17 de julho de 2018

O dia em que fui expulso de uma discoteca



Começo por dizer que não me lembro bem dessa noite, como será normal nas noites em que se é expulso de uma discoteca. Talvez já tenha sido expulso outras vezes e não me lembre, mas penso que não. Na verdade, nem foi por nenhum desacato típico de bêbedo que fui expulso, mas sim por ter a mania que sou engraçado. Foi numa discoteca do Cais do Sodré, em Lisboa, e aconteceu há vários anos atrás, até porque ter acontecido há vários anos à frente seria complicado e poderia perturbar o contínuo espaço-tempo.

A noite começou como muitas outras: com a promessa de "Vou só beber um copo e depois bazo cedo para casa" que não é mais do que um bilhete para uma montanha russa cujo único caminho é a descer.

A promessa foi, como sempre, quebrada e o copo transformou-se em vários e o ir cedo para casa só seria verdade se nos regêssemos pelo fuso horário de guarda-nocturno.

Deve ter sido por volta das três da manhã, quando se decide, já com um copo a mais, que ir para uma discoteca é que é o que precisamos para a nossa vida naquela momento. Estava com um grupo de amigos e lá entrámos, depois de passar na temível vistoria do porteiro que só os homens compreendem, pois não possuindo vaginas, há sempre o risco de ele não nos deixar entrar para não comprometer o rácio dentro da discoteca e estragar o negócio. Deixámos os casacos no bengaleiro e fizemos o que todos os homens fazem quando entram numa discoteca: ir directo ao bar pedir uma das bebidas pelas quais já pagámos.

Estava alegre, naquele estado inebriado em que estou no meu canto, calminho e sem chatear ninguém, mas não demasiado bêbedo e prova disso é que reparava que estava a enrolar a língua e que dizer palavras como "solidariedade" seria uma tarefa impossível. Quando percebemos que estamos a enrolar a voz é sinal de que ainda estamos relativamente bem, caso contrário nem reparamos e dizemos "Eu, a enrolar a voz?! Estou perelefeitamente bem.". Lá estava na danceteria de jovens e fui ao WC; coloquei-me de frente para um dos urinóis que, felizmente, estavam livres. Sim, não gosto de urinar com desconhecidos ao lado. Tenho a bexiga tímida. Nisto, quando estou já a meio, com a cabeça encostada à parede - que, já agora, deveria ser almofadada em todos os urinóis - quando um rapaz ocupa o urinol do lado. Tranquilo, já estava a meio e, por isso, já não havia aquela pressão de ter de começar a fazer, mesmo com o constrangimento acrescido de o rapaz ser negro, o que causa sempre mais insegurança nos homens brancos que querem utilizar o urinol. Nisto, ele faz aquilo que nunca se deve fazer: inicia conversa comigo. Ora bem, dois homens com os pénis nas mãos só devem conversar se forem muito amigos ou muito gays. Nada contra, apenas a constatar factos no tocante à etiqueta da conversa com miudezas nas mãos. Eis a conversa que se seguiu:

- Gostas de rap? - pergunta-me, talvez a música nessa altura fosse rap, não sei, sei que se fosse ao contrário talvez fosse racismo.
- Gosto, sim. - respondo, sempre a olhar-lhe nos olhos para não correr o risco de olhar para baixo sem querer.
- E rap tuga, curtes?
- Sim, por caso oiço bastante. - algo que é verdade.
- E que rappers curtes?
- Eh pá, vários... Sam the Kid, Valete, Xeg, por aí.
- Fixe fixe, e curtes Sir Scratch?
- Ya, também curto, por acaso. - algo que também é verdade.
- A sério? - pergunta com um sorriso.
- Sim. - asseguro-lhe.

Ele fica a olhar para mim a sorrir, desvio o olhar, dou três sacudidelas no trombinhas e despeço-me com um "Vá, fica fixe". Lavei as mãos e quando saio do WC tive uma espécie de momento Eureka, uma epifania ao som de um qualquer banda de indie rock britânico que passava na altura: apercebi-me que o gajo era o Sir Scratch. Afinal aquilo não tinha sido o pior engate gay interracial da história das casas de banho de discoteca! Afinal o sorriso malandro dele e o ar incrédulo não era por eu conhecer Sir Scratch e ser a alma gémea dele, mas sim porque ele era o MC em questão. Na verdade, mesmo que tivesse desconfiado talvez não lhe perguntasse se ele era o Sir Scratch, já que, caso não fosse, seria uma pergunta potencialmente racista e ele ainda me respondia que não e me acusava de achar que os negros eram todos iguais.

Ri-me sozinho e fui buscar uma bebida. Estou, ali, a curtir o som como um homem branco curte o som na discoteca: balancear levemente os ombros, sem levantar os pés do chão, quando sinto um toque no ombro. Era um segurança que emergia por uma porta atrás de mim à qual, aparentemente, eu estava a bloquear a saída.

- Não pode estar aqui à frente! - diz-me com aquele tom simpático e cordial que a maioria dos seguranças de discoteca tem.
- Peço desculpa, não reparei - justifiquei, humildemente, como se deve sempre fazer com alguém que tem o dobro do nosso tamanho e que tem ar de quem tem por hobbies fazer crochet e partir canas do nariz com a testa.
- Afaste-se já daqui, não volto a avisar! - continuou, naquele tom meigo tão característico dos seguranças e dos ursos pardos.

Nisto, vejo que a porta tem daqueles sinais "Proibida a entrada a estranhos" e embora fosse anos antes de ser comediante, o bicho de dizer palermice sempre esteve aqui dentro e, com o álcool, tomei a decisão inconsciente e precipitada de dizer o que estava a pensar:

"Se aí diz que não podem entrar pessoas estranhas, como é que o senhor veio daí? Podem sair pessoas estranhas, mas não podem entrar? Os estranhos entram por outro sítio e saem por aqui, é isso?"

