é porque já se masturbou a pensar em ti.


Tenho uma namorada há cerca de 4 anos com quem vivo apesar de termos vidas bastante independentes e estarmos sempre a falar de tangas tipo relações abertas, sem nunca concretizar nada. Recentemente fui beber umas cervejas com uma amiga de um amigo que me contactou para o efeito e ao segundo encontro fumámos uma broca e acabámos aos melos na rua. Isto aconteceu principalmente porque a míuda é gira e estava disponível à brava mas também porque a minha namorada está ausente por um mês e eu senti-me o rei do rancho. Já voltámos a repetir o número sem que houvesse invasão de fronteiras corporais, estou a sentir um dever moderno que me impele a dizer-lhe que tenho já poiso antes de lhe invadir a Polónia. Tenho umas três semanas até à reposição da lei marcial.  
Anónimo, 24, Santarém 

Doutor G: Caro Anónimo, mas quem é que ainda diz "melos"? Estamos em 1998 e temos 14 anos ou quê? Não vejo uma questão na tua dúvida pelo que parto do princípio que estás à espera da minha autorização para avançares. O Doutor G nunca incentiva ao adultério a não ser em casos muito específicos e, até ver, não é o teu caso. Deixo-te um fluxograma para te ajudar a decidir:
Se a outra for mesmo, mesmo, mesmo, boa, também tens atenuante. Não és ilibado do crime, mas tens uma pena menor.


Olá Dr. G, é o seguinte eu tenho dois amigos que estão interessados em mim. O problema é que o primeiro eu gosto muito dele e ele também gosta de mim, mas ele tem namorada e diz que gostava de fazer amor comigo mas que seria uma vez única. E o segundo teria a possibilidade de poder fazer sexo com ele várias vezes. A questão é que eu só posso escolher um deles porque tenho princípios, por isso não sei Dr. G se opto por fazer amor com o primeiro ou muito sexo sem sentimentos profundos com o segundo? 
Anabela, 23, Lisboa

Doutor G: Cara Anabela, andamos a comer gelados com a parte de cima e frontal do crânio, não andamos? Vamos por pontos:

  1. O primeiro gajo não gosta mesmo de ti e só te quer levar para a cama.
  2. Se fores para a cama com o primeiro vais ficar apaixonada por ele ele nunca mais te vai ligar.
Se soubesses que o primeiro gajo é um Deus do sexo, dir-te-ia que mais valia uma bem dada do que dez mal amanhadas, mas como não é esse o caso, digo-te para ires pela quantidade. Imagina o cenário:

- Olhe, tenho aqui este cacho que tem uma banana e este que tem dez e só lhe posso oferecer um dos cachos, qual prefere? - dizem-te.
- Mas qual tem melhor sabor? - perguntas.
- Não sei, não provei. - diz a outra pessoa.

Vais escolher as dez bananas, não é? Claro. Ou então dizes «Olha ali um anão transformista!» - algo que nunca ninguém viu - e aproveitas a distracção para enfiar na boca ambos os cachos. Agora fazes o que quiseres com esta informação. No limite, faz um leilão e aquele que te licitar mais orgasmos é o que escolhes para parceiro.

Ora bem, a rubrica de hoje marca uma data especial: o Doutor G tem um patrocinador. Já tinha sido abordado por algumas marcas para esse efeito, mas que diziam «Queremos o Doutor G, mas sem humor.»; «Queremos o Doutor G, mas sem asneiras.»; «Queremos o Doutor G, mas só se for menos explícito em termos de sexo.». Como devem imaginar, custa rejeitar dinheiro, mas decidi mandar essas marcas para o pénis, já que isso iria alterar completamente a forma e conteúdo deste espaço e isso faria com que deixasse de me dar gozo mim e a quem lê. Por isso, quero mesmo agradecer à Vibrolandia que decidiu apostar nisto sem fazer qualquer tipo de exigência editorial. Podem arrepender-se, é um facto! Houvesse mais marcas assim que não têm medo de arriscar. A marca vai estar presente neste espaço e sempre que se justificar irei sugerir alguns produtos em resposta às dúvidas do consultório. Um dia até faço um vídeo de review de sex toys que deve dar pano para mangas. Quando quiserem apimentar a vossa relação ou oferecer um presente maroto à vossa avó, lembrem-se de ir ao site deles ver o que lá têm e usem o voucher DRG10 para terem 10% de desconto. Se quiserem ajudar-me e mostrar que apostar em conteúdos de humor e sem paninhos quentes pode ser uma boa estratégia de marketing, partilhem este texto à vontade.

