12 de novembro de 2019

O Mimo - Preliminares | Lousã



Em 2018, depois de terminar a tour do meu primeiro espectáculo a solo (que podem ver no YouTube), decidi fazer uma tour em bares com vista a preparar e criar o meu segundo solo, Só de Passagem que alguns de vocês podem já ter visto. Essa pequena tour por bares teve o nome de Preliminares e todo o processo foi filmado com foco nos bastidores e palermices que se iam dizendo.

Este é o 4º episódio, na Lousã, depois de Aveiro, Viseu e São João da Madeira. Segue-se Vila Real.

Notas sobre este "documentário":
  • foi gravado com uma câmara e um microfone.
  • foi realizado por um alcoólico e preguiçoso.
  • não foi guionado nem preparado e isso nota-se.
  • pode ou não espelhar opiniões reais sobre locais e pessoas.
  • pode conter vestígios de ironia e sarcasmo.
  • não pretende fazer rir.
  • não é bem um documentário.
Obrigado a todos os que participaram, a todos os parceiros e, especialmente, ao público.

ÚLTIMAS DATAS do espectáculo Só de Passagem:
- 14 de Novembro - Évora
- 15 de Novembro - Almada
- 21 de Novembro - Covilhã
- 22 de Novembro - Damaia (DATA EXTRA)
- 23 de Novembro – Damaia (ESGOTADO)

Bilhetes à venda nos locais habituais e neste link.
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4 de novembro de 2019

Review à carta aberta do Manuel Bourbon Ribeiro


Estão todos a par do texto publicado no Observador de um tal de Manuel Bourbon Ribeiro? Um rapaz de 17 anos que decidiu fazer uma "Carta Aberta ao meu país" onde disserta sobre os grandes problemas de Portugal que passo a comentar, de seguida. Relembro que é um miúdo de 17 anos e que, por isso, vou ser meiguinho que o meu objectivo não é fazer bullying a menores, mas é normal que perca o autocontrolo a meio e o ofenda de alguma forma. Comecemos:

"Se esta carta fosse escrita há 500 anos provavelmente estava com medo de te escrever. Provavelmente a tua grandeza ter-me-ia me assustado e não teria coragem de te dirigir a palavra, mas, a verdade é que não és tão grande como outrora."

Se a carta fosse escrita há 500 anos muito dificilmente saberias escrever porque mais de 95% da população era analfabeta. Bem sei que será difícil imaginares-te como parte da maioria e não de uma minoria privilegiada que vive na sua bolha, mas ya, provavelmente até já tinhas morrido de disenteria com 17 anos. Esse discurso é o mesmo que alguns russos podem ter quando choram a queda do império soviético ou alguns alemães que acham que a Alemanha já não é grande porque já não tem o controlo da Polónia e da França e que o senhor de bigode até fez umas coisas boas. Curioso referires o D. Sebastião porque encontro vários paralelismos entre ti e ele: ambos loirinhos de olhos claros e ambos bastante novos e mal preparados para mandar bitaites sobre o país. A tua sorte é que se fores a Marrocos é para passear e não para combater os mouros, mas sim, antigamente é que era bom.

"Não tenho qualquer autoridade para te criticar ou emitir juízos de valor acerca de ti, mas já que toda a gente o faz, mesmo quem nada percebe, arrisquei fazê-lo."

Bom, ao menos admites, já não é mau. O primeiro passo para a cura é sair da negação.

"Como é que eu posso fazer algo grande se em vez de me ensinares os grandes feitos por ti alcançados no passado e de me fazeres ter orgulho por fazer parte de ti, te preocupas em impingir-me coisas sem sentido como seja a ausência de diferenças entre raparigas e rapazes numa idade em que nem sei ler? Ensina-me a pensar, ensina-me Ciências ou História porque de sexo não percebes nada."

Vamos por partes. Sim, acho que a história não deve ser apagada só porque é "ofensiva" e que os acontecimentos passados não podem ser interpretados à luz da consciência social actual. Estamos de acordo, os Descobrimentos continuam a ser um grande feito apesar de todas as atrocidades cometidas. Sim, a escravatura foi das marcas mais negras (salvo seja) da história, mas aconteceu e todos nós usufruímos dela quando vamos a um monumento admirar a sua imponência. Os Jerónimos foram construídos com dinheiro roubado e com mão de obra escrava. É por isso que não devemos admirar ou devemos demolir? Acho que não, mas falar sobre o assunto só nos torna mais cultos e até podemos tirar boas ideias para depois fazer obras em casa que com a escravatura, parecendo que não, as coisas ficavam mais dentro do orçamento e não atrasavam tanto.

Sim, também acho que não reconhecer diferenças biológicas entre homens e mulheres é palermice, mas não sei se é isso que se ensina nas escolas. Nunca vi nenhum livro de ciências da natureza que dissesse "Mesmo que tenhas vagina, podes urinar em pé", mas eu já saí da escola há muitos anos, pode estar mudado. Não deixa de ser curioso achares que o Estado de sexo não percebe nada quanto tu apoias a Igreja Católica, instituição que mais dicas tenta dar sobre sexo a todo o mundo, sobre como, quando e com quem fazer sexo e se há alguém que não tem experiência na matéria são os padres, excepto aqueles 10% que praticam com modelos de escala menor.

"Mas, pensando melhor, como é que eu posso escolher o meu futuro se nem sequer a escola onde estudo posso escolher?"

Escolher a escola onde andas? Tu nem andaste na escola, andaste no colégio, deixa de chorar como se não fizesses parte dos privilegiados cujos pais podem pagar a educação toda que quiseres sem nunca teres de trabalhar para sustentar os teus estudos. Os meus pais também me pagaram as propinas e não me vês a queixar que eram muito caras até porque andei lá 8 anos a gastar-lhes o dinheiro, mas pode ser que se se portarem bem eu depois os meta num bom lar.

"Dá-me a liberdade para escolher!"

Acho importante retermos todos esta frase porque aposto que vai dar jeito daqui a pouco.

"Como é que me dizes que sou livre se me tiras mais rendimentos hoje do que alguma vez me tiraste?"

Tu não tens rendimentos. Tu tens mesada ou semanada e que eu saiba isso não paga impostos porque duvido que passes recibo ao teus pais. Há impostos a mais? Claro, mas não te preocupes que, por norma, o pessoal que ganha bem e tem contactos na política, consegue fugir e meter dinheiro em offshores.

"Portugal, tu estás diferente. Onde é que estão os grandes governantes a que me habituaste? Antigamente os reis e ministros iam parar ao panteão. Hoje quem governa, ou suborna ou vai parar à prisão."

