13 de junho de 2017

Aliens, ovnis e teorias da conspiração - Podcast #10



No episódio de hoje do podcast Sem Barbas Na Língua, falamos sobre as mais conhecidas teorias da conspiração: extraterrestres e o mistério de Roswell, teoria da terra plana, retptilianos, illuminati, 11 de Setembro, e muito, muito mais. Ora cliquem lá no play e, se gostarem, partilhem.



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7 de junho de 2017

Prostituição, legalização e rock n roll - Podcast #9



No episódio de hoje do podcast Sem Barbas Na Língua, falamos sobre prostituição, sexo, rock n roll e mortes por overdose. Ora cliquem lá no play e, se gostarem, partilhem.



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4 de junho de 2017

Mais um atentado terrorista? É normal.



- Parece que houve mais uns atentados terroristas, viste? - perguntaram-me.
- Foi? É normal. - respondi.

A minha resposta, aparentemente, insensível talvez seja a melhor resposta que temos para fazer face ao terrorismo. Vamos por partes: sou de firme opinião que o terrorismo é impossível de derrotar, principalmente este terrorismo de algibeira feito com carrinhas e facas do pão. No tempo da Al-Qaeda, a coisa era bem feita! Aviões contra arranha céus, bombas que sim senhor, mas agora é uma espécie de terrorismo da loja dos trezentos.

Antes, para seres terrorista tinhas de saber pilotar aviões e esconder x-actos no cu. Agora, qualquer badameco sem carta de condução e com uma tesoura da Hello Kitty pode ser terrorista.

Enfim, a nossa sociedade tem vindo a perder critério e exigência. É impossível acabar com este tipo de ataques que temos vindo a assistir, mesmo com a polícia e o exército nas ruas. Claro que se podem evitar alguns, mas colocas detectores de metais nos concertos, eles vão rebentar-se para os centros comerciais. Sugiro à porta da Zara onde se vê muitos homens a segurar a mala das suas mulheres com cara de quem não se importava de morrer ali. Colocas mais segurança nos centros comerciais, eles vão atropelar pessoas para uma rua movimentada. Nem vale a pena, por isso, acho que mais vale poupar o dinheiro investido no policiamento para nos dar uma falsa sensação de segurança e investi-lo na educação, numa aposta mais a longo prazo.

A única vitória que podemos ter contra o terrorismo é uma vitória à Sporting: vitória moral. Não consegues derrotar malucos que acham que sendo mártires vão para o paraíso. O sistema joga contra nós. Não dá para ganhar. Por isso, mais vale ignorar e dizer que não nos conseguem meter medo e reclamar a vitória moral. O estado islâmico reivindica o atentado e nós esfregamos-lhes na cara que somos campeões de ténis de mesa. Isso ou uma espécie de Liga da Verdade do Rui Santos: dez mortos na liga terrorista, mas zero pessoas com medo na liga da verdade. A vitória moral é nossa! Aliás, a opinião firme que tinha no primeiro parágrafo afinal já a mudei. Acho que conseguimos derrotar o terrorismo. Os ataques continuarão a existir, mas com o terrorismo conseguimos acabar. A métrica de sucesso do terrorismo não são as mortes causadas, mas sim o terror espalhado. Não há terror sem notícias sensacionalistas. Esta exacerbação dada pelos media só cria pânico e semeia a discriminação o que serve apenas e só os interesses dos terroristas: por um lado, espalhar terror, por outro, aumentar o ódio para com os muçulmanos e refugiados (como já escrevi neste texto) e, assim, aproveitarem para recrutar mais malucos para a sua causa. Temos de chegar à conclusão que este tipo de ataques vão fazer parte da vida ocidental das maiores capitais. 

Vamos ter de perceber que para além das rendas altas e do ar poluído, umas ocasionais mortes por ataques terroristas vão fazer parte das desvantagens de morar em grandes cidades.

