10 de maio de 2016

10 tipos de pessoa nos ginásios


ilustração de movenourishbelieve.com
O verão está ao virar da esquina e os ginásios são a segunda casa de muito boa gente. Esta é uma lista que já muita gente me tinha pedido, mas que temi que fosse um assunto sobre o qual muita gente já falou e escreveu. No entanto, e porque gosto de fazer coisas que já foram feitas mas em melhor, aqui ficam os dez tipos de pessoa irritante que vemos em qualquer ginásio.

O flamingo
O flamingo é um palerma cuja única motivação para ir ao ginásio é sacar gajas. É uma das espécies autóctones aos ginásios mais comuns em todas as geografias. É aquele homem que acha que os únicos músculos que contam são os da cintura para cima, porque são os que sobressaem mais naquela t-shirt com decote em V que ele usa à noite para sair com os amigos bombados. Aliás, ele gosta tanto de decotes que no ginásio utiliza aquelas t-shirts de alças fininhas que lhe expõe os mamilos, qual stripper marota que se passeia pela sala das máquinas. Uma vez um treinador disse-me «Tens de treinar pernas. Não sejas como essas cegonhas que andam por aí que pensam que podem disparar um canhão de uma canoa. Era mirrar-lhes a pila de cada vez que não fazem treino de perna a ver se deixavam de ser otários.» O flamingo vai ter, mais cedo ou mais tarde, hérnias e outros problemas de coluna, já que nunca percebeu a diferença entre fazer um exercício bem feito, e levantar o máximo de peso com um braço, nem que para isso seja preciso dar balanço com as costas todas. A boa notícia para eles é que quando estiverem numa cadeira de rodas, todos os dias vão ser dia de treinar braço.

O adamastor
Por vezes, estamos no ginásio, de auscultadores, concentrados na nossa última série, e ouvimos ao longe um urro digno de um adamastor saído das profundezas do mar. Vemos que é um gajo que parece que está a ser sodomizado por uma manada de antílopes com elefantíase peniana, enquanto faz o seu supino plano com todo o peso que havia no ginásio mais dois amigos sentados na barra a segurar um anão obeso. Ele uiva, ele grita, ele fala consigo próprio a incentivar-se «Vaiiii. Esta é toda tua! Só mais uma campeão!». Só lhe falta bater no peito e arremessar fezes para ser o gorila de peito prateado alfa. Tem as veias da cabeça salientes, num iminente AVC e o treino só foi bom quando dá quebra e se vomita no fim, que é para haver espaço para os dois litros de batido de proteína, creatina e sete bananas panadas a comprimidos de aminoácidos. Uma vez, um adamastor virou-se para mim no final do treino e disse-me, num tom de voz de quem está num ciclo de esteróides que lhe encolheu os tomates e agudizou a voz «Agora a seguir ao treininho, é sempre aguinha fresquinha no shakerzinho para tomar o batidozinho de proteinazinha.» Quase que me ria, mas depois lembrei-me que ele era capaz de abrir o meu crânio com uma mão, qual gorila abre a cabeça do macaquinho filho de outro macho. Por vezes, o adamastor é uma rapariga, que grita e geme, qual Sharapova, enquanto levanta o peso, e aí o único pensamento na cabeça das pessoas é «Coitados dos vizinhos…».

O pausado
O pausado não é aquele que vai pausar ao ginásio. Aliás, vai pausar, mas é porque passa o treino todo a fazer pausas. Pausa para aquela mensagem no WhatsApp que não pode esperar cinco minutos. Pausa para atualizar o estado do Facebook a dizer que está a treinar forte e que está a ficar muito rijo. Normalmente, este tipo de frequentador de ginásio é o palerma que acha que a mensalidade lhe dá direito à exclusividade das máquinas. Mete a tolha numa, e vai usando alternadamente com outra. Faz quinhentas séries e não deixa ninguém alternar com ele porque está a fazer «Superséries.» Num ginásio onde andei andava lá uma modelo conhecida da nossa praça, que passava lá o dia e que fazia constantes pausas, de 20 em 20 minutos, para falar ao telemóvel enquanto fumava um cigarro. É um facto que a ver pelo corpo dela o treino parecia estar a funcionar. A dar na coca e a vomitar a seguir às refeições também eu estava em forma.