Grandes governantes tipo o Salazar, suponho. Relembro que um dos líderes que tu gostas muito, suponho, o Paulo Portas, também tem submarinos no armário, por isso esquerda ou direita acaba por ser tudo um bocado a mesma coisa em termos de corrupção, nisso concordamos. Aliás, a tua mãe foi deputada pelo CDS-PP e não me lembro de a ter visto fazer pressão sobre esses assuntos. Ah e o teu tio foi chefe de gabinete enquanto ele era ministro de Estado. Boas connections que tu tens e eu aqui todo contente porque conheço bem o Kaló, dealer da Damaia.

"Como é que eu, com 17 anos, não posso escolher o destino do meu país, mas posso mudar de sexo?"

Bom, então e o que escreveste há bocado "Dá-me a liberdade para escolher!"? Como é que ficamos? A minha pergunta é: como é que tu com 17 anos tens um artigo bastante fraco publicado num jornal? Essa é que devia ser a pergunta. Andasses tu nas escolas onde eu andei e levavas no focinho no intervalo grande depois de veres uma coisa destas sem jeito nenhum publicada. Sorte que no teu meio não há bullying porque os bullies só se juntam para atacar os mais fracos e desfavorecidos.

"Achas que me estás a ajudar se me incentivas a ser outra pessoa que não aquela que veio ao mundo com o meu nome? Achas que com 16 anos tenho capacidade de negar aquilo que sou?"

Bom, acho que não há incentivo a mudar de sexo. Nunca vi um cabeleireiro a dizer a uma criança de 10 anos "Maria, que acha de raparmos o cabelinho e trocar esse pipi por uma pichota cheia de veias lindas?". 

"Pareces mais parvo que eu quando decido escolher o caminho mais fácil por imaturidade. Posso ainda nem ser maior de idade, mas sei que a vida é tudo menos fácil."

O caminho mais fácil tipo ter um texto publicado no Observador só porque se pode? Não sei se sabes bem isso de a vida ser tudo menos fácil. Estou a ser preconceituoso, claro, podes ter nascido no meio privilegiado à partida, mas não o seres. Conheço rapazes como tu que foram obrigados a ir para medicina por estatuto e pressão familiar e ficaram adultos profundamente infelizes. Mais privilegiado serei eu que tive a liberdade para ser quem quis e os meus pais só iam sofrendo para dentro sem me cortar as asas. 

"Porque é que me ajudas a acabar com a minha própria vida sem me tentares ajudar primeiro?"

E a liberdade para escolheres, Bourbon? Onde anda ela? Esta gente pensa que a eutanásia é prescrita numa consulta do médico de família porque um gajo tem dor ciática. Ninguém receita eutanásia sem esgotar todos os recursos primeiro. Eutanásia não é alternativa ao Kompensan.

"Uma vida nunca é insignificante e até um embrião é uma pessoa. Porque é que me incentivas a matá-lo e não me ajudas a ser feliz com ele?"

Portanto, tu queres liberdade para escolher menos se for na temática do aborto, da mudança de sexo, da eutanásia. Ou seja, queres liberdade para escolher sobre a vida dos outros, é isso? Eu percebo, na tua idade eu também pensava que sabia tudo da vida e que os outros é que estavam mal. Ainda penso, na verdade. Não, um embrião não é uma pessoa e tu que tanto que falas de ensinar ciência na escola, esqueceste-te de ir às aulas de biologia. Estou a partir do princípio que estás no agrupamento de ciências porque não tens pinta de artista e se foste para humanidades deixa-me dizer-te que escreves mal e devias reconsiderar.

"Porque é que uma mãe sem condições financeiras não tem uma creche gratuita para poder trabalhar enquanto cria o seu filho? Isso faz com que as pessoas não tenham filhos. E, digo-te já, estás a criar um problema gravíssimo. Os meus pais tiveram 6 filhos por terem condições e são felicíssimos."

São felicíssimos é o que eles dizem, mas garanto-te que em 6 há pelo menos um que é um otário e que eles se arrependem de ter tido. Não estou a dizer que és tu, pode ser o Bernardo ou a Francisca ou o José Maria, mas um de vocês deve ter saído estragado. Quanto a uma mãe solteira sem condições ter creche gratuita, estamos de acordo, mas para isso é preciso que quem ganha mais dinheiro esteja disposto a pagar mais impostos e isso é coisa que resvala para o socialismo. Queres ver que és socialista e não sabias?

"Neste momento estou a estudar Direito e, apesar de terem passado poucos meses desde que comecei, aprendi muitas coisas."

Ahhh estás a estudar Direito, ok. Felizmente estás numa área mais fácil de ter iniciativa privada, porque basta abrires um escritório para teres a tua empresa montada sem ser preciso grande investimento. Depois o resto é feito com qualidade e com contactos e uma dessas coisas tu já tens.

"Será que estás a dar o exemplo do que é uma Democracia quando quem governou durante 4 anos nem sequer ganhou as eleições? Que país é este que se diz democrático, mas que não faz a vontade ao povo?"

Bom, com este ponto mostras que não sabes como funciona a democracia. Vou explicar: nas eleições elegem-se deputados e não partidos vencedores. A vontade do povo – que foi votar – foi expressa na chamada geringonça porque era a que tinha a maioria dos deputados escolhidos pela população. Percebeste? É muito comum em países ditos desenvolvidos este tipo de dinâmicas de de acordos pós-eleitorais. Quanto ao resto, não digo que foi por mérito, pode ter sido contexto económico europeu e mundial, mas olhando para todos os índices estamos melhor do que quando saiu de lá o Passos Coelho. Mas, já que falas em fazer a vontade ao povo (curioso chamares povo e não plebe) então e a questão do aborto? O povo votou e decidiu, que tal calares-te com esse assunto e respeitares a decisão da maioria?

"Que país é este que ao ver a sua defesa ameaçada e roubada, como aconteceu em Tancos, não sabe punir e responsabilizar os intervenientes? Que país é este que perante quase metade da percentagem de abstenção, resultante de uma colossal indiferença do seu povo perante a vida política, fica de braços cruzados a lamentar-se, sem quaisquer medidas concretas para o resolver?"

Estamos de acordo em relação à abstenção e a Tancos, mas acho que toda a gente que leia isto estará de acordo o que significa que estás apenas a dizer coisas do senso comum e nada de inovador. Eu sou do tempo em que para publicar coisas num jornal era preciso ter alguma coisa nova a dizer e que as pessoas ainda não soubessem.

"As pessoas que mandam estão há mais anos no poder do que eu na vida. Temos um sistema político ultrapassado e as pessoas estão fartas. Como é que não percebes isso, Portugal?"

Concordo Bourbon, queres ver que ainda acabamos isto a formar um partido juntos? Eu faço os abortos enquanto tu reanimas os fetos a rezar.

"Que país és tu que não garante, de modo algum, a segurança dos seus cidadãos?"

Bourbon, somos o terceiro país mais seguro do mundo e aposto que a tua zona deve ser das mais seguras de Portugal.

"Um país que está mais preocupado em descobrir de quem é a culpa do que a resolver os problemas causados."

