12 de agosto de 2014

O dia em que me tentaram violar



A história remonta ao Outono de 2011, estava eu em Londres e pelos vistos no pico da minha gostosura. Tinha ido lá passar uma semana de férias sozinho, feito parvo. Fiquei num hostel e logo na primeira noite, apesar de ter passado a anterior quase em claro, devido à cagufa que tenho em andar de avião, decidi ir a um Pub Crawl que é como quem diz um Rally Tascas lá do sítio, em que o pessoal de vários hostels se junta para promover o convívio. Lá fui ter com o grupo que já andava pelos bares, cheguei e comecei a enturmar-me, copos para aqui, conversa para ali, muitos "Where are you from?", "Yes, very nice" e "Viva Ronaldo!". Passaram-se algumas horas nisto, onde se foi juntando mais pessoal de fora e fomos todos convivendo de forma alegre e saudável. Às duas da manhã começou tudo a ir embora e eu, mais três gajos, decidimos ficar e ir a outro bar que estava aberto até às quatro.

Estava lá na boa a falar com um italiano, um gajo aparentemente porreiro e heterossexual, não que se fosse homossexual não fosse porreiro, dar-me-ia com ele na mesma sem problemas. Conversa perfeitamente normal com zero alarmes no meu gaydar, que pensava eu ser bastante apurado. 


Para efeitos cómicos e porque não sei o nome do italiano, irei chamar-lhe Bruschetta doravante. 

Estávamos lá com mais 2 irlandeses e a única hipótese de irmos para casa era de táxi. Ao vermos as rotas vimos que o mais barato seria eu ir com o Bruschetta que, segundo ele, morava a dois quarteirões do meu hostel e os irlandeses irem noutro, porque estavam a pernoitar no mesmo local. Nada de anormal, principalmente lá fora onde é costume dividir-se táxis com desconhecidos. Entretanto os irlandeses foram embora, o bar já estava quase a fechar e nós a prepararmo-nos também para ir. Fui à casa de banho e quando volto o Bruschetta tinha ido buscar mais duas cervejas de meio litro. Sim senhor, um gajo porreiro. Eu bebi um bocado e foi a vez dele de ir à casa de banho e aqui, eu não sei porquê, o meu sexto sentido deu alarme e decidi mandar a cerveja fora depois de ter bebido talvez um terço. 
Chamem-me desconfiado mas é o que viver na Buraca fez de mim.

Ele chega, pensou que eu já tinha bebido a minha cerveja, não acabou a dele e disse para irmos andando. Lá fomos à nossa vida. Chama-se o táxi, entrámos e eu começo-me a sentir meio azambuado e não me parecia ser do álcool, embora na altura não tenha feito essa associação. A bebida dá-me mais para ficar eufórico e enérgico do que apático. O Bruschetta diz que se eu precisar posso ficar a dormir em casa dele e foi aí que eu comecei a desconfiar da brincadeira. Rejeitei amavelmente o convite, dizendo que uns amigos iam ter comigo ao hostel de manhã. Mentira, mas até depois de ser drogado sou um gajo cordial. Nisto eu digo uma piada qualquer e ele ri-se (normal) e na euforia, qual não é o meu espanto quando o gajo me põe a mão na perna, de forma a que mesmo dando o desconto de que os italianos são um povo muito caloroso, foi de desconfiar. Eu tirei-lhe a mão e disse-lhe que não era a minha cena. Ao que ele responde: 
"No problem! It's ok, it's ok!", voltando a pôr-me a mão na perna com mais força, que eu volto a tirar já mais irritado mas sempre com uma apatia estranha. Ele volta a dizer com um sorriso "It's ok, it's ok!". 