Há ali um momento de pausa onde me apercebo que ou ele era burro e a piada ainda estava em processamento ou que não tinha achado graça ao meu génio humorístico. Pareceu-me que a segunda hipótese seria a mais provável e tento aliviar a tensão, dando-lhe uma palmadinha no ombro e dizendo "Estou só a ser parvo, não se chateio comigo.". Curiosamente, não funcionou. Ele, sem dizer nada nem pestanejar, limita-se a agarrar-me por um braço e a levar-me lá para fora. "Que falta de sentido de humor", disse-lhe enquanto ele me escoltava até à porta. "Posso ir buscar o meu casaco", perguntei, ao que ele me responde grunhindo um "Não", entredentes.

- E agora o meu casaco? - perguntei, já cá fora.
- Venha cá noutro dia buscar. - gostei da educação de me tratar na terceira pessoa depois de me ter apertado o braço como se fosse feito do mesmo material das bolas anti-stress.
- A sério que não me vai deixar entrar para ir buscar o meu casaco?! - pergunto, incrédulo.

Virou-me as costas e não me respondeu, provavelmente por eu ter utilizado demasiadas palavras numa frase e ele ter ficado confuso. Comecei a chamar-lhe todos os nomes e a dizer que não sabia com quem se estava a meter. Isto na minha cabeça e já longe da discoteca, claro. Liguei aos meus amigos a contar o sucedido, eles saíram da discoteca e vieram ter comigo. Rimos, fomos comer e, milagre, chegamos relativamente cedo a casa.
Ler mais...

10 de julho de 2018

Festivais de Verão, drogas e bebedeiras, abandono de animais



Neste episódio falamos sobre festivais de verão, drogas e bebedeiras, abandono de animais, tubarões, aracnofobia e muito mais. É ouvir e, se gostarem, subscrevam e partilhem.



Podem ouvir e subscrever o podcast nas seguintes plataformas e noutros players e agregadores.


  
 




iTunes - Pesquisem na store ou sigam este link (avaliem e subscrevam)


Não se esqueçam de subscrever na vossa plataforma favorita, deixar like na página do Facebook, comentar e partilhar com os vossos amigos. Obrigado e um bem haja.
Ler mais...

3 de julho de 2018

Cronologia do dia de uma Influencer Digital



A profissão da moda é ser Influencer Digital. O Instagram é o habitat natural desta nova espécie humana e, se alguns criam bom conteúdo, há muitos que conseguem visibilidade apenas pela cultura do ego que floresce nas redes sociais. As marcas, na sua maioria ainda burras no tocante ao digital, pagam-lhes bem para que "influenciem" o seu público, não se preocupando com o conteúdo, mas apenas com a visibilidade. Exemplos: uma rapariga tetuda - cujas fotos são 99% compostas por decotes e fios dentais - é seguida por 300 mil pessoas em que 99% são homens rebarbados? Não interessa, ela que promova uns cremes para a celulite. Um gajo que aparece nas novelas e que só coloca fotos dos abdominais e é seguido apenas por mulheres? Não interessa, ele que promova espuma de barbear mesmo que só tenha um bigode mal semeado que faz com a pinça.

Um influenciador que apenas fala dos temas que estão a bater e que segue as tendências ditadas pelos likes, não é um influenciador. É um influenciado.

As pessoas invejam a boa vida destes influencers, mas imagino a canseira que deve ser o seu dia-a-dia, sempre com um fotógrafo atrás, e a terem de se lembrar de todas as marcas que têm de identificar nas cinquenta fotografias que publicam por dia e, mesmo quando a vida lhes corre mal a terem de fabricar o sorriso para a câmara para mostrar que as suas vidas são perfeitas. Deve ser algo assim:

09:00h - Acordar, ir a correr maquilhar-se, voltar para a cama e publicar uma selfie com as seguintes hashtags #semFiltro #AcordeiAssim #Natural #LindaSemMakeup - taggar, subtilmente, a marca Maybelline.

09:30h - Já produzida, publicar uma fotografia a dizer "As maravilhas que a maquilhagem faz!", identificando a L'Oreal porque uma influencer pode gostar igualmente de Pepsi e Coca-Cola que o público não acha estranho.

10:00h - Ir ao café comprar bolos, sumo de laranja, ovos mexidos e croissants. Voltar para casa e colocar tudo na mesa. Tirar uma fotografia e escrever "O pequeno-almoço é a refeição mais importante do dia, por isso preparei isto tudo com a ajuda da Bimby.". Deixar sempre uma pergunta "E o vosso pequeno-almoço, como foi?" para criar engagement. Criar um perfil falso para comentar "O meu foi Chocapic!" e responder com o perfil de influencer "Também gosto muito de @Chocapic".

11:00h - Ir ao ginásio, fazer três séries de dez fotos, antes, durante e depois do treino. Publicar, sem uma pinga de suor, e com a legenda "No pain, no gain". Referir o cupão da Prozis.

12:00h - Ir ao café e publicar uma fotografia com a legenda "Adoro vir à Padaria Portuguesa sozinha, para reflectir um bocado sobre a vida". A foto é tirada de longe pelo fotógrafo profissional que a acompanha sempre, especialmente nestas vindas ao café para estar "sozinha" para reflectir, sendo que apenas reflecte no espelho da casa de banho quando lá vai tirar fotografias.

13:00h - Foto do almoço leve que tem de ter aveia e/ou abacate e fruta da época. Dizer que o pão sem glúten do Celeiro é uma maravilha e que se está viciada naquilo. É celíaca a nossa influencer? Não, mas está na moda e há que apanhar o barco, especialmente se for um Cruzeiro oferecido pela Logitravel.

14:00h - Colocar uma foto com o namorado, todos sorridentes e com muitos emojies. Depois da foto, voltam a não dirigir a palavra um ao outro porque estão chateados há mais de uma semana.

15:00h- Colocar foto na praia a mostrar o rabo e/ou as mamas com uma citação que ela pensa ser do Fernando Pessoa, mas que afinal é do Silvester Stalone, algo do género "Não é sobre bater. O que importa é o quanto você aguenta apanhar e ainda continuar lutando, já dizia o nosso poeta que não tinha um olho. Já agora, para quem estiver a pensar de onde é este fato de banho, é da nova colecção da Primark."