Tens de te decidir. Em Tancos dizes que ninguém foi responsabilizado, aqui dizes que se preocupam demasiado em descobrir de quem é a culpa. Assim não dá, Bourbon. Estás a estudar Direito, não podes estar aqui a mudar de opinião e a ser incoerente.

"Como é que é possível que o trabalho dos polícias não seja valorizado como devia?"

Concordo. Os polícias são mal pagos e mal vistos na sociedade e fazem um trabalho importante, mas comprar pulseirinhas para mostrar e ganhar votos não é solução.

"Daqui a cinco anos devo entrar no mercado de trabalho e tenho de me fazer à vida."

Ah ah ah, ó Bourbon, arranjar uma cunha para trabalhar não é bem fazer à vida. Repara, não digo isto por preconceito de teres três nomes, ar de beto, e vires de boas famílias. Digo isto porque publicaste um texto mal escrito e sem nada de novo num jornal de referência em Portugal. Logo, se já tens essas cunhas com 17 anos, imagino que não tenhas de te preocupar muito com o teu futuro no mercado de trabalho. Aposto que nem vais ter de fazer um CV para ser chamado para entrevistas. Estranho, até, não tires ido a nenhuma das rádios da Media Capital, seja à Comercial, Cidade FM ou M80, dizer este teu texto. O teu pai é o CEO dessas rádios e podia ter-te dado uma ajuda. Queres que tente meter uma cunha por ti? Deves tratá-lo por você e se calhar têm uma relação distante e eu podia ajudar. É que acho estranho tu seres filho de uma ex-deputada do CDS e do CEO das rádios da Media Capital e o melhor que te arranjaram foi o Observador? Os teus pais não gostam muito de ti, puto, lamento informar. E eu fui à Rádio Observador hoje de manhã dar uma entrevista, mas convenhamos que não tive liberdade para escolher entre eles e a Comercial.

A culpa não é tua. É normal que um adolescente que viveu numa bolha pense como um adolescente que viveu numa bolha. É normal que a religião que te foi enfiada pela goela desde criança te tolde a forma de ver o mundo e que queiras liberdade para escolher quando não ta deram a ti, ao educarem-te assim. Não és mau miúdo, se calhar até queres mudar o mundo e torna-lo melhor para todos. Sai da tua bolha, lê, ouve os dois lados. Precisamos de miúdos como tu que se preocupam e que têm iniciativa. Precisamos é que se preocupem com as coisas certas. Percebo que queiras exigir muitas coisa do teu país. E embora a diferença entre "pais" e "país" seja apenas um acento, não é por aí que ambos têm de te fazer as vontades todas e te dar tudo o que queres.


***


PS: Últimas datas do meu espectáculo de stand-up comedy "Só de Passagem:

7 de Novembro - Vila Real Clica aqui para bilhetes
14 de Novembro - Évora Clica aqui para bilhetes
15 de Novembro - Almada Clica aqui para bilhetes
21 de Novembro - Covilhã - Clica aqui para bilhetes
23 de Novembro - Damaia Clica aqui para bilhetes

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29 de outubro de 2019

Amizade com o ex e comparar relações



Prontos para mais uma consulta eloquente, mas com javardeira a gosto? Aviso que estou com algum mau humor o que é sempre bom para efeitos cómicos. Ah e faltam menos de dois meses para o Natal. O que é que isso interessa para o caso? Absolutamente nada. Não, não estou bêbedo, vocês é que estão bêbedos. Bem, vamos a mais um "Doutor G explica como se faz".


Caro Doutor G, fala-se muito em mulheres serem complicadas e entendo até certo ponto. No entanto, eu sinto-me assim relativamente ao sexo masculino. Não me saio mal neste campo de funáná pelado mas quando há mais que isso perco-me e precisava de um manual de instruções para perceber o que se passa cabeça (de cima) dos machos. Tem algumas dicas que me possa dar? Outra questão, porque é que parece ser um bicho de sete cabeças quando se quer ficar amiga do ex, quando as coisas não correm mal simplesmente a relação não apareceu no timing perfeito nem as circunstâncias eram as melhores?
Ana, 27, Viseu

Doutor G: Cara Ana, duas perguntas em uma? Mau... uma pessoa dá a pontinha e vocês querem logo o saco inteiro. Bem, vamos então responder em separado:
  1. Os homens são pessoas e como pessoas são sempre complexas, mesmo as pessoas mais básicas como os homens. Agora, existe uma diferença entre ser-se complexo e ser-se complicado. Muitas vezes, as mulheres complicam a simplicidade dos homens e acham que eles são complexos quando, na verdade, são gajos básicos, fazendo com que elas, na verdade, se estejam a queixar da sua própria complicação. É o chamado paradoxo da complexidade proposto pelo sexólogo russo Punhetovsky no século terceiro AD (Antes de Doutor G). Por isso, como depende de indivíduo para indivíduo, é complicado dar dicas, mas aqui ficam algumas: se ele está triste, mostra as mamas e ele alegra. Se ele não te anda a dar atenção, mostra as mamas que ele já dá. Se ele está com fome, leva-o a jantar fora e podes mostrar as mamas na mesma. Fora mamas, não tenho muitas dicas porque os homens são básicos.
  2. Porque ficar amigo de ex-namorados é parvoíce. Qual é a necessidade? Não tens mais amigos? Precisas de mais gente para as tuas festas de aniversário terem 10 pessoas e conseguirem menu de grupo nos restaurantes? Ficar amigo do ex é guardar cotão do umbigo. O facto de as coisas não terem corrido mal e apenas ter sido mau timing, como tu dizes, ainda piora o caso. Significa que o sentimento ainda pode estar lá, latente, à espera da altura certa para emergir. Há tanta gente no mundo, arranjem outra pessoa para amigo. Existe até um estudo científico publicado em 2017 que sugere que ex que ficam amigos têm traços de psicopatia. Tenham juízo. Metam o ex namorado no pilhão e alguém que o leve.
É isto. Depois envia mensagem para te dar o meu número de telemóvel pessoal. Para pagares a consulta por MB Way, claro.


Com quanto tempo de namoro é aceitável ir viver junto?
João, 28, Vila Real 

Doutor G: Caro João, cada caso é um caso, mas digamos que não conheço um casal que ainda namore e que tenha ido viver junto em menos de um mês. Normalmente, quando há pressa em viver junto é quando há desespero. Nos dias de hoje talvez haja mais pressa para conseguirem dividir a renda sem ter de vender um rim. Seja como for, não há tempo certo, mas quando é muito rápido, alguém tem algum problema de personalidade a esconder e quer ir logo viver junto porque dá mais trabalho para a outra pessoa terminar tudo. Arrumar malas e fazer mudanças é uma chatice e o pessoal vai aturando e deixando-se andar. Já que és de Vila Real, aproveito para dizer que para ir ver o meu espectáculo nem é preciso namorarem, mas pode ser uma boa desculpa para convidarem a vossa crush a sair. Dia 7 de Novembro na UTAD, bilhetes neste link.


