16 de junho de 2017

A moda do gin com salada lá dentro



E os gins que continuam na moda? É verdade. Vieram para ficar, está visto. Às vezes penso em quem terá iniciado esta moda do gin de balão com salada lá dentro. Terão sido as marcas de gin, de água tónica ou os agricultores de pepinos? Imagino uma espécie de agricultor hipster de pepinos, que já os cultivava antes de serem cool, a ser gozado pelos seus colegas que plantavam batatas e outros legumes e tubérculos mais mainstream:

- Ó Manel, como foi a venda no mercado?
- Muito fraquita. Só me levaram meia dúzia de pepinos.
- Também para que plantas tu pepinos? Ninguém gosta disso! É um nicho muito pequeno! Tens de plantar é batatas e agradar às massas, e não estou a falar de esparguete.
- Isso não é desafio para mim. Pepinos é que é! Um dia vocês vão ver! O pepino tem finalidades nutricionais, estéticas e recreativas! (como escrevi neste texto)

Nisto, o Manel incumbiu-se da missão de fazer do pepino um dos vegetais mais consumidos no mundo e juntou forças ao gin Hendrick’s. Começaram a fazer campanhas publicitárias e a trazer o gin de volta, mas desta feita com pepino lá dentro. Agora o Manel é o agricultor mais rico lá da terra dele porque cada rodela num gin custa 5€. Vai buscar. Todos os outros agricultores querem plantar pepinos e o Manel goza com eles dizendo «Já plantava isso antes de ser fixe plantar isso.» enquanto ajeita a sua echarpe roxa e ajusta os seus óculos de ver de massa sem lentes. Bem, talvez não tenha sido assim que tudo aconteceu, espero que não sigam este blogue a contar com factos históricos, mas o que é certo é que o gin está para ficar. Eu tenho uma dicotomia de sentimentos em relação ao gin: por um lado gosto de um bom gin, por outro lado acho que é uma moda meio parva, a começar logo pela preparação: tem de se passar o gelo no copo para ficar gelado, tem de se passar folhinhas de menta e casca de limão nas bordas para aromatizar, depois uma baga de zimbro, uma folha de louro, um cardamomo, um bocado de laranja, dois dentes de alho, vinagre balsâmico e um patinho de borracha para enfeitar. No fim, o pior, tem de se deitar a tónica numa colher em espiral para não quebrar as bolhinhas frágeis da menina. Com isto tudo, se estás numa fila de cinco pessoas no bar e todas pedem um gin, só vais beber quando já tiveres fome e talvez seja por isso que metem uma salada para dentro do copo. Fazem isto tudo que é para depois no fim quando te pedirem 15€ pelo gin tu pensares «Epá sim senhor, o gajo até teve bastante trabalho com isto.». Tretas. Em casa meto duas rodelas de pepino no copo, gin lá para dentro sem ser preciso medidor, e água tónica a encher o copo.

Qualquer dia o gin une-se ao sushi e o balão vem com bocados de alga e um peixinho dourado vivo, com duas palhinhas especiais que servem de pauzinhos para comer.

Claro que quando o gin é do carrascão (não vou estar a acusar marcas), que se comprou para a passagem de ano, convém meter o máximo de cenas para dentro do copo para disfarçar o sabor a morte de fígado. Até açúcar e um peito de frango grelhado se deve adicionar. Agora, quando o gin é bom (como o Hendrick’s que fez parceria comigo para escrever este texto), até podem beber da garrafa, desde que de forma responsável, se é que isso é possível.

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Em honra do gin simples porque a qualidade é boa e não precisa de ficar camuflado na salada, o Hendrick’s criou o Dia Mundial do Pepino cujas celebrações incluem a festa "A Cidade Labiríntica do Sir Pepino", na bela cidade do Porto, dia 17 de junho. Podem ver mais informações aqui e aqui.





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