1 de maio de 2014

O Governo é um grande salão de beleza



Parece que é dia do trabalhador, excepto para 500 mil desempregados e para os 230 deputados da Assembleia da República. Pimbas, humor político assim logo a abrir. Ontem o Governo anunciou novas medidas, a subida da TSU em 0,2% e a passagem do IVA de 23% para 23,25%.  

O Governo parece uma esteticista à procura de qualquer pentelho que possa arrancar

 Aliás este Governo assemelha-se em tudo a um salão de beleza, daqueles caros mas que vemos as pessoas a sair de lá ainda mais feias do que entraram, mesmo aquelas que parecia impossível isso acontecer, tal como pessoal que já estava na miséria há 4 anos atrás e agora ainda consegue estar pior.

Além da semelhança óbvia de serem ambos estabelecimentos onde se aplicam cortes e onde normalmente acontece o seguinte "Quer cortar as pontas só? Vamos a isso então!". No fim uma pessoa olha-se ao espelho e afinal o corte foi maior do que o previsto. Eles dizem que fica óptimo assim, mas que se quisermos nos colocam extensões, que não são mais que um empréstimo de cabelo a juros altos. Para este Governo, deixar de ter dinheiro para cortar o cabelo, ou ficar careca, é uma grande oportunidade para experimentar novos estilos de penteados. É um daqueles salões que te tenta impingir produtos de beleza vindos do estrangeiro milagrosos, para fazer crescer o cabelo. O meu cabeleireiro é careca e está sempre a recomendar-me shampoos para a queda. Chamem-me preconceituoso mas não vou muito na cantiga dele. Aliás são peritos, como o Governo, em tentar impingir tudo, especialmente a velhos e pessoas menos informadas. "Vai uma máscara Troika? Faz maravilhas em cabelos assim fracos e oleosos como o seu! Daqui a um ano vai ver os resultados!".

O Governo é um cabeleireiro que nunca admite que errou: "Eu pedi para não me acertar as patilhas!", "Olhe que pediu! Aliás fica-lhe muito melhor assim, parece que estão assimétricas mas é impressão sua!". E se tiverem mesmo que admitir que as coisas estão mal ainda são capazes de nos culpar a nós ou a quem nos cortou o cabelo da última vez: "Sabe que o seu cabelo não dá para esse corte e vinha muito fraco. Se calhar foi de quem o cortou da última vez, eu fiz os possíveis...". A culpa é sempre de outros, nossa ou do Governo anterior. A juntar a isto tudo ainda têm o Cavaco. 

O Cavaco é aquele ajudante caladinho que só lava cabelos e que um gajo se sente desconfortável pelas massagens inadequadas com que ele nos presenteia. 

 Só fala para perguntar se a água está boa assim, e nós feitos parvos dizemos sempre que sim, mesmo que nos esteja a queimar o escalpe ou a gelar os neurónios. São gajos peritos em esconder o que está mal. Quando vêem uns pelos no buço querem logo descolorar, tal como este Governo tenta camuflar os problemas em vez de atacar o mal pela raiz. Adoram fazer-nos a depilação completa, pelo sofrimento que vêem nas nossas caras mas, também porque já que nos deixaram de tanga mais vale não ter pelos a sair pelas virilhas e uma espécie de rabo de esquilo na parte de trás.

As pessoas são fieis aos cabeleireiros como são aos partidos, muitas vezes vão lá por questão de hábito mesmo que não estejam muito satisfeitos. E às vezes chegamos lá e quem nos corta o cabelo é o novo assistente que ele elegeu e no qual nós não tivemos voto na matéria. O pior é que no fim, por muito insatisfeitos que estejamos ele vem com o espelhinho e pergunta "Está bom?", e nós feitos bananas dizemos sempre "Sim, está". E pagamos-lhe o serviço mal feito e ainda temos que ser nós a sacudir os pelos com uma escova tal é a bodega que eles fizeram. Ainda por cima, por muito mal que esteja cortado eles dizem sempre que estamos bem. Querem-nos convencer que estamos melhor do que o que realmente estamos. Penteiam-nos de forma a tentar tapar as marteladas e as falhas de cabelo na moleirinha. Mas depois chegamos a casa, tomamos banho e vemos que está uma bela merda.

P.S. - Não, eu não faço depilação, pelo menos com cera numa esteticista. Mas sei bem como as coisas se processam. Só para não surgirem boatos.





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