9 de outubro de 2014

Pessoas que não metem piscas são parvas



A sugestão para este texto foi-me enviada por mensagem no Facebook, só para verem como eu vos dou ouvidos e que a fama dos 10.000 likes não me subiu à cabeça. Primeiro que tudo, diz-se meter piscas ou pôr piscas? O correcto devia ser ligar os piscas, embora pareça que muita gente, ou a maioria, os meteu ou pôs, realmente em algum lado onde o pisca não brilha. Antes de ontem demorei uma hora e doze minutos a chegar ao emprego. Sim, foi atravessar a 2ª Circular de uma ponta à outra, mas ainda assim nunca demoro mais que meia hora. Ao chegar quase à saída para o Parque das Nações lá estavam dois carros, encostados de ladecos todos partidos. Claramente alguém que se atravessou de uma faixa para a outra sem ligar o sinal intermitente de mudança de direcção. 


O gajo não pôr pisca é o equivalente a, de repente, passar-se ao sexo anal sem avisar a namorada. É apanhar as pessoas desprevenidas e pode dar merda

Mudar de faixa e sexo anal são coisas não podem ser assim de repente. Temos que fazer sinal, esperar por uma "aberta" ou que a outra pessoa diga "Pode meter agora". É exactamente o mesmo, só com a diferença que no sexo anal só o casal é que fica chateado se a coisa corre mal e na estrada são todos os outros que têm que estar no trânsito porque um anormal decidiu que ia ser o Tomás Taveira da estrada, provocando até choques em cadeia por trás. 

Se há coisa que me tira anos de vida é o trânsito e não é apenas pelo tempo que se perde em filas. Mas é pelos nervos que me causa estar no pára-arranca quando vou para o trabalho e, principalmente quando estou a voltar para casa. Tira-me anos pelos nervos que me causa, pelos palavrões que digo e pelo cabelo que sinto a cair ou a ficar branco de cada vez que vejo alguém a mudar de faixa sem ligar o pisca. Se já ouviram buzinar ou viram sinais de luzes quando estavam a mudar de faixa sem pisca era muito provavelmente eu. Se olharam pelo retrovisor e viram um gajo a espumar pela boca e a fazer uma playback de todo o vernáculo português, era eu de certeza. Mas o que é que custa fazer um simples gesto que consiste em mover 2 ou até 1 dedo para deslocar o manípulo 1 centímetro? Esta gente se é assim tão preguiçosa com os dedos noutras áreas não conseguem satisfazer ninguém. Os homens é porque pensam que os piscas se tratam apenas de ornamentos para tornar o prolongamento do seu pénis, vulgo carro, mais bonito e luminoso, as mulheres pensam que são um berloque nas unhas de gel que só estão lá para enfeitar. Já aqui falei uma vez sobre o facto das mulheres não saberem conduzir, por isso nem vou entrar por aí outra vez. Se não leram, façam favor de ler antes de me chamarem nomes.

E as pessoas que dizem "Bem vens atrás de mim que eu sei o caminho?". E nós vamos, se ele não mete piscas estamos sempre a tentar adivinhar para onde é que ele vai virar, para não termos que puxar no travão de mão numa curva apertada em que ele virou de repente. 

Nas rotundas os piscas são como a Maddie, nem vê-los. Ou quando se os vê são pistas falsas, vão a fazer para a esquerda e saem de repente à direita

O pior disto tudo é que essas pessoas que não usam piscas na estrada são as mesmas que utilizam os quatro piscas quando estacionam em segunda fila, vão almoçar ou tratar da papelada e sabem que podem demorar 1 hora. Mas deixam os 4 piscas e ai de quem buzine e refile com o senhor do Mercedes que lhe bloqueia o carro há meia hora, pois ele responde logo irritadíssimo como se a razão fosse sua amiga de infância "Não vê que tenho os 4 piscas?!". Como se as 4 luzinhas a piscar conferissem à viatura e ao condutor um estatuto de super herói imune a qualquer tipo de coima e até mesmo de culpabilização moral seja por parte de quem for.

Uma vez tinha o carro estacionado ao pé da estação de metro, estou a vir do trabalho e o meu carro está trancado por outro com os quatro piscas. Vejo no vidro desse carro um papel a dizer "Toque no 2º Esquerdo, obrigado". E número do prédio? Fui tocar a um e nada, era engano, fui tocar a outro e lá me atende uma senhora logo a dizer "É do carro não é? Já vou descer". Desce, com a maior das tranquilidades, um sorriso na cara e pede desculpa. Eu engoli o sapo e segui viagem. Dia seguinte exactamente a mesma história. Toco, ela desce, pede desculpa e eu digo "Outra vez minha senhora... tem ali tantos lugares" e ela "Mas aqui dá-me mais jeito, era só um bocadinho". Olha a lata do bicho hein? "Dá-lhe mais jeito?!", pergunto eu indignado "Com tanto lugar ali, para a senhora não andar 50 metros, para não perder 1 minuto da sua vida está-me a fazer perder o meu tempo! Da próxima vez que o carro estiver aqui chamo o reboque não sem antes lhe colocar um belo cocó no escape para que o carro lhe fique a cheirar mal durante 1 semana.". A cara da mulher foi impagável, perdeu logo sorrisinho amarelo, apressou-se para dentro do carro e recuou à bruta e acabou por bater no de trás. Eu ri-me, entrei no meu carro e fui para casa com a certeza que tinha sido um bom dia.





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