6 de outubro de 2015

Uma mulher pode ter quantos parceiros sexuais?



Em rescaldo de um fim-de-semana de eleições, em que acabámos mais uma vez com ele entalado, faz todo o sentido desanuviarmos com mais uma sessão do consultório "Doutor G explica como se faz". 



Caro Doutor G, tenho-me visto a refletir sobre um assunto que passo a expor, começando pela questão: O que é que torna um ser do sexo feminino puta? Como não poderia deixar de ser, esta questão surge de atitudes minhas. Ora, veja-se o seguinte, na condição de mulher solteira, há noites em que saio e se, por acaso, houver um homem bem parecido, não é um qualquer não, que troque olhares comigo sou capaz de sair do espaço público onde nos encontramos e ir dar uma volta com ele. Situações destas acontecem com pouca frequência, dado que não é todo o ser do sexo oposto que me atrai. Quando quero, e dependendo da atitude do homem em si, também sei ser séria.
Maria, 26, ali e além

Doutor G: Cara Maria, uma mulher só é puta quando no fim do sexo pede dinheiro pelo serviço prestado. Se pedir no início, também é puta, mas das finas. Há quem diga que uma ninfomaníaca é uma mulher com os padrões sexuais de um homem, que quer sempre e seja com quem for. Não será bem assim, mas anda lá perto. A meu ver, uma mulher deve ser livre de praticar o funaná pelado e sem compromisso com quem e onde entender, as vezes que quiser, sem que isso lhe traga dissabores ao nível das alcunhas na escola: «Bicicleta da aldeia - todos dão uma volta»; «Escova de dentes comunitária»; «Trincheira a meio caminho, onde entre aliado e inimigo», são algumas das possíveis. O curioso, é que as primeiras pessoas a olhar de lado e discriminar uma mulher sexualmente livre e proactiva, são as suas congéneres, muitas delas invejosas por não se conseguirem libertar dos tabus que lhes foram impostos e ceder à tentação do duelo com desconhecidos sempre que lhes apetece. Se as mulheres fossem todas menos falsas pudicas se auto-censurassem menos com o imposto puritanismo da sociedade, garanto-te que havia menos guerras já que os homens tinham mais que fazer com as suas ogivas. Agora, há que saber jogar as regras do jogo e é por isso que as mulheres que já varreram três dígitos de pilas, dizem sempre aos possíveis futuros namorados, que só viram uma e foi de longe. É desonestidade genital fruto dos preconceitos da sociedade. Um homem atento percebe sempre, mas se há tantos que acreditam que a austeridade até teve bons resultados, então haverá quem acredite em tudo.


Caro dotor G, à muito tempo que leio as suas rubricas e sou uma grande fã sua, mas adiante. O que me trás aqui é uma duvida do foro sentimental. Namorei com um rapaz 2 anos e tal, entretanto acabamos por mutuo acordo no entanto a incitava partiu dele, passado 2 meses de acabarmos ele iniciou uma outra relação, no entanto já varias vezes me mandou mensagens, a família dele (mãe, irmã) fazem questão de comentar as minhas fotos mandar-me mensagens como se nada fosse para além disso ele mete "like" em tudo que faço no facebook e ultimamente faz o mesmo a dois amigos meus (um deles inimigo dele). O que o senhor sábio Dotor G acha desta situação? Será que ele ainda gosta de mim? Ou o que se passa na cabeça deste macho, que o senhor rei dos machos possa me explicar humildemente?
ATL,18, Leiria