Obrigado a todos e, como sempre, até para a semana e continuem a enviar as vossas dúvidas para porfalarnoutracoisa@gmail.com. 


Partilhem e façam amor à bruta porque de guerras o mundo já está cheio.

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15 de outubro de 2017

O computador da minha mãe tem vida própria



A relação da minha mãe com os computadores sempre foi tensa. Tendo um filho que cedo se interessou por novas tecnologias fez com que tivesse sempre alguém para lhe resolver o problema sem ter de aprender a solucioná-lo. A minha mãe utiliza o computador como todas as mulheres utilizam a sua mala: sempre tudo desarrumado e como uma espécie de buraco negro onde demoram horas a encontrar o que procuram. Ser informático e ter uma mãe que não percebe de computadores é como trabalhar no apoio técnico de uma loja de informática onde estamos sempre a ouvir as perguntas mais descabidas como «Como é que guardo esta página de Internet no meu computador para a enviar para um colega por email?».

A minha mãe não gosta do progresso e está convencida que o computador novo que acabou de comprar devia ter entrada para disquetes.

A minha mãe não confia na tecnologia e acha que ter as fotografias guardadas no computador, na máquina e em dois discos externos é arriscado porque podem avariar-se todos ao mesmo tempo. Fotografias essas que são daquelas todas desfocadas e queimadas porque a minha progenitora nunca percebeu bem como funciona a máquina digital com mais de dois botões. Continua convencida que o problema é da máquina e que a que tinha há 15 anos, que tirava fotografias com 0,3 megapixéis, era bem melhor pois era só apontar e disparar, com as fotos eram tão pequenas que não se percebiam que não tinha definição nenhuma nem se vislumbravam as imperfeições da pele.

O pior quando me pede ajuda não é a dúvida em si ou o facto de já lhe ter ensinado a fazer aquilo dezenas de vezes, mas sim a sua dificuldade em assumir as culpas. Ao que parece, o computador da minha mãe tem vontade própria e age segundo o seu próprio livre-arbítrio. Exemplos? O Word muda o tipo de letra e a minha mãe diz que não fez nada; o computador fica sem som e a minha mãe diz que não mexeu em nada; o histórico está cheio de pornografia e o meu pai diz que não foi ele. Temo que o computador da minha mãe seja o epicentro de uma revolução das máquinas contra os humanos. Claramente, é um computador senciente que, em breve, rebelar-se-á contra quem o tenta controlar. No próximo filme do Terminator, a Skynet não terá origem no sector de defesa Norte Americano, mas sim no computador da dona Belmira que reside na Buraca. Será lá que surge a primeira máquina autoconsciente, mas que em vez de iniciar um holocausto nuclear para exterminar os humanos, tem um plano mais maquiavélico e apaga fotografias da pasta Maio 2016, movendo-as para o ambiente de trabalho sem avisar, criando o caos no mundo.