16:00h - Tirar uma foto a rir para o infinito, com um batido da Herbalife na mão e com a legenda "Estes batidos da Herbalife são mesmo práticos, já não passo sem um na praia!" Nisto, passa o homem da bola de Berlim e ela pergunta se lhe oferece uma bola com creme em troco de uma fotografia. O senhor diz que não e ela pergunta "E se for sem creme?". Esta gente vende-se de tal forma que até devem ter um cupão de desconto para irem para a cama com eles.

18:00h - Fotografia de vários produtos que as marcas enviaram por correio. Agradecer como se fosse espontâneo e as marcas tivessem detectives que lhe descobriram a morada.

19:00h - Ir ao sunset num rooftop e tirar uma foto de costas, a contemplar o sunset, com os braços esticados no ar e com um copo de gin numa mão. Colocar uma frase cliché "Às vezes, esquecemo-nos que as pequenas coisas são as mais importantes da vida e que a simplicidade é felicidade porque menos é mais. Bem, agora tenho de baixar os braços porque ainda estão doridos do treino que fiz hoje no Solinca."

19:30h - Ao voltar para casa do Sunset, tirar uma foto durante a viagem e dizer o quanto se gosta da Taxify e que, por coincidência, até têm um código de desconto que as pessoas podem usar.

21:00h - Jantar fora num restaurante gourmet, tirar foto aos dez pratos de degustação, sempre identificando o restaurante e dizendo que está delicioso. No fim, ir ao McDonald's comer porque ficou com fome. Tirar fotografia do Big Mac e guardar para outro dia em que eles façam uma proposta.

22:00h - Tirar uma fotografia a ver um filme com um balde de pipocas e usar as seguintes hashtags #Netflix #PipocaDoLidl #SofaIKEA #TVLG #FotoTiradaComTelemóvelSamsung #VernizKiko

23:00h - Tirar uma fotografia de quatro durante o sexo e agradecer à Durex. Depois, tirar o preservativo e acabar o serviço para ver se engravida e assim ter o patrocínio das marcas que vendem produtos para bebés.

23:05h - Publicar uma fotografia a desejar boa noite a todos os seguidores com product placement do ValdispertNoite Rapid.

Um dia preenchido, ainda dizem que esta gente não trabalha. O problema não é a publicidade, isso é normal e todos que andamos nesta vida o fazemos. O problema é ser SÓ publicidade sem nunca terem criado nada de palpável, estilo Kim Kardashians da Brandoa. O público é que manda? Claro que sim, por exemplo, a Kim Kardashian lançou um livro com as suas selfies e vendeu mais de 150000 exemplares. Não, o público não é burro, ora essa. No fundo, isto é tudo inveja e, na verdade, o burro sou eu que que referi aqui 23 marcas e ninguém me pagou para isso.

PS: Se me quiserem ajudar a ser um influencer no Instagram, podem seguir-me em @guilhermercd. Prometo publicar fotos de decote e fio dental.
Ler mais...

1 de julho de 2018

Madonna pode estacionar no lugar dos deficientes



Portugal está na moda, já todos estamos cansados de saber, e começa a atrair celebridades mundiais. Depois de Monica Bellucci e de mais uns quantos que decidirem comprar casa em Portugal, foi a vez de Madonna se mudar para a nossa capital. Reagimos como é nosso apanágio: primeiro, eufóricos pela aprovação da rainha da pop, numa espécie de orgulho parolo que tanto nos caracteriza; depois, começámos a torcer o nariz porque ela nunca mais se decidia quanto ao imóvel que iria adquirir. Levámos a peito o facto de a maioria de nós não ter possibilidade de escolha e ter de se contentar com um T0 no Cacém a 800€ mensais, enquanto que a eterna virgem se passeou por propriedades e casas no valor de milhões de euros sem nunca se mostrar satisfeita. Quando ela se queixou da burocracia dos nossos serviços, reagimos como sempre quando um estrangeiro diz mal de algo que nos é tão querido: "Ai estás a dizer mal de Portugal? Pensavas o quê? Que irias ser privilegiada? Aguenta e não chora que Portugal é isto.". Era o que faltava vir para cá uma dondoca americana dizer que a nossa Segurança Social não funciona bem! Era o que faltava vir um estrangeiro dizer que o nosso ordenado mínimo é miserável! 

Isso é apropriação cultural, se os estrangeiros nos tiram o prazer de dizermos mal de tudo o que é nosso, o que é que nos resta? Apreciar a nossa gastronomia, não?

Era o que faltava, querem vir, venham, gastem dinheiro, mas só podem dar cinco estrelas no Zomato a este restaurante à beira mar arrendado que é o nosso.

Agora, estalou o verniz porque a Câmara Municipal de Lisboa cedeu um espaço para a Madonna estacionar os seus quinze carros. Já tentaram estacionar no centro de Lisboa? É um caos. Temos de dar voltas e voltas e quando parece que encontrámos um lugar, afinal é um SMART que está lá, mesmo a fazer-nos pirraça. Agora, imaginem o que é estacionar 15 carros! Coitada da sôdona Madonna. Aliás, coitados dos motoristas que a conduzem. O grande problema é que se quisermos estacionar em Lisboa, mesmo nas zonas mais baratas, temos de pagar, no mínimo, uns 8€ aos senhores da EMEL. A Madonna só vai ter de pagar 720€ por mês para os 15 carros, o que dá 2,18€ por cada um, por dia. A semana passada, deixei o carro num parque, durante algumas horas, e tive de arrotar 15€ o que equivale a quase 2% do valor do meu carro. Se alguém podia pagar o valor absurdo do estacionamento em Lisboa é a senhora Madonna. O Medina, se fosse esperto, tinha-lhe dito "Sim senhora, cedemos o espaço por 10 mil mensais e esse dinheiro vai directo para uma instituição de solidariedade à sua escolha". Isto, sim, era bonito e toda a gente ficava contente, mas enquanto não for eu a mandar nisto tudo, não há forma de Portugal ir ao sítio. Não fosse o caso dos carros da Madonna serem conduzidos pelos seus motoristas e pensava que o Medina estava a ser machista ao pensar que, por ser mulher, precisa de espaço para 15 carros para estacionar um sem raspar em lado nenhum.