Doutor G: Cara Atividades de Tempos Livres, ele é um palerma. Se teve a iniciativa de acabar a relação que tinha contigo e continua a fazer a ronda, é porque, para além de já não gostar de ti, não quer que tu sigas com a tua vida. O like em fotos de ex-namoradas é o equivalente aos cães urinarem nos cantos para marcar território. Quando um cão urina no tronco de uma árvore de jardim, não quer dizer que goste muito dela, provavelmente vai para casa e nunca pensa na árvore, mas gosta de deixar a sua marca para que os outros saibam que aquilo já foi dele. Provavelmente, quando ele acabou contigo (e digo-te já que não foi de mutuo acordo, tu é que te conformaste), o fez para ajavardar com a outra à vontade. Agora, que ele já está farto da outra, anda a ver se te tira do banco de suplentes para dares uns toques nas bolas no campo pelado. Caga nele, bloqueia-o e à família dele também. Que vão fazer likes e comentários para outro lado e saibam respeitar o teu luto. Até aposto que quando ele terminou a relação disse que era uma decisão irrevogável e agora quer que o deixes atracar o submarino outra vez. Deixa-te disso, Leiria não é um meio assim tão pequeno e há-de haver aí outros cabeças de lista que valham mais a pena.


Ex. Sr. Dr. G, faz hoje um mês que me encontro numa relação com a minha babe, e desde algum tempo que na minha cabeça surgem muitas inseguranças, muitas vezes parece mais uma coisa unilateral, algo sem amor que apenas contempla apalpadelas, mas a verdade é que apesar disso, ambos demonstramos sempre uma elevada vontade na altura do ato. Por favor doctor G, ajuda-me a perceber como tornar esta relação em algo sólido, e não aquilo que por ocasião nos força durante a noite a dar uma no carro.  
Hugo, 15, Amadora

Doutor G: Caro Hugo, eu não sou o professor Bambo, capaz de resolver qualquer problema e fazer amarração da pessoa amada com o auxílio de um óleo de manga, uma cauda de lagarto e dois pelos púbicos de um mamute africano. As relações solidificam-se mais lentamente do que um pénis de um adolescente de 15 anos. Aos poucos, se forem compatíveis, as coisas vão ficando mais sérias e vão ganhar mais cumplicidade. Eu sei que 1 mês, quando se tem 15 anos, parece uma eternidade, mas deixa as inseguranças de lado e aproveita esses tempos que não voltam para trás. O mais provável é que essa não seja a mulher com quem vais ficar para sempre, por isso, viveres com receio faz tanto sentido como achar que Portugal está melhor do que há quatro anos.


Caro Doutor G, desde que sofri de amor platónico aos 15 anos que nenhuma criatura foi capaz de me despertar interesse a nível amoroso. Sucede-se então que conheço um indivíduo, no início deste ano. Depois de uma simples 'curte' com o mesmo no dia em que nos conhecemos, começam a rolar conversas esporádicas que posteriormente se tornam diárias (moramos a 300km um do outro) e eu começo portanto a engraçar ainda mais com ele. Vai que vai, decide vir passar umas mini-férias a Lisboa  um mês e meio depois e a gente lá se encontra. Acontece que rolam diversos forrobodós softs até se dar a patarecada mor (em termos técnicos, perdi o cartão V com ele). Sucede-se outro encontro um mês depois, tudo às mil maravilhas, somos um casal daqueles nojentos que dá as mãos no metro. Uma semana depois deste encontro, diz-me ele que quer ser só meu amigo e eu já morta de amores, a contratar empresas de catering pro casamento. (acrescenta-se que jogámos às escondidas no escuro já depois do break-up). No meio disto tudo, fico sem saber se sou uma fuck buddy (sendo que não sou burra nenhuma e que penso que dá mais jeito uma fuck buddy a menos de 4 horas de viagem) ou se, devido à última relação dele, ainda está confuso ou gosta de mim.
Inês, 19, Lisboa

Doutor G: Cara Inês, falta bastante informação para poder analisar o teu caso em conformidade. Primeiro, ele faz ou fez 4h de viagem propositadamente para estar contigo? Ou calhou ter de ir aí? Isso daria para perceber até que ponto ele te vê como mais do que uma amigalhaça da fodenga. Se ele estava tão interessado e de repente mudou a atitude, das duas uma: ou há outra a fazer-lhe a corte, ou acabaram as eleições e ele está a mostrar a verdadeira face. Seja como for, amar à distância é como ter um Presidente da República ausente a governar por Skype enquanto está nas ilhas Fiji a beber um mojito: não funciona. Às vezes não é preciso estar-se noutro fuso horário para se estar ausente, é um facto.