Vão lá perguntar às pessoas que não encontram uma casa com uma renda aceitável para as suas possibilidades se lhes custa dormir à noite por causa do terrorismo. Vão perguntar ao senhor Armindo, internado com um enfisema pulmonar devido à poluição do ar se ele está preocupado em morrer num atentado. Tal como viver no Bairro Alto tem a desvantagem do barulho à noite, viver numa grande cidade neste período tem a desvantagem de ter umas bombas de pregos a explodir de quando em vez. Em Portugal, por ano, há cerca de 5000 pessoas atropeladas das quais 90 morrem. Não é por isso que temos medo de atravessar passadeiras e de andar nos passeios, pois não? Sabemos que acontece, mas não pensamos nisso e conseguirmos viver a nossa vida com normalidade. Com o terrorismo tem de ser igual. Temos de perceber que tal como irá sempre existir uns quantos bêbedos que espetam o carro contra outros, irá haver uns malucos que, mesmo estando sóbrios, o fazem porque o seu amigo imaginário lhes disse. Além de que todas estas notícias sobre terrorismo causam-nos stress, não é? Sabem o que é que mata mais do que o terrorismo? O stress.

O rapaz nesta foto, tirada enquanto fugiam dos ataques, sabe disso e percebe que aquela cerveja personifica o estilo de vida livre que tem de ser preservado. Isso ou é alcoólico e sabia que depois do ataque ia ser impossível encontrar um bar aberto.

O terrorismo tornar-se banal pode ser o melhor para nós, mas, lá está, isto é só a minha opinião e seria parvo esperar que fosse boa e que um gajo da Buraca que escreve umas coisas na internet tivesse a resposta para acabar com o terrorismo (já tinha dado outras formas criativas neste texto). Seja como for, este é o último texto que escrevo sobre este assunto a não ser que haja um atentado como deve ser, à moda antiga, que mate muita gente e dê muitos views e likes.
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1 de junho de 2017

Drogas, legalização e traficantes - Podcast #8



No episódio de hoje do podcast Sem Barbas Na Língua, falamos das nossas experiências com drogas, das vantagens e desvantagens da legalização, de traficantes e de muitas outras coisas. Ora cliquem lá no play e, se gostarem, partilhem.



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31 de maio de 2017

A Maria Vieira casou com o líder do PNR (alegadamente)



Ora bem, por onde é que havemos de começar? Para quem não sabe a Maria Vieira é aquela actriz secundária portuguesa. É aquela senhora pequenina que nos preencheu o imaginário humorístico, contracenando com Herman José em grandes programas de comédia, mas que agora é a protagonista, algo que nunca tinha conseguido ser, de várias polémicas no Facebook. Como a maioria das senhoras da sua idade, diz coisas que não devia nas redes sociais. A maioria destas senhoras fá-lo através de comentários nas fotografias dos filhos ou a partilhar citações em português do Brasil, mas a Maria é diferente: a Maria opta pelo discurso de extrema-direita, disfarçado de patriotismo e preocupação com as vidas humanas. Até aqui, nada de novo, há muita gente da idade da Maria que acha que Portugal estava melhor com um Salazar, no entanto, as pessoas parecem estar estupefactas com tais opiniões que chegam ao ponto de achar que não é ela que escreve no seu Facebook, mas sim o seu marido, porque, aparentemente, as mulheres nunca têm culpa de nada. Percebo a admiração das pessoas: como é que uma pessoa que aparece na televisão pode ter opiniões tão extremadas?

Simples, porque a maioria das pessoas que aparece na televisão é como a maioria das pessoas que não aparece na televisão: é uma merda.

Faz confusão porque é uma senhora de ar simpático que parece uma tia da terra que nos enche  a mesa de comida, ou a senhora do café simpaticíssima que nos deixa pagar na semana seguinte. O que nós, muitas vezes, não sabemos é que essa tia que vemos de tempos a tempos e a senhora do café com quem temos conversas superficiais, são, no fundo, umas bestas e que por trás de toda a sua genuína simpatia, carregam fardos de preconceito.

«Ah, mas ó Guilherme, ando meio distraído e não sei do que falas.», perguntam alguns do vós. Ora bem, aqui fica uma pequena compilação do que ela tem escrito recentemente no Facebook.

