26 de junho de 2019

Marcha de Orgulho Heterossexual



Dia 21 de Setembro haverá uma Marcha do Orgulho Heterossexual. Acho bem, fazia falta algo para celebrar a heterossexualidade e lutar contra o preconceito e discriminação que nós, todos os heterossexuais, sofremos diariamente. Lembro-me quando, por volta dos 15 anos, me assumi como heterossexual aos meus pais. Foi muito complicado eles aceitarem, especialmente porque tinham medo do meu futuro e do sofrimento que este me poderia trazer. Lembro-me de dizerem, a chorar "Ainda por cima tu queres ir para informática e és heterossexual? Nem há gajas em informática e as que há têm bigode e fazem lembrar homens... ainda se fosses bi! Agora assim vais acabar sozinho?". Foi difícil para eles, especialmente para a minha mãe, que sempre sonhou em ter um genro gay que a ajudasse na decoração para a casa e fosse às compras com ela. Assim, teria uma nora e todos sabemos que as mulheres de hoje já não são prendadas como as de antigamente e que eu teria de cozinhar todos os dias. Lembro-me de os meus pais me dizerem que era uma fase, que eu estava confuso e que era uma moda influenciada pelos filmes e histórias da Disney em que há sempre um casal heterossexual. Não foi uma fase, ainda hoje aprecio pipi, apenas e só.

Ser heterossexual sempre foi complicado e as pessoas não sabem pelo que nós, especialmente os homens heterossexuais passamos. Primeiro, temos de aturar mulheres como parceiras e companheiras de casa, ter o ralo da banheira sempre entupido de cabelos e, pior, depois do sexo temos de conversar. Os gays têm a vida facilitada: se forem homens, querem é despachar, vir-se e ir jogar Playstation ou cantar Mariah Carey no Sing Star; se forem mulheres querem as duas ficar a conversar. A discriminação de ser um homem heterossexual começa logo na adolescência e nas relações amorosas: lembro-me de estar interessado em alguém do sexo oposto e sentir a pressão de ser eu a tomar a iniciativa para ir falar com ela; nos gays não há esse problema, já que qualquer um pode dar o primeiro passo por estarem em pé de igualdade genital. Também nos restaurantes os homens heterossexuais são discriminados, tanto aquando da prova do vinho como quando o empregado traz a conta. Partem do princípio que, por sermos o homem do casal, temos de ser nós a provar o vinho e lá temos de fazer aquela triste figura de fingir que entendemos de taninos e robustez de sumo de uva. Com os casais homossexuais tal não acontece e o empregado serve o vinho a quem calhar ou àquele que parecer menos rabicho.

A esta discriminação junta-se o assédio de que os heterossexuais são alvo todos os dias. A imposição violenta da homossexualidade a todos nós é um flagelo desta sociedade progressista. Quantas vezes não estamos no multibanco a levantar dinheiro e um gay se posiciona atrás de nós, encosta-se e pensamos que é um assalto, mas não: é uma violação. Começa a fazer amor com o nosso rabo e acabamos por nos enganar a meter o PIN, várias vezes, e ficamos com o cartão bloqueado. É uma situação bastante aborrecida. Nas praias também sentimos essa imposição da homossexualidade de cada vez que, especialmente em dias de muito calor, vem um grupo de gays e faz um arrastão de picha. Um magote de gays, em sunga e com corpos oleosos, varre o areal e viola toda a gente a chapadas de pila. É terrível porque no fim um gajo já não sabe o que é protector solar e o que não é.

Por tudo isto e muito mais, faz todo o sentido haver uma marcha de orgulho heterossexual! Este é o cartaz do evento de Facebook que está a convocar a marcha hétero.

É horrível, não é? Pois, sabem porquê? Porque não têm um designer gay com bom gosto. Até nisto os heterossexuais sofrem, na falta de tacto para conjugar cores e escolher bons tipos de letra. Ficámos presos no tempo do Paint e do Word Art, enquanto os gays evoluíram mais rápido para o Photoshop porque gostaram do nome do programa por lhes fazer lembrar compras.

Deixo algumas sugestões de actividades para a marcha de orgulho heterossexual. Em vez de músicas como YMCA, passar músicas românticas com letra de amor heterossexual dos Queen e do George Michael, especialmente da altura que tinham bigode. Em vez de drag queens, devemos ir todos vestidos de polícias e pedreiros, profissões másculas, mas temos de ir mal vestidos e sem estilo nenhum para celebrar a heterossexualidade! Outra coisa importante é levar algumas crianças para abandonar à porta de orfanatos.

Com a adopção de crianças por parte de casais do mesmo sexo, é importante repor o stock de crianças abandonadas por heterossexuais para mostrarmos o valor da família tradicional!

Como é que eu agora termino com este discurso irónico e falo mais a sério sem quebrar a genialidade do texto? Já sei, faço um parágrafo a dizer que vou mudar o tom a partir de agora e passar para um registo mais sério. Pronto, já está.

Marcha de Orgulho Heterossexual é uma palhaçada, foda-se. “Se há orgulho gay porque não há orgulho hétero?”, perguntarão alguns. Eu explico, meus pequenotes. Ter orgulho em ser gay é tão parvo como ter orgulho em ser hétero, sim, já que não é uma escolha e ter orgulho em coisas que não dependem do nosso esforço ou dedicação não faz sentido. Ter orgulho em enfrentar o preconceito e ter a coragem de viver como queremos viver, isso, sim, já faz sentido. Ter orgulho em todos aqueles que lutaram contra a discriminação e o estigma, sim. Perceberam? Ter orgulho em gostar de chupar pilas, é parvo, mas ter orgulho em saber chupar bem uma pila, aí sim, já é válido, tal como eu tenho muito orgulho em ser um mestre no que faço. A questão é tão simples que me sinto sujo em ter de a explicar, mas a verdade é que assumir a homossexualidade ainda é, muitas vezes, lutar contra algo. Assumir a heterossexualidade não é nada até porque ninguém precisa de a assumir, pois todos partimos do princípio que alguém é heterossexual a não ser que seja uma mulher com cabelo curto que conduza camiões ou um gajo de perninhas fininhas que use pochetes. Nesse caso assumimos que são gays. Preconceito? Sim, mas preconceito quase sempre certeiro.

Haver uma marcha heterossexual é o mesmo que haver uma marcha de orgulho organismo multicelular só para ver as amebas todas fodidas a refilar.

Agora, acalmem lá é a patareca lésbica e a pila que gosta de rabo de homem que a sigla está a ficar muito grande. LGBT está bom, fica no ouvido. LGBTQIAPK+? Andamos a brincar? É uma serial key para crackar o Office? Ficamos com LGBT+, pode ser? Embora me traga traumas por me fazer lembrar os meus tempos de informático em que C++ era um pesadelo. Os apontadores eram uma merda, embora em LGBT+ também existam apontadores em caso de orgia de homens, havendo sempre um que serve para apontar. Bem, já chega de piadas nerds.

Dito isto, as marchas gays têm todo o meu apoio, podem ser exuberantes com gajos com plumas e lanternas enfiadas no rabo a dizer que são pirilampos. Por mim, tudo bem, transexuais, intersexo e tudo isso, não tenho nada a ver com o assunto. Identificas-te com um estegossauro e metes 7 pilas ao longo da coluna vertebral, alinhadas com os chakras, e dizes que és um estegossauro de pichas? Estás no teu direito, não tenho nada a ver com isso, mas não fiquem chocados por haver pessoas chocadas, até porque muitos se vestem assim para chocar. É normal, há pessoas mais conservadoras que vão achar aquilo uma palhaçada. Meter a pila num ninho de vespas e depois dizer que as vespas picam não vale de protesto porque toda a gente sabe que as vespas picam. Sim, as vespas deviam ter mais tolerância, mas sabemos que não têm, é preciso educar ou esperar que morram.