A nós, comuns mortais, isto ofende-nos, mas, na verdade, não perdemos nada. Quem perde são os arrumadores de carros que fariam uma fortuna a ajudar os motoristas da Madonna a "destorcer" ou a "untwistar". Nós só damos cinquenta cêntimos, no máximo, ou dois cigarros; os motoristas da Madonna, ainda por cima com carros que não devem ser baratos, dariam uma extinta nota de 500€ mesmo que o arrumador só chegasse no fim da manobra para nos tranquilizar com o seu "'Tá bom!" ou "It's ok!". Medina podia ir mais longe e oferecer um dístico de residente da EMEL para todas as zonas de Lisboa e um dístico de deficiente para que a Madonna possa estacionar onde quiser. Acho, até, que a Madonna podia estacionar em cima das passadeiras e que o carro dela devia ter daqueles autocolantes a dizer "Cuidado, Madonna a bordo" para que a polícia fechasse os olhos a todas as contra-ordenações.

Por falar nisso, aposto que há quem esteja indignado e que tenha por hábito estacionar no lugar dos deficientes sem ser deficiente, pelo menos legalmente, porque ao fazê-lo cria um paradoxo da deficiência mental.

Portugal foi eleito o melhor destino da Europa para reformados e, parecendo que não, a Madonna já está nos 60. Não tarda, quando a virem a passar à frente na fila do supermercado, não é por ser a Madonna, é mesmo porque já tem prioridade. Por muito que nos custe engolir, a Madonna é uma plataforma de marketing que Portugal não pode recusar e se isso significar ceder perante os seus caprichos, talvez nos compense. Com a Madonna cá, Portugal fica ainda mais na moda, as rendas aumentam (ainda mais) e, como os portugueses não vão ter dinheiro para as pagar, vai atrair mais estrangeiros que são os únicos capazes de comprar ou arrendar essas casas, logo, mais dinheiro a entrar em Portugal. Aos comuns mortais, restará ir morar para os arredores de Lisboa ou do Porto, tipo Castelo Branco, ou algo menos próximo.

Por muito que nos custe, não somos todos iguais. Há uns com mais dinheiro, mais mediatismo, mais poder e, com tudo isso, com mais facilidades para tudo o que são coisas materiais. Acham mesmo que o poder de negociação da Madonna é igual ao nosso? Claro que não e a culpa não é dela nem de quem lhe faz as vontades. A culpa é de quem a idolatra e lhe confere esse estatuto.
Ler mais...

27 de junho de 2018

Astrologia, horóscopo e outras tretas



Sempre que alguém me pergunta qual o meu signo, digo que sou Escorpião e oiço o seguinte: "Ah, logo vi. Está tudo explicado...", ao que respondo "Pois, só que sou Peixes, por isso podes calar-te com essa conversa de merda dos signos". Há um momento de tensão e a pessoa diz "Se calhar é o teu ascendente... em que dia e a que horas nasceste?". Neste momento, reviro os olhos e dou-lhe uma chapada à padrasto.

Por algum motivo estranho, muita gente acredita que os signos têm influência na personalidade e vida das pessoas. Acham que a posição de corpos celestes, aquando do nosso nascimento, tem impacto nas nossas características psicológicas. Já foram feitos estudos científicos para testar os resultados da astrologia? Já. Provou-se que tinha algum fundamento? Não. Então, porque é que tanta gente acredita nos signos?

Porque são pessoas e as pessoas gostam de acreditar em baboseiras, seja nos signos, no Bigfoot ou na inocência de José Sócrates.

No entanto, existem alguns estudos que indicam que nascer num determinado mês pode ter influência na nossa propensão para doenças mentais, mas que essa propensão é inversa consoante os hemisférios, o que indica que poderá estar associado ao clima e nunca à posição dos astros. Os signos só influenciam a personalidade de uma pessoa se se disser a uma criança todos os dias que ela é um Caranguejo, ao ponto de ela ficar com aquilo na cabeça e, quando for adulta, ficar bipolar e a andar para os lados.

Há uns anos, a NASA anunciou uma nova constelação no Zodíaco o que faria com que os signos fossem 13 e não 12 e que a maioria das pessoas andasse toda trocada. Os astrólogos assobiaram para o lado e os crentes entraram em pânico, especialmente os que tinham tatuado o seu signo; aposto que houve quem pensasse "Ah... então é por isso que continuo desempregado, ando a ler o horóscopo errado, eu a pensar que era por o meu CV ser uma merda e afinal é porque sou Ophiuchus e não Sagitário." No entanto, penso que agora já podem descansar porque os signos voltaram a ser 12, porque o Leão rescindiu do Zodíaco.

O gajo que inventou os signos - sim, porque foi um gajo para ter tema de conversa para sacar gajas - começou "Ora bem, carneiro, leão, touro, escorpião, caranguejo, peixes... não me estou a lembrar de mais animais assim de cabeça... vai um aquário para meter os peixes, vai uma balança para pesar e o resto vai à parva".

Se eu vos fizer a seguinte leitura astral, com mapas e tudo para parecer uma coisa à serio e chegar a esta conclusão, quantos de vocês se identificam com ela?

És uma pessoa honesta e que preza a sinceridade. És amigo do teu amigo, mas se uma pessoa não for leal contigo nunca mais esqueces, embora possas perdoar. Por fora, usas uma capa de pessoa forte, mas, no fundo, és dotado de uma forte sensibilidade e tens momentos de grande insegurança e tendes a ser muito crítico em relação a ti mesmo. Em certos ambientes consegues ser extrovertido, mas precisas de te resguardar e carregar bateria estando algum tempo isolado.

Quantos se identificaram? É o chamado Barnum effect que faz com que nos identifiquemos com frases vagas e ambíguas que se aplicam a quase toda a gente. Nenhuma leitura astral dá o seguinte resultado: "És uma merda de pessoa. Não sabes fazer rotundas, ouves música alta nos transportes públicos e devias falecer. Marte está na terceira casa e tu devias ir para a casa do caralho. Obrigado e volte sempre".

