5 de novembro de 2014

E se houvesse relato na Assembleia da República?



E se os debates na Assembleia da República fossem relatados pelo João Ricardo, com comentários do Nuno Luz e do Luís Freitas Lobo? Eu acho que começava a ser fã de política do Parlamento TV.

João Ricardo: Sejam muito bem-vindos a mais uma tarde de política espectáculo, nesta que é a sua rádio de sempre. O dérbi dos dérbis está pronto a começar nesta bonita arena com uma moldura humana espectacular e um ambiente fenomenal. De um lado temos o PSD, actual líder. Do outro, temos PS, apenas a depender de si para chegar ao topo da sondagem. O juiz da partida é Assunção Esteves, cuja nomeação foi muito contestada por parte do PS. A palavra inicial é para a formação da casa que equipa de laranja. Vamos sentir o pulso nas bancadas parlamentares, e como sempre temos o Nuno Luz para nos ir dando as novidades mais importantes. Nuno, onde te encontras?

Nuno Luz: Cá estamos, João Ricardo, directamente da bancada dos Verdes. O clima aqui continua da mesma maneira. D. Sebastião deve estar para voltar que aqui o ambiente está quase como um nevoeiro pesado e cinzento. O que me parece óbvio, visto que a líder partidária, Heloísa Apolónia, continua a rebentar canhões como se não houvesse amanhã.

João Ricardo: É bom ver que o público está animado Nuno Luz. Já voltamos a ti assim que houver novidades. Como sempre temos também Luís Freitas Lobo, directamente da sua cave para partilhar connosco os seus pensamentos poéticos e sábios. O que te apraz dizer antes deste início de partida Luís?

Freitas Lobo: Apraz-me dizer que se vive um ambiente espectacular, um ambiente de cortar à faca aquecida em manteiga Becel. Um ambiente convidativo para a prática da política dentro do hemisfério parlamentar. Os cânticos, os apupos, são música barroca para quem quer aprender a nadar qual peixe fora de água que não sabe cantar.

João Ricardo: Pois… é capaz de ser isso Luís. Bem, e é dado o apito inicial! O capitão Passos Coelho a tocar para o companheiro de equipa Paulo Portas. Portas segura a bola, Portas tenta ver linhas de passe mas ninguém se desmarca. Vai no um para um e finta o primeiro com retórica e vai para cima do segundo adversário com uma revienga demagógica. É populismo minha gente, é disto que o meu povo gosta! Classe de Portas. Mas volta para trás e perde a palavra! Portas se tivesse mais cabeça poderia ser um caso sério, mas volta sempre atrás nas suas decisões, daí a sua alcunha de balneário, La Belle Irrevogavelle. O que tens a dizer Luís, sobre este início de partida?

Freitas Lobo: Como sempre, Paulo Portas a querer fazer tudo sozinho, sempre com adlibs a fazer lembrar onanismo meigo em plena lua cheia. De um soberbo romantismo mas completamente solitária e sem contribuir para a equipa.

João Ricardo: Pois… é capaz de ser isso Luís. Bem, e  é reposição de palavra lateral para o PS, bem à esquerda e quem vai lançar é Ferro Rodrigues. Mete directamente para António Costa, o novo capitão de equipa, depois da saída de Tozé Seguro, apelidado de maçã podre. António Costa levanta a cabeça, fala bem mas não convence, as claques da equipa da casa apupam Costa. Mais fair play minha gente! A equipa da casa sabe que este Costa é perigoso, que pode decidir o jogo. Uuuuiiii! Entrada a pés juntos a rasgar! Passos Coelho, quem poderia ser! Uma entrada durinha ao passado autárquico do adversário. Entram duas massagistas tailandesas, uma tem claramente genitália masculina, ambas pagas pelos impostos dos portugueses. Momento de pausa. Para ti agora Nuno Luz, conta-nos o que vês aí de baixo.

Nuno Luz: Muito bem, João Ricardo. Agora estou aqui na cantina, onde me encontro com a cozinheira Dona Arlete e… Espera lá... Pois é, vejo ali ao fundo a surripiar um toblerone… Exatamente, é Mário Soares! Mário Soares a aparecer que nem uma osga na cantina. Passo-te a emissão de novo João Ricardo.

João Ricardo: Obrigado Nuno Luz, sempre em cima dos acontecimentos que realmente interessam, a dar vida a este relato aqui na vossa rádio de sempre. Freitas Lobo, o que estás a pensar? Achas que o PSD demonstra falta de segurança com este tipo de entradas?

Freitas Lobo: Claramente, mas não foi apenas demérito do PSD, há que dar mérito ao adversário. Costa foi um malabarista de circo dos anos 80. Foi claramente uma grande intervenção! Ca ganda categoria! Um patrão da bancada central! A forma como acariciou o discurso, é como se tivesse um mamilo debaixo da língua, turgido, entumecido, a fazer lembrar um caroço de prazer que dança e vibra com o trautear e chocalar numa dança de acasalamento entre a poesia, a prosa e a política.

João Ricardo: Pois… é capaz de ser isso Luís. Bem, a falta vai ser cobrada, Assunção Esteves aponta para o relógio e diz que está na hora. António Costa posiciona-se no centro da bancada, parece que vai bater directo. António Costa começa a discursar, entusiasma-se e remata com um "Sr. Primeiro Ministro é um aldrabão!". O árbitro apita e é cartão vermelho directo para Costa. O que é que é isso ó meu! Gera-se a confusão nas bancadas e começa a haver invasão de campo, Jerónimo de Sousa entra todo nu no centro da Assembleia envergando um machado e com uma foice entalada nas nalgas. Está bastante bem conservado fisicamente para a idade. Enxuto e rijo, como qualquer comunista trabalhador. Assunção Esteves termina o encontro. Que feio meus senhores e minhas senhoras! Que espectáculo deplorável, ninguém respeita ninguém, nem nisto que devia ser o jogo dos jogos. Nuno Luz, o que se passa aí? O árbitro está a tomar notas, consegues descortinar o que se passa?

Nuno Luz: Efectivamente, João Ricardo. Encontro-me desta vez junto ao Magalhães de Assunção Esteves, que continua a jogar Alley Cat. Tem também ali um separador do youtube com o discurso de Stalline em 1979 sobre a exportação de amêndoas no Kosovo e outro do Porntube, num vídeo Mature Midget Japanese goes Wild with his Pregnant Daughter and a Giraffe. Muito estranho, João Ricardo. Devolvo-te a emissão e vou ali bolsar aos lavabos.

João Ricardo: E é isto minha gente, o povo não merecia este jogo. Quem paga a politicBox para assistir ao debate, seja ao vivo ou no Parlamento TV merecia mais, merecia muito mais destes que dizem ser profissionais da política. Não tenho muito mais a dizer caros ouvintes, obrigado por terem escolhido a vossa rádio de sempre e fiquem ligados para os comentários que se seguem, com a presença das antigas glórias do mundo da política: Marcelo Rebelo Sousa, José Sócrates e Toni. Luís, queres concluir?

Freitas Lobo: Toni, esse mostro da política, especialista em todas às áreas e autor da célebre frase. "Foi o Hassan, caralho!". Pináculo da política que causa água na boca e suores frios onde o sol não brilha porque não é digno de Toni. Boa noite.

João Ricardo: Não metas mais tabaco não, Luís. Boa noite.





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