25 de abril de 2016

Portugal precisa de um Salazar



Já passaram 42 anos desde a revolução dos cravos e apesar de Salazar ter morrido quatro anos antes, é impossível dissociarmos o fim do Estado Novo da morte desse que foi o seu grande obreiro. Todos os anos 25 de Abril é o dia em que muitos se juntam para em coro dizer «O que faz falta a este país é um Salazar.», mesmo alguns jovens que nunca coexistiram com o seu ídolo, criando assim um paradoxo ao demonstrar que o nosso sistema de educação poderá estar pior. Tal afirmação pode parecer digna de um doente com a síndrome de Estocolmo que se apaixona pelo seu captor e se esquece das constantes violações e castrações, mas aqui ficam as reais vantagens que teríamos com "o maior português de sempre" de volta ao poder.

Greves
Com Salazar nunca teríamos o problema constante das greves do metro e de outros trabalhadores da função pública. Ninguém ousaria fazer greve em busca de condições de trabalho melhores sem temer as consequências. Não é como agora que tanta gente sem vontade de trabalhar acha que pode paralisar os transportes públicos e prejudicar quem quer ser alguém na vida! Esses gatunos que reivindicam melhores condições de vida tinham os dias contados com Salazar, até porque todos sabemos que no tempo da outra senhora, a principal razão para ausência de greves era o facto de todos os trabalhadores viverem muito bem e sem quaisquer razões de queixa.

Fado, Fátima e Futebol
Com Salazar no poder nunca teríamos visto a constante perda dos principais valores da sociedade portuguesa. Infelizmente, o lema de outrora «Fado, Fátima e Futebol» é hoje «Kizomba, Teresa Guilherme e arbitragem». Perdeu-se o amor à pátria e isso vê-se no facto do fado ter sido considerado Património Cultural Imaterial da Humanidade: no tempo de Salazar o fado seria apenas de Portugal e nunca um património do resto do mundo. Muitas eram as virtudes do professor, mas a de manter para os portugueses o que era deles talvez fosse das suas melhores. Sem Salazar nunca teríamos tido Eusébio porque nos dias de hoje ele teria jogado pela seleção de Moçambique, a não ser que se naturalizasse brasileiro e depois daí se naturalizasse português. No tempo de Salazar tínhamos o pantera negra, hoje temos o pantera vesgo, Éder.

Kizomba
Aliás, a quebra do império português trouxe com ela vários problemas para Portugal. Entre os quais, a pandemia da kizomba, algo que nunca teria florescido em Portugal se ainda figurasse Salazar como chefe de estado. Ele era conhecido pelo seu excelente gosto musical e pela intolerância a letras de mau tom e de cariz político. Artistas que cantassem «Agora não me toca», num claro desafio à autoridade vigente, seriam imediatamente convidados a uma carreira no Tarrafal e Portugal seria um local com menos poluição sonora.

Angola
Já que falamos nas ex-colónias, é de ressalvar que os grandes problemas que vemos a acontecer em Angola seriam impossíveis com a mão de ferro do Professor Doutor António Oliveira Salazar. Com a face do Estado Novo a comandar os destinos de Angola nunca teríamos activistas presos como o Luaty Beirão. Estariam mortos. Se fossem presos, ao menos faziam-nos o favor de não tornar isso em notícia de abertura de telejornal como se a "libertinagem" de expressão fosse algo importante. Uma greve de fome no estado novo nunca seria notícia, já que era o que a maioria dos portugueses se via forçado a fazer ao jantar. Por falar em liberdade de expressão, apesar de muitos apelidarem como censura o fantástico trabalho de filtragem de qualidade que Salazar fazia, é óbvio que essa triagem só faria bem a Portugal. Era uma triagem honesta e feita de forma directa, e não como a real censura que agora se vê que passa por fazer pressão a jornalistas e cronistas para que não comentem assuntos incómodos, como Angola, curiosamente.

Crise
A melhor qualidade do professor sempre foram as Finanças e é mais do que óbvio que com Salazar no poder, Portugal nunca teria o défice descontrolado nem teria necessitado de pedir ajuda externa. Salazar ia fazer com que o povo se unisse e se voluntariasse a passar fome e a não ter sapatos para que Portugal pudesse avançar! Com António nunca haveria crise, nem que fosse porque utilizar essa palavra seria proibido e seria mais do que normal a maioria viver com pouco para alguns se banquetearem e passarem a vida em orgias abafadas pela moral e os bons costumes. A crise é apenas uma visão deturpada e uma dificuldade de olhar em perspetiva: há sempre alguém pior do que nós e é por isso que dizer-se que estamos em crise é ofensivo. Salazar sabia como falar ao povo para que este se conformasse na sua mediocridade. Deus haveria de os recompensar.