Se os signos tivessem alguma influência, cada um de nós teria uma vida semelhante a cerca de 630 milhões de pessoas pelo mundo. Quer dizer, os chineses têm outros signos, por isso não sei em quais acreditar. Complementam-se ou anulam-se? Ninguém sabe. Alguém desconfiou disto e pensou "Eh pá, o Zé também é Gémeos e, no entanto, ele é totalmente diferente de mim. O gajo é um palerma e eu sou uma jóia de pessoa." e foi assim que nasceram os ascendentes e outros detalhes complexos que desculpabilizam qualquer falha nas previsões astrológicas.

Os signos são a ganza do esoterismo. Muita gente acredita, alguns só socialmente, e podem ser a porta de entrada para coisas mais graves como o Tarot ou o Reiki, onde um gajo gasta dinheiro a sério.

Mais do que influir na nossa personalidade, as estrelas e os planetas podem servir para prever o futuro, tendo em conta o nosso signo. Vamos ver as previsões do horóscopo de hoje para o meu signo, peixes, feitas por cinco aldrab... astrólogos conhecidos da nossa praça:

MayaFaça alterações na sua vida mas não se esqueça de responsabilidades. Mostre firmeza nas ações, a sua força abrirá caminhos.

Bolas, Maya, eu que estava aqui numa de não alterar nada na minha vida ou, a alterar, cagar nas responsabilidades todas. Além disso, estava a contar não ser firme nas minhas acções, mas sim mole. Obrigado.

Maria HelenaTerá oportunidade de assumir uma relação séria. Força! Irá sentir-se em plena forma. Sinal de que a boa alimentação está a dar frutos. Números da Sorte: 14, 16, 26, 31, 39, 47

Ora bem, tenho uma relação séria há muitos anos e já a assumi. Não me parece que durante o dia de hoje me apeteça assumir outra, mas nunca se sabe, depende se for para os copo sou não. Plena forma? Ah ah ah, estou tão em baixo de forma que fiz uma distensão muscular a espreguiçar-me! Boa alimentação? Sim, ontem ter saído de casa às 23h para ir comprar um gelado à bomba de gasolina está mesmo a dar resultados. Tudo ao lado Maria Helena, que incompetente de merda. Assim nem vou usar os números da sorte que, curiosamente, estão todos compreendidos em 1-50 que é mesmo a puxar que eu jogue no Euromilhões ou no Totoloto. Sabes muito, Dra. Maria Helena, mas eu sei mais.

Paulo CardosoDurante este dia poderá vir a ajudar uma pessoa do seu ambiente de trabalho e é bem possível que a relação se torne algo mais do que profissional.

Ora bem, eu trabalho sozinho em casa, neste momento. Hoje falei com o meu agente e com o Ricardo Cardoso do Falta de Chá. Posso dizer que tenho uma relação mais do que profissional com eles, somos amigos, mas algo mais? Não me parece, mas lá está, depende se formos para os copos ou não.

Simara - Abrande o ritmo de trabalho ou poderá ficar stressado e doente.

A sério que se trabalhar muito fico stressado e até doente? A Simara consegue ser menos útil do que a minha médica de família. E os peixes que estejam desempregados, como é? Pois, agora papei-te. Simara, Simara, por falar em papar, vai mas é comer uma bola de berlim e deixa-te de merdas.

Andam os cientistas a tentar perceber se a nossa personalidade é mais influenciada pela genética ou pela educação e envolvente cultural, quando esta gente doutorada em Hogwarts e com mestrado da Disney já resolveu o mistério e, afinal, é tudo culpa das estrelas e dos planetas. "Não negue à partida uma ciência que não conhece", dizia, há mais de 20 anos, a saudosa Alcina Lameiras, num anúncio de televisão às suas linhas de valor acrescentado. Pois e não nego, o problema é que a Astrologia não é uma ciência. É só treta. Confundir Astronomia com Astrologia é o mesmo que confundir Música com Maria Leal.
Ler mais...

26 de junho de 2018

Homens vs Mulheres, Monogamia, Ter filhos



Convidámos a escritora Patrícia Müller e falámos sobre novelas, diferenças entre homens e mulheres, monogamia, os movimentos feministas, ter filhos, e muito mais. É ouvir e, se gostarem, subscrevam e partilhem.



Podem ouvir e subscrever o podcast nas seguintes plataformas e noutros players e agregadores.


  
 




iTunes - Pesquisem na store ou sigam este link (avaliem e subscrevam)


Não se esqueçam de subscrever na vossa plataforma favorita, deixar like na página do Facebook, comentar e partilhar com os vossos amigos. Obrigado e um bem haja.
Ler mais...

25 de junho de 2018

Resumo da prestação de todos os jogadores de Portugal



Portugal passou aos oitavos de final, com mais uma vitória do que quando fomos campeões europeus e a fazer o mesmo tipo de jogo meh. Aqui fica um resumo detalhado da prestação de todos os jogadores nos três jogos disputados.

Rui Patrício - Não comprometeu e, que me lembre, ainda não deu daquelas chouriçadas quando se sai aos cruzamentos e parece que tem um olho vesgo. Nenhum dos golos foi culpa dele e ainda salvou umas quantas bolas. Não admira que já tenha contrato com um dos melhores clubes do mundo, o Wolverhampton.

Anthony Lopes e Beto - Foram passear à Rússia, com tudo pago e uma diária jeitosa, sem terem de trabalhar, mas continuam a desejar que o Patrício parta uma perna.

Cédric - No jogo contra o Irão, deu uma chapada de luva branca a quem diz que é mais forte a atacar do que a defender, fazendo um excelente corte a um lance perigoso. Pena ter sido com o braço e dentro da área. 

Ricardo Pereira - Até ficou zonzo quando soube que vinha ao mundial e que o Cancelo e o Semedo ficavam em casa. É aproveitar o SPA, porque mesmo que o Cédric se lesione ou seja expulso, Fernando Santos prefere jogar com três centrais do que com ele.

Pepe - Um dos poucos gajos que devia continuar careca. No jogo contra a Espanha levou um toque do Diego Costa e mandou-se ao chão à espera da falta. Era falta? Sim. O árbitro marcou? Não. O Pepe foi flausina e fez merda ao atirar-se para o chão? Sim. Esteve bem nos outros jogos? Razoável.

