22 de julho de 2014

Alegoria do buraco do BES



Há muito, muito tempo, no reino de Portugal havia um feudo, um feudo baptizado pelo Senhor como Espírito Santo. Era belo, forte e governado por uma família que gostava de ir para a Comporta brincar aos pobrezinhos. Esse feudo era governado sobranceiramente, tinha castelos, moinhos e bancos. Tinha hospitais, tinha agências de viagem, tinha empresas, entre muitos outros investimentos que faziam com que fosse um dos feudos mais prósperos no reino de Portugal. Tinha o maior símbolo desse reino, Cristiano Ronaldo, mas nem isso lhe valeu para o que vinha a seguir. Tropeçaram nas próprias fintas que quiseram fazer.

Subitamente as placas tectónicas da economia abanaram com força tal, que muitos dos feudos bancários colapsaram devido às suas fundações frágeis. A família Espírito Santo abanou mas não caiu, e do alto da sua arrogância criticou todos os outros que haviam caído perante tais severas ondas sísmicas da crise. Orgulhosos de não precisarem de ajuda dos senhores do submundo, o Estado, que com o dinheiro dos aldeões decidiu ajudar os mestres feudais do reino de Portugal, distribuindo a riqueza numa ampulheta inclinada.

Foram tempos de trevas no reino, com cinzas a levantarem-se e taparem o sol da esperança de todos os aldeões deprimidos. Os habitantes do reino da Troika, ao verem tal ambiente taciturno no reino de Portugal, decidiram fazer mais uma visita, sabendo que havia lucros para recolher. Fizeram-se de agiotas dos senhores do submundo, desde que o Estado obedecesse e algemasse com correntes de austeridade todos os vassalos. E assim o fez.

Passaram-se anos, 3 anos para ser exacto, em que o feudo Espírito Santo parecia prosperar, parecia ajudar a atmosfera a absorver as cinzas que se haviam levantado. Mas a calma era aparente, uma disputa pelo trono do manso senhorial tornara a família senhorial vulnerável. D. Ricardo Agridoce estava em pé de guerra com o seu primo, Zé Maria Ricardini. Ambos queriam o ceptro do poder do feudo Espírito Santo. Como sempre, quando se zangam as comadres sabem-se as verdades e foi isso que aconteceu. Os podres foram revelados e o povo admirado exclamou em uníssono:

"Este Espírito Santo é como o da Bíblia, fode o pessoal sem ninguém dar por nada."

O pior é que não engravidou ninguém com o Messias, porque foi uma fornicação no rabo e quanto muito sai de lá o Capeta. O feudo foi auditado por uma reino externo, o que indicou que as talhas e mãos mortas que cobravam aos vassalos eram o pau em casa deste ferreiro. Descobriu-se então que um dos moinhos do manso senhorial havia faltado ao registo de 1,2 mil milhões de grãos de farinha e que toda a família vivia como viviam muitas, acima das possibilidades e apenas de aparências. Ao que parece a dona Inércia tinha uma prima em 3º grau, a Dona Contabilidade Criativa.

A crise e desconfiança aprofundou-se no feudo, embora tudo fosse feito e dito para que os vassalos continuassem a ceder a sua propriedade em troca de ajuda financeira. Disseram que o Castelo Bancário não se ressentiria das prevaricações do resto das propriedades do feudo. Para apaziguar os ânimos, excomungaram toda a família Espírito Santo do leme do feudo e chamaram um governador de outro, Vítor Bentinho, para abençoar as colheitas e fazer prosperar a economia feudal. Até o senhor do submundo, Cavaquinho, proferiu umas palavras, logo ele cuja voz pouco era ouvida no reino. Normalmente era no Facebook.

Ao ver esta crise os abutres começaram a pairar, necrófagos financeiros que farejam dívida fácil ao longe. Do reino de Angola veio o maior deles todos. Um abutre, que não contente em comer todos os restos de comida do seu povo, decidiu disfarçar-se de salvador, qual lobo em pele de cordeiro. Um lobo que precisa de perder tempo a esconder a cauda, que abana de um lado para o outro de excitação de ficar com tudo para si, para que, a sua família dos Santos, se abaste um pouco mais com a carne que o seu povo não tem dentes para comer.

Parte da família Espírito Santo saiu do psi20, o café onde costumavam tomar o pequeno almoço todas as manhãs. Manjares com os melhores vinhos e caviar. Saíram tristes, mas apenas pelo que isso representava para todos os outros feudos que criticaram anteriormente, pois posses não lhes faltará para se empanturrarem de iguarias para o resto da vida. A história está ainda agora a ser escrita mas se alguém ficar feliz para sempre, não seremos nós.

PS - Se gostaram desta fábula, podem também ver esta aqui.

PS2 - Não se ponham com tretas que a história está incoerente e imprecisa e que o BES não é a mesma coisa que o GES e etc e tal, ok? A Bíblia também está cheia de incoerências e ficções e o pessoal papa aquilo.





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