Nisto o cabrão arma-se em Marco Beligni e tanta ver se o segredo estava na massa

Voltando a meter-me a manápula na perna, desta vez mais a cima chegando inclusivamente a conseguir tocar-me nos calzones. Pronto, aqui o meu corpo entrou em modo Chuck Norris, espeitei-lhe a cabeça contra o vidro, fiz-lhe uma chave de braço e gritei "You do that again I'll break your arm and knock you out motherfucker!". Sempre quis dizer isto em inglês. O taxista com a confusão pára o carro, eu saio e começo a ir-me embora. O gajo diz ao longe "Sorry, sorry! I need money to pay the taxi!", ao que eu lhe digo em alto e bom som "Give a blowjob to the taxi driver motherfucker!", que é como quem diz "Suga as miudezas do taxista que pode ser que ele ofereça a corrida, seu cafajeste".

Bom, eu estava já perto do hostel e pensei saber o resto do caminho. Erro crasso. Comecei a andar... andei... andei... andei... e nada. Estava perdido no meio de Londres, sem mapa, sem ninguém a quem ligar, sem encontrar uma estação de metro e sem ninguém na rua para me indicar caminho. Lembro-me de tentar ver uns mapas nas paragens de autocarro e não conseguir focar absolutamente nada. A droga era da boa, sem dúvida. Tentei alugar umas bicicletas daquelas com cartão mas felizmente não consegui, se não provavelmente teria acabado a noite numa valeta ou enfaixado num carro. Continuei a pé na esperança de encontrar uma estação de metro que por aí conseguia orientar-me.

Sei que andei quase 2 horas a pé, à chuva, até que cheguei a uma paragem de autocarro, novamente a tentar focar o mapa e uma senhora que lá estava de lenço na cabeça e guarda chuva me pergunta se preciso de ajuda, revelando o seu sotaque de leste. Eu digo-lhe que estou perdido digo-lhe a morada do hostel. Ela diz que mora perto e que era melhor dividirmos um táxi, porque àquela hora não havia nenhum autocarro que lá fosse dar. Hum... déjà vu? Erro na matrix? (piadinha nerd). 


Ao menos se me violasse não havia de ser no rabo, provavelmente ficava-me era com um rim, mas antes isso, que ânus só tenho um.

Não tendo grandes alternativas lá me meti no táxi. Ao entrarmos a senhora tira o lenço da cabeça e o casaco e saltou-me à vista, mesmo bêbedo e drogado à força, que se tratava claramente de uma bela prostituta. Principalmente juntando todo o outfit e maquilhagem ao facto de estar à beira da estrada às 5 e tal da manhã e como estava agora a ir para casa comigo é porque não estaria à espera do autocarro para ir para o trabalho.

Bem, ao menos isso, pareceu-me que o pior que podia acontecer era aparecer o chulo e ela dizer que eu estava a dever dinheiro. Mas não, andámos de táxi durante 20 minutos, ela ia falando e eu tentava manter uma conversa coerente. Chegámos a casa dela, ela pagou 50 libras e eu continuei viagem para o hostel e paguei as 10 libras restantes. Ou seja, eu tinha saído do táxi com o Bruschetta perto do meu hostel e tinha andado o equivalente a 20 minutos de táxi a pé. Depois no dia seguinte vi no mapa e estava a mais de 10 km. A droga era sem dúvida da boa. Cheguei ao hostel num alívio maior do que um falso positivo num teste de HIV, coisa que neste caso com sorte não apanhei. Acordei no dia seguinte com a maior dor de cabeça da minha vida, mas antes a cabeça que o rabo.
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4 reflexões que se podem tirar desta história:

  • Se não tiverem cuidado nem juízo ficam com boas histórias para contar (mas também podem acabar a noite a levar no rabinho);
  • As prostitutas de leste são realmente as mais prestáveis;
  • Os táxis em Londres são caros;
  • Sou demasiado sensualão.
Só uma adenda: Apesar da forma leve com que abordei o assunto da violação, queria realçar que é um assunto sério e quem viola seja quem for deveria ser morto, empalado no recto com um ferro cheio de formigas vermelhas. Posto isto, não me venham cá com comentários a dizer que com violação não se "goza", porque eu sei de muitos casos em que até engravidaram. 

Uma entrada a pezinhos (de cu-entrada) juntos para começar bem o dia.
Bem hajam.





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