Mas bem, é por tudo isto que faz sentido haver uma marcha gay e não uma marcha heterossexual. Primeiro, porque marchar é um bocado maricas, depois porque houve e ainda há, em muitos países, verdadeira discriminação contra a homossexualidade - dá pena de morte em muitos casos - e, que eu saiba, meter pilinha no pipi só dá morte se a dona do pipi for casada com um gajo que tem uma arma. A marcha de orgulho gay não deve ser encarada como “Eles acham que os gays são melhores!”. Claro que haverá lá gays palermas que pensam assim e querem chamar à atenção para o seu novo corte de cabelo, mas a premissa e origem é muito mais profunda do que a futilidade aparente do evento e não é preciso ser muito inteligente para perceber isso.
Ler mais...

11 de junho de 2019

Dúvidas sexuais e sentimentais respondidas pelo Doutor G



O Verão está aí à porta e, com ele, chega a época de maior prática e funaná pelado. Como tal, o Doutor G tem sido inundado com dúvidas e, por isso, vamos sem demoras dar início a mais um "Doutor G explica como se faz".


Bom Dia Sr. G, estou saindo com uma ex garota de programa, não a conheci na ex-profissão, mas vou direto ao ponto: ela tem uma enorme experiência e eu no caso não tenho nem uma, e isso me assusta um pouco, como posso lidar com a situação? 
Anónimo, 21, Rio de Janeiro 

Doutor G: Caro Anónimo, você está sendo muito coninhas, ou, aliás, bucetinhas. Se tu não tens experiência e ela tem muita, encara essa relação como uma formação/workshop gratuito. A maioria dos homens tem de pagar e tu tiveste direito a um giveaway de surra de bunda. Pergunta-lhe se tem o CAP de formadora que é para no fim teres direito a um certificado para poderes meter no CV. Tens de ver pelo lado positivo, se ela era garota de programa e está contigo de borla é porque gosta mesmo de ti, ou então és rico e estás a pagar os jantares todos e as férias e, afinal, ela ainda é garota de programa, mas sem carteira profissional. Outro ponto positivo é que se ela era garota de programa, provavelmente já esteve com gajos muito piores do que tu que só conseguiam sexo a pagar. Sim, também teve com outros muito melhores, mas o que interessa é que provavelmente não és o pior e sempre tens tempo para aprender.


Boa noite, acabei com a minha ex a uns 6 meses. Claro passei por aqueles momentos de desgosto e de não querer saber dela. Ela veio falar comigo a 3 semanas atrás e temos vindo a falar e tem vindo a cima os sentimentos. Nos acabamos porque não tínhamos nada em comum e era só funana pelado. Uma pessoa tem que procurar o bom de dois mundos, tanto o sexo como o intelectual. Não sei o que fazer, dar uma tentativa e possa ser desta ou deixar onde esta e ir a procurar de outras damas.

Anónimo, 23, Porto 

Doutor G: Caro Anónimo, apetece-me dar-te duas chapadas à padrasto devido aos erros a conjugar o verbo haver, mas é uma guerra que o Doutor G admite já ter perdido. É a vida, temos de saber quando desistir. Por isso, vou só dar-te chapadas à padrasto por outro motivo: voltar para o ex é comer comida com bolor e nem estou a falar de queijo que dizem que fica melhor. Se há 6 meses não tinham nada em comum achas que agora vão ter? Um semestre não chega para uma pessoa mudar muito a não ser que seja em Erasmus em Amesterdão e tomar cogumelos mágicos e descobrir que, afinal ,a vida não faz sentido e ficar lá a viver numa quinta ocupada por punks anti-capitalismo que fazem fila para comprar o novo iPhone. No fundo, esses sentimentos que sentes a vir ao de cima são as saudades de te vires em cima dela. Sou um romântico, eu sei. Agora, tu é que sabes quais eram as incompatibilidades e se achas que podem ser ultrapassadas. Faz assim, quanto estiveres com vontade de estar com ela, toca um solo de oboé e se, no fim, ainda tiveres vontade de a ver, pode ser amor, caso contrário era só vontade de voltar a um pipi onde já foste feliz.


Olá Doutor G, ao final do primeiro mês de namoro ele já falava em vivermos juntos e ter filhos. Disse-lhe para irmos com calma e construirmos algo sólido. Tudo corria às mil maravilhas e já fazíamos planos para daqui a uns anos quando o comportamento dele muda por completo. Quando lhe apetecia estar comigo agia como se nada se tivesse passado, mas no resto do tempo era como se eu não existisse. Para ele estava tudo bem em manter as coisas assim, embora eu notasse que ele parecia fazer de tudo para que eu terminasse o namoro e para me afastar da vida dele. Cansei-me e disse-lhe que não tinha feitio para ser a amiga colorida e que ele não tinha tomates, preferindo faltar-me ao respeito. Ele não negou e, mesmo assim, tentou que fosse eu a terminar passando essa responsabilidade para mim. Eu pu-lo no lugar e disse-lhe para ele ser homem por uma vez na vida e ele lá acabou por dizer que era melhor terminarmos porque não tinha respostas para mim e que para ele estava tudo bem. Terminarmos foi o melhor que podia ter acontecido, mas eu não entendo qual é o gajo que diz à namorada que quer fazer planos e ter filhos e depois quer transforma-la numa amiga colorida. Qual é a lógica deste comportamento? O gajo é parvo ou faz-se?
Anónima, 26, Lisboa

Doutor G: Cara Anónima, ora bem, a resposta é simples: ele no início estava apaixonado por ti e foi perdendo o encanto. Isso ou fazia-te juras de amor eterno só para ter direito a sexo anal, é uma técnica ancestral utilizada até por padres que juram amor eterno a Deus e depois usam o rabo de crianças como estojo para o pénis. Sou um génio das metáforas, obrigado. Bem, no entanto, e se me permites, podemos também estar perante um quadro de "namorada needy ninja cinturão negro mastershit". Repara: pelos vistos, tu é que não estavas satisfeita com a situação, mas ele dizia que estava tudo bem. No entanto, achavas que a responsabilidade de acabar era dele? Quem está mal é que se tem de mudar e se não estavas a sentir-te respeitada, esperas que ele acabe em vez de seres tu a dar-lhe um chuto no cu? Não me digas que és daquelas mulheres que no restaurante diz sempre "tanto faz, escolhe tu", não há nada pior que pessoas sem iniciativa, especialmente quando essa iniciativa é para seu próprio proveito. Ele foi com tudo no início e tu disseste para ele ir com calma, e ele foi, mas com calma a mais para o teu gosto. Resumindo, ele pode ser um cabrão, sim, pode ter arranjado outra entretanto, ok, mas pode simplesmente ter deixado de ver um futuro contigo no horizonte e isso pode ser por muitas coisas e uma delas é por lhe teres chateado tanto a cabeça. Ponto positivo: não deixou de gostar de ti porque o sexo era mau, caso contrário não te tinha mantido como amiga colorida. É sair da relação de peito erguido que ainda és nova e isso não descai tanto.


