13 de janeiro de 2015

Coisas de que já ninguém se lembra



Hoje trago-vos um texto nostálgico. Vou falar-vos de coisas que já ninguém se lembra que existiram e ainda bem que assim é, já que retratam um pouco da ignorância que pauta a história da evolução da nossa sociedade.

Dots
Apanhei-vos já assim de surpresa não foi? Os mais novos não saberão o que foi a febre dos Dots. Durou pouco é verdade, mas o suficiente para ter sido de mais. Então não é que convenceram a grande maioria das pessoas que ao colocarem um pedaço de cartão no canto do televisor, este iria absorver algum tipo de energia e o Dot ficava com a informação de que canal tinha sido visto durante aquele tempo? Depois metia-se o dot algures numa tômbola e havia sorteios. Não bastava os naperons em cima da televisão, algo que hoje em dia com os plasmas é impossível, ainda tínhamos que gramar com o Dot. 

Oração da Bunda
Lembram-se no Fiel ou Infiel? Sim, esse programa erudito que utilizava os piores actores do mundo a fazer de casais que iam testar a sua fidelidade. Contratavam meia dúzia de strippers de categoria C para se mandarem para cima dos maridos das outras e filmavam tudo. Era tudo feito, toda a gente sabia, mas tinha audiências bem altas. Pois bem, como se isto não fosse mau o suficiente, ainda havia um rubrica no programa chamada "Oração da Bunda", em que João Kléber, esse comunicador exímio, fazia o "freeze" no televisor quando se deparava com um plano de um par de glúteos em fio dental, ajoelhava-se e começava a fazer a oração da bunda. Ao pé deste programa, a Casa dos Segredos é cultura.

Hora da Gi
Quem diz que Portugal nunca esteve tão mal como agora tem memória curta. Houve tempos em que a Gisela Serrano teve um Talk Show, numa espécie de sucedânio da Fátima Lopes. Era um talk show onde iam lá aquelas pessoas, que se denominam em termos técnicos, bilús da cabecinha. Tudo o que era velha com problemas e vontade de falar ia lá. Tudo o que tinha doenças raras, prostitutas toxicodependentes, anões transformistas, tudo isto tinha tempo de antena para contar as suas histórias. Parecendo que não isto até tinha tudo para correr bem e ser um programa giro, o problema é que a Gisela, para além daqueles dentes de pitbull que meteu o focinho na picadora de gelo, dava 3 calinadas no português a cada 5 palavras. Não estou a exagerar, acreditem. Há vídeos algures na internet. De chorar a rir, não fosse o facto de ser vergonhoso terem posto uma pessoa que não sabe falar sem erros a apresentar um programa de TV.

Esquadrão G
O início do milénio foi propenso a programas de encher de vergonha alheia todos os espectadores. Surgiram os reality shows, dos quais destaco o Bar da TV, que passava na SIC. Não se lembram, pois não? Sorte a vossa. De entre esses programas surgiu o Esquadrão G, em que um grupo de 5 bichonas fazia uma mudança de visual a homens desleixados. Quando digo bichonas nem me estou a referir à orientação sexual deles, mas sim ao exagero de tiques e trejeitos de teatro de revista que tinham. Hoje em dia seria um programa homofóbico e ofensivo para a comunidade gay, mas naquela altura acharam que era giro. E era, mas pelas piores razões.

É o bicho
Admitam, vocês também achavam que a música do Bicho do Iran Costa era muita boa. Achavam inclusivamente que o video clip tinha uns efeitos espetaculares, dignos dos melhores filmes de hollywood. Mas para além disso, admitam que ficavam a ver o TOP+ ao Sábado, sabendo que o Iran Costa estava no 1º lugar, pela 30ª semana consecutiva, para ver o vídeo clip e fazerem a coreografia em frente à TV, com um sorriso maroto na parte do "Vou-te devorar...". Bons tempos.