Ajuntamentos
Portugal precisa de um Salazar para repor a ordem na via pública. É inadmissível a desordem que se vê no Bairro Alto, no Cais do Sodré e em todas a zonas de diversão noturna. Não admira que cada vez mais se aprovem leis que fazem com que se vá destruindo esse cancro da vida urbana que é o barulho e a sujidade nessas zonas que estão acordadas até de manhã e com elas mantêm de olhos abertos os moradores sérios e que têm de se levantar cedo ao Domingo para ir à missa. Festas e jantares de grupo seriam todos corridos a gás lacrimogéneo.

Amizade com a Alemanha
Com Salazar no poder Portugal nunca se teria subjugado aos caprichos da Alemanha de Merkl. No tempo da 2ª Guerra Mundial, todos sabemos da mestria de António que conseguiu manter-se neutro apesar da sua admiração por Hitler. Salazar soube ficar à parte de um conflito e ainda receber várias toneladas de ouro nazi para os cofres cheios de Portugal. Isto enquanto fez por perseguir e não valorizar quem contornou a lei com o objectivo, reprovável e egoísta, de salvar milhares de vidas, como foi o caso de Aristides de Sousa Mendes. Era nestes pequenos detalhes que se via a diplomacia salazarista bem como demonstrava ao povo que cumprir a lei era mais importante do que tudo o resto, algo que se perdeu nos tempos de hoje em que qualquer pirralho acha que pode desafiar a autoridade.

Mocidade portuguesa
Por falar em pirralhos, já olharam bem à vossa volta? Já viram o estado da nossa juventude? Trocaram os uniformes militares e o respeito, pelos chapéus SWAG e a música importada. Com Salazar, as crianças estavam bem entregues ao cuidado da mocidade portuguesa e as escolas tinham obrigatoriamente que incluir a educação baseada nos valores morais do catolicismo. As crianças deviam saber cantar o hino e não os hits da Cidade FM. É por essa mesma razão que numa geração se passou de «Quis saber quem sou, o que faço aqui» para «Ela é linda, ela é special.»

Abstenção
Um dos grandes problemas da democracia é a abstenção e o desinteresse do povo nas escolhas que podem moldar o destino do país. Com Salazar era menos um problema a assolar Portugal já que as eleições de nada serviam. Era menos uma preocupação na mente dos portugueses e menos uma desculpa para justificar os males da nação. Era como termos um pai que sabe o que é melhor para nós e nos convence de que não temos capacidade para fazer escolhas inteligentes.

Revolução
Salazar seria, sobretudo, positivo para Portugal porque nos daria esperança num futuro melhor para todos. Salazar dava-nos o desejo de mudar! Portugal é um país que precisa de almejar uma revolução! Precisa que lhe pisem os calos e lhe digam para estar calado, para que tenha forças para sair do marasmo e sair à rua de cravo e ferradura na mão. Os portugueses andam adormecidos e sem forças para se revolucionarem outra vez e Salazar faz falta por isso. Com um Salazar, todos, ou quase, teríamos o desejo latente de sermos Salgueiro Maia e nos revolucionarmos. Teríamos Amália na voz e José Afonso no ouvido. Sabíamos que, mais cedo ou mais tarde, o verniz iria estalar e nos iríamos revoltar. Nos dias que correm, sem um ditador como Salazar, a esperança está em que isto não piore e se assim for já nos conformamos. Ninguém quer ser revolucionário porque isso não dá likes no Facebook nem seguidores no Instagram. Ninguém censura músicas porque as músicas que se ouvem na rádio são inócuas nas suas letras. Com Salazar no poder teríamos mais jovens a querer ser Zeca Afonso e menos Justin Bieber. 

Por tudo isto, será que se perderam os valores e o respeito, ou apenas se perdeu o patriotismo bacoco e a idolateração às figuras do estado e da religião? A resposta é óbvia, mas seja como for, deixou de conseguir-se alimentar a ignorância de um povo burro e roto com «Fado, Fátima e Futebol» e passou a dar-se-lhe de comer «Pimba, Teresa Guilherme e Arbitragem». A diferença é que agora podemos escolher o que queremos comer e podemos refilar se a comida vier estragada.





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