Caro Dr. G, vou ser direto: adoro lamber o ânus da minha namorada. Quando estou-lhe a fazer sexo oral gosto também de lhe lamber o ânus. É normal? É um caso clínico recorrente? As mulheres tendem a gostar? Pergunto isto porque quando pergunto a minha namorada ela diz que não sabe muito bem se gosta ou não, que é estranho. É de notar que apenas o faço ao fim de um banho, por razões óbvias.
Anónimo, 29, Lisboa 

Doutor G: Caro Anónimo, ainda há pouco tive essa conversa com outros membros do sexo masculino. Um deles gostava dessa prática, o outro dizia que era nojento. O Doutor G aprecia bastante e recomenda a prática, desde que feita com higiene, obviamente. É até uma falta de respeito não o fazer, repara: aquando do cunilingus o ânus está ali a escassos centímetros de distância e seria até, indelicado, não o cumprimentar. Se vais subir ao primeiro andar e encontras um vizinho no rés-do-chão não lhe dizes olá e dás, se ele quiser, dois dedos de conversa? Ora bem, no sexo é igual. O ânus tem terminações nervosas e pode ser usado como fonte de prazer, tanto para mulheres como para homens, sejam heterossexuais ou não. As mulheres tendem a gostar, dizem até que é uma nova tendência na sexualidade dos mais novos, mas cada caso é um caso e é ir vendo, se ela diz que não desgosta, estás num bom caminho. Coisas a ter em conta:

  1. Se ela faz a depilação genital, mas deixa um tufo no rabo, significa que não há cá brincadeiras naquela zona. Se ela deixa uma espécie de rabo de esquilo é porque para ela aquilo é terreno baldio onde nada deve ser plantado.
  2. O Doutor G, apesar de ser um javardo, sente uma responsabilidade que veio com tamanho poder: o sexo oral no ânus pode transmitir DSTs e outras bactérias, por isso vejam lá isso. Vou dizer para não fazerem porque vocês vão fazer na mesma, por isso, ao menos lavem-se bem e se virem um alto não é brinde do bolo-rei, é hemorróida ou cancro do cu.
Caro Doutor G. uma amiga minha, que vou intitular de Alzira, pediu-me ajuda mas eu achei que o Doutor era a pessoa mais indicada. Ela é casada, mas recentemente, verificou que o seu médico de família passou a ser um jovem doutor. Está bom de ver que passou a ser hipocondríaca e passou a contrair tudo o que era viroses. Depois de inúmeras idas ao centro de saúde e muitas horas de conversas, a Alzira verificou que havia uma certa empatia e um crescente clima entre eles. Ele discretamente vai dando sinais e ela já só fantasia com ele a fazer-lhe um exame completo ao pipi na marquesa do consultório. Mas isto já dura há meses (e aproximadamente 50 idas ao consultório), e ele não avança. As dúvidas da Alzira são as seguintes:
  1. Será que ele nunca vai avançar devido ao código deontológico que o rege?
  2. Será que ele tem medo de avançar por ter medo que ela faça queixa caso o desfecho seja insatisfatório?
  3. Será que ele não avança por ela ser casada?
  4. Como deixá-lo antever que ela está aberta a pular a cerca com ele (mas sem ser óbvio demais para o caso de estar a interpretar o comportamento dele mal e levar a tampa do século)?
Por favor, Doutor G., ajude esta minha amiga.
Uma amiga preocupada, 30, Porto

Doutor G: Cara Alzira, quer dizer, amiga da Alzira, assim é que é, enganei-me, o meu primeiro conselho é que a tua amiga peça o divórcio. Depois, quem me dera ter um médico de família assim, não que quisesse que me auscultasse o rabo, mas um que atenda assim tão rapidamente e que seja empenhado no seu trabalho. A minha médica de família demora duas horas a escrever no computador e não sabe coisas tão simples como o número de cigarros que um maço tem, além de ter de ser aqui o Doutor G a alertá-la para valores que podem estar mal nas análises. No fundo, a minha médica de família é uma espécie de Google, mas que passa análises e exames. Estará extinta em menos de dez anos quando a inteligência artificial fizer melhor o trabalho dela que, pelos vistos, foi para o curso por prestígio e não por vocação, ao contrário do Doutor G que está aqui a dar consultas de borla e se preocupa, de facto, com os seus pacientes. Bem, depois deste desabafo, vamos ao que interessa e às tuas dúvidas... da Alzira, perdão:
  1. Duvido que ele avance, mas se ela avançar duvido que ele se lembre do juramento de Hipócrates.
  2. Vivemos tempos em que dizer "bom dia" pode ser considerado assédio, por isso imagina um médico dizer "bom dia, agora dispa-se para eu lhe fazer um esfreganço cervicovaginal com esta espátula de chicha.". Pode ser perigoso e se o médico é novo, ainda pode não conhecer bem os médicos chefes para o encobrirem depois de fazer merda.
  3. Ela que apareça sem aliança a ver se há alguma mudança no comportamento dele. Se ele der conta e, por acaso, referir esse facto, é porque está interessado e tu... a tua amiga, pode dizer "Olhe, se calhar perdi em algum lado onde ando sempre a meter os dedos a pensar em si, veja lá, doutor". Se eu não sou um génio, não sei quem será.
  4. Aqui o ónus está do lado da Alzira. Ele está em ambiente profissional e, por isso, se ela quer que ele lhe meta outra coisa na boca e lhe peça que diga "Ahhh", tem de ser ela a ir directa ao assunto. Não pode ser discretamente, tem de arriscar a tampa e ter de mudar de médico de família. A vida é assim, feita de escolhas.
Vá, boa sorte para ti... para a tua amiga Alzira.


Caro Dr. G, namoro há 4 anos com uma sujeita e até hoje não tenho razões de queixa, apenas acontece uma coisa que não me agrada: Sempre que fazemos sexo, eu primo por ser ela a primeira a vir-se e só depois chega o meu momento. Acontece que quando ela vem-se fica muito "aterrada" e, apesar de continuarmos para eu me vir, ela já quase não quer trocar de posição e basicamente parece que estou a fazer sexo com uma boneca. Já falei com ela sobre este assunto e ela já tem melhorado neste aspecto, contudo gostaria de saber a sua opinião e se tem algumas dicas para dar a volta a esta situação.
Anónimo, 24, Portugal Continental


Doutor G: Caro Anónimo, desde já deixa-me dar-te os parabéns por duas coisas: primeiro, por saberes conjugar o verbo haver; depois, por seguires os ensinamentos do Doutor G e te empenhares em fazeres questão que a tua namorada atinja o clímax. O prazer delas deve estar sempre em primeiro lugar, não porque elas mereçam, mas porque se andarem satisfeitas sexualmente ficam menos chatas. Bem, o orgasmo feminino pode ser muito poderoso e o facto de ela ficar "aterrada" só pode abonar em teu favor. Tens de lhe dar um tempo, faz uma pausa para ir comer ou ver um episódio de uma série e depois ela que trate de ti com o mesmo empenho com que tratas dela. Se ela recusar, bem, já sabes o que sente a maioria das mulheres que fica a meio porque o homem se vem sem se preocupar com elas e a seguir vira-se para o lado e dorme.


Acho que foi uma boa consulta, concordam? Gostaram muito? Pronto, então pensem nisso ao ver as últimas datas do meu espectáculo a solo e respectivo link para comprar bilhetes.

15 de Junho - Viana do Castelo - Clica aqui para bilhetes

21 de Junho - Porto - Clica aqui para bilhetes
20 de Julho - Barcelona - Clica aqui para bilhetes

E é isto. Façam o favor de continuar a fazer chegar as vossas dúvidas para a caixa de correio electrónico do Doutor G: porfalarnoutracoisa@gmail.com.
Obrigado e, como sempre: 

Façam amor à bruta porque de guerras o mundo já está cheio.

Ler mais...

26 de maio de 2019

Amizade com os ex, virgindade, relações à distância



Cá estamos. Sem demoras, vamos dar início ao mais conceituado consultório sentimental e sexual do mundo, "Doutor G explica como se faz":

Caríssimo Dr. G, estou com um grande dilema. Quero practicar o sexo com o meu amado, mas assim que lhe disse que ia passar o fim de semana em casa dele, a primeira preocupacao dele foi a m#$%@ do jogo dos play-offs da NBA, que ia passar à uma da manhã. O que fazer????
Anónima, 25, Porto Salvo

Doutor G: Cara Anónima, ainda se fosse para ver futebol, tudo bem, era de homem, agora basquetebol? É trocar de namorado. Homem que prefere ver negões grandões a suar do que degustar pipi, é homem que não serve. Dito isto, podes satisfazê-lo enquanto ele vê os jogos, tentando que ele crie um condicionamento pavloviano e, assim, sempre que ele vir NBA fica com uma ereção e pode ser que desista de ver o jogo e vá tratar de ti. Também pode fazer com que ele fique com uma ereção sempre que vê um sujeito de cor mais escura o que significa que se andar de comboio na Linha de Sintra vai andar sempre de pau feito. É uma experiência gira que podes fazer. Dito isto, também pode dar-se o caso de tu não seres suficientemente boa na cama que justifique deixar de ver o jogo. Há pessoas que mais vale jogar playstation do que ter o trabalho de tomar banho para nos lavarmos por baixo.


