5 de setembro de 2017

Aventura na Croácia (e Bósnia) - Parte 3/3



Como não há duas sem três, depois da primeira e segunda parte, eis que chega a última etapa da minha aventura pela Croácia, Montenegro e Bósnia. A parte anterior terminou em Kotor, de onde seguiríamos para a Bósnia, mais concretamente, para Mostar, cidade à qual chegámos depois de mais uns caminhos de cabra e fronteiras com dez polícias em que só um é que trabalhava, tal como nas obras em Portugal.

Mostar é aquela cidade que se forem pesquisar ao Google aparece sempre a mesma fotografia da icónica ponte que separa o lado Cristão e Ortodoxo do Muçulmano. A foto é sempre do mesmo local porque, realmente, é a única coisa que Mostar tem. Ainda assim, vale muito a pena por todo a zona envolvente e contrastes entre ambas as margens, com o seu centro histórico património da UNESCO. A Bósnia tem muitas recordações da guerra e, nos edifícios altos, principalmente, podem ver-se muitas marcas de balas em volta das janelas. Alguns prédios em ruínas devido a bombardeamentos, mas, acima de tudo, as recordações da guerra notam-se na cara fechada dos bósnios. Never Forget, lia-se em algumas zonas, mas o mundo tem amnésia.
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Mostar tem muitos ninjas, também conhecidos por mulheres muçulmanas com aquelas burkas pretas que só deixam os olhinhos de fora.

Apesar de achar que cada um usa o que quer, fico sempre um pouco desconfortável por imaginar que se está a perder ali uma oportunidade de se ver bom decote e bom pacote.

Isso e porque me faz lembrar que as mulheres ainda são ostracizadas e subjugadas em muitas culturas onde nem uma ladies night têm. Depois de perdermos as namoradas no meio daquelas barraquinhas que vendem colares e pulseiras - é o que dá não andar com elas por uma rédea curta - sentámo-nos a beber uma cerveja. Lá deram à costa com saquinhos cheios de tralha e de sorriso no rosto de criança que veio da loja de gomas. Fomos jantar fora ao melhor restaurante da cidade e o que comi eu? Uma grelhada mista! Desta vez, óptima e barata. Estava tudo bom. Encheu-se o bandulho de chicha, bebeu-se vinho e nem 15€ por pessoa se gastou. Finalmente, depois de tantas grelhadas mistas, uma que valeu a pena e que limpou o palato daquela salada de carne horrível que comi em Kotor. Não há muito mais a dizer sobre Mostar. Vale a pena e um dia chega. As pessoas, apesar da cara fechada são muito simpáticas. No fundo, é como a Buraca: uns tiros aqui, outros ali; uma ponte que liga a Alfragide que tem uma tradição de assaltos; come-se bem e as pessoas são desconfiadas, mas afáveis.

Na manhã seguinte, cedo nos metemos a caminho de Sarajevo. Não tinha grandes expectativas formadas relativamente à cidade, apenas algum receio do que li na Internet onde dizem que nos arredores há sítios com minas e matilhas de cães selvagens o que achei estranho pois, caso fosse verdade, os cães já tinham ido todos pelos ares, a não ser que sejam ex-militares farejadores de explosivos. Depois de passarmos por várias zonas que faziam lembrar o Cacém depois de um terramoto provocado pela ira de Deus após um concerto da Ana Malhoa, lá chegámos ao centro, cosmopolita e cheio de vida que contrastava com tudo por onde tínhamos passado até então naquele país. Chegámos ao nosso apartamento e fazia jus às fotografias: uma vista brutal, dois pisos, uma marquise de luxo e tudo isto por 120€ por dia, com 3 quartos para seis pessoas. Na Bósnia um português até parece que tem dinheiro!
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«Este prédio é muito seguro porque a polícia faz rusgas de 45 em 45 minutos porque mora aqui o pessoal da embaixada norte americana e têm de garantir a segurança.» diz o gajo que nos alugou a casa. Ya... a Buraca também é muito segura porque há muitas carrinhas de intervenção de um lado para o outro a toda a hora. Normalmente onde há muitas rusgas são os melhores sítios para se ficar, toda a gente sabe disso.