Doutor G, os homens só se sentem atraídos por mim fisicamente, o que fazer?
Anónima, 26, Porto

Doutor G: Cara Anónima, deves ficar contente por não seres um trambolho, começa logo por aí. Depois, deves investir na tua personalidade ou tentar encontrar homens que não queiram apenas samba de virilha ou, quem sabe, investir na comunidade invisual.


Caro Doutor G, há uns largos meses comecei a falar com um rapaz por mensagens e houve aquele click. Falávamos quase diariamente e havia bastante flirt e química. No entanto, havia o problema de estarmos em cidades diferentes. A certa altura eu mudei-me para a cidade em que ele estuda e da primeira vez que estivemos juntos depois disso ele confessou que gostava de mim e dormimos juntos (não houve luta greco-romana). Depois dessa noite, notava-se que o tom das conversas tinha mudado um pouco para uma cena mais de "namorados", sendo que era ele que dava iniciação a muitas dessas conversas. Quando finalmente começaram as aulas e estávamos ambos na mesma cidade ele simplesmente deixou de falar comigo. Ainda tentei mandar mensagem e perguntar porque é que ele não me dizia nada, que se ele não queria nada serio que podíamos continuar só amigos, e até tentei os comuns memes iniciadores de conversa, mas fiquei sempre no visto. Considerando que nem direito a assaltar a caixinha do tesouro teve, ele disse que gostava de mim para quê? Será que se arrependeu? Ou foi tudo só uma grande mentira? Espero que ele ganhe juízo de uma vez e volte a meter conversa comigo? Dou uma de chata e agora que passou um tempinho tento novamente? Ou desisto da minha vida amorosa desastrosa de uma vez por todas? Ajude-me, Doutor!
Sofia, 22, Porto

Doutor G: Cara Sofia, todas as relações que começam com pessoal a dormir junto sem fazer sexo, estão logo destinadas ao fracasso. Para dormir sem aconchegar a enguia trapalhona durmo com a minha cadela que faz melhor conchinha do que qualquer pessoa. Pais e filhos é que dormem juntos sem pinar (a maioria, pelo menos). Ou amigos e, mesmo assim, depois dizem que foi dos copos e que afinal não são gays. Pois, pois, tens hálito a pila, ou és gay ou és mulher hetero, não há outras hipóteses a não ser dificuldades financeiras ou querer subir na vida a todo o custo. Bem, acho que me desviei no tema...
Pelo que contaste, acho que precisas de um tratamento de choque. Senta-te que isto vai ser duro: o que é que interessa o porquê de o gajo ter deixado de falar contigo? Claramente que não gostava de ti nem te respeita enquanto mulher, por isso caga no gajo! Tentares ser tu a meter conversa outra vez? Mas fazes bicos com a testa ou quê? O gajo ignora-te e não te responde e tu vais atrás? Mas és otária? Tens assim tão fraca auto-estima? É que se tens, aconselho afastares-te de rapazes durante uns tempos e trabalhares em ti primeiro, porque claramente não gostas de ti o suficiente para conseguires escolher um gajo que te respeite.
As razões que o levaram a deixar de responder são desde logo uma: é um gajo sem educação porque nem que fosse por respeito respondia às mensagens a dizer que já não estava interessado. Depois, sei lá, o que interessa? Deve ter arranjado outra, provavelmente, ou precisava de óculos e foi, finalmente, comprá-los e não gostou do que viu. Não sei, nem interessa, porque o problema será sempre dele que te faltou ao respeito e deixou de te falar, por isso saberes o motivo em nada te adianta porque a culpa não foi tua e não podes melhorar em nada nem aprender com os erros a não ser com o erro de seres otária em ponderar ir atrás dele outra vez. Se ele "ganhar juízo" e for falar contigo outra vez e tu fores na cantiga, então aí a culpa é só tua.


Sr. Dr. G, namoro com a paixão da minha infância e não poderia ser mais feliz com esta pessoa. No entanto, apesar de nos conhecermos desde sempre e de termos uma amizade já prolongada, apenas nos apercebemos há alguns anos de que o que sentíamos era mútuo. Até lá, dediquei alguns anos da minha vida a um relacionamento falhado que, para mim, apesar de algumas brincadeiras marotas, será relembrado pela ausência de sexo. Por outro lado, a pessoa com quem estou aproveitou bem a vida dela, contando com um bom somatório de pila, namoros e comilanço do seu lado (Nada de errado com isso). Ao princípio do relacionamento, este assunto não me incomodava nada, mas agora tira-me o sono. Não consigo deixar de ter pesadelos com imagens do que pode ter acontecido. Não tem nada a haver comigo nem há nada que eu possa fazer para impedir o que aconteceu. Ela nega, mas, por paranóia minha, não deixo de me sentir comparado com todas as vivências sexuais que já viveu. As nossas aventuras em vale de lençóis possuem um balanço positivo, contando com algumas sessões de múltiplos orgasmos para a menina e até para mim. Com base nisto, não percebo porque é que a sua experiência me afeta assim tanto... Já sei que me vai chamar de coninhas. Aceito. Contudo, tem algum conselho que me possa ajudar a resolver ou a aliviar esta situação?
Anónimo, 24, Lisboa 

Doutor G: Caro Anónimo, tanto texto para dizer "a minha namorada tem mais experiência sexual do que eu e faz-me confusão imaginar que ela já esteve com outros gajos". Duas linhas, caralho. Duas linhas! E tu escreves um conto. Bem, vamos por partes:

  1. Claro que ela compara o vosso sexo com todo o outro sexo que ela já fez. Até o tamanho do teu trombinhas ela compara e sabe quem tinha maior ou menor, mais grosso ou mais fino, com mais veias ou menos veias e todos os detalhes desde a cor ao cheiro. Eu sei que não estou a ajudar muito, mas a verdade nem sempre é nossa amiga.
  2. Agora, se ela está contigo e, aparentemente, tem prazer contigo, qual é o problema? Até podes ser o melhor que ela já teve e se for esse o caso, é bastante bom ela já ter experiência porque assim não é por falta de termo de comparação que ela acha que és bom. Se ela fosse virgem e achasse que eras bom, podias ser só mediano e ela nunca ter levado foi uma saraivada de pila como deve ser.
Acho que o que acontece nesses casos é que a conice masculina ataca por se sentirem inferiorizados face às suas namoradas. Essa paranóia é uma manifestação inconsciente da tua biologia a dizer "Vai comer umas gajas para ficarem em pé de igualdade, vai lá comer umas gajas". Não cedas a essa tentação porque isso não iria resolver nada. Por muitas gajas que comas, tu podes continuar a ser o gajo com a pila mais pequena com quem a tua namorada já teve. Nunca saberás a não ser que ela se descaia e diga "Uau, o teu é o primeiro que consigo meter todo na boca".