Caro Doutor G, tenho uma namorada à cerca de 1 ano e meio, e quando estamos juntos a relação é formidável, bom sexo, identificação emocional e tudo o que se quer. O problema é que de há 6 meses para cá estou a estudar em Inglaterra, e ela em Portugal permanece. No início corria bem, mas recentemente descambou. Ela andou a ter conversas indevidas com outros rapazes e eu descobri, em duas ocasiões distintas. Creio que nunca consumou nenhum pecado extra-relacional, mas a dúvida permanece. Quando a confrontei ela mostrou genuíno arrependimento, pediu desculpa e disse que nunca se voltaria a repetir. Pouco depois disso vim fazer férias a Portugal e tudo correu às mil maravilhas como costume. O problema é que esta situação se vai prolongar pelos próximos 3 a 4 anos, enquanto terminamos os estudos respetivos. No entanto, depois de tudo o que aconteceu, tenho alguma dificuldade em confiar, e em imaginar como é que após um primeiro ano atribulado, poderão as coisas rumar a melhor porto nos próximos 3 anos.
Anónimo, 22, Inglaterra 

Doutor G: Caro Anónimo, toda a gente mostra genuíno arrependimento depois de ser apanhado. Ora bem, o flirt é normal e estando vocês longe, ainda mais natural que haja jogos de sedução. Erro teu que foste cuscar, quem procura encontra sempre alguma coisa que não gosta até porque, muitas vezes, tiram-se as coisas do contexto. Agora, depende do teor das conversas. Se era "Ui, estou aqui com uma falta de salpicão, o meu namorado está longe e comia bem agora a tua morcela", nesse caso, a não ser que ela adore feijoada e cozido, parece-me que tens umas armações de marfim na testa, tenha sido o acto consumado ou não. Vocês são novos, é normal que ainda tenham a ilusão que uma relação nessa idade vã durar para sempre e resistir às intemperis da distância durante 3 ou 4 anos. Estatisticamente, tens maior probabilidade de morrer num desastre de avião a ir ter com ela para matar saudades do que a vossa relação estar viva no fim de tanto tempo de distância. Mas hey, pensa positivo, se até os aviões caem de vez em quando, pode ser que vocês sejam a excepção à regra. Spoiler alert: provavelmente, não são.


Caro Dr. G, começo por dizer-lhe que não sou apenas uma mulher preocupada e a pedir aconselhamento, somos três. E nada tem a ver connosco, está relacionado com um amigo em comum que trabalha connosco. Este amigo, vamos chamar-lhe Manuel Maria, é casado há menos de 10 anos e tem um filho. Têm os dois 27 anos. Ele trabalha, ela não (por opção). Ela foi a única mulher que ele alguma vez teve. Depois do enquadramento, passamos a explicar. Descobrimos há poucos meses, através de afastamentos do Manuel Maria com sucessivas chamadas telefónicas diárias, que a mulher dele não quer de forma alguma que ele se relacione com mulheres. Ela dá-lhe uns minutos para almoçar e liga-lhe para que passe a sua hora de almoço ao telefone com ela, garantindo assim que não há conversas com mais ninguém. Sempre que ele sai do trabalho, a primeira coisa que faz é ligar-lhe e ir a falar ao tlm até casa. Isto todos os dias. Não vai a almoços, a lanches, a nada. Muito menos a jantares, isso era a loucura. Ele desabafou connosco e confessou estar muito em baixo, discute imenso em casa porque não quer deixar de se dar com quem se deu até agora e que a mulher não acha que tenhamos conversas apropriadas (somos umas devassas aparentemente). Posto isto, já falamos com ele e explicamos que isto não é saudável, não faz sentido. Achamos que há ameaças com o filho que é ainda um bebé e sabemos o quanto significa para ele. Ao dia de hoje, ele deixou de se relacionar connosco fora do âmbito profissional. Acha que devemos continuar a insistir até que ele perceba que a mulher é maluca e que este não é de todo o caminho certo ou simplesmente só nos cabe assistir ao seu declínio até à depressão?
Três devassas, Lisboa

Doutor G: Caras devassas, todo o quadro que descrevem indicia estarem na presença de um choninhas cinturão negro master shit. Por norma, a chonice não tem cura externa e terá de ser ele a perceber que é um banana. Toda a ajuda que lhe tentarem dar, tentando com que abra os olhos, só irá funcionar ao contrário pois atrás de um choninhas está sempre uma mulher manipuladora e viperina. Vai conseguir virá-lo contra vocês e consumar ainda mais o ascendente que tem sobre o seu namorado amestrado. A única hipótese é juntarem-se as três, encostarem-no a um canto, e fazerem-lhe um arrastão de pipi ao mesmo tempo para ele perceber que há vida além da namorada controladora. A única forma de ele acordar é perceber que há coisas melhores na vida do que aturar uma namorada que abusa dele psicologicamente. Se isso não resultar, ou ele é um choninhas crónico ou vocês são três devassas de fraca qualidade. No entanto, esta vossa dúvida é importante para a sociedade, numa altura em que se fala tanto de violência doméstica para com as mulheres, esquecemo-nos dos milhares de homens bananas que são abusados psicologicamente pelas namoradas. Uma coisa é levar uma joelhada no baixo-ventre por termos queimado o arroz, outra pior é termos de ir ao IKEA domingo de manhã. A violência doméstica tem limites.


Caro Dr.G, tenho 17 anos a caminho de 18, eu não sou bom mesmo de cama. O que devo fazer, as mininas que já tranzaram comigo nunca mais querem saber de mim. Me ajuda Dr.
Anónimo, 17, Brasil 

Doutor G: Caro Anónimo, ninguém é bom de cama aos 17 anos, excepto o Doutor G que sempre foi um predestinado nas artes do funaná pelado. Tens de ter calma, elas podem não querer saber de ti depois do sexo não por seres mau na cama, mas por teres uma personalidade de merda. Também acontece, se bem que mesmo com personalidade de merda, se lhes desses uma bela surra de rola, elas quereriam repetir a dose na mesma. Ora bem, é praticar. Sexo é como a stand-up comedy, ensaiar sozinho em casa não serve de muito pois só com público é que sabemos se somos bons ou não. É seres generoso na hora de dar prazer e não seres egoísta que é o problema da maioria dos homens. Não tem nada que saber, o clitóris fica no pipi, lá dentro assim para cima fica o ponto G e não esquecer as restantes zonas erógenas da mulher que são o corpo todo. Se tens um micro-pénis, usa dois preservativos com algodão no meio para dar volume e, como não vais sentir nada, até vais aguentar mais tempo. Quem não é bom na cama tem de ser criativo e uma espécie de MacGyver do chavascal.


