17 de novembro de 2015

Como detectar um namorado abusador?



Depois de uma semana de folga, eis mais uma sessão do melhor consultório sentimental exercido por alguém sem diploma para o efeito. É dia de uma rubrica "Doutor G explica como se faz". 



Olá Dr G., sou uma miúda algo volumosa, mas apesar disso nunca tive problema em arranjar namorados e coisas assim do género. O que acontece é que eu namoro já há uns 3 anos e não conheço os pais dele, no entanto conheço irmão, mas porque o irmão chegou lá a casa e nós estávamos os 2 juntos lá em casa, não estávamos a zumbar pelados vá lá, fui apresentada como amiga... Amiga??? A sério??? No outro dia estava eu a dizer ao meu namorado que eu achava que ele tinha vergonha de mim, porque as gordas são como as pantufas toda a gente gosta de usar mas ninguém tem coragem de sair com elas à rua. Ao que ele responde que não tem vergonha porque ele vem ter comigo ao trabalho, à faculdade, ao ginásio, leva-me aos jantares com os amigos dele (ah sim, para os amigos eu sou namorada porque uma vez um ficou hipnotizado a olhar para o meu sorriso estonteante, e ele lá disse é a minha namorada e lá o moço acordou) para nenhum se meter comigo. Eu então perguntei porque é que ele não me queria apresentar aos pais dele, ao que ele responde que só apresenta quando eu estiver em forma, então isto é ou não é ter vergonha de namorar com uma gorda?? E depois vocês gajos têm o dom de virar o bico ao prego, porque ele diz logo que eu é que tenho vergonha dele porque não ando de mão dada na rua com ele nem lhe dou beijinhos, ora não gosto de demonstrações de afeto em público... Ele tem vergonha de mim ou não??    
Sissi, 26, Lisboa

Doutor G: Cara Sissi, se ele te diz directamente que só te apresenta aos pais quando estiveres em forma, não percebo qual é a tua dúvida. É óbvio que ele tem vergonha de ti. Tens um namorado honesto! Uma otário, mas honesto. A não ser que a casa dos pais dele seja no 15º andar e o elevador esteja avariado e seja por isso que ele precisa que estejas em forma... Ou porque os jantares de família acabam sempre numa orgia com tudo a fazer um 69 em pé e a saltar à corda. Aí sim, compreendo que seja preciso uma boa forma física, que ninguém gosta de ver uma orgia perder ritmo porque está lá uma gorda que não tem andamento. Mas bom, esse teu namorado é um palerma. Fica ao teu critério a forma como queres dar seguimento ao processo.


Caro Doutor G, estive com uma pessoa durante alguns anos e, tendo-me dedicado por inteiro a ela, algumas das minhas habilidades sociais (neste caso, namoriscar/meter conversa com as mulheres) ficaram demasiado diminuídas. Agora que terminamos (e quando digo terminamos, já lá vai um ano), não voltei a estar com mais nenhuma mulher. Sempre que saio à noite e mesmo que beba uns copos, parece que nunca sei o que lhes dizer, ao ponto de lhes provocar interesse ou curiosidade. Para além de sentir falta de companhia do sexo feminino na minha vida pessoal, o meu braço direito está com o dobro do tamanho do esquerdo, se é que me entende. Não há hora do meu quotidiano em que não pense em sexo! Estou totalmente impaciente e ansioso. Já pensei em soluções temporárias, mas são tão dispendiosas! Sinto que o tempo vai passando e que nunca mais estarei com ninguém. Estarei a dar em louco?  
Anónimo, 23, Porto

Doutor G: Caro Anónimo, não estás a dar em louco mas está a sofrer do síndrome coitus xoninhux, que se manifesta por uma proporcionalidade inversa entre o nível de xonice e a quantidade de sexo que se pratica. Estás há um ano sem ver sexo do ponto de vista do utilizador, não é assim tão grave. Conheço casos bem mais graves que depois foram ao sítio, salvo seja. Ora bem, abordar mulheres na noite é sempre algo complicado que requer treino e habituação à rejeição. A prática faz a perfeição e não há muito mais que eu te possa dizer. Antes de ponderares soluções que envolvam a troca de orgasmos por capital monetário, sugiro-te as alternativas virtuais. O Tinder e essas ferramentas da moda, ideais para xoninhas com problemas de ansiedade. Na pior das hipóteses treinas os dedos com os swipes, algo que te poderá dar jeito depois quando chegar o tão ansiado dia. 