Há outra parte em que ela diz o Mourinho ter ganho a Liga Europa devia ter sido notícia de abertura em vez de notícias de terrorismo e que se fosse o Cristiano ou o Salvador já seriam notícia porque Mourinho é frontal não agrada ao poder instituído. Risada. Não estará lembrada quando interromperam a entrevista do Santana Lopes para mostrar a chegada de Mourinho ao aeroporto. Como todas as pessoas de pouca inteligência, a Maria é incoerente. Critica o Salvador por dizer que os ataques terroristas não deviam ter tanto destaque nos media, mas depois diz que o Mourinho é que devia abrir o telejornal e faz post sim, post sim sobre terrorismo. Todo o discurso dela se prende, sobretudo, sobre os refugiados que ela acha que devem ser deixados a morrer que é para se poupar vidas na Europa, porque as vidas do pessoal mais castanho valem menos. Pelo menos foi o que eu percebi do que ela diz. É fervorosa apoiante de Trump e com um piquinho de preconceito contra o Islão. Esta última parte nem acho mal, eu também discrimino o Islão juntamente com todas as outras religiões.

Se fizerem o exercício de ler os comentários e perguntar a alguém se são da Maria Vieira ou do líder do PNR, vão ver que muita gente falha o teste.

Claro que no meio de de tanto cocó que debita, de vez em quando diz umas coisas que até fazem sentido, tal como o maluco da minha rua que uma vez me disse «A vida é uma viagem com bilhete só de ida.», e a seguir gritou «Peidei-me!» e começou a correr e a gritar. Acontece. A questão aqui não são as opiniões dela, tem todo o direito de as expressar. Para mim, o que me faz mais confusão é o facto de as pessoas estarem admiradas. Primeiro, não é por se aparecer na televisão que se é boa pessoa. Penso até que seja mais ao contrário. Segundo, não é por aparecer na televisão que se é inteligente e culto. Terceiro, não é por se ser inteligente e culto que se tem sempre opiniões sensatas, como podemos ver pelo Miguel Sousa Tavares. A Maria Vieira tem todo o direito à sua opinião, mesmo que roce o racismo e a islamofobia. Já aqui disse muitas vezes que a melhor coisa da democracia é permitir o direito à estupidez e que ela esteja a céu aberto para podermos mudar de passeio quando vemos alguém cujos ideais não queremos contrair. Por isso, não é por ter estas opiniões que a Maria é má pessoa. Pode ser só burra e desinformada. As pessoas que a conhecem dizem que não pode ser ela a escrever os textos que publica no seu Facebook porque era o marido que lhe escrevia os livros e porque, segundo dizem, ela não sabe escrever articuladamente. O que parecia um elogio ao início, depressa se torna numa ofensa à fraca intelectualidade da pequena Maria. Até pode ser o marido que escreve, mas estará, certamente, a escrever pelos dois: «Meu Trump, ouve as minhas preces...».

Não tardará a haver teorias da conspiração em que dizem que a Maria já morreu e as fotos que publicam no Facebook são montagens ou que foi substituída por um Ewok depilado.

Não estou aqui a falar com sobranceria como quem diz que quem apoia o Trump é má pessoa e intelectualmente inferior. Acho que não e já escrevi sobre isso. Percebo porque é que o Trump ganhou e acho que a culpa é, em grande parte, dos pseudo liberais do politicamente correcto. Onde é que a coisa começa a cheirar mal? Quando a Maria fala dos refugiados, a desumanizá-los e a reduzi-los à face mais radical da sua religião, e quando ela apelida toda a gente que acha que devemos receber refugiados de «apoiantes de terroristas.». Olha a Mariazinha armada em porta-voz do PNR, hein? A Maria Vieira dava o skin head mais fixe de sempre. Imaginem-na de cabeça rapada, botas de biqueira de aço, taco de basebol e o seu Yorkshire ao colo. Era lindo. Não, Maria, quem é a favor que não se fechem as portas aos refugiados, não apoia o terrorismo. Quem é dessa opinião tem-na porque acha que isso pode, até, ajudar a diminuir o terrorismo porque leu uns livros de história e percebeu que os muros nunca resolveram nada e só pioraram as situações. E, no meu caso, acho que correr o risco de perdermos umas vidas portuguesas com um atentado vale a pena se for para salvar milhares de outras pessoas. Sim, são pessoas, Maria, migrantes ou refugiados, mas, acima de tudo, pessoas.