Caro Doutor G, há dois anos conheci um rapaz e desde aí que lhe achei um piadão medonho, sendo que é muito interessante e também um bom naco. Sucede-se que vamos falando, umas vezes mais e outras menos e desde que fui para a faculdade no ano passado, estivemos juntos duas vezes (sem que nada acontecesse). Já me convidou para um concerto e 3 festivais (os quais eu recusei por não ter dinheiro, porque vontade não faltava) e eu até acho que ele esteja interessado mas, para além de achar que ele é out of my league, quando estou com ele parece que ele me manda mixed signals. Que é que faço à minha vida? É que andar 2 anos à espera da inserção da sua chouricinha no meu caldo verde não é pra mim. Anseio resposta pra saber o que é que faço à criatura.
Ema, 20, Lisboa

Doutor G: Cara Ema, se ele te convidou para quatro eventos é claro que quer dar-te com o p'Aoki na tua tenda electrónica. Não sei se este trocadilho é genial ou só parvo. Adiante, espero bem que tu retribuas esses convites, ao género: «Olha, queria mesmo ir contigo mas não tenho mesmo dinheiro. Queres ir tomar um café? Sair à noite? Qualquer lado, desde que seja contigo e não me custe mais de 5€, adorava.». Claro que vais logo invalidar motéis, mas há sempre o banco de trás do carro numa zona sem parquímetros. Se queres sopa com enchidos, tens de lhe dizer a ele e não a mim. Aí vais perceber na realidade as intenções dele, que eu garanto que são as de alimentar à base de rolo de carne ao empurrão. Ele, provavelmente, está a pensar «Ela parece-me interessada, mas sempre que a convido ela dá desculpas e corta-se.». E uma última coisa, ninguém merece ser considerado «out of my league». Esse é exactamente o tipo de pensamento que faz com que as pessoas se conformem, cedam ao medo e votem sempre nos mesmos.


Ora boas Dr. G. Ando com um sério problema. A minha ex, que já acabamos à cerca de 1 ano e meio para aí, ainda me chateia com cenas do tipo "mas gostavas da outra quando andávamos; mas porque raio acabaste comigo se o sexo era espetacular; a nossa relação era apenas sexo; etc". Sinceramente praticamente não posso passear na cidade de Santarém sem ter olhinhos a espiar cada movimento meu, como se eu a andasse a trair. Basicamente quando andávamos, ainda não tínhamos 2 meses de namoro e já ela pensava em casa, carro e familía. Meu deus, sou apenas um tipo com 21 anos, não tinha trabalho e ela já queria isso tudo? Bom, a minha questão no meio desta maçada toda é, o que acha que eu posso dizer à rapariga que acabou tudo entre nós, que não há volta a dar sem pedir tempo de antena na RTP a explicar que realmente acabou tudo. Obrigado pela paciência Sr. Dr. G. 
Miguel, 21, Santarém

Doutor G: Caro Miguel, "há cerca de 1 ano". Estas eu não deixo passar! Bem, compreendo a tua dor, todos nós temos uma ou duas ex-namoradas psicopatas durante a nossa vida. São mulheres que tiveram tudo enquanto petizes e que não sabem ouvir um «não» quando pedem o novo Chalet da Barbie para o Natal. Normalmente são inofensivas e a coisa passa-lhes quando arranjam uma nova vítima para azucrinar a cabeça, mas é preciso estar atento porque há sempre uma que decide maquilhar-nos de surpresa com ácido sulfúrico. O meu conselho é que não respondas a absolutamente nada do que ela te enviar, não lhe alimentes os dramas porque isso para ela é combustível para a raiva que sente por ti. Se ela abusar, vai à polícia ou contrata um gigolô para lhe fazer a corte e lhe dar uma valente que faça com que ela nem se lembre mais do teu nome. Eu já não presto esse tipo de serviços, mas haverá por aí quem faça. Essas namoradas são como os partidos que perdem as eleições mas que arranjam sempre forma de racionalizar e dar a volta «Ele só me disse que odeia e que eu sou uma pessoa horrível porque se preocupa com o meu bem estar e não quer que eu me envolva e sofra outra vez.»