O fashion
Há pessoas que vão para o ginásio mais preocupadas em ficar bem nas selfies que vão tirar do que em treinar. São aquelas pessoas que quando se inscrevem no ginásio vão às compras no dia antes: Ténis topo de gama? Check. T-shirt de 60€ com respiradores e merdas a condizer com os ténis? Check. Calção slim fit 50€ com uma lista da cor da t-shirt e dos ténis? Check. Pulso elástico de 30€ a fazer pandã? Claro. Braçadeira para o iPhone? Da cor da lista dos calções? Óbvio. Para além dos preocupados com a moda, há ainda aquelas mulheres só de soutien de desporto, a mostrar a barriga toda, com um calçãozinho curto. Sim, claro que é porque estão mais confortáveis para treinar assim. Sim, óbvio que não é para mostrar a pele toda que podem. Claro, que sim. Sim, nós homens e as outras mulheres acreditamos perfeitamente nisso. Sim, não são umas cock teasers, claro que não, isso são más-línguas das invejosas que gostavam de ter uma barriga assim definida para passear pelo ginásio. Aliás, a maquilhagem que retocaram no balneário antes de irem treinar e o cabelo todo aprumadinho diz que só estão preocupadas em treinar e nada mais. No ginásio onde andava, de bairro, onde só havia seguranças de discoteca, polícias, e criminosos, uma vez entrou lá um casal assim, ele todo equipado de roupa nova de marca, e ela toda maquilhada e a dar tudo. Veio um dos PTs, que naquela ginásio era qualquer amigo do dono que lá estivesse nesse dia, e perguntou-lhes «Vocês vêm treinar ou vão fazer uma sessão fotográfica para a Nike? Isto não é um health club de maricas, é um ginásio a sério.» Não voltaram.

O que vai desistir em breve
É aquele, ou aquela, que quando o ginásio é no 1º piso opta por ir de elevador em vez de usar as escadas. Ironicamente, a primeira máquina que utilizam é aquela que simula que estão a subir escadas. Quem faz isto, invariavelmente, vai desistir ao fim do primeiro mês, mas pagar a mensalidade durante um ano. Anda lá, com um ar triste de quem acabou de deixar cair um gelado ao chão, a pensar que se calhar mais vale desistir da vida já e não prolongar o sofrimento e as falsas expectativas de um dia conhecer os seus abdominais. Estas pessoas optam sempre por ginásios em centros comerciais para mal acabem o treino conseguirem afogar as mágoas num Big Mac. Quando desistem e lhes perguntam o porquê, respondem sempre «Ginásio é muito monótono para mim. Prefiro desportos de grupo», isto enquanto estão com um grupo de amigos no Chimarrão.

O PT
Aqueles rapazes que se passeiam pelo ginásio de t-shirt fluorescente e cujo único trabalho é corrigirem a postura a raparigas jeitosas. Pode estar um gajo com espondilose a fazer shoulder press com 10kg de um lado e 30kg do outro, que eles vão é ter com a rapariga que está a fazer agachamentos sem peso, para lhes colocarem a mãozinha no fundo das costas e na barriga e dizer «Meu bem, assim faz dói-dói na coluna.». Se um homem lhes faz alguma pergunta sobre o treino, só respondem se ainda virem que há hipótese de lhes sacar umas aulas privadas, caso contrário dizem que é marcar a avaliação física na recepção. Os monitores de ginásio são os novos hospedeiros de bordo: usam a profissão para sacar gajas; trabalham por turnos; julgam-se importantes porque têm uma farda cara, mas no fundo são empregados de mesa como os outros.

Obikwelu
É aquele que paga 65€ no Holmes Place para usar apenas a passadeira. Passa mais de uma hora a correr, toma banho e vai embora. Corre, por norma, de 6 a 10 km, que é exatamente a distância que fez de carro para ir e vir do ginásio. Faz isto porque quando lhe perguntam se faz desporto, fica muito melhor dizer «Ya, ando num health club.» do que dizer «Sim, corro até ao ginásio e depois volto para trás. Nem entro.». Devem ser as alergias aos pólens das árvores que os fazem trocar o ar puro dos jardins pela passadeira estática a ver as Tardes da Júlia. Este tipo tem ainda outra característica que é a de meter a passadeira em velocidade máxima se alguma gaja boa for treinar ao lado dele.