PS: "Nada a haver"? Isso sim, devias preocupar-te se ela antes andava com gajos que não davam esse erro de fazer desumidificar qualquer pipi literato.


Está feito. Se gostam que o Doutor G dê consultas gratuitas, não se esqueçam que ele tem de fazer dinheiro por outras vias para pagar as contas. Uma é a prostituição, claro, mas a outra é através de espectáculos ao vivo. As últimas datas são estas e se não puderem ir, espalhem a palavra por amigos que vivam nas seguintes cidades:

- 7 de Novembro - Vila Real - Clica aqui para bilhetes
- 14 de Novembro - Évora - Clica aqui para bilhetes
- 15 de Novembro - Almada - Clica aqui para bilhetes
- 21 de Novembro - Covilhã - Clica aqui para bilhetes
- 23 de Novembro - Damaia - Clica aqui para bilhetes

E é isto. Obrigado e façam favor de continuar a fazer chegar as vossas dúvidas para a caixa de correio electrónico: porfalarnoutracoisa@gmail.com.

Façam amor à bruta porque de guerras o mundo já está cheio.

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28 de outubro de 2019

Mor, Princesa, Bebé - Nomes foleiros de casal


Há um tema tabu na nossa sociedade do qual ninguém fala: os nomes "carinhosos" que os membros de um casal atribuem um ao outro. Todos concordamos que é uma foleirada ter nomes fofinhos para a nossa cara metade, mas a verdade é que todos os fazemos, uns mais criativos, outros mais banais.

Talvez os mais comuns caíam na categoria do sentimento onde se encaixa o "amor", "amorzinho" ou a sua derivação preguiçosa "mor". Se pensarmos bem, quando dizemos “mor” parecemos alguém com problemas de fala que acabou de sair de uma operação no dentista e ainda está meio anestesiado e a babar-se. Depois há quem se chame de "paixão" e normalmente são as pessoas que gostam de David Carreira e ainda temos os que dizem "coração" que são normalmente adolescentes ou casais na casa dos cinquenta anos que namoram depois de ambos se terem divorciado e ficado sem a custódia dos filhos.

Estes nomes, quando são adjectivos, raramente são honestos. Por exemplo: godinho ou gôdo nunca é dado a pessoas gordas, tal como quando se chamam de lindo e linda, normalmente são feios e estão juntos porque sabem que não arranjariam melhor.


Se as alcunhas carinhosas fossem baseadas na realidade, teríamos muitos "Joelho de porco" e "Dente de abre latas".

Entre os mais infantis temos a fofinha e o kiduxo. Já os casais que se tratam por xuxu de forma não irónica são um bocado bimbos, só superado pelo pessoal das barracas que se mandam para um princesa ou um sereia. Já se forem de boas famílias nunca devem usar apelidos carinhosos, devem sempre tratar pelo nome completo e, se possível, na terceira pessoa. Os materialistas utilizam "tesouro" e "riqueza" e o pessoal do PAN usa "ursinho" e "gatinho".

Além do mundo dos negócios e das startups, os estrangeirismos também já invadiram as relações amorosas em Portugal, especialmente entre as camadas mais jovens. Cutie, babe e baby são os apelidos mais utilizados pela juventude. São pessoas incapazes de dizer "amo-te" – dizem sempre "luv u" – e nunca chamariam "bebé" ao namorado, mas se for em inglês tudo soa bem. Chamar bebé a alguém com quem se faz sexo só faz sentido se formos pedófilos e aí tudo bem, aceito perfeitamente. Já chamar papi, só faz sentido se for para pedir dinheiro.

Se forem pessoas que usam bolsas de cintura ao pescoço e calças de fato de treino para ir ao centro comercial num domingo, então é certo que vão usar como nome carinhoso um dos seguintes: prima; sócia; dama. Quero apenas dizer que quem usa damo, seja como alcunha ou apenas para se referir a "namorado" só faz sentido se tiver unhas de gel com brilhantes e argolas de papagaio nas orelhas. Uma beta a usar "damo" só porque acha que fica gangster é do mais parolo que há. Não, a Benedita não tem damo. A Benedita tem clamídia.

Sugeri no Twitter que as pessoas confessassem as suas alcunhas humilhantes e foleiras e aqui ficam algumas:

  • Presuntino – Não sei se era mesmo presuntino e não presuntinho, mas gosto de pensar que está mesmo certo e que o gajo se chamava Vitorino e gostava muito de presunto ou tinha coxa gorda.
  • Formiguinha e Papa-formiga – O papa formiga tem grande habilidade com a língua por isso talvez fosse um casal feliz apesar destes nomes foleiros.
  • Hospicheira e Comandante – Pura classe.
  • "O meu pai chamava mosquinha à minha mãe. A minha mãe chamava-lhe moscardo. Moscardo evolui para mosco. Mosquinha mantém-se." – Nada mais romântico do que apelidarem-se de animais que gostam de merda.
  • Retardado e Camela – Isto sim, é amor a sério.
  • "Uma vez fiz uma chamada bêbado e chamei-lhe "razão de viver" e ela percebeu "cartão via verde". Opa e ficou assim." – Para mim esta ganhou.
Sinto que, mesmo assim, falta mais honestidade. Fiquei desiludido de não ver um Mini Milk e Cama de Hasmster, ambos inspirados na genitália do parceiro. Fica o desafio de deixarem nos comentários o nome mais foleiro que já tiveram ou deram a uma cara metade. Se for na actual relação, façam favor de identificar a pessoa em questão para não se humilharem sozinhos.

***

PS: Por falar em amor, já sabem que podem oferecer ao vosso fantasminha brincalhão ou à vossa lontruça piruça um bilhete para as últimas datas do meu espectáculo de stand-up comedy:

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27 de outubro de 2019

O senhor de saia na Assembleia



Então, parece que um senhor entrou de saia no Parlamento. Ao contrário do que poderíamos pensar, não, não foi o Paulo Portas que voltou à política e saiu do armário. Foi Rafael Esteves Martins, assessor da deputada Joacine Katar Moreira. Agora que reparo, duas pessoas do partido Livre, de esquerda, com três nomes como os betos? Está giro. Bem, devo começar por dizer o seguinte: não tenho nada a ver com o que as outras pessoas vestem, cada um anda como quer, até podem ter um gorro com três dildos e dizer que se identificam com um triceratops de piças que por mim está tudo bem. Vou reparar nisso e comentar, claro, mas acho que têm todo o direito em fazê-lo. Por isso, acho ridículo aqueles que lhe chamam nomes e que se indignam como se isto fosse o fim do mundo. No entanto, acho o mesmo sobre aqueles que dizem que não se pode falar do assunto porque se o fizermos somos homofóbicos, até porque me parece discriminatório assumir a orientação sexual do rapaz (espero não estar a ofender ninguém ao assumir que ele é do género masculino) com base no que veste.