Boa noite Dr. G., eu ando numa universidade e conheci um rapaz da mesma universidade no ano passado na noite. Foi cumplicidade desde o primeiro momento, estivemos a brincar um com o outro durante algum tempo (a mandar bocas um ao outro) e ele ofereceu-me uma bebida… mas as coisas não evoluíram porque ele andava com uma rapariga que fez o favor de ir interromper o nosso momento. Nós temos falado e ele já me disse que não anda com ninguém e disse-me que quer estar comigo na ressecção ao caloiro. Mas há um novo problema, ele vai de erasmus para a Roménia no final de Setembro. Gostava de saber o que acha que devo fazer, eu estou interessada nele, no entanto não quero ser um caso de apenas uma noite. 
Cláudia, 20, Lisboa

Doutor G: Cara Cláudia, é nestas alturas que me sinto velho por não saber o que é a «ressecção» ao caloiro, mas parece-me tratar-se de uma prática badalhoca durante a recepção aos novos alunos. Infelizmente, vejo que a minha resposta de pouco ou nada pode valer, dado que o final de Setembro já foi. É um problema de ter um consultório tão requisitado sem ter uma secretária gostosa para me ajudar a reduzir a carga... de trabalho. Não sei como é que isso ficou, só sei que começar uma relação em vésperas do rapaz ir de Erasmus, ainda por cima para a Roménia, é disparate. Se começaram a namorar, só te peço que lhe exijas que faça análises quando ele voltar. Se não começaram, quando ele voltar e se continuar a haver alguma química entre vós, pede-lhe análises na mesma e, se forem positivas (ou negativas, neste caso) salta-lhe para o colo e vejam no que dá. Não vás é em cantigas, mesmo que ele diga que voltou da Europa de Leste para estar contigo e que rejeitou um salário de 20 mil euros para vir para cá ganhar "apenas" 5 mil, só para cuidar de ti. Mais cedo ou mais tarde, ele pira-se outra vez.


Caro Dr., tenho uma atração por homens que escrevem bem. Este requisito fecha-me o espectro de escolha e conduz à mentira pois é dificil assumir 'olha ja não te quero ver mais porque escreveste poix'. Mas igualmente comprometedor é o facto de estar a perder tempo a escrever a alguém só porque é bem falante, tem maturidade emocional e cabeça aberta, já que toda a gente sabe que são unicórnios ocupados... 
Ju, 27, Coimbra

Doutor G: Cara Ju, compreendo perfeitamente que o saber escrever seja um requisito essencial para que se efectue um contrato javardo. Até porque em qualquer contrato é imperativo que os pontos estejam nos «i's» e até as vírgulas fazem a diferença. Aconselho-te a acampar à porta da Faculdade de Letras com um letreiro «Se à melhor coisa do que saberes fuder-me com força, é saberes que esta frase tem três herros.». Pode parecer que não, mas há por aí muito nazi da gramática descomprometido, talvez até a maioria porque está mais preocupado em corrigir os outros nos comentários do Facebook do que em perder a virgindade. Já agora, e para terminar, os partidos têm siglas por isso mesmo, para que até os analfabetos consigam decorar as letras que mais vêem na TV. Por fim, deixo-te com uma imagem que podes utilizar quando voltares a precisar:



Não foi fácil introduzir um comentário político em todas as respostas. Espero que me dêem o devido valor. Obrigado a todos e, como sempre, até para a semana e continuem a enviar as vossas dúvidas para porfalarnoutracoisa@gmail.com. 


Partilhem e façam muito amor à bruta para compensar mais quatro anos de austeridade.






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