21 de agosto de 2016

10 erros ortográficos que fazem comichão



Este texto é um pouco presunçoso, já que todos, mais cedo ou mais tarde, seja por ignorância ou distracção, damos a nossa calinada no português. No entanto, é sempre giro corrigir os outros só para os irritar e sairmos vencedores de uma discussão que até poderíamos estar a perder. Serve este artigo para explicar os erros mais irritantes da língua portuguesa e que podem levar até a mais bela e gostosa rapariga a perder todo o seu encanto e sex appeal. Bem, depende sempre do tamanho do decote, não sejamos mentirosos. Desde à muito tempo atrás que me debato com alguns dos erros mais comuns e, se é um facto que todos comete-mos erros, à uns que fazem mais urticária do que outros.


«À muito tempo atrás»
Ahhh (haaaaa?), a eterna questão do "a sem h". Lembro-me de estar no 7º ano, numa aula da disciplina de Desenvolvimento Pessoal e Social, alternativa a Educação Moral e Religiosa para onde iam parar as crianças filhas de pais que acham por bem não misturar religião e ensino, e escrever numa composição «Há uns anos (...)». A professora corrigiu-me dizendo que o 'H' estava a mais. Rebati e disse-lhe que vinha do verbo haver, mas ela insistiu que não e riu-se na minha cara, mostrando que lhe faltavam alguns dentes de lado. Fui para casa e arranjei um livro onde explicava o erro. Na aula seguinte, mostrei-lhe e ela respondeu-me «Não podes acreditar em tudo o que lês, também há erros nos livros.». «O mesmo se aplica ao que dizem os professores?», perguntei. Tive 3 a essa disciplina. Valeu a pena. Já agora, a expressão «à muito tempo atrás» tem dois erros: devia ser apenas «Há muito tempo». Fica um pequeno exemplo para ajudar a perceber:

- Não à droga! - Algo que estaria num cartaz ou num panfleto que alerta para os malefícios de tomar estupefacientes.
- Não há droga! - Algo que um mitra da Margem Sul diz com preocupação quando vai ao bolso e vê que já acabou o pólen.


«Já jantas-te?»
O eterno dilema do hífen com o qual tanta gente se baralha. É um dos grandes flagelos do mundo e não ajuda o facto dos correctores ortográficos ainda não conseguirem identificar este erro, já que muitas vezes a palavra hifenada também existe, mas dá um significado completamente diferente à frase. Exemplo:

A - Ontem uma gaja ofereceu-me um gelado.
B - E então? Lambes-te?

Neste caso, o interlocutor B está a perguntar a A se ele se lambe a si próprio. Uma pergunta algo estranha, convenhamos. A ortografia correcta seria «Lambeste», fazendo assim referência ao facto de ele ter ou não lambido o gelado, ou algo mais, oferecido pela rapariga atenciosa. Vejamos outro exemplo:

- Então, e fizes-te a gaja?

Tudo errado. «Fizes-te» não existe em nenhum dicionário a não ser nos que são usados na Escola da Vida, escola que dá diplomas que só são aceites em entrevistas de emprego para o Trabalho na Empresa Bronze, que é onde toda a gente burra com orgulho acaba por ir estudar e trabalhar.

Outro erro relacionado com o hífen também bastante comum é o "-mos". «Faze-mos» não existe. «Fize-mos», também não. Nenhuma conjugação verbal leva hífen no mos a não ser aquando de uma conjugação pronominal do verbo no modo imperativo. Daí a grande diferença entre «chupamos» e «chupa-mos».


«Estar vivo é o contrário de estar matado.»
A utilização do particípio passado, regular ou irregular, é uma das situações que mais origina falsas correcções por parte de gente que acha que é inteligente, mas vai-se a ver e afinal é burra. Exemplo:

- No fim, fiz amor com ela.
- Antes ou depois de a teres matado?
- De a ter morto, queres tu dizer. És mesmo burro!

O sujeito A, para além de, provavelmente, fazer amor com cadáveres, também não sabe utilizar o particípio passado. Sim, a forma correcta de dizer é «teres matado.». Para ser fácil de perceberem, sempre que utilizarem o verbo auxiliar «ter», utilizam sempre o modo regular do verbo. «Ter matado», «Ter imprimido». Quando o verbo que antecede é o «ser» ou «estar», utiliza-se o modo irregular: «ser-se morto», «estar impresso». Fácil. Até a Lili, filósofa do Jet Set, sabe esta regra: «Estar vivo é o contrário de estar morto.».