Bruno Alves - Devia ser titular devido à sua experiência em jogar na Rússia. É metê-lo contra o Uruguai, caso o Suárez se lembre de lhe morder, além de partir os dentes na carapaça do Bruno, ainda leva uma joelhada na moleirinha.

José Fonte - Não tem estado mal o que já é um grande elogio.

Rúben Dias - O Jorge Mendes anda sem saldo e ainda não conseguiu ligar ao Fernando Santos para o colocar a titular para depois ser vendido por 500 milhões de euros para um dos seus clubes e depois ser emprestado vezes sem conta e nunca mais ninguém ouvir falar dele.

Raphael Guerreiro - Muito abaixo da forma que mostrou anteriormente. Perdeu o Guerreiro e o Ph está neutro.

Mário Rui - Tem nome de jogador da distrital ou de cantor pimba e só foi convocado porque o Fábio Coentrão está remendado com fita adesiva nos dois joelhos e fumou ainda mais do que o habitual com todo o stress que teve no Sporting este ano.

William Carvalho - O motor do meio-campo da selecção, sendo que é um motor de um Fiat Punto 1.0 num camião carregado com barras de chumbo. O William é aquele jogador a quem se passa a bola quando se quer descansar um bocado. "Olha aí que estamos a correr muito, passa a bola ao William para ele abrandar o jogo". Fez uns bons passes, recuperou umas boas bolas, fez uns péssimos passes e perdeu muitas bolas. O William ainda está desempregado por algum motivo.

João Moutinho - Nem se tem dado por ele. O Moutinho atingiu o pico muito cedo e agora está a tornar-se aquele pessoal da nossa escola que era o mais popular e que, passado uns anos, estão gordos, carecas e com três filhos ranhosos.

Manuel Fernandes - Só veio porque se tinha esquecido de umas cenas na Rússia e precisava da boleia.

Adrien Silva - Contra o Irão mostrou que devia ter sido titular nos outros jogos e que o facto de ter estado meia época a descansar fez com que chegasse ao mundial com mais ritmo do que os outros.

Bruno Fernandes - O Bruno Fernandes não tem cara de jogador de futebol, tem cara de quem vende farturas e bifanas numa roulote. Se continuar a não agarrar as oportunidades que o Fernando Santos lhe dá, corre o risco de não arranjar clube e ter mesmo de se dedicar às farturas ou, pior, de ter de ir para o Benfica.

João Mário - Começo a pensar que o Sporting fez muito bem em vendê-lo e que enfiou um barrete ao Inter de Milão. Fez um bom passe de calcanhar contra o Irão e foi muito isso.

Bernardo Silva - Talvez o jogador desilusão, até agora, da equipa portuguesa. É parecido com um dos gajos dos DAMA e tem jogado tão mal quanto esse canta.

Gelson Martins - Deu uns toques, correu, fintou dois e depois fintou-se a ele próprio. A continuar assim, ainda vai ter de voltar para o Sporting.

Quaresma - O único cigano capaz de fazer os portugueses gritar sem ser por socorro. Fez um golão de trivela, três penteados novos e vinte tatuagens. Eu comprava chuteiras nos ciganos e como descosiam logo na parte de dentro, também tinha de fazer trivelas.

Gonçalo Guedes - Com a aerodinâmica não se brinca e o Guedes devia jogar com fita adesiva nas orelhas coladas à nuca que, sem isso, o atrito é demasiado. Tinha tudo para ser um dos jogadores sensação desde mundial, mas, até agora, é só o menos pior dos Dumbos, se contarmos com o Messi.

André Silva - Não fez um mau jogo contra o Irão, mas era o Irão e devia ter feito mais. É o menino bonito da selecção, agora que o Ronaldo deixou crescer uma pêra.

Cristiano Ronaldo - Espetou três batatas na Espanha, duas de bola parada e um de frango directo. Marcou um livre magistral e, como tal, não devia marcar mais nenhum durante o mundial porque, dizem as estatísticas, só acerta 1 em cada 36 e mais vale deixar para outro. Sem ele já tínhamos voltado para casa, é certo, mas aquela pêra mal semeada que está a deixar crescer na cara é ridícula.

Balanço final: Passámos aos oitavos, mas assim não vamos lá. Nem tivemos de fazer contas para passar da fase de grupos nem nada. Agora, temos é de nos decidir, não podemos andar a gritar "Somos candidatos!!! Somos das melhores selecções do mundo!!! Campeões europeus!!! Ah, caraças, o Uruguai é que não. Estamos tramados."  
Ler mais...

19 de junho de 2018

Estupidificação das massas, Mundial de Futebol, Nostalgia de jogos de computador



No episódio desta semana falamos sobre a estupidificação das massas; sobre o mundial de futebol; sobre o patriarcado e ser modelo; sobre a nostalgia dos jogos de computador e de consola e muito, muito mais. É ouvir e, se gostarem, subscrevam e partilhem.



Podem ouvir e subscrever o podcast nas seguintes plataformas e noutros players e agregadores.


  
 




iTunes - Pesquisem na store ou sigam este link (avaliem e subscrevam)

Não se esqueçam de subscrever na vossa plataforma favorita, deixar like na página do Facebook, comentar e partilhar com os vossos amigos. Obrigado e um bem haja.
Ler mais...

As crianças são burras e estúpidas



Há uns tempos, estava a dar um workshop de escrita criativa e humor (bem sei a história perde um pouco a credibilidade com este começo) quando, respondendo a alguém do público sobre a potencial má influência de alguns youtubers, disse que podia haver esse perigo e que era preciso os pais terem cuidado porque a maioria das crianças é burra e estúpida. Um senhora insurgiu-se e disse, com uma cara horrorizada, "Não concordo nada com isso e até estou estupefacta como é que alguém diz uma coisa dessas!". Percebi, então, que nem toda a gente que estava naquele workshop fazia a mínima ideia de quem eu era e retirei algumas conclusões sobre a senhora: primeiro, não percebeu a parte de estarmos num workshop que tem a palavra "humor" no título; depois, parece-me que deve ter faltado à aula sobre a utilização do exagero e da hipérbole como excelentes ferramentas para fazer rir. Era óbvio que eu estava a tentar ser engraçado, mas, se pensarmos bem, será que não é um bocadinho verdade? Só um bocadinho?

