21 de dezembro de 2016

CDS, os especialistas em não fazer sexo



A Juventude Popular quer que se ensine a abstinência sexual nas aulas de educação sexual e quais as suas vantagens face aos outros métodos contraceptivos. Querem, portanto, promover a falta de sexo, algo em que me parece serem especialistas, isto se exceptuarmos, claro, situações de prestação de serviços, vulgo prostituição. Se, por um lado, é um facto que a abstinência é a única forma 100% fiável de não engravidar nem contrair doenças, também é óbvio que só é opção para quem tem cara de gnu atropelado e não consegue arranjar quem lhe dê uma festinha nas miudezas, quanto mais o resto. É uma proposta de quem não tem muito que fazer e, por isso, é normal que tenha vindo de uma associação de jovens que, na falta de pessoas que queiram brincar com eles aos médicos e enfermeiras, gostam de brincar aos politicozinhos de carreira para nunca terem de trabalhar na vida. Eu percebo, a maioria dos jotas são jovens que tiveram de ir para a política para um dia serem alguém na vida. Foram humildes o suficiente para saber que sozinhos, sem cunhas, contactos e favores, nunca chegariam a lado nenhum. Respeito essa humildade de pessoas que sabem ver e admitir que são abaixo da média.

Primeiro, um partido que se assume como representante da democracia cristã nunca pode ter grandes ideias no tocante a questões sexuais, ou a muitas outras.

Trazer religião para a política é como trazer Champomy para uma orgia.

No entanto, percebo-os: a abstinência tem funcionado tão bem com os padres que eles querem trazer o mesmo modelo para o programa de educação sexual. Depois, no 2º período, ensinam como abafar escândalos e no 3º tentam meter o bedelho nas aulas de ciências para que se ensine o criacionismo como alternativa válida à teoria de Darwin. Estou a exagerar, bem sei, mas de um partido contra a liberdade de escolher interromper uma gravidez, contra o casamento entre pessoas do mesmo sexo, e a favor das touradas, já espero tudo.

Voltando à abstinência, não é preciso ser grande conhecedor da mente humana para saber que não é natural, nem viável, que se diga a adolescentes para não cederem às tentações de Belzebu e, em vez disso, assobiarem para o lado, por mais que a erecção lhe esteja a doer. Isto, sabendo que sexualidade reprimida é a maior causa de guerras no mundo e de comentários palermas no Facebook, é até perigoso que se ensine às crianças que não fazer sexo é uma opção. Mais do que perigoso é hipócrita e só vai funcionar para recalcar e reforçar o tabu do sexo que a direita cristã tanto gosta de manter. Dizer a alguém que tem a opção de fazer sexo com preservativo e que lhe vai saber a pato na mesma, mas que tem a opção, igualmente válida, de não praticar o coito, é o mesmo que perguntar a alguém se prefere mousse caseira ou instantânea. Sim, há sempre alguém que prefere a instantânea, mas isso é porque nunca provou uma caseirada portuguesa de lamber os dedos (isto foi uma referência pornográfica vintage que só alguns entenderão). No máximo, isto pode servir para que pessoal pense «Sim senhor, nem vou andar prevenido com preservativos porque vou optar pela abstinência!» e, depois, numa noitada e com as hormonas marotas aos pinotes, lá vai disto ó Evaristo, sem latex.

Sendo que o líder da JP é contra o casamento homossexual, calculo que os gays tenham de ficar virgens para sempre, especialmente no rabo que é onde a virgindade, para Deus, é mais importante. Ele não gosta que se desperdicem ejaculações e não há maior desbarato do que o de ejacular em terreno que, apesar de ter estrume, não é fértil. Aliás, ninguém me tira da cabeça que a ejaculação precoce é Deus a fazer cócegas na cabeça do pimpolho para que os homens não consigam interromper o coito e desperdiçar o néctar divino nos lençóis. Um partido político que teve um líder homossexual (alegadamente, como se fosse um crime) e que, por questões ideológicas do partido, se opunha ao casamento e adopção por parte de pessoas do mesmo sexo, diz tudo sobre as amarras dogmáticas que a política, e a Igreja neste caso, têm até sobre as pessoas que com elas são discriminadas. Têm o efeito do marido abusador que consegue fazer com que a mulher sinta culpa e a ainda diga «Sim, ele deu-me uma bordoada no baixo ventre, mas eu também deixei queimar o arroz, por isso...».

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Tive acesso ao programa proposto pela juventude do CDS, com algumas perguntas e exercícios para ver se a criançada assimilou a matéria:

Conteúdos teóricos:
  1. Enquanto estás a fazer sexo há alguém a evoluir de nível no League of Legends e no World of Warcraft. Fica a dica.
  2. A cabecinha conta?
  3. Masturbação e cegueira: estudo independente na Internet comprova a causa-efeito.
  4. Jesus fazia sexo com Maria Madalena e olha no que deu.
  5. És Agro-Beto? Faz antes com uma ovelha.

Questão 1:
A Constança teve dez namorados com quem era sexualmente activa. Sendo que praticavam o coito, em média, seis vezes por semana, e sabendo que as suas dez relações perfizeram um total de doze meses, quão promíscua é a Constança?
a) É muito promíscua;
b) É muitíssimo promíscua;
c) É uma puta;
d) Quem é a Constança e qual é o número dela?
e) Todas as anteriores.

Questão 2:
O Bernardo praticou sexo desprotegido com a Constança. Depois, o Bernardo praticou sexo anal, também desprotegido, com o Martim que, por sua vez, teve dois segundos de penetração sem preservativo com a Matilde enquanto a Benedita ficou a ver e manteve a virgindade. Qual é a probabilidade da Benedita ter contraído HIV?
a) 0% porque pratica abstinência;
b) 50% porque fez contacto visual com um homossexual;
c) 100% porque se despediu do Martim com dois beijinhos;
d) 0% porque tomou um retroviral e rezou dois Avé Marias.

Questão 3:
A Pureza não consegue arranjar um namorado porque já rodou a escola toda e ficou com má fama. O que deve ela fazer?
a) Enclausurar-se num convento
b) Pedir transferência para a escola pública porque lá é normal
c) Abrir um negócio da prostituição para lá irmos todos
d) Todas as anteriores

Exercício Prático 1:
Ver pornografia uma hora por dia e, a cada ameaça de erecção, enfiar uma malagueta no ânus e cantar o hino.

Exercício Prático 2:
Em grupos de dois, cada um de sexo diferente, devem despir-se e jogar ao jogo do sério ligados a uma máquina que dá choques de alta voltagem. Perde quem tiver uma erecção ou humidade vaginal.

Exercício Prático 3:
Visitar um bairro social com famílias numerosas para começar a associar o sexo a gente pobre e a quizomba.

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Moral da história: a molecada vai fazer sexo e vai, por isso ensinem-lhe como fazê-lo de forma segura e abstenham-se de tentar enfiar, de fininho, valores religiosos na educação. A política já tem hipocrisia suficiente e não precisa de ajuda nesse campo.





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