Doutor G, tenho 21 e sou virgem. Sempre fui uma rapariga minimamente dentro dos padrões da sociedade, apesar de ser envergonhada nunca tive dificuldade em conhecer pessoas novas, desde cedo que namorei com rapazes apesar de nunca ter sido uma prioridade nem preocupação na minha vida. Não acho que precise de ter uma relação duradoura para fazeres sexo, acho que o problema foi não ter encontrado a pessoa certa... mas a verdade é que também não tem que ser a pessoa certa para fazer sexo. A verdade é que eu não tenho assim tanta escolha devido ao meu mísero esforço, como já referi anteriormente, sou envergonhada e focada noutras coisas e um bocado seletiva. No entanto, já tenho 22 anos (e necessidades hormonais) e nunca fiz sexo nem tive uma verdadeira relação o que é uma coisa bastante estranha para a sociedade em geral. A questão é... preocupo-me ou continuo a navegar por aí à espera de tropeçar em alguém que me agrada?
Anónima, 22, Leiria

Doutor G: Cara Anónima, bem, preocupada já tu estás, caso contrário não estarias a recorrer aos serviços gratuitos do Doutor G. Este tipo de questões até me dão vontade de começar à estalada em pessoas aleatórias na rua. Tu és gaja! Gaja! E pelo que dizes não és feia! Só és virgem se quiseres. Um gajo tímido, gordo, feio e pobre é que tem direito a queixar-se de ser virgem. Uma gaja virgem a queixar-se é como o Futebol Clube do Porto a queixar-se que o Benfica comprou árbitros ou vice-versa. O Sporting é o gajo feio e pobre que se pode queixar, até porque já passaram tantos anos que já é virgem de títulos outra vez. Sim, ganhou a taça, mas todos sabemos que equivale a uma punheta lambida, no máximo. Eu não te posso ajudar a perder a virgindade, até porque sou comprometido, tu é que tens de perceber se queres esperar por alguém especial ou só queres ficar sem o selo de garantia. Se queres esperar por alguém especial, é ir conhecendo pessoas até surgir a química. Se só queres tirar o selo, é instalar o Tinder e meter na descrição "Só estou aqui para perder a virgindade" e vais ver a quantidade de pretendentes que vais ter. Tudo gajos maus na cama, provavelmente, pois só um gajo inseguro é que não quer ter termo de comparação. A vantagem é que os gajos inseguros normalmente têm o pénis pequeno e não te vai doer tanto a primeira vez.


Caro Dr. O meu problema é o seguinte, o meu relacionamento acabou à uns meses mas ela ainda diz que gosta de mim, passa a vida a perguntar aos meus amigos se ando com alguém, a "stalkear" as minhas redes sociais e afins. Concordá-mos em pôr um fim na nossa relação e tentarmos ser amigos, até ai tudo bem, até nos envolvermos e ela começar a agir como namorada outra vez e eu decidi cortar relações. Há uns dias resolvemos falar e tentar ser amigos de novo só que desta vez, para haver comunicação tenho de ser eu a meter conversa (se bem que ela começa a desenvolver) e ela só mete conversa para fazer cenas de ciúmes. Ela diz-me que não consegue ter ninguém como namorado agora e que precisa de mim como amigo na vida dela. Pergunto-me, será que ela gosta mesmo de mim e um dia mais tarde quer voltar? Ou simplesmente quer têr-me como suplente caso vá a uma festa de salpicão e aquilo dê para o torto têm-me a mim para a consolar? Ou simplesmente não quer nada mas diz para ficarmos amigos só para ficar de consciência tranquila e eu não me afastar ? 
Anónimo, 22, Porto


Doutor G: Caro Anónimo, parece-me que tu é que a queres ter no banco de suplente. Para que queres ser amigo de uma ex ciumenta? És atrasado mental ou assim? Peço desculpa, mas ficar amigo de ex já é parvo, é como guardar cotão do umbigo, agora ficar amigo de uma ex que é ciumenta e avariada das ideias? Fiquem mas é juntos que só se estraga uma casa. Dizes que ela que te quer na vida dela e tu é que metes conversa? Mas comes pipis com a testa ou quê? Foda-se, estou irritado. Pronto, já respirei fundo. Deixo-te um fluxograma para ilustrar as tuas opções:

Como esta consulta é gratuita, faz todo o sentido publicitar as próximas datas do meu novo espectáculo para, no caso de vocês serem pessoas gratas, comprarem bilhetes:

1 de Junho - Benedita - Clica aqui para bilhetes

8 de Junho - Póvoa de Varzim - Clica aqui para bilhetes
15 de Junho - Viana do Castelo - Clica aqui para bilhetes
21 de Junho - Porto - Clica aqui para bilhetes
20 de Julho - Barcelona - Clica aqui para bilhetes

E é isto. Façam o favor de continuar a fazer chegar as vossas dúvidas para a caixa de correio electrónico do Doutor G: porfalarnoutracoisa@gmail.com.
Obrigado e, como sempre: 

Façam amor à bruta porque de guerras o mundo já está cheio.

Ler mais...

6 de maio de 2019

Review à nova "música" da Ana Malhoa | Sobe Desce



Enviassem-me vocês fotos de cariz erótico em vez de mensagens quando a Ana Malhoa lança um vídeo e a minha vida era bem mais interessante, mas cada um colhe das árvores que plantou. Neste caso, plantei uma oliveira e vocês ficam em estado de alvoroço de cada vez que vos cheira a azeite acabado de fazer. Ora bem, vamos então ver o vídeo e, de seguida, proceder ao ensaio filosófico sobre as imagens e a música inframencionadas:


Gostaram? Mais uma vez, devo dizer que fiquei desiludido, penso que a Ana tem vindo a melhorar em todos os aspectos e isso é péssimo para mim. Sinto que, a continuar assim, este será o último vídeo da Dona Ana ao qual faço uma review. Mas, bem, comecemos pelo início:

AM, iniciais da nossa musa, fazem lembrar os rádios AM com música e som de qualidade muito duvidosa. Coincidência ou o Universo a dar umas dicas? Nunca saberemos. O vídeo começa e noto, desde logo, que a Miss Malhoa está vestida com ar de executiva e com mais classe do que é normal, fora aqueles óculos escuros de cego do Blade Runner. Podemos, até, dizer que a Ana está sexy. Está com boa pinta... ups, 15 segundos e aparece vestida como a Sheila do Cacém que se aperaltou para ir a um casamento, só que esse casamento é do Toy. Ainda tive alguma esperança nesta parte, mas foi fogo de vista e os níveis de azeite voltaram a estabilizar em seguida. Analisemos, agora, algumas passagens líricas da canção:

Eu não me canso eu tenho cardio 
Eu balanço ya tipo um pêndulo 
Isto é grande tu esquece o binóculo 
Tipo ampulheta mas eu parto o tempo

Isto parece Fernando Pessoa em ácidos, quer dizer, isso seria Fernando Pessoa normal; isto parece Camões se fosse cego da outra vista. Não, não faz sentido, sendo cego poderia escrever boa poesia na mesma, só que com uma letra que ninguém percebia bem. Hum, isto é merda. Pronto, é isso, é merda. Continua:

ficas tipo um vulcão
Em ponto de ebulição 

Ora bem, o que a Rainha Tropical quer dizer nesta parte é que os homens ficam prestes a ejacular. A Ana dá-se com homens com ejaculação precoce, está visto. Aliás, nos tempos que correm é melhor ser inclusivo e não quero discriminar já que a Ana não especifica o género e, por isso, podemos estar a falar de squirt feminino. Avancemos:

Sem controlo nessa mão 
A mandar guito para o chão

Sem controlo nessa mão, leva a crer que é alguém de idade avançada que tem Parkinson e que, por isso, se masturba com direcção assistida. Depois, a mandar guito para o chão? Afinal estamos numa casa de strip. Faz mais sentido.

Isto é mais duro do que kevlar
É treino puro nada de injectar
Bem vindo à aula
Prepara esse corpo que eu vou-te ensinar

Uma bonita metáfora que diz que a Ana não é a favor da utilização de esteróides para o aumento da massa muscular. Já viram o braço da menina? Se não usa hormonas nem esteróides só aumenta o meu respeito por ela. É tudo natural na Ana, excepto os peitorais, claro.

Tu vê bem como isto mexe
Fora do controlo sente como isto treme

Então, Ana? Se treme assim tanto é porque o treino tem sido fraco. Com tanto ferro e cardio devia estar tudo tonificado sem carnes soltas a abanar. Também é normal, reparem que toda a gente naquele ginásio está maquilhado e gajas que vão para o ginásio todas arranjadas estão mais preocupadas em contar likes do que calorias e repetições.