Não tenho muito mais a dizer. É muito raro fazer textos em que individualizo alguém, mas sendo que o fiz com o Pedro Arroja, parecer-me-ia discriminação se não o fizesse com a Maria Vieira e se eu a discriminasse estava a ser igual a ela. Talvez a Maria esteja só a dar estas opiniões para ter aquilo que nunca teve na vida: destaque. Pumba, vai buscar parrachita. Curiosamente, o maior destaque da carreira da Maria foi quando fez a Gaiola Dourada em que interpretou uma emigrante. Ironias do destino.
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29 de maio de 2017

Última consulta: traições e namorados ciumentos



Antes desta consulta, deixem-me dizer-vos que estarei na Feira do Livro, em Lisboa, no próximo domingo, dia 4, pelas 15h. Apareçam se quiserem comprar o livro, ou os dois, ou que vos escreva uma dedicatória num, ou nos dois, seios.
Vamos lá então à última consulta do "Doutor G explica como se faz". 

Caro Doutor G, depois de algum tempo solteira decidi instalar o Tinder. Comecei a falar com o "Zé", as nossas conversas sempre foram sobre sexo. Mas o problema é que ja falamos há quase 6 meses e nunca estivemos juntos, talvez por culpa dos dois (o Zé é daqueles betos certinhos do IST que não faz nada sem a autorização dos pais), durante esse periodo fomos falando e deixando de falar, ele "deu me com os pés" diversas vezes. Tanto eu como ele voltamos sempre um ao outro, no meu caso é simples, so quero prova-lo, mas não sei o que ele quer (6 meses nisto é demais!). Será que ele tem algum problema com o seu "zezito" ou tem receio em estar comigo (afinal, ele ja está às secas há muito tempo e não deve ter muita experiência sexual). Para mim é muito estranho que um gaiato seja assim, afinal de contas nenhum de nós quer algo sério.    
Mariana, 20, Lisboa

Doutor G: Cara Mariana, mas a oferta está assim tão má para quereres provar um gajo que não anda nem desanda durante 6 meses e que já te deu com os pés? Epá, isso só faz sentido se tu fores um camafeu e ele for o único gajo minimamente interessado em ti porque, sendo do IST, tem miopia e astigmatismo avançado! E, mesmo assim, ele vai ser fraquito na cama, prevejo. Homem sem iniciativa na vida, não sabe o que faz na cama. De qualquer forma, aqui vai um fluxograma que pode ajudar-te a decidir:

Boa tarde Dr G. estou solteira à 3 anos, tenho um amigo colorido há uns 2 anos. mas a mais de 1 que não praticamos o "amor", sá vamos ao cinema, jantar. conversar e damos uns beijos. e tenho outros rapazes interessados, sou bastante gira pelo que me dizem, ou então é sá para ver se tem alguma sorte, eu gosto que me massagem o ego... mas não estou muito disponível para um novo relacionamento. Mas tudo mudou a 3 semanas, conheci o homem da minha vida. O meu novo dentista, fiquei apaixonada. ia arranjar 1 dente que me andava a chatear. agora marco consulta 1 vez por semana só para o ver. não sei como vou fazer quando ja não tiver motivos para la ir... adoro estar ali sentada com ele ali tão perto encostado ao meu braço por vezes, e a me limpar a cara com o papel, é tão lindo e carinhoso. Na ultima consulta como fui a ultima, eu fiquei  ao telemóvel com uma amiga dentro do carro e vi qual era o carro dele. ja pensei em lhe deixar um bilhete, mas isso seria muito infantil. preciso de ajuda urgente, antes que nao tenha motivos para ir ao dentista  
Filipa, 25, Alentejo

