12 de dezembro de 2017

Sexo virtual vs sexo no mundo real



Está frio. Tenho sono. Vamos aquecer e acordar com mais uma uma consulta "Doutor G explica como se faz".


Caro doutor, apesar de a mãe zucrinar-me a cabeça, nunca liguei muito às mulheres q me queriam aturar por mais do que um simples dia de escola, porque acho que isso traz chatices a quem quer uma vida calma como eu. Para além disso, eu sou um rapaz às direitas, cheio de valores e muito romântico. Tendo o azar de as raparigas que se atiravam serem todas umas porquichonas, que já tinham sido mais usadas do que aquele dildo que no outro dia apanhei na gaveta lá de casa, rejeitei-as todas. Depois de tanta desilusão, não fui capaz de dizer à única gaja de jeito que encontrei (devido a ser amiga de muitos anos), antes de ela arranjar namorado, que gostava muito que ela me tocasse no marsápio. Agora, fiquei com aquele medo de não encontrar mais nenhum pipi de jeito, que não venha associado a uma acéfala, com o qual eu não me importasse de passar o resto dos invernos na serra. Que fazer caro doutor? 
TD, 19, Serra da Estrela

Doutor G: Caro TD, escusavas de ter dito que eras um romântico porque isso percebeu-se logo quando afirmas que deixaste escapar "a tal" que gostavas que te tocasse no marsápio. Ora bem, só há um tipo de pessoa que atrai apenas pessoas acéfalas: pessoas, também elas, acéfalas. Fui bruto? De nada. Acho que tens de perder esse preconceito que tens relativamente a mulheres experientes já que o tempo de elas se guardarem para um homem só já passou e ainda bem. Uma mulher gostar de fazer rodízio de salsicha não quer dizer que não seja inteligente e interessante. Homens que rejeitam mulheres com base nisso são normalmente inseguros e têm medo de ela já ter tido melhor. O Doutor G prefere as experientes, para elas terem a certeza que o que está ali a acontecer é mesmo muito bom e não só falta de termo de comparação. Dito isto, deixa de ser tão picuinhas ou então tens sempre as ovelhas aí na serra.


Olá Doutor G, sou uma rapariga de 21 anos que gosta de se expor online. A questão está que na vida real sou um pouco para o tímida, e até à data ainda não tive oportunidade de experimentar funaná pelado. Não atribuo grande sentimentalismo à "primeira vez" e à medida que o tempo passa e os pretendentes de carne e osso teimam em não se materializar espontaneamente à minha frente, estou a ponderar aceitar encontrar-me com um "fã" que partilha o meu hobby online, com quem ando a falar há alguns meses e com quem tenho bastante química. Mas ainda não lhe disse que sou virgem. Acha que devo avançar e explorar novos shakras com um indivíduo nestas circunstâncias, e em caso de resposta afirmativa, se acha que devo revelar a minha condição de total inexperiência.    
Libra, 21, Gaia

Doutor G: Cara Libra, acho de mau tom gostares de te expor online e nem um anexo teres enviado no e-mail. Sinto-me defraudado. Espero que envies sempre fotografias sem mostrar a cara que nunca se sabe quando é que Deus está à escuta na linha que dizem que ele é meio cusco e gosta de saber das nossas vidas, especialmente no tocante ao sexo. Ora bem, vou tentar explicar com um fluxograma:
Ou seja, há uma pequena probabilidade do sexo ser fantástico, tendo em conta que és virgem e que a maioria dos homens se está a cagar para o prazer da mulher, mas a boa notícia é que a probabilidade de acabares morta também é baixa. Por fim, sim, acho que deves dizer que és virgem. Primeiro, para baixar as expectativas; segundo, porque o rapaz terá mais cuidado para não te magoar; terceiro, porque ele pode não querer ficar marcado para sempre na tua memória. Dito isto, ele não deverá rejeitar derivado ao facto de ser homem e querer é sexo. Se quiseres faço de cupido e junto-te com o leitor da primeira dúvida que está à procura de alguém puro e casto. Vestes-te de ovelha e o gajo fica maluco.


Olá, sou o Jorge e estou apaixonado pelo meu namorado. Ultimamente reparamos que temos o período ao mesmo tempo. O que significa?  
Jorge, 29, Braga

Doutor G: Caro Jorge, lamento informar mas isso não é período, são hemorróidas.


Caro Dr. G, a primeira vez que me envolvi com um rapaz foi este Verão. Começamos a trocar mensagens e ele convidou me para acampar (com um pequeno grupo). Eu decidi deixar de ser totó e arriscar sem medo do que pudesse acontecer. Mas desconfiava que ele tinha namorada, e perguntei-lhe antes de me enrolar com ele a primeira vez, e ele não me respondeu, apenas se riu. Então ignorei, e deixei-me levar. No dia seguinte, voltei a perguntar, e ele disse que namorava, já há muito tempo. Mas não ficou por ali. Continuamos a ter alguns encontros, digamos... calientes. Eu realmente não lhe resisto. Não sei o que fazer porque estou demasiado apegada a ele, e começo a não suportar saber que ele vai todos os fins de semana ter com a namorada. Queria acabar com esta situação, porque tenho a sensação de que só fala comigo quando lhe apetece ondular cobertores e satisfazer algumas fantasias. Por outro lado, vai custar-me imenso se deixar de falar com ele. Estou perdida. É muita ingenuidade da minha parte pensar que ele vai gostar realmente de mim um dia, e ficará comigo? Mesmo que isso aconteça, ele iria fazer-me o mesmo que fez à atual namorada, não é? Devo acabar já com esta situação? 
Anónima, 20, Norte