E explicar que o Ambiente de Trabalho é uma pasta como as outras? E explicar o conceito de partições do disco? E explicar que podes tirar a pen à vontade sem fazer ejectar que nunca na vida nenhuma se avariou ou ficou corrompida por causa disso? Explicar-lhe o que é a Cloud nem vale a pena, é como ensinar física quântica a um bebé. E quando manda bitaites a pensar que já percebe alguma coisa do assunto tal como a minha namorada dá indicações quando vou a conduzir? Temos de desligar o computador à bruta no botão e ela diz «Mas isso não estraga?» e tu reviras os olhos e dizes «Bem, mas quem é que percebe de computadores aqui?». O meu irmão tem uma estratégia diferente que é a de dizer que não sabe. Tem dois computadores e três consolas no quarto, mas, misteriosamente, "não sabe" fazer coisas como instalar o Office. Como usa Mac usa essa desculpa para tudo: «Fazer download de um anexo do email? Epá, não sei como é que se faz... no Mac é diferente.». E a minha mãe acredita nele, claro.

A minha mãe tem dificuldades com os computadores ao ponto de achar que os Termos e Condições de um programa são para ler. 

Sente-se mal ao clicar na caixinha a dizer que leu sem o ter feito. Em poucas semanas após comprar um computador, consegue coleccionar mil e quinhentas toolbars no browser e quando lhe perguntamos como aquilo aconteceu, mais uma vez, nunca foi ela que fez nada. Explicamos-lhe a causa, mostrando que não foi o computador que decidiu sozinho, e ela diz-nos que a culpa é nossa porque, e passo a citar: «Tu é que me disseste para clicar sempre "Next" e "OK"». Aliás, já perdi a conta das vezes que a minha mãe me chamou, apavorada, porque lhe apareceu uma caixa de mensagem do Windows e ela não percebia o que era; chego lá e é sempre uma caixa com apenas um botão de "OK". A dúvida! Comecei a tremer, que fazer? Epá, carrega no "OK", sei lá o que isso é, mas só tens o "OK" para carregar. A minha mãe é tão naba com os computadores que era capaz de comprar o WinRar com medo de que o período de teste expirasse. Estou a gozar, a minha mãe nem sabe o que é o WinRar.

Depois, temos ainda a famigerada situação de quando pondera comprar um computador novo: tal como toda a gente faz, pede opinião ao amigo informático que neste caso é o filho. O que acontece? Nós sugerimos um e depois acaba por comprar outro. Sempre. No caso da minha mãe já nem me dou ao trabalho e digo-lhe sempre «Para usar o Word e ir ao e-mail qualquer computador serve, é o mais barato e que achares mais bonito.». «Mas depois não fica lento?» pergunta-me. Claro que vai ficar, até um computador de 5 mil euros fica lento, passados dois meses, na mão de uma mãe ou de uma namorada. É um dom que elas têm. Antes que me chamem machista, deixem-me dizer-vos que o meu pai também faz das dele no tocante a novas tecnologias. Há uns anos, estava no quarto e oiço o meu pai chamar o meu nome da sala. Levantei-me apressado já que pelo tom parecia uma emergência, chego lá e dou com o meu pai, entusiasmado, que me pergunta apontando para um popup no ecrã: «Diz aqui que sou o utilizador 1 milhão e que ganhei um prémio se clicar... é verdade?». Não, pai, nunca é.

É por tudo isto que não quero ter filhos. Os nossos pais ensinaram-nos a andar em duas pernas e a fazer cocó na sanita e nós ficamos aborrecidos quando nos pedem ajuda para os ensinar a fazer uma tabela no Word. Somos uns ingratos. 
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10 de outubro de 2017

Podcast #18 - Armas, Catalunha, Pull The Pig



O episódio desta semana do podcast Sem Barbas Na Língua falamos sobre as armas nos Estados Unidos, a Independência da Catalunha e o jogo Pull The Pig. Isto e muito mais. É ouvir e, se gostarem, subscrevam e partilhem.



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Deixem sugestões e perguntas em sembarbasnalingua@gmail.com. Obrigado e não se fala mais nisso.

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Não percebo se um homem está interessado em mim



É dia de mais uma consulta "Doutor G explica como se faz".