Doutor G: Cara Filipa, às vezes sabes conjugar o verbo haver, outras nem por isso. Não sei o que pense de ti, assim. Estou sá a tentar ajudar-te. Bem, quanto à tua dúvida, um amigo colorido com o qual não se faz sexo há um ano, é um amigo cuja cor já desbotou. Sorte a tua que te apaixonaste pelo dentista, teria sido muito pior se for pelo proctologista e teres de o seduzir com um copinho com cocó e um coração desenhado. Confessa que quando estás ali de boca aberta com ele a enfiar-te os instrumentos na boca e a limpar-te a cara com um paninho, começas a precisar daquele aspirador de saliva noutras partes que começam a salivar, certo? Sou um romântico, bem sei. Deixo-te aqui algumas formas de o tentares seduzir:
  1. Estar com ele mais vezes. Tens 32 dentes, partindo do princípio que tens os do siso e que não és fã do Tony Carreira. Por isso, podes ir partindo um a um e tens 32 consultas o que dá mais de meio ano, caso marques uma semanal. Se bem que isto é só mesmo se gostares muito dele, porque sai mais barato contratar um prostituto do que pagar a um dentista.
  2. Convida-o para uma consulta privada em tua casa onde lhe irás mostrar a tua outra boca do corpo que embora seja desdentada, precisa de assistência. Às vezes consigo ser bem nojento.
  3. Pede-lhe o número e diz que gostavas de o conhecer num contexto não profissional. É um homem! Os homens não precisam de rodeios e joguinhos. Se ele estiver interessado dá-te o número, caso contrário não dá.
As mulheres complicam tanto ao ponto de acharem que os homens são complicados.


Caro Dr. G, há pouco tempo fiz uma viagem de intercidades e, como em todas as viagens, não vale a pena estar de fones nem óculos de sol que o parceiro do lado vai sempre meter conversa comigo. Então um homem para aí com 30 anos a mais do que eu meteu conversa e esteve 3h a falar da sua história de vida. O pica apareceu, disse o meu nome no acto de confirmação do bilhete e ele ficou a saber o meu primeiro e último nome (tão bom para o facebook). E depois quando saí na minha estação o gajo foi cordial e educado e pediu-me o número de telemóvel para me mandar o nome de uns documentários. E eu feita estúpida, encaralhada e com medo de ser mal educada, olhe dei. E pronto, agora liga-me imensas vezes e envia mensagens românticas. Já respondi do género "Ah e tal foi uma boa conversa, fica bem até um dia!", já ignorei, já disse até que era fufa, mas o problema persiste. Pronto, era para saber se valia a pena dizer que tenho uma pila ou assim... Obrigada!
Anónima, 28, Lisboa

Doutor G: Cara Anónima, tal como deste o número cordialmente, também lhe vais dando trela cordialmente como quem não quer a coisa porque a massagem ao ego até te sabe bem. Tanto o Facebook como os telemóveis têm a opção de bloquear. Estes milagres da tecnologia, hein? Só tens de lhe dizer que não estás interessada e que agora tens namorado e que se o teu namorado vê as mensagens dele pode ficar ciumento porque anda stressado por causa dos treinos da equipa de rugby da Cova da Moura onde ele anda. Se depois disso ele continuar a incomodar, só tens de o bloquear. Realmente, quando perguntam ao Doutor G como é que ele tem tantos conhecimentos e está habilitado para aconselhar pessoas, só me apraz responder: acho que é só ter bom senso.