Lá por usar saias tem de ser gay? Provavelmente é, mas pode não ser. Ele licenciou-se em "Estudos Artísticos" por isso pode ser só excêntrico.

Os padres usam saias e chapéus ridículos; os juízes e advogados usam capa ou batina ou lá o que é aquilo. Homens de saia há em muitas profissões e nem estamos a falar dos escoceses e o seu kilt. Por falar nisso, terá o senhor da saia levado roupa interior ou andava ali em modo comando? Pode ser perigoso, toda a gente sabe que o poder dá tusa e podia excitar-se com a tomada de posse. "Tomada de posse" é uma expressão bastante sexual, ainda por cima. Tomada de posse à bruta e por trás que é o que normalmente os políticos fazem aos contribuintes.

A mim, o que me choca não é a saia: é estar mal vestido. Não há uma corzinha. O tecido da saia parece de fraca qualidade e não lhe a favorece a figura. O rapaz não é mal feito, podia ter apostado em algo mais cintado que lhe enaltecesse a zona dos quadriceps e dos glúteos. Aquela meia puxada para cima com aquele sapato é muito colégio interno de freiras. O senhor de saia foi notícia na SIC Mulher, onde a política normalmente nunca é destaque. Talvez seja bom porque pode significar que a política será comentada em programas como o Passadeira Vermelha e, assim, no meio das críticas aos outfits dos políticos, podem dar notícias relevantes para as pessoas que só vêem programas fúteis e não estão atentos à actualidade política. Já estou a imaginar o Cláudio Ramos a dizer "Joacine estava maravilhosa, vestida por João Rolo, com uma blusa esvoaçante de cetim, enquanto discursava a sua nova proposta de lei que pretende a subida do ordenado mínimo para os 900 euros mensais" e "Já António Costa, muito elegante num fato Hugo Boss com punhos de brilhantes, retorquiu que seria impossível o orçamento de estado comportar tal aumento e que iria focar-se nas taxas intermédias de IRS para combater as desigualdades salariais.".

O pessoal que destila ódio contra o senhor da saia nas redes sociais e que vai para o perfil pessoal dele no Facebook chamar-lhe nomes é tudo uma cambada de atrasados mentais, mas... ele sabia disso. As regras do jogo são bastante claras "És homem e vais de saia para o Parlamento, vais ter muita gente a chamar-te nomes". Não estou a dizer que concordo, estou a dizer que são as regras e que ele sabia quais eram. Deve coibir-se de ir vestido como quer por isso? Acho que não, mas gritar "Olha os homofóbicos maus!" como se fosse surpresa é um bocado desonesto intelectualmente quando me parece que o grande objetivo era o de provocar essa reacção.

Como eu disse no meu anterior solo de stand-up "O Rodolfo vai para a escola no primeiro dia de aulas, vestido com umas botas cano alto cor-de-rosa, um pavão a fazer de boina e uma lanterna no cu a dizer que é um pirilampo. É gozado e sofre bullying. Horrível, nada justifica o bullying, mas... será que ele não tem um bocadinho de culpa? Só um bocadinho? Queremos ser excêntricos levamos no focinho, Rodolfo." E é um bocado isto que aconteceu. Se me dissessem "Ó Guilherme, mas ele é sempre assim, faz parte da identidade dele e seria injusto para ele renegar quem é só para cumprir as expectativas da sociedade" eu percebia perfeitamente. No entanto, basta ver outras fotografias na Internet e redes sociais para perceber que ele está sempre de calças. Ou seja, usar calças para ele não é um espartilho da identidade de género que ele acha desajustada, é uma coisa que ele usa no dia-à-dia sem que isso lhe faça confusão. Portanto, a escolha deste outfit para este dia deveu-se a uma das seguintes opções:
  1. Esqueceu-se de meter as calças a lavar. Acordou em cima da hora e não teve tempo de ir comprar outras e só tinha a única coisa passada a ferro era aquela saia.
  2. A caminho do parlamento deixou cair uma torrada com manteiga nas calças e a Joacine teve de lhe emprestar uma saia que tinha no carro.
  3. Só usa saias em ocasiões especiais e achou que a tomada de posse tinha passadeira vermelha.
  4. Usou saia porque sabia que ia ser um tema e iria ser falado.
Parece-me óbvio que é a última opção e não há mal nenhum nisso. É marketing e, meus amigos, é marketing bem feito. Nos dias de hoje ganha votos quem tem visibilidade e tempo de antena e se o Livre quer manter ou aumentar deputados têm de investir em marketing gayrrilha como este. Não me digam que não é pensado para isso porque eu não sou palerma. Agora, se nesse processo de marketing forem quebrados tabus e Portugal ficar um país mais tolerante à diferença, ainda bem. Agora, imaginemos que o André Ventura ia para a tomada de posse de calção e chinelo. Aposto o mindinho do pé em como as pessoas que exaltam o senhor da saia seriam os primeiros a dizer que o André estava a faltar ao respeito ao cargo e à responsabilidade que os portugueses lhe tinham dado e que levava a política como uma brincadeira e apenas como um modo de ser falado e de aparecer.

Se esta moda pega, esta de os políticos abandonarem o dress code rígido da Assembleia e começarem a usar aquilo com que se identificam, imagino algumas mudanças:  o António Costa e o Rui Rio continuam a ir de fato porque estão na política há tanto tempo que até dormem com ele; a Cristas vai vestida de freira beata; a Catarina Martins deixa crescer rastas e vai com aquelas calças largas que parecem pijama de quem faz malabarismo nos semáforos; o gajo do Iniciativa Liberal vai de calça de pano vermelha, sapato de vela, camisa da Tommy e um pullover salmão aos ombros; e o André Ventura vai vestido de fantasma, se é que me faço entender.

Para terminar, deixo-vos com uma história. Em 2011, trabalhava eu numa consultora informática e estava destacado num banco onde éramos obrigados a ir de fato todos os dias, embora fossemos programadores e quase nem víssemos a luz do dia, quanto mais clientes do banco. Certo dia, fui dormir a casa da minha namorada e esqueci-me de levar as calças do fato. Acordo, tomo banho e apercebo-me disso! Paniquei um pouco e vi que não dava tempo para ir a minha casa buscar as calças. Ponderei não ir trabalhar só para não ter de ouvir o chefe, temido por todos, a refilar. Fui na mesma, de calças de ganga, camisa e casaco do fato e optei por não levar gravata porque se era para dar tudo, era para dar tudo. Cheguei e percebi que sempre que me levantava do meu computador muita gente olhava para mim e, cá fora, nas pausas para fumar, todos os meus colegas me perguntavam "Então? Calças de ganga?" assim meio a medo e eu explicava o que tinha acontecido. Ninguém da chefia me repreendeu ou disse alguma coisa. Comecei a levar calças de ganga sempre às sextas-feiras onde o casual friday era fato sem gravata. Ninguém me disse nada. Comecei a levar calças de pano nos dias normais. Ninguém refilou. De vez em quando já levava calças de ganga em dias normais e nunca ninguém me repreendeu. Comecei a perceber que, coincidência ou não, houve alguns colegas a deixar a gravata em casa de vez em quando e a não irem sempre de fato completo. Nunca ninguém refilou. As revoluções, às vezes, começam numas calças, outras vezes numas saias. Pode ser que incentive alguns políticos a não andarem sempre de fato e a assumirem mais a sua identidade. Dava jeito para os conseguirmos definir melhor, já de fato parecem todos iguais, todos aldrabões. Prefiro o senhor da saia, por muito hipócrita que seja, do que o senhor de fato e gravata que quer proibir o casamento entre pessoas do mesmo sexo. O problema é que, por muito que custe admitir, o senhor de saia faz com que esse outro senhor ganhe mais apoiantes.