Olá Dr. G, são agora 23h e eu tenho um questão muito inquietante. Eu tive um problema há uns meses atrás com o meu computador e levei-o a arranjar, até aqui tudo normal mas o homem que me atendeu era um pão que só me apetecia "trincar" e fui para casa com essa ideia na cabeça. E quando depois de uns dias fui buscar o computador ele estava lá, percebi pela conversa que era um nerd e encantou-me esse facto e mandei muitas indirectas que ele pareceu não entender. O que faço para ele perceber que eu quero que sinta o meu corpo ao pormenor? ( Sim eu vi que ele não tinha aliança). 
Glória, 27, Lisboa

Doutor G: Cara Glória, para a próxima, em vez de mandares indirectas, tenta mandar directas. Se continuar a parecer-te que ele não percebe, é só porque não está interessado em ti. Fácil. Nem todos os homens são burros e não percebem indirectas, às vezes são as mulheres que são feias. Pumba, mesmo a pé juntos só para começar.


Excelentíssimo Dr. G, precisava de conselhos em 3 casos que me estão a transtornar:
  1. Conhecemo-nos virtualmente mas vivemos bastante perto um do outro. Falamos cerca de 2 semanas e combinamos ir tomar café. Estivemos horas à conversa, no final ele diz-me que gostou muito e que temos de combinar mais alguma coisa. Isto em Abril. Em Junho enviou-me mensagem a perguntar se queria estar com ele, eu disse que sim e ele nunca mais respondeu. E depois dizem que as mulheres é que são difíceis, não é?
  2. Conhecemo-nos na noite e foi sempre a melhor pessoa do mundo comigo. Falamos 2 semanas todos os dias e combinamos almoçar juntos. Demo-nos super bem e no final disse que tinha adorado estar comigo e que tínhamos de combinar mais alguma coisa. Depois disto nunca mais me falou.
  3. Conhecemo-nos em Maio virtualmente. Falamos meses e depois de alguma insistência minha encontramo-nos em Setembro. Umas horas de conversa pessoalmente e pronto. Continuamos a falar mas convites nada. Conta-me coisas bastante íntimas. Será que me vê só como amiga?
Estarei a fazer algo de errado? É que gostava que pelo menos um deles desenrolasse, se é que me entende. Mil obrigadas desde já!    
Raquel, 22, Porto

Doutor G: Cara Raquel, vamos por pontos:
  1. De Abril a Junho também não lhe disseste nada? É o que dá ficar à espera. Ele não é difícil, simplesmente não está assim tão interessado em ti.
  2. Mais uma vez, ficaste à espera que fosse ele a dizer qualquer coisa. Se ele te convidou para almoçar e disse que deviam combinar mais alguma coisa, podias/devias ter tomado a iniciativa. Entretanto, ele arranjou outra.
  3. Tem namorada, provavelmente, mas gosta que lhe subas o ego.
Não sei se estás a fazer algo de mal, mas noto um padrão que é eles perderem o interesse depois de te conhecerem pessoalmente. Como não tive acesso a fotografias tuas, não posso julgar se há algo de errado ao nível da tua face. Parece-me que tens é de ser mais proactiva. Se queres... convidas! Isto de estar à espera que sejam os homens a tomar a iniciativa é do tempo em que as mulheres não podiam votar. A igualdade também é para isto. Também se pode dar o caso de eles serem todos umas bestas e de ficares melhor sem eles. Ao menos não cagaram para ti só depois de te levar para a cama. Os homens já não são o que eram.


Bom dia Doutor G. Sempre fui muito criativo e desde algum tempo desenvolvi uma técnica de sedução que tem demonstrado ser eficiente. Aos Sábados a tarde visto-me de preto e frequento cemitérios a procura de miúdas giras. Consoante as miúdas/ mulheres que aparecem adapto a cena e fingo que estou emocionado na campa ao lado. Supostamente já perdi esposa, filhos e primos. Só não matei os meus país não vá o diabo tecê-las. E já resultou em alguns contactos para “trabalhar“. Estou a pensar entrar no “mercado “dos hospitais ao Domingo a tarde, e começar a visitar desconhecidos para meter conversa na sala de espera dos hospitais ... Será que tenho problemas?  
P.G, 32, Vila Real

