6 de julho de 2016

Como trair sem ser descoberto e como lidar com uma traição?



Sem perder tempo, vamos a mais uma consulta "Doutor G explica como se faz".


Caro Dr. G, namoro com uma rapariga fantástica há mais de um ano, mas as coisas já viram melhores dias. Discutimos frequentemente, não temos muitas coisas em comum e sinceramente eu penso que já nem gosto dela. O "problema" é que o funaná pelado é uma coisa do outro mundo, nunca tinha estado com alguém assim e ela diz o mesmo. Fomos aguentando a relação com suporte nos pilares da luta greco romana, mas agora acho que nem isso chega pois o meu chouriço de sangue tem fome de outros pipis e não a quero trair. O que devo fazer?
Anónimo, 18, Abrantes

Doutor G: Caro Anónimo, namoras com a rapariga desde os 17 e ambos dizem que nunca tinham tido sexo tão bom quanto o que têm em conjunto? Fico a pensar na quantidade de rodagem de virilha com que já vinham os dois, em tão tenra idade, para conseguirem aferir tal facto com propriedade de quem está a tirar conclusões sobre uma amostra considerável. Agora, vamos aos factos: o sexo não é o mais importante numa relação, mas conta muito e, sem bom sexo, nenhuma relação é feliz. Se queres pipi alheio e não a queres trair, só há uma opção, não é verdade? É não lhe dizeres. Estou a brincar, é acabar a relação. No entanto, e dada a tua vasta experiência, é provável que os pipis alheios que encontrares sejam menos capazes de albergar o teu salpicão de Abrantes, e que te arrependas. Tens de ver se essa vontade de a trair não é apenas a sazonalidade do Verão e dos vestidos curtos e corpos morenos e suados. A taxa de infidelidade sobe em 87% no Verão e não é por eu ter acabado de inventar este número que não é verdade. Se está na Internet é sempre verdade.


Boa tarde caro Dr, sou casada há já alguns anos mas a relação está cada vez mais fria. De há uns anos para cá que tenho um amigo colorido, que apesar de nunca termos chegado a vias de facto andámos lá perto por diversas vezes. Como o caso não saía da cepa torta e eu estava mesmo a precisar de acção resolvi ter uma aventura de sexo sem compromisso com um desconhecido. O grande problema é que o meu amigo descobriu e não ficou muito contente, sentiu-se traído e acabou com a amizade. O que faço agora? Não me imagino sem ele, queria muito que chegássemos a vias de facto mas pelos vistos agora é que isso nunca vai acontecer. E no meio disto tudo está o meu marido que não faz a mínima ideia das aventuras em que ando metida. Como é que conquisto o meu amigo de volta?
S.M., 28, Peniche

Doutor G: Cara S.M., o teu nome é acrónimo para Sandra Marisa ou para Sado-Masoquismo? Espero que seja o segundo. Adiante, tu és, em termos técnicos, o que se denomina como «uma badalhoca». Casada, andas a pavonear a carcaça a um amigo e a fazer sexo com desconhecido e, no fundo, só estás preocupada em recuperar o teu amigo colorido para que ele te possa pintar as paredes da escotilha de bebés. Quão panhonha é o teu marido que até o teu amante descobriu que andavas a comer outro gajo e ele não faz a ideia que tem uma coleção de marfim? Se queres reconquistar o teu amante, deixo aqui algumas sugestões:

  • Diz-lhe que o outro era parecido com o teu marido e que por isso não significou nada para ti;
  • Diz-lhe que o outro era casado e que casado com casado anula o a traição ao amante;
  • Diz-lhe que afinal não foi com um desconhecido, só que como não tinhas sexo com o teu marido há tanto tempo acabaste por confundir.

Boa tarde Doutor, já pensei em ligar para o Quintino Aires e desafogar as mágoas, mas o Doutor parece uma pessoa bem mais sensata. O que acontece é que terminei a cerca de 1 mês com uma namorada de quem gostava muito e da qual estava disposto a dar este mundo e o outro para ficar com ela, mas sentia-me subaproveitado. No inicio a relação era excelente, bom sexo, grandes conversas, bons momentos. Mas há uma diferença, ela vive numa família abastada e eu tenho recursos económicos escassos, e para ela isto fazia a diferença toda. As coisas foram piorando, ao ponto de no dia do funeral do avô dela, ela acabar comigo minutos antes de irmos para o enterro, dizendo que não precisava de mim. Horas depois ligou-me a dizer que afinal lhe fazia muita falta. Simplesmente ignorei dizendo que escolhas tinham sido feitas e que agora era andar para a frente. Nunca me senti tão mal, com as memórias todas a vir a cabeça, já quase não durmo e agora em fase de exames estou a ver a minha vida a ir pelo cano abaixo. Antes de pedir ajuda gostaria só de referir que adoro festa rija mas sou a pessoa mais tímida que conheço, não sendo capaz de abordar uma rapariga na noite. Algum conselho Doutor?  
Francisco, 20, Lisboa

