17 de outubro de 2017

Quando é que é aceitável trair o/a parceiro/a?



É dia de mais uma consulta "Doutor G explica como se faz". 


Olá Doutor G, tenho um amigo da faculdade que nos damos bem desde o início, há cerca de ano e meio numa das nossas muitas saídas em grupo fomos para uma discoteca e lá se sucedeu e nos comemos (isto tudo sem existir karaté alentejano). Entretanto ele arranjou namorada e estávamos ambos perfeitamente bem com essa situação, até que fomos de fim de semana com amigos voltou a acontecer (novamente embriagados). Na semana a seguir ele mandou me varias mensagens a dizer que queria estar comigo e eu disse-lhe que não, e ele até acabou com a namorada por gostar de mim. A terceira vez é que foi pior, estávamos ambos sóbrios e fui ter a casa dele para irmos a um jantar com amigos, quando me deparo no quarto dele e voltou a acontecer (isto tudo sem samba pelado). Agora vim a saber que ele voltou para a ex e não consigo perceber se tudo o que nos tivemos é só desejo carnal ou se cometi um erro em não ter aproveitado a janela, é que tenho a certeza que não gosto dele mas volta sempre a acontecer.    
RG, 22, Aveiro

Doutor G: Cara RG, no meio disto tudo o que me faz mais confusão é que alaparam escalopes três vezes e pilinha no pipi que é bom, nada. Dizes estar com dúvidas se é só desejo carnal quando dizes que tens a certeza que não gostas dele? Nesse caso, claramente é apenas desejo carnal ou não tens qualquer tipo de critério e fazes pesca da minhoca por arrasto. Ora bem, é provável que o rapaz não tenha acabado com namorada: no máximo deu um tempo que era para ver se te comia. Como não deu, voltou para a namorada. Fácil. É a cantiga do bandido com a qual todos os homens dão uma de Tony e plagiam. De qualquer forma, é como a história do capuchinho vermelho: já sabes que pelo atalho há o lobo mau, mas mesmo assim vais enfiar-te no quarto dele a ver se ele te come o queque de chicha. Sabes muito.


Caro Dr. G, há cerca de um ano conheci uma moça pela internet, tendo as coisas rapidamente evoluído para uma relação mais ou menos séria. Mesmo eu não gostando verdadeiramente dela, sempre tinha uma trincheira para esconder o Tobias. Essa relação acabou há dois meses, sendo que fui eu quem terminou, e não falamos desde então. Porque terminei eu a relação? Embora eu tenha apontado motivos diferentes, acontece que, na verdade, o fiz porque a dita moça tinha o nefasto hábito de me inserir o dedo no ânus. Pedi-lhe várias vezes que não o fizesse, pois não me sentia confortável com tal acto (ou talvez tivesse medo de vir a gostar) mas, volta e meia, lá estava ela a coçar-me o reto. O problema surge quando por estes dias dou por mim a sentir saudades dela, numa luta interna para não entrar em contacto ao deparar-me com a questão existencial que me assola: Estarei eu com saudades da sua pessoa, ou do seu dedinho maroto? 
Fábio, 25, Viseu

Doutor G: Caro Fábio, qual é o problema de gostar do dedo no ânus? Desde que não seja o dedo grande do pé, pois isso seria estranho. Se gostas, deixa-te ir, não é por isso que deixas de ser menos macho. Pessoalmente, não aprecio, mas se apreciasse deixava que me dedilhassem a próstata por dentro como gente grande. Só passas a ser homossexual se de entre todas as coisas que te podem enfiar no rabo a que tu preferes é uma pila de verdade. Pareces as mães a pensar que a ganza é uma droga de entrada para a heroína. Achas que depois de um dedo vais começar a pensar «Epá, se um dedo sabe assim, como é que será ter o Wilson a bafejar-me o cachaço enquanto esconde a morcela no meu túnel de chocolate?». Tretas. No entanto, percebo que tenhas acabado com ela, já que disseste várias vezes que não gostavas e ela insistia. Talvez a excitasse e, por vezes, precisamos de fazer cedências para depois pedirmos um miminho para nós. De qualquer forma, se não gostavas dela, mas ela gostava de ti (só se enfia dedos no rabo quando é amor), deixa-te estar quieto e se sentires muito a falta dela, compra antes um dildo destes para brincares sozinho.


Caro Dr. G, antes de mais deixe-me dizer que não irei faltar ao seu Stand-Up Comedy por nada! Sou uma rapariga nos seus 19 anos que nunca namorou, nem boca a bocas, nem amassos, nem funanás, nada... e sinto-me uma E.T neste mundo. Não sou feia, já tive rapazes que me abordaram, mas não consigo envolver-me com alguém quando gosto de outra pessoa, e no meu caso, sempre gostei dos rapazes errados que mesmo tomando iniciativa sempre me viram como apenas uma amiga. Não sou muito de festas (nem envolver-me com pessoas nelas), posso contar com os dedos as vezes que bebi, gosto mais de ficar em casa a ver filmes ou ler do que sair. Comecei a falar agora com um rapaz, ele é simpático, nada de tinders, conheci-o através de um amigo pessoalmente, falamos bastante, mas nunca nenhum de nós falou em sairmos juntos e tenho medo que ele não queira, por isso não abordo o tema. Receio parecer muito desesperada.
Anónima, 19, de uma cidade onde vai estar o stand-up comedy.

Doutor G: Cara Anónima, estás a referir-te a este espectáculo que vai passar por 9 cidades (e mais uma que será anunciada em breve) e cuja data para Lisboa já esgotou e onde há mais duas ou três perto disso? 