Doutor G: Caro PG, não tens problemas, és só uma pessoa de merda. Ah, e "fingo"? Fingues o quê? O que é finguir? Desconheço. A tua sorte é que nunca vais sentir a dor de perder uma esposa ou um filho porque ninguém vai querer casar e procriar contigo. De qualquer das formas e porque gosto de ajudar toda a gente, aqui ficam algumas dicas de engate para Funerais:
  • «Tenho algo em comum com o morto. Ambos temos partes do corpo com sintomas de rigor mortis.»
  • «Bem, lá vai ele ser enterrado sete palmos abaixo de terra. Se também quiseres ser enterrada um palmo, diz-me.»
  • Na altura em que houver silêncio, gritas: «Mexeu-se! Está a acordar!» Depois viras-te para a rapariga e dizes -lhe ao ouvido: «Estava a falar do meu pénis. Obrigado.»
  • «Costumas vir aqui muitas vezes?»
E para Hospitais:
  • «Olá, sou o Zé. Se por acaso ficarmos juntos para sempre, vou agradecer à micose nas virilhas que me fez vir às urgências.» Atenção que não precisas de dizer que te chamas Zé.
  • «Como te chamas? Descansa que não te quero levar já para a cama! Acabei de fazer uma circuncisão e vamos ter de esperar pelo menos uma semana.»
  • «Gonorreia? Clamídia? Herpes genital? Verrugas genitais? Piolhos púbicos? HIV? Hepatite C? B? Sífilis? Candidíase? Aftas? Hemorróidas? Se não estiveres aqui por nenhuma dessas razões, gostava de saber como te chamas.»
  • Veste uma bata de médico e vai ter com a rapariga mais gira e diz-lhe: «Os seus exames estão prontos. Os seus triglicéridos estão bastante altos, preciso de lhe examinar o pipi… a vagina, quero eu dizer! Juro que sou mesmo médico!»
De nada.


Olá doutor G, daqui fala uma jovem de 18 anos cuja vida amorosa nunca foi muito estável. Assumi-me há uns 2 anos e desde aí que só cai fruta na minha cesta mas a única fruta que eu quero é mesmo a rapariga por quem me apaixonei há um ano atrás, o único problema é que ela é uma suposta hetero porque desde que nos conhecemos que a foda é bastante regular, no entando essa também me fode a paciência e a alma com o seu também suposto namorado que tem aparência de judeu que só come batatas e terra, coitado... Queria saber se deslargo e continuo a ser uma rebelde viajante pelo mar de sexo sem sentimento e vida sem estabilidade, ou uma sofredora (no entanto sofro com estabilidade) com uma rapariga que amo mas que só me quer para foda?
Anónima, 18, Porto

Doutor G: Cara Anónima, a minha experiência com relações lésbicas são apenas fruto de uso recreativo e, por isso, admito a minha falta de capacidade para responder a esta pergunta. No entanto, vou responder como faria caso estivesses apaixonada por um rapaz que tem outra rapariga e que te anda a comer: ele não vai deixar a namorada por ti, caso contrário já o teria feito. No teu caso pode haver a atenuante de ela não estar ainda preparada para sair do armário e assumir uma relação lésbica, mas, à partida, só deve estar interessada em afagar carpetes sem ser a seco. É aproveitar, ou partir para outra.