É o seguinte, envolvi-me com um homem 15 anos mais velho do que eu, casado e com filhos. É o homem mais giro com quem já estive, divertimo-nos imenso e a coisa durou 6 meses (porque tive de vir embora daquela região). Ainda trocamos mensagens com frequência mas eu sei que esta coisa de ser "a outra" não é para mim e tenho de o esquecer, porque a verdade é que fiquei embeiçada... Agora (o ridículo!): um amigo da minha mãe aprendeu a ler cartas de tarot e do nada disse que eu ia viver com um homem que tinha conhecido na circunstância X (não vale a pena detalhar mas batia certo com este gajo!) e como é óbvio ninguém sabia desta "relação". Eu não costumo acreditar nestas coisas mas fiquei abananada. Doutor, mantenho uma pequena esperança em ficar com ele ou viro a página?
DM, 23, Algarve

Doutor G: Cara DM, acreditar num tarólogo é quase tão mau como acreditar nos meus conselhos. Repara que ainda por cima foi um gajo que aprendeu agora a ler cartas de tarot, nem sequer é um cartomante com décadas de experiência no que concerne à charlatonice. Se a informação bateu certo é porque o gajo tem uma boa equipa de pesquisa que te andou a investigar ou, wait for it, é pura coincidência!!! Juro-te que existem, embora a Margarida Rebelo Pinto diga que não. Posto isto, é óbvio que deves virar a página, queres mesmo chegar aos 40 anos, auge sexual das mulheres, e ter um homem de 55 com uma alavanca de Arquimedes já meio cabisbaixa? Isto para além do facto de que 99% das vezes os homens não deixam as mulheres pelas outras, com quem só querem é funáná pelado. De qualquer das formas, se o tarólogo estiver certo, significa que existe mesmo um destino e um futuro delineado, pelo que virares a página e teres ou não esperança não vai servir, nem interferir, para nada. É fazeres a tua vida e esperar para ver, mas garanto-te, com 99,999999999999999% de certeza que esse tarólogo não tem razão. A ter, é pura coincidência. Mas, como tenho mente aberta, pergunta-lhe aí quantos livros é que vou vender


Namorei 5 anos com um rapaz era muito nova e sempre pensei que fosse para a vida, até que um belo dia ele decidiu dar um "fora" assim sem mais nem menos. Sofri bastante e depois lá fui fazendo a minha vida, mas já se passaram uns tempos e não me tem aparecido ninguém de jeito e pelo meio, quando eu já não penso no outro, ele aparece-me à frente. Parece sei lá o quê! É que sempre que já estou recomposta emocionalmente ele cruza-se comigo (não estou a falar obviamente em se cruzar na rua comigo...do género manda sms a fingir que não sabe que sou eu. Depois passa  um tempo já estou "curada" e aparece numa coisa em que quero participar (o que quero dizer é que parece que já são coincidências a mais). O que faço? O meu estado emocional já se esta a passar.  
Ana, 28, Lisboa

Doutor G: Cara Ana, só tens de o ignorar. Se ele te deixou sem dar satisfação e de vez em quando tenta entrar na tua vida só para ver o que se passa é porque é um palerma que, para além de não ter tido consideração por ti, continua a não querer que tu sejas feliz e o esqueças. O problema é que se ele te chamasse de volta tu ias a correr e como ainda não te aprendeste a valorizar, não te posso ajudar. Da próxima vez que ele te enviar uma mensagem a fingir que não sabes quem tu és, manda-lhe a foto da maior pila que encontrares na net com a legenda «O número que pretende contactar não se encontra disponível devido ao facto de estar a ser destruída por este excelso pénis.»


Boas, sou o Ricardo tenho vinte e cinco anos e namoro há cinco anos e pouco com uma rapariga mais nova. Acontece que apesar de o sexo ser bastante satisfatório, sou uma pessoa extremamente aventureira e ela não. Gostava de experimentar cenas do género sexo anal, sexo em publico, orgias e até mesmo sexo a 3 (das duas formas). A minha namorada sabe que sou aberto a novas experiências sexualmente mas nunca quer realmente experimentar coisas novas, a "rotina" sexual é praticamente sempre a mesma. Alguma dica em especial? Já tentei falar abertamente com ela sobre isto contudo na grande maioria das vezes ou recebo um não imediato e não se fala mais do assunto ou fica, na falta de melhor palavra, fodida comigo.
Ricardo, 25, Algures

Doutor G: Caro Ricardo, tens sempre roofies para a tentar persuadir. Estou a brincar! Não faças essa merda! As pessoas ou são compatíveis sexualmente ou não são. Não há volta a dar. Não há nenhum argumento espectacular que eu te possa dar que leve a tua namorada a pensar «Olha que sim senhor, afinal fazer uma orgia até tem as suas vantagens» ou «Olha que nunca tinha pensado por esse prisma, vamos lá então chamar aquela amiga para a cama connosco que é capaz de fazer bem à celulite.» Se ela não quer, temos pena. Aliás, se eu fosse a tua namorada e me dissesses que não te importavas de me ver a levar com um nabo alheio, eu era gaja para achar que tu não gostavas assim tanto de mim. Mas isto sou eu que sou um gajo atento aos detalhes. Em relação ao sexo anal e sexo em público, a história é diferente já que apenas contempla os vossos genitais e, talvez, o de um ou outro voyer que se esteja auto satisfazer. Nesse caso é uma questão de seres espontâneo. Leva-a para o WC dos deficientes que é uma espécie de droga de transição para quem quer fazer verdadeiro sexo em público. O sexo anal, é ires apalpando terreno. Aproveita as noites de bebedeiras, que desde sempre que o álcool é utilizado como anestesia para operações delicadas.