Doutor G: Caro Francisco, fizeste bem em recorrer a mim ao invés do Quintino. A diferença entre mim e ele é que eu admito que não sou psicólogo a sério. Portanto, a tua história é a do Romeu e da Julieta, ou da Matilde e do Sandro Miguel de qualquer telenovela da TVI. A diferença é que no teu caso, a tua Julieta anda metida com um primo direito e foi por isso que acabou contigo antes do funeral do avô porque ela queria dar uma com ele em cima do caixão do defunto. Tens duas opções:

  1. Perdoas a rapariga e partes do princípio que foi o luto que a fez agir sem pensar e que realmente se arrependeu depois de comer o primo.
  2. Partes para outra, sendo que a tua xonice crónica vai prejudicar o aproveitamento da janela de transferências de Verão. Álcool ou Tinder são as minhas sugestões. Nunca as duas ao mesmo tempo! Um bêbedo no Tinder é como um ganzado no Pingo Doce: está com a larica e só escolhe merda para comer.

Caro Dr. G, após experimentar algumas morcelas no mercado decidi arriscar e satisfazer-me sempre com a mesma, isto é, apostar numa relação e até correu bem, namorei com um rapaz quase 5 anos e havia uma boa química, assim pensava eu, já tínhamos feito planos para o futuro e todas essas balelas até que... deparei-me que só eu é que estava a fazer por isso, não é que ele seja mau rapaz, mas mentalizei-me que para uma relação ter futuro é preciso "rega-la" e era a única a pensar assim, até que a fonte secou. Voltei de novo ao mercado para ver o que havia de novo mas embora houvesse algumas ofertas, nada me me despertou grande interesse. Após 6 meses aconteceu voltar a encontrarmo-nos e a questão é que continuamos a ter química, mas desta vez não quero voltar para a mesma relação ou a sequer ter uma relação, mas sabe bem estar com ele. Por isso é assim tão errado sermos "ex reconciliados amigos coloridos"? Ah! Obrigada pela consulta gratuita!
Ana, 25, Porto

Doutor G: Cara Ana, andar a comer o ex-namorado não tem nada de mal para quem gosta de comer restos. A minha avó também dizia que o pão era bom passados dois dias de o comprar quando começava a ficar recesso. Há gostos para tudo e há quem prefira ficar agarrada à morcela do dia de ontem do que dar-se ao trabalho de cozinhar uma alheira. Deixo aqui um fluxograma para explicar o que pode acontecer numa relação colorida entre ex-namorados:
Basicamente, é isto que acontece. Pode dar-se o caso de perderem o interesse ou arranjarem outras pessoas ao mesmo tempo e ninguém ficar melindrado, mas, por norma, andam no ciclo infinito da reciclagem sexual e discussões. No entanto, enquanto não der para ir jantar fora vai-se chupando os ossos do frango de ontem.


Caro Xôr Doutor G, eu e a minha ex namorada terminamos há cerca de um ano um relacionamento com 10 anos de história. Ela foi o meu grande amor, meu "high school sweetheart", a mulher com quem sempre imaginei dar continuidade a minha linhagem genética. Depois de um luto de 9 meses decidi fazer-me novamente ao mundo e tentar utilizar técnicas de engate há muito esquecidas e pouco treinadas. Com alguma ajuda lá fui introduzido a uma amiga de uma amiga e logo comecei a introduzir na amiga da amiga o que já nao era utilizado a 10 meses. Tudo muito certo e a correr maravilhosamente bem até ela querer assumir algo mais serio comigo, eu até gosto da miúda mas a distância que nos separa nao ajuda a que as coisas sigam o seu caminho natural, pois só estamos juntos 4 a 5 dias por mês. 
  1. Devo arriscar tudo e mudar-me para junto da miúda para tentar que as coisas resultem e se tornem mais sérias, pois sinto imensas saudades de estar num relacionamento sério e ter sempre alguém que se preocupa e está la sempre que preciso?
  2. Devo fazer o que nunca tive oportunidade na minha adolescência e que todos os meu amigos me aconselham a fazer, andar por aí a jarvardar forte em bagaçudas em busca de DST fáceis, menáges e orgias ao bom estilo da serie "Spartacus", temendo ficar preso nesse mundo e nunca conseguir ter um parceira que me acompanhe nesta longa jornada?
Fico a espera das tuas sábias palavras e que estas me ajudem a encontrar um caminho, pois estou farto de seguir os conselhos do Gustavo Santos.  
Jorginho, 30, Monte das Pitas

Doutor G: Caro Jorginho, aposto que escreveste mais nesta pergunta do que nas respostas aos testes de português quando andavas na escola. Relativamente às tuas hipóteses:

