3 de fevereiro de 2015

Não se pode agradar a Gregos e a Troikanos



Vamos falar de política internacional? Pois lá terá que ser. Como já devem saber, a política passa-me um pouco ao lado, gosto de saber o que se passa, mas apenas o suficiente para poder dizer mal e para ter assunto de conversa com as strippers. Elas pelam-se por política, economia e questões filosóficas. "Quem sou, de onde venho e para onde vou?" é uma questão que lhes passa muitas vezes pela cabeça e para a qual, a resposta mais comum é "Sou a Verónika, venho do Barreiro e vou para onde me quiserem levar, desde que paguem bem.". Acho que me estou a distanciar do tema, até porque a Verónika é Búlgara e eu estou estou aqui para falar da Grécia.

A Europa está agitada pelo resultado, já esperado, das eleições na Grécia. Ganhou o Syriza, liderado por Alexis Tsipras, que promete trazer uma política de esquerda radical ao país, quebrando assim com a tendência centro-direita que impera nos países membros da União do velho continente. Até parece que percebo disto, não é? Vejam como é fácil ser comentador político, basta olhar para a maioria dos que aparecem na TV. "O senhor foi mau governante? Não obteve resultados positivos? Óptimo, temos aqui meia hora para encher no telejornal, pelo menos até ir preso". Bem, mas Tsipras ganhou e promete medidas que muitos dizem ser populistas e utópicas, que só irão levar a Grécia a um novo resgate. Parece que de repente há muita gente preocupada com o bem estar de todos os cidadãos gregos, com receio que voltem, de rabinho entre as pernas e de joelhos, a implorar que a senhora Merkel lhes dê mais umas migalhas a troco de um pão de cacete inteiro. O novo Primeiro Ministro grego já conta com a minha simpatia em três aspectos: não usa gravata e como já aqui escrevi, usar fato e gravata é parvo; não tem barba nem cabelo branco e acho que já era altura de deixar os mais novos brincar um bocadinho; para além disto, o que mais lhe valorizo foi ter rejeitado fazer o juramento religioso, aquando da sua tomada de posse. Triste é ele ter que se recusar e isso não ser já completamente proibido.

Religião e política é como Vodka e Redbull: cada um por si só já faz mal, os dois juntos é uma bomba. Ás vezes literalmente. 

Eu, apesar de não ter nenhuma ideologia vincada, nem de me rever em qualquer partido que exista na nossa esfera política, tendo a ser mais de esquerda que de direita. Primeiro, porque é para onde o meu pénis descai e ele sabe normalmente aquilo que é bom. Depois, porque me parece que a esquerda se preocupa mais com as pessoas e a direita mais com a economia, as empresas e os patrões. Alguns dirão que está tudo ligado e que dependem uns dos outros para serem felizes. Talvez. Eu só acho que uns devem vir primeiro que outros na lista de prioridades dos governantes. A esquerda é mais pela justiça, a direita é mais pela igualdade. Muitas vezes as pessoas confundem as duas, mas é preciso distinguir. Vou fazer mais uma vez uma analogia sexual e ordinária para todos perceberem. Igualdade é irem com dois amigos a um bar de strip, haver lá seis bailarinas e ficarem duas para cada um de vós. Isto é igualdade pura, sem ter em conta nenhum outro factor. Já a justiça é irem a esse mesmo bar, com os mesmos amigos, mas como vocês já lá estiveram ontem e têm dinheiro para lá voltar amanhã, ficarem apenas com uma delas, o vosso amigo de classe média ficar com duas e o amigo mais pobre, que nunca teve as mesmas oportunidades que vós, ficar com as três, que neste caso seriam as que ostentam os melhores seios. No fim pagam todos o mesmo. Isto é justiça. Gosto mais desta última, até porque me dá jeito.