Ficas baralho tal e qual jetleg
Agarra-te bem tipo uma pole dance

Não quero estar aqui a ser um nazi da ortografia inglesa, mas é jetlag que se escreve e está assim escrito "jetleg" na letra oficial do canal de Youtube. Agora, será um erro ou será que é um trocadilho genial? Algo alusivo ao facto de "skip leg day" e de as pernas tremerem com os agachamentos? Nunca saberemos se há aqui profundidade ou apenas má ortografia. Nisto, entra o refrão: "Sobe, desce. Sobe, desce". Estamos a falar de treino ou de sexo? Não sei porquê, mas sinto que todas as músicas da senhora Malhoa são uma metáfora sexual, reparem: "Sobe e desce", "Ela mexe", "Viúva Negra", "Encaixa baby Encaixa", e "AEINOCU".

E, depois, que ginásio é aquele? Estamos em Maio, todos os ginásios estão cheios de pessoa a dar as últimas para conseguirem ir para a praia e não terem vergonha de tirar a roupa. Anda tudo à pinha, um gajo tem de esperar 10 minutos para que a máquina fique livre e a Ana está num ginásio vazio? Isto é um achado se bem que, apesar de ter pouca afluência, tem gajos em tronco nu a treinar. Se vejo isto num ginásio, chamo logo a polícia que alguém ali incorreu num crime de ultrapassar os limites do bom senso e está, claramente, acima da taxa de bimbalhice permitida por lei em espaços públicos. Mas bem, antes tronco nu do que daquelas camisolas de alças fininhas com cores berrantes que alguns pategos usam. A música segue:

Andalé andalé
Tu vê bem como eu aumento 

Ahhh, finalmente aquele toquezito de castelhano para nos relembrar a boa e velha Makina Turbinada. Ao dizer "Tu vê bem como eu aumento", percebemos que a Ana Malhoa é uma grower e não uma shower. Nunca pensei.

Tu pensas que és o tarzan 
Mas eu não te agarro a liana 
Mas se agarrasse e apertasse
Gritavas tipo Ipiranga

Não percebi se isto é bom ou mau. Se é uma promessa de prazer sexual ou uma ameaça de mutilação genital. Depois, o Tarzan é filho de aristocratas ingleses que ficou perdido na selva africana. O grito do Ipiranga é da independência do Brasil. Nada faz sentido. Por falar em pessoas penduradas em lianas, durante o vídeo vemos imagens de uma stripper de cabelos rosa. Aliás, vemos uma bailarina de pole dance de cabelos rosa, assim é que é. Não conseguimos vislumbrar-lhe a cara, pelo que não podemos assumir se a Ana Malhoa tem skills de bailarina exótica, mas arriscaria dizer que não é ela já que tem muita flexibilidade e a Ana tem mais ar de fazer treino de força, até porque só assim consegue agarrar e apertar lianas até o sujeito gritar.

Agora a sério, a letra nem está péssima e sabem porquê? Porque não foi a Ana a escrever. O segredo de uma boa gestão está em saber delegar funções e é por isso que a Ana tem uma carreira tão longa, ou demasiado longa, se preferirem. No entanto, é por isto que, lá no fundo, admiro muito a Ana Malhoa. É uma camaleoa - não sei se é uma leoa na cama ou não - e reinventa-se. Haverá más línguas que dizem que ela surfa a onda que está a bater mais no momento, mas eu chamo-lhe capacidade de adaptação numa indústria altamente darwiniana. A Ana já foi pimba, já foi tropical urbano, já foi reggaeton, já foi música de carrinho de choques, agora é meio trap, meio afro beat, aproveitanto as tendências musicais do momento, sem, no entanto, perder a sua essência e continuar a ser um bocado pimbalhona. E isso, meus amigos, é arte.

***


Por falar em vídeos, decidi descentralizar e filmar o meu novo espectáculo em Braga, no bonito Theatro Circo. Quando? No próximo sábado, dia 11 de Maio.

Comprem bilhetes neste link, se ainda não o fizeram, e avisem os vossos amigos bracarenses que é para sermos muitos e depois quando sair o vídeo no final do ano as pessoas não dizerem que o público de Braga é pior do que o de Lisboa. Chantagem emocional, eu sei, mas vá, apressem-se e esgotem isto. Restantes datas da tour:

23/05 - Faro - Bilhetes neste link.
01/06 - Benedita - Bilhetes neste link.
08/06 - Póvoa de Varzim - Bilhetes neste link.
15/06 - Viana do Castelo - Bilhetes neste link.
21/06 - Porto - Bilhetes neste link.
20/07 - Barcelona - Bilhetes neste link.

Depois disto, fecha a loja. Obrigado a todos.
Ler mais...

16 de abril de 2019

Relação séria vs rodízio de genitália



A primavera anda no ar e toda a gente pensa em sexo, mas pouca gente o faz porque anda tudo agarrado ao telemóvel a ver memes e Game of Thrones e cenas. Bem, vamos ver se consigo ajudar e dar início a mais uma consulta "Doutor G explica como se faz".


Boas Doutor G, após terminar a minha última relação (há quase 3 anos) a minha vida tem sido um pouco atribulada e por consequência, a minha reputação junto das mulheres não é a melhor. Desde há um ano a esta parte que me aproximei de uma mulher que é minha amiga desde os tempos de escola. Mas se por um lado quero assumir esta relação e levá-la a sério, por outro não consigo deixar os rodízios de cona... Por favor ajude-me a resolver o meu problema. 
Rafael, 24, Porto 

Doutor G: Caro Rafael, primeiro do que tudo: classe! Bem, percebes que a tua pergunta tem a resposta em si mesma? Queres levar a relação a sério, mas não queres deixar a degustação de pipi alheio? São coisas incompatíveis a não ser que ela também goste de comer esse prato e não se importe de dividir contigo. No entanto, isso é como sair o euromilhões, é muito raro e sai sempre a alguém que depois estoira tudo e não sabe gerir bem a coisa. Por isso, tens de te decidir: ou queres uma relação séria ou queres andar feito saltimbanco de roulote de patareca. É isso, não há nada mais a dizer, a tua pergunta foi um desperdício de dinheiro dos contribuintes.


Olá Doutor G. Tenho fobia à hipótese de poder levar uma tampa. Não arrisco, deixo escapar boas oportunidades e depois fico a queixar-me de estar solteira. Como faço para superar este medo? Ainda agora estou interessada num rapaz, ele já veio falar comigo e eu na altura não percebi que ele poderia estar interessado, mas pela conversa acho que sim, até porque pedi opinião às minhas amigas e elas acharam o mesmo. E agora, acho que ele já perdeu o interesse. Já passaram alguns meses, eu não sei se ele já arranjou namorada e acho que não faz sentido voltar a falar com ele, porque ele não voltou a tentar falar comigo e já passou algum tempo. Não é estranho tentar voltar a falar com ele ao fim destes meses? Tenho medo de levar uma tampa. E se ele comenta com os amigos caso eu fale com ele? É que ele já não é da mesma faculdade que eu, mas ele conhece algum pessoal que é da minha faculdade.  
Anónima, 23, Lisboa

Doutor G: Cara Anónima, sofres de um grande mal designado em termos técnicos como "Ser mulher". Habituadas, durante séculos, a que seja o homem a tomar a iniciativa, não desenvolveram anticorpos para combater a situação da ocasional tampa. Tal como com muitas doenças, existe uma vacina que consiste em expor o sistema imunitário a pequenas doses de tampa até criar uma carapaça capaz de lidar com isso. Não, não ficas autista com esta vacina, ficas só com vergonha, vais para a casa deitar-te em posição fetal e ficar a remoer a tampa durante uns dias até que, depois de teres sucesso uma vez, esqueces todas as tampas que levaste. Contaram-me, ouvi dizer, o Doutor G nunca levou uma tampa na vida. Por isso, relativamente às tuas perguntas:
  • Não interessa o tempo que passou, se ele já esteve interessado em ti e nunca te comeu ainda deve estar, o homem sofre do síndrome do alpinista e gosta de espetar a bandeira em todos os picos. Às vezes acontece como o com João Garcia e fica-se sem uma extremidade, por isso convém usar preservativo por causa da sífilis.
  • Sim, ele vai comentar com os amigos, quer tenha interesse ou não, faz parte.
Qual é a pior coisa que pode acontecer? Ele não responder nem dar trela e levas a tua primeira tampinha, tornando o teu sistema imunitário mais forte para a próxima. O melhor que pode acontecer? Levares com a garrafa em vez da tampa.