Ao entrar no apartamento, o Zé Bósnias informou-nos que tínhamos de descalçar os sapatos. Ainda pensei que fosse porque ainda lá estava uma empregada a limpar, mas não: era mesmo por questões religiosas. Fiquei arreliado. Não tenho nada contra respeitar as crenças dos outros quando entro numa Igreja ou numa Mesquita, ou quando sou visita na casa de alguém. Agora, numa casa alugada por inteiro só para nós? Que merda é esta? Vou meter uma casa no AirBnB e quando as pessoas chegam lá, digo que têm de colocar-se em nu integral e só podem andar pela casa em posição de futebol-aranha. Palhaçada. Ao menos avisem na descrição do apartamento que estamos sujeitos a regras inventadas por amigos imaginários que moram no andar de cima. Mas pronto, respirei fundo e passou-me. Um dos meus amigos, quando viemos da cidade, esqueceu-se e andou uns minutos lá dentro com os ténis calçados. 

Durante a noite parece que levou no rabo de Maomé, mas ele também tinha bebido muito e não disse que não.

A cidade é composta por monumentos e mercados e talvez tenha sido das minhas favoritas. Do meu grupo quase ninguém gostou, mas eu achei que tinha um carisma diferente e que me cativou. Custa encontrar um café ou bar que venda álcool, mas quando encontras é barato. Jantámos a comida típica de lá, Bureg, que é uma espécie de pastel de massa tenra com carne. 1kg custava 6€. Jantou-se, com cerveja incluída, por 4€ por pessoa. Maravilha. Quem atende ao público é maio carrancudo, mas o resto das pessoas anda sorridente, mesmo os ninjas que se percebe que estão a sorrir com os olhos. Não fosse a minha namorada ler listo e dizia-vos que tem muitas mulheres bonitas, mas como ela vai ler não posso dar-vos essa informação dramática.

No dia seguinte formos embora de manhã, em direcção a Zagreb, para passarmos a última noite das férias, antes de apanharmos o avião às 8 da manhã. A menina da recepção dos apartamentos falava português fluentemente porque tinha estado a estudar português e já tinha ido a Portugal, que é como quem diz que andava a comer um tuga. Viram como eu disse que ela andava a comer e não a ser comida? E ainda há Capazes que dizem que eu sou machista e misógino. Enfim, falta de serem comidas com força, é o que é. Quanto à cidade, já tinha visitado Zagreb há quatro anos e não tinha ficado fã, mas desta vez adorei. A cidade estava cheia de vida, festas, piqueniques, luz e música em todos os parques durante a noite.

No dia seguinte foi acordar às 5 da manhã, depois de uma noite mal dormida com cagufa do avião, e ir para o aeroporto. Beber um sumo de laranja com 5mg de Diazepam, que acabou por não fazer efeito nenhum porque o avião tremeu mais do que o avião que o meu avô com Parkinson fazia a dar-me a sopa com a colher. Ainda não foi desta que virei crente e rezei, mas já faltou mais.

Balanço das férias:
  • Não usei calças nem camisola ou casaco uma única vez.
  • 5 grelhadas mistas comidas.
  • Média de litro e meio de cerveja por dia.
  • 3kg a mais do que quando parti.
  • 11 noites, 3 países e 7 cidades visitadas.
  • Mais de 2000 km percorridos de carrinha.
  • Sobrou dinheiro do subsídio de férias.
  • Duas viagens de avião com zero xixi na cueca.
  • Zero selfie sticks usados.
Espero que tenham gostado e se um dia forem a algum destes países e precisarem de dicas - como, por exemplo, onde comer uma grelhada mista - mandem mensagem que eu guio-vos.





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