12 de novembro de 2018

Pessoas que dizem merda | Árbitros corruptos | Despedida de Solteiro



No sexto episódio do Falta de Chá temos um menu degustação com vários sketches que vão desde a corrupção na arbitragem, a pessoas que dizem merda, passando por despedidas de solteiro e Talent Shows da televisão. É ver no vídeo em baixo.

Clica aqui se não conseguires ver o vídeo em baixo.


Deixem nos comentários qual foi o vosso sketch favorito:

1. Homens do Lixo
2. Árbitros D'Ouro
3. Sair do armário
4. Papei a gaja
5. Talent Show
6. Ladrões
7. Despedida de solteiro

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7 de novembro de 2018

Pedir autorização a um bebé para mudar a fralda




Uma cronista de um site que são Capazes de conhecer, surfou a onda do tsunami provocado pelas declarações daquele senhor nos Prós e Contras - que sugeria que obrigar uma criança a dar um beijo aos avós era violência - e diz-nos várias coisas: primeiro, que só se deve mudar a fralda a um bebé com o seu consentimento; segundo, que se deve respeitar se uma criança não quiser comer mais sopa; terceiro, que se uma criança diz que não tem frio e não quer vestir o casaco, não devemos forçar. Insinua que desrespeitar o "não" das crianças está ligado a casos de abuso sexual em adultos, entre outros problemas da sociedade.

Sei que já passou algum tempo, mas vou começar com as polémicas declarações do senhor dos Prós e Contras sobre os beijinhos aos avós. E obrigar a criança a beijar o padre? Disso ninguém fala e parece-me que tem tido piores resultados. Percebo o que ele quis dizer e, embora nunca me tenha sentido violentado quando o meu avô me agarrava na bochecha com força e a minha avó com Alzheimer me metralhava a cara de beijos com buço e baba, várias vezes ao dia, porque se tinha esquecido que já me tinha visto, agora olho para isso de forma diferente.

Se mo fizessem hoje, seria uma violência obrigarem-me a beijar qualquer uma das minhas avós, pois beijar cadáveres decompostos é capaz de ser agressão física e psicológica.

Quanto aos meus avôs, um morreu antes de eu nascer e, por isso, tive a sorte de nunca ser obrigado a beijá-lo; o outro está acamado há anos e já não consegue estender o braço para me apertar as bochechas. Chupa, avô!... pela palhinha que é a única forma de conseguir beber líquidos.


Este caso fez-me abrir os olhos. Vamos crescendo e percebendo que os nossos pais nos obrigavam a ser bem-educados contra a nossa vontade. Felizmente, em adultos podemos não dizer bom dia aos vizinhos que ninguém nos obriga a fazer isso. Sempre que alguém no prédio me cumprimenta, grito logo "Bom dia só se for para si! Não mandas em mim!" e subo as escadas a correr enquanto canto a música da Sailor Moon.

Voltando à crónica que fala sobre a necessidade de pedir autorização a um bebé para lhe limpar o cocó, deixo-vos algumas passagens:

«Por exemplo, na altura de mudar a fralda de um bebé. Embora o bebé ainda não tenha a capacidade de responder verbalmente, podemos olhá-lo nos olhos e suavemente perguntar “posso mudar a tua fralda?” e fazer uma breve pausa, observando a linguagem não-verbal do bebé, para depois prosseguir para a mudança da fralda. Ou não.»

Iria mais longe: deve perguntar-se "Posso mudar a sua fralda?" para ensinar ao bebé que tratar por você é muito mais educado. Parece a gozar, esta merda. Observar a linguagem não-verbal? Só se for a do bebé a chorar todo assado porque andam todos à espera que ele responda e não lhe mudam a fralda há dois meses! Mas andamos a comer merda, ou quê? Não dizem que quem cala consente? Então, não vale a pena perguntar que o bebé nunca vai responder. Por este andar, a primeira palavra do bebé não vai ser "mãe" nem "pai", mas sim "atrasado mental" ou "Muda-me a fralda se faz favor que tenho o cu em carne viva, seu progenitor de merda!".

«(…) às vezes pode ser necessário ficar assim a conversar mais um pouco antes de proceder à mudança da fralda.»