Boas Dr. G, a situação é a seguinte: tenho 21 anos, namoro uma rapariga à 2 anos, tem 22 anos.. Entretanto desde à 2 meses para cá comecei a relacionar-me com a irmã dela, um ano mais nova que eu, e quando falo de relacionar-me, falo de sexo. Esta irmã da minha atual namorada é bem mais gira, bem melhor na cama e bem mais interessante, e não se importa de ser a nº2, diz que não quer nada sério comigo, apesar de eu começar a ter interesse nela, só quer javardar. Portanto gostava que me ajudasses a resolver a situação, possíveis cenários:
  1. Continuar com a situação assim.
  2. Afastar-me da irmã da minha namorada, ela pode contar à irmã... E acabo provavelmente sem nenhuma;
  3. Terminar com a minha namorada e continuar a javardar na irmã...No entanto isso não é vida para ninguém.
Existe alguma possibilidade de manter o relacionamento com alguma delas? Consegues arranjar outros cenários? Não quero trair a minha namorada eternamente, até porque sou um gajo com alguns princípios, mas também não queria ficar só com a mão direita.  
Filipe, 21, Braga

Doutor G: Caro Filipe, das duas uma: ou a maioria das pessoas que recorre ao Doutor G não é seguidor, ou então aprende mais lento do que um burro geriátrico. Foda-se, quantas vezes falei do verbo haver? Não aprendem o básico e ainda querem aprender a fazer sexo e a fazer malabarismo entre duas irmãs. Enfim. Quando dizes que és um gajo com alguns princípios, estás a dizer mesmo só alguns, diminutos, princípios, certo? Vou responder às tuas perguntas com mais perguntas que te podem ajudar a decidir:
  1. Queres mesmo namorar com uma gaja que anda enrolada com o namorado da própria irmã? Bem sei que assim já têm em comum o facto de serem ambos uns cabrões, mas ainda assim parece-me uma relação condenada ao fracasso.
  2. Queres continuar a namorar com essa rapariga ao ponto de passares férias ou o Natal com a família dela e ficares desconfortável ao ouvires a irmã dela dizer uma destas frases?
    «Está-me a apetecer tronco de Natal.»
    «Precisas de ajuda a pendurar as bolas?»
    «Logo à noite vamos ver o madeiro a arder?»
    «Depois tens de me ajudar a limpar a chaminé.»
    «Hoje é para a desgraça, até rabanada vai.
    »
  3. O que se chama a um homem que só não acaba com a namorada que anda a trair porque tem medo de ficar só com a mão direita? Uma pista: rima com cabrão. Sim, porque cabrão rima com cabrão.
Agora decides o que e quem queres ser.


Caro doutor, o meu namorado é muito ciumento, ao ponto de não suportar que eu esteja ao pé de um amigo sequer. Mas se fosse só ciúme, era o menos, o pior é que se zanga comigo por tudo e por nada, e eu, uma rapariga muito calma e que gosta pouco deste tipo de coisas, fico mal com a situação. O bónus são as minhas amigas que dizem que não posso permitir este tipo de situação e que estou a permitir que ele mande em mim. E que a continuar assim daqui a pouco não tenho vida própria senão ele. Eu tento ver o lado dele e sei que gosta de mim, mas está situação é realmente dolorosa para mim. Portanto o que acha desta situação? Há algum sentido nisto, diga me como homem, este tipo de comportamento de protecção e insegurança em relação a mim é normal (nunca tive ninguém a não ser ele) ou tenho que me impôr para o bem da minha sanidade mental? 
Leonor, 18, Coimbra 

Doutor G: Cara Leonor, caga no gajo. É isto, mas já devias saber isso visto que as tuas amigas te dizem o mesmo e elas saberão mais do que eu e preocupam-se mais contigo do que eu, certamente. As pessoas, por norma, não mudam, mas podes tentar impor-te e ver o que acontece, mas, provavelmente, se queres manter a tua sanidade vais ter de o deixar. E não, nem todos os homens são assim, isso é comportamento de macho inseguro o que em parte pode ser explicado pela idade, mas um anormal aos 18, provavelmente será um anormal aos 80. A não ser que sejas daquelas que já enviaram dúvidas ao Doutor G que dizem o seguinte «O meu namorado é muito ciumento! Bem, mas o problema é que ando enrolada com outro!». Bem sei que não se deve dizer, mas às vezes as mulheres também têm culpa das coisas.