Olá, doutor G! Conheci uma mulher "casada" de 30 anos que sofreu muita traição no primeiro relacionamento onde teve um filho. Depois do divórcio (6 meses depois) acabou se engatando a um homem de uns 45 anos que vinha de um relacionamento fracassado onde teve 1 filho. Ela confessa que só aceitou porque queria se livrar das traições passadas por este ser mais velho e tal, sabia o que queria da vida. Mas o problema é que eles são incompatíveis em quase tudo até na cama. Sei e já lhe disse que ela cometeu um erro ao aceitar se envolver com ele até pedir aluguer de uma casa para viverem juntos, enquanto não gostava dele!!! Estamos juntos há 7 meses e há 10 anos atrás ela foi minha aluna mas eu não dei espaço para trair minha esposa. Aqui começa o problema: Ela está tão apegada a mim e pretende se transferir de região de emprego só para se distanciar (350km) do marido para fracassar a relação deles. Ele a quer a todo o custo mas eu não posso lhe assumir como a segunda mulher como ela bem quer. Pois diz que sempre me quis e não pode me perder. E por aquilo que ela me faz posso perceber que quer futuro eterno comigo. Mas eu não posso ferir a minha esposa porque para mim tudo não passou de aventura mas ela quer coisas sérias. O que faço para me separar desta mulher?
D, 48, Lisboa 

Doutor G: Caro D, acho que te enganaste no e-mail, isto não é o contacto das novelas da TVI para enviar ideias de guião. No entanto, sinto a falta de uma gémea má e de uma gémea boa para ser mais comercial e agarrar o público geriátrico. Tal como uma novela da TVI, a tua narrativa tem vários buracos e as personagens são muito bidimensionais. Por exemplo, quando dizes "Não lhe posso assumir como a segunda mulher como ela bem quer", será que o que ela quer mesmo é ser a segunda mulher? Qual é a tua religião? Fica isso no ar. Parece-me que ela quer ser a primeira e parece-me que tu não lhe queres dizer que não que é para não perderes a amante. Meu amigo, isto é muito simples: dizes-lhe que tudo não passou de uma aventura e que não queres mais nada com ela. Se tens medo que ela vá contar tudo à tua primeira mulher, é a vida, quem quer cu tem medo. 


Doutor G, tenho 23 e estou numa relação de um ano com um rapaz de 28 anos. Antes de começarmos tinha decido que queria ir tirar mestrado fora e assim foi, o ultimo semestre estive fora da europa voltei um mês a Portugal e agora estou outra vez longe de casa. Gosto imenso dele e acho que o contrario também se proporciona, no entanto sinto que me esforço mais para isto resultar. Sempre que há discussões ele ou diz para falarmos sobre o assunto do dia seguinte, o que acaba por acontecer mas sinto sempre que nunca fica totalmente resolvido uma vez que as respostas deles se resumem em "esta bem", "tens razão" e "pois". Para somar a isto, eu volto em junho para pt mas ele vai agora para o Japão ate setembro eu quero encontrar um trabalho fora de pt mas na europa mas queria que não ficássemos longe mais uma vez, pois acho que não aguento mais meses longe do rapaz ate pq uma rapariga tambem tem necessidades. O que deva fazer relativemente a estas atitudes quando discutimos? Achas que só estou a ser parvinha? Estou a exigir muito quando pergunto onde ele gostava de ir trabalhar em setembro, para finalmente estarmos juntos? 
Carolina, 23 Tomar

Doutor G: Cara Carolina, portanto, vocês discutem e ele diz para falarem do assunto e depois diz-te "Tens razão" e estás a queixar-te? Está a dar-te razão, mulher! Queres o quê? Discussão e drama, que fiquem chateados cada um para seu lado até um dar o braço a torcer porque lhe apetece pinar? Isto é simples, parece-me que tu valorizas mais a carreira e a experiência de estudar e trabalhar fora do que a relação que tens. E, provavelmente, ele também. Nada contra, são escolhas, não podes é querer que ele te siga como um cãozinho para onde quer que vás, nem vice-versa. Ou conseguem fazer planos em conjunto ou não vai dar, mas não vale a pena estar a antecipar isso. Quando for altura, logo vêem, se não der, dão uma de despedida e cada um vai à sua vida. Já agora, aproveito para dizer que vou estar na tua cidade, Tomar, dia 27 de Abril com o meu espectáculo cujos bilhetes se podem comprar neste link.


Caro Dr G, encontro-me num relacionamento há cerca de 2 anos. Existe muita cumplicidade, amor, bom e frequente sexo. Em suma, o que toda a gente procura nos dias de hoje. No entanto, o "Bom mercado" mexe muito com a minha cabeça. A nível de instagram, apenas já me limito a observar os pedaços de mau caminho que por lá param. O pior está nas saídas à noite com amigos vadios. Depois de ingerir algum álcool, fico com uns instintos muito furtivos. Não sendo um Brad Pitt, posso dizer que aos dias que correm a minha técnica encontra-se apurada. A juntar a isto, o mercado a meu ver está cada vez melhor (os ginásios são cada vez mais frequentados). São mais assanhadas e quanto à concorrência cada vez é menor. Que devo fazer? Deixar de sair com amigos e deixar de beber o meu copo de vez em quando? Existe alguma actividade como yoga ou assim que me ajude?
Ricardo, 26, Évora 


Doutor G: Caro Ricardo, toda a gente sabe que a culpa das traições são as outras que se metem debaixo dos homens, as safadas. Com elas, igual, as mulheres só traem por culpa dos homens que não lhes dão atenção em casa e depois aparece um que as compreende e lhes dá com força. Ora bem, deixar de sair com os amigos ou deixar de beber não me parecem boas opções, mas deixo algumas que te podem ajudar:
  • Tocar um solo de oboé antes de sair de casa.
  • Andar com uma fotografia da Odete Santos na carteira, para cada vez que vais buscar dinheiro para comprar uma bebida equilibrar o índice de excitação.
  • Usares manga cava para reduzir a tua taxa de sucesso com as mulheres.
  • Arranjares amigos mais bonitos do que tu para só te calhar a feia do grupo e não te apetecer tanto.
  • Colar a pila ao interior da coxa com fita gaffa para, ao mínimo de intumescimento peniano, sentires uma dor e criares reflexo de Pavlov.
São só ideias, é ires experimentando.


Sr.Dr.G, existe uma tipa que mete conversa comigo e depois deixa de responder. É só cabra? Cumprimentos e bons espetáculos.(inserir publicidade aos mesmos).
Anónimo, 23, Braga 

Doutor G: Caro Anónimo, parece-me pouca informação para poder opinar em condições, mas deixo algumas hipóteses:

  • Deixa de responder porque está com o namorado.
  • Gosta de brincar ao toca e foge porque tem 12 anos.
  • Tem narcolepsia e adormece.
  • É, efectivamente, uma cabra.
Já que deixaste indicação para inserir publicidade dos espectáculos e és de Braga, ficas a saber que estarei nessa bonita cidade dia 11 de Maio e que os bilhetes se compram neste link. Obrigado.


E é isto. Façam o favor de continuar a fazer chegar as vossas dúvidas para a caixa de correio electrónico do Doutor G: porfalarnoutracoisa@gmail.com.

Como estamos na consulta do Doutor G, faz todo o sentido meter à bruta aqui uma coisa que, neste caso, são as próximas datas do meu espectáculo a solo:

23 e 24 de Abril - Lisboa - Clica aqui para bilhetes
4 de Maio - Londres - Clica aqui para bilhetes

23 de Maio - Faro - Clica aqui para bilhetes
21 de Junho - Porto - Clica aqui para bilhetes
Restantes datas para Póvoa de Varzim, Benedita, Viana do Castelo e Barcelona neste link.

Obrigado e, como sempre: 

Façam amor à bruta porque de guerras o mundo já está cheio.