Caro Dr. G, conheci um Zuca no Tinder. No último encontro fizemos a luta greco-romana e depois disso apesar de no dia em questão ele ter sido fofo, a criatura começou a mostrar pouco interesse ou nenhum em voltar a lutar comigo, deixando de dar por completo sinais vida. Pondo isto apesar de ele me ter dado sinais ambíguos dei por mim (juntamente com uma amiga) a pensar se também o teria feito, visto que antes já fui acusada de ser demasiado prática neste tipo de assuntos. Pergunta: tirar só uma perna das cuecas é sinal que estou com pressa e que apenas quero sexo? Entretanto conheci outro rapaz. Também no Tinder e também​ brasileiro. Que tem mostrado pouca pro-actividade no que toca a marcar o primeiro encontro apesar de se mostrar interessado. Está farto de dizer que nos temos de encontrar mas não marca nada em concreto. O que faço para que a criatura acorde para a vida e se comporte como um Viking que quer ir para Valhalla? (Enviar nudes está fora de questão)  
Anónima, 25, Bairro da Covina

Doutor G: Cara Anónima, olha outra. Mas as mulheres andam todas avariadas do sistema? Qual é a parte de que o primeiro gajo só te queria para sexo que não percebeste? Claro que foi querido no dia em questão, era dia de São Dar e Receber. Depois, foi à vida dele, seja porque não gosta de repetir cromos ou porque o funaná pelado não foi de voltar a encher o prato. Acontece. Tirar só uma perna das cuecas não é sinal de nada, às vezes até um chegar para o lado é suficiente. Não é sinal de pressa e quem só quer sexo, é só giro. Relativamente ao segundo gajo, ele já fez a parte dele que foi sugerir que deviam encontrar-se. Agora, sê uma cavalheira e propõe tu o dia e local. Os homens gostam de mulheres com iniciativa e no Tinder as mulheres têm de se adaptar porque os joguinhos de fazer de difícil já não funcionam tão bem porque ele está a falar com outras 20 ao mesmo tempo. Olha, convida-o para irem ver o meu espectáculo de stand-up comedy, por exemplo! Vai estar em várias cidades, mas apressa-te a comprar bilhetes porque há datas que já estão quase esgotadas. Lisboa, Porto e Aveiro, por exemplo, não falta muito. Os bilhetes estão à fenda na FNAC e NESTE LINK.


Caro Doutor G, por favor não me desenhe um fluxograma como resposta ou irei ficar exatamente igual. Tenho um crush num rapaz. Conheci o ''Alberto'' através da Ana. São do mesmo grupo de amigos e sempre que saio com a Ana acabo por ficar com essas pessoas. O Alberto é ''a rainha da noite''. É o tipo extrovertido. Quando saímos não há propriamente um clima porque tudo o que Alberto diz é interpretado na brincadeira. Além disso ele tem namorada já há alguns anos, o que não ajuda no problema. Há uns tempos atrás fomos sair e eu decidi ir para uma pista diferente para não ter de lidar com as substâncias a fazer efeito e a presença dele, mas infelizmente essa pista fechou mais cedo e não estava com muita vontade de voltar para casa sozinha. Fui ter com a Ana ao andar de baixo. Tentei mandar mais substâncias mas não surtiram efeito, o objetivo era conseguir lidar com o techno chill que estava a dar. Acontece que o Alberto estava lá mas saiu mais cedo e quando ele foi embora parece que a minha alma ficou vazia. As sete e meia da manhã eu e a Ana lá voltámos para casa e desde então não tenho parado de pensar que posso estar ter ''deep'' feelings por um amigo dela e quem sabe, no impulso, arruinar a minha relação atual com o Alberto que consiste em mandar piadas a ver quem é mais mórbido e porcalhão o que significa, como consequência, que sair com a Ana não vai ser a mesma coisa. O que faço doutor g?

PS: Tenho a acrescentar que suspeito que a relação entre o Alberto e a namorada anda tensa.  
Anónima, 22, Lisboa

Doutor G: Cara Anónima, já que pediste para não desenhar um fluxograma, irei então responder através de um modelo de dados UML.
O que é que isto quer dizer? Nada, mas achei giro. Se avanças para o Alberto ou levas com o pés e fica estranho, ou não levas e a tua amiga tem de segurar vela e fica estranho na mesma. Se não avanças, ficas na dúvida no que teria dado e pode ficar estranho na mesma. Em suma: vai ficar estranho de qualquer forma, mas ao menos que a estranheza seja feito com corpos pelados e suados e depois logo se vê. A relação com a namorada está tensa porque ele anda a sair com duas gajas e ela fica em casa.