Strip da Linda Reis
Houve uma altura em que todos os programas de televisão tinham convidados que pareciam saídos do Júlio de Matos. O professor Alexandrino, o José Castelo Branco e a maior personagem de todas, a Linda Reis. Pomba gira, para os amigos mais íntimos. A Linda incohporava personagens tão diversas como a Princesa Diana ou o médico Sousa Martins, numa performance de possessão digna de um filme pornográfico. A parte da representação, pelo menos. Certo dia, no Herman SIC, sendo que já se sentia parte da casa, resolveu fazer um strip e deixar à mostra aquelas pelas soltas a abanar, qual shar-pei no meio de um tornado. Nunca a bolinha vermelha no canto do ecrã fez tanto sentido.

Febre dos Yo-Yos
A prova que o mundo está diferente é que hoje em dia já ninguém brinca no recreio das escolas como antigamente. Ninguém brinca com o pião, com os diablos e muito menos com os yo-yos, cuja febre atacou a criançada ali por volta dos meus 13/14 anos. Toda a gente tinha um, da coca-cola ou da sprite. O pessoal que tinha da Fanta era ainda mais de desconfiar. Estão a imaginar um puto no recreio a brincar com o yo-yo hoje em dia? Ia sofrer bullying até mais não.

Pager
Houve um tempo em que não havia telemóveis, não sei se se lembram. Alguns provavelmente não. Um tempo em que havia telefone de casa, cartas e cabines de rua. Nessa era, surgiu um pedaço de tecnologia que nos fez a todos sentir espiões 007. O pager! Essa incrível engenhoca que nos permitia receber mensagens escritas no nosso bolso. Uma pessoa ligava para o pager, deixava a mensagem por voz e alguém do outro lado a dactilografava e enviara para o receptor, fazendo-lhe vibrar o cinto, que era normalmente onde se andava com o pager preso. Eu nunca tive nenhum, sendo que servia maioritariamente para as mães avisarem os filhos para voltarem para casa, já que o jantar estava pronto. Na minha zona não havia esse problema, ninguém ficava na rua depois do sol se pôr. "Ah e tal, mas no verão anoitece depois de jantar", pensam vocês. Estejam calados e não me estraguem a piada.


Spray que fazia crescer cabelo
Este mítico produto passava nos primórdios das tele-vendas. Era um spray, que sendo borrifado numa ou outra careca, fazia crescer, ou melhor dizendo, aparecer cabelo instantaneamente e como que por magia. Já naquela altura era rídiculo e isso já diz muito. Era óbvio que aquilo era tinta. Gostava de saber quantos carecas foram enganados com este spray. É curioso é que ninguém processe esta gente por publicidade enganosa, ainda hoje em dia é assim com tantos produtos de tele-vendas, já para não falar das astrólogas.

Alcina Lameiras
Por falar em cartomantes, bem antes da Maya ser conhecida, houve uma senhora que andou nas bocas do mundo, tudo por uma frase que dizia num dos seus anúncios de tarot telefónico. "Olá boa noite, eu sou a Alcina Lameiras (...) não negue à partida uma ciência que desconhece", tornou-se numa catch phrase digna de uma sitcom de renome. O que é feito dela? Alguém sabe? Alguém diga à Conceição Lino para a levar aos perdidos e achados. Nem uma fotografia ou vídeo encontrei dela na Internet, a senhora tem realmente poderes sobrenaturais.

Royco Cup a Soup
Para não serem só desgraças, quero terminar com uma nota positiva, da boa publicidade que se fazia. O Nuno Melo, esse senhor com ar de quem já matou três cães e duas avós à machadada, protagonizou um dos melhores anúncios de que tenho memória. Um anúncio que o Gustavo Santos não aprovaria, por fazer humor com Alentejanos. "Fica-se logo pronto, para a loucura do dia à dia", foi dos melhores chavões de sempre da publicidade portuguesa, capaz de envergonhar qualquer anúncio da MEO.


E é isto. Lembravam-se de tudo ou tiveram que fazer um esforço? As minhas mais sinceras desculpas por vos fazer relembrar algumas destas coisas. Se quiserdes mais textos nostálgicos tomai: Coisas da minha infância e ainda Desenhos animados da minha infância





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