  1. Depende do que é arriscar tudo. É deixar o trabalho e mudar de casa? Depende da tua área, se fores de Sociologia ou Eng. Civil não arriscaria. A probabilidade de ficares com a rapariga com quem fizeste o rebound sex, ou sexo de ressalto, é baixa. Tens muita bagagem de um relacionamento tão longo e vais, provavelmente, ficar sempre a pensar que devias ter aproveitado mais. Se gostas mesmo dela e estás com vontade de dar tudo, força nisso.
  2. Os teus amigos dão bons conselhos. Depois de dez anos de cativeiro precisavas de andar por aí a limpar o palato até estares tão cansado de sexo sem significado com desconhecidas que querias definitivamente assentar. Estou a brincar, nunca irias fartar-te de sexo sem compromisso.
Faz o que o teu coração e mente mandarem porque ninguém te pode julgar a não seres tu. Citando esse guru que referiste «Uma pessoa equilibrada não sente necessidade de julgar seja quem for, pois não depende desse requinte de malvadez que é a sobreposição perante o outro.». Descobri que sou desequilibrado por julgar que o Gustavo é um palerma.


Doutor G, tenho um fetiche absolutamente nojento. Fico excitado quando um homem que considero atraente solta um flato. Pesquisei na internet e descobri que não sou o único e esse fetiche é designado por eproctofilia. Não sei como lidar com esse fetiche tão bizarro.  
Anónima, 22, Viseu

Doutor G: Cara Anónima, claro que não és a única a ter um fetiche nojento! Qualquer que seja o fetiche, por mais nojento que possa ser, há sempre pelo menos duas pessoas com essa pancada. Gostas de homens que se peidem todos à tua frente? Vais passar a vida a cozinhar feijoada. Há por aí muitos homens que pagavam para ter uma mulher que não se importasse com os seus gases malcheirosos debaixo dos lençóis. Já agora, essa excitação também inclui quando um homem solta o flato aquando do felácio? Excita-te porque te imaginas numa mota com os cabelos ao vento ou a fazer karaoke em frente a uma ventoinha? Sugiro que comeces a frequentar tascas ou a sacar gajos que acabaram de sair de uma colonoscopia. Vêm com o intestino cheio de ar e tens gases para encher vários balões para uma festa de aniversário de uma criança. Vai ser giro quando começarem a rebentá-los.


Olá Doutor G. namoro com uma rapariga á quase dois anos. No início, a intimidade era bastante frequente, rasgava aqueles túneis com a mesma frequência com que são postas fotografias de comida no Instagram e só me contentava com os orgasmos dela. Entretanto, ela começou a recusar-se cada vez mais e fiquei uns meses a ouvi-la dizer que não. Bem, eu aceitei e não sou de trair, portanto esperei e continuei a fazer o meu papel de melhor namorado possível. Contudo, tantos "nãos" puseram-me a pensar que ela está farta de mim, que eu já não sou o fisico que ela gosta de tocar e acabei por ficar com medo e vergonha de estar com ela intimamente. Apesar de a amar profundamente e sentir-me dedicado a ela, quando ela tentar ter algo comigo só a consigo a imaginar a recusar-me e fico com imenso receio de tirar a camisola, e acabo por fugir à situação ou então tento acabar o mais rapidamente possível. O que é que eu faço? 
Anónimo, 21, Lisboa.

Doutor G: Caro Anónimo, há várias razões para a tua namorada andar mais arredia no tocante a tocar-te na genitália:
O que fazer? Ainda bem que perguntas.

  1. Quando ela tentar ter sexo contigo deves recusar dizendo «Ainda hoje comi sushi ao almoço.»
  2. Quando ela tentar diz-lhe que não sabes se consegues porque já te masturbaste cinco vezes hoje. Quando ela fizer uma cara de «E para mim não há nada?» dizes «Sabes como é, não tens dado conta do recado e isto bolça sozinho.»
  3. Quando ela tentar, diz: «Vamos a isso, mas importas-te de não tirar a roupa e deixar a luz apagada?», só para ela sentir o ego ferido.
  4. Dizeres «Amanhã vou sair à noite com os meus amigos.». Se ela souber o que faz, vai fazer por te secar para que nem penses em comer outras.
  5. Perguntares-lhe o porquê de ela andar com menos vontade de sexo, isto enquanto a violas. Mentira, não faças isso. As razões dela não interessam. Estou a brincar, interessam, mas não perguntes. Agora a sério, não a violes.

Está feito. Metade de vocês abriu este texto porque queria mesmo técnicas para conseguirem trair sem que ninguém soubesse, não foi? E agora sentem-se enganados? Ha Ha Ha. Karma gonna Karmalhate. Obrigado a todos e, como sempre, até para a semana e continuem a enviar as vossas dúvidas para porfalarnoutracoisa@gmail.com. 


Partilhem e façam muito amor à bruta, que de guerras o mundo já está cheio.






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