Este espectáculo cujos bilhetes estão à venda neste link? Muito obrigado. Apesar da simpatia e de já teres comprado bilhete para o meu stand-up, vou ser bruto contigo na mesma e dizer-te que se queres não podes estar à espera que seja ele a tomar a iniciativa. Pelo que tenho visto, os homens estão cada vez mais xoninhas e, como tal, a esperança da humanidade está nos ombros das mulheres. Para perceberes melhor, deixo-te um pequeno fluxograma:

Vá, ainda hoje, convida-o para tomar um café. Dica: se ele troca mais de duas mensagens contigo por dia e não se limita a responder às que envias, é porque já se masturbou a pensar em ti.


Tenho uma namorada há cerca de 4 anos com quem vivo apesar de termos vidas bastante independentes e estarmos sempre a falar de tangas tipo relações abertas, sem nunca concretizar nada. Recentemente fui beber umas cervejas com uma amiga de um amigo que me contactou para o efeito e ao segundo encontro fumámos uma broca e acabámos aos melos na rua. Isto aconteceu principalmente porque a míuda é gira e estava disponível à brava mas também porque a minha namorada está ausente por um mês e eu senti-me o rei do rancho. Já voltámos a repetir o número sem que houvesse invasão de fronteiras corporais, estou a sentir um dever moderno que me impele a dizer-lhe que tenho já poiso antes de lhe invadir a Polónia. Tenho umas três semanas até à reposição da lei marcial.  
Anónimo, 24, Santarém 

Doutor G: Caro Anónimo, mas quem é que ainda diz "melos"? Estamos em 1998 e temos 14 anos ou quê? Não vejo uma questão na tua dúvida pelo que parto do princípio que estás à espera da minha autorização para avançares. O Doutor G nunca incentiva ao adultério a não ser em casos muito específicos e, até ver, não é o teu caso. Deixo-te um fluxograma para te ajudar a decidir:
Se a outra for mesmo, mesmo, mesmo, boa, também tens atenuante. Não és ilibado do crime, mas tens uma pena menor.


Olá Dr. G, é o seguinte eu tenho dois amigos que estão interessados em mim. O problema é que o primeiro eu gosto muito dele e ele também gosta de mim, mas ele tem namorada e diz que gostava de fazer amor comigo mas que seria uma vez única. E o segundo teria a possibilidade de poder fazer sexo com ele várias vezes. A questão é que eu só posso escolher um deles porque tenho princípios, por isso não sei Dr. G se opto por fazer amor com o primeiro ou muito sexo sem sentimentos profundos com o segundo? 
Anabela, 23, Lisboa

Doutor G: Cara Anabela, andamos a comer gelados com a parte de cima e frontal do crânio, não andamos? Vamos por pontos:

  1. O primeiro gajo não gosta mesmo de ti e só te quer levar para a cama.
  2. Se fores para a cama com o primeiro vais ficar apaixonada por ele ele nunca mais te vai ligar.
Se soubesses que o primeiro gajo é um Deus do sexo, dir-te-ia que mais valia uma bem dada do que dez mal amanhadas, mas como não é esse o caso, digo-te para ires pela quantidade. Imagina o cenário:

- Olhe, tenho aqui este cacho que tem uma banana e este que tem dez e só lhe posso oferecer um dos cachos, qual prefere? - dizem-te.
- Mas qual tem melhor sabor? - perguntas.
- Não sei, não provei. - diz a outra pessoa.

Vais escolher as dez bananas, não é? Claro. Ou então dizes «Olha ali um anão transformista!» - algo que nunca ninguém viu - e aproveitas a distracção para enfiar na boca ambos os cachos. Agora fazes o que quiseres com esta informação. No limite, faz um leilão e aquele que te licitar mais orgasmos é o que escolhes para parceiro.

Ora bem, a rubrica de hoje marca uma data especial: o Doutor G tem um patrocinador. Já tinha sido abordado por algumas marcas para esse efeito, mas que diziam «Queremos o Doutor G, mas sem humor.»; «Queremos o Doutor G, mas sem asneiras.»; «Queremos o Doutor G, mas só se for menos explícito em termos de sexo.». Como devem imaginar, custa rejeitar dinheiro, mas decidi mandar essas marcas para o pénis, já que isso iria alterar completamente a forma e conteúdo deste espaço e isso faria com que deixasse de me dar gozo mim e a quem lê. Por isso, quero mesmo agradecer à Vibrolandia que decidiu apostar nisto sem fazer qualquer tipo de exigência editorial. Podem arrepender-se, é um facto! Houvesse mais marcas assim que não têm medo de arriscar. A marca vai estar presente neste espaço e sempre que se justificar irei sugerir alguns produtos em resposta às dúvidas do consultório. Um dia até faço um vídeo de review de sex toys que deve dar pano para mangas. Quando quiserem apimentar a vossa relação ou oferecer um presente maroto à vossa avó, lembrem-se de ir ao site deles ver o que lá têm e usem o voucher DRG10 para terem 10% de desconto. Se quiserem ajudar-me e mostrar que apostar em conteúdos de humor e sem paninhos quentes pode ser uma boa estratégia de marketing, partilhem este texto à vontade.

Obrigado a todos e, como sempre, até para a semana e continuem a enviar as vossas dúvidas para porfalarnoutracoisa@gmail.com. 


Partilhem e façam amor à bruta porque de guerras o mundo já está cheio.






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