Sim, conversar durante um ano e tal até ele conseguir falar e dizer que "Claro que podes, caralho, que pergunta estúpida é essa?". Vamos, por momentos, admitir que este processo proposto é o ideal. Vamos, agora, imaginar que o bebé dá o consentimento através de linguagem não-verbal, bolçando e palrando o que parece ser uma música do Toy, e a mãe lhe troca a fralda. E se o bebé estava a dizer que não dava permissão, mas trocou-se todo na linguagem não-verbal porque é um bebé e está a aprender? Pode dar-se o caso de sentir a sua vontade desrespeitada e gatinhar até à CM TV onde acusará os pais de maus tratos. Quando se fazem propostas destas tem de ser pensar em tudo e, por para evitar estes mal-entendidos, sugiro ter sempre presente um representante do Governo Civil e documentar em vídeo com contrato assinado no fim, pelos pais e pelo bebé.

Andamos a criar uma geração de pessoas mimadas há muitos anos, mas parece-me que estamos a chegar a um ponto em que quase parece que esta gente diz estas coisas a gozar só para ter atenção. Sendo que, pensando melhor, não obrigar uma criança a comer sopa e vegetais, nem a vestir o casaco antes de sair à rua, pode ser bom porque fará aumentar a taxa de mortalidade infantil devido a desnutrição e hipotermia.

Nesse caso, sou forçado a concordar, pois só sobreviverão os mais fortes e inteligentes e limpamos a sociedade desta gente que acha que o mundo tem de ser um lugar estéril e inócuo onde todos os seus sentimentos são protegidos.

Não digo que ensinar o conceito de "consentimento" às crianças não seja importante, claro que é, mas isto parece-me, no mínimo, risível. Então e o consentimento dos pais? Isto é um paradoxo do consentimento e se o "não" de uma criança deve ser respeitado, o dos pais também. Imaginem o seguinte:

- Coma a sopa toda, Bernardo.
- Não.
- Tudo bem, peço desculpa por insistir.
- Quer dizer que posso deixar este resto e meter os dedos na tomada?
- Não.

E ficam ali, para sempre, porque "não" é "não" e tem de ser respeitado. Outra:

- Martim, tem de se levantar e ir para a escola.
- Não.
- Pronto, não insisto mais que o não é não.

E o Martim cresce para ficar um adulto burro que nunca conseguirá educar um filho e, por isso, incapaz de lhe ensinar tudo sobre o "consentimento".

Esta gente foi buscar a filosofia da Teoria da Humanitude que é aplicada a adultos dependentes, especialmente a idosos em cuidados continuados ou lares de terceira idade, e que fala sobre isso mesmo de observar linguagem não-verbal e não forçar cuidados de higiene se a pessoa não quiser. A diferença é que uns são bebés e os outros são velhos. Há quem os confunda porque ambos se babam e usam fraldas, mas são coisas diferentes. Mesmo assim, se um velho estiver meio demente e sempre a espernear e a dizer que não, algum dia vão ter de mudar-lhe a fralda contra a sua vontade. E um bebé é uma espécie de adulto com demência, que não diz coisa com coisa e passa o dia a gritar e a chatear as pessoas. Duram é mais, por norma.

Não sou psicólogo nem quero ter filhos, mas estou em crer que o papel dos pais é preparar as crias para a vida e, infelizmente, a vida é feita de contrariedades. Não respeitarem o nosso "não" faz parte da vida e nem tudo, ou muito pouco, será como nós queremos.

Enviar para o mundo real crianças mimadas, flores de estufa e que sempre viram as suas vontades satisfeitas, devia ser considerado negligência parental.

Os contos de fada já fazem esse trabalho e aquelas vezes que os nossos pais nos disseram que éramos lindos e inteligentes e que podíamos ser o que quiséssemos quando crescêssemos já nos trouxeram demasiados dissabores quando a vida se tornou num constante puxar do tapete. Não vamos estar aqui ainda a arranjar mais formas de criar gente coninhas, está bem?
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6 de novembro de 2018

Perguntas dos ouvintes: ler, YouTube, amor, relações e sexo



Este episódio é dedicado a perguntas dos ouvintes e contém várias novidades. A primeira é que o podcast já está disponível no Spotify através deste link. Depois, que já temos uma conta de Patreon onde podem contribuir e apoiar o projecto e ter acesso a coisinhas razoáveis. Vejam tudo neste link e se for caso disso, contribuam.

De resto, aqui fica o episódio para ouvir e, se gostarem, subscrevam e partilhem.



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5 de novembro de 2018

Touradas, vegans e super alimentos



O quinto episódio do Falta de Chá foca-se nas touradas, testemunhas de jeoVegans, alimentos fálicos e super alimentos que combatem o crime e o colesterol. Com a participação especial de Bernardo Almeida e Diogo Sena.

Clica aqui se não conseguires ver o vídeo em baixo.


