6 de junho de 2014

Maus tratos no ATL onde eu andei



Hoje venho-vos falar do ATL onde eu andei quando era puto, dos 6 aos 10 anos. Ia para lá depois das aulas e por lá ficava porque os meus pais não saber de mim até o sol se pôr. Ficava lá a fazer trabalhos de casa, ver desenhos animados, brincar aos médicos e enfermeiras e essas coisas normais que as crianças fazem num ATL. Mas o meu ATL era especial, derivado do facto de ser gerido por uma senhora professora da antiguidade, que devia ser fã do Salazar e de Belzebu. A juntar a esse facto tinha lá a filha que era "ex" toxicodependente, mas já lá vamos.

No meu ATL havia enfardamento à base da chapada com as mãos das costas em crianças. Até aqui tudo bem, acho que hoje em dia falta dar uns bons pares de tabefes a muita criançada para ver se chegam aos 14 anos e não começam com a merda do SWAG e do YOLO. Eu nunca levei nenhum, porque era um petiz bem comportado, mas principalmente porque era um bufo queixinhas e contava tudo aos meus pais. Da primeira vez que me trataram menos bem lá foi a minha mãe armar a barraca. A minha mãe tem muito jeito para isso, mas sem peixeiradas que somos da Buraca mas somos gente fina. Então nunca me bateram nem me trataram muito mal e por isso é que fiquei um coninhas. Culpa da minha mãe.

Uma das imagens que mais tenho na memória foi tentarem obrigar uma amiga minha a comer algo que ela não gostava e acreditem que não era filet mignon com folhas de rúcula e queijo de búfala. Devia ser uma papa qualquer cujos ingredientes eram segredo da casa. Mas obrigar a comer como se fazia à antiga, tapar nariz até a rapariga ficar roxa e mal abria a boca ia uma garfada que avião só se fosse um dos que bateu nas torres gémeas, era até desaparecer o cabo. Nisto a miúda vomita-se toda mas cometeu o erro de principiante de acertar com o vómito no prato. Foi só ir buscar uma colher e aquilo passou a ser sopa que lhe foi dada como se engordam os patos para fazer foie gras. O que vale é que ela estava a chorar e o sabor das lágrimas devem ter disfarçado o sabor do suco gástrico.

Outra coisa que me lembro, esta sem culpa das senhoras, era de uma colega que, ao contrário da outra, não tinha pudores em comer o que quer que fosse. Lembro-me de a ver a colocar uma aranha morta e umas quantas formigas num pão, com batata frita para dar textura e comer aquela merda com um sorriso na cara de Síndrome de Down. Escusado será dizer que era gorda. E nojenta.

Voltando à parte da filha da dona ser "ex" toxicodependente. Era algo que era sabido, os pais que lá deixavam as crianças estavam a par da situação, pelo menos os meus estavam. Não sei se interprete isso como os meus pais sendo seres humanos impecáveis que não descriminam ou pais negligentes e/ou se estavam a cagar para a minha segurança. A dona tinha montado o ATL para a filha endireitar a vida agora que já tinha deixado a droga. Nada melhor que um trabalho com crianças ranhosas para não voltar a dar na fruta. Eu só de ver um puto aos berro num restaurante já me apetece dar na heroína e enfiar um supositório de LSD, quanto mais aturar uma dezena deles. Só sei que ela era meio estrábica, meio vá, toda, e que se fechava muitas vezes no seu gabinete que só faltava ter uma plaquinha à porta a dizer "Sala de chuto". Por vezes íamos meia dúzia na carrinha com ela e ficávamos à espera lá dentro uma meia horita enquanto ela ia pagar contas. Mais tarde, em conversa com ex colegas, chegámos à conclusão que ela nos deixava à espera à porta do antigo Casal Ventoso. Ao menos não nos mentiu, foi mesmo pagar as contas. Parece que afinal quando a mãe disse "ela deixou a droga" queria dizer era que se tinha esquecido dela em algum lado. Lembro-me bem das caras e dos nomes, da mãe e da filha, mas não os vou revelar embora já devam estar ambas mortas. A dona por causas naturais da idade e a filha por aquilo que já se sabe... atropelada por causa do estrabismo.

E pronto, muito mais haveria para vos contar mas isto já ficou grande demais e quando é assim dizem que doí. Adeus e bom fim de semana!





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