Caro Dr. G, há umas semanas (sei que está impressionado por eu saber conjugar o verbo haver) envolvi-me com um rapaz numa festa. No entanto, dado o meu medo de ser esventrada, não o deixei acompanhar-me até aos meus aposentos. Porém, no dia seguinte, o indivíduo estabeleceu contacto comigo e eu correspondi aos seus avanços, de modo que duas semanas depois já estávamos os dois nos meus lençóis. Antes de continuar, é importante referir que nunca pratiquei a luta greco-romana, isto porque gosto de conhecer as pessoas e não só as suas pilas. Continuando, nessa noite em que nos encontrávamos na minha cama, o Benfica jogava em casa e, por esse motivo, toquei-lhe uma gaitada (que ele elogiou bastante) e ficámos por aí. Duas noites após o sucedido, voltámos ao ponto de encontro. Nessa noite o Benfica já tinha acabado a sua partida. Vou fazer um resumo das revelações dessa noite: ele gosta de uma amiga que não quer nada com ele; só tem sexo se for uma relação séria; acha que entre nós não vai haver nada sério – posto isto, eu não me importo que não seja nada sério, mas importo-me bastante de andar a aquecer o motor para não ser usado, até porque para além de não querer sexo, também não quis retribuir a mãozinha que lhe dei. No final estabelecemos que ele me ia dizer alguma coisa e passados 4 dias ainda não me disse nada. A minha questão é: Que merda foi esta? 
Anónima, 22, Lisboa

Doutor G: Cara Anónima, realmente fiquei surpreendido. Depois de tanto assassinarem o verbo nesta consulta, haja alguém, ou aja alguém, como diriam muitos. Bem, o que se passa é que esse gajo padece de uma patologia muito comum nos homens: egoísmo sexual. A maioria das mulheres insatisfeitas sexualmente não se deve ao facto de os homens serem todos maus na cama, mas sim serem egoístas e estarem a marimbar-se para o prazer da parceira só querendo meter o menino a bolçar e dormir. Posto isto, se ele é mau na cama e gosta de outra, só tens de o mandar passear. Se ainda não passaram 15 dias podes, inclusivamente, pedir o reembolso das punhetas para usar com outro. Por fim, como é que vocês, mulheres, ainda ficam surpreendidas com este tipo de comportamento dos homens? Dizem que são todos iguais e todos uns porcos, mas depois quando vos dão razão, vocês desconfiam.


Como disse a semana passada, esta será a última consulta do Doutor G. De sempre? Não sei. Pelo menos durante uns meses a coisa vai estar parada. Vou estar com muitos projectos, como as gravações da 2ª temporada do Falta de Chá e a preparar o meu espectáculo a solo de stand up comedy que irá estrear lá para o final do ano. Se quiserem ser notificados por email quando for à vossa cidade, deixem os contactos neste link. Por tudo isso, alguma coisa teve de ser sacrificada e o Doutor G já dura há muito tempo e está a tornar-se demasiado repetitivo para mim porque as perguntas começam a ser parecidas e é complicado inovar nas respostas e continuar a ter piada. Depois, não são os textos que têm mais visualizações e muito menos partilhas já que toda a gente tem uma tia ou a mãe no Facebook. Por isso, para além de não gerar visibilidade nem me dar o mesmo gozo de antes, também não dá dinheiro nenhum. Por isso, impõe-se uma pausa para descansar e perceber se tanto eu como vocês sentem a falta do Doutor G. Pode voltar mais tarde, seja aqui ou noutros formatos, vamos ver. Se não conseguirem viver sem o Doutor G, podem sempre comprar o livro que tem 50% de conteúdo que nunca foi publicado na net, seja na FNAC, Bertrand ou neste link. Os consultórios têm me média 30 a 40 mil pessoas a ler, o livro só vendeu mil e tal. Fica a dica e obrigado a todos os que já compraram.

Foi um prazer ter-vos neste consultório javardo, mas com classe, durante todo este tempo. Já sabem, não é por não haver Doutor G que não devem continuar a fazer amor à bruta porque de guerras o mundo já está cheio.
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