Acharam razoável? Deixem nos comentários qual foi o vosso sketch favorito:

1. Mindfulness
2. Touradas Aquáticas
3. Alimentos Fálicos
4. Super Alimentos
5. Testemunhas de JeoVegans
6. Toureiro Vegan

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30 de outubro de 2018

Boas notícias, animais fofinhos, testes de HIV



Fartos das más notícias pelo mundo, este episódio é dedicado a boas notícias, desde avanços na medicina, animais fofinhos ou simplesmente aquela vez que descobrimos que não tínhamos SIDA. É ouvir e, se gostarem, subscrevam e partilhem.



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29 de outubro de 2018

Rendas altas: pagar para ser sem-abrigo



T0s a mais de mil euros, quartos a 600€, T3 a cinco vezes o ordenado mínimo. São estas as rendas em Lisboa e que começam a alastrar para outras grandes cidades e seus subúrbios. Não tarda, um bonito caixote na Avenida da Liberdade custará cerca de 200€, sem Internet incluída e com WC partilhado atrás de uma árvore cheia de enfeites de Natal patrocinados por um banco que tem muitas casas guardadas à espera que a especulação do mercado seja ideal para as colocarem à venda ou a arrendar.

Este é apenas um dos temas do 4ª episódio de Falta de Chá que inclui também betos queixinhas, o drama de estacionar, dates do Tinder e ainda uma batalha épica entre o mágico Mário Daniel e Jesus Cristo, entra muitas outras coisas. Podem ver no vídeo em baixo.



Foi gostoso? Digam nos comentários qual foi o vosso sketch favorito:

1. Rendas altas
2. Cena sem acentos
3. Dates do Tinder
4. Mário Daniel vs Jesus Cristo
5. Não vai dar para estacionar
6. Betos Queixinhas

Como sempre, se gostaram ou simplesmente apreciaram o esforço e trabalho envolvido para conseguir fazer uma série como estas em Portugal, sem qualquer retorno financeiro, dêem aquela ajuda gostosa partilhando com os vosso amigos. Obrigado!
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24 de outubro de 2018

Casados à Primeira Vista: roleta russa



Como opinador profissional do que se passa no mundo faz parte do meu trabalho ver coisas das quais não me orgulho. Uma delas é o Casados à Primeira Vista, novo programa da SIC, cuja versão em estrangeiro já conhecia porque tenho uma mulher em casa que monopoliza o controlo remoto da televisão. Para quem é muito intelectual e se gaba de não ver televisão o programa consiste em casar duas pessoas que apenas se conhecem no altar, depois de passarem numa bateria de testes "científicos" que calcula a sua compatibilidade enquanto casal. É uma evolução face ao Love on Top e Casa dos Segredos que eram uma espécie de "Mamanço da boca à primeira vista". Tal como o Big Brother e esses seus derivados, acho que pode ser um bom estudo sociológico, mas, tal como esses, temo que seja "mais do mesmo" e que se centre apenas nos dramas semi fabricados em prol das audiências e onde os concorrentes apenas querem viagem de lua de mel de borla, presenças em discotecas e descontos na Prozis.

Ao contrário do que seria de esperar, pelo que se viu no primeiro episódio, os participantes não são pessoas muito feias e anti-sociais e aparentam estar dentro da normalidade sem qualquer tipo de défice cognitivo:

  • Temos um casal de um beto surfista que tem uma forma de falar algures entre o atraso mental e o AVC. A maioria das mulheres achará o rapaz bastante atraente, pelo que se depreende que para ter de concorrer a este programa deve ter uma personalidade de merda. Ele está "supê contente", mas a noiva não parece que o vá aguentar muito tempo.
  • Outro dos casais já passou da casa dos cinquenta e ambos deram como qualidade indispensável num parceiro o facto de ter boa higiene. É assim, chega-se a uma certa idade em que os padrões baixam ao ponto em que nos chega estar lavado para considerarmos meter à boca. Prevejo que seja o único casal que vá durar porque ir para um lar sozinho é uma chatice.
  • Outro dos casais é uma sósia da Ana Bacalhau dos Deolinda, mas com ar mais do Cacém. O noivo que lhe calhau parece ser daqueles gajos que se esforça demasiado para ter piada nos jantares de aniversário e que só é convidado para não termos de criar um grupo de WhatsApp à parte.
  • O outro casal, só mostrado de relance, são duas pessoas fisicamente normais, mas em que a noiva diz que não o acha atraente. Há muita gente que é solteira e que assim fica eternamente, não por não haver ninguém feito à sua medida, mas porque apontam demasiado para cima.
Anda uma mãe a educar os filhos e a dizer-lhes "Não aceites doces nem abras a porta a estranhos" para depois os verem casar com alguém que não conhecem.

Tenho algumas dúvidas relativamente à discriminação que o formato do programa pode suscitar. Desde logo, um cego pode participar num casamento à primeira vista? Parece-me que não. Penso que também discrimina os ciganos, pois para eles este programa chama-se apenas "Casamento". Também sinto que se perde uma oportunidade incrível de fazer um programa de apanhados épico. Exemplos:

  • Noivo vira-se e vê a noiva pela primeira vez e percebe que vai casar com uma anã perneta de 150kg.
  • Noivo militante do PNR percebe que a noiva que lhe calhou é negra.
  • Noiva descobre que o noivo é desempregado e não tem dinheiro.
  • Casar dois primos direitos para procriarem e continuarem a gerar participantes para os restantes reality shows.
Tenho muitas ideias que, infelizmente, ninguém aproveita. Por exemplo, sinto que este conceito podia ser aplicado a outras áreas: eu precisava era de um "Mecânico à primeira vista" onde, depois de uma bateria de testes, me apresentavam um mecânico compatível com os meus níveis de exigência que são altos pois passam por ter um mecânico que não me aldrabe. Sou demasiado exigente, bem sei.

Para finalizar, deixo um padrão que encontrei que vos fará pensar que não passa tudo de uma conspiração para as televisões controlarem todos os nossos sentidos. Reparem no que acontece aos domingos à noite na TV:
Casados à primeira vista - visão
The Voice - audição
Pesadelo na Cozinha - paladar

Se pensarmos que os programas de comentários sobre futebol estão cheios de falta de tacto, isto começa a cheirar a esturro. Sou um génio, eu sei.
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23 de outubro de 2018

Odores corporais, casamentos à primeira vista, fotos de detidos




No episódio desta semana falamos a censura do Facebook, maus odores corporais, casamentos à primeira vista, fotografias de detidos nas redes sociais e muito mais. É ouvir e, se gostarem, subscrevam e partilhem.



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22 de outubro de 2018

Super Feministas - as feministas da treta



Infelizmente, cada vez menos pessoas se identificam com o feminismo. Um movimento que começou na luta pela igualdade de géneros, é muitas vezes utilizado por algumas pessoas só para chamar à atenção com causas mesquinhas. Serão as super feministas as heroínas CAPAZES de lutar contra a discriminação? Ou estarão apenas preocupadas com a sua imagem e visibilidade a lutando contra a desigualdade em todo o lado, excepto nos sítios onde realmente interessa? Não sabemos, talvez a intenção das super feministas seja boa, mas as suas acções dão lugar, muitas vezes, ao politicamente correcto e à censura do discurso e das ideias, varrendo o mal para baixo do tapete em vez de o confrontar. Este é apenas um dos temas do terceiro episódio da segunda temporada do Falta de Chá, que podem ver no vídeo em baixo.




Digam nos comentários qual foi o vosso sketch favorito:

1. Super Feministas
2. Suspeito Politicamente Correcto
3. Diva do Instagram
4. Dr. Google
5. Mendigo Fashionista
6. Tenho Cancro

Se gostaram, já sabem, é partilhar com os vosso amigos.
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17 de outubro de 2018

Quem estaciona em segunda fila merece morrer



Se um monge budista conduzisse em Portugal, esquecia logo aquela mania do voto do silêncio e da calma perante as adversidades da vida e passava-se como qualquer um de nós. Pessoas que não sabem fazer rotundas, que mudam de via sem pisca para cima de nós, que ultrapassam nas curvas sem visibilidade, e tantas outras características do condutor autóctone do nosso país. Já consigo não me enervar muito com esses filhos de primos direitos que andam na estrada, mas há algo que me deixa à beira do homicídio: os estacionamentos em segunda fila. Antes de destilar ódio, vou aqui distinguir os três tipos:

  1. Um condutor que não tem lugar para estacionar perto e só vai demorar trinta segundos a fazer o que tem a fazer. Neste caso, é legítimo e não tenho problemas com isso.
  2. O gajo que vai ao café, estaciona em segunda fila porque não lhe apeteceu perder cinco minutos a estacionar, mas está sempre atento e se alguém quiser tirar o carro ele salta do lugar, automaticamente, e não nos faz esperar. Não faço isto, mas não condeno.
  3. Aquele que se está a cagar. Ora bem, se o carro tem quatro piscas, é para usar, pensa ele; para mudar de via, nunca sinaliza a manobra, mas para estacionar à grande, usa logo os quatro piscas de uma vez como se conferisse ao carro o super-poder da imunidade diplomática. Estaciona em segunda fila e, além de atravancar o trânsito naquela rua, vai ao supermercado ou às Finanças e demora meia hora, sem qualquer problema.
Este terceiro tipo, minha gente, merecia morrer. No mínimo, merecia levar com um ferro em brasa nos nós dos dedos enquanto era obrigado a ouvir Maria Leal em loop durante dois anos.

Estes missing links da evolução humana, estão, no fundo, a dizer-nos que o tempo deles é mais valioso do que o nosso; que esperarmos dez minutos, a buzinar e a chamar nomes a Deus, é melhor do que ele ter de andar cinco à procura de lugar e outros cinco a percorrer o caminho a pé até à porta do Minipreço. Se pensarmos bem, o acto de estacionar em segunda fila não é mais do que borrifarmo-nos para quem tem de esperar e é um exemplo perfeito do que é viver em sociedade: estamos pouco importados com os outros se o inconveniente deles for uma vantagem para nós, mesmo que mínima, mas ficamos arreliados se a outra pessoa não faz um pequeno esforço por nós. Pior ainda porque o estacionamento em segunda fila não prejudica só o dono do carro que estamos a bloquear, mas, muitas vezes, centenas de pessoas que apanham trânsito porque um neandertal está a provocar o caos no trânsito com o seu carro que, em 90% dos casos, é um Mercedes ou BMWs. Vou contar-vos algumas situações:

  • Carro trancado por estacionamento em segunda fila. Olho à volta, ninguém. Buzino uma vez. Nada. Buzino novamente e, mais uma vez, nem sinal de pessoas a aproximarem-se. Era perto de uma escola e calculei que fosse alguém a ir buscar os filhos e estava certo. Passados cinco minutos, que nesta situação parecem trinta, aparece uma senhora com o seu petiz, apressada e logo de longe a pedir desculpa. Olha para mim e diz "Ahhh, gosto muito do seu blogue!". Desarmou-me, claro. Não consigo refilar com alguém que me elogia.
  • Uma da manhã, centro de Lisboa, carro trancado por outro. Buzino. Nada. Buzino uma e outra vez e nada. Vem um senhor ao longe, cantor famoso da nossa praça que não vou referir o nome, a refilar comigo por estar a buzinar. Digo-lhe que tenho o carro bloqueado por outro e ele diz, com voz enrolada e a cambalear, que "toda a gente sabe que o carros estacionados ali são do bar em frente". Perguntei-lhe se estava nos livros de história ou se tinham feito uma reportagem para o jornal da noite para toda a gente saber esse facto, mas ele não percebeu o sarcasmo. Continuou a refilar a dizer que eu estava a incomodar os vizinhos, agarrei no telemóvel e disse-lhe que se não queria que buzinasse iria chamar o reboque. Entretanto, a dona do carro entretanto chegou, pediu imensa desculpa, e ficámos assim.
  • Carro trancado por outro com um bilhete a dizer "Toque no 1º direito". Qual primeiro direito? Havia pelo menos cinco prédios que podiam ser o certo nas imediações. Toco num e nada. Acerto à segunda e uma voz diz que vai já tirar o carro. Chega e nem um pedido de desculpas nem nada, com uma lata gigante, quase que me ignora. Refilo e digo que é um bocado falta de respeito e ela responde-me indignada "Mas eu deixei um bilhete, não deixei?". Digo-lhe que há lugares a menos de cem metros e que o tempo que ela poupou gastou-o agora a descer para tirar o carro o que prova que além de não ter respeito pelas pessoas é má a matemática.
  • Carro bloqueado, buzino e sai um gajo de um café, com dois metros e tatuagens tribais a cobrir os braços do ginásio. Não pede desculpa e desato a chamar-lhe nomes... mas apenas na minha cabeça porque não sou burro como ele.

Dizem que o stress é a doença do século XXI e se o querem resolver, passa por evitar estas situações que nos fazem perder anos de vida em raiva reprimida que um dia terá de extravasar para algum lado. As formigas obreiras da EMEL, em vez de serem tão picuinhas com os estacionamentos bem feitos cujo talão já expirou há dez minutos, podiam investir antes a tratar da saúde a quem está em segunda fila. Rebocar, não era multar só, era levar-lhes o carro para ver se aprendiam. Isso, sim, era preocupar com a mobilidade das cidades e não só caçar multas.

No início, falei em três tipos de estacionamento em segunda fila, mas há mais um: o expoente máximo do burro que é o gajo que estaciona em segunda fila a bloquear carros que estão nos lugares para deficientes. Ora aqui está um tipo de ser humano que está logo apresentado com esta atitude. Por obra do acaso, pode ser que já tenha acontecido um energúmeno destes bloquear outro que estava estacionado no lugar dos deficientes sem ser deficiente, criando assim uma espécie de equilíbrio no universo. Seja como for, não sejam este tipo de pessoa. O vosso tempo não é mais precioso do que o meu.

PS: Vou fazer stand-up em Portimão, Évora e Beja. Reservas neste link.

Também vou estar em Vila do Rei, podem ver mais informações neste link.
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16 de outubro de 2018

Maria (des)Leal: duas caras e nenhuma é bonita



A história da Maria Leal, cuja primeira parte foi na SIC, é uma bonita epopeia da qual podemos tirar várias conclusões. Para quem não sabe, parece que a nossa querida preguiça epiléptica foi casada com um rapaz com limitações físicas e problemas psicológicos, a quem, alegadamente, chulou mais de um milhão de euros durante um par de anos.

É uma história bonita porque mostra a todas as mulheres que mesmo tendo cara de ratazana atropelada com dentes de hamster que come pedras a pensar que é ração, podem sacar um gajo rico e novo.

Se isto não é empoderamento feminino, não sei o que será. Será que ela abusou da confiança do marido tolinho ou será que foi o amor que falou mais alto e ele percebeu que só conquistaria uma mulher de alto gabarito como a cegonha oxigenada, se gastasse muito dinheiro com ela? Não sabemos, mas será preciso recorrer a especialistas para decretarem incapacidade mental quando um rapaz novo anda com a Maria Leal e ainda lhe paga tudo? Penso que não. Penso que esse facto, por si só, é prova de desequilíbrios emocionais e por muito que o amor seja cego, duvido que fosse surdo e fechasse os ouvidos àquela voz de rouxinol que se engasgou com uma vuvuzela. Nem que a Maria Leal me desse acesso a uma conta conjunta com mais de um milhão de euros eu andava com ela. Só de imaginar como será acordar em conchinha com aquele quadril pontiagudo e ela virar-se para trás, sem makeup e filtros, regurgito um pouco da omolete do jantar. No entanto, devo dizer que tenho algum respeito pela Maria Leal. Alguém que, com aquela cara, tentava convencer as pessoas que era modelo fotográfico, é de valorizar. Sem esquecer que agora diz às pessoas que é cantora. A moral do bicho, hein? Ainda tinha o descaramento de dizer que tinha 28 anos quando já tinha 44 no BI e 67 no cu.

Não tivesse o rapaz problemas mentais que o levaram a estar internado anteriormente e não teria pena nenhuma. Queres gastar o dinheiro em putas, é contigo, mas podia ter ido a putas profissionais que sempre eram mais jeitosas e de certeza que o tratavam com mais integridade. Agora, parece-me por toda a história, que o pelicano de olhos esbugalhados se aproveitou de um tolinho que gostava realmente dela porque, lá está, tinha problemas mentais. Ainda assim, com todas as provas e testemunhos, há algo que não bate certo nesta história. Então o louva-a-deus-fura-tímpanos, tendo roubado centenas de milhares de euros, andava com aquela cremalheira de parachoques Fiat Uno que atropelou um cão de grande porte na autoestrada? Para ter nova dentição só depois de patrocinada por uma clínica só porque ficou conhecida por mamar um gajo da Casa dos Segredos? - por falar nisso, esse gajo tem no historial a Bernardina e a Maria Leal. Um cadastro que sim senhor - mas pronto, parece-me que a chinchila filha de primos direitos tinha as prioridades todas trocadas. Faz-me lembrar um gajo que vi na bomba de gasolina a pedir 2,5€ de gasóleo e um maço de tabaco; para não falar que alguém que gastava dois mil euros por semana em roupa e andava vestida à prostituta sem-abrigo da Reboleira, só pode ser alguém com uma capacidade de gestão financeira digna do BES. Algo não bate certo nesta história além do ex-marido bilú da Maria Leal.

A Maria Leal já reagiu às acusações, dizendo que é tudo difamação e que vai recorrer às instâncias legais para repor o seu bom nome. Qual bom nome? Mesmo depois de divorciada, continuar a usar o apelido do gajo para parecer bem! Foda-se, roubou-lhe tudo.
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Banqueiros ladrões, populistas, drogas legais, gente burra



No episódio desta semana falamos sobre banqueiros ladrões que ficam impunes, populistas e ascensão das ditaduras, drogas legais, modelos e gente burra no geral. Tudo isto e muito mais. É ouvir e, se gostarem, subscrevam e partilhem.