Debrucei-me sobre o assunto e cheguei à conclusão que, afinal, eu tinha razão, mesmo estando a generalizar e a exagerar. Acho, até, que é perigoso para as crianças que achemos que elas não são burras. Se partirmos do princípio que as crianças são muito inteligentes e que conseguem tomar decisões sozinhas e não precisam de protecção, somos capazes de aumentar a mortalidade infantil exponencialmente. Não estou a dizer que isso seja mau, há gente a mais no planeta e era um excelente acto de ambientalismo, já que andamos todos preocupados com os sacos de plástico, mas depois queremos aumentar a natalidade sem pensar que, assim, nascem mais seres humanos que vão poluir durante toda a sua vida.


O melhor para o planeta é a extinção da raça humana e, nesse sentido, não ter filhos vale mais do que separar o lixo e levar as compras do supermercado todas equilibradas na cabeça.

Voltando ao facto de as crianças serem burras: é por isso que os pais e a sociedade precisam de ter cuidado com elas e de as proteger. Temos de partir do princípio de que as crianças não tomam decisões inteligentes e é por isso que escondemos a lixívia porque elas, burras como são, podem lá ir beber a pensar que é Cerelac. "As crianças não são nada burras, são até muito inteligentes" dizia a tal senhora ofendida. Se isso fosse verdade, um adulto com a inteligência de uma criança de dois anos não seria considerado atrasado mental. Quanto ao serem estúpidas, basta irmos a qualquer escola para percebermos que as crianças são do mais maldoso e preconceituoso que existe. A culpa é delas? Até uma certa idade, é óbvio que não, não têm noção do que dizem ou fazem e estão apenas a imitar o que vêem os adultos ou as outras crianças a fazer.

Ser criança só é um qualidade enquanto se é criança no cartão do cidadão, caso contrário, um adulto que se porte da mesma forma que uma criança, é apelidado de infantil e isso raramente é um elogio. Se uma criança matar outra criança, mesmo que de propósito, empurrando-a das escadas abaixo, é considerada inimputável pelos seus actos. Sabem quem é que também tem esse privilégio? Os malucos e os deficientes mentais, logo, uma criança é mais parecida com esses do que com o resto da população. As crianças são esponjas e aprendem a uma velocidade incrível, é certo, mas se lhes medirmos a inteligência pelos padrões de um adulto, não há dúvidas que são burras. Por exemplo, um chimpanzé é mais inteligente do que uma criança de três anos e dizem que um cão tem a inteligência de uma criança de dois anos. Ora, a minha cadela ladra à própria sombra e já vi macacos a comerem as próprias fezes todos sorridentes. Esta minha argumentação prova que as crianças são burras. Sim, inteligência é um termo abstracto e existem vários tipos e várias formas de a medir, mas se formos pela abordagem de que inteligência é a forma de como um ser se adapta e sobrevive ao seu meio envolvente, deixem lá uma criança de cinco anos no meio do mato a ver se consegue construir um abrigo e caçar javalis. Até o Mogli só sobreviveu porque vieram os lobos dar-lhe uma ajudinha.

Já sei que muita gente vai ficar ofendida com este texto, especialmente mães e pais sem sentido de humor devido à privação do sono a que estão sujeitos, neste momento, porque o seu recente rebento, para além de burro, é ingrato e só sabe pedinchar e chorar por tudo e por nada. "Não podes dizer essas coisas, as crianças são o melhor do mundo!", dirão. Se as pessoas que dizem isto pensassem mesmo, genuinamente, assim, não haveria tantas a morrer em África de causas completamente evitáveis.

As crianças só são a melhor coisa do mundo para os pais, para o Pai Natal e para os pedófilos.

E para os pais, só são a melhor coisa do mundo porque crescem e, se tudo correr bem, um dia saem de casa. Por que é que acham que a taxa de natalidade está a diminuir? Porque os casais novos estão a ver que se os filhos forem como eles, só lá para os quarenta é que saem do ninho e deixam de dar despesa.

Quanto aos youtubers, tantas vezes acusados de estarem a contribuir para criar uma geração de atrasados mentais, tenho um misto de sentimentos. Por um lado, todo os criadores de conteúdo, especialmente na Internet, devem ser livres de fazer o que quiserem. Depois, duvido que quando começaram estivessem a contar que agora estariam a entreter crianças da primária; estavam a contar sacar gajas e só têm fãs com idade de mamar e não é da forma que eles tinham pensado. Por isso, acho que cabe apenas aos pais regular o que os filhos podem ou não ver e, não conseguindo evitar que vejam algo que não acham aconselhável, têm de se sentar com eles e explicar o que se passa. Bem sei que muitos pais querem é que os filhos fiquem com o iPad na mão sem os chatear, mas quem lhes disse que educar uma criança ia ser assim tão fácil, enganou-os bem. Por outro lado, como dizia o tio do Peter Parker, "Com grandes views e followers, vem grande responsabilidade". Se eu soubesse que o meu público é, na sua maioria, miudagem de 10 anos, fazia o conteúdo que faço? Provavelmente não, teria mais cuidado, mas tenho 34 anos e outra perspectiva que os miúdos de vinte e poucos ou menos não terão. Pior do que o conteúdo questionável de alguns, é a publicidade de muitos vídeos. Se na televisão, fazer publicidade directamente para crianças tem de obedecer a uma série de regras, na Internet devia ser igual. Só digo isto porque tenho inveja do dinheiro que fazem, atenção.

Claro que uma má influência de antigamente apenas contaminava a turma ou a escola onde andava; hoje, uma má influência pode alastrar-se por milhares ou milhões de pessoas que a seguem. No entanto, isso também é válido para as boas influências e há muita gente no youtube ou em qualquer rede social a fazer coisas muito boas e a inspirar crianças, jovens e adultos ou, simplesmente, a entretê-los e a fazê-los rir. No fundo, a Internet é como Deus: está em todo o lado e, por um lado, dá, mas por outro tira.