***


PS: Relembro as últimas datas do meu espectáculo Só de Passagem, onde podem ir vestidos como quiserem.

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22 de outubro de 2019

Nunca se contraria o cabeleireiro



Desde puto que não gosto de ir ao cabeleireiro. Sim, vou ao cabeleireiro e não ao barbeiro até porque a barba faço em casa. Ir ao cabeleireiro é a prova de que o contexto é importante em tudo. Em que outra situação é que seria normal alguém lavar-me o cabelo como se eu fosse ou um rei da antiguidade ou o meu avô entravado? Mais, normalmente é um homem que me lava a cabeça e a situação é toda um bocado estranha. Não sei bem a etiqueta. Posso fechar os olhos e aproveitar a massagem ou depois disso vou querer ir ao IKEA escolher cortinados e ir ao brunch todos os domingos? Não sei.

Isto começa logo mal porque eu até lavei o cabelo em casa – ontem, é certo – mas deviam apenas borrifar-me para amolecer e não passar champô trinta vezes mesmo a dizer-me que estava sujo que nem um mineiro. Além disso, esta parte da lavagem é desconfortável fisicamente, estamos ali naquela poltrona, inclinados para trás com o pescoço todo torto naquele colar de loiça duro e há o momento em que ele nos pergunta se a água está boa.

Nunca está. Está sempre fria ou a queimar o escalpe, mas um gajo aguenta e diz "está bom" porque nunca se contraria o cabeleireiro.

Depois, vem a parte do corte e não sei se já pensaram nisso, mas nunca ficamos a olhar tanto tempo para a nossa cara como no cabeleireiro. Estamos ali meia hora, sentados a olhar para a nossa cara no espelho e começamos a descobrir imperfeições que nunca tínhamos visto: "Olha, tenho um olho mais fechado do que o outro". Giro; "Xiii a minha pele está uma desgraça". Que engraçado. Um gajo que devia sair com confiança reforçada de um corte de cabelo novo, sai de lá a sentir-se velho e acabado. Nisto, ele vai cortando o cabelo e eu penso sempre "E se eu precisar de espirrar? E se eu tiver daqueles espasmos musculares que às vezes temos mesmo quando ele me esta a acertar a patilha com a máquina e fico com uma autoestrada A0 de lado?". Esqueçam a queda livre, verdadeira adrenalina é ir ao cabeleireiro quando se está com tosse.

Quando me estão a cortar o cabelo sou uma espécie de supervisor, atento a todos os movimentos e micro-expressões faciais do cabeleireiro. Há sempre alturas em que eu acho que ele fez merda e está em controlo de danos a tentar disfarçar. Talvez seja trauma porque quando era puto, tinha uns 6 anos, cortaram-me a orelha. Fizeram-me um corte na orelha, vá, não foi um corte à Van Gogh. Jorrou sangue e eu chorei, enquanto a minha mãe berrava com a cabeleireira que dizia que a culpa era minha porque me tinha mexido. Era uma criança de 6 anos, se não me mexesse era sinal que estava morto.

No fim, podemos ter pedido só para aparar e o gajo passou pente zero na cabeça toda que não temos coragem de desafiar a autoridade dos cabelos. Ele faz aquela dança de ir buscar o espelho pequenino para nos mostrar a sua obra de arte numa vista de 360 graus e pergunta "Está bom?" e nós dizemos sempre "Sim, sim… está óptimo…", pagamos e vamos fechar-nos em casa durante duas semanas até não parecermos um caniche tosquiado por uma criança cega e maneta.


***

PS1: Podem ouvir esta crónica em formato áudio no podcast Por Falar Noutra Coisa, neste link da Antena 3. Também disponível no iTunes, Spotify e essas plataformas todas.


PS2: Relembro as últimas datas do meu espectáculo Só de Passagem:

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Fotografias safadas, relações casuais e perceber os sinais



Cá estamos para mais uma consulta "Doutor G explica como se faz". Sem mais demoras, vamos dar início as hostilidades.


Caro Dr. G, reencontrei recentemente, por acaso, um amigo antigo que já não via há alguns anos porque ele estava emigrado. Eu estava enrolada com um rapaz simpático mas que não me alegrava assim tanto. Os copos levaram ao enrolanço com o emigrante, mas apenas num nível adolescente de uns beijos e mãos marotas, porque ainda assim não fui capaz de dar facada no simpático. A verdade é que o simpático acabou por ir à vida dele e eu e o amigo começamos a falar imenso - base diária mesmo - na net, quase sempre ele a puxar conversa. Não nos ficámos só pela conversa e a coisa aqueceu online. Nisto tínhamos de nos ver, o que fizemos e foi o carnaval pelado com uma química que não desapontou. Agora estamos longe e já falámos de nos vermos, mas a coisa não avança e ninguém quer ter a iniciativa, porque isso seria admitir alguma coisa mais e falámos que seria 'casual'. Tudo isto me está a fazer diminuir o interesse no funaná online - que continuou, mas agora sabe a pouco - e quis parar com a coisa mas ele parece querer continuar e manda mensagens frequentes, com coisas como BOM DIA. Que raio é isto?!
Patrícia, 27, Braga

Doutor G: Cara Patrícia, as mulheres realmente nunca estão satisfeitas. Tivesse o teu emigrante dado uma foda mágica (finaliza o coito e desaparece) sem te dizer mais nada a não ser quando quer fotografias e vídeos das tuas miudezas e tu dizias que ele era um porco que só estava interessado em ti pelo sexo. Agora, o rapaz diz-te bom dia e tu reclamas? Se não têm mais nada de jeito para fazer a não ser fazer exames ginecológicos e urológicos via Internet, força nisso. Às vezes um gajo perde uma hora a escolher o filme ou a série no Netflix e depois já é demasiado tarde, vai-se dormir e foi uma hora perdida. Por isso, em vez de perderem esse tempo, mais vale masturbarem-se com a companhia um do outro. Usem o Whatsapp que tem mensagens encriptadas ou o Snapchat ou Instagram que aquilo apaga as imagens depois da primeira visualização. Depois logo se vê, aproveitem as viagens low cost e encontrem-se para o carnaval pelado algures. Agora, tem de ser mesmo muito bom ou vocês são feios e não arranjam mais ninguém. Era mesmo eu que me metia num avião para fazer sexo.