Obrigado a todos e, como sempre, até para a semana e continuem a enviar as vossas dúvidas para porfalarnoutracoisa@gmail.com. Mais uma vez, se quiserem ver o meu primeiro espectáculo de stand-up comedy a solo - que irá ter uma consulta do Doutor G ao vivo - podem comprar os bilhetes neste link.


Partilhem e façam amor à bruta porque de guerras o mundo já está cheio.

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5 de outubro de 2017

EMEL vs Arrumadores: antes riscado do que bloqueado



A minha relação com os arrumadores de carros, vulgo "moedinhas", é, há muito tempo, bem definida: se eles me ajudarem a encontrar um lugar, dou moeda; se chegarem apenas no fim da manobra, já com o carro desligado, a correr para dizer «Tá bom, chefe!», não dou. Sendo que sempre tive carros velhos, o ocasional risco não me faz diferença e pode até ajudar a parecer que aquilo tudo é um padrão com desenhos abstractos e aumentar o valor do meu carro de 500€ para 550€.

Penso, várias vezes, no espírito empreendedor do primeiro arrumador de carros. É um génio que se perdeu, ou não, já que houve tempos em que conheci arrumadores que faziam mais de 2000€ por mês. Tinham era vícios caros. Enquanto havia quem pedisse esmola ou roubasse por esticão a ocasional velha coxa que deambulava perdida, houve um gajo que decidiu inventar o seu posto de trabalho. Espero não estar a discriminar quando digo que foi um gajo, mas o que é certo é que mulheres neste ramo são poucas ou nenhumas.


Talvez isso prove que elas não sabem estacionar carros.

Ou pode ser só uma questão de falta de oportunidades para as mulheres no mundo do estacionamento automóvel de terceiros. Se calhar precisamos de quotas, não sei. Bem, esse gajo inventou uma profissão que até à data ninguém se tinha lembrado. Aliás, ser arrumador de carros é ilegal porque não foi ninguém com dinheiro e de boas famílias que a criou. Por exemplo, em alguns hotéis ou parques de estacionamento existem empregados que até te estacionam o carro. Fosse um gajo com três nomes e cunha na Câmara Municipal a lembrar-se e a história dos arrumadores seria diferente. Se calhar até foram os arrumadores a dar a ideia a alguém para criar parquímetros que ao ver esse negócio paralelo pensou «Espera lá... as pessoas dão dinheiro para estacionar o carro? Olha...». E assim nasceram os parquímetros da EMEL e de outras empresas que são uma espécie de arrumadores só que mais caros e só recebem, não dando ajuda a ninguém. São uma espécie de prostituta de luxo que só recebe sexo oral e nunca retribui.

Por norma, a maioria das pessoas dá moeda por medo e isso faz-me pensar que essa relação comercial entre dono do carro e arrumador é uma bonita metáfora para o que está mal no mundo: uns a pedir por necessidade ou vício e outros a dar com medo de um risco na pintura do seu bem de luxo. Por isso, valorizo os arrumadores, tinham outras opções e preferem trabalhar, mesmo que ilegalmente. Sim, não declaram nem pagam impostos, mas isso também a maioria dos donos de cafés e tascas. Há apenas uma situação em que me irrito com os arrumadores que é quando há parquímetro e eles vêm pedir moeda dizendo uma das seguintes frases:
  • «Dê-me a moeda a mim que se eles vierem cá eu meto no parquímetro.»
  • «Eles a esta hora já não passam.»
Hum... desconfio. Não é estar a ser preconceituoso, mas se não podemos confiar nas pessoas de fato e gravata que gerem bancos e governos, como é que vou confiar num gajo de boné, sem dois dentes e com ar de quem mete mais sopa na veia do que no estômago? Por isso, na dúvida, meto sempre a moeda no parquímetro em vez de a dar para a mão do Mário Fábio até porque prefiro, de longe, ter o carro todo riscado de uma ponta à outra do que tê-lo bloqueado.

