30 de outubro de 2016

O melhor blog de Portugal



Sempre quis escrever um texto com este título para efeitos de SEO: optimização para motores de busca, para que quando alguém pesquisasse no Google "Melhor blog de Portugal", aparecesse o meu nos primeiros lugares. Nunca tive uma razão válida para o fazer, até agora.

Este menino limpou dois prémios na passada gala dos Blogs do Ano promovida pela Media Capital: o da categoria de entretenimento e o prémio global de melhor blog.

Podem ver aqui as baboseiras que disse na gala quando fui chamado a receber os prémios.

O primeiro foi votado pelo público e, por isso, só tenho de vos agradecer por terem votado. O segundo foi atribuído pelo júri. Os prémios valem o que valem, mas ser distinguido como o melhor blog de Portugal por um júri com tantas pessoas que admiro, obviamente que sabe bem. Sendo um blogue recente, também me dá um prazer especial saber que tanta gente o lê e que tanta gente, para além de o ler, tem o acto altruísta de ir votar em mim sem pedir nada em troca. Tantas vezes se usam as redes sociais para dizer mal e deitar abaixo, que é muito bom saber que tantos de vós se deram ao trabalho de fazer uns cliques e perder uns minutos para votar sem ganharem nada com isso e apenas porque achavam que eu merecia.

Obrigado aos meus pais por estarem sempre presentes e me apoiarem, mesmo a minha mãe que tem medo que alguém me apanhe na rua e me faça a folha. Obrigado à minha namorada pelo sentido de humor que tem e por me deixar denegrir-lhe a imagem em vários textos. Aos amigos, irmão, ao meu chefe que me muitas vezes me deixa sair mais cedo, e a todos os que têm contribuído para que tudo seja possível.

Quando comecei a escrever no blogue, há uns três anos, nunca pensei que fosse ter a visibilidade que tem. Sempre o fiz por gosto e nunca para ser reconhecido. Escrever palermices e ouvir o vosso feedback e saber que vos entretive e fiz rir é uma sensação do caraças. Nunca o fiz para ganhar dinheiro, até porque continuo a trabalhar a tempo inteiro na minha área de formação e é isso que me paga as contas. Sempre gostei de humor, mas nunca me imaginei a fazê-lo. Por ser tímido, por não me reconhecer assim tanto talento para isso, e por tantos outros factores. Lembro-me de uma das situações que me fez querer começar a tentar criar o riso na cara das outras pessoas: há uns 4 anos, talvez, segunda-feira de manhã, estava parado no trânsito na 2ªCircular, a cuspir vernáculo mentalmente e a odiar o mundo. Entretanto, começou a Mixórdia de Temáticas, do Ricardo Araújo Pereira, e olhei à volta e vi toda a gente que estava encafuada nos seus carros, em ambos os sentidos, a soltar gargalhadas sozinhos, mas todos ao mesmo tempo. Foi aí que eu pensei «Filho da mãe. Este gajo consegue fazer as pessoas esquecerem-se que estão há uma hora para fazer meia dúzia de quilómetros, a uma segunda-feira de manhã, para irem para um trabalho que, muito provavelmente, odeiam.» Receber, agora, várias mensagens de pessoas que me dizem que os meus textos os fazem rir de manhã antes de ir para o trabalho, ou ao final do dia quando chegam a casa cansados, enche-me de sentimentos difíceis de explicar. Um deles é cagança, o outro acho que é "só" alegria por alegrar os outros.

Queria agradecer, também, a todos os que me foram ofendendo e deitando abaixo ao longo destes anos. «Não tens piada!», «Não sabes escrever!», «Só dizes merda!» e tantos outros comentários de quem, apesar de legitimamente não gostar, decidiu perder tempo da sua vida a deitar abaixo. A esses queria esfregar-lhes os prémios na cara, com a parte afiada, e dizer «E agora? Quem é o maior?». Vi muitos comentários nas notícias sobre os prémios a dizer «Ganham sempre os mesmos, está tudo feito! Só para quem tem cunhas!». São pessoas que, claramente, para além do pouco e mau sexo que praticam, não sabem ver as coisas. Um gajo da Buraca não tem cunhas na Media Capital ou em qualquer lado que seja. Ganhei. Ganhei porque vocês votaram e ganhei porque o júri assim o quis. Estava a contar com ele? Não. Foi merecido? Gosto que pensar que sim.

Um dos males deste país pode, realmente, ser a cultura das cunhas, mas a inveja é ainda pior. Fodam-se p'raí.

Esqueçamos os haters e os coninhas: obrigado a todos vós, mais uma vez. Cá estarei para continuar a escrever e a fazer outros projectos. Para além do livro que editei no ano passado, vai sair outro durante o mês de Novembro, dedicado ao Doutor G, com 50% de conteúdo inédito. Acabei de lançar uma série de sketches em parceria com o Ricardo Cardoso, e mais coisas estão para vir. Sei que não vão gostar de tudo e isso só mostra que têm critério e expectativas altas em relação àquilo que faço. A única coisa que une todos esses projectos é o prazer que me dão fazer e a vontade de vos fazer rir. O vosso feedback, apoio e partilhas são essenciais para que consiga continuar a fazer coisas novas e com qualidade nesta bonita democracia que é a Internet. Sem cunhas. Sem pais ricos. Sem auto-censura. Sem merdas.

Obrigado.

PS: Amanhã sai o 3º episódio do Falta de Chá e, ao contrário do que é normal, vai sair logo por volta das 12h, porque é noite de Halloween e já se sabe que depois de jantar vai estar tudo com os copos e tentar engatar enfermeiras cadáveres e vampiros de tronco à mostra.





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