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15 de outubro de 2018

Não há ideias estúpidas? Claro que há.



Sempre ouvi dizer que num braintstorm não há ideias estúpidas, mas depois vemos alguns colegas a dar sugestões que só nos fazem revirar os olhos. Isso ou quando dizem que uma ideia que demos não faz sentido, mas depois elogiam outra muito pior só porque foi dita por aquela colega com quem querem fazer funaná pelado. Esse é apenas um dos temas do segundo episódio do Falta de Chá, que podem ver no vídeo em baixo, que conta com a participação especial do grande António Raminhos. Além desse sketch vão poder ver e ouvir a nova boy band feita de padres que gostam demasiado de crianças; versão do Narcos à portuguesa e muito mais. Espero que gostem.




Digam nos comentários qual foi o vosso sketch favorito:

1. Mendigo
2. Bichas heterossexuais
3. Brainstorm
4. Padres Band
5. Bué Definição
6. Dates do Tinder
7. Narcos

Por falar em "mais do mesmo", já sabem, se gostaram, façam o favor de partilhar com os vossos amigos que é mesmo muito importante para nós! Mas só se gostarem, não queremos cá partilhas por pena, ok? Obrigado.
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10 de outubro de 2018

As frases mais idiotas de Bolsonaro



Não sou um gajo muito conhecedor de política internacional, mas o caso do Bolsanaro extravasa a política e resvala para o humor porque as desgraças dos outros têm sempre alguma piada para nós, deste lado do Atlântico. Por isso, vou analisar algumas das frases mais polémicas do, aparentemente, futuro presidente do Brasil.

"O erro da ditadura foi torturar e não matar". Até aqui tudo bem, se eu fosse ditador também matava pessoas, nomeadamente violadores, mas o poder sobe-nos à cabeça e sei que depois ia alargando o critério e começava a matar quem trata os filhos por você e quem não mete piscas nas rotundas. No fim, sobrava eu e meia dúzia de pessoas e, apesar de ser um mundo quase perfeito, haveria poucas gajas boas para apreciar.

"Não empregaria homens e mulheres com o mesmo salário. Mas tem muita mulher que é competente". Discordo. Acho que existem poucas mulheres competentes, tal como existem poucos homens competentes. A grande maioria das pessoas é incompetente e passa o dia nas redes sociais a fingir que trabalha, enquanto fazem tempo até o chefe ir embora só para saírem cinco minutos depois e ficarem bem vistos.

"Fui com os meus três filhos, o outro foi também, foram quatro. Eu tenho o quinto também, o quinto eu dei uma fraquejada. Foram quatro homens, a quinta eu dei uma fraquejada e veio mulher". O que mais me assusta é este senhor ter procriado cinco vezes porque sejam homens ou mulheres vão, certamente, sair atrasados mentais como o pai. Quanto a dar uma fraquejada e sair uma mulher, toda a gente sabe que é verdade e que, no fim do sexo, quando há quebra de tensão é porque o bebé sai com pipi.

"Jamais ia estrupar [violar] você [a deputada Maria do Rosário] porque você não merece". Bom, acho que também não podemos demonizar tudo o que o Bolsonaro diz. No fundo, ele está a dizer que a Maria do Rosário não merece ser violada e isso parece-me uma coisa que toda a gente com bom senso achará ou haverá quem pense que ela merece ser violada? Nem estava a usar minissaia nem nada.

"Seria incapaz de amar um filho homossexual. Não vou dar uma de hipócrita aqui. Prefiro que um filho meu morra num acidente do que apareça com um bigodudo por aí". Eu a pensar que expressão "borra-gaitas" era a coisa mais ofensiva que se podia dizer sobre homossexuais, mas afinal o Bolsonaro prefere um filho morto do que gay. Mal ele sabe que maquilham os cadáveres para o funeral. Depois, parece-me que lhe escapou a boca para a verdade quando se refere a um bigodudo, mostrando que é pelos homens de bigode que ele sente maior atracção. Logo vi que o Bolsonaro seria o passivo.

"Não vou combater nem discriminar mas, se eu vir dois homens se beijando na rua, vou bater". Vai bater-lhes uma? Tipo "Olha eu aqui a tocar-te uma sarapitola num instante que ficas já satisfeito e paras com essas mariquices de beijo na rua"? É uma estratégia estranha para combater a homossexualidade, mas não vou rejeitar que possa funcionar.