O fotojornalista
Este tipo é aquele que acha que todas as idas ao ginásio merecem ser documentadas com uma fotografia, antes e depois do treino. São pessoas que fazem o treino, não por séries e repetições, como a maioria das pessoas, mas por número de fotografias tiradas. Supino? 15 selfies. Leg press? 12 selfies. Passadeira? Um snap. Existem várias razões para se tirarem fotografias no ginásio:
  1. Exibicionismo.
  2. Narcisismo.
  3. Ambas as anteriores.
«Ah, mas é para ver o antes e o depois.». Mas para que é que queres ver o antes? Estás uma merda, pronto. Quando não estiveres uma merda, não precisas da foto antes, só precisas de saber que estavas uma merda. Estou a brincar: a maioria dos fotojornalistas já está fit! Nenhum gordo tira foto todo suado que nem um leitão com hipertireoidismo para partilhar nas redes sociais.

O aborígene
Já viram aquelas reportagens em que mostram um espelho a alguém de uma tribo perdida na floresta que nunca teve contacto com outros humanos? Eles olham para o próprio reflexo como se fosse feitiçaria e a seguir espetam uma flecha na cabeça do homem branco e comem-no de cebolada? Este tipo é aquele que se gala ao espelho enquanto treina, observando no reflexo cada um dos seus músculos contraídos enquanto leva o haltere até ao peito. Fica ali, maravilhado, levanta-se e olha-se ao espelho, fletindo um braço de cada vez, fazendo poses de culturista do Fogueteiro, quase a desejar-se sexualmente, a fazer crer que se aparecesse ali um irmão gémeo era capaz de lhe mamar da boca como gente grande.

A Ana Malhoa
A Ana Malhoa é aquela mulher que tem músculos que nós nem sabíamos que as mulheres tinham. Tem mais abdominais, bíceps e quadríceps do que a maioria dos homens que lá anda e tem maxilares como a mulher do Figo só que em mau. O pior é quando vamos para uma máquina da qual ela acabou de sair, vemos o peso que lá está, e pensamos «Se calhar consigo não diminuir e não fazer má figura.». Após a primeira repetição percebemos que foi erro crasso e retiramos metade do peso sem que ninguém veja e depois racionalizamos para não sentirmos a masculinidade inferiorizada «Hoje quase nem dormi. Turbinada com testosterona também eu.»

O pavão do balneário
Este é um tipo sobre o qual já escrevi, mas que merece novamente destaque e uma menção especial nesta lista. É aquele tipo de homem, já que nas mulheres nunca pude comprovar se também existe, que andam pelo balneário a pavonear o seu pescoço de peru. Sou eu que sou estranho em achar que não há necessidade de andar todo nu num balneário a manter diálogos, com as pendurezas ao léu? Passeiam-se nus a meter conversa como se tivessem a apresentar a genitália como os pais apresentam os filhos a ver se ficam amigos: «Vês trombinhas, este é o Hulk, este é o Pequeno Pónei, e aquele é o que já te falei: o Alexandre, o grande.» O andar nu ainda é o menos, agora fazer a barba sem uma toalha à volta» Porquê? Quem são estes naturistas de balneário? Já vi, com estes olhos que a terra irá comer, um gajo de perna alçada em cima do balcão do lavatório, com o secador numa mão, a secar a sacola dos girinos. Menos, pessoas. Muito menos. Tapem essa merda que eu nunca sonhei ser urologista.


Sim, foram onze tipos, existem tantos que dá para fazer uma segunda parte. Podem deixar nos comentários que depois penso nisso, não se esqueçam de partilhar e de identificar nos comentários os vossos amigos que se inserem num ou mais destes tipos.

PS: Quem é do Porto, Caminha e Chaves, dia 12, 13 e 14 de Maio há stand up comedy nas vossas terras. Mais informações e bilhetes aqui.





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