Caro Doutor G, deve um homem enviar fotografias do seu membro a uma rapariga? Como é que isso é visto do lado feminino e tem algumas dicas para tentar essa prática?
Anónimo, 25, Lisboa 

Doutor G: Caro Anónimo, dicas para enviar dic pics? Mas queres o quê? Uma masterclass sobre fotografia de naturezas mortas com os melhores ângulos e iluminação para o teu pimpolho parecer maior? Usar filtro Nashville ou Juno nos tomates? Não tenho grandes dicas a não ser não mostrares a cara, isto se tiveres problemas que as fotografias vão parar a terceiros. Se possuíres um pénis majestoso, pode até ser uma boa forma de promoção futura. Mentaliza-te que as raparigas para quem enviares vão, muito provavelmente, mostrar às amigas e por isso, assegura-te só que a rapariga em questão não é amiga da tua avó. Quanto à primeira questão "Se deves ou não", deixo um fluxograma para te ajudar:
Quanto a como é visto do lado feminino, é simples: se ela estiver atraída por ti e tiver pedido, vai gostar de ver a não ser que precise de fazer muito zoom para ver alguma coisa. Ao contrário dos homens, que gostam sempre de ver, mesmo que não tenham pedido. Especialmente sem terem pedido, vá.


Querido doutor g, ando a trocar mensagens com um gajo que conheci através de uns amigos. Tenho de ser sempre eu a tomar a iniciativa para as mensagens e já tentei marcar dois cafés, mas ele disse que andava com muito trabalho. Eu acho que ele está interessado, mas começo a duvidar. O que acha o caro doutor?

Ana, 31, Pombal

Doutor G: Cara Ana, ele não está interessado. Fim.


Caro Doutor G! Sou um rapaz com relutância em comilanços casuais. No entanto, fui deparado com a teoria de um amigo de que "tem que se ir aos treinos para se brilhar nos jogos". O doutor também partilha desta opinião? 
Jovem, 21, Coimbra 

Doutor G: Caro Jovem, bom, dizem os estudos que as pessoas melhores na cama são as que tiverem poucos mas longos relacionamentos e não as que tiveram muitos parceiros apenas casuais. Isto tem a ver com o facto de terem mais tempo para aprimorar a técnica e, muitas vezes, nos casos de uma noite, as pessoas são mais egoístas e querem é despachar. Dito isto, em termos de prática, é melhor fazer mal feito do que não fazer. Imagina que queres ir correr uma maratona em março de 2020. É melhor não treinares nada até lá ou dares apenas umas corridas curtas ao fim-de-semana? Pois, as corridas não te vão ajudar muito, mas são melhores do que nada. Porquê? Boa pergunta, porque se passares muito tempo sem treinar, quando fores chamado a titular para o jogo, vais estar mais nervoso e menos confiante, o que vai resultar numa baixa performance.


Sou um cabrão e fodi a minha relação com a mulher da minha vida. Como faço ou o que faço para a reconquistar pela 9472926458x?
Anónimo, 24, Porto 

Doutor G: Caro Anónimo, se achas que ela é a mulher da tua vida, devias querer o melhor para ela e, claramente, o melhor para ela é estar com outra pessoa que não tu. Pumba, a verdade dói mais do que sexo anal sem lubrificante. 


Doutor G, preciso da tua ajuda. Entrei agora na Universidade e no meu curso e turma há uma rapariga pela qual desenvolvi uma enorme crush. Já fomos com mais colegas nossos ao Bowling e foi super divertido. Ela ri-se das minhas piadas e tem empatia comigo. Contudo, quando lhe dei boleia a casa, ela revelou-me que tinha namorado, algo que suspeitei, mas não tinha a certeza, e desabafou que achava que a relação não iria demorar muito tempo. Apanhou-me desprevenido nesse comentário e eu mudei de assunto. Desde então, já fomos andar de mota os dois, falamos poucas vezes do namorado, mas não sei o que fazer. Não trocamos muitas mensagens. Não sei se devo insistir nela, tipo ir tomar um lanche ou algo assim com ela, ou se não me devo intrometer. Além disso, não sei se ela acha-me piada, porque também é super nice e fixe com outro gajo da minha turma. Sinceramente, só não quero estragar a nossa amizade. O que achas que devo fazer? Tentar puxar mais ou estar na minha e ir esquecendo-a?
Anónimo, 19, Lisboa

Doutor G: Caro Anónimo, vamos aqui desde já estabelecer uma regra de ouro da corte amorosa. Quando alguém revela a outra pessoa (com quem não tem muita confiança) que tem namorado, mas que a relação não está para durar, isso é código para: "Quero ser honesta para o caso de descobrires, até porque redes sociais e isso, mas quero que saibas que estou disponível a darmos umas trancadas por fora a ver no que dá". Pronto, foi isto que ela quis dizer. Se a juntar a isso acresce o facto de terem ido andar de mota os dois, é mais do que óbvio que ela quer ter entre as pernas mais centímetros cúbicos do que os do veículo de duas rodas. Se ela também é nice e fixe com outro gajo é porque, pasme-se, também o pode querer comer. Ou não, pode ser só simpática com ele porque ela é boa pessoa. Tu é que sabes o que fazer, mas ela basicamente deu-te a senha para lhe desencriptares o pipi. Tudo isto pode ser falso e ela ser apenas uma gaja que gosta de provocar para depois rejeitar, ou até pode sentir atracção e estar só no flirt e depois não ir até ao fim por causa do namorado. No fundo, pode ser qualquer coisa porque as mulheres são um bicho estranho. Quanto a estragar a amizade, nunca nada fica estragado com sexo. Sexo é tipo bacon, fica bem com tudo, menos com crianças e com os pais.


Olhem, se querem a minha opinião, foi uma boa consulta. Tenho duas perguntas para todos vós:
1- Estou a pensar testar o Doutor G num formato vídeo. Como é que ia funcionar? Boa pergunta. Seria eu e um convidado, a ler e a responder às questões que iam enviando. Com algumas rubricas pelo meio e jogos javardos, mas eloquentes. O que vos parece? Deixem nos comentários para medir o vosso feedback e depois fazer o que me apetecer na mesma.

2- Outra pergunta é: já comprarem bilhetes para as últimas datas do meu espectáculo de stand-up comedy? Não? Então vejam lá isso. Se já viram e gostaram, sugiram a um amigo.
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E é isto. Façam favor de continuar a fazer chegar as vossas dúvidas para a caixa de correio electrónico: porfalarnoutracoisa@gmail.com.
Obrigado e, como sempre: 

Façam amor à bruta porque de guerras o mundo já está cheio.

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