Ler mais...

5 de abril de 2019

Maria Leal a traumatizar crianças



Escondam as crianças. Cortem-lhes a Internet. Enfiem-lhes agulhas nos olhos e selem-lhes os ouvidos com pasta de cimento. Façam tudo o que precisarem para que elas não entrem em contacto com o novo vídeo da Maria Leal, destinada aos mais novos. Como sempre, quando começo a receber centenas de mensagens, já sei que há música nova da Ana Malhoa ou da Maria Leal. Calhou ser da suricata com Parkinson e aqui fica o vídeo, para quem quiser ficar traumatizado, e depois segue a review que tanto pediram.


FO-DA-SE! A Maria Leal é das poucas artistas que se consegue superar e surpreender o público. Quando pensas que ela já tinha batido no fundo, ela encontra um poço para descer ainda mais. É tudo tão mau que fica bom. A Maria Leal é uma espécie de cão Pug que de tão feios e ridículos que são, acabam por ser engraçados.

Nota-se, desde logo, um cuidado na direcção artística. Há uma história que é contada neste vídeo, uma história de merda, mas uma história. Há um cenário diferente, roupas a condizer e uma direcção artística que tenta planos arrojados. Planos de merda, mas arrojados. Tudo começa com um miúdo assustado com ar de psicopata, provavelmente porque já está traumatizado dos takes anteriores. Estou a brincar, isto é feito ao primeiro take que estão-se a cagar para a qualidade final.

Nisto, vemos a pior montagem de sempre com a Maria Leal dentro de uma caixa de bonecas como se fosse uma Barbie.

Com isto da inclusão, se há a Barbie engenheira e a Barbie lésbica, faz sentido haver a Barbie Acidente de Viação.

Ao pé da Maria Leal, até a Cindy que era a Barbie rasca, parece bonita. Bem, depois de fazer pausa e bolçar um bocadinho, lá continuei a ver o vídeo. Aqui, temos um plano fechado da cara da Maria Leal e pronto, se até eu fiquei traumatizado, imagino o efeito no pequeno cérebro ainda em formação de uma criança. A Maria começa a ter o que parece um princípio de AVC, com tiques nos olhos, ao som dos ponteiros do relógio; vemos as mãos dela que são quase tão más como a cara. As unhas foleiras de cada cor, as tatuagens bimbas nas mãos, tudo mau! As mãos da Maria Leal parecem um Fiat Punto que foi fazer tunning a uma garagem da Amora.

Aos 45 segundos vemos o pânico estampado no rosto da criança e começa a "música". Sons psicadélicos - como se a cara de esquilo atropelado da Maria não fosse suficiente para deixar as crianças assustadas - e começa a "letra". "Tá. Tá. Tá", diz a nossa suricata albina e percebemos que tem ali um dente que condiz com o amarelo dos cabelos. Se virem bem, essa parte do "Tá tá tá, tá tára tára tá tá" dá um bom toque de despertador. Vou experimentar para começar a acordar antes da hora só com o medo de ter de ouvir a voz do rouxinol com catarro pela manhã.

Muda o cenário e a Maria aparece a conduzir uma carrinha das obras porque não havia orçamento para um autocarro escolar. As crianças vão em pé, à frente e sem cinto o que pode ser bom, pois podem ser projectadas pelo vidro e morrer e assim não têm de ouvir mais a Maria a cantar. Pelos 1:35 a Maria aparece a tentar fazer a dança do robô. Chorei a rir. Aquilo é um robô que precisa de óleo, apesar de ter muito azeite. É um robô com mau contacto. Aposto que os primeiros robôs humanoides vão parecer mais humanos e ter melhor aspecto do que este que a Maria Leal está a interpretar. Aliás, imaginem o filme do Extreminador em que do futuro vinha um robô parecido com a Maria Leal. Foda-se, isso, sim, era um filme de terror.

Se repararem, nesta altura, o plano está todo desfocado e nem repetiram. Bem sei que a música não pede mais e talvez seja bom, porque Maria Leal em HD com o foco bem feito é algo desnecessário para o mundo. Aos 1:47 a Maria Leal está a fazer aquela dança do robô com espinha bífida e aproxima-se da criança que se afasta e olha para o lado assustada! Não me parece que tenha sido guionada esta parte. Foda-se, chorei a rir outra vez. 

Aos 2:09 a Maria dá um doce a uma menina e a frase popular "Não aceites doces de pessoas estranhas" nunca foi tão bem ilustrada. Atrás, está um miúdo a levantar-lhe a saia e a ver as partes baixas da Maria. Mete a mão na boca para evitar o vómito. Aos 2:38 a Maria aparece com uma varinha de condão como se fosse uma fada madrinha da criançada.

Se as fadas madrinhas fossem como a Maria Leal, não precisávamos do bicho papão para meter medo às crianças.

Aos 3:22 temos um adulto a olhar para a Maria Leal como se estivesse a ver a morte de frente. Deve estar a pensar "Se calhar foi um erro aceitar entrar neste vídeo, o dinheiro não chega para pagar o que vou ter de gastar em psicólogos." Nesta altura, ela ignora a criança e foca-se no adulto, talvez a pensar que ele possa ter uma herança choruda para ela gastar em roupa do chinês, mas parece-me que piscar os olhos daquela maneira é uma má estratégia de engate. O que é aquilo? Para que é que está sempre a piscar? Está com conjuntivite? Entrou-lhe uma mosca para os olhos? Sinistro.

Aos 4:10 há um twist. A música pára, a criança acorda e afinal foi tudo um sonho. Ufa! Nisto, o telemóvel toca e é a Maria Leal e o puto encontra o que parece ser sémen de unicórnio num pires. Giro. Ou tudo isto não faz sentido nenhum, ou é um twist digno do David Lynch, mas inclino-me mais para a primeira opção até porque nos créditos vemos que foi a Maria de Sá a realizadora. Também vemos que foi ela que fez o script, adereços, maquilhagem tudo. O que vocês não sabem é que a Maria de Sá é a cabeleireira da Maria Leal e entre uma trança e outra a Maria diz-lhe "Olha, tens jeito para fazer tranças, o que achas que escrever e realizar um vídeo meu?" e assim foi. É a única explicação plausível.

E é isto, não há muito mais a dizer. Nem vou analisar a letra porque me parece que nem vale a pena. O que "Tá demais" é a taxa de poluição sonora e visual que este vídeo tem, embora confesse que o refrão entra no ouvido, mas há vermes que também entram e não é por isso que são bons. O que eu acho que é que a Protecção de Jovens devia investigar esta música pois podemos estar no âmbito do abuso infantil e pode ser perigosa. Por exemplo, se a dança pega e as crianças começam a fazer aquela cena das mãos e dos olhos a piscar vai ser difícil diferenciar entre isso e um ataque epiléptico. "Lá está ele a dançar Maria Leal", pensam os pais e, afinal, o puto está a morrer e ninguém o ajuda.

Se é para entreter as crianças, mais vale deixarem-nas ver o Alien ou o Predador que, além de terem melhor aspecto do que a Maria, sempre traumatiza menos as crianças. É que os pais podem explicar aos filhos que os monstros desses filmes não existem e são tudo ficção, já a Maria Leal existe mesmo, leva maridos tolinhos à falência e agora quer ficar com as nossas crianças. Se estivéssemos no século XV, a Maria estava na fogueira a crepitar. O progresso também tem coisas más.

PS: Agora que acedi ao vosso pedido para fazer resta review, vocês retribuem-me comprando bilhete para o meu espectáculo a solo de stand-up comedy. Acho que é justo. Bilhetes neste link para as novas datas de Lisboa e Porto e neste link para Braga e Faro. Se estiverem em Londres é neste link e todas as outras cidades (Rio Maior, Portalegre, Coimbra, Tomar, Póvoa de Varzim, Barcelona, etc.) podem encontrar as datas e bilhetes neste link. Obrigado, partilhem e não se fala mais nisso.
Ler mais...