Depois há os extremos, que obviamente são perigosos. O extremo da direita pela ideologia fascista, nacionalista e xenófoba que reflecte o pior do ser humano. O extremo da esquerda, apesar de na teoria ser um mar de rosas fraternas, nunca funcionou como deve ser, exactamente porque foi posto em prática por seres humanos. Estaline matou 60 milhões no seu regime comunista, mas isso não quer dizer que os ideais não pudessem funcionar noutra época e liderado por outra cabeça. Os princípios do Cristianismo também dizem que são bons e vejam as barbaridades que a Igreja Católica comete(u). Tudo isto para dizer que os partidos me fazem comichão, sempre os achei uma palhaçada e eu nunca gostei de palhaços. Os partidos parecem-me uma forma de diminuir as escolhas e de manter os lobbies bem regados nas suas raízes. São como os clubes de futebol, criam palas nos olhos de quem os segue e permitem que se instalem dogmas perigosos, como um jogador não poder expressar a opinião no twitter, ou um deputado não poder votar contra a corrente de voto do seu partido, numa votação na Assembleia. Poder pode, mas a seguir já se sabe onde lhe enfiam um queijo Limiano, sem ser do fatiado. Eu acho que se devia fazer uma espécie de selecção para governar, os melhores de todos os partidos, convocando os mais capazes, fossem de que partido fossem. Se calhar só jogávamos com 5 ou 6 é certo, mas mais vale do que com 11 coxos, como tem sido habitual.

Voltando aos gregos, quem também promete muito é o novo Ministro das Finanças, Yanis Varoufakis, homem cotado como culto e com sentido de humor. Pelo menos promete envolver mais mulheres na vida política e fazer aumentar a economia das sex-shops, caso ele decida fazer uma linha de brinquedos com o seu nome, já que parece que o mulherio anda maluco com o senhor, que tem aquele ar de machão pronto para andar à porrada num bar. Com o seu aval, uma das primeiras medidas a ser tomada por Tsipras, será aumentar o ordenado mínimo em 53%, passando para 751€. Isto é all in meus amigos. Ou Tsipras tem na mão um par de ases, ou está a fazer um bluff digno de um campeão de poker, à espera do fold dos adversários para ele levar o pote. Se tiver mesmo que ir a jogo, é esperar que as probabilidades estejam a seu favor. O maior problema não é a Grécia enterrar-se ainda mais, o grande problema é se estas políticas radicais funcionam, ou pelo menos não pioram. 

Aí é que a porca torce o rabo e sim, estou a falar da Merkl. 

A primavera Árabe vai parecer uma história para crianças ao pé da meia-estação que avassalará a Europa, caso isso aconteça. Por cá, o PS já veio congratular-se com os ventos que sopram na Grécia, tentando capitalizar com demagogia os votos que possam vir por eles soprados, para que não seja o Bloco de Esquerda e o PCP a ficarem com eles. O António Costa também quer subir o ordenado mínimo, mas apenas para 520€. Isto é o que se chama jogar à coninhas, com medo de arriscar e por isso, sem nunca ganhar os grandes torneios. Ele vai ganhar as eleições, mas como sempre, nós vamos perder e continuar na big blind. Passo a explicar esta analogia: big blind é o jogador da ronda de poker que é obrigado a meter mais dinheiro logo de início, mesmo sem saber se vai ter alguma probabilidade de ganhar. Blind quer também dizer cego, ou seja, foi uma analogia ao quadrado. Sou um génio, obrigado por repararem.

Por tudo isto e muito mais, a vitória do Syriza faz tremer as instituições que querem que as políticas de austeridade e de direita se mantenham. Sentem que o seu cavalo de Troika, tão sorrateiramente infiltrado nos países pobres do Sul que eles tanto desprezam, venha a ser descoberto e que ainda fique mais exposta a emboscada económica que nos fez apertar o cinto. 

Mesmo com o cinto apertado até ao último furo, continuamos com o rego à mostra e a ver-se a tanga que já tínhamos. 

Mas lá está, isto sou eu a atirar para o ar, que como já disse, estou-me a mandar para fora de pé, que de política não percebo nada. Aliás, até acho que o grande problema da Grécia não são as políticas, de direita ou esquerda, o problema da Grécia é que tem muitos gregos, tal como o de Portugal é ter muitos portugueses. Somos latinos e temos a memória curta, uma amnésia selectiva que se manifesta de 4 em 4 anos e nos leva a eleger sempre nos mesmos. A diferença é que a Grécia bateu no fundo e pelo menos decidiu tentar outro rumo. Será para melhor? Só o tempo o dirá, mas se eu fosse o palhaço Tiririca, diria que pior do que está não fica.





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