"Através do voto você não vai mudar nada nesse país, nada, absolutamente nada. Só vai mudar, infelizmente, no dia em que partir para uma guerra civil (...) matando uns 30 mil. (...) Se vão morrer alguns inocentes, tudo bem, tudo quanto é guerra morre inocente". Bem, felizmente que o Bolsonaro estava enganado e parece que através do voto será possível mudar o Brasil para pior. Por isso, talvez reste mesmo a violência para combater a violência porque com manifestações e hashtags a coisa parece não ter dado resultado. Serviram mais para tirar selfies para o Instagram do que para tirar votos ao Bolsonaro.

"Se o filho começa a ficar assim meio gayzinho, [ele] leva um couro e muda o comportamento dele". Ora bem, já vi pessoal cujos pais descobriram que eles fumavam e levaram porrada e não mudaram o comportamento. Bem sei que a nicotina é viciante, mas duvido que se porrada não serve para tirar cigarros da boca, sirva para tirar pilas. Diria que quem gosta de pilas gosta mais de pilas do que quem fuma gosta de cigarros. Pelo menos, eu viveria mais facilmente sem tabaco do que sem pipi.

"Eu não corro esse risco (de um dos meus filhos se apaixonar por uma negra). Meus filhos foram muito bem educados e não viveram em ambiente como lamentavelmente é o teu". Acredito que ele não corra esse "risco" porque de, certeza, que os filhos dele são tão racistas quanto o pai. 

"Ninguém gosta de homossexual, a gente suporta". Falso. Os homossexuais gostam bastante de homossexuais e o resto das pessoas suporta os homossexuais como suporta os heterossexuais, porque na verdade a vida é isso mesmo: suportarmo-nos uns aos outros.

"Os grupos fundamentalistas homossexuais querem que os heterossexuais gerem crianças para eles transformarem em gays e lésbicas para satisfazê-los sexualmente no futuro." Faz sentido, da mesma forma que eu gostava que todos os casais gerassem apenas filhas que se transformassem em mulheres safadas e tetudas, mas, infelizmente, não me parece que por muita pressão e campanhas que faça, com mensagens subliminares, a coisa funcione a meu favor. A natureza é que manda em ambos os casos.

"90% desses meninos adotados (por casal gay) vão ser homossexuais e vão ser garotos de programa com toda certeza desse casal". Como o Bolsonaro usou percentagens nesta frase, toda a gente sabe que é um facto verdadeiro, mas tenho algumas dúvidas sobre como funciona este tipo de prostituição dentro da família. As crianças só recebem mesada se fizerem a cama, lavarem a loiça e sentarem no colo dos pais? E se um casal de homens adoptar uma menina, como é? Garotos de programa? Anda um pai a pagar os estudos dos filhos e ainda vai ter de pagar para fazer sexo com eles? Realmente, as crianças adoptadas são umas ingratas.

"Fui num quilombo [onde atualmente vivem descendentes de escravos] e o afrodescendente mais leve lá pesava sete arrobas. Não fazem nada! Nem para procriador eles servem mais". Sete arrobas são mais ou menos 100 kg e não me parece que seja um peso impeditivo para procriar. Às vezes, quando vejo um casal de gordos de 200 kg penso que ele terá de ter um pénis bastante avantajado para conseguir chegar ao objectivo, mas com 100 kg não me parece proibitivo. Talvez o Bolsonaro lhes tenha pedido para lhe fazerem um filho no rabo e como depois deu negativo no teste de gravidez tenha ficado com essa ideia errada. Já agora, usar a unidade de pesagem "arroba" tem aqui um duplo sentido: por um lado, como era a medida usada para pesar gado, Bolsonaro está, (in)directamente, a chamar animais aos negros; por outro lado, faz algum sentido que ele use esta unidade antiga porque ele tem uma mentalidade que só faz sentido no séc. XV.

Sim, são mesmo frases dele e não de um taxista português. A grande diferença é essa: um taxista que pense desta forma, no máximo decide se vais do aeroporto de Lisboa até ao Chiado passando por Santarém; o Bolsonaro vai ter poder para decidir mais coisas sobre a vida das pessoas. Isto é muito simples: o Bolsonaro é um atrasado mental e quem vota nele porque concorda com estas frases é um atrasado mental ainda maior e um ser humano de merda. Quem vota nele porque acha que é o menos mau dos candidatos, parece-me que é só burro e desinformado.


***ALERTA***

A 2ª temporada do Falta de Chá está disponível neste link. Se gostam de sketches de comédia, façam o favor de ver, dar o vosso feedback e, caso seja positivo, partilhem com os vossos amigos. Obrigado!

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