Exmo. Dr.G, como está? Sempre tive dificuldade em gostar verdadeiramente de alguém e em querer alguém ao meu lado como namorado. A realidade é que nunca estive apaixonada. Conheci um rapaz há uns meses, demo-nos muito bem e eu até estava a gostar dele e a ponderar uma coisa séria. A coisa estava bem encaminhada até ao dia em que ele se mostrou um pouco… vamos dizer mentalmente instável. Livrei-me imediatamente dele antes que levasse uma nos queixos e agora estou meio traumatizada. Quer dizer, demoro tanto tempo a interessar-me por alguém e afinal ele é doido? What the fuck? Coloco-lhe então 4 questões:
  1. O que é que faço para ultrapassar este trauma?
  2. Como é que sei, sem conhecer bem a pessoa, que ele não bate bem da tola e um dia pode dar uma de Chris Brown na minha cara? Existem sinais?
  3. O que é que pode explicar a minha falta de entusiasmo em relação aos gajos que conheço? E não, não sou lésbica.
  4. Caso voltes a ficar solteiro podemos ir beber um café? Juro que não sou feia! Não sou uma Sara Sampaio mas também não sou um Sloth. 
Mariana, 27, Lisboa 

Doutor G: Cara Mariana, vamos então por partes:
  1. É pensar que segundo as probabilidades será complicado encontrares dois psicopatas abusadores e cobardes de seguida. Eu também não sei se o avião não cai, agarro-me às estatísticas.
  2. Há poucos sinais embora, para os mais atentos, seja possível ver-lhes nos olhos. Os chamados crazy eyes são algo que, com a prática, se conseguem identificar tanto nos homens como nas mulheres. Se ele tiver um livro do Gustavo Santos na mesinha de cabeceira, também é um bom indicador;
  3. Andas a dar-te com os homens errados;
  4. Eu não vou ficar solteiro, lamento. Quanto muito posso ficar viúvo e aí sim, aceito ser consolado todo nu que a roupa preta não me assenta bem. Atenção que isto não é um convite para assassinares a minha namorada.

Caro Doutor G, somos a Joana e o Tiago de São Miguel, Açores. Somos os primeiros malucos a partilhar com o doutor a nossa vida a dois? Vamos tentar não ser Alice. O problema em causa é ancestral. A Joana quando praticamos luta greco-romana não atinge o orgasmo. São vários os motivos avançados de parte a parte. Do lado da Princesa, o tamanho da espada, do lado dele a frequência de duelos e o conhecimento do adversário de parte a parte. Como resolvemos este problema facilmente? A vontade de ambos é enorme. 
Joana e Tiago, Açores

Doutor G: Caros, sim, acho que foram os primeiros a consultarem-me em conjunto. Só espero que não tenham também um Facebook conjunto que isso é o mesmo que fazer cocó de mãos dadas. O que faz mais confusão nesta dúvida, é a Joana ter dito directamente ao Tiago que a culpa dela não atingir o nirvana dos lençóis é o tamanho da espada. Porque das duas uma: ou é por excesso de tamanho, ou o Tiago consegue aguentar golpes duros na sua auto-estima. De qualquer das formas, seja por excesso ou por defeito, o tamanho do membro não é desculpa para não haver orgasmo, já que existem dedos e língua. Ela atinge o orgamos sozinha? Se sim, a culpa é do Tiago, se não, a culpa é da Joana. De qualquer forma a culpa é dos dois que deviam era estar todos nus a esfregarem-se de todas as maneiras e feitios em vez de estarem a enviar dúvidas à espera que eu resolva a situação. O único método 100% fiável de eu vos ajudar com o vosso problema era ser eu a tratar da Joana. Como o código deontológico não mo permite, resta-me desejar que se descubram mutuamente sem medos e sem tabus. Mas Tiago, a partir do momento em que enviaram esta dúvida, fica sabendo que quando a Joana se vier, a primeira coisa que vai pensar é em mim. De nada.



Continuem a enviar as vossas dúvidas para porfalarnoutracoisa@gmail.com. E, esta rubrica terá tanta continuidade quantas as pessoas que a continuem a ler, por isso, partilhem e deixem-se de vergonhas. Até lá, 


Façam muito amor à bruta, que de terrorismo o mundo já está cheio.






Gostaste? Odiaste? Deixa o teu comentário: