23 de julho de 2018

Deus é um mau chefe



Basta olhar para o mundo para perceber que Deus é um gestor medíocre. Bem sei que na visão monoteísta não existe concorrência e talvez seja por isso que Deus está pouco empenhado no seu trabalho como CEO da Terra S.A.

Lembrei-me disto após uma piada que escrevi em que alguém comentou "Quando morreres e te encontrares com Deus vais arrepender-te de dizer estas coisas e vais ter o que mereces". Achei estranho este tipo de gestão por parte de Deus: já que pequei tão horrivelmente, não seria suposto ir directo para o inferno? Ainda tenho de falar com Deus? Para que é que Deus vai perder tempo comigo quando tem o Diabo para tratar desses assuntos? Que raio de micro management é este? Deus tem de delegar! Se calhar, é por isto que o mundo não anda para a frente, já que Deus está sempre a querer controlar todos os detalhes em vez de dar liberdade aos seus colaboradores. Colaboradores esses que quando toca a serem reconhecidos e valorizados, Deus comporta-se como um qualquer mau chefe: se algo corre mal, Deus diz que não teve nada a ver com o assunto, mas quando algo de bom acontece, em vez de Deus reconhecer o mérito dos seus colaboradores, fica com os créditos para Ele.


Exemplo: um médico salva uma vida e diz-se que é milagre, tirando, assim, todo o mérito a quem, na verdade, trabalhou.


Deus é um gestor indisponível para falar com os seus colaboradores. A comunicação com Deus é unidireccional e raramente atende o telefone ou responde aos e-mails. Bem podemos rezar que Deus só responde a um grupo restrito de pessoas, como a Alexandra Solnado, por exemplo. Este tratamento desigual dos empregados cria conflitos no local de trabalho e faz com que muitos se sintam desvalorizados e não se empenhem tanto em espalhar a visão e os valores da empresa. Aliás, todas as empresas mal geridas sofrem desse grande problema: cunhas. Pessoas contratadas para cargos com responsabilidade sem terem qualquer competência para isso, mas que são conhecidos ou familiares do chefe. No caso da empresa de Deus, este nepotismo é gritante, já que a Jesus bastou-lhe ser filho do chefe para conseguir o trabalho e logo no cargo de Messias. Jesus tinha um bom CV? Tinha experiência na área? Nada. Foi contratado por ser filho de quem é e fez um péssimo trabalho, prova disso é que nem conseguiu juntar doze pessoas competentes para o ajudarem, mostrando que era péssimo recrutador, já que com um bom gestor de recursos humanos Judas nunca teria sido contratado. No entanto, neste caso dou algum crédito a Deus, já que não foi por Jesus ser seu filho que Ele lhe deu especial atenção, deixando-o morrer como se fosse outro colaborador qualquer, sem o ajudar ou responder às suas preces.

Deus adopta um estilo de chefia bastante antiquado, optando por ameaçar em vez de inspirar. Se cometemos alguma falha, se deixamos algum bug no nosso trabalho, ou, neste caso um pecado, diz-nos que seremos castigados para toda a eternidade. Quando é Ele a cometer erros, a história é outra: Deus descarta-se de todos os que comete, dizendo que escreve direito por linhas tortas. Um gestor que não admite os erros é um gestor condenado a não aprender com os seus falhanços e a não melhorar com o tempo. Deus acha que está sempre certo e nunca se questiona e essa postura só prova que o Deus que exige humildade aos seus colaboradores é o mesmo que se comporta como um narcisista vingativo. 

Deus comete outro erro clamoroso que todos os chefes idiotas fazem: pede esforço à equipa, pede que vistam a camisola, mas não lidera por exemplo. É exigido a todos os colaboradores - que somos todos nós, humanos - que trabalhem horas a fio, mas Deus trabalhou apenas meia dúzia de dias e agora raramente faz alguma coisa. Prova disso é a escassez de milagres que acontecem no mundo moderno, mundo ao qual Deus nunca se adaptou já que resiste à mudança e isso é um grande problema quando se quer ser um bom gestor. O mundo está em constante evolução, mas Ele rege-se por dogmas antigos e que não fazem sentido no mundo actual; bem sei que uma empresa com tantos milhares de milhão de empregados será sempre pouco flexível e lenta a mudar o rumo, mas continuar a insistir em regras porque "Sempre se fez assim e é o que diz na Bíblia" é um erro.

Para piorar tudo isto, Deus é aquele tipo de chefe que ostenta riqueza quando a maioria dos seus empregados nem tem dinheiro para comer.

"Lamento, este ano não haverá aumentos" e depois constrói uma capela em talha dourada no valor de milhões de euros onde nunca vai, nem para passar férias.

Deus estimula a atitude de "lamber o cu" ao chefe, privilegiando a graxa e não o empenho no trabalho, pois só isso explica que as pessoas sejam mais incentivadas a dar esmolas à Igreja do que a ajudarem o seu semelhante. Uma coisa há que admitir: apesar disto, Deus é insubornável, pois está-se a cagar tanto para quem dá o dízimo como para quem não dá. Outro ponto positivo de Deus, enquanto líder, é o facto de desde sempre se preocupar com o problema do assédio sexual no local de trabalho, de tal forma que as mulheres têm um papel completamente secundário na Igreja para não haver misturas. No caso dos anjos isso ainda é mais evidente, já que Deus decidiu retirar-lhes o sexo para que não caiam na tentação de fornicarem em cima da fotocopiadora do escritório. Sim, existe o problema da pedofilia dentro do círculo dos seus colaboradores mais próximos, mas são só 10% dos padres e Deus tem feito um excelente trabalho a escudar a equipa e a abafar os casos. Toda a gente sabe que elogiar deve ser feito em público e repreender em privado e Deus, assim, mostra que consegue ser tolerante com os pedófilos e que não os discrimina pelos seus erros. Deus só discrimina os seus colaboradores pela cor, pela orientação sexual, pelo género e pelo credo. Olhando para o mundo e para a Igreja, Deus devia ter ido para taxista e não para gestor de uma grande empresa multinacional.



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