Doutor G: Cara Anónima, parece-me que já sabes as respostas a todas as tuas perguntas, mas que precisas que eu as confirme. Por isso, cá vai:
  1. Sim, é ingenuidade tua pensar que ele vai deixar a namorada por ti. Pode acontecer, mas é improvável. Se ele acabar com a namorada porque ela descobriu ou por outra razão, é capaz de querer namorar contigo, mas fica no ar que foste a opção B.
  2. Sim, é provável que ele te faça o mesmo que anda a fazer à namorada. Não é certo, mas é possível que sim.
  3. Deves acabar com a situação? Tu é que sabes. Se achas que te custa mais ficar sem ele agora ou ficar sem ele mais tarde quando nutrires ainda mais sentimentos.
Se não te sentes bem no papel da amante, só tens de lhe dizer «Ou só eu, ou não há pipi para ninguém.» e logo vês o que ele diz. No entanto, se afirmas que não lhe consegues resistir, não posso fazer nada por ti. Esta consulta é tipo a minha namorada a perguntar-me qual o papel de parede para a casa que eu prefiro: ela já sabe qual vai escolher, só me está a fazer perder tempo com essa pergunta.


Bom dia Doutor. Antes de mais, queria elogiar o seu grande trabalho e que um dia o seu espetáculo passe aqui pela minha querida cidade Leiria. Primeira dúvida. Sou um xoninhas! Tenho a noção que o meu problema é pensar demais em cada detalhe, mas não o consigo evitar, e por isso tenho sempre receio em falar com pessoas estranhas com medo que me envergonhe a mim próprio. O que o Doutor me aconselha, para superar este receio de coninhas puro? E em segundo lugar, gosto de uma rapariga mas ela tem namorado, mas ela vai falando comigo para lhe subir o ego e para me manter como segunda opção, e eu como xoninhas que sou vou sempre respondendo e fico ali feito conas à espera. Devo eu parar de falar com ela, ou o que o Doutor me aconselha?  
Xoninhas, 18, Lisboa

Doutor G: Caro Xoninhas, anuncio desde já, em primeira mão, que vou ter espectáculo em Leiria dia 13 de Janeiro, no Teatro José Lúcio. Os bilhetes estão à venda no teatro e neste link. Na Ticketline e FNAC só amanhã. Vamos às perguntas:
  1. Beber álcool pode reduzir o índice de xonice, mas não aconselho. Não existe nenhum segredo ou dica para além do «Não penses muito nisso e o "não" é garantido.». Se queres deixar de ser xoninhas vais ter de estar preparado para te envergonhares muitas vezes. É como fazer stand-up, só quando há rejeição é que se aprende. Quando corre tudo bem, um gajo atinge o clímax, mas não aprende nada. Portanto, ou te sujeitas a esse risco, ou nunca serás um caçador, mas apenas um pescador que fica a dar banho à minhoca à espera que morda peixe graúdo. Nada de mal nisso, mas come-se menos e está-se dependente das correntes.
  2. Deves parar de falar com ela, sim senhor. Se sabes que só fala contigo para te subir o ego, deves virar o jogo e tornares-te inacessível. Se ela vier atrás, logo se vê. O primeiro passo para deixar de ser xoninhas é saber quando estão a gozar com a nossa cara e saltar fora.
Vira-te para as aplicações digitais como o Tinder ou o F*ck Marry Kill, idealizada aqui pelo Doutor G e que tem ajudado xoninhas por esse mundo fora.


Olá doutor G, conheci um rapaz há 3/4 anos através de um amigo, desde o inicio que fiquei interessada e, com o passar do tempo e com conversas todos os dias os meus sentimentos começaram a evoluir. No entanto, da parte dele, os sentimentos não evoluíram da mesma forma, achava-me piada mas não passava disso. Passaram-se 2 anos com altos e baixos, ora estávamos próximos, ora afastados, até que um dia voltamos a falar e a criar novamente uma ligação. Ele pediu-me em namoro e, como eu gostava imenso dele, obviamente que aceitei. Infelizmente a relação durou só um mês, na altura ele só pensava no facto de eu andar na universidade e que não iria aguentar a distância então decidiu acabar. No entanto, continuamos a falar e agora, já passado 1 ano, as conversas são as mesmas e ele dá a entender que ainda está interessado... O que acha doutor? Ainda gosta de mim, mas tem receio por ainda estar na universidade ou sou eu que faço demasiados filmes? 
Rita, 20, Porto

Doutor G: Cara Rita, ainda se pede em namoro? Pensava que só se fazia swipes, nos dias de hoje. Ora bem, ninguém acaba uma relação à distância porque a outra pessoa pode não aguentar. Quem acaba uma relação à distância é porque tem medo de não aguentar e/ou quer aproveitar a liberdade. Por isso, o que eu acho é que ele até pode gostar de ti, mas já que estás longe não se quer prender e quer andar a desfrutar do buffet de pipi que a vida de solteiro proporciona. O meu conselho é só um: faz o mesmo. De pipi ou de piloca, isso tu é que sabes e o doutor não discrimina.


A rubrica do Doutor G vai de férias até ao próximo ano. Duas semanas de paragem para o Doutor G arejar as ideias. A segunda data do meu espectáculo em Lisboa, dia 5 de Janeiro, está prestes a esgotar. Bilhetes nos locais habituais e neste link. Se ainda não compraram prenda de Natal para a vossa cara metade, já sabem. Boas entradas, salvo seja, e até 2018.

Façam amor à bruta porque de guerras o mundo já está cheio.






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