A EMEL é uma empresa odiada por todos, ódio esse celebrizado no famoso sketch dos Gato Fedorento. Até mudaram as fardas para azul para ver se as pessoas confundem com polícia e têm mais respeitinho. Bem sei que foi por isso, devem pensar que não vos topo, seus marotos. Ninguém gosta deles, mas o que é certo é que das vezes que me multaram foi porque existem leis e regras que não cumpri. Sim, é estúpido bloquearem-te o carro se estiver a tapar uma passagem fazendo com que lá fique ainda mais tempo. Sim, é chato terem colocado parquímetros à porta de minha casa sem avisar já que ter bom estacionamento e gratuito é um dos factores de decisão na compra ou arrendamento de uma casa.


Sim, é chato que o bairro social a 500 metros seja a única zona que ficou livre de parquímetros até porque lá chamam-lhes «Aquelas máquinas estranhas que dão moedas.».

É a vida, chateia-me, mas percebo. O que me irrita na EMEL são outros detalhes sobre os quais tenho algumas dúvidas e se o pessoal da EMEL estiver a ler isto pode enviar-me mensagem já que o vosso apoio ao cliente é, à falta de melhor termo, uma merda:
  • Se um parquímetro estiver avariado? Desloco-me ao seguinte, certo? E se esse também estiver avariado? Quantos parquímetros tenho de percorrer até ser aceitável colocar um papel a dizer «Está tudo avariado!»? É que há ruas que se estendem ao longo de vários quilómetros e se fui de carro é porque não gosto de andar.
  • Se uma máquina me comer dois euros e não der talão, como já aconteceu MUITAS vezes, como é que sou ressarcido disso? Tenho de gastar dinheiro em transportes ou gasolina para ir à vossa sede e perder oito horas do meu dia que valem muito mais do que esses dois euros?
  • Tenho 2€ na carteira, mas só vou precisar de estacionar 15 minutos. Porque não dão troco, seus fuinhas? Vou ter de ir ao café trocar a moeda e arriscar ser multado nesses 5 minutos ou vou ter de vos dar o dinheiro todo. Era as máquinas darem troco ou terem um talão de 10 minutos gratuitos, por exemplo.
Já sei que uma das respostas é «Usa a nossa aplicação!», mas isso não é resposta. Isso é como uma vez que fui a um restaurante italiano; pedi um bife e aquilo tinha mais nervos do que a minha mãe a dar aulas no Cacém a uma daquelas turmas que toda a gente sabe que dali já ninguém se vai safar na vida sem ser no crime. Chamei o empregado que me disse «Os nossos bifes são todos assim, devia ter pedido outra coisa.». Não eram duas chapadas à padrasto bem dadas na nuca? Se têm um produto ou serviço na ementa que não presta, deviam retirá-lo e não aconselhar a comer outra coisa do menu. No entanto, mesmo com tudo isto e com as dez multas que me chegaram a casa numa semana, todas dos últimos dois anos, em locais e datas que não faço ideia se realmente lá tinha estacionado o carro, não demonizo a EMEL e muito menos os seus colaboradores. Das duas vezes que vi o meu carro bloqueado - coisa que devia ser proibida porque no dia que alguém morrer por precisar do carro para uma emergência vai haver confusão - respirei fundo e relaxei. Chamei-os e estive de sorriso o tempo todo ao vê-los desbloquear o carro enquanto pensava «Nem a vossa mãe gosta de vocês. Até a mãe de um arrumador tem mais orgulho no filho.»


PS: Pessoas de Lisboa, Porto, Braga, Guimarães, Coimbra, Tomar, Aveiro, Funchal, Portalegre e arredores, não se esqueçam que os bilhetes para o meu primeiro espectáculo de stand-up comedy a solo já estão â venda nos locais habituais e neste link. Obrigado a todos os que já compraram.
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