A maioria das pessoas é burra, logo, a maioria das crianças também o será. Não são os youtubers os únicos responsáveis por essa criança palerma que têm aí em casa, a culpa também é vossa. É da vossa educação. É dos vossos genes. É da sociedade. É minha. É de todos, mas acima de tudo vossa.

PS: A tal senhora saiu do workshop a meio. Pagaram-me igual.
Ler mais...

13 de junho de 2018

Mundial de Futebol 2018 - Tudo sobre as selecções



Está prestes a começar mais um Mundial de Futebol. São muitas equipas e, por isso, decidi fazer um breve resumo para que seja mais fácil perceber o que poderá acontecer. Não precisam de agradecer, estou cá para vos ajudar.

Rússia - É a anfitriã, os jogadores vêm equipados com dashcams e com dopping. É um país que desrespeita os Direitos Humanos e com um presidente que manda matar quem diz mal dele, mas não falemos disso que isto é o negóci... a festa do futebol!

Alemanha - A equipa que está sempre "em renovação", mas que acaba por ganhar ou ficar lá perto. Percebe-se pela organização da equipa o porquê do Holocausto ter sido tão bem feito executado. Horrível, mas feito com minúcia.

Inglaterra - Até podem ir longe se não apanharem Portugal pelo caminho. Aposto que ainda têm pesadelos com o queixo e com as mãos sem luvas do Ricardo.

Bélgica - A promessa, cheia de bons jogadores, mas que não vão fazer nada de jeito.

Espanha - Longe de ter a selecção de há uns anos, é uma das favoritas. Ainda jogam ao primeiro toque, feitos mariquinhas com medo de apanhar pau do Bruno Alves e do Rúben Dias.

Polónia - Os jogadores ficam borrados se apanham a Rússia ou a Alemanha pelo caminho, mas têm as melhores adeptas.

Sérvia - O Benfica tem mais jogadores e ex-jogadores convocados na Sérvia do que em Portugal.

Portugal - Campeões Europeus que partem com uma grande vantagem pelo facto de terem quatro jogadores desempregados que vão dar tudo a ver se não têm de ir para o Benfica. É Cristiano e mais 10, ou mais 9 se jogar o João Moutinho.

Islândia - A capacidade futebolística do país é inversamente proporcional à sua habilidade para prender banqueiros e políticos corruptos. Se pensarmos bem, a população da Islândia cabe em três estádios de futebol e os convocados representam cerca de 0,01% da população.

França - Foram encavados por um bonito pénis das Caldas e a dúvida é se já terão recuperado de tamanho vexame sofrido em casa. Se eu fosse o Fernando Santos, tinha convocado o Éder só para o meter a jogar caso encontrássemos a França, só para os ver a ter flashbacks do trauma de há dois anos.

Suíça - São sempre neutros e nesta competição também é o caso. Presentes ou não, é um pouco indiferente.

Croácia - Têm o gajo que foi beijado pelo Carriço.

Suécia - Sem Ibrahimovic ninguém quer saber deles.

Dinamarca - Desde aqueles irmãos Laudrup e de ganharem um Europeu quase tão sem querer como a Grécia que nunca mais entraram para as contas.

México - Equipa financiada por Cartéis de droga.

Colômbia - Equipa financiada pelos Cartéis que financiam os Cartéis que financiam o México. Ou ao contrário que ainda me falta ver a última temporada do Narcos.

Costa Rica - A maioria das mulheres brasileiras tem pernas mais musculadas que os jogadores desta selecção tal é a fomeca que passam no seu país. Deviam chamar-se Costa Pobre, mas os fundadores eram optimistas. Os jogadores estão habituados a bola de trapos e chegam a estas provas e não se dão bem com as jubulanis e o catano.

Panamá - Nem sabem jogar à bola, verdade seja dita. É boa equipa para escolher como adversário no FIFA quando estamos numa só de curtir e tentar fazer golos bonitos.

Brasil - O eterno favorito e que mais vezes ganhou esta competição. São sempre os favoritos, embora na última edição, em casa, tenham levado 7-1 da Alemanha. Podem ganhar se não se perderem na noite russa a beber vodka e a festejar com prostitutas.

Uruguai - Ganharam em 1930 e em 1950, mas agora é meh. Tem o Suárez que remata e morde bem.

Argentina - São sempre favoritos, mas não têm feito nada de jeito. Têm o Messi, sim, mas também têm o Acuña que quando acabar este texto já deve ter rescindido do Sporting.

Nigéria - Correm bué.

Senegal - Correm bué e dão uns toques na bola.

Egipto - Têm o Salah e pronto, é isso. Deve ser tramado ser um dos melhores do mundo na sua posição e estar numa equipa que não ganha nada. Foi o que sentiu a vida toda George Weah na Libéria ou o Rui Patrício no Sporting.

Tunísia - Destino turístico pelas praias até um maluco do Daesh andar lá aos tiros. Nem sabia que tinham futebol.

Marrocos - Se jogarem tão bem como vendem caldo Knorr a fingir que é ganza nas ruas de Lisboa, são capazes de ir longe.

Japão - Os Asiáticos podem ter um QI superior, mas a cena dos olhos prejudica um bocado na altura de rematar à baliza e nunca ganham nada.

Coreia do Sul - Desde que deixaram de ter árbitros a ajudar, como da vez que foram anfitriões, nunca mais fizeram nada de jeito. Desta vez estão mais descansados porque a Coreia do Norte está mais mansinha, mas como estão na Rússia, são capazes de ter as pernas a tremer por causa do comunismo.

Arábia Saudita - Os jogadores têm a vantagem de estar mais tranquilos porque sabem que as mulheres não os estão a trair pois estão em casa algemadas e de cara tapada.

Irão - Têm muito potencial, com jogadores prestes a explodir.

Austrália - Desta vez a viagem é mais curta, mas ainda assim é desperdício de combustível. Vieram fazer o que os australianos fazem que é passear, beber copos e papar gajas. Futebol está para a Austrália como os cangurus estão para a Rússia.

Está feito. Adeus e vamos falando.
Ler mais...