«Trás a mala que está por traz do móvel.»
Verbo trazer é com z. Logo "traz" é relativo ao verbo. Devia ser fácil de perceber. Exemplo:

- A nova colega de trabalho tem ar de safadona. Deve gostar de levar por traz.
- Por trás, queres tu dizer.
- Eu a dizer-te que ela gosta de apanhar no cu e tu preocupado com o português. É por essas e por outras que ainda és virgem.


«Mais melhor bem feito.»
Crescemos a ouvir dizer «Mais bem, não! Melhor!» e muitas vezes gozamos e dizemos «Mais melhor bem», muitos para disfarçar o facto de não saberem qual o termo que devem aplicar. É comum ouvirmos ou lermos o seguinte:

- Já viste as colegas novas?
- Bem gostosas. Qual é que achas que é a melhor?
- A Carla é gira de cara, mas a Roberta é a que tem o corpo melhor feito.

Errado! Das duas uma, ou se escreve «tem o melhor corpo» ou se escreve «tem o corpo mais bem feito.». De qualquer forma, é sempre melhor uma cara gira e um corpo mais fraco, do que um corpo Playboy e uma cara de suricata atropelada.


«Oje não me dá geito.»
Pessoas que escrevem «geito» em vez de «jeito» mereciam uma chapada na moleirinha. Não é preciso ser doutorado para dectectar este erro! Imagino estas pessoas a verem o corrector automático ou o Google a sugerir «Será que quis escrever 'jeito'?» e a pensarem «Bem, este corrector não é nada de geito.». Burros.


«Eu puse-o, tu puses-te-li-o.»
Um erro que se ouve bastante, ou houve, para alguns, mas que escrito confesso que não me lembro de ver. Aliás, nem sei como é que estas pessoas escrevem este erro. Será púzio? Pus-e-o? Puse-o? São pessoas que aposto que já tiveram a conversa seguinte:

- Não encontro o meu dildo! Não o viste? Eu pu-lo aqui!
- Pulas aí? Diz-se "puse-o", sua burra.

Os hingnorantes são sempre os primeiros a corrigir os outros.


«Vossê não çabe uzar çedilhas!»
Não sei o que mais me faz comichão, ou comixão para muitos: ver escrito «vossê» ou «voçê». Sim, talvez utilizar um 'c' seja melhor do que dois 's', mas não saber as regras básicas da utilização da cedilha, algo que se aprende na primária, não tem desculpa. São pessoas que nem sabem que não sabem escrever, nem têm dúvidas, pois se tivessem eram inteligentes e jogavam pelo seguro: escreviam «vós».


«Não vaiam por aí!»
Vaiam só existe no verbo «vaiar». No verbo «ir» é sempre «vão». Bem sei que soa estranho dizer-se «Diz-lhe que não vão aí!» e que ficaria mais musical dizer «Diz-lhes que não vaiam aí!», mas é um erro grave. Um erro apenas aceitável em senhoras de idade avançada do interior de Portugal que não sabem ler nem escrever.


«Podem ser uns quaisqueres!»
Dizer quaisqueres é o mesmo que dizer qualqueres. É parvo e um erro de quem passava as aulas de português a escrever bilhetinhos com erros ao colega do lado.

A - Já viste as novas colegas de trabalho? Quais queres comer?
B - Umas quaisqueres.

Se, na primeira frase, a utilização de «quais queres» está correcta, na segunda, a sua utilização está errada e mostra que o interlocutor B, para além de não ter muito critério na escolha de parceiras sexuais, também só se vai safar se elas tiverem os padrões baixos.


E pronto, espero que este artigo ajude a combater a iliteracia e os constantes atropelos da Língua Portuguesa que fazem com que Camões revire os olhos no caixão, mesmo o de vidro. A ver se o Ministério da Educação me convida para reescrever os livros de português que com exemplos destes é que a criançada aprende. Já agora, se virem algum erro neste texto e decidirem armar-se em espertinhos e corrigir-me, passem o corrector nos comentários para não se porem a geito.







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